Do outro lado do atlântico o “embaixador” vitoriense, Pedro Ferrer, manda notícias…

Genebra, capital da paz. A cidade transpira liberdade e paz. Liberdade ampla em seus diversos aspectos: político, racial, religioso. Este último chamou-me a atenção. Ruas, monumentos e praças grafados com nomes dos reformadores protestantes. A catedral de Genebra originalmente era católica romana, com o advento da reforma, comandada por Calvino, passou para o controle do protestantismo  e sobre sua tutela  , permanece até aos dias atuais. Foi erigido no século passado um muro,”Muro dos Reformadores” que narra a formação do País e o advento do protestantismo. São painéis, gravuras, escritos e grandes estátuas dos reformadores religiosos.

De quebra visitei o Palácio das Nações, hoje sob tutela da ONU. A bandeira do Brasil é a primeira, fica na cabeça da fila. Senti-me orgulhoso, apesar de ….. Pobre pátria, tão distraída e traída. Mas vamos reconstruir nosso país apesar dos PMDB, PT, PSDB, PSOL, DEM e toda essa camarilha de corruptos.

Pedro Ferrer

A “NOVA” FESTA DE SANTO ANTÃO por Pedro Ferrer

Como presidente do Instituto Histórico e Geográfico, relicário da nossa cultura, da nossa história e das nossas tradições, não poderia deixar de tecer algumas considerações sobre a festa do nosso PADROEIRO.

Ressurgiu. Ressurgiu magnificamente. Há tempo desejava vê-la revigorada, sem ataduras, sem correntes, sem limitações. Incomensurável minha alegria em vê-la ataviada, de roupa nova, toda faceira. A presença dos antonenses no pátio da Matriz, crescia à medida que o dia 17 se aproximava. Foi deveras gratificante observar crianças, adolescentes e idosos indiscriminadamente se envolverem nas cerimônias religiosas e apresentações profanas. Quanto a estas os dias de melhor pique e sobretudo de melhor qualidade artística, sem considerar o dia 17, foram os dias 12 e 13. Dia 12 tivemos padre Rubens, atual pároco de São João dos Pombos que embalou os antonenses com suas meigas canções e suas singelas cirandas.  O dia 13 contou com a presença de outro sacerdote, padre Damião Silva, pároco da igreja de Santo Amaro, Jaboatão. Padre Damião interpretou belas canções religiosas e foi acompanhado delirantemente pelos presentes.

Quem ou o que impulsionou os fiéis à praça, se a divulgação se restringiu, como nos anos anteriores, aos avisos lidos nas missas? Arrisco-me no meu prognóstico a afirmar e relembrar aos incautos, que Vitória de Santo Antão continua, apesar da proximidade da capital, dos modismos da internet, uma cidade interiorana; graças a Deus. E como cidade matuta sua população conserva o apego e a atração as suas tradições: festa do Padroeiro. Toda festa de Padroeiro que se preza tem pátio e procissão. Os brinquedos, modernos, coloridos e iluminados deram um tom “holiudiano” ao pátio da Matriz e foi forte chamariz. Completando minhas modestas considerações, não podemos esquecer a expectativa da população em vista da nova administração municipal. Será que o povo não foi à praça para sentir a nova administração? Se assim foi, com certeza, não se decepcionou, pois, a festa, da igreja ao pátio, foi perfeita. Simplesmente espetacular. Alegrei-me imensamente com o ressurgimento das nossas tradições e da nossa cultura. Continuamos a torcer para que o desempenho demonstrado pelos gestores, na festa do Padroeiro, estenda-se pelo carnaval e pelo São João. Deixem o povo livre, ele sabe brincar e respeitar. Basta um simples controle. Não custa lembrar que o POVO é o principal protagonista dos eventos. VIVA SANTO ANTÃO.

PEDRO FERRER 
PRESIDENTE DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO. 

Seu Vino

Vitória de Santo Antão nos últimos trinta dias perdeu dois importantes filhos. Duas personalidades invulgares que se destacaram no trabalho em prol do progresso da nossa cidade. Ambos buscaram tornar a vida dos antonenses mais amena, mais saudável e mais justa: Elmo Cândido Carneiro e Severino das Neves Júnior, seu Vino. Do Elmo muito já foi dito e escrito. Quero nesta singela crônica tecer algumas palavras sobre o circunspecto e sóbrio senhor Vino. Seu Vino era o homem dos diversos instrumentos. Na sua simplicidade, na sua discrição e no seu amor ao trabalho deixou-nos um rico legado. Seu Vino quando jovem foi futebolista. Mais tarde fez parte da diretoria do Clube Abanadores “O Leão”, co-fundador do Instituto  Histórico e Geográfico, diretor da nossa banda de música, vereador e secretário de educação nos governos de José Augusto Ferrer de Morais e Gabriel Mesquita. Como o apóstolo Paulo, seu Vino foi um guerreiro vitorioso: “ Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz”.

