Celebração dos 21 anos de fundação da AVLAC – “minhas senhoras e meus senhores…..”

Na qualidade de acadêmico desta instituição, agradeço o espaço gentilmente cedido  e confiado  pela eminente presidente  desta casa, Christienne Marie Barnabé Cavalcanti  para, entre outras coisas, sublinhar a passagem dos  21 anos de fundação AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Por feliz coincidência, é  no transcurso do ano em que comemoramos os 400 anos da fundação do nosso lugar, erguido e guiado pela força invisível e perene do Padroeiro Santo Antão, que aqui, no Teatro Silogeu José Aragão Bezerra Cavalcanti,   nos reunimos para celebrar mais essa vitória coletiva.

Salientemos, contudo,  que as sucessivas  vitórias da AVLAC, ao longo desses 21 anos, foram e continuam sendo construídas ao custo de muita determinação, perseverança e sobretudo de elevado  nível de trabalho.

Nada foi fácil nessa jornada!

Mesmo sendo nós, parte do corpo de uma elite pensante, privilegiada e que teve e tem acesso a espaços e informações qualificadas.

Não custa nada lembrar  que,   muitas vezes, na qualidade de instituição,   padecemos da chamada invisibilidade crônica, quase sempre  dispensada a todos aqueles que, ao longo da história das civilizações, procuram clarear os passos dos que apenas sobrevivem  à sobra da  penumbra do conhecimento.

Impossível, também, ao longo dessas duas décadas, não lembrarmos dos insucessos. Foram e são  eles, porém, muita vezes, que  nos faz reconfigurar a união coletiva,  calibrar novas rotas e nortear os próximos passos, até porque, convenhamos, entre tantas outras, nossa missão primogênita, por assim dizer,   tem um pouco de filme de terror. Isto é: ao contrário do senso comum,  vivemos afirmando e  reafirmando, contra tudo e contra todos,   que os  conterrâneos antonenses, que compõem a rica galeria de patronos desta casa,  não morreram.

 Aquilo que chamamos de  IMORTALIDADE.

Ou seja: que continuam vivos, ativos e produtivos, mesmo depois da viagem sem volta, viagem essa que todos nós, nesse momento, nos  encontramos no guichê de check-in , rumo ao portão,  sem data definida para o embarque.

Nobres colegas acadêmicos, sócios e novos sócios desta academia, minhas senhoras e meus senhores:

Entre outras definições, o que seria legado?:

Legado é a herança deixada pelas gerações anteriores, compreendendo valores, tradições e contribuições que impactam na identidade cultural. Aliás,  ele vai além dos bens materiais, abarcando ainda a transmissão  de conhecimento e princípios, impactando o tempo atual e influenciando o tempo futuro.

Seria uma marca que cada pessoa ou comunidade deixa para as gerações futuras, compondo uma conexão essencial entre diferentes momentos.

Assim sendo, sem muitas delongas, nós, acadêmicos, cada qual no seu ritmo e compasso, em sintonia com a obra do  seu respectivo patrono ou não, seguimos, antes de tudo, sendo guardiões  privilegiados de um patrimônio público que continua dialogando,    produzindo riqueza intelectual, cultural e luz,   às gerações vindouras.

Devemos afirmar sempre: os patronos desta academia, cada qual na sua área de atuação, através dos seus respectivos legados, se configura em verdadeiro tesouro antonense.

Até outro dia, na qualidade de acadêmico,  sentado entre nós, hoje,  o Patrono Dilson Lira, há muito, através das imagens dos seus filmes, nos mantém cada vez mais ricos, no que concerne à memória afetiva de uma cidade vivida em preto e branco. E porque não dizer: um verdadeiro  tributo à memória!!

Na mais recente defesa acadêmica, conduzida pelo professor Teófilo José Junior, realçando o legado de seu Patrono,  José Tiago de Miranda, homem das letras e do jornalismo por vocação, em depoimento emocionado da família, tomamos conhecimento que  o mesmo traduzia a linguagem formal  do famoso programa “A Hora do Brasil”, criado em 22 de julho de 1935, pelo então presidente Getúlio Vargas,  para a linguagem matutina do seu LIDADOR, além de sacrificar o orçamento familiar para honrar o seu compromisso de informar.

Isso é lição diária. E o significado disso é comprometimento social e respeito aos semelhantes…..

Além do registro  civilizatório da nossa Vitória de Santo Antão, obra imortal e obrigatória a todos que precisam consultar o tempo preterido da nossa polis, o Patrono José Aragão educou e nos legou um sem número de  profissionais,  nas mais diversas áreas do conhecimento.

Com sua formação católica, sua qualidade  pedagógica e sua rígida conduta social produziu e formatou uma sociedade sintonizada com os valores éticos e patrióticos. Mestre Aragão, através da condução e dos conceitos familiares, ensinados de “pai para filho”,  continua presente na vida dos  netos e bisnetos da atual sociedade antonense.

À esse  patrimônio imaterial, podemos nomina-lo de valores humanistas. Hoje, tão escasso, no contexto dessa tóxica  e doentia  polarização política.

E por falar em política, entre nossos Patronos, temos um que traduziu a linguagem política administrativa em instrumento de cidadania. João Cleofas de Oliveira, semeou em todas as direções. Materializou o Hospital João Murilo de Oliveira,  transformando calvário em refrigério em prol da vida. E num só tempo, nos concedeu o privilégio da luz elétrica, da  água encanada, do primeiro serviço de esgoto e semeou na educação.

Como se poderá  afirmar  que João Cleofas não continua vivo?

Direito à cidadania e dignidade humana,   também são pilares da cultura.

Dessa tribuna, se o tempo a mim concedido não fosse limitado, em função da vasta programação comemorativa, poderia exemplificar, em nome de toda galeria de Patronos, os motivos pelos quais todos permanecem vivos, e porque não dizer no superlativo: vivíssimos!

