ESTUDANDO PORTUGUÊS – Estrato e Extrato – por Sosígenes Bittencourt.

Não confunda Estrato com Extrato. O estrato com “s” quer dizer camada, e o extrato com “x” tem a ver com extraído. Por exemplo, quando o caminhão de extrato de tomate capotou na pista, a camada de pobres da periferia correu para saquear. Ou seja, o caminhão carregava caldo extraído de tomate, e o estrato social foi aproveitá-lo para temperar macarrão. Portanto, extrato de tomate pode referir-se a comida de rico, e estrato social pode referir-se a desespero de pobre, tão incompatíveis, como o extrato bancário de um endinheirado de Classe Alta e o extrato bancário de um endividado de Classe Baixa.

Sosígenes Bittencourt

NA SERRA DAS RUSSAS – por Sosígenes Bittencourt.

Momento de louvor e oração, na Serra das Russas, perante a imagem de Nossa Senhora das Graças, Eu, Manoel Carlos e Sidarta Melo, onde oramos por nós e nossos falecidos, fazendo ecoar, à brisa refrigerante da montanha, a Ave Maria, em francês, conforme aprendi no Colégio Municipal 3 de Agosto, na condição de aluno, sob o comando do bacharel Mário Bezerra da Silva, e recitei no Colégio Nossa Senhora das Graças, na função de professor, sob a regência maestrina de Dalka Pitanga de Mesquita, a religiosa Madre Tarcísia.

JE VOUS SALUE, MARIE

Je vous salue, Marie pleine de grâce,
le Seigneur est avec toi,
Tu es bénie entre toutes les femmes et, Jésus,
le fruit de tes entrailles, est béni.
Sainte Marie, Mère de Dieu, prie pour nous, pauvres pécheurs,
maintenant et à l’heure de notre mort,
Ainsi soit-il.

Sosígenes Bittencourt

SOBRE A BREVIDADE DA VIDA – por Sosígenes Bittencourt

O ser humano é um animal sem solução. Ele tem sempre a impressão de que há algo de errado consigo mesmo. Sobretudo quando submetido à angústia de que a morte é o horizonte da vida.

Todo ser humano tem um livro escrito na memória que vai folheando, folheando… Às vezes, desprende um aroma. É o passado intrometendo-se na vida da gente, o passado sempre presente. O passado que se alonga, e o futuro que vai se tornando cada vez mais curto.

A brevidade da vida relembra o poeta romano Horácio (65 – 8 a.C.), agoniado com a fugacidade do tempo: Eheu! fugaces labuntur anni!: Ai de nós! os anos correm céleres.
Tudo que nos mantém vivos, nos mata. Sem o oxigênio, morreríamos; por causa do oxigênio, morreremos. Sem colesterol, morreríamos; por causa do colesterol, morreremos. Se não comêssemos, morreríamos; porque comemos, morreremos. Tudo que nos faz viver corrói a vida. Tudo que auxilia na vida, auxilia na morte.

O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) referiu-se ao tempo de vida: Um minuto de vida é idade suficiente para morrer.
Efêmero abraço!

Sosígenes Bittencourt

 

SÃO PEDRO – por Sosigenes Bittencourt.

São Pedro, segundo a tradição, teria morrido em cerca de 67 d.C., e foi um dos doze Apóstolos de Jesus.

O seu nome original não era Pedro, mas Simão. Cristo apelidou-o de Petros – Pedro, nome grego, masculino, derivado da palavra “petra”, que significa “pedra” ou “rocha”.

Jesus ter-lhe-ia dito: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder da morte não poderá mais vencê-la.

Pedro tem uma importância central na teologia católico-romana. É considerado o príncipe dos apóstolos e o fundador, junto com São Paulo, da Igreja de Roma (a Santa Sé), sendo-lhe reconhecido ainda o título de primeiro Papa.

PAPA quer dizer: Pedro Apóstolo, Príncipe dos Apóstolos.

Sosigenes Bittencourt

FALECIMENTO DE PROFESSORA DAMARIZ – por Sosígenes Bittencourt.

Convivi com minha mãe durante 65 anos, sem jamais haver morado noutro lugar. Onde convivemos sempre foi o nosso lar. O seu falecimento não cabe numa crônica, não se resumiria num compêndio. Por isto, guardei uma oração, a vida inteira, para espelhar o que sinto neste instante:

Eu sei que a morte é bem maior do que a vida, mas é preciso entender que o amor é bem maior do que a morte. A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que temos. Ademais, morreremos. Contudo, uma vez vivos no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver.