Os sócios fundadores Severino Neves Júnior e Elmo Cândido Carneiro recebem placas comemorativas das mãos da secretaria de Educação professora Maria de Lourdes Melo Álvares -Silogeu.

Seu Vino visita o Instituto por ocasião da reforma.

Seu Vino recebe homenagem do Instituto Histórico por ocasião dos seus cem anos.

Pedro Ferrer

Nestor de Holanda Cavalcanti Neto.

pedro-ferrer-gravacao-2Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: “Sossego, rua da revolução”.

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, “A ignorância ao alcance de todos”, vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: “Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo”.

Recomendo ao leitor seu livro “O decúbito da mulher morta”. História ocorrida na nossa cidade.

Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ““Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais “cariocas” dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em “São os do Norte que vêm”. O carioquíssimo “Sargento Iolando” jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida.”

Amanhã, às 9 horas, estarei defendendo a cadeira nº 14, na Academia de Letras do Brasil, que tem como patrono Nestor de Holanda Cavalcanti Neto.

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SANTO ANTÃO

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Foto: Autor desconhecido

A Igreja Católica no decorrer de sua história atravessou sérias crises tanto teológicas, como morais. Em algumas saiu chamuscada. Chamuscada mas vitoriosa. Vitoriosa, por não ser dirigida por homens, mas sim pelo Divino Espírito Santo. E esse mesmo Espírito intervia nas crises através de sua divina pedagogia. Sabiamente utilizava os próprios homens. Fazia deles, com traumas algumas vezes, é bem verdade, instrumentos de seu magnífico plano, sem agredir, o que o homem tem de mais sagrado, sua liberdade.

No início do cristianismo, por influências do judaísmo e dos sábios gregos, surgiram muitas dúvidas doutrinárias que geraram as primeiras grandes heresias. Para combatê-las, o Divino Paráclito, lançou mão de seus doutores, os grandes padres da Igreja. Era a época da Patrística. Entre muitos temos: João Crisóstomo, Basílio, Inácio de Antioquia, Atanásio, Clemente de Alexandria,  Gregório de Nissa,  Jerônimo, Ambrosio,  Agostinho.

Na obscura Idade Média, novamente a Igreja entra em crise, dessa feita, mais moral que teológica. Entretanto o Espírito de Deus vela por ela. E através dos próprios homens, como Francisco de Assis e Catarina de Sena, encontrou-se a solução.

O mundo evoluiu.  Eis que entramos na efervescência do Renascimento e da Reforma. Mais uma vez o Espírito Santo pedagogicamente vai buscar  Inácio de Loiola, Teresa de Jesus (Teresa de Ávila), Erasmo de Rotterdam, Tomás Moro etc. Personagens cultas, formadoras de opinião, expoentes da intelectualidade cristã. O Pai, com seu carinho, vai ajudando o homem a crescer e os obriga a encontrarem as soluções. Após o Renascimento vem o período Barroco e a Contra Reforma. Nele vamos encontrar  Vicente de Paulo, Bossuet e João Batista de La Salle.

Nos dois últimos séculos despontam, Frederico Ozanam, Charles Péguy, Leão XIII, João XXIII, Pedro Casadálgia e Helder Câmara. Poderíamos citar muitos outros, todavia os mencionados são aqueles que primaram em levar a Igreja a trilhar seu caminho mais original e mais autêntico, a caridade.

E o que tem Santo Antão a ver com essa maravilhosa epopeia da Igreja? Retornemos aos primeiros séculos. Santo Antão foi contemporâneo de alguns dos Santos Padres.

Os Santos Padres, é importante frisar, nasceram num marco teológico que foi se originando a partir do Novo Testamento e são os detentores do legado da Igreja apostólica. Legado que tinha como principal opção, os pobres e os oprimidos.

