



Confira o trecho do “CODIGO DE POSTURAS” do município da Vitória, datado de 1897. Os trechos foram retirados do volume 07 da revista do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, publicados em 1977. São muitas curiosidades sobre o nosso lugar….


O Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão, nos seus quase 80 anos de fundação, empenha-se no esforço de abrigar num só espaço, além de um museu arqueológico composto de acervo local, um museu de arte sacra, um museu de imagem e de som, um museu do carnaval que relembra a tradição da maior festa popular vitoriense, uma revista com temática voltada para a memória dos 400 anos da cidade e uma biblioteca de obras célebres. Trata-se de um espaço de leitura e pesquisa histórica concebido pelo professor José Aragão, presidente da instituição durante 40 anos, cargo continuado pelo professor Pedro Ferrer.
Um anexo do Instituto Histórico, instalado num sobrado mourisco do século XIX (Rua Imperial, 187), foi inaugurado no dia 3 de agosto em memória da filósofa e teóloga vitoriense Maria do Carmo Tavares de Miranda (1926–2012), na passagem — há poucos dias — do seu centenário de nascimento. Conhecida pela sua erudição e por sua trajetória de estudos de filosofia na Alemanha (Universidade de Friburgo) e na França (Universidade de Sorbonne, Paris), bem como por sua atuação como professora da UFPE, como diretora da Fundação Joaquim Nabuco (Seminário de Tropicologia) e como autora de obras voltadas para a filosofia da educação, ela não deixou de ser uma pensadora polêmica, como foi o debate com o educador Paulo Freire (1921-1997).
Não teria sido do seu conhecimento, tenho para mim, a notícia dada por seus admiradores — talvez com a intenção de agradar — de que fora assistente e substituta eventual nas aulas, além de aluna, de Martin Heidegger (1889–1976), o mais famoso filósofo do seu tempo. Em não ter sido, nada deslustraria a sua biografia prodigiosa. É sabido que Martin Heidegger contou com renomados alunos e discípulos brasileiros, além de Miranda, que estudaram diretamente com ele na Universidade de Friburgo na década de 1950. Lembro Emmanuel Carneiro Leão (1929–2023), pernambucano do Recife, intelectual de grande relevância.
Ele se tornou um dos maiores divulgadores e tradutores da obra heideggeriana no Brasil, mantendo uma relação de proximidade acadêmica como discípulo, e não como assistente de Heidegger. Fausto Castilho (1929–2015) foi outro importante intelectual que frequentou os seminários de Heidegger em Friburgo em 1952. Castilho dedicou décadas de sua vida à tradução bilíngue de “Ser e Tempo”, um dos livros marcantes do pensamento do século XX. Outro brasileiro, Ernildo Stein, foi também um aluno muito próximo de Heidegger (com este tive o prazer de trocar impressões de leitura sobre a obra filósofo da Floresta Negra).
Para mim, são considerados membros de uma linhagem filosófica de grande expressão. Miranda, como Hannah Arendt e Hans-Georg Gadamer, fez parte dessa elite de grandes pensadores. Eles desenvolveram interpretações influentes do pensamento heideggeriano. .
Conheci as refinadas ideias de Miranda sobre a complexa obra do seu mestre, sei da marca inesquecível que ela deixou no Seminário de Tropicologia (Fundaj),. e não me seria estranho se ela, eventualmente, ministrasse aulas na cátedra dele. Sabe-se que há núcleos de estudos heideggerianos na UFPE e na Universidade Católica.
Marcus Prado – jornalista


