O perde ganha das urnas……

Passado o 1º turno das eleições gerais, no qual, na qualidade de pernambucanos, reelegemos a chapa encabeçada pela governadora Raquel Lyra e as postulações ao senado da principal chapa opositora, Humberto Costa e Marília Arraes, como também deputados estaduais e federais pertencentes às mais variadas agremiações partidárias, é hora de prestar atenção na disputa presidencial em 2º turno,  que segue até o próximo dia 25, entre Lula e Flavio. 

Como todos sabem, em política não existe espaço vazio. No nosso estado, com a derrota do ex-prefeito do Recife, João Campos, emergem das urnas novos nomes que possivelmente deverão ocupar mais espaços  no campo das esquerdas, por aqui. Isso é natural.

Na Vitória de Santo Antão, muitas “forças” locais submeteram seus respectivos nomes ou  indicaram candidaturas na disputa 2026.  Ao colocar a lupa política eleitoral nos respectivos resultados, enxerga-se uma espécie de “perde/ganha” nos diversos  conjuntos.

Visando 2028, quando ocorrerão as eleições municipais e o atual prefeito Paulo Roberto,  por força da lei,  não estará concorrendo à reeleição, atores locais, face seus últimos desempenhos nas urnas, seguirão  fazendo cálculos, calibrando discursos e certamente “costurando” possibilidades de se apresentar ao embate, pelo comando do palácio antonense do Poder Executivo.

Mas, como dizem os “cientistas políticos populares” de plantão em cada esquina da cidade, dois anos é uma eternidade na política. Segue o jogo….

Vida Passada… – Zeferino Galvão – por Célio Meira.

A antiga povoação da Santa-Cruz, encravada no município de Garanhuns, foi invadida, meses a fio, contam historiadores, por cobras venenosas. Vieram esses réptis das matas virgens que rodeavam e protegiam esse risonho lugarejo, nascido sob as benções de um padre missionário. Travou-se entre os habitantes da Santa Cruz e as cobras, lutar feroz e perigosa. Brandindo cacetes, e aos gritos de – “Valha-me São Bento” – “ Acida-me Senhor São Bento”, os homens venceram os ofídios, desalojados de seus domínios, a ferro e fogo.

E, agradecendo aos santo, fundador da ordem beneditina, o amparo e proteção, naquele transe, deram, povoadores santacruszenses, àquela terra, o nome augusto de São Bento.

Nessa vila, na casa grande da fazenda “Ingá, nasceu Zeferino Candido Galvão Filho,  o dia 9 de maio 1864. Estudou as primeiras letras, na cidade de Pesqueira, onde se fixara, iniciando, mais tarde, no Recife, o curso de preparatórios. Perseguido pela pobreza, interrompeu as lutas escolares, e regressou à terra pesqueirense. Fez-se professor primário, ensinou algumas disciplinas do curso secundário, e exerceu funções públicas, na administração pública.

Jornalista de pulso, e polemista, dirigiu a “Gazeta de Pesqueira”, a poderosa tribuna da imprensa matuta, que representou o sonho de sua mocidade, e o apostolado de sua velhice. Batalhamos, na primavera, nessa oficina, ouvindo-lhe a palavra mansa e acolhedora, e agora, no outono, recordando sua figura sertaneja de filósofo, louvemos sua memória.

Traçou o “MIrza”, “Inconfidente”, “Cadete Bonifácio”, “Eulâmpio Corvo” e “Heloisa d’Arlemont”, em cujas páginas se agiganta o grande romancista e o historiador ilustrado.

Poeta, cinzelou o “Epicombos”, e na “Voragem dos “Séculos” e no “Coração e Cérebro” deixou traçadas as diretrizes seguras do pensador.

A grande obra de Zeferino Galvão foi “Dicionário Biográfico Universal”, em muitos volumes, escrito, durante trinta anos, com o espirito beneditino, na solidão da serra do Ororubá. Infelizmente, desse monumento histórico, foi publicado apenas, o 1º volume. Os outros estão condenados, talvez, à poeira e ao esquecimento.

Pertenceu à Academia Pernambucana de Letras, sentando-se na cadeira de Bento Teixeira. Honrou e sodalício. Zeferino Galvão, na terra semi-árida, foi um sábio. Não o esqueçamos

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Raquel vence em 133 municípios e constrói reeleição com força em todas as regiões de Pernambuco

A reeleição de Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno foi construída a partir de uma ampla vantagem territorial sobre João Campos (PSB). A governadora venceu em 133 dos 185 municípios pernambucanos, o equivalente a quase 72% das cidades do estado, enquanto o adversário terminou na frente em 52.

O mapa das urnas revela que a vitória de Raquel não ficou restrita ao Agreste, sua região de origem e principal reduto eleitoral. A governadora conseguiu espalhar sua votação por praticamente todo o território pernambucano e venceu o confronto regional nas quatro grandes regiões do estado.

Outro dado que dimensiona o resultado é o desempenho nos maiores centros urbanos. Raquel venceu em 15 dos 20 maiores colégios eleitorais de Pernambuco. Ou seja, além da predominância no número de municípios, a governadora conseguiu se impor em cidades que concentram parcelas expressivas do eleitorado estadual.

O Agreste foi o principal motor da vitória. Somados os municípios da região, Raquel abriu aproximadamente 255 mil votos de vantagem sobre João Campos. No Agreste Central, onde está Caruaru, a diferença chegou a cerca de 178 mil votos.

Caruaru protagonizou uma das maiores vantagens da eleição. Raquel alcançou 75,2% dos votos válidos, contra 23,1% de João, construindo uma frente superior a 100 mil votos. O domínio se repetiu no Polo de Confecções. Em Santa Cruz do Capibaribe, a governadora chegou a 83,3%. Também obteve votações próximas de 80% em Toritama e Taquaritinga do Norte.