Alguns dos Santos Padres da Igreja, como é o caso de Agostinho, que tinha dois anos de nascido quando Santo Antão morreu, receberam forte influência da carismática figura que era Santo Antão. Sua contagiante personalidade irradiou-se por muitos séculos.  Seu exemplo de fé, de desprendimento, de amor aos pobres marcaram, não só Santo Agostinho, o principal doutor da patrística latina, mas uma multidão de monges. Santo Antão com sua vida contemplativa solidificou e expandiu a prática monástica. Vale registrar a considerável marca que nosso PADROEIRO imprimiu na vida de Atanásio, um dos Santos Padres. Atanásio, quando jovem, atraído pela vida ascética, foi viver ao lado de Santo Antão que levava uma vida austera e contemplativa no deserto. Um dia, Alexandre, o Bispo de Alexandria, cidade egípcia que fica às margens do Mediterrâneo, visitando Santo Antão, conheceu Atanásio. Convidou-o para ir assessorá-lo em Alexandria e o ordenou diácono. Nessa época surgiu o arianismo, heresia que negava a divindade de Jesus Cristo. Essa doutrina causou muitos estragos entre os cristãos da época. Silenciosamente, pedagogicamente, “sem querer, querendo”, o Divino Espírito chamou Atanásio, que se tornou o cruzado da divindade de Jesus Cristo. Assumiu a causa, defendeu bravamente a ortodoxa doutrina, atraindo para si muitos inimigos.

Mais tarde, Atanásio, que foi canonizado após sua morte, enlevado pelo exemplo de Santo Antão, resolveu escrever lhe a biografia. Biografia essa, que tornou Santo Antão mais conhecido, difundindo seu exemplo, colaborando para propagar e solidificar a vida monástica.

Pedro Ferrer

RECORDAR

No intuito de pesquisar sobre a história do nosso aero clube lancei-me numa busca no jornal “Diário da Manhã”, matutino circulante na capital, durante boa parte do século XX. Deparei-me com esta pérola que merece, no meu entender, ser publicada, pelo tom jocoso e pela abordagem do método de fazer política de José Joaquim da Silva, que de acordo com Pilako permanece até hoje.

Para os menos avisados ou pouco versados em nossa história, especialmente os políticos que adoram trocar nomes de logradouros, RONCADOR é o riacho que passa por baixo da avenida Mariana Amália e Aquino foi um vereador que chegou a ser presidente da nossa Câmara de vereadores e fazia ferrenha oposição ao prefeito de então.

“Com maioria na Câmara, o sr. Agamenon (Governador) não terá necessidade de convidar os demais partidos para colaborarem com o seu governo, porque lá na Assembleia estará um deputado como JOSÉ JOAQUIM FILHO para, com ardor do seu verbo, com a pujança da sua inteligência, defender as críticas que forem feitas.

Convém não esquecer o sr. Agamenon que o seu deputado da Vitória de Santo Antão, quando vereador ali, proferiu tais e tantos discursos que dominou a Câmara local. Foram tantos os seus projetos que o prefeito, por sinal pai do grande tribuno, se atrapalhou de tal forma que só conseguiu fazer três coisas que o município jamais se esquecerá: a Bomba do Roncador, uma banca de jogo que se estendeu por todo o município e uma surra no vereador Aquino”. (Diário da Manhã, Recife, 8 de novembro de 1950).

Pedro Ferrer

Selma do Coco

selmaSelma do Coco. Faleceu, deve ser do conhecimento de todos, no dia 9 passado, no Hospital Miguel Arraes, município do Paulista, a vitoriense Selma Ferreira da Silva. Selma foi, por sugestão do jornalista Marcus Prado, homenageada duas vezes pelo nosso Instituto Histórico e Geográfico. Nossa conterrânea foi sucesso que marcou nossa cultura e tradição. Em 2005, ganhou o título de “PATRIMÔNIO VIVO DE PERNAMBUCO, outorgado pelo Governo do Estado.

Pedro Ferrer

Selma, Pedro Ferrer, Severina Moura e Jorge Esteves(1)

Prof. Pedro Ferrer lembra da Vitória de antigamente

Pátio da Feira

Pátio da Feira. À esquerda fica a escola Cardeal Roncalli, quando fundada era conhecida
como escola Modelo. O prédio hoje está deteriorado e seu circuito irreconhecível.

Há no seu entorno barracas de bebidas alcoólicas o que não é permitido por lei.

Por onde anda o Ministério Público?

Nesta época o prefeito era José Augusto Ferrer.

Pedro Ferrer

Nelson Propaganda

nelson propaganda, 1962

Por ocasião das festividades comemorativas à passagem de mais um aniversário, o Instituto Histórico e Geográfico homenageou três ilustres vitorienses que contribuíram, cada um à sua maneira, com o progresso de nossa cidade: Rochinha, José Varela e Nélson Souza. Para os que não se recordam, segue foto do Nélson Souza, ao lado do seu carro de propaganda (ele se encontra de braços cruzados).

Oportunamente publicaremos fotos dos outros dois.