Todos,  empinados pelos seus respectivos legados que transformaram e impactaram, à época e até hoje, simultaneamente, vidas e sociedade.

Claro! Tudo isso em linguagem cifrada, e nem sempre perceptível para a maioria dos mortais. Mas, como falei, lá no inicio, perfeitamente acessível a todos nós que, na qualidade de acadêmicos da AVLAC, navegamos  no mar infinito das letras, que voamos  nos céus intermináveis das artes e também para todos aqueles que se iluminam nas luzes da razão e da ciência.

Precisamos, sempre,  reafirmar a Imortalidade desses antoneses. Como duvidar  que os patronos desta academia não estão vivos?

Mas é importante e oportuno que se diga também, nesta sessão festiva, alusiva a passagem dos 21 anos de fundação desta academia de letras, que a vida  é dinâmica, que novas perguntas são produzidas todos  os dias, que novas demandas nos confrontam constantemente.

Até porque, legado não só aquilo que deixamos quando embarcamos,  rumo ao além, mas também aquilo que produzimos enquanto o coração pulsa,  a mente pensa e o corpo se movimenta, algo que continuará útil para além das atuações em carne e osso.

Por exemplo:

Se ainda faltam muitos registros sobre a história da Vitória de Santo Antão, muito mais faltava,  antes do acadêmico Pedro Ferrer, na qualidade de pesquisador, confeccionar várias obras, privilegiando a não menos importante  micro história do nosso lugar.

Agigantada se encontra a obra da acadêmica Luciene Freitas, premiada e referenciada nos mais distintos  espaços acadêmicos. Isso é legado em movimento.

Em meio aos versos, às prosas e  aos arranjos musicais o compositor  e acadêmico Aldeniso Tavares, agora, sintonizado e dialogando com IA, segue transformado inspiração, individual e coletiva, em música para toda vida. Isso se chama legado musical em 360 graus.

Mas não poderia encerrar essas palavras, escritas, entre outros sentimentos,  pelas mãos do reconhecimento, que aliás seguem  incompletas,  em virtudes dos muitos colegas acadêmicos que reconhecidamente seguem produzindo conteúdo nas letras, nas artes e na ciência, sem cravar um tributo especial ao nosso mestre dos mestres,  Severino Militão, o Melchisedec. .

Intelectual visionário, pessoa com propósitos concretos. Indiscutivelmente, o principal nome desse projeto, que se chama AVLAC – Academia Vitoriense de Letras Artes e Ciência.

Para concluir,  gostaria de realçar  que também em 2026, além da passagem dos 400 anos de fundação do nosso lugar e dos 21 anos de nossa AVLAC, também estamos comemorando os 140 anos da chagada do trem em nossa cidade, ocorrida exatamente em 1886.

E  qual seria, então, o elo de ligação que poderíamos extrair desse acontecimento marcante, ocorrido na nossa cidade com mundo das letras antonense?

Foi a partir do intercâmbio, facilitado pelo deslocamento sobre os trilhos com a capital, que a então “Cidade da Vitória” incrementou sua vida social, atinente às artes e  às letras.

Grupos de intelectuais e artistas das mais variadas linguagens, vindo  de  alhures, encontrou, no nosso lugar, solo fértil,  para plantar novas formas de convivência artística, que despertaram movimentos culturais, tais como grupos de teatros e a tão a irreverente “Academia dos Supersticiosos”, iniciada em  1913,  com  vida efêmera, é verdade! Mas marcante o bastante para nunca ser esquecida,  por baixo da poeira da ignorância, do cupim da invisibilidade  ou mesmo ser  dragada pela  impiedosa marcha do tempo.

Minhas senhoras e  meus senhores…..

Encerro, aqui,  essas palavras, nas quais, entre outros sentidos,  demos vida àquilo que conhecemos como imortalidade. Conjugamos o  dialogo entre o tempo pretérito, presente e futuro, daquilo que conhecemos como legado.

Conhecimento e imaginação:

Conhecimento para manter a alma dessa academia no auge do  mundo da literatura e da ciência.  Imaginação é a força, é o combustível das artes,  para todos aqueles que pleiteiam uma vida mais saudável, ativa e livre.

Como diz a canção popular:

“Cada um de nós compõe a sua própria história  – E cada ser em si,  carrega o dom de ser capaz”

Vida longa para AVLAC – Academia de Letras, Artes e Ciência.

Muito obrigado a todos!!!

Dados históricos curiosos sobre o crescimento populacional do nosso lugar.

Por obra dos nossos antepassados, com destaque para o Mestre Aragão, Vitória  possui um conjunto de informações escritas que nos permite, com certa clareza e alongados  anos de estudo,  exercitar  a imaginação,  no se  refere a sua evolução civilizatória.

Revirando meus arquivos encontrei, recentemente,  algumas informações que nos permite afirmar que o nosso lugar, por volta da  metade do século XVIII, experimentou um salto de crescimento populacional  considerável.

Em 1746:

439 fogos (moradias) e uma população estimada em 1.982 pessoas

28 anos depois, em 1774, outros registros dão conta de:

1009 fogos (moradias) e uma população estimada de mais de 4.000 pessoas, assim catalogadas:

Sexo masculino:

Criança até 7 anos – 970

Rapazes até 15 anos – 441

Homens até 60 anos – 902

Velhos, de 60 anos acima – 120

Sexo feminino:

Criança até 7 anos – 842

Raparigas até 15 anos – 378

Mulheres  até 50 anos – 991

Velhas, de 50 anos acima – 222

As fontes históricas divergem em alguns momentos, no diz respeito ao número de habitantes e curiosamente à paridade entre habitantes masculinos e femininos.

