Comentários sobre o Carnaval – Parte 02

Dia 17 de fevereiro recebi alguns exemplares do “Jornal da Vitória”. O professor Ivan Lemosnovicht estava aqui em casa na ocasião. Juntos, lemos as matérias. O professor indaga se a matéria é mesmo sobre a abertura do carnaval da nossa Vitória. Leiam o que deixou registrado nosso caro professor moscovita: “atordoado e à cabeça a mil, tenho sob os olhos, o “Jornal da Vitória”, edição fevereiro, do amigo José Edalvo, que tece rasgados elogios à abertura do carnaval/2012, com uma referência às qualidades e méritos, no mínimo esdrúxula, a alguns membros da equipe do burgomestre Elias Alves de Lira. Fico pasmo com o profuso e imensurável linguajar. Nem tanto ao mar, nem tanto à praia. Somos mortais e limitados. Que conclusões tirarão, sobre a abertura do carnaval 2012, as futuras gerações, ao pesquisarem no acervo do IHGCSA, a história do nosso carnaval? Ou será que Edalvo sonhou está no País das Maravilhas e vislumbrou todo aquele encanto?

Uma última observação antes de encerrar esta nota: é difícil, muito difícil, fazer jornalismo  independente em uma cidade do interior.

Pedro Ferrer

Leia também a primeira parte dos Comentários sobre o Carnaval por Pedro Ferrer. Clique aqui.

Comentários sobre o Carnaval – Parte 01

Tivemos, dia 11, às 20 horas, a abertura do carnaval/2012, com desfile e baile municipal. O desfile saiu da rua Imperial e o baile ocorreu na praça da Matriz, frente e lateral esquerda do templo católico. Foi na verdade, meus queridos, uma festa do faz de conta.

Público reduzido. Pouca participação. Meia dúzia de gato pingado aplaudia outra meia dúzia, de oportunista, postos em cima de um palco. Políticos foi o que não faltou: o deputado derrotado André de Paula, Mano Holanda, Novo da Banca e outros. Tentaram fazer da abertura do carnaval um palanque político. O tiro saiu pela culatra. O desânimo contaminou até os aliados do prefeito. Ah! O secretário de Cultura também se fez presente. Pouco a pouco ele sai dos bastidores. Ficou um bom tempo por trás das cortinas. De vez em quando, botava a cabeça de fora, olhava o movimento e avaliava se valia o sacrifício de reaparecer.

Não vou carregar muito nas tintas, mas sobre a qualidade da abertura do carnaval não pode haver duas opiniões. Fraca e decepcionante. Vitória goza ou gozava por justo título a fama do melhor carnaval do interior pernambucano. Onde ficam, nossa tradição, nossa cultura, nossa história?  Hoje deveria ser um dia de gala para nossa festa maior, mas os homens gestores não pensam assim. Insisto muito nesta tecla. Não vou cansar.

Pedro Ferrer

Espetáculo cômico e dramático

Mal passou o primeiro mês e já deu para perceber que enfrentaremos um espetáculo cômico e dramático durante o ano.

O carnaval está às portas e os clarins anunciam a chegada do Zé Pereira e do rei Momo. Os vitorienses, protagonistas desse espetáculo, arrumam-se nos bastidores e camarins.

Um a um iremos desfilar perante a vida. Uns erguerão o troféu da vitória, outros, menos avisados ou pouco bafejados pela sorte, chegarão ao final da jornada um tanto quanto estropiados, outros menos afortunados, morrerão. Que papeis nos caberão? Protagonistas  principais, atores de segunda classe, marionetes, palhaços ou mágicos? É bom nos armarmos de tudo, um pouco. Sobretudo de magia e comicidade. Em alguns momentos o povo precisará de mágica para sobreviver ou de comicidade para se iludir.

Teremos, na política, um ano muito difícil. A disputa será renhida. Os prováveis candidatos, Elias e Aglaílson, azeitam suas máquinas e já colocam os blocos nas ruas. Mais uma vez teremos uma eleição polarizada. Não haverá debates. Os temas e problemas que mais atormentam a população ficarão a reboque. Seus anseios não serão atendidos.