(A Cascatinha da Matriz e Manoelzinho de Horácio)
Papai me contava e mamãe assevera que quem construiu essa praça, chamada Dom Luis de Brito, foi Horácio de Barros, pai de Manoelzinho Rangel. Depois, diz que Horácio de Barros não foi à inauguração da obra, porque estava acometido de Tifo. Assistiu ao evento, debruçado na janela de sua casa, na Rua Imperial, popularmente conhecida como Rua do Meio.
Era nessa Cascatinha que Manoelzinho de Horácio tomava cachaça com caramelo de menta, contava piada, soltava lorota e empulhava o mundo. Manoelzinho de Horácio partiu para a Eternidade aos 73 anos, já faz algum tempo. Ele contava que o médico que lhe tirou o baço e garantiu-lhe um ano de existência morreu primeiro.
Certa vez, Manoelzinho de Horácio me contou que fez um frio tão grande em Vitória de Santo Antão que o Leão Coroado, na frente da Estação Ferroviária, saiu do monumento e foi se esconder dentro de uma barbearia do outro lado da Praça. Manoelzinho de Horácio era jogador de futebol. Diz que, um dia, ele foi bater um pênalti, quando o adversário Tenente Índio o ameaçou: – Se fizer o gol, me apanha! Manoelzinho não teve dúvida, furou o gol e saiu correndo do estádio José da Costa, solto na buraqueira, pelo Dique afora.
Sosígenes Bittencourt


Dentro da programação anunciada, na noite do sábado (15), aconteceu a 9ª Festa da Saudade – projeto musical com repertório qualificado de entretenimento dançante. No palco, duas apresentações:
Às 22h, iniciou a Banda Pinga Fogo. Formada por músicos locais o grupo “viajou” pelos clássicos nacionais e internacionais destravando memórias musicais. Apresentação espetacular.
Nos últimos minutos do sábado, a internacional Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos – Super OARA -, cumprimentou os presentes com a seguinte expressão: “vamos dançar Vitória!”.

Com um robusto e eclético repertório musical, que agrada a gregos e troianos, o sempre simpático Elaque Amaral comandou a festa até a madrugada do domingo (16).
No salão, além dos casais apaixonados, o evento viabilizou a presença do Grupo de Dança de Salão “Os Pés de Valsa” – dançarinos profissionais que atuam no Clube das Pás do Recife – que movimentou o salão, convidando a mulherada para dançar.
Como o próprio nome diz – Festa da Saudade -, esse encontro social é um evento diferenciado. Celebra a vida, as amizades o encontro e o reencontro de pessoas que estão curtindo a vida com muita sabedoria e alegria.
Em 2027 tem mais uma edição da Festa da Saudade: 10 anos de eventos!!!


Anúncio veiculado no Jornal O Progresso, de 14 de dezembro de 1960.


Projeto iniciado no ano de 2020, mas interrompido por conta dos efeitos restritivos da pandemia, a Corrida e Caminhada da Vitoria só foi efetivada, de fato, em 2022, quando realizou sua primeira edição.
Sempre valorizando a chamada “Educação Patrimonial”, o evento realçou, em suas medalhas e troféus, temas alusivos à história local, como datas comemorativas, logradouros e monumentos.
Em 2026, por ocasião da passagem dos 400 anos de fundação do nosso torrão, a 5ª Edição da Corrida e Caminhada da Vitória, através das medalhas e troféus, simbolicamente, ao estampar uma réplica do que teria sido a primeira capela, construída em solo antonense, dedicada ao Glorioso Santo Antão, padroeiro da cidade, sublinha contornos históricos na imperiosa linha do tempo.
Assim sendo, após concluir a prova, o atleta não só estará colocando uma medalha de corrida no peito, mas sim, uma peça valiosa que conta a história de uma das cidades mais importantes de Pernambuco e do Brasil.
5ª Edição da Corrida e Caminhada da Vitória
Dia 26 de abril, a partir das 5h – Praça da Restauração – às 5h
Como participa?
Inscrições:
Pelo site: www.uptempo.com.br
Presencial: Loja Monster Suplementos – Matriz
WhatsApp – 9.9198.0437







O que a gente viveu não foi só um evento… foi sentimento. 💛🎭
A Saudade mais uma vez mostrou que tradição, alegria e emoção caminham juntas. Cada fantasia, cada sorriso, cada abraço e cada música cantada em coro fizeram dessa edição um momento inesquecível.
Foi lindo ver famílias reunidas, amigos celebrando e gerações diferentes compartilhando a mesma energia. Porque não é só sobre Carnaval… é sobre pertencimento, memória e aquela alegria que aquece o coração.
Que venham os próximos encontros, mais histórias pra contar e mais momentos pra guardar na memória.
Porque na Saudade, a Gente Brinca Melhor. 💙✨
ASSISTA O VÍDEO OFICIAL DO DESFILE 2026:
https://www.instagram.com/reel/DVI26TdDsDJ/?igsh=MTFpdGdyNDFmOXM1Ng%3D%3D


