O 12º Encontro das Amigas da Vitória acontece amanhã – sábado (26)

Assim como ocorreu  por mais de uma década,  amanhã, último sábado (26) de setembro,  um conjunto de antonenses celebrará, mais uma vez,  a vida e a amizade.

Contemporâneos desde os tempos da escola, adolescência, juventude e das mais variadas  festas,  ocuparão o Restaurante Gamela de Ouro para dedicar o dia  ao reencontro.

O 12º  Encontro das Amigas da Vitória – movimento que começou numa página do Facebook –  tornou-se uma festa tradicional na nossa cidade.

Pessoas das mais variadas tendências, mas que em comum conviveram em algum período do tempo pretérito, e que  hoje estão na faixa dos  sessenta anos, são os protagonistas. Ou seja: os  donos da farra.

Para participar e mais informações: Flávia Verçosa (81) 9.8923.5675

Ultima semana “eleitoral”: fortes emoções…..

Faltando praticamente uma semana para o “D” das eleições gerais 2026, que ocorrerão no próximo dia 04 de outubro, podemos dizer que as disputas majoritárias,  visando o Palácio do Planalto e o do Campo das Princesas,  seguem abertas.

Lula e Flávio Bolsonaro dominam o pedaço. No meu modesto entendimento, dois projetos que não somam para o Brasil de hoje. Dois Projetos que não dialogam com as agendas de futuro, estrategicamente necessárias ao mundo competitivo e fluído, como bem pontuam os especialistas.

Regida pelo retrovisor  do “terror” as referidas postulações se sustentam pelo ódio e pelo medo semeando, na prática,  a desesperança. Do restante do conjunto das candidaturas, incrivelmente, até aqui, não se ouviu sequer  uma frase de efeito,  na qual se possa, pelo menos, se “iludir”. Essa, possivelmente, seja eleição presidencial, pós-redemocratização, com o pior cardápio de candidaturas.

Já na terra dos altos coqueiros, na qual a polarização tem outro sentido político, João e Raquel disputam o voto palmo a palmo, segundo as últimas pesquisas de opinião divulgadas.

O fato novo da última semana – “faz sem ela saber” – já ratificou seu poder destrutivo em desfavor da governadora, candidata à reeleição. Com raras exceções, os políticos “mudam” na campanha para tentar agradar a gregos e troianos. Ao que parece, o “chá de simpatia” que Raquel foi orientada a tomar, certamente indicado pelos seus marqueteiros, venceu antes do prazo imaginado. É visível sua inquietação….

Já no campo adversário, simultaneamente, João comemora! A estratégia do contra-ataque funcionou. Mesmo em cima de um fato requentado, ocorrido em 2025.

Em ato continuo, à vista de Lula, principal “aposta” da campanha do PSB por aqui, que irá acontecer amanhã, sexta-feira (25), indiscutivelmente, tem  o poder de animar ainda mais a  tropa do adversário da governadora.

Diga-se, também, que em  Pernambuco a disputa pelas duas vagas ao senado segue em “modo emoção”. Das cinco candidaturas, incialmente, competitivas, ao que parece, restaram apenas 3 no ringue. Duas pelo campo da esquerda e uma pelo campo da direita. Os candidatos que optaram por defender o “voto  hibrido”, até aqui,  foram rejeitados  pelo eleitorado pernambucano. Segue o jogo……

Vida Passada… – Damasceno Vieira – por Célio Meira.

No ano de 1850, a 6 de maio, João Damasceno Vieira Fernandes, na formosa cidade de Porto-Alegre. Terminando o  curso primário, conquistou, aos 21 ou 22 anos de idade, o título de professor, na Escola Normal da terra onde nasceu.

Não possuía, o jovem inspirado poeta do “Ensaio Timidos”, a paciência do mestre-escola; faltava-lhe o amor à vida, se gloria, do magistério primário; não tinha o espirito de renúncias dessas criaturas, professores públicos de primeiras letras, que trabalham e sofrem, se estiolam e morrem, no anonimato e na humildade. Desejou Damasceno Vieira, vida mais intensa, em que pudesse, pela natureza do seu trabalho , correr pelo mar, pelos rios e pelas terras do país natal. E ingressou, esperançoso, no funcionalismo público.

Exerceu, a principio, contam biógrafos, o cargo de escriturário na Tesouraria da Fazenda, e na Alfandega da Província nativa e, depois, em outras Alfandegas do Rio Grande do Sul. E servindo à nação, realizou a peregrinação desejada, por uma grande faixa da terra brasileira. Trabalhou na Alfandega de Santos, na do Rio, e na do torrão baiano, honrando, sempre, o cargo público, a que consagrava as energias de seu espirito iluminado.

A burocracia não matou, graças a Deus, o homem de letras. Poeta, jornalista, crítico, historiador, e teatrólogo, deu, Damasceno Vieira, à literatura nacional, boas obras, escritas em linguagens elevada, e correlata, e cheias de amor à terra onde viu, um dia, a luz do sol. Entre seus trabalhos, está o livro “Esboços literários”, páginas de crítica, “ A flor do Mancá”, formoso poemelo histórico, e o “Através do Rio da Prata”, obra preciosa que o levou, conta um biógrafo, no Instituto Histórico Brasileiro.

Batalhou, durante quarenta anos, no jornalismo, redigindo artigos e crônicas no “Jornal do Comércio”, de Porto Alegre, na “Reforma”, e no “Mercantil”, diários da gleba nativa, e em inúmeros jornais  e revistas do Brasil. Morreu, Damasceno Vieira, na Baia, aos 60 anos de idade. E seu nome é , ainda hoje, no funcionalismo federal, e nas letras literárias, um exemplo de honestidade e de trabalho.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

1ª Edição Corrida e Caminhada São Vicente…….