Podemos comparar ainda o ano que se inicia a uma viagem de barco. Uma viagem árdua onde é preciso tudo compartilhar. Todos têm direito a usufruir dos bens, por Deus colocados, à nossa disposição. Os políticos ainda não tomaram consciência total da necessidade da partilha,  todavia chegaremos lá. O povo, pouco a pouco vai se politizando, tomando conhecimento de sua força e de seu poder reivindicatório. Apesar deles, amanhã será novo dia.

Pedro Ferrer

Auto das 7 luas de barro.

Professor José Aragão resmungava, esperneava, mas não parava de gritar e conclamar os vitorienses para participarem da vida cultural da cidade. Os diminutos públicos o entristeciam, mas não desistiu. Lutou pertinazmente, por aquilo que ele sempre considerou a seiva da sua vida, e da sua e nossa Vitória de Santo Antão.

“Auto das 7 luas de barro”. Belo espetáculo encenado por uma troupe de Caruaru. Esta peça, que é a biografia do Mestre Vitalino, vem sendo apresentada há 33 anos. Lidera o elenco Sebastião Alves (Sebá Alves) figura por demais conhecida no meio artístico pernambucano.

Quem não assistiu, perdeu, e como perdeu. Texto excelente, boa iluminação, músicas, cenografia, etc,etc,etc. Espetáculo que merecia no mínimo um público de 30 pessoas.

Onde estavam os que promovem ou querem promover as artes na cidade? Dos envolvidos com arte cênica presente apenas o Clayton Santiago. Mais uma vez passamos vergonha.

Não vai deixar de aparecer alguém que diga: mas eu, nem ouvi falar. Cala a boca babaca.

Espetáculo bem divulgado em rádios, em blogs, em carro de sons pelas principais artérias. Porra, duzentos convites distribuídos e apenas duas dúzias de espectadores.

O Instituto promove, se interessa, marca presença na vida cultural da cidade e ninguém aparece. Ninguém, não, tinha duas dúzias de pessoas que sabem fugir da telinha e que têm bom gosto e merecem nosso respeito.

Pedro Ferrer

Ex-ministro e seu irmão, ficam agraciados com o museu do Instituto Histórico

Na última quinta feira (19) tivemos a satisfação de receber a visita do Dr. José Maria Aragão, ex-ministro da República acompanhado do irmão, o também Dr. Sílvio Aragão.

Assim José Maria registrou sua visita:

“A visita ao Instituto Histórico reconforta o vitoriense que vive longe, ao trazer à memória, de forma organizada e técnica, fatos e vultos importantes da História local. A atual gestão do Instituto, liderada pelo professor Pedro Ferrer, está de parabéns pelo belo trabalho de revitalização do Instituto, colocando a serviço das novas gerações com uma preocupação pedagógica de tornar perenes os atos e obras de todos os que, no passado, construiram o que é hoje, a vitória de Santo Antão”.

José Maria Aragão/Sílvio Aragão Melo.
Depoimento registrado no livro de visitas.

Santo Antão

A Igreja Católica no decorrer de sua história atravessou sérias crises tanto teológicas, como morais. Em algumas saiu chamuscada. Chamuscada mas vitoriosa. Vitoriosa, por não ser dirigida por homens, mas sim pelo Divino Espírito Santo. E esse mesmo Espírito intervia nas crises através de sua divina pedagogia. Sabiamente utilizava os próprios homens. Fazia deles, com traumas algumas vezes, é bem verdade, instrumentos de seu magnífico plano, sem agredir, o que o homem tem de mais sagrado, sua liberdade.

No início do cristianismo, por influências do judaísmo e dos sábios gregos, surgiram muitas dúvidas doutrinárias que geraram as primeiras grandes heresias. Para combatê-las, o Divino Paráclito, lançou mão de seus doutores, os grandes padres da Igreja. Era a época da Patrística. Entre muitos temos: João Crisóstomo, Basílio, Inácio de Antioquia, Atanásio, Clemente de Alexandria,  Gregório de Nissa,  Jerônimo, Ambrosio,  Agostinho.

Na obscura Idade Média, novamente a Igreja entra em crise, dessa feita, mais moral que teológica. Entretanto o Espírito de Deus vela por ela. E através dos próprios homens, como Francisco de Assis e Catarina de Sena, encontrou-se a solução.