A Zona da Mata foi outro pilar importante da vitória. Raquel acumulou aproximadamente 112 mil votos de vantagem na região e venceu cidades estratégicas como Vitória de Santo Antão, Goiana, Carpina, Palmares, Paudalho, Água Preta e Barreiros. O resultado mostrou capacidade de avançar sobre uma região que historicamente teve forte presença política do PSB.

Na Região Metropolitana, João Campos venceu o Recife, onde obteve 49,9% contra 46,1% de Raquel, uma vantagem de aproximadamente 36,7 mil votos. O problema para o socialista foi o comportamento das demais cidades metropolitanas.

Sem considerar a capital, Raquel abriu cerca de 85,8 mil votos sobre João na Região Metropolitana. A governadora venceu Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Camaragibe, Igarassu, Ipojuca, Abreu e Lima, Araçoiaba, Itapissuma e Ilha de Itamaracá, entre outros municípios. Em Ipojuca, por exemplo, alcançou 56,6%, enquanto em Igarassu chegou a 59,4%. A vantagem obtida no entorno do Recife mais do que compensou a derrota na capital.

Esse desempenho metropolitano ganha ainda mais peso quando observado em conjunto com os grandes colégios eleitorais. João tinha no Recife sua principal fortaleza e precisava transformar a capital e seu entorno em uma vantagem suficientemente ampla para neutralizar a força de Raquel no interior. Isso não aconteceu. A governadora perdeu na capital, mas avançou sobre cidades populosas da própria Região Metropolitana.

No Sertão, o mapa foi mais dividido, mas Raquel também conseguiu vitórias estratégicas. A governadora venceu Petrolina, maior colégio eleitoral do interior, com 51,6%, além de Serra Talhada, Salgueiro e Arcoverde.

Salgueiro foi um dos principais destaques sertanejos, com aproximadamente 67,8% para Raquel. No Sertão Central, a governadora venceu cinco dos oito municípios: Salgueiro, Mirandiba, Cedro, Verdejante e Serrita. João, por outro lado, manteve redutos importantes no interior, vencendo municípios como Araripina, Afogados da Ingazeira e algumas cidades do Pajeú e do Araripe.

O desempenho regional ajuda a explicar os 53,27% dos votos válidos obtidos por Raquel em Pernambuco, contra 44,82% de João.

Mais do que a diferença estadual, entretanto, o mapa municipal mostra a dimensão política da vitória. Raquel venceu quase três em cada quatro municípios pernambucanos e 15 dos 20 maiores colégios eleitorais. Conseguiu, portanto, combinar duas características decisivas: capilaridade nos pequenos e médios municípios e competitividade nas maiores cidades.

O resultado também mostrou os limites da estratégia de João Campos. O socialista venceu o Recife, seu principal reduto, mas não conseguiu construir na capital uma vantagem suficiente para compensar as derrotas na Região Metropolitana, Zona da Mata e, principalmente, no Agreste.

Ao vencer em 133 municípios e dominar três quartos dos 20 maiores colégios eleitorais, Raquel sai das urnas não apenas reeleita, mas com uma base eleitoral geograficamente distribuída. É um resultado que fortalece sua liderança estadual, amplia seu capital político e poderá ter reflexos diretos na reorganização das forças políticas de Pernambuco a partir de 2027.

Blog Edmar Lyra

Eleições 2026: desse pleito, sairemos mancos de uma perna…..

A disputa presidencial (2026), desde o processo da redemocratização, nunca ofereceu aos eleitores brasileiros um pleito tão desanimado.

Marcado por atores que não conseguem empolgar nem o eleitor que vai exercer o seu primeiro voto e com duas postulações polarizando  e liderando as pesquisas em função das suas respectivas rejeições, convenhamos, não poderia ser diferente. O tema central do pleito é o ódio ao oposto. Isso, ao invés de atrair, repele…..

Não podemos,  de maneira alguma,  naturalizar o cancelamento do debate que deveria ter ocorrido na noite de ontem (01), no  principal canal de televisão do país. O conjunto de justificativas emitidas por todos os envolvidos, apenas revela o fracasso do momento.

O curioso, é que todas as postulações reafirmam seu compromisso com a democracia, sobretudo o presidente e candidato à reeleição,  o Lula da Silva, que vive dizendo que só é  candidato mais uma vez para não possibilitar à volta do autoritarismo. Tudo bravata. Onde fica o eleitor, no seu  direito à informação?

A instrumentalização do Poder Judiciário nesse momento político da vida brasileira é uma ferida que não se fecha por decreto. Envolvimentos precisão ser explicados, apurados e punidos exemplarmente. Não se poder exercer democracia plena sem a devida confiança na justiça. Balizador final  de todas relações sociais….

Ao final, pagará a conta, mais uma vez, o povo brasileiro. Não porque vota errado ou é incapaz de escolher o melhor.  Mas por falta de uma opção capaz de conduzir o País para um lugar seguro e equilibrado. Desse pleito, sairemos menores e mancos de uma perna, seja lá de que lado for……

Eleição estadual 2026: jogo segue aberto entre João e Raquel……

Nessa nossa últimas linhas sobre o pleito estadual, buscando a cadeira mais importante do Palácio do Campo das Princesas, antes do dia “D” do primeiro turno, continuo com a mesma opinião, isto é: eleição continua aberta….

Uma pena que certos veículos de imprensa, nessa contenda estadual ( 2026 )  tenham, literalmente, se transformados em torcedores partidários, jogando fora a principal pilastra do jornalismo, ou seja: a  credibilidade!!!