No domingo (20), por volta das 6h, foi dada a largada da 1ª edição da Corrida e Caminhada São Vicente, promovida pela Paróquia de São Vicente de Paulo, localizada no bairro do Maués, aqui em Vitória. Após o percurso de 6km e 3km, corrida e caminhada, respectivamente, os participantes receberam medalha de participação e foram recepcionados com abundante café da manhã. Vamos correr……..

Em Vitória, disputa por um assento na ALEPE segue “pegada”!!!

Com histórico positivo em ocupar vários assentos na ALEPE, nas  mesmas legislaturas e por décadas consecutivas, Vitória de Santo Antão, em 2026,  ao que parece, manterá escrevendo esse capitulo no mapa da geopolítica pernambucana.

Sem nenhum demérito a outras candidaturas ou mesmo outros municípios, atualmente,  temos 3 deputados concorrendo à reeleição – Henrique Filho,  Joaquim Lira e Aglaílson Vitor. 

Na categoria de “não detentores de mandatos”, mas com viabilidade eleitoral, temos:  André Carvalho, Socorrinho da APAMI e Túlio Arruda.

Segundo previsões mais otimistas, apontadas por alguns  “cientistas políticos populares” de plantão, poderemos, nesse pleito, em função dos arranjos eleitorais e  partidários, ao abrir as urnas,  alcançarmos o número de 5  parlamentares eleitos,  com  domicilio eleitoral antonense.

Numa previsão mais pessimista, por assim dizer, segundo esses mesmos “cientistas”, poderíamos encolher nossa representação na ALEPE para apenas 2 cadeiras.

Das três candidaturas que nunca ocuparam uma cadeira na ALEPE, a vitória eleitoral e política de André ou Socorrinho, indiscutivelmente, teriam  a capacidade de  influenciar fortemente o pleito municipal de 2028. Alteraria a configuração das forças do tabuleiro político local.

Observaram, também, que a postulação de Túlio Arruda, independente de êxito eleitoral, enfraqueceu o projeto de reeleição do deputado Joaquim Lira.

Em ato contínuo, vencendo ou não em 2026, o Joaquim Lira, em função da possível diminuição  de sufrágios  no seu principal reduto,  sairá desidratado, visando   o seu projeto para 2028, ou seja: disputar a prefeitura da Vitória como candidato “natural”. Com efeito,  ficará  muito mais dependente das “bênçãos” e da boa vontade do atual prefeito Paulo Roberto, que hoje “encena” um racha e uma briga com os “amarelos”.

De olho nesse cenário futuro e com boas chances de emplacar a reeleição, o deputado Vitor segue, segundo comentários, com “um olho no padre e outro na missa”, ou seja: refuta briga e racha verdadeiro no grupo político de  Elias/Paulo,  com medo de    perder o status de principal opositor.  A tão desejada polarização poderia mudar, mesmo que fosse um projeto “montado”. Nesse caso, não custa nada lembrar as palavras de uma velha raposa política que dizia:  “em política, até as brigas são combinadas”. 

No geral, a vitória eleitoral nas urnas de 2026 dos nossos “legítimos representantes”,  tem a capacidade  de ratifica espaço de poder e visibilidade política para os que lutam por um lugar ao “sol” na terra dos altos coqueiros. Mas, lembremos, que  a disputa pela maior votação no reduto da Vitória de Santo Antão, definirá, em parte, os rumos da sucessão municipal de 2028. Segue o jogo….

STF e as desculpas da ministra Cármem Lúcia.

Nas mais variadas plataformas de comunicação o conteúdo segue na  mesma direção, isto é:  O sangramento do STF.  No contexto, de alento, apenas as desculpas à Nação, sublinhadas pela Ministra Cármem Lúcia.

Para abrandar nas palavras, eu diria que  é desestimulante testemunhar, mesmo que seja na condição de denuncias,  que magistrados e respectivos familiares são recebedores de vantagens indevidas. Isso é uma traição aos princípios que norteiam o sistema judiciário porque apenas a dúvida já  fere a  sua essência, a sua razão de existir,  ou seja: fere o sentimento justiça.

Desentranhar de uma sociedade que já elevou o sentimento de que “devemos levar vantagem em tudo”, a pratica corrupta, sobretudo quando os maus exemplos estão acontecendo no andar de cima,  torna essa batalha ainda mais longa e penosa.

Se é que podemos enxergar uma luz no fim do túnel, dessa tenebrosa passagem que envolve a nossa supre corte, poderíamos dizer que pelo menos os fatos foram divulgados, até porque não existe encaminhamentos saneadores  para problemas que não se toma conhecimento. Ao contrário disso, há perpetuação. Segue o jogo….

Vida Passada… – Marquês de Itanhém – por Célio Meira.

Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho nasceu em Marapicú, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1782. Viu o Brasil-colônia, o Brasil-reino, assistiu à independência de sua pátria, e morreu em 1867, quando governava o monarca que,  vinte e oito anos, ainda era seu querido tutelado, pela graça de Deus e por mercê dos homens.

Teve, Manuel Inácio, na jornada feliz e demorada da vida favores e honrarias do poder público. Foi criatura amada da Casa bragantina. Quando D. Pedro I recebeu a coroa de Imperador do Brasil, estava Manuel Inácio, conta o historiador do “Galeria Nacional”, entre aqueles que o aplaudiram e o veneraram, ostentando a espada e os galões de alferes-mór.