Criado na década de 80, precisamente em 1983, num dia sábado, uma semana antes do “Sábado de Zé Pereira”, uma turma de amigos que trabalhava no comercio, indústria, colégio e bancos, tais como: H. Morais, Aliança de Ouro, Mizura, Casas Pernambucanas, Pitú, Bradesco, Banorte e Banco do Brasil, em uma brincadeira, debaixo de um “Pé de Fícus”, localizado na Trav. São Vicente, no bairro do Cajá, inaugurava a Barraca do AMARAL – saudosa memória.
Inauguração essa que recebeu a contribuição de todos. Minha participação foi a doação do tira gosto, uma caldeirada de 100 guaiamuns de cocô, outros com bebidas etc.
Pois bem, na noite anterior (sexta) alguns integrantes da comemoração haviam passado a noite no baixo meretrício e subtraíndo algumas calcinhas das profissionais do sexo que ali trabalhavam. Depois de umas e outras, alguns componentes, já calibrados, resolveram pendura as calcinhas, furtadas, no pé de fícus.
Aquela cena despertou curiosidade em algumas pessoas que por ali passavam, principalmente quem gostava de toma “água que passarinho não bebe”. Compramos alguns sacos de maizena e farinha de trigo e começamos o tradicional mela-mela. Foi um dia inesquecível a inauguração da “Barraca do Amaral”.
Conclusão:
No sábado posterior ao chamado Sábado de Zé Pereira, alguns amigos que estavam na inauguração da Barraca do Amaral, já calibrados, resolveram sair pelas ruas do comércio da Vitória, tocando zabumba, triangulo e pandeiro, todos com uma calcinha na cabeça cantando músicas carnavalescas. Sendo assim, estava fundado, definitivamente, A TURMA DA CALCINHA, que sobreviveu durante 14 anos com recursos próprios. Em 1991 chegou a ter uma música, gravada no LP “VITÓRIA, CARNAVAL E FREVO”.

Atenciosamente,
SEVERINO ROBERTO SILVA.

Celebremos, hoje (17/01/2026), a passagem dos 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão. Mas é importante lembrar que nem sempre a mesma (cidade) teve a palavra “vitória” como principal identificação.
Terra desbravada pelo português Diogo de Braga, oriundo do Arquipélago do Cabo Verde, em 1626, mais precisamente da Ilha de Santo Antão, recebeu, de partida, o simpático nome de “Cidade de Braga”.
Fruto da devoção ao catolicismo, o santo virou o protagonista do lugar: Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão, Vila de Santo Antão e só a partir de 06 de maio de 1843, virou “Cidade da Vitória”. Uma alusão direta à vitória alcançada na épica Batalha dos Montes Tabocas, ocorrida em 03 de agosto de 1645.
O curioso para o tempo presente é que o nome atual – Vitória de Santo Antão – só foi cravado, definitivamente, a partir de 1º de janeiro de 1944. Ou seja: apenas há 82 anos.
No transcorrer desses 400 anos de história o mundo se transformou. O Brasil deixou de ser apenas uma rica porção de terras nos trópicos para virar um País rico, soberano e próspero. Na esteira dos acontecimentos nacionais, no alvorecer do século XIX (1812), quando viramos vila autônoma – Vila de Santo Antão –, os antonenses, por assim dizer, começam a tomar conta do próprio nariz.
Constituíram Câmara de Vereadores, passaram a contar com ordenamento jurídico próprio, determinam, também, o seu código de postura e costumes e assim passam a ter vida própria.
Nesse contexto, na qualidade de vida coletiva, o local ganhou ares de metrópole. No comercio, vira uma espécie de locomotiva da região. Instrumento de cidadania e desenvolvimento, a imprensa escrita tornar-se-ia um caldeirão de alavancas. Um “campo santo” público (cemitério), atenderia os clamores da “vida” pós-morte. Mas é a chegada do trem (1886), símbolo do progresso nos quatro cantos do mundo, que a faz conjugar todos os índices de crescimento, ou seja: social, político, cultual e econômico.
Para pontuar dois momentos singulares, nessa linha imaginária do tempo, nessa auspiciosa data comemorativa, sublinhemos o pior e o melhor acontecimentos já vivenciados: pelo lado trágico, o surto da Cólera, no qual parcela expressiva da população foi a óbito, em um curto espaço de tempo. Na outra ponta, respeitando o contexto histórico, exaltamos à visita do Imperador Pedro II, ocorrida em 18, 19 e 20 de dezembro de 1859, fazendo da então “Cidade da Vitória” a capital do Império.
Portanto, para encerrar essas linhas, que mistura um pouco de tudo, comemoremos, com “vivas”, à República da Cachaça, aqui, bem representada pela gigante Pitú.
Redamos nossas homenagens à Vitória de Santo Antão, uma terra que se expressa de maneira plural. Ou seja: conservadora na vida política e irreverente e criativa na sua festa maior – o Carnaval!!!