Até o próximo domingo ainda teremos  muito “jogo”, sobretudo quando as mais recentes pesquisas de opinião pública, divulgada até aqui, sugerem um empate técnico.

O ideal seria um segundo turno, algo que forçaria, por parte das postulações, uma maior exposição e um maior comprometimento com o eleitor. Seria, por assim dizer, uma “nova partida”. Com mais desgaste e menos soberba para a postulação que, ao final,  triunfasse.

Na República da Cachaça, de maneira geral, observamos pouca animação por parte das candidaturas da terra, no que se refere às  suas  respectivas preferências majoritárias. E muito menos ainda, algum tipo de incomodo ou hostilidade com a candidatura alheia, o que é um indicativo, claro, de possíveis  alinhamentos políticos na legislatura vindoura,  com qualquer dos vencedores. Na Vitória de Santo Antão, todos já sabem: por aqui não tem principiante……Segue o jogo……

Vida Passada… – Batista Cepêlos – por Célio Meira.

Em 1972, na antiga vila paulista de Cotia, Manuel Batista Cepêlos veio ao mundo, e não tinha vivido ainda dois meses, quando um padre o fez cristão, na matriz de Nossa Senhora do Monte Serrat, na mesma vila onde nasceu. Não encontrou, Batista Cepêlos, na jornada pela terra, a alegria de viver. Foram os anjos maus que traçou o destino, muitas vezes desgraçados, desse poeta famoso, que procurou a morte, atirando-se,  desesperado, e sem fé, no fundo de uma pedreira.

Melo Nóbrega, escritor brilhante, realizou, há dois anos, obre notável, traçando a biografia de Cepêlos. Julga-o, Melo Nobrega, com justiça e nobreza, dando-lhe posição destacada, e ele bem merece, na galeria dos grandes poetas nacionais. Lendo-se essa biografia vê-se como foi dolorosa a vida desse homem, “triste e arredio”, que assentou praça, quando era rapaz, na polícia de São Paulo. E sabe-se que, ostentando, já, as divisas de sargento, saudou, uma noite, em Santa Rita de Passa-Quatro, uma cantora italiana, alcançando palmas da plateia.

Bateu-se, em 94, na Campanha do Paraná, servindo à causado governo. Publicou, em 96, “A Derrubada”, versos da mocidade. Chegou, na caserna, ao posto de capitão. Não lhe roubou o gosto pelo estudo, a vida trabalhosa de soldado. Preparou-se nas matérias do curso de humanidades, e , em 98, aos 26 anos de idade, afeito às asperezas do destino, obteve matricula na faculdade de Direito de São Paulo, onde conquistou, em 1902, a carta de bacharel.

Diplomado, aceitou, dois anos mais tarde, a promotoria de justiça de Apiaí, e em 1908, era o representante do magistério público, na comarca de Itapetininga. Nesse ano, sofreu, Cepêlos, golpe doloroso. Noivo, viu a noiva assassinada. Matou-a o próprio pai. Suicidou-se o assassino da filha. Essa tragédia anoiteceu a vida do poeta do “Cisne Encantado”, do patriota cantor dos “Bandeirantes”.

Jornalista vigoroso, redigiu, em 1909, na capital paulista, o “Diário da Manhã”, escrevendo para diversos jornais e inúmeras revistas literárias e políticas.

Fixou-se, anos depois, no Rio de Janeiro. Assistiu à representação do “Maria Madalena”, drama e versos, recebendo aplausos, no Trianon, à luz da ribalta. Nilo Peçanha o nomeara, em abril de 1915, a pedido de Martin Francisco, conta Melo Nóbrega, promotor de Cantagalo. Não assumiu a cadeira da justiça. Não viu o rio Negro e as passagens da terra nativa do jornalista José Carlos Rodrigues e do luminoso Euclides da Cunha. Era, a esse tempo, Cepêlos, erivado de desgostos, um desgraçado, sem sossego.

Doente e pobre, suicidou-se no dia 8 de maio de 1915. Tinha 43 anos o desventurado poeta que escrevera certa vez: “para quem sofre, a própria compaixão é  uma ironia”.

Os homens de pensamento não se esquecerão, doravante, da memória de Batista Cepêlos. Tem , agora, uma estátua. O escultor foi Melo Nóbrega.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

O 12º Encontro das Amigas da Vitória – Show de Bola!!!

Com várias atrações músicas, boa comida e muita animação o 12º Encontro das Amigas da Vitória, ocorrido no sábado (26), no Restaurante Gamela de Ouro cumpriu com o seu objetivo, ou seja: reunir a turma dos “velhos tempos”, que viveram sua adolescência e juventude na Vitória, por volta das  décadas de 1960/70/80.

Nem mesmo o problema ocorrido na parte externa do restaurante, que impactou à falta de energia elétrica no inicio do evento, conseguiu “mexer” no bom humor dos participantes.

Na qualidade de última atração musical, a Orquestra de Frevo, “Juntos e Misturados”, fechou com chave de ouro a referida celebração, que se configura num “tributo à memória”. Veja o vídeo.

Organizado pela atuante e sempre animada Flávia Verçosa, o Encontro das Amigas” já decretou  no calendário antonense que o  último sábado de setembro é dedicado ao reencontro. Em 2027 tem mais…..

O 12º Encontro das Amigas da Vitória acontece amanhã – sábado (26)

Assim como ocorreu  por mais de uma década,  amanhã, último sábado (26) de setembro,  um conjunto de antonenses celebrará, mais uma vez,  a vida e a amizade.

Contemporâneos desde os tempos da escola, adolescência, juventude e das mais variadas  festas,  ocuparão o Restaurante Gamela de Ouro para dedicar o dia  ao reencontro.