O mundo evoluiu.  Eis que entramos na efervescência do Renascimento e da Reforma. Mais uma vez o Espírito Santo pedagogicamente vai buscar  Inácio de Loiola, Teresa de Jesus (Teresa de Ávila), Erasmo de Rotterdam, Tomás Moro etc. Personagens cultas, formadoras de opinião, expoentes da intelectualidade cristã. O Pai, com seu carinho, vai ajudando o homem a crescer e os obriga a encontrarem as soluções. Após o Renascimento vem o período Barroco e a Contra Reforma. Nele vamos encontrar  Vicente de Paulo, Bossuet e João Batista de La Salle.

Nos dois últimos séculos despontam, Frederico Ozanam, Charles Péguy, Leão XIII, João XXIII, Pedro Casadálgia e Helder Câmara. Poderíamos citar muitos outros, todavia os mencionados são aqueles que primaram em levar a Igreja a trilhar seu caminho mais original e mais autêntico, a caridade.

E o que tem Santo Antão a ver com essa maravilhosa epopeia da Igreja? Retornemos aos primeiros séculos. Santo Antão foi contemporâneo de alguns dos Santos Padres.

Os Santos Padres, é importante frisar, nasceram num marco teológico que foi se originando a partir do Novo Testamento e são os detentores do legado da Igreja apostólica. Legado que tinha como principal opção, os pobres e os oprimidos.

Alguns dos Santos Padres da Igreja, como é o caso de Agostinho, que tinha dois anos de nascido quando Santo Antão morreu, receberam forte influência da carismática figura que era Santo Antão. Sua contagiante personalidade irradiou-se por muitos séculos.  Seu exemplo de fé, de desprendimento, de amor aos pobres marcaram, não só Santo Agostinho, o principal doutor da patrística latina, mas uma multidão de monges. Santo Antão com sua vida contemplativa solidificou e expandiu a prática monástica. Vale registrar a considerável marca que nosso PADROEIRO imprimiu na vida de Atanásio, um dos Santos Padres. Atanásio, quando jovem, atraído pela vida ascética, foi viver ao lado de Santo Antão que levava uma vida austera e contemplativa no deserto. Um dia, Alexandre, o Bispo de Alexandria, cidade egípcia que fica às margens do Mediterrâneo, visitando Santo Antão, conheceu Atanásio. Convidou-o para ir assessorá-lo em Alexandria e o ordenou diácono. Nessa época surgiu o arianismo, heresia que negava a divindade de Jesus Cristo. Essa doutrina causou muitos estragos entre os cristãos da época. Silenciosamente, pedagogicamente, “sem querer, querendo”, o Divino Espírito chamou Atanásio, que se tornou o cruzado da divindade de Jesus Cristo. Assumiu a causa, defendeu bravamente a ortodoxa doutrina, atraindo para si muitos inimigos.

Mais tarde, Atanásio, que foi canonizado após sua morte, enlevado pelo exemplo de Santo Antão, resolveu escrever lhe a biografia. Biografia essa, que tornou Santo Antão mais conhecido, difundindo seu exemplo, colaborando para propagar e solidificar a vida monástica.

Pedro Ferrer

Instituto Histórico e Geográfico agora com sistema de segurança

O Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão, guardião dos principais acervos, talvez únicos da cidade, constituído pelo museu, silogeu, salão nobre, biblioteca e arquivos históricos e literários que falam da nossa história, da nossa tradição e da nossa cultura vem de instalar um eficiente sistema de segurança que consiste em câmaras e alarmes estrategicamente instalados, monitorados pela “WR SEGURANÇA – 24 HORAS”.

À moderna exposição das peças do seu rico acervo, foi fundamental agregar-se um eficiente sistema de segurança a fim de se evitar o desaparecimento de objetos importantes relacionados com nossa história, como já ocorrido no passado.

 Pedro Ferrer

Mais uma do deputado Henrique Queiroz.

Mais uma do deputado Henrique Queiroz. Está fazendo escola. O dr Henrique veio no dia 23/12 a público, defender o pagamento do “auxilio moradia”. Pagamento indecente feito pela Assembleia Legislativa aos ex-deputados que exerceram mandato entre 1994 e 1997.

Deputado Henrique Queiroz, a decisão pode até ser legal, já que seguiu uma determinação do STF, todavia é indecente. Os “nobres” políticos deveriam saber distinguir o que é legal e o que é moralmente correto. Senhores de tantas regalias e privilégios não tem um mínimo de escrúpulo de sugar mais e mais. E tem gente na fila querendo ser político.  De quebra, para desviar a atenção do público de mais esta mazela, o deputado faz “caiga” em cima do presidente da OAB.