Pertencia à família numerosa dos cortezãos da monarquia. Conquistou, ainda moço, a poltrona de senador do Império. Essa poltrona vitalícia era o sonho dourado dos políticos e dos estadistas da velha monarquia. Era a glória na carreira pública. E Manuel Inácio a obteve pelas urnas livres da província de Minas Gerais e pela “vontade” do Imperador.

Aos 64 anos de idade, representou, conta um biógrafo, o rei D. Fernando, de Portugal, numa solenidade nacional. Assistiu, nessa época, à cena festiva do batizado da princesa Izabel, a formosa garotinha de sangue azul que, com o andar dos tempos, assinou a lei gloriosa da redenção da raça negra.

Exerceu, esse fluminense ilustre, a tutoria do príncipe Pedro, a partir de 1833, quando José Bonifácio, perseguido pela política, deixou essa missão honrosa. Inteligente, habilíssimo, Manuel Inácio cumpriu, admiravelmente, sua tarefa. Se não transmitiu, ao tutelado, grandes conhecimentos nas ciências e nas letras, teve a finura de conquistar, para sempre, o coração, nessa tutoria. E Cristiano Otoni, malicioso e perverso, o considerava “um cortezão inepto, que se limitava a adorar o seu imperial pupilo”.

Morreu,  Manuel Inácio, aos 85 anos de idade. Foi estribeiro-mor. Teve, na verdade, esse grande do Império, honras que levaram à história.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Simplício de Holanda – por José Miranda, jornal O Lidador, 3 de novembro de 1956, editado por Walmar Andrade.

Ninguém na Vitória de Santo Antão da velha guarda desconhece a expressão que teve na vida política da cidade, no Império e na primeira República, os Holanda Cavalcanti.
Família de tradição não só socialmente e não só na esfera da cultura, como também na política. Dela saíram expoentes literários e artísticos, algumas das quais em registros imortais na história da nossa cultura.
Poetas como Olinda Cavalcanti e Agostinho de Holanda. Martha de Holanda, sem deixar rimas, sem nunca ter feito um verso nem mesmo nas suas mais afetivas elocubrações de namorada. Todos conhecemo-la, na sua vida intelectual, autêntica poetisa, pela melodia e ritmo das produções de letras.
Família de tradição na cultura e na política também.
O antigo regime não passou sem o concurso dos Holanta Cavalcanti nos partidos Conservador e Liberal, dois que eram apenas. Atuavam tanto nos pleitos, eleições de vida ou morte como se diz à boca das urnas, quanto nos cargos públicos a cujos desempenhos lhes confiavam os governantes.
Contam-se, ainda com pesar, os tristes acontecimentos eleitorais. Não só da Hecatombe do Rosário, página das mais lúgubres e vergonhas dos anais políticos de Vitória, mas também da eleição para o primeiro prefeito republicano, em que eram candidatos José Xavier de Morais e José de Barros de Andrade Lima. O primeiro vindo das hostes conservadoras e o segundo, do Partido Liberal.
Há nessa história, que cada vitoriense daquele tempo conta a seu bel prazer e lhe dá as tintas de acordo com o seu modo de ver, um bocado de influência de um Holanda Cavalcanti [Alexandre José Maria de Holanda Cavalcanti, avô de Simplício, eleito subprefeito de José de Barros de Andrade Lima em 1892]. Influência orientada, naturalmente, pelo interesse de ser útil à terra, dotando-a do governo que a achava merecer.
A Revolução Dantista, que se operou em Pernambuco em fins de 1911, encontrou a família Holanda Cavalcanti coesa em torno do seu chefe e amigo aqui no município, Antônio de Melo Verçosa [marido de Emiliana de Holanda Leite]. Nenhum deixara o seu posto de honra nas fileiras do marretismo.
Nestor de Holanda [subprefeito de Vitória em 1903] era, nesse tempo, membro da família atuante na vida partidária local. Uma espécie de ponto de apoio. Bem relacionado de maneiras agradáveis, sugestivas, dando-se com todos. Fazia da sua Farmácia Popular um centro de reunião onde se encontravam desapaixonados políticos dessa e daquela facção, desse e daquele lado.
Se Antônio de Melo Verçosa tinha, ali na calçada da farmácia, o tabuleiro de gamão sobre os joelhos, pelas tardes dos dias úteis, não menos acontecia com José de Barros de Andrade Lima.
Enquanto Antônio de Melo Verçosa jogava gamão com Nestor de Holanda ou com qualquer outro político ou comerciante, aperuava (como se costumava dizer) de lado, fumando o seu charutinho, dizendo as suas piadas, as suas humoradas, Simplício de Holanda.
Eu o conheci de perto em 1920. Tinha uma loja na rua do Barateiro, uma loja de fazendas, imprensada entre as oficinas e a redação de O Lidador e o Armazém do Anjo, uma casa de secos e molhados.
Os sábados não lhe pertenciam: os fregueses tomavam-lhe todas as atenções. Nem mesmo a Quintino de Itamatamirim, seu amigo e parente, e com quem fazia política, podia prestar a atenção devida.
Aos domingos, ia à feira de Pombos, onde mascateava. Nos dias úteis, enquanto arrumava as prateleiras, dispunha as amostras e despachava algum freguês que aparecia, fazia política.
O velho comerciante do Barateiro discutia, e com que autoridade!, tanto em rodas na porta de Onofre Teixeira ou Luiz Porto, quanto na porta de Antonio de Mello Verçosa.
Quantas vezes vi-o atravessar a rua da sua loja para a rua da loja Relógio Grande, de seu pai Vicente Maria de Hollanda Cavalcanti, com a boca cheia d’água, de bochechas coculadas.
Era que não lhe convinha falar no momento. Conversador como ele, cheio de conhecimentos das coisas como ninguém, só a boca cheia d’água o salvava das interpelações, dos bisbilhotismos por onde ia passando.
Vitória tem atravessado uma boa porção de crises políticas na república, entre os quais se destaca a de 1926, quando no governo do Estado estava o nosso conterrâneo de saudosa memória José Rufino Bezerra Cavalcanti [Governador de Pernambuco de 1919 a 1923].
No crédito que ao marretismo abriu o governo Manuel Borba, abrindo com o dantismo, quantos dos fiéis à oposição, cansados ou desencantados – os Sebastianistas desagregavam-se da sua resistência de crenças, de esperanças, andavam fora dos apriscos primitivos, ou de princípios!
No pleito municipal de então, o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti não se inclinava a reconhecer o direito do legitimamente eleito. A questão do veredito das urnas fez não só retornar tudo aos seu lugares, como acender, como nunca, os morrões.
Não é possível se ir mais longe, em embirras, em perseguições, em hostilidades.
A cidade passou seis ou sete meses sem iluminação, sem limpeza pública, sem nada. Como sem pagar impostos e nem nada receber o funcionalismo, uma vez que os cofres estavam vazios. Viveu Vitória meio ano à toa.
Dois partidos. Um do governo, do manda quem pode. Outro, o da oposição. E a luta persistia. Com a oposição estava a razão, o direito. Com o poder, a força. E nunca o direito submeter-se-ia à força ante a terra ainda independente, ciosa dessa sua qualidade ante o direito de força.
Um terceiro partido fora criado. E teria ele a virtude de intermediário, de superar as dificuldades de um acordo, ou mesmo de se antepor sobre todos os outros.
Coube a Simplício de Holanda Cavalcanti as bases, os alicerces e vigas mestras do edifício político. Quintino, como vários outros que constituíam uma espécie de dissidência do verçosismo, constituíam o estado maior.
Os arautos da nova entidade rumavam, um dia, ao solar do Governador José Rufino Bezerra Cavalcanti. O governador recebe-os no seu velho bom humor e escuta todos com atenção, senhor das atualidades político-partidárias da terra onde nascera e senhor das manhas dos homens e das coisas.
Caboclo da aldeia, o honrado Governador do Estado, pilheriando, pôs no partido o nome de Retame. Ou batizou-o, já que o partido ainda não tinha ido verdadeiramente à pia para a água benta e os santos óleos.
Retame é no banguê o resíduo ou a borra do açúcar, ou ainda o açúcar de qualidade inferior. Para o novo partido, na sua crítica, nome mais adequado encontrava o experimentado agricultor e político que governava o Estado.
E o Remate, o açúcar melaço, não suporta a umidade. Estava a nova organização político-partidária destinada a desaparecer nas primeiras manifestações do inverno da indiferença.
Fora partido de banguê – parece que o governador vira isso. E daí o nome com que o batizara, ou então tomara-o como restos de outros.
Simplício de Holanda, longe de se molestar, ria-se a bom rir, tanto com o batismo do partido, como pelas humoradas, alegres, do velho conterrâneo, estadista de renome que era!
A Revolução de Trinta não o encontrou mais [Simplício faleceu em 16 de julho de 1926, aos 46 anos, dois anos após a morte de sua esposa Elvira]. A morte arrebatou-o bastante cedo, quando muito esperava, ainda, de sua inteligência, de sua atividade, de sua sabedoria política de homem do interior. A sua Vitória!
Além de comerciante e político, fora jornalista. Na direção de O Lidador esteve dois anos e meses, de 1924 a 1926.
Político na ampla acepção do termo, Simplício de Holanda não deixou substituto ou até agora não teve ainda [os dois filhos, Lamartine e Antão, tinham 16 e 14 anos quando ficaram órfãos de pai e mãe]. Da política de aldeia conhecia-lhe as manhas e artimanhas.]
Edição: Walmar Andrade. 

