SÃO JOÃO NO TEMPO DE EU MENINO – por Sosígenes Bittencourt.

Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar o milho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado. O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé de moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.

Sosígenes Bittencourt

Eleições 2024: movimentações curiosas……

Em recente pronunciamento  na tribuna da casa, o   atual presidente da ALEPE, deputado Álvaro Porto, cobrou, de maneira firme, igualdade no tratamento pelo Palácio do Campo das Princesas, no que se refere à liberação dos recursos vinculados às chamadas emendas parlamentares.

Ainda no  contexto do pronunciamento, Porto realçou que 18 deputados – todos da oposição – haviam sido “esquecidos”…

Sobre este mesmo assunto, um determinado órgão da imprensa da capital relacionou uma lista com os nomes dos  deputados contemplados e seus respectivos valores.

Em valores financeiros, na segunda posição da lista,  o  deputado Aglailson Victor aparece bem na fita. Isto é: foi prestigiado pela governadora com o valor de R$ 2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais).

Atual representante dos “Querálvares” no parlamento pernambucano, Victor, que já se lançou pré-candidato a prefeito da Vitória e carrega no seu DNA político uma relação histórica com os lideres do PSB estadual, ao que me consta,  não seria propriamente um deputado aliado do Palácio, mas nesse episódio foi tratado, digamos assim, como uma pessoa especial.

Sabemos, também,  que na política não existe espaço vazio,  muito menos tem nos seus elencos “atores” abestalhados…..

Será que a governadora Raquel Lyra, magoada com o atual prefeito da Vitória, Paulo Roberto, por haver, ele, “pulado fora do seu barco” já começou abrir sua caixa de ferramenta de vingança?

Aliás, é bom que se diga: o prefeito Paulo Roberto continua devendo uma explicação pública pela sua mudança de posicionamento politico  no cenário estadual.

O processo para eleições municipais segue se afunilando…….

“Faz de conta” – por @historia_em_retalhos.

O ano era 1947 e o pequenino Chico Buarque tinha apenas três anos de idade.

Naquele ano, o grande Sivuca compôs no Recife a melodia do que viria a ser “João e Maria”, mas só entregou a música para Chico colocar uma letra 30 anos depois no Rio de Janeiro.

Começava a ganhar forma uma das mais belas valsinhas brasileiras de todos os tempos.

Pois bem.

Motivado pelo fato de que, em 1947, tinha apenas três anos, Chico resolveu fazer uma letra baseada em uma conversa de crianças.

Reparem que é uma obra que evoca a nostalgia e a simplicidade da infância, contrastando-a com a complexidade da vida adulta.

O herói, o “faz de conta”, a noiva do cowboy, o rei, o bedel, o juiz…

Misturando os tempos verbais, como faria uma criança, a letra decreta que a única lei era que todos fossem obrigatoriamente felizes.

Linda demais, não é?

Agora, um detalhe que poucos sabem: quando entregou a fita cassete a Chico, Sivuca escondeu que havia enviado a mesma melodia para um letrista famoso no Recife, Rui de Moraes e Silva.

Foi assim que Rui compôs “Amanhecendo”, gravada na voz de Nadja Maria, com a mesma melodia que Chico “letraria” 30 anos depois.

É também uma bela canção!

“João e Maria” e “Amanhecendo”: os dois frutos que a melodia de Sivuca colheu!

Boa quinta-feira pra todo mundo, gente!
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Vida Passada… – Euclides da Cunha – por Célio Meira

Na fazenda da saudade, encravada em Santa Rita do Rio Negro, povoado do município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro, nasceu, a 20 de janeiro de 1868, Euclides Pimentel da Cunha. Era órfão de mãe, aos três anos, essa criança, que trazia, nas mãos, se é verdade a quiromancia, as linhas da glória e da tragédia. Partiu, a esse tempo, para Teresópolis, e aos 6 anos, corria, feliz, às margens do Paraíba do Sul, em São Fidélis, onde aprendeu a ler, “sob a direção, escreve Lacerda Filho, brilhante escritor sergipano, de um vago professor caldeira”.