Pedro Ferrer

 

Linda, simpática, inteligente e sobretudo responsável.

Linda, simpática, inteligente e sobretudo responsável. É Manuelly, filha de Brivaldo Pereira dos Santos e Maria José de Morais Santos. Seus avós paternos são Manoel Pereira dos Santos  e Maria Vicente dos Santos, avós maternos, Otávio e Severina Pereira. Para os que não se ligaram ao nome, Brivaldo é aquele simpático e dedicado funcionário do nosso Instituto Histórico. Manuelly foi aluna laureada  ou seja, melhor rendimento acadêmico da turma de Odontologia/2011 da UFPE. Quer mais? Manuelly Pereira de Morais Santos foi aprovada em duas seleções de Mestrado: Saúde da Criança e do Adolescente e Odontologia do Centro de Ciências da Saúde da UFPE.

Pedro Ferrer

Soltando o verbo

Ilustração: http://aposentadosolteoverbo.org/

A praça da matriz foi reaberta aos vitorienses em estilo chateau neuf.  Apesar do atraso e de outros contratempos, o burgomestre Elias Lira está de parabéns. Passeei, esquartejei-a e dissequei-a em todos seus detalhes e nuanças. Até mesmo a caixa d´água, que foi alvo de minhas críticas jocosas, não ficou tão dantesca como me pareceu anteriormente.

E quais são os contratempos?  os bares, meu irmão. Não é que eu seja contra os bares, nem poderia ser, visto minha família viver da cachaça. Sou radicalmente contra bares nas praças. Recentemente Sosígenes Bittencourt, neste mesmo blog, insistiu nessa mesma tecla: praça não precisa de bêbados nem de barracas para vender bebidas alcoólicas.

Passada a euforia da inauguração vamos às mais prementes necessidades da população: trânsito, saneamento e educação, que são empurradas com a barriga pelos gestores.

Nosso trânsito é um caos e ninguém mexe uma palha para melhorá-lo. Por que Vitória não utiliza faixa azul? Por que o prefeito não reabre a rua que borda a praça da Bandeira, que passa em frente ao prédio da antiga farmácia Estado que pertence ao senhor Rochinha?  E as motos?  Não há disciplinas, nem planejamento. Aliás,  nem é bom falar das motos, a coisa não tem jeito mesmo.

Saneamento: fonte de enfermidades. Os bairros pobres só conhecem saneamento de ver na TV e nas promessas de campanha.

Educação. Não quero falar do ensino. Vou falar de comida. Chegam-nos queixas que a escola do Outeiro muitas vezes só serve bolachas na merenda. Será verdade? Manda o responsável pela merenda chegar de surpresa e dá uma olhadela no cardápio dos alunos. Quem fez a queixa? Os alunos ao visitarem o Instituto Histórico. Aliás, o responsável por esse blog ficou de averiguar a veracidade e até ao momento nada apresentou.

Tome paima.

Pedro Ferrer

Óculos de Lampião, rei do cangaço, são roubados do museu de Serra Talhada.

Estive nos dias 26 e 27 de novembro, sábado e domingo, na cidade de Serra Talhada, onde participei, como ouvinte, do encontro de Poetas do Vale do Pajeú. O encontro teve lugar em uma área coberta contígua ao Museu do Cangaço.

O museu ocupa um pequeno espaço da antiga estação ferroviária. Está constituído por dois cômodos de 50 m², cada um. Logo na entrada, nos deparamos com um stand de vendas de souvenirs sobre a região e o tema do cangaço. Seguem, no  mesmo espaço, a distribuição da  maior parte do acervo,  com ênfase ao tema  cangaço e uma homenagem ao rei do baião, Luís Gonzaga.

As peças do museu, que não são muitas, estavam mal distribuídas, com pouca ou nenhuma proteção. Os visitantes podem acessá-las e manuseá-las com facilidade. Na entrada não há controle de bolsas e os painéis dificultam a vigilância dos funcionários. O espaço pequeno e as peças mal distribuídas e pouco protegidas,  facilitam a ação dos inescrupulosos.

Que o acontecido em Serra Talhada nos sirva de alerta. Nosso museu já foi vítima, no passado, da ação dos larápios. Sua fragilidade contrariava nosso saudoso mestre José Aragão.