O 12º  Encontro das Amigas da Vitória – movimento que começou numa página do Facebook –  tornou-se uma festa tradicional na nossa cidade.

Pessoas das mais variadas tendências, mas que em comum conviveram em algum período do tempo pretérito, e que  hoje estão na faixa dos  sessenta anos, são os protagonistas. Ou seja: os  donos da farra.

Para participar e mais informações: Flávia Verçosa (81) 9.8923.5675

Ultima semana “eleitoral”: fortes emoções…..

Faltando praticamente uma semana para o “D” das eleições gerais 2026, que ocorrerão no próximo dia 04 de outubro, podemos dizer que as disputas majoritárias,  visando o Palácio do Planalto e o do Campo das Princesas,  seguem abertas.

Lula e Flávio Bolsonaro dominam o pedaço. No meu modesto entendimento, dois projetos que não somam para o Brasil de hoje. Dois Projetos que não dialogam com as agendas de futuro, estrategicamente necessárias ao mundo competitivo e fluído, como bem pontuam os especialistas.

Regida pelo retrovisor  do “terror” as referidas postulações se sustentam pelo ódio e pelo medo semeando, na prática,  a desesperança. Do restante do conjunto das candidaturas, incrivelmente, até aqui, não se ouviu sequer  uma frase de efeito,  na qual se possa, pelo menos, se “iludir”. Essa, possivelmente, seja eleição presidencial, pós-redemocratização, com o pior cardápio de candidaturas.

Já na terra dos altos coqueiros, na qual a polarização tem outro sentido político, João e Raquel disputam o voto palmo a palmo, segundo as últimas pesquisas de opinião divulgadas.

O fato novo da última semana – “faz sem ela saber” – já ratificou seu poder destrutivo em desfavor da governadora, candidata à reeleição. Com raras exceções, os políticos “mudam” na campanha para tentar agradar a gregos e troianos. Ao que parece, o “chá de simpatia” que Raquel foi orientada a tomar, certamente indicado pelos seus marqueteiros, venceu antes do prazo imaginado. É visível sua inquietação….

Já no campo adversário, simultaneamente, João comemora! A estratégia do contra-ataque funcionou. Mesmo em cima de um fato requentado, ocorrido em 2025.

Em ato continuo, à vista de Lula, principal “aposta” da campanha do PSB por aqui, que irá acontecer amanhã, sexta-feira (25), indiscutivelmente, tem  o poder de animar ainda mais a  tropa do adversário da governadora.

Diga-se, também, que em  Pernambuco a disputa pelas duas vagas ao senado segue em “modo emoção”. Das cinco candidaturas, incialmente, competitivas, ao que parece, restaram apenas 3 no ringue. Duas pelo campo da esquerda e uma pelo campo da direita. Os candidatos que optaram por defender o “voto  hibrido”, até aqui,  foram rejeitados  pelo eleitorado pernambucano. Segue o jogo……

Vida Passada… – Damasceno Vieira – por Célio Meira.

No ano de 1850, a 6 de maio, João Damasceno Vieira Fernandes, na formosa cidade de Porto-Alegre. Terminando o  curso primário, conquistou, aos 21 ou 22 anos de idade, o título de professor, na Escola Normal da terra onde nasceu.

Não possuía, o jovem inspirado poeta do “Ensaio Timidos”, a paciência do mestre-escola; faltava-lhe o amor à vida, se gloria, do magistério primário; não tinha o espirito de renúncias dessas criaturas, professores públicos de primeiras letras, que trabalham e sofrem, se estiolam e morrem, no anonimato e na humildade. Desejou Damasceno Vieira, vida mais intensa, em que pudesse, pela natureza do seu trabalho , correr pelo mar, pelos rios e pelas terras do país natal. E ingressou, esperançoso, no funcionalismo público.

Exerceu, a principio, contam biógrafos, o cargo de escriturário na Tesouraria da Fazenda, e na Alfandega da Província nativa e, depois, em outras Alfandegas do Rio Grande do Sul. E servindo à nação, realizou a peregrinação desejada, por uma grande faixa da terra brasileira. Trabalhou na Alfandega de Santos, na do Rio, e na do torrão baiano, honrando, sempre, o cargo público, a que consagrava as energias de seu espirito iluminado.

A burocracia não matou, graças a Deus, o homem de letras. Poeta, jornalista, crítico, historiador, e teatrólogo, deu, Damasceno Vieira, à literatura nacional, boas obras, escritas em linguagens elevada, e correlata, e cheias de amor à terra onde viu, um dia, a luz do sol. Entre seus trabalhos, está o livro “Esboços literários”, páginas de crítica, “ A flor do Mancá”, formoso poemelo histórico, e o “Através do Rio da Prata”, obra preciosa que o levou, conta um biógrafo, no Instituto Histórico Brasileiro.

Batalhou, durante quarenta anos, no jornalismo, redigindo artigos e crônicas no “Jornal do Comércio”, de Porto Alegre, na “Reforma”, e no “Mercantil”, diários da gleba nativa, e em inúmeros jornais  e revistas do Brasil. Morreu, Damasceno Vieira, na Baia, aos 60 anos de idade. E seu nome é , ainda hoje, no funcionalismo federal, e nas letras literárias, um exemplo de honestidade e de trabalho.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

1ª Edição Corrida e Caminhada São Vicente…….

No domingo (20), por volta das 6h, foi dada a largada da 1ª edição da Corrida e Caminhada São Vicente, promovida pela Paróquia de São Vicente de Paulo, localizada no bairro do Maués, aqui em Vitória. Após o percurso de 6km e 3km, corrida e caminhada, respectivamente, os participantes receberam medalha de participação e foram recepcionados com abundante café da manhã. Vamos correr……..