Pois bem, são números que revelam uma movimentação  populacional importante em nossas terras. Outra coisa que devemos ficar atentos, no que concerne aos fatos históricos antonenses é que,  as vezes,  os políticos contemporâneos, em rompantes, gostam de falar que seus feitos, suas obras e o “seu tempo” foram os “mais” da nossa  história. Nessa caso, em se tratando de crescimento populacional, vale pesquisar mais, para que os fatos não sejam contrariados…….

Simplício de Holanda – por José Miranda, jornal O Lidador, 3 de novembro de 1956, editado por Walmar Andrade.

Ninguém na Vitória de Santo Antão da velha guarda desconhece a expressão que teve na vida política da cidade, no Império e na primeira República, os Holanda Cavalcanti.
Família de tradição não só socialmente e não só na esfera da cultura, como também na política. Dela saíram expoentes literários e artísticos, algumas das quais em registros imortais na história da nossa cultura.
Poetas como Olinda Cavalcanti e Agostinho de Holanda. Martha de Holanda, sem deixar rimas, sem nunca ter feito um verso nem mesmo nas suas mais afetivas elocubrações de namorada. Todos conhecemo-la, na sua vida intelectual, autêntica poetisa, pela melodia e ritmo das produções de letras.
Família de tradição na cultura e na política também.
O antigo regime não passou sem o concurso dos Holanta Cavalcanti nos partidos Conservador e Liberal, dois que eram apenas. Atuavam tanto nos pleitos, eleições de vida ou morte como se diz à boca das urnas, quanto nos cargos públicos a cujos desempenhos lhes confiavam os governantes.
Contam-se, ainda com pesar, os tristes acontecimentos eleitorais. Não só da Hecatombe do Rosário, página das mais lúgubres e vergonhas dos anais políticos de Vitória, mas também da eleição para o primeiro prefeito republicano, em que eram candidatos José Xavier de Morais e José de Barros de Andrade Lima. O primeiro vindo das hostes conservadoras e o segundo, do Partido Liberal.
Há nessa história, que cada vitoriense daquele tempo conta a seu bel prazer e lhe dá as tintas de acordo com o seu modo de ver, um bocado de influência de um Holanda Cavalcanti [Alexandre José Maria de Holanda Cavalcanti, avô de Simplício, eleito subprefeito de José de Barros de Andrade Lima em 1892]. Influência orientada, naturalmente, pelo interesse de ser útil à terra, dotando-a do governo que a achava merecer.
A Revolução Dantista, que se operou em Pernambuco em fins de 1911, encontrou a família Holanda Cavalcanti coesa em torno do seu chefe e amigo aqui no município, Antônio de Melo Verçosa [marido de Emiliana de Holanda Leite]. Nenhum deixara o seu posto de honra nas fileiras do marretismo.
Nestor de Holanda [subprefeito de Vitória em 1903] era, nesse tempo, membro da família atuante na vida partidária local. Uma espécie de ponto de apoio. Bem relacionado de maneiras agradáveis, sugestivas, dando-se com todos. Fazia da sua Farmácia Popular um centro de reunião onde se encontravam desapaixonados políticos dessa e daquela facção, desse e daquele lado.
Se Antônio de Melo Verçosa tinha, ali na calçada da farmácia, o tabuleiro de gamão sobre os joelhos, pelas tardes dos dias úteis, não menos acontecia com José de Barros de Andrade Lima.
Enquanto Antônio de Melo Verçosa jogava gamão com Nestor de Holanda ou com qualquer outro político ou comerciante, aperuava (como se costumava dizer) de lado, fumando o seu charutinho, dizendo as suas piadas, as suas humoradas, Simplício de Holanda.
Eu o conheci de perto em 1920. Tinha uma loja na rua do Barateiro, uma loja de fazendas, imprensada entre as oficinas e a redação de O Lidador e o Armazém do Anjo, uma casa de secos e molhados.
Os sábados não lhe pertenciam: os fregueses tomavam-lhe todas as atenções. Nem mesmo a Quintino de Itamatamirim, seu amigo e parente, e com quem fazia política, podia prestar a atenção devida.
Aos domingos, ia à feira de Pombos, onde mascateava. Nos dias úteis, enquanto arrumava as prateleiras, dispunha as amostras e despachava algum freguês que aparecia, fazia política.
O velho comerciante do Barateiro discutia, e com que autoridade!, tanto em rodas na porta de Onofre Teixeira ou Luiz Porto, quanto na porta de Antonio de Mello Verçosa.
Quantas vezes vi-o atravessar a rua da sua loja para a rua da loja Relógio Grande, de seu pai Vicente Maria de Hollanda Cavalcanti, com a boca cheia d’água, de bochechas coculadas.
Era que não lhe convinha falar no momento. Conversador como ele, cheio de conhecimentos das coisas como ninguém, só a boca cheia d’água o salvava das interpelações, dos bisbilhotismos por onde ia passando.
Vitória tem atravessado uma boa porção de crises políticas na república, entre os quais se destaca a de 1926, quando no governo do Estado estava o nosso conterrâneo de saudosa memória José Rufino Bezerra Cavalcanti [Governador de Pernambuco de 1919 a 1923].
No crédito que ao marretismo abriu o governo Manuel Borba, abrindo com o dantismo, quantos dos fiéis à oposição, cansados ou desencantados – os Sebastianistas desagregavam-se da sua resistência de crenças, de esperanças, andavam fora dos apriscos primitivos, ou de princípios!
No pleito municipal de então, o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti não se inclinava a reconhecer o direito do legitimamente eleito. A questão do veredito das urnas fez não só retornar tudo aos seu lugares, como acender, como nunca, os morrões.
Não é possível se ir mais longe, em embirras, em perseguições, em hostilidades.
A cidade passou seis ou sete meses sem iluminação, sem limpeza pública, sem nada. Como sem pagar impostos e nem nada receber o funcionalismo, uma vez que os cofres estavam vazios. Viveu Vitória meio ano à toa.
Dois partidos. Um do governo, do manda quem pode. Outro, o da oposição. E a luta persistia. Com a oposição estava a razão, o direito. Com o poder, a força. E nunca o direito submeter-se-ia à força ante a terra ainda independente, ciosa dessa sua qualidade ante o direito de força.
Um terceiro partido fora criado. E teria ele a virtude de intermediário, de superar as dificuldades de um acordo, ou mesmo de se antepor sobre todos os outros.
Coube a Simplício de Holanda Cavalcanti as bases, os alicerces e vigas mestras do edifício político. Quintino, como vários outros que constituíam uma espécie de dissidência do verçosismo, constituíam o estado maior.
Os arautos da nova entidade rumavam, um dia, ao solar do Governador José Rufino Bezerra Cavalcanti. O governador recebe-os no seu velho bom humor e escuta todos com atenção, senhor das atualidades político-partidárias da terra onde nascera e senhor das manhas dos homens e das coisas.
Caboclo da aldeia, o honrado Governador do Estado, pilheriando, pôs no partido o nome de Retame. Ou batizou-o, já que o partido ainda não tinha ido verdadeiramente à pia para a água benta e os santos óleos.
Retame é no banguê o resíduo ou a borra do açúcar, ou ainda o açúcar de qualidade inferior. Para o novo partido, na sua crítica, nome mais adequado encontrava o experimentado agricultor e político que governava o Estado.
E o Remate, o açúcar melaço, não suporta a umidade. Estava a nova organização político-partidária destinada a desaparecer nas primeiras manifestações do inverno da indiferença.
Fora partido de banguê – parece que o governador vira isso. E daí o nome com que o batizara, ou então tomara-o como restos de outros.
Simplício de Holanda, longe de se molestar, ria-se a bom rir, tanto com o batismo do partido, como pelas humoradas, alegres, do velho conterrâneo, estadista de renome que era!
A Revolução de Trinta não o encontrou mais [Simplício faleceu em 16 de julho de 1926, aos 46 anos, dois anos após a morte de sua esposa Elvira]. A morte arrebatou-o bastante cedo, quando muito esperava, ainda, de sua inteligência, de sua atividade, de sua sabedoria política de homem do interior. A sua Vitória!
Além de comerciante e político, fora jornalista. Na direção de O Lidador esteve dois anos e meses, de 1924 a 1926.
Político na ampla acepção do termo, Simplício de Holanda não deixou substituto ou até agora não teve ainda [os dois filhos, Lamartine e Antão, tinham 16 e 14 anos quando ficaram órfãos de pai e mãe]. Da política de aldeia conhecia-lhe as manhas e artimanhas.]
Edição: Walmar Andrade. 