Essa é a última postagem de 2025. É, também, desde o inicio das nossas atividades, ocorrida, lá, em 2011, a postagem de número trinta mil (30.000). Uma longa jornada que segue em movimento. Sigamos firmes e fortes. 2026 é logo ali…..


Fragilizada fisicamente, há algum tempo, faleceu, ontem (29), a conhecidíssima “Doutora Iara Gouveia”. Será sepultada na tarde de hoje (30), no Cemitério Morada da Paz, localizado no município de Paulista.
Figura ativa desde a juventude ela teve uma trajetória de vida marcada por dificuldades e sucessos. Iniciou sua caminhada no magistério aos 18 anos e gostava de ser tratada como tal (Professora), mesmo depois de conjugar outras profissões – dentista e advogada.

Com personalidade forte, também atuou no cenário político, iniciando seu ativismo nos bancos da faculdade. Dizia em alto e bom som: “não sou de meias palavras e de gestos comedidos”. Amante do contraditório, encontrou na tribuna do parlamento local o espaço perfeito para exercer seus atributos, seu jeito de ser e pensar. Foi a segunda mulher a ocupar a vereança na cidade da Vitória de Santo Antão.

Arquivo Jornal da Vitória
Foi através do casamento com Sylvio Gouveia, com quem teve três filhas, que adotou Vitória como “Pátria Amada”. Reconhecida como provedora de frutos coletivos recebeu, da Câmara de Vereadores local, cidadania antonense.
Também teve passagem marcante no nosso secular carnaval. O nome Iara Gouveia se traduzia, em se tratando de carro alegórico, bom gosto, luxo e beleza.
Doutora Iara Gouveia não foi uma pessoa que passou despercebida pela vida. No plano terreno, foi uma guerreira, uma ativista, uma mulher que inaugurou, por assim dizer, o sentido da palavra “empoderamento feminino”. Seu legado e seus exemplos serão exercidos por seus familiares e, sobretudo, por aqueles que gozaram da sua amizade e do seu afeto.


Pensada e articulada pelas lideranças católicas da nossa cidade e financiada pelo sentimento de gratidão dos fiéis de então, o “Obelisco da Matriz” – um monumento em forma de “Pirâmide”- eternizou a homenagem dedicada a Jesus Cristo, por ocasião da passagem do século XIX para o XX.
O papo é reto: ninguém pode amar, preservar e cultuar aquilo que desconhece. O sentimento só chega depois do conhecimento.

Pois bem, munido de informações históricas e pessoais, hoje, sexta-feira, 26 de dezembro, pela manhã, ao final de mais um treino de corrida, fiz questão de realizar um registro, junto ao referido monumento histórico.
Explico:
No final de ano de 1967, exatamente no dia 26 de dezembro, nasceu o décimo-primeiro filho do casal Zito e Anita. Dentro do clima natalino, resolveram, naquela ocasião, que o garoto deveria se chamar Natalício.