Em 1879, mais ou menos, era, Euclides, aluno interno no Colégio Vieira Menêses, donde passou o Vitório da Costa, e depois para o Anglo-Brasileiro, terminando o curso no colégio Aquino, onde ouviu a palavra guiadora, e arrebatada, de Benjamin Cosntant. E antes dos 20 anos vestiu, na Escola Militar, a túnica de soldado. Era um rapaz tímido, nervoso e taciturno.

Agitava a alma do país, em 88, a questão militar. Dizia-se que o governo mudaria a Escola, da Praia Vermelha, para Angra dos Reis. Conspiraram os estudantes. Pregou-se a indisciplina. E anunciada a visita de Tomás José Coêlho de Almeida, ministro da guerra, do gabinete de João Alfredo, formaram as companhias dos cadetes. Fugiram os rebeldes ao compromisso.  Um dos estudantes, porém, conta Afranio Peixoto, deu “alguns passos à frente”, e tentando quebrar o sabre, amolgou a lamina inteira”, e o atirou ao chão, exclamando:

– Infames! A mocidade livre cortejando um ministro da monarquia!

Desligado da Escola, Euclides partiu, a 15 de novembro de 1889, “a pé, de São Cristovão” e foi reunir-se aos antigos companheiros, envergando uma farda emprestada , na epopeia da Republica. Reingressou no Exército. Floriano Peixoto o promoveu, em 92, a 1º tenente. E, em 93, na revolta armada, num ambiente de terror e de incertezas, defendeu, Euclides, a bandeira da legalidade. Reformou-se em 96.

Acompanhou, no ano seguinte, o marechal Bitencourt, na campanha de Canudos. Forâ, a convite de Júlio Mesquita, o correspondente do Estado de São Paulo. E regressando dos sertões da Baia, foi reconstruir uma ponte, em São José do Rio Pardo. Escreveu Os Sertões, numa barraca, na sua oficina de trabalho.

Alcançou, Euclides da Cunha, em 1909, num concurso notável, no Colégio Pedro II, a cadeira de lógica. Farias de Brito foi classificado em 1º lugar e Euclides, ao segundo.  E nesse ano, dando, apenas, dez aulas, um sobrinho que lhe roubou a honra conjugal, lhe tirou a vida. Morreu o autor do Perú versus Bolívia e do Contrastes e Confrontos, aos 41 anos de idade. Euclides da Cunha, no julgamento de Artur Mota, “era um bom, um justo, um honesto e corajoso, isto é um homem de caráter íntegro e indomável, e , um dia , ele , o poeta do Ondas, o “caboclo, jagunço manso”, retratou-se neste verso:

– “Misto de celta, de tapuia e grego.”

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

Os políticos da Vitória conversam com Deus?

Nossa espécie já evolui bastante. Desde os tempos da caverna até os dias atuais, sob o ponto de vista da vida em sociedade, estamos em contínuo melhoramento. Mas acredito que ainda não alcançamos um determinado estágio que nos permita  desvendar alguns mistérios: a vida e a morte são duas grandes incógnitas que, pelo menos aos meus olhos, fornece-nos  um claro atestado de pequenez coletiva….

Evidente que há outras correntes de pensamentos. Existem  até os que operam, hoje, à vista ou em suaves parcelas,  “espaços”  lá no firmamento e, diga-se de passagem,  com clientela  bastante satisfeita (100% de aprovação), até porque  não houve, até hoje, nenhum  comprador  aparecendo  para reclamar do negócio realizado.

Pois bem, enquanto os “negócios para o céu” andam bem, no nosso “mundo político” o que não falta é eleitor dizendo que foi engando pelos políticos que prometeram entregas no curto prazo (4 anos), mas chegam  ao final do prazo contratado  (gestão) e nada muda.

Na cidade pernambucana do Sertão do Moxotó, Arcoverde, o prefeito de lá, recentemente, jogou a toalha. Diz à imprensa que o mesmo, ao longo do seu mandato (2021/2024), angariou uma rejeição de 80% na cidade. Resumo da ópera: semana passada anunciou que não disputará a reeleição no ano em curso.