Em Vitória, disputa por um assento na ALEPE segue “pegada”!!!

Com histórico positivo em ocupar vários assentos na ALEPE, nas  mesmas legislaturas e por décadas consecutivas, Vitória de Santo Antão, em 2026,  ao que parece, manterá escrevendo esse capitulo no mapa da geopolítica pernambucana.

Sem nenhum demérito a outras candidaturas ou mesmo outros municípios, atualmente,  temos 3 deputados concorrendo à reeleição – Henrique Filho,  Joaquim Lira e Aglaílson Vitor. 

Na categoria de “não detentores de mandatos”, mas com viabilidade eleitoral, temos:  André Carvalho, Socorrinho da APAMI e Túlio Arruda.

Segundo previsões mais otimistas, apontadas por alguns  “cientistas políticos populares” de plantão, poderemos, nesse pleito, em função dos arranjos eleitorais e  partidários, ao abrir as urnas,  alcançarmos o número de 5  parlamentares eleitos,  com  domicilio eleitoral antonense.

Numa previsão mais pessimista, por assim dizer, segundo esses mesmos “cientistas”, poderíamos encolher nossa representação na ALEPE para apenas 2 cadeiras.

Das três candidaturas que nunca ocuparam uma cadeira na ALEPE, a vitória eleitoral e política de André ou Socorrinho, indiscutivelmente, teriam  a capacidade de  influenciar fortemente o pleito municipal de 2028. Alteraria a configuração das forças do tabuleiro político local.

Observaram, também, que a postulação de Túlio Arruda, independente de êxito eleitoral, enfraqueceu o projeto de reeleição do deputado Joaquim Lira.

Em ato contínuo, vencendo ou não em 2026, o Joaquim Lira, em função da possível diminuição  de sufrágios  no seu principal reduto,  sairá desidratado, visando   o seu projeto para 2028, ou seja: disputar a prefeitura da Vitória como candidato “natural”. Com efeito,  ficará  muito mais dependente das “bênçãos” e da boa vontade do atual prefeito Paulo Roberto, que hoje “encena” um racha e uma briga com os “amarelos”.

De olho nesse cenário futuro e com boas chances de emplacar a reeleição, o deputado Vitor segue, segundo comentários, com “um olho no padre e outro na missa”, ou seja: refuta briga e racha verdadeiro no grupo político de  Elias/Paulo,  com medo de    perder o status de principal opositor.  A tão desejada polarização poderia mudar, mesmo que fosse um projeto “montado”. Nesse caso, não custa nada lembrar as palavras de uma velha raposa política que dizia:  “em política, até as brigas são combinadas”. 

No geral, a vitória eleitoral nas urnas de 2026 dos nossos “legítimos representantes”,  tem a capacidade  de ratifica espaço de poder e visibilidade política para os que lutam por um lugar ao “sol” na terra dos altos coqueiros. Mas, lembremos, que  a disputa pela maior votação no reduto da Vitória de Santo Antão, definirá, em parte, os rumos da sucessão municipal de 2028. Segue o jogo….

STF e as desculpas da ministra Cármem Lúcia.

Nas mais variadas plataformas de comunicação o conteúdo segue na  mesma direção, isto é:  O sangramento do STF.  No contexto, de alento, apenas as desculpas à Nação, sublinhadas pela Ministra Cármem Lúcia.

Para abrandar nas palavras, eu diria que  é desestimulante testemunhar, mesmo que seja na condição de denuncias,  que magistrados e respectivos familiares são recebedores de vantagens indevidas. Isso é uma traição aos princípios que norteiam o sistema judiciário porque apenas a dúvida já  fere a  sua essência, a sua razão de existir,  ou seja: fere o sentimento justiça.

Desentranhar de uma sociedade que já elevou o sentimento de que “devemos levar vantagem em tudo”, a pratica corrupta, sobretudo quando os maus exemplos estão acontecendo no andar de cima,  torna essa batalha ainda mais longa e penosa.

Se é que podemos enxergar uma luz no fim do túnel, dessa tenebrosa passagem que envolve a nossa supre corte, poderíamos dizer que pelo menos os fatos foram divulgados, até porque não existe encaminhamentos saneadores  para problemas que não se toma conhecimento. Ao contrário disso, há perpetuação. Segue o jogo….

Vida Passada… – Marquês de Itanhém – por Célio Meira.

Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho nasceu em Marapicú, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1782. Viu o Brasil-colônia, o Brasil-reino, assistiu à independência de sua pátria, e morreu em 1867, quando governava o monarca que,  vinte e oito anos, ainda era seu querido tutelado, pela graça de Deus e por mercê dos homens.

Teve, Manuel Inácio, na jornada feliz e demorada da vida favores e honrarias do poder público. Foi criatura amada da Casa bragantina. Quando D. Pedro I recebeu a coroa de Imperador do Brasil, estava Manuel Inácio, conta o historiador do “Galeria Nacional”, entre aqueles que o aplaudiram e o veneraram, ostentando a espada e os galões de alferes-mór.

Pertencia à família numerosa dos cortezãos da monarquia. Conquistou, ainda moço, a poltrona de senador do Império. Essa poltrona vitalícia era o sonho dourado dos políticos e dos estadistas da velha monarquia. Era a glória na carreira pública. E Manuel Inácio a obteve pelas urnas livres da província de Minas Gerais e pela “vontade” do Imperador.