Em evento, AVLAC ratifica o legado de José Tiago de Miranda

Aconteceu na manhã do domingo (13), no Salão Nobre do Instituto Histórico da Vitória, mais uma reunião ordinária da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Entre outros assuntos pautados, o ponto alto do encontro foi a “defesa acadêmica” do professor Teófilo José de Sousa Costa Junior.

Na ocasião, o mesmo realçou, defendeu e ratificou o legado do seu Patrono José Tiago de Miranda. Nascido em 09 de junho de 1891, no Sitio Torres, o antonense José Miranda marcou época em nossa cidade.

Dedicou-se, José Miranda, ao mundo das letras. Professor conceituado,  atuou e coordenou, por décadas, o ensino escolar na Vitória de Santo Antão. Poeta na essência, assumiu  o  jornalismo como missão de vida. Foi através do jornal “O Lidador” que se imortalizou  na sua terra e protagonizou, na sua época,  uma das páginas mais bonita da história do jornalismo interiorano do Nordeste brasileiro.

Com 86 anos de idade, o seu filho caçula, Péricles Miranda, hoje, radicado há décadas na cidade de Vitória, capital do estado do Espirito Santo, representado a família, realçou passagens marcantes da vida do pai. Dentre outras revelações, disse: “meu pai sacrificava o orçamento da família para investir no jornal …..” Na ocasião, também elencou momentos de muito  respeito, carinho e exemplos, emitidos por seu pai, exemplos esses, que nortearam a vida de toda família.

Além de um livro,  a família do professor José Miranda, após o evento,   ofertou  um lanhe a todos os acadêmicos e convidados.

Eleição 2026: esquentando e afunilando – só faltam 3 semanas….