Agora, minha mãe, amiga e mestra, Damariz Pereira Bittencourt, és detentora de um segredo só a ti revelado. Um dia, fostes como nós somos; um dia, seremos como tu és. E segue-se um mistério profundo, nunca mais retornaremos a este mundo.

Até breve! Requiescat in pace!

Sosígenes Bittencourt

FALECIMENTO DE ROCHINHA DA FARMÁCIA – por Sosígenes Bittencourt.

 

Há pessoas que nasceram para morrer. Rochinha da Farmácia nasceu para viver. E foi fácil ter vivido 99 primaveras. Eulâmpio Valois da Rocha era um homem do seu tempo todo tempo. Não sofreu o impacto das mudanças, do choque de gerações. Simples, simpático e sério, com afeto e sem afetação, passou-nos a impressão de que ser feliz é simples como viver; difícil é procurar felicidade.

A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que temos. Ademais, morreremos. Contudo, uma vez vivos no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver. Agora, amigo Rochinha, és detentor de um segredo só a ti revelado. Um dia, fostes como nós somos; um dia, seremos como tu és. E segue-se um mistério profundo, nunca mais retornaremos a este mundo.

Até breve! Requiescat in pace!

Sosígenes Bittencourt

RESENHA ESPORTIVA – por Sosígenes Bittencourt.

(Náutico Campeão Pernambucano de 2021)

Eu procuro ser um torcedor decente. Eu acho que o torcedor deve comemorar a vitória do seu time e não a derrota do seu adversário. Quer dizer, o vencedor deve ter humildade, e o perdedor, dignidade. Fosse assim, não haveria tanta barbárie nas praças de guerra em que se transformam os estádios de futebol, com derramamentos de sangue e morte. Eu não sei por que até os boxeadores se abraçam, de cara quebrada, e torcedores de futebol querem se matar.

O Náutico fez um campeonato para ser campeão, com o mérito da aplicação, da entrega, da disciplina tática e do entrosamento. Parecia até uma equipe formada por “fanáuticos” torcedores do Timbu Coroado.

Ora, se no afunilar do campeonato, o Sport Club do Recife resolveu jogar futebol, o que não fez durante o certame, isto valorizou, com todos os méritos, o vitorioso Leão da Praça da Bandeira, o mais glorioso competidor do futebol pernambucano, o brilhante e feroz animal da ilha do Retiro. E, se o VAR errou, que VAR para o raio que o parta. Não é um caso de polícia nem o juiz da contenda merece ser assassinado. Logo, como leonino ético e digno, que preserva muitas amizades que abraçam o alvirrubro dos Aflitos, quero parabenizá-los pelo que fizeram durante o campeonato e me convidar para o churrasco, regado a loirinha suada em qualquer ambiente sadio da cidade. A vida passa, as glórias e as derrotas também. Portanto, vivamos com Fé, Esperança e Caridade, como nos ensina a Teologia Teologal, a ciência de Deus.

Palmas e muito obrigado!

Sosígenes Bittencourt

P A N O R A M A – por Sosígenes Bittencourt.

Observem o que revelou Dr. Aloísio de Melo Xavier, no seu belo e bom Panorama, presente que recebi em 05 de abril de 1994, com muita honra, das mãos da profa. Severina Andrade de Moura.

“Nasci um sujeito alegre, felizmente. Em menino, pratiquei muitas peraltices e brincadeiras, graças à minha natural inquietude, que não me dava tréguas. Comecei a entender, desde então, o imenso valor da alegria, contrapondo-se aos problemas e às misérias da vida humana. Cedo, portanto, alcancei a profunda significação que o bom humor oferece-nos durante a nossa fugaz estada neste vale de lágrimas.”

Aloísio de Melo Xavier
Palmas e muito obrigado.

Sosígenes Bittencourt

MÊS DE MAIO – NO TEMPO DE EU MENINO – por Sosígenes Bittencourt.

(Vitória de Santo Antão – PE)

O mês de Maio sempre foi um mês dedicado à mulher. Mês de Maria, de se celebrar o namoro e o noivado, místico período entre os prazeres da carne e o sacrifício do espírito, o desregramento e a temperança, a fornicação e a castidade. Mês de se respeitar a mãe e desobedecer-lhe.