Aos 64 anos de idade, representou, conta um biógrafo, o rei D. Fernando, de Portugal, numa solenidade nacional. Assistiu, nessa época, à cena festiva do batizado da princesa Izabel, a formosa garotinha de sangue azul que, com o andar dos tempos, assinou a lei gloriosa da redenção da raça negra.

Exerceu, esse fluminense ilustre, a tutoria do príncipe Pedro, a partir de 1833, quando José Bonifácio, perseguido pela política, deixou essa missão honrosa. Inteligente, habilíssimo, Manuel Inácio cumpriu, admiravelmente, sua tarefa. Se não transmitiu, ao tutelado, grandes conhecimentos nas ciências e nas letras, teve a finura de conquistar, para sempre, o coração, nessa tutoria. E Cristiano Otoni, malicioso e perverso, o considerava “um cortezão inepto, que se limitava a adorar o seu imperial pupilo”.

Morreu,  Manuel Inácio, aos 85 anos de idade. Foi estribeiro-mor. Teve, na verdade, esse grande do Império, honras que levaram à história.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Simplício de Holanda – por José Miranda, jornal O Lidador, 3 de novembro de 1956, editado por Walmar Andrade.

Ninguém na Vitória de Santo Antão da velha guarda desconhece a expressão que teve na vida política da cidade, no Império e na primeira República, os Holanda Cavalcanti.
Família de tradição não só socialmente e não só na esfera da cultura, como também na política. Dela saíram expoentes literários e artísticos, algumas das quais em registros imortais na história da nossa cultura.
Poetas como Olinda Cavalcanti e Agostinho de Holanda. Martha de Holanda, sem deixar rimas, sem nunca ter feito um verso nem mesmo nas suas mais afetivas elocubrações de namorada. Todos conhecemo-la, na sua vida intelectual, autêntica poetisa, pela melodia e ritmo das produções de letras.
Família de tradição na cultura e na política também.
O antigo regime não passou sem o concurso dos Holanta Cavalcanti nos partidos Conservador e Liberal, dois que eram apenas. Atuavam tanto nos pleitos, eleições de vida ou morte como se diz à boca das urnas, quanto nos cargos públicos a cujos desempenhos lhes confiavam os governantes.
Contam-se, ainda com pesar, os tristes acontecimentos eleitorais. Não só da Hecatombe do Rosário, página das mais lúgubres e vergonhas dos anais políticos de Vitória, mas também da eleição para o primeiro prefeito republicano, em que eram candidatos José Xavier de Morais e José de Barros de Andrade Lima. O primeiro vindo das hostes conservadoras e o segundo, do Partido Liberal.
Há nessa história, que cada vitoriense daquele tempo conta a seu bel prazer e lhe dá as tintas de acordo com o seu modo de ver, um bocado de influência de um Holanda Cavalcanti [Alexandre José Maria de Holanda Cavalcanti, avô de Simplício, eleito subprefeito de José de Barros de Andrade Lima em 1892]. Influência orientada, naturalmente, pelo interesse de ser útil à terra, dotando-a do governo que a achava merecer.
A Revolução Dantista, que se operou em Pernambuco em fins de 1911, encontrou a família Holanda Cavalcanti coesa em torno do seu chefe e amigo aqui no município, Antônio de Melo Verçosa [marido de Emiliana de Holanda Leite]. Nenhum deixara o seu posto de honra nas fileiras do marretismo.
Nestor de Holanda [subprefeito de Vitória em 1903] era, nesse tempo, membro da família atuante na vida partidária local. Uma espécie de ponto de apoio. Bem relacionado de maneiras agradáveis, sugestivas, dando-se com todos. Fazia da sua Farmácia Popular um centro de reunião onde se encontravam desapaixonados políticos dessa e daquela facção, desse e daquele lado.
Se Antônio de Melo Verçosa tinha, ali na calçada da farmácia, o tabuleiro de gamão sobre os joelhos, pelas tardes dos dias úteis, não menos acontecia com José de Barros de Andrade Lima.
Enquanto Antônio de Melo Verçosa jogava gamão com Nestor de Holanda ou com qualquer outro político ou comerciante, aperuava (como se costumava dizer) de lado, fumando o seu charutinho, dizendo as suas piadas, as suas humoradas, Simplício de Holanda.
Eu o conheci de perto em 1920. Tinha uma loja na rua do Barateiro, uma loja de fazendas, imprensada entre as oficinas e a redação de O Lidador e o Armazém do Anjo, uma casa de secos e molhados.
Os sábados não lhe pertenciam: os fregueses tomavam-lhe todas as atenções. Nem mesmo a Quintino de Itamatamirim, seu amigo e parente, e com quem fazia política, podia prestar a atenção devida.
Aos domingos, ia à feira de Pombos, onde mascateava. Nos dias úteis, enquanto arrumava as prateleiras, dispunha as amostras e despachava algum freguês que aparecia, fazia política.
O velho comerciante do Barateiro discutia, e com que autoridade!, tanto em rodas na porta de Onofre Teixeira ou Luiz Porto, quanto na porta de Antonio de Mello Verçosa.
Quantas vezes vi-o atravessar a rua da sua loja para a rua da loja Relógio Grande, de seu pai Vicente Maria de Hollanda Cavalcanti, com a boca cheia d’água, de bochechas coculadas.
Era que não lhe convinha falar no momento. Conversador como ele, cheio de conhecimentos das coisas como ninguém, só a boca cheia d’água o salvava das interpelações, dos bisbilhotismos por onde ia passando.
Vitória tem atravessado uma boa porção de crises políticas na república, entre os quais se destaca a de 1926, quando no governo do Estado estava o nosso conterrâneo de saudosa memória José Rufino Bezerra Cavalcanti [Governador de Pernambuco de 1919 a 1923].
No crédito que ao marretismo abriu o governo Manuel Borba, abrindo com o dantismo, quantos dos fiéis à oposição, cansados ou desencantados – os Sebastianistas desagregavam-se da sua resistência de crenças, de esperanças, andavam fora dos apriscos primitivos, ou de princípios!
No pleito municipal de então, o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti não se inclinava a reconhecer o direito do legitimamente eleito. A questão do veredito das urnas fez não só retornar tudo aos seu lugares, como acender, como nunca, os morrões.
Não é possível se ir mais longe, em embirras, em perseguições, em hostilidades.
A cidade passou seis ou sete meses sem iluminação, sem limpeza pública, sem nada. Como sem pagar impostos e nem nada receber o funcionalismo, uma vez que os cofres estavam vazios. Viveu Vitória meio ano à toa.
Dois partidos. Um do governo, do manda quem pode. Outro, o da oposição. E a luta persistia. Com a oposição estava a razão, o direito. Com o poder, a força. E nunca o direito submeter-se-ia à força ante a terra ainda independente, ciosa dessa sua qualidade ante o direito de força.
Um terceiro partido fora criado. E teria ele a virtude de intermediário, de superar as dificuldades de um acordo, ou mesmo de se antepor sobre todos os outros.
Coube a Simplício de Holanda Cavalcanti as bases, os alicerces e vigas mestras do edifício político. Quintino, como vários outros que constituíam uma espécie de dissidência do verçosismo, constituíam o estado maior.
Os arautos da nova entidade rumavam, um dia, ao solar do Governador José Rufino Bezerra Cavalcanti. O governador recebe-os no seu velho bom humor e escuta todos com atenção, senhor das atualidades político-partidárias da terra onde nascera e senhor das manhas dos homens e das coisas.
Caboclo da aldeia, o honrado Governador do Estado, pilheriando, pôs no partido o nome de Retame. Ou batizou-o, já que o partido ainda não tinha ido verdadeiramente à pia para a água benta e os santos óleos.
Retame é no banguê o resíduo ou a borra do açúcar, ou ainda o açúcar de qualidade inferior. Para o novo partido, na sua crítica, nome mais adequado encontrava o experimentado agricultor e político que governava o Estado.
E o Remate, o açúcar melaço, não suporta a umidade. Estava a nova organização político-partidária destinada a desaparecer nas primeiras manifestações do inverno da indiferença.
Fora partido de banguê – parece que o governador vira isso. E daí o nome com que o batizara, ou então tomara-o como restos de outros.
Simplício de Holanda, longe de se molestar, ria-se a bom rir, tanto com o batismo do partido, como pelas humoradas, alegres, do velho conterrâneo, estadista de renome que era!
A Revolução de Trinta não o encontrou mais [Simplício faleceu em 16 de julho de 1926, aos 46 anos, dois anos após a morte de sua esposa Elvira]. A morte arrebatou-o bastante cedo, quando muito esperava, ainda, de sua inteligência, de sua atividade, de sua sabedoria política de homem do interior. A sua Vitória!
Além de comerciante e político, fora jornalista. Na direção de O Lidador esteve dois anos e meses, de 1924 a 1926.
Político na ampla acepção do termo, Simplício de Holanda não deixou substituto ou até agora não teve ainda [os dois filhos, Lamartine e Antão, tinham 16 e 14 anos quando ficaram órfãos de pai e mãe]. Da política de aldeia conhecia-lhe as manhas e artimanhas.]
Edição: Walmar Andrade. 