Professor Pedro Ferrer

“CAPITÃO MOR PEDRO RIBEIRO DA SILVA, UM CAPÍTULO DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO”.

Ontem, domingo, dia 9 de novembro, a coluna “repórter jc” do “Jornal do Commercio” relembrou-nos a Guerra dos Mascates que hoje completa 305 anos. Infelizmente, talvez por falta de informações, o responsável pela coluna não fala de Vitória de Santo antão, tão pouco de Pedro Ribeiro da Silva. Culpá-lo? Jamais.

Se culpa há, pela falta de informação, cabe aos nossos gestores que não se preocupam em divulgar nossa história.

Em 2009, por ocasião do tricentenário da Guerra dos Mascates procurei os órgãos competentes locais, propondo nos anteciparmos ao município de Olinda nos festejos de aniversário do grande feito e demonstrar que a Guerra dos Mascates teve início na Freguesia de Santo Antão da Mata. Cheguei em conversas privadas sugerir ao prefeito Elias Lira a ereção de um monumento ou estátua em homenagem ao grande herói, Pedro Ribeiro da Silva. O local para instalação do monumento seria a praça da rua Amarela. Não se moveu uma palha. Nada, absolutamente nada, foi realizado. O acontecimento passou em brancas nuvens.

 Este ano propus ao presidente da Câmara, professor Edmo Neves, a publicação, pela Câmara, do livro de minha autoria, sobre a participação de Pedro Ribeiro na Guerra dos Mascates. Ele concordou. Passei-lhe o material para ser feito o orçamento. Solicitaram-me detalhes sobre a capa e de chofre a enviei. Fiquei acompanhando e solicitando da secretária, dra. Thaís, o resultado. Duas vezes o fiz. Comunicaram-me que seria em agosto/14. Admito que o atraso foi devido ao processo eleitoral. Estou aguardando a resposta, que creio será positiva. Nossa proposta é editar 1000 exemplares, a serem distribuídos gratuitamente com os alunos das nossas escolas públicas municipais.

Rápida comparação: mil exemplares não custariam R$ 10 mil. Um cantor, parece-me que foi Miguel Chulé ou Miguel Teló, recebeu R$ 300 mil. O que ficou dessa apresentação? Um livro é bem mais duradouro, sobretudo se bem trabalhado na escola.

Transcrevo a seguir parte do Prólogo do nosso livro:

“ Insólito afirmar que me causa espécie constatar que alguns estudiosos do tema (Guerra dos Mascates) minimizam a participação do Pedro Ribeiro da Silva na refrega, outros omitem seu nome, não obstante, o próprio governador de Pernambuco na época, Sebastião Castro e Caldas, em sua correspondência, o incluiu no rol dos principais amotinadores: “Que os principais amotinadores, além dos ditos conjurados, repartidos pelas Freguesias, foram, na de Santo Antão, onde teve princípio, o Capitão mor dela, Pedro Ribeiro e seus cunhados, Sebastião de Carvalho e José Tavares…”

  Sua entrada triunfal em Olinda e sua dinâmica participação na congregação do Senado, quando se põe a favor da nossa autonomia, já lhe asseguram um lugar na galeria dos heróis nacionais. Como se isto não bastasse, é pertinente marcar, que ele foi o principal financiador das tropas nativas na corajosa empreitada de cortar os laços que nos unia a Portugal.

O não derramar sangue ou não ter sido preso teria reduzido e escamoteado sua importância na instalação da “República de Olinda”?…

erro

Um fato, ocorrido no desfile de 7 de setembro de 2009, na nossa cidade foi o principal motivo que me levou a escrever este despretensioso trabalho. Alunos do educandário, que leva o nome do nosso herói, portavam uma faixa que denotava o quanto nossa história é desconhecida. A ele era imputada sua participação e liderança na Batalha do Monte das Tabocas. Em 1645, data da Gloriosa Batalha, Pedro Ribeiro não era nascido.

Oportuno registrar, que este trabalho de releitura da participação de Pedro Ribeiro da Silva, estava programado e pronto para ser lançado em novembro de 2010, por ocasião do tricentenário da Guerra dos Mascates, primeiro movimento nativista brasileiro que tinha como meta tornar Pernambuco independente de Portugal, criando um regime republicano nos moldes da Holanda ou de Veneza. Razões alheias à minha vontade obrigaram-me a adiar o lançamento. Mesmo em retardo o objetivo, no nosso entender, é válido e necessário. Poucas pessoas na minha terra, Vitória de Santo Antão, quiçá no estado de Pernambuco, conhecem o engajamento e o comprometimento do extraordinário vitoriense, desde os primeiros instantes na luta em prol da liberdade.