O centenário de Maria do Carmo Tavares de Miranda, o caso Heidegger – por Marcus Prado

O Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão, nos seus quase 80 anos de fundação, empenha-se no esforço de abrigar num só espaço, além de um museu arqueológico composto de acervo local, um museu de arte sacra, um museu de imagem e de som, um museu do carnaval que relembra a tradição da maior festa popular vitoriense, uma revista com temática voltada para a memória dos 400 anos da cidade e uma biblioteca de obras célebres. Trata-se de um espaço de leitura e pesquisa histórica concebido pelo professor José Aragão, presidente da instituição durante 40 anos, cargo continuado pelo professor Pedro Ferrer.

Um anexo do Instituto Histórico, instalado num sobrado mourisco do século XIX (Rua Imperial, 187), foi inaugurado no dia 3 de agosto em memória da filósofa e teóloga vitoriense Maria do Carmo Tavares de Miranda (1926–2012), na passagem — há poucos dias — do seu centenário de nascimento. Conhecida pela sua erudição e por sua trajetória de estudos de filosofia na Alemanha (Universidade de Friburgo) e na França (Universidade de Sorbonne, Paris), bem como por sua atuação como professora da UFPE, como diretora da Fundação Joaquim Nabuco (Seminário de Tropicologia) e como autora de obras voltadas para a filosofia da educação, ela não deixou de ser uma pensadora polêmica, como foi o debate com o educador Paulo Freire (1921-1997).

Não teria sido do seu conhecimento, tenho para mim, a notícia dada por seus admiradores — talvez com a intenção de agradar — de que fora assistente e substituta eventual nas aulas, além de aluna, de Martin Heidegger (1889–1976), o mais famoso filósofo do seu tempo. Em não ter sido, nada deslustraria a sua biografia prodigiosa. É sabido que Martin Heidegger contou com renomados alunos e discípulos brasileiros, além de Miranda, que estudaram diretamente com ele na Universidade de Friburgo na década de 1950. Lembro Emmanuel Carneiro Leão (1929–2023), pernambucano do Recife, intelectual de grande relevância.

Ele se tornou um dos maiores divulgadores e tradutores da obra heideggeriana no Brasil, mantendo uma relação de proximidade acadêmica como discípulo, e não como assistente de Heidegger. Fausto Castilho (1929–2015) foi outro importante intelectual que frequentou os seminários de Heidegger em Friburgo em 1952. Castilho dedicou décadas de sua vida à tradução bilíngue de “Ser e Tempo”, um dos livros marcantes do pensamento do século XX. Outro brasileiro, Ernildo Stein, foi também um aluno muito próximo de Heidegger (com este tive o prazer de trocar impressões de leitura sobre a obra filósofo da Floresta Negra).

Para mim, são considerados membros de uma linhagem filosófica de grande expressão. Miranda, como Hannah Arendt e Hans-Georg Gadamer, fez parte dessa elite de grandes pensadores. Eles desenvolveram interpretações influentes do pensamento heideggeriano. .
Conheci as refinadas ideias de Miranda sobre a complexa obra do seu mestre, sei da marca inesquecível que ela deixou no Seminário de Tropicologia (Fundaj),. e não me seria estranho se ela, eventualmente, ministrasse aulas na cátedra dele. Sabe-se que há núcleos de estudos heideggerianos na UFPE e na Universidade Católica.