Em evento, AVLAC ratifica o legado de José Tiago de Miranda

Aconteceu na manhã do domingo (13), no Salão Nobre do Instituto Histórico da Vitória, mais uma reunião ordinária da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Entre outros assuntos pautados, o ponto alto do encontro foi a “defesa acadêmica” do professor Teófilo José de Sousa Costa Junior.

Na ocasião, o mesmo realçou, defendeu e ratificou o legado do seu Patrono José Tiago de Miranda. Nascido em 09 de junho de 1891, no Sitio Torres, o antonense José Miranda marcou época em nossa cidade.

Dedicou-se, José Miranda, ao mundo das letras. Professor conceituado,  atuou e coordenou, por décadas, o ensino escolar na Vitória de Santo Antão. Poeta na essência, assumiu  o  jornalismo como missão de vida. Foi através do jornal “O Lidador” que se imortalizou  na sua terra e protagonizou, na sua época,  uma das páginas mais bonita da história do jornalismo interiorano do Nordeste brasileiro.

Com 86 anos de idade, o seu filho caçula, Péricles Miranda, hoje, radicado há décadas na cidade de Vitória, capital do estado do Espirito Santo, representado a família, realçou passagens marcantes da vida do pai. Dentre outras revelações, disse: “meu pai sacrificava o orçamento da família para investir no jornal …..” Na ocasião, também elencou momentos de muito  respeito, carinho e exemplos, emitidos por seu pai, exemplos esses, que nortearam a vida de toda família.

Além de um livro,  a família do professor José Miranda, após o evento,   ofertou  um lanhe a todos os acadêmicos e convidados.

Eleição 2026: esquentando e afunilando – só faltam 3 semanas….

Praticamente faltando três semanas para o dia “D” da eleição 2026, nos últimos dias, a pauta negativa do STF vem suplantando os noticiários políticos eleitorais. Se bem observado, há, na contenda dos suas excelências, um “palanque” em cada canetada. Há, também, um pouco de tudo que denigre a imagem da “Casa”. Uma corte suprema não deviria, aqui, acolá ou em qualquer lugar do mundo,  ser questionada por honestidade, muito menos por injustiça.