O professor José Aragão, grande mestre de nossa história, escrevendo sobre Pedro Ribeiro assim se expressou: “Nenhum vulto da história da nossa terra merece mais essa homenagem do que Pedro Ribeiro, herói e mártir, até hoje esquecido. (Professor José Aragão” – Jornal “O Vitoriense”, 13 de janeiro de 1940).

 Pedro Ferrer

Festa rubro negra.

Não escondo dos amigos e camaradas que torço pelo tricolor do Arruda. Minha preferência não me impediu de ir à Matriz ver e confraternizar-me com os diletos amigos partidários do Leão. Afinal, gostei da festa rubro negra. Paz, respeito e muita alegria. Fica provado mais uma vez que o vitoriense é pacato e que a alegria e a paz podem andar juntas.

Mas houve um espanto na praça da Matriz. Os filósofos, os sociólogos, psicólogos e cientistas políticos da mesinha da tenda da Cleide/Wellington analisavam circunspectamente, por que o desfile dos rubros negros com trio elétrico e toda parafernália que tinham direito passou diante do Hospital da Melo Verçosa? Com certeza desfilaram sob a égide e a autorização das autoridades. Aí vem o espanto. Não foi proibido desfile próximo aquele nosocômio durante as festividades momescas?

Realmente foi um espanto. Pilako, um dos cientistas presente à mesa, ria de se esbaldar. Pilako vivi de antenas ligadas em busca de meter o cacete. Mais um mote para ele. Está certo ele. Esta é a função da imprensa. Recentemente ele me fez severas críticas ao Instituto Histórico e não é que o diabinho estava correto? Vamos corrigir as falhas, prometo, Pilako. Voltemos ao espanto da praça. João do Livramento, grande historiador e fantástico psicólogo rotulou o espanto com o adjetivo “incognoscível”. Embananou tudo. Ninguém sabia, com certeza nem ele, que troço era incognoscível. Nesse instante Cleide aproximou-se e largou: bando de mobrais, analfabetos. Incognoscível poderia ser, como afirma Machado de Assis “algo definitivamente fora do alcance do homem”. Necessário se faz conhecimentos de metafísica, justamente o que vocês não manjam. “As deliberações humanas não são o mesmo que a origem das cousas”, continua o grande mestre Machado.

Finalmente ninguém entendeu por que o desfile passou na frente do hospital. Mesmo depois de muita elucubração, a indefinição permaneceu. Foi quando Tadeu da Varanda e Ferreirinha apresentaram uma sugestiva tese: a promotora e o Paulo Roberto devem ser rubro negros. Palmas e congratulações para eles e demais torcedores do Leão da Ilha.

Pedro Ferrer

Notícias da terrinha


Mesmo já passados quatro dias do ocorrido alegra-me registrar um fato e comentar o grito carnavalesco do bloco Pinguço do dr. Ozias Valentim, ocorrido sábado na Gamela de Ouro. Comecemos pelo grito de carnaval dos “bebinhos” do dr. Ozias.  Presente um bom número de vitorienses, mais do que eu esperava encontrar por lá e bem alegres. O que me leva realmente a escrever esta nota é que, por incrível que pareça, não houve nenhuma conotação política. Até me retirar da Gamela, às 14 horas, não tinha sido feita nenhuma menção a político ou a pretensos candidatos.  Tão pouco havia referências nos afrescos da Gamela e nos troféus distribuídos. Festas populares e religiosas devem evitar conotações políticas. Deixa o povo rezar e brincar livremente. Parabéns aos organizadores do grito, em especial ao dr. Ozias Valentim.

O outro acontecimento é bem interessante. Domingo pela manhã a Academia Vitoriense de Letras e Arte abriu suas portas para receber um grupo de vitorienses interessados pelas artes e letras. Foi um encontro descontraído e proveitoso. Dois momentos marcaram essa reunião da Academia: 1- a apresentação ou lançamento do belo e despretensioso livro do dr. Cleiton Nascimento. O dr. Cleiton, em boa hora e bem inspirado, resolveu editar um pequeno livro que encerra uma bela mensagem (procurem lê-lo). Na verdade a história é fruto de sua imaginação. Ele, como bom psicológico e ótimo pai, cria e conta histórias para ninar sua filhinha. “Para onde foi o grande balão laranja? ” é uma das histórias que o dr. Cleiton resolveu levar ao prelo.  A ilustração é feita pelo próprio. Os personagens, Lalinha, Dino (o cachorrinho), jacaré Dagã, a Violeta e o Arco-iris são bem expressivos.  Cores vivas, alegres e bela mensagem compõem o livro do nosso Cleiton Nascimento; 2- a palestra sobre Literatura de Cordel proferida pelo acadêmico Rafael Oliveira. Simplesmente espetacular. Saí realmente confortado da Academia. Lamento que outros companheiros tenham perdidos esses momentos inauditos e prazenteiros.  Parabéns à presidente, acadêmica Lúcia Martins, pela programação.