Na última reforma incitada, a diretoria preocupou-se com a proteção do acervo. Instalou vitrines que inibem o ímpeto e a curiosidade daqueles visitantes mais ansiosos, que não conseguem ver e observar, sem tocar.

No início do ano, dia 2 de janeiro, retomaremos a adequação do nosso espaço e acervo e reforçaremos nossa segurança com novas câmaras e alarmes.

 Pedro Ferrer

FAINTVISA entrou no cacete

FAINTVISA entrou no cacete. O MEC, devido ao baixo conceito atingido pela faculdade,  reduziu o número de vagas do curso de Farmácia da nossa pioneira. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União. Os jornais anunciam que a entidade não se conforma com a medida. Para os dirigentes há uma grande injustiça e que eles irão recorrer na justiça. Fui professor do curso de Farmácia da FAINTVISA e por diversas vezes fui escolhido, pelos alunos, como o melhor professor do período. Bem conheço o problema. A solução está bem pertinho, basta querer ver. Com um pouquinho de senso crítico, seus dirigentes, que são inteligentes e capazes saberão encontrar a solução. Primeiro passo é deixarem de mirar o próprio umbigo. Esqueçam esta conversa de justiça e mãos à obra. A melhor propaganda é a qualidade do ensino.

Pedro Ferrer

Investir na Educação ou Construir mais presídios?

“A educação abre as portas para os outros direitos e a violência não vem pela pobreza, vem pela desigualdade”, são dois axiomas irrefutáveis, que nos são repetidos e transmitidos diariamente através de livros, revistas, jornais etc.  Estas considerações são provenientes de um interessante e preocupante artigo publicado no “Jornal do Commercio” do dia 27 de novembro. O governo federal gasta mais de R$ 40 mil por ano com cada preso de um presídio federal e R$ 15 mil, no mesmo período, com um aluno universitário, o que corresponde a um terço da importância gasta com um detento. A nível estadual a coisa é mais grave, para cada preso, o governo de um estado gasta a média de R$ 21 mil reais,  nove vezes mais do que o gasto por um aluno do ensino médio, R$ 2.300 reais. Para os analistas o contraste dos investimentos explícita dois problemas no encaminhamento dessas áreas no Brasil: o baixo valor investido na educação e a ineficiência do gasto com o sistema prisional.

O papel da educação na formação da nossa infância e da nossa adolescência é relevante e sobejamente conhecido, todavia restringe-se ao papel e às decisões de gabinetes. Nossos governantes não a levam a sério. Valeria lembrar um imperador que esteve na “ Victoria”, no ano de 1859, e que nos arroubos do seu patriotismo exclamava, que abrir uma escola, é fechar um presídio. Cento e cinquenta e dois anos depois, os iluminados especialistas e pesquisadores da educação nesse país, não resolveram o único problema do país, que é a educação.

“A educação do povo é o nosso primeiro problema nacional; primeiro, porque o mais urgente; primeiro porque solve todos os outros; primeiro porque, resolvido, colocará o Brasil a par das nações mais cultas, dando-lhe proventos e honrarias e lhe afiançando a prosperidade e a segurança; e, se assim faz-se o primeiro, na verdade se torna o único”. (dr. Miguel Couto, médico e pesquisador, julho de 1927).  

Pedro Ferrer

Só o prefeito quer bar…

Aproxima-se o dia da reinauguração da praça da Matriz. No computo geral tudo parece ir bem, entretanto um ponto destoa, os bares ou quiosques, como querem alguns. A estes foi dada mais importância que aos moradores do entorno da praça.

Conversei com Selma, autora do projeto e com Joel responsável pela obra, ambos foram enfáticos em afirmarem que eram e são contra a construção dos quiosques. Para eles a praça não precisava de bares. Manifestaram esta opinião ao prefeito Elias Lira que fez ouvido de mercador. Toda cidade necessita de bares, seus moradores precisam ter um local para bebericar e jogar conversas fora. A praça com certeza não precisa.

Pedro Ferrer

Rapida crônica sobre a Cavalgada

No último dia 20, dois dias após a festa do Instituto, o empresário Pilako não deixou que arrefecessem os tamborins e disparou sua já famosa cavalgada. Casquilhos e vaidosos os cavaleiros exibiam e fustigavam suas montarias. Às 12 horas, após farto e vigoroso café/almoço, regado a PITÚ, saíram todos a cavalgar sob o escaldante sol de verão. Às 16 horas, encobertos de poeiras, chispavam no horizonte, anunciando o retorno. A trote, estava o cortejo de volta. Suculenta feijoada e muita Pitú aguardavam os famintos e sedentos cavaleiros. Das montarias, nem é bom falar. Chegaram numa pândega, verdadeiros pangarés.