Na terra dos altos coqueiros, segundo as últimas pesquisas de opinião pública,  divulgadas pela grande imprensa pernambucana, a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição, segue consolidando-se na dianteira da disputa estadual. Doravante, com o afunilamento da campanha e em função dos debates em que os postulantes estarão  “cara a cara”, certamente o tempo vai “esquentar”, pois os questionamentos envolvendo acusações do famoso “gabinete do ódio” deverá ser  tema relevante.

Com efeito, até o momento, aqui na República da Cachaça, não observamos as postulações com “DNA” antonense empolgadas com a campanha de “mainha”, muito menos com os senadores da sua chapa

André Carvalho, por questões pessoais, eleva o nome de Túlio Gadelha. Por ligação partidária, o Henrique já sinalizou para o nome de Eduardo da Fonte e Socorrinho da Apami  também já confirmou o seu nome.  Foi o que observei, na rua, até agora.

Na outra ponta, por assim dizer, o prefeito Paulo Roberto, e por tabela os seus filhos, já cravaram a chapa completa: é João,  Marília e Humberto.

De maneira geral, políticos só gostam de “levantar bandeiras” quando essas lhes favorecem eleitoralmente. É comum, sobretudo em ambientes polarizados, como estamos vivenciando, esconderem, em suas respectivas campanhas,  ligações que, de certa forma, podem afastar o eleitor mais fundamentalista e raivoso. O Silêncio, nesses casos,  costuma ser a melhor opção…..

Concluindo essas poucas linhas,  vale lembrar: por aqui não tem marinheiro de primeira viagem! É tudo cobra criada…

Portanto,  sabemos  que os  políticos antonenses jogam no campo dos profissionais. Após eleitos, voltarão ao estado natural, ou seja: serão todos governistas, independente do campo vencedor: não esqueçamos das posições  dos nossos ilustres representantes estaduais:  até pouco tempo,  eram todos liderados pelo eminente governador Paulo Câmara.

Vida Passada… – Luiz Murat – por Célio Meira.

Perto do mar, em Itaguaí, no oeste da terra fluminense, nasceu, a 4 de maio de 1861, Luiz Barreto Murat. Realizados os exames do curso de de humanidade, obteve, aos 22 anos, na Faculdade de Direito de São Paulo, a carta de bacharel. Estreou, na terra paulista, na vida das letras, conta um biógrafo, ingressando na companhia daqueles que fizeram o “Ensaio Literário”.

Proclamada a República, ocupou, Luiz Murat, o cargo de secretario do presidente Portela, na terra bandeirante, e um ano depois, ao lado de Nilo Peçanha, Urbano Marcondes e de Alcindo Guanabara, sentou-se na bancada dos Constituintes do torrão nativo. E repetidas vezes, voltou à Câmara Federal, representando o seu povo.

Espirito Irrequieto, alistou-se  entre os inimigos de Floriano Peixoto, e à hora que explodiu a Revolução de 93, estava, Luiz Murat, na fileira dos rebeldes. Desencantado, porém, da revolta, por considera-la, dizem historiadores, grave erro político, abandonou as armas e, nobremente, se apresentou as às tropas legalistas. Preso e processado, foi absolvido, conta Verneck, em fevereiro de 1895, na formosa Curitiba.

Jornalista brilhante, e polemista de pulso, fundou, no Rio, “ A Vila Moderna”, grande semanário, enfrentando, em luta memorável, o fascinante Valentin Magalhães, que fizera d’ “A Semana”, a trincheira luminosa de suas batalhas.

Poeta romântico, e inclinado, nos últimos anos à escola parnasiana, publicou, entre outros livros, o “Quatro poemas”, “ A última noite de Tiradentes”, o “Ondas”, que alcançou varias edições, e o “Ritmos e Ideias”, merecendo ataques e elogios dos críticos contemporâneos . Há, na sua poética, lindo versos, se bem que êle fôra, no julgamento de Artur Mota, “rebuscado na forma, e por vezes obscuro”. Quando se fundou, em 97, a Academia Brasileira de Letras, coube, a Luiz Murat, a cadeira nº 1, patrocinada, por seu desejo, pelo espirito iluminado de Adelino Fontoura. Nessa cadeira, senta-se, hoje, o eminente escritor Afonso de Taunay, o herdeiro abençoado do nome aureolado de Alfredo de Taunay, que traçou o “Inocência” e a “Retirada da Laguna”.

Na história da literatura brasileira, o nome de Luiz Murat figura entre aqueles que a elevaram e a enobreceram.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

O 7 de Setembro na Vitória: civismo e memórias.

No feriado nacional do “7 de Setembro”, data que marca a passagem das comemorações alusivas ao “grito de independência” do Brasil, na direção de Portugal, ocorrido há 204 anos, como tradicionalmente acontece nos quatro cantos do País, foi marcado por desfiles cívicos.

Em nossa cidade, Vitória de Santo Antão, as manifestações são sempre prestigiadas pela população. São famílias inteiras que se  juntam para  brindar  o momento, quase sempre motivadas pela participação efetiva de um dos membro no conjunto do desfile.

O dia “D” do desfile seria, por assim dizer, a culminância de todo um trabalho de preparação realizado pelo corpo docente das escolas. Já para as crianças, adolescentes e jovens, sem sombra de dúvida, um dia muito aguardado:  marcante e inesquecível.

Na ocasião, registramos  a passagem da  Escola Municipal Mariana Amália que,  na sua apresentação, entre outras instituições, realizou uma homenagem a AVLAC –  Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência –  inclusive, com a participação de várias acadêmicas no desfile.

O “7 de Setembro” na nossa Vitória de Santo Antão, como falamos anteriormente, é um dia de festa: pontuado por civismo e memórias.