Pedro Ferrer

17 de janeiro

Amanhã Vitória de Santo Antão estará em festa. Mais um aniversário de sua fundação. A história da nossa cidade é deveras rica e fascinante. Rememoremos alguns fatos.

O fundador. Assegura a tradição que nosso fundador, Diogo de Braga, era originário da Ilha de Santo Antão, uma das dez ilhas que constituem a República do Cabo Verde. Este país está incrustado no oceano Atlântico, a 640 km. da costa africana. Cabo Verde, ex-colônia portuguesa, foi descoberto em 1460, um pouco antes do Brasil.

O santo. Foi um eremita que abandonou e desprezou os prazeres mundanos, refugiou-se no deserto, para se dedicar à meditação e aos pobres. Serviu de exemplo e modelo para a vida monástica. Após sua morte era invocado pelos fieis cristãos na proteção contra as feras. Época harmoniosa, apesar de algumas heresias. Os cristãos de então se congregavam em torno do mesmo altar: JESUS CRISTO. Jesus, em nome do qual já se cometeu tantos crimes. Jesus, o Filho do Homem, usado, ultrajado pelos desejos mais vis. Jesus, titulado fundador de igrejas. Ele que se considerava o último dos seres e que não tinha igreja. A igreja de Jesus é a igreja do amor. O resto é balela dos teólogos e fanáticos.

O povoado. Diogo nasceu na ilha de Santo Antão. Ele tinha mil razões para adotar o santo eremita como padroeiro do povoado que criara à margem esquerda do rio Tapacurá.

No início o povoado era conhecido como cidade do Braga. Com sua morte passou a ser chamado de Santo Antão da Mata. Na época do império passou a chamar-se Vitória, em homenagem à gloriosa batalha do Monte das Tabocas. Mais recentemente o nome do padroeiro voltou a identificar nossa cidade.

Conhecemos recentemente o professor Alcides natural da ilha de Santo Antão. Amanhã, em visita informal, d´aí não termos divulgado aos sócios do Instituto,  ele será recepcionado por um reduzido grupo de vitorienses. Ele é professor de música na universidade de Cabo Verde. Na ocasião ele nos falará sobre a ilha de Santo Antão, cantará canções caboverdianas,  projetará imagens da ilha e sobretudo, razão principal do nosso encontro, iniciaremos um contato para estabelecer uma relação entre Vitória de Santo Antão e a cidade de Porto Novo, principal cidade da ilha, onde nasceu o professor Alcides. Esperamos com esse intercâmbio enriqueça mais e mais nossa história.

Antecipo que, na solenidade de 6 de maio, ele fará uma apresentação musical no Silogeu.

Litoral norte da ilha de Santo Antão

Litoral norte da ilha de Santo Antão

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Dr. José Rufino Bezerra Cavalcanti

dr.jose-rufino-bezerra

Primeiro vitoriense a ocupar o Palácio do Campo das Princesas. Tomou posse no governo do Estado, exatamente no ano de 1919, o mês era dezembro. Naquele momento sua saúde já estava combalida. Mesmo enfermiço ele enfrentou com denodo os sérios problemas de instabilidade social que assolava Pernambuco. Acentue-se que ele chegou ao posto de governador através do voto direto¹. José Rufino sucedeu ao marechal Manoel Borba (1915/1919), “que deixara o poder onde fora o centro de todos os ódios.” ² Manoel Borba deixou um rastro de rancor e desarmonia na sociedade e na política pernambucanas. Pacificar o estado foi a primeira medida do novo governador que lançou o plano “Paz e Concórdia”. Com muita paciência e diálogo, conseguiu unir as três facções políticas: os rosistas, os dantistas e os borbistas3.