Marcus Prado – jornalista

Cascatinha da Matriz – por Sosígenes Bittencourt.

(A Cascatinha da Matriz e Manoelzinho de Horácio)

Papai me contava e mamãe assevera que quem construiu essa praça, chamada Dom Luis de Brito, foi Horácio de Barros, pai de Manoelzinho Rangel. Depois, diz que Horácio de Barros não foi à inauguração da obra, porque estava acometido de Tifo. Assistiu ao evento, debruçado na janela de sua casa, na Rua Imperial, popularmente conhecida como Rua do Meio.

Era nessa Cascatinha que Manoelzinho de Horácio tomava cachaça com caramelo de menta, contava piada, soltava lorota e empulhava o mundo. Manoelzinho de Horácio partiu para a Eternidade aos 73 anos, já faz algum tempo. Ele contava que o médico que lhe tirou o baço e garantiu-lhe um ano de existência morreu primeiro.

Certa vez, Manoelzinho de Horácio me contou que fez um frio tão grande em Vitória de Santo Antão que o Leão Coroado, na frente da Estação Ferroviária, saiu do monumento e foi se esconder dentro de uma barbearia do outro lado da Praça. Manoelzinho de Horácio era jogador de futebol. Diz que, um dia, ele foi bater um pênalti, quando o adversário Tenente Índio o ameaçou: – Se fizer o gol, me apanha! Manoelzinho não teve dúvida, furou o gol e saiu correndo do estádio José da Costa, solto na buraqueira, pelo Dique afora.

Sosígenes Bittencourt

9ª Festa da Saudade: O Sucesso Continua!!!

Dentro da programação anunciada, na noite do sábado (15), aconteceu a 9ª Festa da Saudade – projeto musical com repertório qualificado de entretenimento dançante. No palco, duas apresentações:

Às 22h, iniciou a Banda Pinga Fogo. Formada por músicos locais o grupo “viajou” pelos clássicos  nacionais e internacionais destravando memórias musicais. Apresentação espetacular.

Nos últimos minutos do sábado, a internacional Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos – Super OARA -, cumprimentou os presentes com a seguinte expressão: “vamos dançar Vitória!”.

Com um robusto   e eclético repertório  musical, que agrada a gregos e troianos, o sempre simpático Elaque Amaral comandou a festa até a madrugada do domingo (16).

No salão, além dos casais apaixonados, o evento viabilizou a presença do Grupo de Dança de Salão “Os Pés de Valsa” – dançarinos profissionais que atuam no Clube das Pás do Recife – que movimentou o salão, convidando a mulherada para dançar.

Como o próprio nome diz – Festa da Saudade -, esse encontro social é um evento diferenciado. Celebra a vida, as amizades o encontro e o reencontro de pessoas que estão curtindo a vida com muita sabedoria e alegria.

Em 2027 tem mais uma edição da Festa da Saudade: 10 anos de eventos!!!

A medalha da 5ª Corrida da Vitória é um peça valiosa e histórica!!!

Projeto iniciado no ano de 2020, mas interrompido por conta dos efeitos restritivos da pandemia, a Corrida e Caminhada da Vitoria só foi efetivada, de fato, em 2022, quando realizou sua primeira edição.

Sempre valorizando a chamada “Educação Patrimonial”, o evento realçou,  em suas medalhas e troféus,  temas alusivos à história local, como datas comemorativas,  logradouros e monumentos.

Em 2026, por ocasião da passagem dos 400 anos de fundação do nosso torrão, a 5ª Edição da Corrida e Caminhada da Vitória, através das medalhas e troféus, simbolicamente, ao estampar uma réplica do que teria sido  a primeira capela, construída em solo antonense, dedicada ao Glorioso Santo Antão, padroeiro da cidade, sublinha contornos históricos na imperiosa  linha do tempo.

Assim sendo, após  concluir  a prova, o atleta não só estará colocando uma medalha de corrida no peito, mas sim,  uma peça  valiosa que conta a história de uma das cidades mais importantes de Pernambuco e do Brasil.

5ª Edição da Corrida e Caminhada da Vitória

Dia 26 de abril, a partir das 5h – Praça da Restauração – às 5h

Como participa?

Inscrições: 

Pelo site: www.uptempo.com.br

Presencial: Loja Monster Suplementos – Matriz

WhatsApp – 9.9198.0437

 

Diz a música: a Saudade tá na rua, é festa a noite inteira…….

O que a gente viveu não foi só um evento… foi sentimento. 💛🎭

A Saudade mais uma vez mostrou que tradição, alegria e emoção caminham juntas. Cada fantasia, cada sorriso, cada abraço e cada música cantada em coro fizeram dessa edição um momento inesquecível.

Foi lindo ver famílias reunidas, amigos celebrando e gerações diferentes compartilhando a mesma energia. Porque não é só sobre Carnaval… é sobre pertencimento, memória e aquela alegria que aquece o coração.

Que venham os próximos encontros, mais histórias pra contar e mais momentos pra guardar na memória.

Porque na Saudade, a Gente Brinca Melhor. 💙✨

ASSISTA O VÍDEO OFICIAL DO DESFILE 2026: 

https://www.instagram.com/reel/DVI26TdDsDJ/?igsh=MTFpdGdyNDFmOXM1Ng%3D%3D

História da fundação da agremiação carnavalesca “A TURMA DA CALCINHA”.

Criado na década de 80, precisamente em 1983, num dia sábado, uma semana antes do “Sábado de Zé Pereira”, uma turma de amigos que trabalhava no comercio, indústria, colégio e bancos, tais como: H. Morais, Aliança de Ouro, Mizura, Casas Pernambucanas, Pitú, Bradesco, Banorte e Banco do Brasil, em uma brincadeira,  debaixo de um “Pé de Fícus”, localizado  na Trav. São Vicente,  no bairro do Cajá, inaugurava a Barraca do AMARAL – saudosa memória.