Pedro Ferrer

Carta à querida Nicole

Querida Nicole,
Temos novidades sobre o ensino superior no Brasil.

Ministério da Educação divulgou, no dia 17 do corrente, na grande imprensa, o resultado da avaliação efetuada nas entidades de ensino superior do estado. Além das estatais foram avaliadas 65 entidades particulares em Pernambuco. Entre estas, 29 corresponderam à expectativa do Ministério. Numa escala que vai de 1 a 5, duas escolas particulares no estado (Faculdade Pernambucana de Saúde e Damas da Instrução Cristã), obtiveram nota 4, mesmo conceito obtido pela UFPE, UFRPE e UPE. As outras 27 particulares obtiveram média 3. Na análise do Ministério as escolas que não atingem média 3 são consideradas insatisfatórias e estão passivas de punições.

A FACOL, nessa última avalição, deu um salto de qualidade obtendo nota 3. De parabéns seus dirigentes, especialmente doutor Paulo Roberto e professor Péricles Austregésilo. O biólogo Péricles, conheço-o de longa data, é um profissional apaixonado, lúcido e experiente.

Queria mais dados. Corri ao site do MEC, para ver a nota da FAINTVISA. Deparei-me com uma lista de quase 2000 escolas e cursos avaliados. Não consegui encontrar a FAINTVISA nessa longa lista. Ausente na listagem ou desatenção na minha busca?

Interessa-me saber a nota da FAINTVISA, pois sou ligado a ela desde sua origem. Fui seu primeiro professor de Biologia no curso de Ciências. Torço pelo sucesso da escola, a qual está ligada aos meus cinquenta anos de magistério.

Pedro Ferrer

Postura

O “Informativo a Voz”, órgão independente e informativo de novembro, publicado por membros da Igreja Assembleia de Deus, em seu editorial, comenta e analisa o Código de Postura Municipal. Sem desdouro, critica o ex-prefeito José Aglaílson, com justiça, por não ter respeitado o espaço público, ter permitido invasões de calçadas, praças e até de ruas, como se o atual prefeito Elias Lira não tivesse também cometido os mesmos desatinos. Com brados de derrisão sentei-me à beira da calçada e meditei  horas a fio sobre a falta de imparcialidade. Votei em Elias, quem me conhece sabe disso, sou membro da equipe do seu governo, participei da elaboração do seu plano de trabalho e desdobrei-me na campanha, todavia não posso esconder que Elias e Aglaílson são, administrativamente, irmãos gêmeos. Ao conspecto da posteridade os dois receberão a mesma sentença, para isto serve a imprensa livre e independente.

Pedro Ferrer

Sobre a Academia

Academia – Culturalmente, o mês de novembro foi bem positivo. Lá, pelas bandas da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência, a professora Severina Moura, sem dissimulação, voltou a ocupar a presidência da casa. Posso dizer sem desdouro que faço fé na “gordinha” do bairro São João Batista. Realmente, a Academia está precisando dá uma volta por cima. Meditabundo aguardei sua tomada de posse. Os acadêmicos não estão ainda imbuídos, da importância  da  Academia.

Com ideias fulgurantes em seu discurso, a professora Severina Moura arrostou e prometeu sacudir o sodalício da rua Imperial.

Pedro Ferrer

Sim, sim… Não, não!

Não fui ao Reino Fungi. Sem querer querendo fui remexer em minha correspondência  e deparei-me com  essa pérola de depoimento que cai bem no momento atual de nossa política.

Momento que antecede as eleições e momento da desenfreada corrida dos nossos coerentes políticos que mudam de partidos, como se muda de uma camisa.

Foi escrito pelo professor da UFPE, Lucivânio Jatobá, que viveu sua infância e adolescência na Vitória de Santo Antão.

Estimados Amigos,

Na próxima sexta-feira, dia 30 de janeiro de 2009,no Teatro Silogeu, em Vitória de Santo Antão, às 20 h,  estará sendo lançado o livro   “José Augusto Ferrer- Sim, sim, não, não,” escrito pelo prof. Pedro Ferrer, da UFPE. O livro trata  da vida e da trajetória política do deputado e ex-prefeito do município, sr. José Augusto Ferrer.