 A um convite de seu Zé
 ninguém resiste ou discorda;
 e, no fim desse banzé,
 a paz foi feita “com corda”4

 Algo curioso e estranho aconteceu nas eleições de 1919, quando os pernambucanos foram convocados para escolher o novo governador. Uma série de aborrecimentos e vexames atingiram a população vitoriense. Esse fato merece ser tratado com um pouco mais de detalhes. Próximo à eleição, o prefeito da Vitória, na época, coronel Antônio de Melo Verçosa, que era seu velho amigo, resolveu inabilmente apoiar um dos candidatos da oposição, o Barão de Suassuna. Dr. José Rufino venceu a eleição em todos os municípios pernambucanos, perdendo apenas em sua terra natal e em Escada.  Essa imprudência ou talvez inexperiência, do coronel Antônio de Melo Verçosa, bateu forte nos sentimentos do dr. José Rufino, deixando-o triste e revoltado. O nefasto resultado das urnas na Vitória provocou-lhe a ira e o deixou transtornado a ponto de abandonar sua terra natal ao destempero de seus seguidores. O coronel Antônio de Melo Verçosa ficou sem apoio e sem condição de administrar o município. Eram dois galos de boa rinha que não cediam. O inditoso ano de 1920 decorreu em um clima de insegurança e desordem, na República das Tabocas. Tumultos, agressões, perseguições faziam o dia a dia dos vitorienses. Como sempre acontece nesses casos, prevaleceu a lei do mais forte. Pressionado e sem condições de bem administrar a cidade, Melo Verçosa, aconselhado por amigos e correligionários, renunciou.

Se o prefeito foi inepto ao apoiar o Barão de Suassuna, muito mais o foi, nosso governador, ao dar as costas para seu torrão natal. Falhou em sua missão de líder e condutor político maior do estado prejudicando a população indefesa. Ele que havia proposto a “Paz e a Concórdia” não devia guardar nem alimentar ressentimentos contra Melo Verçosa. Uma questão política que se transformou em capricho pessoal coletivo e que só prejuízos trouxe à República da Cachaça. É lamentável que um político de sua estepe, empresário de grande porte e sucesso, que conseguira congregar as principais correntes políticas do Estado, tenha se prendido a quinquilharias domésticas. Uma nódoa que empana seu magnificente currículo.

Com a renúncia de Melo Verçosa, de seu vice e dos conselheiros, nova eleição foi marcada para o dia 20 de março de 1921. Para concorrer ao pleito, Dr. José Rufino indicou João Cleofas de Oliveira, um jovem engenheiro de 22 anos, que saiu como candidato único. Surgia, pela mão do dr. José Rufino, uma nova liderança na arena política vitoriense. O empresário, João de Albuquerque Álvares, amigo e partidário do dr. João Cleofas, confidenciou-nos que seu amigo lhe havia narrado uma conversa ocorrida entre ele e o governador. Na ocasião o dr. José Rufino afirmara: meu jovem, vá em frente, você tem tudo para ser um grande político.

O rico empresário e poderoso político nasceu no engenho Serra, no dia 16 de agosto de 1865. Seus pais, José Rufino Bezerra Cavalcanti e  Maria Januária de Barros Lima zelaram pelos seus estudos desde a mais tenra idade.  Estudou o primário na Vitória, seguindo logo após para o Recife onde cursou humanidade. Aos 21 anos diplomou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife.

Surgiu para a política em 1890 quando foi nomeado presidente da Primeira Intendência na cidade da Vitória5. Ao tomar posse o jovem doutor José Rufino alertava seus pares “que só tinha por égide o bem público e um vasto programa de economias”. A partir d’aí sua carreira política foi pontilhada de sucessos: deputado estadual e federal em diversas legislaturas, senador, ministro da Indústria e Comércio e ministro da Agricultura no governo do presidente Wenceslau Brás. No pleito de 1919 bateu dois adversários, o Barão de Suassuna e Dantas Barreto, na disputa para o governo do estado de Pernambuco.

Eleito governador, desenvolveu, de acordo com seus biógrafos, uma política de paz no Estado, tentando conciliar e aproximar as classes produtoras e os comerciantes. Outro destaque do seu governo foi o empenho em prol do equilíbrio orçamentário. Em parceria com o prefeito do Recife, inovou, criando um sistema de capacitação de recursos através do qual a população emprestava ao governo e recebia em parcelas, com juros. Com esses recursos eles calçaram ruas, abriram avenidas, reformularam praças, fizeram obras de saneamento etc.

Em maio de 1921 sua precária saúde o obrigou a embarcar para Europa em busca de tratamento. Seu afastamento do governo, sempre, pelo mesmo motivo, ocorreu outras vezes. A imprensa opositora prognosticava constantemente sua renúncia, o que não aconteceu. Sua frágil saúde era motivo constante de preocupação para seus correligionários, visto que os primeiros frutos de sua administração começavam a surgir.