Recebido com ovação, o Papa veio condenar tudo que é vontade do corpo e seduz o cérebro. Lembra-me O Êxtase de Santa Teresa D’Ávila, trespassada pela seta de um anjo, magnificamente burilada por Bernini, no século XVI.

Quem danado aguentava, em Vitória de Santo Antão, embora calma, sem os agitos nem a desobediência reinante de hoje, controlar-se, com a popularização da minissaia? De repente, quando não se podia ver um tornozelo, lá estavam os joelhos das meninas do Colégio Municipal e do Colégio das Freiras à mostra. Naquele tempo, o desejo vinha embalado pelas músicas de Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps e The Fevers, o que emoldurava o apetite com uma vaga sensação de amor.

Ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo, porque a Medicina ainda não mapeara o cérebro e a endocrinologia cabia em algumas folhas de caderno. Mas, só Deus sabe o quanto a enxurrada de hormônios fustigava a pele da adolescência de tanta emoção. Os namoros eram na calçada, fiscalizados, com hora marcada. Cinema, só com acompanhante, geralmente um irmãozinho bobo, comedor de bombom, mas fuxiqueiro, cujo perigo residia em contrariá-lo. Os cinemas eram o calorento Cine Braga e o inesquecível Cine Iracema, espaçoso, onde se podia procurar um lugar mais reservado para beijar.

Todo mundo ficava tomado, neste mês de maio, de uma expectativa de noivado, casamento e maternidade. Festejava-se a mãe, a namorada e se fazia plano para o futuro. Chegávamos a imaginar como seriam nossos filhos. Se pareceria com a mãe ou seria uma escultórica mistura dos olhos de um com o nariz do outro.

Eita, mundo velho!

Sosígenes Bittencourt

DE REPENTE, A RIMA – por Sosígenes Bittencourt.

A dor e a força

A força que a gente tem,
É algo que não se explica
A gente se faz de bonita
Pra clarear os olhos teus.

A força que a gente tem
Dá cor na tela do tempo
Acalma todo tormento
Que a vida nos sucedeu.

A força que a gente ganha
Com as dores entre as entranhas
Morre no tempo a criança
Que um dia na gente viveu.

Maria Fulô

(Revista Fragmentos – Sosígenes Bittencourt)

LEMBRANÇA DE AUGUSTO CÉSAR – por Sosígenes Bittencourt.

Um dia, ia haver uma “happy hour” na calçada da Rede Ferroviária em frente à Praça Leão Coroado. Se não me falha a memória, a invenção era de Eraldo Boy, que deu cantada para Augusto César vir cantar.

Aí, telefonei para finada Geane fazer cabelo e unhas, intimando-a para dançar. Mais tarde, peguei meu carro, escalei a Vila Mário Bezerra e carreguei a boneca para a festa. Era cedo, a Pizzaria Chaplin, de Selma de Tracunhaém, ainda cheirava a orégano e calabresa do outro lado da praça. Até o Leão Coroado parecia esperar.

Lá pra mais tarde, no interior do prédio da Rede, as luzes acenderam, e Augusto César saiu para cantar. O peito inflado, o cabelo afarofado, largou o vozeirão em cima da plateia. Ergui-me da cadeira, passei a mão na cintura de Geane – moreninha, olhos amendoados, risonha e saltitante – e nos danamos a fazer corrupio entre os canteiros.

Estava instalada a alegria da boemia, o lado dionisíaco da vida, fustigando a inspiração popular: o que se leva da vida é a vida que se leva. Se um dia, nos corredores do infinito, eu vir Augusto, rogo-lhe que cante, que vou procurar a pequena Geane para dançar.

Por enquanto, só lembranças, doces recordações e um desejo a mais: Descansa em Paz!

Sosígenes Bittencourt

FALECIMENTO DE GENA – por Sosígenes Bittencourt.

Gena, popularmente conhecido como Gena da Cascatinha, era filho de Pedro peixeiro e muito amigo do finado Jamerson, funcionário do Hospital João Murilo de Oliveira. Há duas coisas incompreensíveis na vida: nascer sem pedir e morrer sem querer. A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que temos. Contudo, uma vez vivos no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver. Agora, amigo Gena, és detentor de um segredo só a ti revelado. Um dia, fostes como nós somos; um dia, seremos como tu és. E segue-se um mistério profundo, nunca mais retornaremos a este mundo.