Praticamente faltando três semanas para o dia “D” da eleição 2026, nos últimos dias, a pauta negativa do STF vem suplantando os noticiários políticos eleitorais. Se bem observado, há, na contenda dos suas excelências, um “palanque” em cada canetada. Há, também, um pouco de tudo que denigre a imagem da “Casa”. Uma corte suprema não deviria, aqui, acolá ou em qualquer lugar do mundo,  ser questionada por honestidade, muito menos por injustiça.

Na terra dos altos coqueiros, segundo as últimas pesquisas de opinião pública,  divulgadas pela grande imprensa pernambucana, a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição, segue consolidando-se na dianteira da disputa estadual. Doravante, com o afunilamento da campanha e em função dos debates em que os postulantes estarão  “cara a cara”, certamente o tempo vai “esquentar”, pois os questionamentos envolvendo acusações do famoso “gabinete do ódio” deverá ser  tema relevante.

Com efeito, até o momento, aqui na República da Cachaça, não observamos as postulações com “DNA” antonense empolgadas com a campanha de “mainha”, muito menos com os senadores da sua chapa

André Carvalho, por questões pessoais, eleva o nome de Túlio Gadelha. Por ligação partidária, o Henrique já sinalizou para o nome de Eduardo da Fonte e Socorrinho da Apami  também já confirmou o seu nome.  Foi o que observei, na rua, até agora.

Na outra ponta, por assim dizer, o prefeito Paulo Roberto, e por tabela os seus filhos, já cravaram a chapa completa: é João,  Marília e Humberto.

De maneira geral, políticos só gostam de “levantar bandeiras” quando essas lhes favorecem eleitoralmente. É comum, sobretudo em ambientes polarizados, como estamos vivenciando, esconderem, em suas respectivas campanhas,  ligações que, de certa forma, podem afastar o eleitor mais fundamentalista e raivoso. O Silêncio, nesses casos,  costuma ser a melhor opção…..

Concluindo essas poucas linhas,  vale lembrar: por aqui não tem marinheiro de primeira viagem! É tudo cobra criada…

Portanto,  sabemos  que os  políticos antonenses jogam no campo dos profissionais. Após eleitos, voltarão ao estado natural, ou seja: serão todos governistas, independente do campo vencedor: não esqueçamos das posições  dos nossos ilustres representantes estaduais:  até pouco tempo,  eram todos liderados pelo eminente governador Paulo Câmara.

Vida Passada… – Luiz Murat – por Célio Meira.

Perto do mar, em Itaguaí, no oeste da terra fluminense, nasceu, a 4 de maio de 1861, Luiz Barreto Murat. Realizados os exames do curso de de humanidade, obteve, aos 22 anos, na Faculdade de Direito de São Paulo, a carta de bacharel. Estreou, na terra paulista, na vida das letras, conta um biógrafo, ingressando na companhia daqueles que fizeram o “Ensaio Literário”.

Proclamada a República, ocupou, Luiz Murat, o cargo de secretario do presidente Portela, na terra bandeirante, e um ano depois, ao lado de Nilo Peçanha, Urbano Marcondes e de Alcindo Guanabara, sentou-se na bancada dos Constituintes do torrão nativo. E repetidas vezes, voltou à Câmara Federal, representando o seu povo.

Espirito Irrequieto, alistou-se  entre os inimigos de Floriano Peixoto, e à hora que explodiu a Revolução de 93, estava, Luiz Murat, na fileira dos rebeldes. Desencantado, porém, da revolta, por considera-la, dizem historiadores, grave erro político, abandonou as armas e, nobremente, se apresentou as às tropas legalistas. Preso e processado, foi absolvido, conta Verneck, em fevereiro de 1895, na formosa Curitiba.

Jornalista brilhante, e polemista de pulso, fundou, no Rio, “ A Vila Moderna”, grande semanário, enfrentando, em luta memorável, o fascinante Valentin Magalhães, que fizera d’ “A Semana”, a trincheira luminosa de suas batalhas.

Poeta romântico, e inclinado, nos últimos anos à escola parnasiana, publicou, entre outros livros, o “Quatro poemas”, “ A última noite de Tiradentes”, o “Ondas”, que alcançou varias edições, e o “Ritmos e Ideias”, merecendo ataques e elogios dos críticos contemporâneos . Há, na sua poética, lindo versos, se bem que êle fôra, no julgamento de Artur Mota, “rebuscado na forma, e por vezes obscuro”. Quando se fundou, em 97, a Academia Brasileira de Letras, coube, a Luiz Murat, a cadeira nº 1, patrocinada, por seu desejo, pelo espirito iluminado de Adelino Fontoura. Nessa cadeira, senta-se, hoje, o eminente escritor Afonso de Taunay, o herdeiro abençoado do nome aureolado de Alfredo de Taunay, que traçou o “Inocência” e a “Retirada da Laguna”.

Na história da literatura brasileira, o nome de Luiz Murat figura entre aqueles que a elevaram e a enobreceram.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

O 7 de Setembro na Vitória: civismo e memórias.

No feriado nacional do “7 de Setembro”, data que marca a passagem das comemorações alusivas ao “grito de independência” do Brasil, na direção de Portugal, ocorrido há 204 anos, como tradicionalmente acontece nos quatro cantos do País, foi marcado por desfiles cívicos.

Em nossa cidade, Vitória de Santo Antão, as manifestações são sempre prestigiadas pela população. São famílias inteiras que se  juntam para  brindar  o momento, quase sempre motivadas pela participação efetiva de um dos membro no conjunto do desfile.

O dia “D” do desfile seria, por assim dizer, a culminância de todo um trabalho de preparação realizado pelo corpo docente das escolas. Já para as crianças, adolescentes e jovens, sem sombra de dúvida, um dia muito aguardado:  marcante e inesquecível.