Inauguração essa  que  recebeu a  contribuição de todos. Minha participação foi a doação do tira gosto, uma caldeirada de 100 guaiamuns de cocô, outros com bebidas etc.

Pois bem, na noite anterior (sexta)  alguns integrantes da comemoração haviam passado a noite no baixo meretrício e subtraíndo algumas calcinhas das profissionais do sexo que ali trabalhavam. Depois de umas e outras, alguns componentes, já calibrados, resolveram  pendura as calcinhas,  furtadas,  no pé de fícus.

Aquela cena despertou curiosidade em algumas pessoas que por ali passavam, principalmente quem gostava de toma “água que passarinho não bebe”. Compramos alguns  sacos de maizena e farinha de trigo e começamos o tradicional  mela-mela. Foi um dia inesquecível a inauguração  da “Barraca do Amaral”.

Conclusão:

No sábado posterior ao chamado Sábado de Zé Pereira, alguns amigos que estavam na inauguração da Barraca do Amaral, já calibrados, resolveram sair pelas ruas do comércio da Vitória,  tocando zabumba, triangulo e pandeiro, todos com uma calcinha na cabeça cantando músicas carnavalescas. Sendo assim, estava fundado, definitivamente, A TURMA DA CALCINHA, que sobreviveu durante 14 anos com recursos próprios. Em 1991 chegou a ter uma  música,  gravada no LP “VITÓRIA, CARNAVAL E FREVO”.

Atenciosamente,

SEVERINO ROBERTO SILVA.

A terra de Santo Antão: 400 anos de fundação!!!

Celebremos, hoje (17/01/2026), a passagem dos 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão. Mas é importante lembrar que nem sempre a mesma (cidade)  teve a palavra “vitória” como principal identificação.

Terra desbravada pelo português Diogo de Braga, oriundo do Arquipélago do Cabo Verde,  em 1626, mais precisamente da Ilha de Santo Antão, recebeu, de partida, o simpático nome de  “Cidade de Braga”.

Fruto da devoção ao catolicismo, o santo virou o protagonista do lugar: Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão, Vila de Santo Antão e só a partir de 06 de maio de 1843, virou “Cidade da Vitória”. Uma alusão direta à vitória alcançada na épica Batalha dos Montes Tabocas, ocorrida em 03 de agosto de 1645.

O curioso para o tempo presente  é que o nome atual – Vitória de Santo Antão – só  foi cravado, definitivamente, a partir de  1º de janeiro de 1944. Ou seja: apenas há 82 anos.

No transcorrer desses 400 anos de história o mundo se transformou. O Brasil deixou de ser apenas uma rica porção de terras nos trópicos para virar um País rico, soberano e próspero.  Na esteira dos acontecimentos nacionais, no alvorecer do século XIX (1812),  quando viramos vila autônoma – Vila de Santo Antão –,  os antonenses, por assim dizer,   começam a tomar conta do próprio nariz.

Constituíram  Câmara de Vereadores, passaram  a contar com ordenamento  jurídico próprio, determinam, também,   o seu código de postura e costumes e assim passam  a ter vida própria.

Nesse contexto, na qualidade de vida coletiva, o local ganhou  ares de metrópole. No comercio, vira uma espécie de locomotiva da região. Instrumento de cidadania e desenvolvimento, a imprensa escrita tornar-se-ia um caldeirão de alavancas. Um “campo santo” público (cemitério), atenderia os clamores da “vida” pós-morte. Mas é a chegada do trem (1886), símbolo do progresso nos quatro cantos do mundo, que a faz conjugar todos os índices de crescimento, ou seja: social, político, cultual e econômico.

Para pontuar dois momentos singulares,  nessa linha imaginária do tempo, nessa auspiciosa data comemorativa, sublinhemos  o pior e o melhor acontecimentos  já vivenciados: pelo lado trágico, o surto da Cólera, no qual parcela expressiva da população foi a óbito, em um curto espaço de tempo. Na outra ponta, respeitando o contexto histórico, exaltamos à visita do Imperador Pedro II, ocorrida em 18, 19 e 20 de dezembro de 1859, fazendo da então “Cidade da Vitória” a capital do Império.

Portanto,  para encerrar essas linhas, que mistura um pouco de tudo, comemoremos,  com “vivas”, à República da Cachaça, aqui, bem  representada pela gigante Pitú.

Redamos nossas homenagens à Vitória de Santo Antão, uma terra que se expressa de maneira plural. Ou seja: conservadora na vida política e  irreverente e criativa na sua festa maior – o Carnaval!!!

Iara Gouveia: uma mulher guerreira……

Fragilizada fisicamente, há algum tempo,  faleceu, ontem (29), a conhecidíssima “Doutora Iara Gouveia”. Será sepultada na tarde de hoje (30), no Cemitério Morada da Paz, localizado no município de Paulista.

Figura ativa desde a juventude ela teve uma trajetória de vida marcada por dificuldades e sucessos. Iniciou sua caminhada no magistério aos 18 anos e gostava de ser tratada como tal (Professora), mesmo depois de conjugar outras profissões – dentista e advogada.

Com personalidade forte, também atuou no cenário político, iniciando seu ativismo nos bancos da faculdade. Dizia em alto e bom som: “não sou de meias palavras e de gestos comedidos”. Amante do contraditório,  encontrou na tribuna do parlamento local o espaço perfeito para exercer seus atributos, seu jeito de ser e pensar. Foi a segunda mulher a ocupar a vereança na cidade da Vitória de Santo Antão.