Já na “Terra da Sulanca”, Santa Cruz do Capibaribe, o atual prefeito, também segundo informações da imprensa,  com boa avaliação e com todas as condições de renovar o seu mandato, anunciou haver recebido uma mensagem divina lhe orientando não disputar o próximo pleito. E atenderá ao chamamento celestial. 

Não disputar um pleito por não reunir condições favoráveis é algo relativamente comum, não chegar a ser uma novidade na política. Mas estando o gestor “com mão na taça” e desistir por uma orientação divina, convenhamos,  é algo bastante inusitado na política brasileira.

Para  concluir essas despretensiosas linhas, quero jogar um pouco de luz no cenário antonense. Por aqui, temos muitos atores políticos que se apresentam como pessoas sintonizadas com o Criador Supremo. Aliás políticos “amiguinhos” de todas as crenças. Ou seja: eles carregam o andor da Igreja Católica, se ajoelham nos Templos Protestantes, dançam nos Terreiros e até são simpáticos e cortês com os  Espiritas, mas dos nossos políticos – com uma disputa ganha na mão -, sinceramente,  qual atenderia uma mensagem divina de não disputar? 

Essa ficou difícil de responder………..?

BRASIL 3, JAPÃO 0, E O PITACO DE MAINHA – por Sosígenes Bittencourt.

(Há 11 anos – 16 de junho de 2013)

Quando terminou o jogo entre Brasil e Japão, minha genitora, que era enjicada com futebol, saiu-se com essa: – O Brasil joga amanhã com quem?
Aí, papai: – Com ninguém, menina, nenhum time joga dois dias em seguida.
Aí, mainha: – Então, amanhã, eu não vou para o fogão. Está tudo errado. Esses caras trabalham um dia na semana para ganhar uma fortuna, e eu trabalho todo dia sem remuneração?
Fotografia: Simônides Bittencourt, profa. Damariz e titia Ricardina

Sosígenes Bittencourt

Aborto legal – por @historia_em_retalhos.

Manifestantes ligados a religiões protestaram do lado de fora da unidade de saúde.
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O ato, organizado por um grupo contrário ao aborto, teve início a partir de uma publicação da extremista de direita Sara Giromini, que divulgou o nome da criança e o hospital em que ela estava internada, contrariando frontalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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Ao chegar na unidade, o médico responsável, dr. Olímpio Moraes Filho, foi recebido aos gritos de “assassino”, “aborteiro”, “demônio”, e frases como “por que o senhor não mata seus filhos?”.
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Em 17 de agosto de 2020, o procedimento foi realizado.
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É oportuno deixar claro: o aborto em caso de estupro está previsto no Código Penal Brasileiro desde 1940, ou seja, há 84 anos.
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Algumas observações:
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– Quase três anos depois de realizar este procedimento, o médico Olímpio de Moraes Filho venceu na Justiça uma ação por danos morais contra o padre Lodi da Cruz. O religioso foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por publicar textos em que acusou o obstetra de “assassinato”.
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– A cada hora, quatro meninas brasileiras de até 13 anos são estupradas, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
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– Em 2018, foram mais de 66.000 estupros no Brasil, 53,8% de meninas com menos de 13 anos.
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– No Brasil, o aborto é previsto em lei (artigo 128 do Decreto-Lei n.º 2.848 de 07 de Dezembro de 1940) quando a gestação é resultado de estupro, quando a gravidez é de risco para a vida da gestante e quando o feto é anencéfalo (não possui cérebro).
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CAFÉ FILOSÓFICO – por Sosígenes Bittencourt.

A poesia está na natureza, o poeta é que fuxica a beleza.
A poesia é o que o poema conta. Certa vez, andando pela varanda, eu vi duas meninas bonitinhas passando. Não eram meras meninas, era a poesia passando, o que me fez fuxicar, varandando.