Na ocasião, registramos  a passagem da  Escola Municipal Mariana Amália que,  na sua apresentação, entre outras instituições, realizou uma homenagem a AVLAC –  Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência –  inclusive, com a participação de várias acadêmicas no desfile.

O “7 de Setembro” na nossa Vitória de Santo Antão, como falamos anteriormente, é um dia de festa: pontuado por civismo e memórias.

Eleições 2026: um mês para o dia “D”.

Hoje, sexta-feira, dia 04 de setembro, distancia-nos, exatamente, um mês das urnas das eleições 2026,  que ocorrerão no domingo, dia 04 de outubro. Doravante, gradativamente, os movimentos de rua serão crescentes e mais constantes. Isso faz parte do planejamento.

Em Brasília, uma “nova” crise que entrelaça os três poderes da república alimenta os noticiários políticos. Nesse momento, quem ganha e quem perde com isso: Lula ou Flávio? Caladinho, Augusto Cury desponta no vácuo. Seria apenas uma ventania ou um furacão capaz de mexer no já precificado 2º turno?

Em Pernambuco, nesse momento, a eleição segue mais animada nos tribunais do que nas ruas e nos debates políticos. Dessa contenda,  de contornos apócrifos,  será possível  saltar  algum  fato novo capaz de mexer no contexto eleitoral? A disputa, no meu modesto entendimento, ainda continua aberta….

Na nossa Vitória de Santo Antão, que nesse inicio de campanha já acolheu, em agenda,  as três postulações mais bem colocadas ao Palácio do Campo das Princesas, podemos dizer que o pleito de 2026 continua morno, bem diferente das tradicionais disputas locais.

Talvez seja o fenômeno das múltiplas candidaturas com  DNA antonense que esteja  pulverizando o sentimento do povo. Será que isso também se refletirá na configuração dos sufrágios nas urnas?

Até o momento, faltando 30 dias para o dia “D”,  nossos “legítimos representantes” que se apresentaram ao julgamento popular, na busca de uma mandato estadual ou federal, vem produzindo o mais do mesmo.  Nas suas respectivas redes, aliás, ambiente propicio à criatividade, não há destaque para se pontuar.

Para concluir, esperamos que na próxima segunda-feira, 07 de setembro,  feriado nacional da independência, as agendas políticas não atrapalhem  os desfiles cívicos locais. Valendo lembrar que, tradicionalmente, o “7 de setembro”, em Vitória,   promove um dos mais concorridos e movimentos  (genuínos) de rua da nossa cidade.

Eleições 2026: a notícia de encomenda……..

Se algum eleitor pernambucano, nos últimos 12 meses,  estivesse viajando por  marte e chegasse,  hoje,  em Pernambuco e fosse se atualizar sobre os últimos acontecimentos da campanha política do nosso estado, através da imprensa digital, , certamente teria muita dificuldade de entender o momento, face à discrepância na direção apontada pelos conteúdos e pelas  narrativas. Ótimo que ainda podemos pensar diferente!

Já para aqueles que veem se atualizando   diariamente dessas mesmas fontes de notícias, no acompanhamento  do cotidiano  político estadual, aos olhos dos mais atentos,  o conjunto  de atualizações, entre outras coisas,  vem  revelando os motivos pelos quais  esses blogueiros são tão generosos com “os mesmos” e tão ácidos com os “outros”. Há, de fato, um motivo por trás desse  “entusiasmo” recorrente. Isto é:  “financiamento na veia”. 

Irrigados com algum tipo de vantagem, eles (bloguerios) já foram corrompidos naquilo que é mais sublime na interpretação dos fatos. Ou seja:  o livre pensar.

Com efeito, a opinião de parte dos blogueiros  “deve”  ser emitida na medida exata do tal figurino  que  é, evidentemente,  conveniente ao financiador da vantagem por ele recebida. Do outro lado, idem.

Para minha surpresa,  aparentemente,  até um veículo de imprensa,  com muita tradição e história estadual,  também vem dando sinais que já escolheu um lado politico para chamar de seu.

Claro! Emito esse juízo de valor, volto a dizer, porque acompanho o noticiário político diariamente e consigo perceber,  nas entrelinhas,  o desejo  do editor  em conduzir o leitor para um lugar que ele, antecipadamente,  já decidiu  ir.  O bom colunista levanta hipóteses, expõe dados confiáveis, cria situações para chamar o leitor à reflexão. Esse deve ser o papel de quem escreve.

Para finalizar essas linhas,  que apenas tentam expressar  um ponto de vista sobre o terreno pantanoso que se tornou a campanha política pernambucana de 2026, gostaria de dizer que se  a Justiça Eleitoral, a polícia e as autoridades  não tomarem,   de imediato, as rédeas desse processo, logo logo não terão mais condições de arbitrar  e conduzir o pleito  em curso. Segue o jogo….

Blogueiros antonenses dão voz ao candidato Ivan Moraes…

 

Sem o apoio político das grandes estruturas locais, a recente passagem pelo nosso munícipio  do candidato (2026) ao governo de Pernambuco, Ivan  Moraes,  não passou em “brancas nuvens” por parte da  imprensa antonense.

Alguns veículos do mundo digital destacaram o ato em suas respectivas páginas eletrônicas. Com foto de Ingred Veloso, aqui, registramos o trabalho desses blogueiros que, diferente das rádios locais, seguem  atuando de forma plural  nas pautas de conteúdo eminentemente  político.

 

 

Pernambuco insurge-se contra o arbítrio – por @história em retalhos

Não é de hoje que Pernambuco insurge-se contra o arbítrio e contra qualquer forma de autoritarismo.