Sem qualquer inconveniência do avô materno, o intelectual Célio Meira, por ocasião de uma visita, ainda na maternidade, ao saber da decisão – o nome do garoto seria uma homenagem ao Natal – sugestionou outro nome, sem mudar o sentido da homenagem, dizendo:
“Já que vocês querem fazer uma homenagem ao Natal, porque não homenagear o verdadeiro símbolo do Natal que é Jesus Cristo? Coloquem o nome Cristiano no garoto”.
58 anos se passaram. Hoje, temos, pelo menos, duas homenagens concretas e diretas ao filho Deus em nossa cidade: uma de concreto (o “Obelisco”) e outra de carne e osso ( eu). .


A ação impiedosa do tempo destrói todas as obras humanas de modo tão sutil que nós mesmos somos, sem o pressentirmos, os agentes e pacientes dessas informações.
Dir-se-ia que no campo espiritual existem sedimentos iguais às que se verificam no terreno material.
As gerações sucedem-se deixando camadas sobre camadas de ideias e sentimentos que se concretizam em atos e costumes e marcam a mentalidade de cada época do espírito humano.
Os povos de formação definida, já chegados à maioridade racial, evoluem lentamente, são, por índole, conservadores, de modo que, entre eles, os costumes e as tradições nacionais sobrevivem às gerações.
Nos países novos, etnicamente em gestação, pontos de convergência das migrações de outros povos, é o próprio movimento da população que produz a renovação contínua, incessante e rápida dos costumes com a introdução de usos estranhos e a imitação dos figurinos estrangeiros.
É o que sucede com o Brasil, notadamente depois que os modernos inventos encurtaram as distâncias e nos fizeram vizinhos dos Estados Unidos e da Europa.
Só assim se explica a metamorfose da vida brasileira, hoje com aspectos e modalidades bem diferentes, quando não opostos aos de 20 ou 30 anos atrás.
* * * *
Vieram-me à mente essas lucubrações ao meditar sobre o Natal que conheci nos meus tenros anos, cheio de encanto e suavidade.
O Natal do lares enfeitados, onde se reuniam famílias e se formava ambiente de intensa alegria, vivendo os moços, os velhos e as crianças momentos de verdadeira felicidade, ao som do harmônio e da flauta, à mesa frugal, ou nos salões onde se achava o presépio armado e adrede preparado para receber a visita do pastoril elegante.
O Natal dos carros de bois rangendo saudosamente pelas estradas, conduzindo as famílias dos engenhos que vinham “à rua” para ouvir a Missa do Galo.
O Natal das barraquinhas aristocráticas, cercadas de cadeiras para as famílias, donde mocinhas feiticeiras trocavam olhares discretos com os moços janotas da cidade, que se desmanchavam em amabilidades e tudo faziam para enviar uma prenda à sua predileta.
O Natal em que se ouvia o canto pausado do Glória a Deus nas alturas, por ocasião da missa tradicional, a que o povo assistia com o máximo respeito e silêncio religioso.
Natal dos fandangos, das lapinhas vistosas, dos presépios animados.
* * * *
Hoje, o Natal está desfigurado.
Sente-se que desapareceram o misticismo, a poesia, a beleza mágica de outrora.
É um Natal frio, vário, sem o encanto de outras eras.
É que as aspirações, os sentimentos, as ideias de hoje são bem diferentes dos que formavam o ambiente de nossa infância.
Tudo passa sobre a Terra.
Prof. José Aragão
Sob o pseudônimo de Fausto Agnelo.
Texto publicado no Jornal O Vitoriense, 31 de dezembro de 1939.