Até breve! Requiescat in pace!

Sosígenes Bittencourt.

DESABAFO – por Sosígenes Bittencourt.

Às vezes, é preciso dar uma de doido para perceberem que você é normal. É a única forma de manter o equilíbrio, ser você mesmo, ser original, deixar de se sentir um quadrúpede numa manada que só faz o que determinam, só diz o que querem ouvir. Às vezes, ser sinceramente louco é a única forma de preservar a saúde mental em meio a uma sociedade padronizadamente doente. Falar a verdade sempre foi minha salvação e minha danação.

Sincero abraço!

Sosígenes Bittencourt

O HUMOR DE BOM HUMOR – por Sosígenes Bittencourt.

(Mentiras de verdade)

1. Marido: Não é nada disso que você está pensando.
2. Esposa: Só te perdoo pelos nossos anos de casados.
3. Delegado: Tomaremos providências.
4. Aniversariante: Presente? Não precisava.
5. Bêbado: Sei perfeitamente o que estou fazendo.
6. Casal sem filhos: Venha sempre nos visitar. Adoramos suas crianças.
7. Advogado: Esse processo é rápido.
8. Ambulante: Qualquer coisa, volte aqui que a gente troca.
9. Dentista: Não vai doer nadinha.
10. Desiludida: Não quero mais saber de homem.

Mentiroso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Por falar em humor, de maneira bem humorada, segue, abaixo, uma extraordinária explicação sobre esquema tático do jogo de totó, proferida pelo professor, pensador e poeta vitoriense Sosígenes. 

 

QUADRO DE FRASES – Sosígenes Bittencourt.

1. Case com quem você gosta de conversar. (afinidade)
2. Não acredite em tudo que ouve. (lógica)
3. Não gaste tudo que tem. (autocontrole)
4. Não durma tanto quanto quer. (tempo)
5. Quando perder, não perca a lição. (sabedoria)
Tantra

Tantra (do Sânscrito: tratado sobre ritual, meditação e disciplina). Yoga tântrico ou Tantrismo é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras.

Sosígenes Bittencourt

Dra. ANA VERUSA CUNHA DE SOUSA – Sosígenes Bittencourt.

Conheci-a no oitão da Igreja Matriz de Santo Antão, eventualmente, num Domingo, à noite, apropriado teatro para sua vocação religiosa, sua catolicidade teórica e praticante.
Animada, fluente na conversa, dissertava sobre assuntos mais diversos e manifestava o interesse por variedades, como tocar piano, falar duas línguas neolatinas: francês e italiano – e uma anglo-saxônica: inglês. Colecionadora de antiguidades, também versejava, embora não revelasse interesse de editar livro até então. Na correnteza esperta do tempo, como no dizer do poeta Drummond, fomos consolidando amizade, fundada na preocupação intelectual com o Universo.

Pouco poderia imaginar que, lá adiante, tanto iria precisar de seus saberes científicos, médicos, como especializada em Endocrinologia, não obstante experiente em Clínica Geral, resgatando-me o ombro de uma dolorosa bursite e a vida do acometimento da Covid-19. Diagnóstico e medicação sem pestanejar, lépida, despachada, e combate efetivo das enfermidades. Uma eficiência, acendrada no conhecimento, adquirido com a aplicação da inteligência, ressaltando-lhe a Sabedoria. Como diziam os gregos: A Inteligência é uma faculdade humana, cuja virtude é a Sabedoria (Sofia).

Por tudo exposto, já não era sem tempo, manifestar o meu agradecimento pelas dádivas e fazê-lo em nome de minha cidade, pelo resgate de tantas vidas, ora acorrentadas a doenças, ora no limiar da morte, durante 16 anos e três meses de medicina horária, assídua em Vitória de Santo Antão.

Muito obrigado!
Sosígenes Bittencourt

O HUMOR DE BOM HUMOR – por Sosígenes Bittencourt.

(Ao telefone)

Alguém: – Alô, é do hospício?
O doido: – Não, minha senhora, aqui não tem telefone.

O professor: – Maria, onde foi assinada a Declaração dos Direitos do Homem?
A aluna: – Embaixo da declaração, professor.