Tive a satisfação de ter conhecido “Zé Augusto” , ainda nos anos 60.  Fomos quase vizinhos. Na Prefeitura,  Zé Augusto notabilizou-se por ter exercido o mandato de Prefeito de uma maneira singular: o cuidado excessivo, até,  com a coisa pública. Esse  era tão intenso que no final de cada ano do mandato sobravam recursos, pois o Prefeito tratava a Prefeitura como se fosse a sua casa e fazia cortes em despesas significativos. Nada de despesas inúteis!  Muitas vezes, Zé Augusto saía varrendo a rua bem cedinho, sobretudo na Praça do Anjo, para economizar com pagamentos extras de funcionários.  Foi o melhor exemplo de político que odiava a corrupção e a farra dos gastos.  Quem viveu em Vitória, nos anos 60, durante a sua gestão, mesmo sendo inimigo político dele, dirá que foi  ( e é ) um homem honestíssimo.  Pessoas como Zé Augusto encontram-se em extinção. São objeto de estudo e salientam-se , no mar do corrupção, como ilhas de exceção. Deveria haver no IBAMA uma política de preservação desse tipo de “Bicho-Homem”, sobretudo agora em que é raro o político que age como agia aquele “matuto esclarecido” de Santo Antão da Mata.

Um abraço, Lucivânio Jatobá

Pedro Ferrer

Braga drink´s. – Eu também quero!

Hoje não vou ao Reino Fungi. Ficarei na República da Cachaça.

Tarde de sábado. Tarde pachorrenta. Ideal para uma boa leitura. É o que estou fazendo, lendo o “Jornal da Vitória” do nosso amigo Edalvo. De frente, leio na primeira página: doutores locais se unem e abrem um serviço de Tomografia Computadorizada.  Fantástico! Vitória cresce também na área da saúde. Outra boa nova, professor  Edmo Neves, homem de postura, assume a presidência do conceituado clube de serviço, Rotary. Parabéns. Quantas notícias boas. Com euforia e avidez vou folheando as páginas e digerindo velozmente as notícias. Eis que, na quarta página, deparo-me com uma ingrata reportagem: inauguração do Recanto Universitário. Não era para mim, nenhuma novidade, a reforma do bar do Gena. Circulo sempre por lá. Todavia nunca pensei que tamanha agressão a um logradouro público tivesse o apoio de tantos e de todos. Senti enjôo e vontade de vomitar as letrinhas. O jornal faz um clamor exagerado e dedica página inteira a um investimento socialmente capenga e que devia merecer a repulsa da imprensa. O caro Edalvo esqueceu qual a função e o destino de uma praça?

Falo de teimoso. A maioria o deseja. Alguns parentes do ilustre professor, que dá nome à praça, querem-no,  autoridades religiosas, civis e da segurança também o querem e o  apoiam.

Fazer o quê!

Não desejava, mas aguardava um dia o bar do Gena  fechar. Tudo tem um  fim e o tal bar marchava para isto. Com seu desaparecimento, ressurgiria, aí eu desejava, a praça Luís Boaventura. Praça  florida, charmosa, com bancos, fonte e tudo  mais que caracteriza uma praça, como ele sempre desejou. Tenho certeza que Lula Andrade ficaria muito mais contente com uma praça, do que com o “palácio de cristal” que invade e agride uma área que é do povo.

Cansado e revoltado tirei um cochilo. Eis que senti puxarem-me a borda da camisa. Virei-me e não vi ninguém, porém uma voz suave me segredou  ao ouvido:

­ Cala a boca Pedro Ferrer, tu não te emendas? Quem tu pensas que és? Cala-te, estás pregando em um deserto habitado por surdos. Estás com inveja? Vai lá, filho da mãe e abre tu um bar semelhante,  na praça Diogo de Braga.

­ Gostei da ideia. Acho que posso, tenho os mesmos direitos daqueles que já estão estabelecidos, pois sou cidadão brasileiro, tenho CPF, pago meus impostos e contribuo para a prosperidade da cidade. Vou procurar nossos zelosos gestores. Quero meu espaço para abrir um bar porreta.  Braga drink´s.

Pedro Ferrer

Fotos: Jornal da Vitória