Arquivo Jornal da Vitória

Foi através do casamento com Sylvio Gouveia, com quem teve três filhas, que adotou Vitória como “Pátria Amada”. Reconhecida como provedora de frutos coletivos recebeu, da Câmara de Vereadores local,  cidadania antonense.

Também teve passagem marcante no nosso secular carnaval. O nome Iara Gouveia se traduzia,  em  se tratando de carro alegórico, bom gosto, luxo e beleza.

 

Doutora Iara Gouveia não foi uma pessoa que passou despercebida pela vida. No plano terreno, foi uma guerreira, uma ativista, uma mulher que inaugurou, por assim dizer, o sentido da palavra “empoderamento feminino”. Seu legado e seus exemplos serão exercidos por seus familiares e, sobretudo, por aqueles que gozaram da sua amizade e do seu afeto.

Duas homenagens: o obelisco e eu – concreto e carne e osso……

Pensada e articulada pelas lideranças católicas da nossa cidade e financiada pelo sentimento de gratidão dos fiéis de então, o “Obelisco da Matriz” –  um monumento em forma de “Pirâmide”- eternizou a homenagem dedicada a Jesus Cristo, por ocasião da  passagem do século  XIX para o XX.

O papo é reto: ninguém pode amar,  preservar e cultuar aquilo que  desconhece. O sentimento  só chega depois do conhecimento.

Pois bem, munido de informações históricas e pessoais, hoje, sexta-feira, 26 de dezembro, pela manhã, ao final de mais um treino de corrida, fiz questão de realizar um registro, junto ao referido monumento histórico.

Explico:

No final de ano de 1967, exatamente no dia 26 de dezembro, nasceu o décimo-primeiro filho do casal  Zito e Anita. Dentro do clima natalino, resolveram, naquela ocasião,  que o  garoto deveria  se chamar Natalício.

Sem      qualquer inconveniência do avô materno, o intelectual Célio Meira,  por ocasião de uma visita, ainda na maternidade,  ao saber da decisão – o nome do garoto seria uma homenagem ao Natal – sugestionou outro nome, sem mudar o sentido  da homenagem, dizendo:

“Já que vocês querem fazer uma homenagem ao Natal, porque não homenagear o verdadeiro símbolo do Natal que é Jesus Cristo? Coloquem o nome Cristiano no garoto”.

58 anos se passaram. Hoje, temos, pelo menos, duas homenagens concretas e diretas ao filho Deus em nossa cidade:  uma de concreto (o “Obelisco”) e outra de carne e osso ( eu). .

 

 

Natal dos meus tenros anos – Por Fausto Agnelo (pseudônimo do Prof. José Aragão) – 1939.

A ação impiedosa do tempo destrói todas as obras humanas de modo tão sutil que nós mesmos somos, sem o pressentirmos, os agentes e pacientes dessas informações.

Dir-se-ia que no campo espiritual existem sedimentos iguais às que se verificam no terreno material.

As gerações sucedem-se deixando camadas sobre camadas de ideias e sentimentos que se concretizam em atos e costumes e marcam a mentalidade de cada época do espírito humano.

Os povos de formação definida, já chegados à maioridade racial, evoluem lentamente, são, por índole, conservadores, de modo que, entre eles, os costumes e as tradições nacionais sobrevivem às gerações.

Nos países novos, etnicamente em gestação, pontos de convergência das migrações de outros povos, é o próprio movimento da população que produz a renovação contínua, incessante e rápida dos costumes com a introdução de usos estranhos e a imitação dos figurinos estrangeiros.

É o que sucede com o Brasil, notadamente depois que os modernos inventos encurtaram as distâncias e nos fizeram vizinhos dos Estados Unidos e da Europa.

Só assim se explica a metamorfose da vida brasileira, hoje com aspectos e modalidades bem diferentes, quando não opostos aos de 20 ou 30 anos atrás.

* * * *

Vieram-me à mente essas lucubrações ao meditar sobre o Natal que conheci nos meus tenros anos, cheio de encanto e suavidade.

O Natal do lares enfeitados, onde se reuniam famílias e se formava ambiente de intensa alegria, vivendo os moços, os velhos e as crianças momentos de verdadeira felicidade, ao som do harmônio e da flauta, à mesa frugal, ou nos salões onde se achava o presépio armado e adrede preparado para receber a visita do pastoril elegante.

O Natal dos carros de bois rangendo saudosamente pelas estradas, conduzindo as famílias dos engenhos que vinham “à rua” para ouvir a Missa do Galo.

O Natal das barraquinhas aristocráticas, cercadas de cadeiras para as famílias, donde mocinhas feiticeiras trocavam olhares discretos com os moços janotas da cidade, que se desmanchavam em amabilidades e tudo faziam para enviar uma prenda à sua predileta.

O Natal em que se ouvia o canto pausado do Glória a Deus nas alturas, por ocasião da missa tradicional, a que o povo assistia com o máximo respeito e silêncio religioso.

Natal dos fandangos, das lapinhas vistosas, dos presépios animados.

* * * *

Hoje, o Natal está desfigurado.

Sente-se que desapareceram o misticismo, a poesia, a beleza mágica de outrora.

É um Natal frio, vário, sem o encanto de outras eras.

É que as aspirações, os sentimentos, as ideias de hoje são bem diferentes dos que formavam o ambiente de nossa infância.

Tudo passa sobre a Terra.

Prof. José Aragão
Sob o pseudônimo de Fausto Agnelo.
Texto publicado no Jornal O Vitoriense, 31 de dezembro de 1939.

Clarissa Góes saudou-nos com uma verdadeira aula de história!!!