No prestigiado programa global “Bom Dia Pernambuco” de hoje, segunda-feira (15), a conceituada jornalista e apresentadora do referido matinal, Clarissa Góes, saudou-nos com uma verdadeira aula de história. Aliás, na qualidade de nativo da Terra desbravada por Diogo de Braga, só hoje, fiquei sabendo que o seu irmão mais velho, Diego, nasceu em nosso torrão. Ou seja: também é uma espécie de guerreiro das Tabocas…
https://youtube.com/shorts/hzQ3iLkkZ-Y?si=3_gQD4wqLMDjgJAV
Bem assessorada e atualizada a eminente comunicadora verbalizou corretamente o termo que, há vários anos, pesquiso, compartilho e alardeio (antonense), no sentido do necessário ajuste histórico, atinente ao nosso gentílico “oficial”, ou seja: vitoriense para antonense ou à adoção dos dois, de maneira oficial.
E explico mais uma vez:
Desde a nossa fundação, de 1626 a 1843 (217 anos), na qualidade de lugar, nunca fomos referenciados por “Vitória”.
Pela ordem, fomos: “Cidade de Braga”, Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão e Vila de Santo Antão. Isto é: antonenses na essência, no nascedouro e no DNA.
Só a partir de 1843 (06 de maio), viramos “Cidade da Vitória” – título honorífico. E mais adiante, definitivamente, em 1º de janeiro de 1944, passamos a ser Vitória de Santo Antão. Destaquemos que dos 400 anos como “lugar”, apenas por 100 anos não ostentamos no nome o “de Santo Antão”.
Foi no bojo dessa mudança (Cidade da Vitória) que recebemos o gentílico de “vitoriense”- uma alusão direta à Vitória alcançada na épica Batalha do Monte das Tabocas, ocorrida em 3 de agosto de 1645.
Aliás, vale destacar que, de maneira geral, gentílico é uma expressão usada para identificar nativos, de maneira exclusiva, que nascem em um determinado lugar ou região.
Salientemos, também, que o “vitoriense” original – por assim dizer – é justamente atribuído aos que nascem na cidade de Vitória, capital do estado do Espirito Santo.
Portanto, fico feliz em testemunhar que nossa peleja pelo gentílico “antonense”, vem ganhando espaço institucional – livros, jornais, internet, rádio e televisão. A nota desafinada continua sendo praticada pelas as autoridades locais, responsáveis por pontuais ajustes histórico, que continuam ignorando, desconhecendo e não se preocupando como deveria com as causas coletivas da municipalidade. Sigamos em frente……


MONUMENTO DE SANTA LUZIA – Serra das pitombeiras – Distrito de Pirituba – Vitória – PE
O Distrito de Pirituba, região localizada na zona rural da cidade de Vitória de Santo Antão-PE. aproximadamente 15 km do centro da cidade. Vem se destacando pelo seu clima agradável, voltado para o turismo.
Uma iniciada foi dada por Edson Aparecido Lemos (Édson) e José Antônio de Souza (Deca de Pirituba ).objetivando construir um monumento religioso na região.
Os mesmos procuraram o reverendíssimo padre Rafael R. Menezes (Pároco da paróquia São João Batista – Pirituba), no intuito de buscar apoio para a realização deste sonho. De Imediato, padre Rafael Ricardo Menezes abraçou a causa e juntou-se aos mesmos visando organizar uma equipe para possíveis articulação. Compôs esta equipe: o Padre Rafael, Deca de Pirituba, Edson, Fabiano Ribeiro (Arquiteto ) e Pedro Henrique (Advogado).
O grupo almeja construir uma estátua de Santa Luzia com aproximadamente: 50 metros de altura. Segundo informações de membros do grupo, já houve uma conversa com o prefeito Paulo Roberto leite de Arruda, o presidente da Câmara de Vereadores, Edmilson José dos Santos (Edmilson de Várzea Grande), e a subprefeita do distrito Núbia Meira. A equipe busca apoio dos órgãos público para a construção do monumento e mirante na Serra das pitombeiras. Terreno este doado pelo Sr Pedro Henrique (membro da Equipe).
Neste dia 13 de dezembro de 2025 será celebrado uma benção da pedra fundamental para a construção da imagem de Santa Luzia. O evento acontecerá na Serra das pitombeiras a partir das 17:00h.
Após a benção da pedra fundamental os fiéis sairá em procissão para matriz São João Batista, aonde acontecerá o encerramento da festa de Santa com a missa campal celebrada pelo reverendíssimo padre Rafael Ricardo Menezes.
assessoria.


