Só e esperançoso, sonhei com minha cidade.
Fiquei pensativo e saudoso.
No sonho, encontrei as mesmas lojas,
as mesmas casas, as mesmas igrejas,
os mesmos amigos, os mesmos granfinos,
os mesmos mendigos.
As crianças continuavam crianças,
os idosos continuavam idosos,
ninguém chorava, ninguém sofria,
ninguém morria.
No Rio Tapacurá, no campo de futebol,
na Rua Amarela, na Rua do Dique, No Rio do Cajá,
no Bairro do Livramento, na Igreja do Rosário,
na Praça da Matriz, no Bairro do Cuscuz…
Na maternidade onde nasci,
tudo estava exatamente como na minha infância.
Sem saber o certo, consegui realizar um milagre
Num piscar de olhos, eu estava na minha cidade!
Tudo estava como antes, nada havia mudado,
tudo era só da gente (meu e de meus amigos de infância),
tudo igual a quando eu era criança!
Visitei a fábrica da Pitú, encontrei o Professor Mário Bezerra
na porta do Colégio Municipal 3 de Agosto e
passei na frente do Colégio Nossa Senhora das Graças.
Conversei com o professor José Amâncio,
pedi a bênção a padre Pita, revi os amigos:
crianças, adultos, jovens, barbudos, alegres, tristes, sadios, doentes;
andei pelas ruas do comércio, escutei o canto do ferreiro
da Casa de Ferragem de Domingos Beltrão;
corri nas praças, assisti novamente a matinê no Cine Iracema,
no Diogo Braga;
brinquei no reservatório, e entrei, mais uma vez,
em uma Maria Fumaça na Estação Ferroviária.
Como um super-homem, voltei o tempo
e senti o gostinho de regressar para minha cidade.
–Matar a saudade que há anos me consume.
Vitória de Santo Antão, que bom voltar a ti!
Brincar carnaval na Cebola Quente, na Girafa,
no Clube dos Motoristas, “O Cisne”, no Urso Branco,
no Clube Taboquinha, no Camelo, no Leão.
Visitar minha antiga escola na Mortuária…
Reconhecer que errei, que te esqueci
e te deixei nesse mundo de Deus.
Assumir que te usei. Implorar perdão,
pela minha ousadia, pela minha ambição.
Vitória de Santo Antão, eu e meus amigos de infância
zombamos de tudo que fazias sério nas tuas ruas,
nos teus rios, nas feiras, nas escolas, nas igrejas,
no comércio, nos comícios, nos teus cinemas,
na Praça da Matriz, no cemitério.
Ah, Vitória! No teu cemitério, em Cruz das Almas,
já está gravada esta história, em cruzes e mármores.
E eu, pela falta de paciência, certamente, não estarei lá,
ao lado dos meus amigos de infância.
Mas todos os dias as crianças estarão pulando,
correndo e brincando nas tuas calçadas.
Stephem Beltrão


















Na tarde de hoje (16) nossas lentes registraram máquinas e funcionários da Construtora ANCAR trabalhando nas ruas dos Bairros do Amparo e Real. Para os que não lembram, esta obra é uma daquelas HERANÇA MALDITA deixada pelo governo do 25 para o governo do 55, ambas, comandada pelo Prefeito Elias Lira.





