No prestigiado programa global “Bom Dia Pernambuco” de hoje, segunda-feira (15), a conceituada jornalista e apresentadora do referido matinal, Clarissa Góes, saudou-nos com uma verdadeira aula de história. Aliás, na qualidade de nativo da Terra desbravada por Diogo de Braga, só hoje, fiquei sabendo que o seu irmão mais velho, Diego, nasceu em nosso torrão. Ou seja: também é uma espécie de guerreiro das Tabocas…

https://youtube.com/shorts/hzQ3iLkkZ-Y?si=3_gQD4wqLMDjgJAV

Bem assessorada e atualizada a eminente comunicadora verbalizou corretamente o termo que,  há vários anos,  pesquiso, compartilho  e alardeio (antonense), no sentido do necessário ajuste histórico, atinente ao nosso gentílico “oficial”, ou seja: vitoriense para antonense ou à adoção dos dois, de maneira oficial.

E explico mais uma vez:

Desde a nossa fundação, de 1626 a 1843 (217 anos), na qualidade de lugar, nunca  fomos  referenciados por “Vitória”.

Pela ordem, fomos:  “Cidade de Braga”, Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão e Vila de Santo Antão. Isto é:  antonenses na essência, no nascedouro e  no DNA.

Só a partir de 1843 (06 de maio), viramos “Cidade da Vitória” – título honorífico. E mais adiante, definitivamente, em 1º de janeiro de 1944,  passamos a ser Vitória de Santo Antão. Destaquemos que dos 400 anos como “lugar”,  apenas por  100 anos não ostentamos no nome o  “de Santo Antão”. 

Foi no bojo dessa  mudança (Cidade da Vitória) que recebemos o gentílico de “vitoriense”- uma alusão direta à Vitória alcançada na épica Batalha do Monte das Tabocas, ocorrida em 3 de agosto de 1645.

Aliás, vale destacar que, de maneira geral, gentílico é uma expressão usada para identificar nativos, de maneira exclusiva,  que nascem em um determinado lugar ou região.

Salientemos, também,  que o  “vitoriense” original –  por assim dizer –  é justamente atribuído  aos que nascem na cidade de Vitória, capital  do estado do Espirito Santo.

Portanto, fico feliz em testemunhar que nossa peleja pelo gentílico “antonense”,   vem ganhando espaço institucional – livros, jornais, internet, rádio e televisão. A nota desafinada continua sendo praticada  pelas as autoridades locais, responsáveis por pontuais ajustes histórico, que continuam ignorando, desconhecendo  e não se preocupando como deveria  com as causas coletivas da municipalidade. Sigamos  em frente……

 

Vila de Pirituba – “Um sonho além dos olhos humano ” – por assessoria.

MONUMENTO DE SANTA LUZIA  – Serra das pitombeiras – Distrito de Pirituba – Vitória – PE

O Distrito de Pirituba, região localizada na zona rural da cidade de Vitória de Santo Antão-PE. aproximadamente 15 km do centro da cidade. Vem se destacando pelo seu clima agradável, voltado para o turismo.

Uma iniciada foi dada por Edson Aparecido Lemos (Édson) e José Antônio de Souza (Deca de Pirituba ).objetivando construir um monumento religioso na região.

Os mesmos procuraram o reverendíssimo padre Rafael R. Menezes (Pároco da paróquia São João Batista – Pirituba), no intuito de buscar apoio para a realização deste sonho. De Imediato, padre Rafael Ricardo Menezes abraçou a causa e juntou-se aos mesmos visando organizar uma equipe para possíveis articulação. Compôs esta equipe: o Padre Rafael, Deca de Pirituba, Edson, Fabiano Ribeiro (Arquiteto ) e Pedro Henrique (Advogado).

O grupo almeja construir uma estátua de Santa Luzia com aproximadamente: 50 metros de altura. Segundo informações de membros do grupo, já houve uma conversa com o prefeito Paulo Roberto leite de Arruda, o presidente da Câmara de Vereadores, Edmilson José dos Santos (Edmilson de Várzea Grande), e a subprefeita do distrito Núbia Meira. A equipe busca apoio dos órgãos público para a construção do monumento e mirante na Serra das pitombeiras. Terreno este doado pelo Sr Pedro Henrique (membro da Equipe).

Neste dia 13 de dezembro de 2025 será celebrado uma benção da pedra fundamental para a construção da imagem de Santa Luzia. O evento acontecerá na Serra das pitombeiras a partir das 17:00h.

Após a benção da pedra fundamental os fiéis sairá em procissão para matriz São João Batista, aonde acontecerá o encerramento da festa de Santa com a missa campal celebrada pelo reverendíssimo padre Rafael Ricardo Menezes.

assessoria. 

Cascatinha da Matriz – por Sosígenes Bittencourt.

(A Cascatinha da Matriz e Manoelzinho de Horácio)

Papai me contava e mamãe assevera que quem construiu essa praça, chamada Dom Luis de Brito, foi Horácio de Barros, pai de Manoelzinho Rangel. Depois, diz que Horácio de Barros não foi à inauguração da obra, porque estava acometido de Tifo. Assistiu ao evento, debruçado na janela de sua casa, na Rua Imperial, popularmente conhecida como Rua do Meio.

Era nessa Cascatinha que Manoelzinho de Horácio tomava cachaça com caramelo de menta, contava piada, soltava lorota e empulhava o mundo. Manoelzinho de Horácio partiu para a Eternidade aos 73 anos, já faz algum tempo. Ele contava que o médico que lhe tirou o baço e garantiu-lhe um ano de existência morreu primeiro.

Certa vez, Manoelzinho de Horácio me contou que fez um frio tão grande em Vitória de Santo Antão que o Leão Coroado, na frente da Estação Ferroviária, saiu do monumento e foi se esconder dentro de uma barbearia do outro lado da Praça. Manoelzinho de Horácio era jogador de futebol. Diz que, um dia, ele foi bater um pênalti, quando o adversário Tenente Índio o ameaçou: – Se fizer o gol, me apanha! Manoelzinho não teve dúvida, furou o gol e saiu correndo do estádio José da Costa, solto na buraqueira, pelo Dique afora.

Sosígenes Bittencourt