Está no DNA de formação do Estado!

Em 1666, há exatos 360 anos, haviam se passado apenas 12 anos da expulsão definitiva dos holandeses, o que acendera consideravelmente o sentimento de nativisno por parte dos pernambucanos.

As lideranças locais sentiam que haviam defendido a terra com o próprio sangue, contando com pouco auxílio efetivo de Portugal.

Pois bem.

Em 1664, chega a Pernambuco o governador português Jerônimo de Mendonça Furtado, que, de cara, desagradou quem aqui estava.

Acusações de corrupção, abusos de poder e profunda inabilidade política para tratar dos interesses locais fizeram o governante cair no descrédito.

A rejeição era tanta que a população logo o apelidiu pejorativamente de “Xumberga”, em alusão ao bigode em tufos que ele exibia imitando o general alemão Friedrich von Schomberg (cujo nome foi aportuguesado para “Xumberga”).

Não demorou muito para ser pensado um plano para a sua deposição, que ficara conhecido como “A Conjuração de Nosso Pai”.

Os revoltosos aproveitaram a procissão católica de “Nosso Pai”, momento em que o Santíssimo Sacramento era levado aos enfermos, para agir.

No entardecer do dia 31 de agosto de 1666, na Rua de São Bento, em Olinda, o governador foi cercado pelos líderes do movimento.

Declarando agir “em nome do rei”, os manifestantes prenderam Xumberga, que foi temporariamente confinado no Forte do Brum, antes de ser sumariamente deportado para Lisboa.

Com a queda de Xumberga, a Câmara de Olinda assumiu provisoriamente o poder, até que a Coroa designasse um substituto, no caso, o herói da Insurreição Pernambucana André Vidal de Negreiros.

Esta foi a primeira vez que os pernambucanos uniram-se para destituir um governante nomeado diretamente pela Coroa Portuguesa.

Agora, uma última curiosidade: para muitos vem daí a origem da palavra “brega”.

Anos mais tarde, os hábitos considerados extravagantes ou de gosto duvidoso foram associados a essa alcunha (“Xumbrega”), originando no vocabulário brasileiro a expressão “brega”.

Sabias dessa?
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@história em retalhos

O centenário de Maria do Carmo Tavares de Miranda, o caso Heidegger – por Marcus Prado

O Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão, nos seus quase 80 anos de fundação, empenha-se no esforço de abrigar num só espaço, além de um museu arqueológico composto de acervo local, um museu de arte sacra, um museu de imagem e de som, um museu do carnaval que relembra a tradição da maior festa popular vitoriense, uma revista com temática voltada para a memória dos 400 anos da cidade e uma biblioteca de obras célebres. Trata-se de um espaço de leitura e pesquisa histórica concebido pelo professor José Aragão, presidente da instituição durante 40 anos, cargo continuado pelo professor Pedro Ferrer.

Um anexo do Instituto Histórico, instalado num sobrado mourisco do século XIX (Rua Imperial, 187), foi inaugurado no dia 3 de agosto em memória da filósofa e teóloga vitoriense Maria do Carmo Tavares de Miranda (1926–2012), na passagem — há poucos dias — do seu centenário de nascimento. Conhecida pela sua erudição e por sua trajetória de estudos de filosofia na Alemanha (Universidade de Friburgo) e na França (Universidade de Sorbonne, Paris), bem como por sua atuação como professora da UFPE, como diretora da Fundação Joaquim Nabuco (Seminário de Tropicologia) e como autora de obras voltadas para a filosofia da educação, ela não deixou de ser uma pensadora polêmica, como foi o debate com o educador Paulo Freire (1921-1997).

Não teria sido do seu conhecimento, tenho para mim, a notícia dada por seus admiradores — talvez com a intenção de agradar — de que fora assistente e substituta eventual nas aulas, além de aluna, de Martin Heidegger (1889–1976), o mais famoso filósofo do seu tempo. Em não ter sido, nada deslustraria a sua biografia prodigiosa. É sabido que Martin Heidegger contou com renomados alunos e discípulos brasileiros, além de Miranda, que estudaram diretamente com ele na Universidade de Friburgo na década de 1950. Lembro Emmanuel Carneiro Leão (1929–2023), pernambucano do Recife, intelectual de grande relevância.

Ele se tornou um dos maiores divulgadores e tradutores da obra heideggeriana no Brasil, mantendo uma relação de proximidade acadêmica como discípulo, e não como assistente de Heidegger. Fausto Castilho (1929–2015) foi outro importante intelectual que frequentou os seminários de Heidegger em Friburgo em 1952. Castilho dedicou décadas de sua vida à tradução bilíngue de “Ser e Tempo”, um dos livros marcantes do pensamento do século XX. Outro brasileiro, Ernildo Stein, foi também um aluno muito próximo de Heidegger (com este tive o prazer de trocar impressões de leitura sobre a obra filósofo da Floresta Negra).

Para mim, são considerados membros de uma linhagem filosófica de grande expressão. Miranda, como Hannah Arendt e Hans-Georg Gadamer, fez parte dessa elite de grandes pensadores. Eles desenvolveram interpretações influentes do pensamento heideggeriano. .
Conheci as refinadas ideias de Miranda sobre a complexa obra do seu mestre, sei da marca inesquecível que ela deixou no Seminário de Tropicologia (Fundaj),. e não me seria estranho se ela, eventualmente, ministrasse aulas na cátedra dele. Sabe-se que há núcleos de estudos heideggerianos na UFPE e na Universidade Católica.

Marcus Prado – jornalista

Vida Passada… – Barão de Vassouras – por Célio Meira.