VARANDANDO
Da varanda, vejo duas meninas bonitinhas passando. De tão bonitinhas, nem parecem passar, fica sempre alguma coisa bonitinha no ar.

Sosígenes Bittencourt

Lançamento da 2ª Antologia Internacional ‘Além-Mares”…

Sob a coordenação e liderança do amigo acadêmico da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência -, Jones Pinheiro, na noite da sexta-feira (14), aconteceu o lançamento da 2º Antologia Poética Internacional “Além-Mares”.

O evento cultural ocorreu no Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão, dentro Programa “Chá da Vida” e contou com a presença de artistas local e de outras cidades e também, através da internet, com depoimentos de envolvidos, com a referida ação, de outros países.

Unidos pelo sentimento poético, pela arte e pelo desejo de uma vida mais leve e construtiva, inciativas como esta merecem destaques. Viva o “Chá da Vida Brasil”.

Ninguém sabe, ninguém viu – por @historia_em_retalhos.

Cadê a moça que estava aqui?

Ninguém sabe, ninguém viu.

Acreditem se quiserem, mas a bela obra de arte talhada na parede do Edf. São Jorge, no Cais de Santa Rita, foi simplesmente apagada por uma tinta branca.

Fiquei perplexo ontem quando passei pela Av. Martins de Barros (cruzamento com a Av. Nossa Sra. do Carmo).

A obra é de autoria do artista plástico Vhils.

Se alguém souber a motivação, por favor, diga aqui.

Não custa lembrar: arte urbana também é patrimônio cultural.

Uma boa quarta-feira a todos.
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Eleições 2024: quem poderá nos salvar? Aglailson Victor, Socorrinho da Apami, André Carvalho, Joaquim Lira…….Quem, quem….? 

Acompanhado de amigos, recentemente, estive na vizinha cidade de Gravatá. Fomos, exatamente, “saborear” o efervescente e representativo Mercado Público, uma espécie de cartão postal da vida do povo nordestino.

Já perdi a conta de quantas vezes estive por lá, mas confesso que, invariavelmente, ao recolocar meus pés ali,  por um determinado tempo, meus pensamentos transportam-me de volta para o nosso Mercado Público, outrora,  um gigante – imponente e locomotiva econômica local -,  hoje, ignorado e sem serventia alguma……

Apenas para sintonizar o leitor no contexto histórico do seu surgimento,  foi no inicio do século XX (1913) que o mesmo foi inaugurado, pelo então prefeito Eurico do Nascimento Valois. Naquele local, antes, se levantou o primeiro prédio público da cidade, ou seja: a cadeia pública ( térreo) + sala de júri (1ª andar). O Mercado de Gravatá (1919) e  tantos outros, espalhados  pelo interior de Pernambuco,  foram surgindo ao longo das primeiras décadas do século passado e até hoje,  bem ou mal – alguns  reconfigurados -, continuam cumprindo sua função.

Fixando no exemplo do Mercado de Gravatá, em relação ao triste destino do nosso, imposto pelos senhores  prefeitos antonenses, é   como se comparássemos  a vida atual  dos que moram na Suécia com os que estão vivendo na Faixa de Gaza.

O “coração” do Mercado Público de Gravatá bate feliz, ritmado pelo bom destino lhe atribuído. O “coração” do Mercado Público da Vitória, tal qual em Gaza, apenas soluça e agoniza. Desidratado e humilhado o mesmo  segue em depressão profunda…

Em ano com eleições municipais (2024), quem poderá nos salvar desse conflito? Aglailson Victor, Socorrinho da Apami, André Carvalho, Joaquim Lira…….Quem, quem….? 

Vale lembrar que o atual gestor, Paulo Roberto, desde sempre, “plantou e irrigou” a esperança no coração dos eleitores de que se um dia chegasse a ser prefeito, com ele,  o referido equipamento público teria melhor destino….

Calma! Ainda faltam 6 meses para o fim da gestão do atual prefeito e o mesmo ainda poderá dizer que,  em relação ao Mercado da Farinha, com ele foi diferente dos demais………..