– E o seu filhinho, como vai? Já está falando?
– E então. Já está apanhando pra ficar calado.

– Quero aquele livro intitulado Como fiquei rico depressa.
– Acho bom o senhor levar o Código Penal.

O ascensorista: – Qual o andar, senhor?
– Qualquer um. Eu errei o prédio.

– Feche os olhos, vovô.
– Por que, meu netinho?
– Porque titia disse que, se o senhor fechar os olhos, nós ficaremos ricos.

– Que horas são, por favor?
Torcedor fanático: – Dois a zero.

O dentista: – Por favor, abra a boca! Êpa, não precisa tanto. Eu vou trabalhar do lado de fora.

– Você tem parentes pobres?
– Tenho, mas não os conheço.
– E você, tem parentes ricos?
– Tenho, mas eles não me conhecem.

(Sosígenes Bittencourt)

FREVO E VASSOURINHAS – por Sosígenes Bittencourt.

Não é possível se falar em Frevo, sem se referir a Pernambuco, Vassourinhas e Felinho. Porque não há dúvida de que o frevo nasceu entre as cidades gemelares de Olinda e Recife, e é o único ritmo genuinamente nacional. Não existe frevo nem nada parecido em lugar nenhum do mundo. Até a palavra frevo vem do verbo “ferver”, oriunda da pronúncia troncha, como “frevura”, referindo-se às atividades canavieiras, como nos engenhos de açúcar.

Diz que Vassourinhas, considerado o Hino do Carnaval Pernambucano, foi composto por Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, para o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, lá pelo início do século passado, mil novecentos e alguma coisa. Porém, há quem tenha fuxicado que viu Joana cantando os versos de Vassourinhas para Matias, já em 1889. Sei lá…

Felinho, Félix Lins de Albuquerque (1895-1980), conhecido popularmente como O Homem dos 11 Instrumentos, nascido ali em Bonito, inventou 8 Variações para sax-alto, no meio de Vassourinhas, em 1941. O frevo foi gravado, com a novidade, em junho de 1956, pela orquestra de Nelson Ferreira, para incendiar a Terra dos Altos Coqueiros. Infelizmente, já não se toca Vassourinhas como antigamente. Tenho uma cópia da execução original, para dizer que deram uma vassourada no Hino do Carnaval Pernambucano.
Fervoroso abraço!

Sosígenes Bittencourt

PRIMEIRO ATO – por Sosígenes Bittencourt.

Manhã cedinho, ponho-me a lidar com as palavras. Leio desde quando não sabia ler e escrevo desde quando não sabia escrever. Ver é natural, ler é intelectual. Penso, logo escrevo. Escrevo, logo sou lido. Sou lido, logo existo. Ensinar, para mim, é uma forma de conviver, minha escola é o mundo. Eu não faço poesia de propósito, faço poesia quando a beleza passa. Eu não sou egoísta, por isso conto a poesia pra todo mundo.

Sosígenes Bittencourt

SUELY – por Sosígenes Bittencourt.

Nunca mais eu vi Suely. Desde a década de 70 que eu não vejo Suely. Suely morava naquela rua ao lado da Praça Duque de Caxias – na calçada onde foi um banco e depois um supermercado. Suely era bonitinha que era danada, tinha cheiro de mulher no rosto, no ombro, na cortina dos cabelos. Sei lá, talvez um cheiro de lençol, de quarto de dormir. Olhos semicerrados, lânguidos, pelos amarelinhos nos braços e duas pernas adjetivas.

Naqueles idos, quando tudo era proibido, rapaz não cheirava moça sem sentir sensação de amar. Sensorialmente, depois de olhar, o amor entrava pelo olfato, ia direto ao coração.Muitas vezes, vendo a tarde escorrer lentamente, ficava matutando… se eu casasse com Suely, iria ficar chamando, o tempo todo, pelo seu nome: Suely… Suely… – nome adocicado, sibilante, feminino que só, parece um assovio.

Suely foi o meu primeiro estremecimento de amor. Eu não sei o que ela sentia. Eu ficava calado, só mancuricando, com medo de dizer besteira, gaizo. O difícil em conquistar uma mulher bonita é que o coração atrapalha o raciocínio.

Reminiscente abraço!

Sosígenes Bittencourt