O mineiro Francisco Teixeira Leite nasceu na terra natal de Tiradentes, de Silva Alvarenga e do marquês de Baependi. Nasceu, em 1864, em São João del-Rei, onde, 29 anos mais tarde, Bernardo de Vasconcelos, vice-presidente da província de Minas, estabeleceu a sede do governo, oferecendo, conta o ilustrado historiador Almeida Magalhães, aos “caramurus” e aos “exaltados” de Ouro Preto, famosa resistência.

Não ambicionando carta de doutor, nem batina de sacerdote, o que era tão comum aos moços de seu tempo, mostrou-se fascinado, Teixeira Leite, desde os primeiros anos da mocidade, pela vida do campo, laboriosa e livre ao sol e à chuva. E seguiu, sem vacilações, as linhas do destino.

Atravessou as fronteiras de sua província e fixou-se no município de Vassouras, na terra fluminense. Homem inteligente, conhecendo, sem erros, os problemas da lavoura, pertenceu, Teixeira Leite, à família poderosa dos lavradores e fazendeiros, vinculando seu nome, por essa razão, ao progresso, à grandeza econômica e à história da gleba vassourense.

Rico e independente, ingressou nas lutas partidárias alcançando grande prestígio dentro e fora das fronteiras daquele município, que ele acolhera para o centro de suas atividades agrícolas e políticas. Exerceu poderosa influência na sociedade fluminense do segundo império, pela austeridade do caráter e pela fidalguia de seus antepassados. “Filho do primeiro barão de També, sobrinho do barão de Aiuruoca” é esse ilustre mineiro, informa o biógrafo do “Galeria Nacional”, o “tronco de tradicional família Teixeira Leite”.

Relevantes serviços prestou à Nação, servindo à monarquia. “ O barão de Vassouras, escreve esse paciente biógrafo, e seus irmãos foram precursores da construção da Estrada de Ferro de D. Pedro II, e do chamado Movimento Vassouras”. Grande do Império, mereceu comendas e títulos de barão, por decreto, em 1871. E aos 70 anos de idade, o de barão, com grandezas. Dez anos viveu, ainda, depois dessa graça do derradeiro governo da Casa de Brangança.

Morreu o barão de Vassouras aos 80 anos, no dia 02 de maio de 1884. Na viu, o grande nobre fazendeiro, a libertação dos escravos. Desceu à sepultura, na riqueza. Era dono de terras e possuía negros.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Um amigo para a vida toda……….

Segue, abaixo, um artigo que escrevi em 2018. Encontrei-o ocasionalmente. Pesquisava outro conteúdo e essa postagem apareceu. Resolvi postar novamente. 

Semana passada, em um blog, li um artigo que me fez refletir bastante. Falava de uma realidade comum (morte), mas com um requinte de ineditismo, pelo menos pra mim e para nossa cultura. Aliás, dizem alguns entendidos  que em função do avanço da ciência nos últimos dois séculos, cada dia que passa estamos “desnaturalizando” a morte.

O artigo tratava de um telefonema sui generis entre dois homens maduros que se conheciam desde os bancos escolares. Separados pelas questões naturais da vida adulta, até a última sexta (02) em definitivo, os dois se falaram pela última vez alguns dias antes de um deles comunicar  sua morte programada, lá,  do outro lado do mundo (Holanda). O papo foi  exatamente assim:

– “Como vai?, Zé Paulo”.
– “Tudo bem, rapaz, o que há de novo?”.
– “Estou ligando para me despedir.
– “Como???”
– “É que vou fazer eutanásia na próxima sexta” (hoje, dia de finados).

Após o primeiro impacto da notícia, como se fosse um murro na barriga, narrou o Zé Paulo, o Agnaldo elencou  os motivos pelos quais havia tomado a decisão. Entre outras coisas, em função de um câncer, estava apenas com 51kg e a cada cinco dias perdia mais um.

Quando questionado sobre a legalidade do ato, o Agnaldo disse que na Holanda era permitido e que já havia tomado todas providencias legais. Aliás,  até descreveu como seria:

“Até quarta, iria se despedir de amigos e parentes. Quinta, mulher e filhos. Sexta pela manhã, só a mulher. No começo da tarde, chegariam juiz, tabelião, o médico da família e  enfermeiro. E às 16 horas, em sua cama, tomaria uma injeção. Não sentiria dor, assim lhe prometeram”.

Em função da diferença de horário –Brasil/Holanda – sua viagem sem volta ocorreria exatamente às 12h da sexta (02). Confesso que antes de ler o aludido  artigo nunca havia falado no senhor Agnaldo, no entanto, de certa forma, fiquei sensibilizado com o seu calvário e com a sua leveza na decisão, até porque ele também pediu ao Zé Paulo para  que fosse transmitido aos amigos em comum sobre o  seu falecimento programado – dia de finados.

Desde a leitura do artigo, aqui e acolá, fiquei a lembrar do senhor Agnaldo (sem nunca haver antes tomado ciência da sua existência). Na sexta (02), já por volta das 11h – lá na Holanda 15h – já estava eu  ligado em pensamento (eita!…… Falta apenas uma  hora para Agnaldo morrer). Às 12h em ponto,  fiquei totalmente ligado. Parecia que eu  estava lá……..

Bom! O senhor Agnaldo nem foi o primeiro nem será o último sujeito a programar sua morte,  mas desde a leitura do artigo realçado, passei a admirar esse camarada,  que ligou para o amigo para pedir-lhe que avisasse a outros amigos que ele iriam morrer……….Esse sim! Foi um amigo para toda vida e para a vida toda…….Feliz quem gozou da sua amizade!!!