MINIBIOGRAFIA – por Sosígenes Bittencourt.


Ensinar, para mim, é uma forma de conviver.
Minha escola é o mundo.
Estudar, para mim, é uma forma de conviver,
Minha escola é o mundo.
Sou professor no que ensino;
no que estudo, sou aluno.
Sou filho de professora Damariz,
meio gente, meio pó de giz.
Fazer poesia é destino,
sou poeta desde menino.
Porém, sou poeta trabalhado,
o meu dom é divino,
mas o estudo é sagrado.
Sosígenes Bittencourt
(Colégio Municipal 3 de Agosto.

19/07/1955
19/07/2026

Sosígenes Bittencourt

ATRÁS DA PORTA – por Sosígenes Bittencourt.

ATRÁS DA PORTA

Atrás da porta
renasce a infância e seus bruxedos

Atrás da porta
há golpes e risos
e mãos impossíveis

Atrás da porta
o pequeno espaço
estreita os desejos

Atrás da porta
há olhos perquiridores
mas, cegos, de confundem

Atrás da porta
há outra porta
abrindo lembranças

Atrás da porta
há o gelo e o fogo
de tua volta

Atrás da porta
“tem o aspecto
de um corpo”

Atrás da porta
os mortos estudam os vivos
mais mortos que os mortos

Sosígenes Bittencourt
Janeiro/1978

A poesia está na natureza – por Sosígenes Bittencourt.

A poesia está na natureza, o poeta é que fuxica a beleza.
A poesia é o que o poema conta.
Certa vez, andando pela varanda, eu vi duas meninas bonitinhas passando.
Não eram meras meninas, era a poesia passando, o que me fez fuxicar, varandando.

VARANDANDO
Da varanda, vejo duas meninas bonitinhas passando.
De tão bonitinhas, nem parecem passar, fica sempre alguma coisa bonitinha no ar.

Sosígenes Bittencourt

São João e São João – por Sosígenes Bittencourt.

Das três maiores festas anuais, o São João é a mais singela e tradicional. O Ano Novo nos trespassa de tristeza, porque sugere a contagem do tempo e amontoa os mortos. Abrimos álbum de retrato e botamos pra chorar. O Carnaval é uma festa perigosa, de extravasar frustrações. O pessoal só falta correr nu pela rua.

O São João é uma festa mais pacata, que relembra nossas tradições mais atávicas, nossas raízes culturais. Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar o milho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado. O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé-de-moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.

Sosígenes Bittencourt

O HUMOR DE BOM HUMOR – por Sosígenes Bittencourt.

(Menina oferecendo a sorte em Mané Peixe)
-Professor, o senhor quer jogar, para tirar 190 milhões de reais?
– Deus me defenda, minha filha, não tenho mais idade pra isso.

(Explicação para menina oferecendo o Bicho) – Professor, quer apostar no Bicho?
– Não, minha filha. Eu sou o único jogador que nunca perde no Jogo do Bicho. Porque só jogo BURRO. Aí, quando não dá na pedra, dou eu mesmo, o BURRO que jogou.

Arriscado abraço!

Sosígenes Bittencourt

O HUMOR DE BOM HUMOR – por Sosígenes Bittencourt.

Filhos de imigrantes japoneses são nissei.
Netos de imigrantes japoneses são sansei.
Filhos de brasileiros com cara de japonês, nunsei.

Perguntaram como seria topless em chinês.
Resposta: Xen-Xu-Tian
E como se fala pobre em chinês?
Xen-Nada
E descalço, como seria?
Xen-Xinelo.

(Brasileiros com cara de Japonês)
Nipônico abraço!

Sosígenes Bittencourt

HOJE É DOMINGO – por Sosigenes Bittencourt.



Hoje é domingo
Pede cachimbo
O cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo

Obs: Nesta canção de roda do tempo de eu menino, pede cachimbo significa pede descanso.
Como somos, meio gente, meio barro, sem cachimbo, fuma cigarro. Eu, não, pelo pigarro.
Enfisematoso abraço!


Sosigenes Bittencourt