(A Cascatinha da Matriz e Manoelzinho de Horácio)
Papai me contava e mamãe assevera que quem construiu essa praça, chamada Dom Luis de Brito, foi Horácio de Barros, pai de Manoelzinho Rangel. Depois, diz que Horácio de Barros não foi à inauguração da obra, porque estava acometido de Tifo. Assistiu ao evento, debruçado na janela de sua casa, na Rua Imperial, popularmente conhecida como Rua do Meio.
Era nessa Cascatinha que Manoelzinho de Horácio tomava cachaça com caramelo de menta, contava piada, soltava lorota e empulhava o mundo. Manoelzinho de Horácio partiu para a Eternidade aos 73 anos, já faz algum tempo. Ele contava que o médico que lhe tirou o baço e garantiu-lhe um ano de existência morreu primeiro.
Certa vez, Manoelzinho de Horácio me contou que fez um frio tão grande em Vitória de Santo Antão que o Leão Coroado, na frente da Estação Ferroviária, saiu do monumento e foi se esconder dentro de uma barbearia do outro lado da Praça. Manoelzinho de Horácio era jogador de futebol. Diz que, um dia, ele foi bater um pênalti, quando o adversário Tenente Índio o ameaçou: – Se fizer o gol, me apanha! Manoelzinho não teve dúvida, furou o gol e saiu correndo do estádio José da Costa, solto na buraqueira, pelo Dique afora.
Sosígenes Bittencourt


50 anos se passaram. O mesmo desejo, a mesma vontade, coincidentemente, no mesmo lugar. Na parte inicial da história, vivenciada no domingo, 09 de novembro de 1975, reinava o ineditismo, o sagrado, misterioso e supremo. Em 2025, meio século depois, uma realidade nua e crua, o esforço consciente, apostando na colheita frutificada em forma de longevidade autônoma. Mas a vontade foi a mesma: correr, correr e correr.,
Essa foi a vontade soberana que ligou os dois recortes temporais, separados por exatamente 5 décadas, sublinhadas, aqui, em forma de registro histórico.
Explico:
No longínquo domingo, dia 09 de novembro de 1975, guiado pelo farol da expectativa, aos 8 anos de idade, acordei-me sem a necessidade de fatores externos. Isto é: ninguém precisou me chamar. Após muitos encontros, aulas de catecismo e ensaios, finalmente, havia chegado o dia da minha primeira comunhão.

Cabelo devidamente cortado, roupa nova para vestir e nos pés, sapatos zero quilometro. O “kit eucaristia” nas mãos, cuidadosamente guardado para testemunhar, ratificar e acessar, com fé de ofício, a universal fé católica.
Lembro-me como se fosse hoje: papai tomava café na sala e, ali mesmo, de pé, em cima de um sofá, após o banho, mamãe penteou meus cabelos e arrumou-me todo. Ao final, com voz imperativa, disse : “agora, fique sentado no terraço, quieto, para não amassar a roupa, esperando a hora de ir” – o que prontamente foi realizado com sucesso.
Da minha casa – Avenida Silva Jardim, número 209 – até a Igreja da Matriz, para chegar logo, minha vontade era apenas uma: correr, correr e correr….

O tempo seguiu na sua contagem impiedosa, constante, perene, sem vexame ou mesmo atrasos, para chegarmos a uma manhã de domingo, num “mesmo” 09 de novembro, à mesma Avenida Silva Jardim, defronte da imponente e secular Matriz de Santo Antão, há exatamente 50 anos, para participar de um evento esportivo, cujo o desejo reinante era o mesmo de antes, ou seja: correr, correr e correr….
Situações traçadas, alinhavadas e equacionadas pelas mãos daquilo que acostumamos chamar de destino, acontecem todos os dias, cabendo a nós, simples mortais, fagulhas de um vulcão em erupção ou mesmo um ponto de escuridão situado na imensidão cósmica, termos a sensibilidade para torna-los importantes e únicos, ou seja: silenciosamente, vivenciá-los de maneira marcante, celebrando-os com um brinde à memória.
Aliás, vale sempre lembrar: ninguém poderá ser sujeito útil à coletividade ou mesmo aos mais próximos, sem antes, saber existir para si mesmo, sem comparações, afinal, somos uma peça rara e exclusiva, no sempre misterioso mercado da existência.