Seu combalido estado de saúde foi se agravando. Afastado do governo, morreu no dia 27 de março de 1922, de ataque cardíaco, com 57 anos de idade, em seu palacete no bairro do Tejipió, sem ter concluído as démarches, já iniciadas, para escolha do seu sucessor. Em vida foi casado com Hercília Pereira de Araújo com quem teve onze filhos, um deles, José Bezerra Filho, também vitoriense, foi prefeito do Cabo e deputado estadual.

Se sua vida política foi um sucesso, a profissional não ficou por menos. Na vida acadêmica obteve dois diplomas: engenheiro agrônomo e advogado. Como engenheiro atuou na Estrada de Ferro Central e na Estrada de Ferro do Sul. Mas como não poderia ser diferente, foi na indústria açucareira, seguindo a tradição familiar, que ele se destacou. De rendeiro do engenho Trapiche no Cabo tornou-se um grande usineiro transformando-o em uma usina, Usina José Rufino, em homenagem ao avô e ao pai. José Bezerra foi o principal acionista da Companhia de Melhoramentos de Pernambuco tendo construído uma estrada de ferro ligando a usina Cucau à cidade de Barreiros6. Seu vasto patrimônio incluía os engenhos Barbalho, Malinote, Malakof, Mataripe, Novo, Pirapama, São João, São Pedro e Santo Inácio.

Notas:
1 – A eleição foi disputada por três candidatos: José Rufino, Henrique Marques de Holanda Cavalcanti, o Barão de Suassuna e o marechal Emídio Dantas Barreto. Em todo o Estado Dantas Barreto obteve apenas 7.000 votos, contra os 25.000 dados a José Rufino.
2- Gayoso, Armando – A verdadeira verdade – Livraria Universal, Recife, 1925, página 17.
Armando Gayoso: ex-oficial de Gabinete do governador José Rufino e ex-vice presidente da Câmara dos Deputados (1919-1922).
3- Havia três grandes líderes políticos no Estado: Rosa e Silva, Dantas Barreto e Manoel Borba.
4- Lemos Filho – Clã do Açúcar (Recife 1911/1934) – Livraria São José, Rio de Janeiro, 1960, página. O autor da quadra faz o trocadilho de “concórdia com corda”.
5- Com o advento da República as Câmaras Municipais de Vereadores foram substituídas pelos Conselhos de Intendência, constituídos por três membros.
6- A Companhia de Melhoramentos de Pernambuco tinha por centro a Usina Cucau, edificada no município de Rio Formoso. Muitas figuras ilustres, tais como os governadores José Rufino e Manoel Borba, dela, faziam parte como acionistas.

Observação: recentemente foi sugerido por um leitor deste blog a mudança do nome da rua dr. José Rufino (Cajá) para Avenida Monte (ou Batalha) das Tabocas. Creio que o nome de dr. José Rufino, pelo que ele representou na política e na história vitorienses, não deveria ser retirado. Poder-se-ia usar os dois nomes: dr. José Rufino permaneceria e iria até a ponte que antecede o templo católico e a feira. A partir da ponte seria avenida Monte ou Batalha das Tabocas. Fica a sugestão. 

Pedro Ferrer

Diário de Viagem – Notícias do Velho Mundo: Silva Jardim e o Vesúvio

N+ípolis e vesuvio 013

Pilako, ainda bem, que tu falaste em dar-me uma gratificação quando do meu retorno. O assunto de hoje falará da terrinha, a República das Tabocas. Primeiro devo reparar uma grossa injustiça cometida contra a administração da cidade de Nápoles. Grossa em parte por que a falha, dela, permanece. Fui dá uma volta pelo lado  sul da cidade e fiquei deslumbrado com a beleza e a limpeza dos prédios e das ruas, isto sem falar das belas paisagens. Maravilhosa a vista do Vesúvio, observada do lado oposto, da baia. A sujeira referida anteriormente prende-se ao lado antigo e histórico da cidade. Por falar no Dilúvio passei um dia em Pompeia, uma das cidades, soterrada pelo vulcão. Após a visita achei importante conhecer o carrasco das cidades de Herculano e Pompeia. Subi a encosta do vulcão a pé, uns trinta a quarenta minutos. Contemplei detalhadamente sua cratera, gigantesca cratera a qual exala rolos de fumaça constantemente. Internamente permanece ativo. Recordei-me  do Silva Jardim. Sim, Pilako, o Silva Jardim tão ligado à sua infância, como não dizer à sua vida, já que você mora em uma rua que carrega seu nome.

Pois bem, Silva Jardim, grande estadista brasileiro, intelectual de renome, orador eloquente,  inimigo da monarquia, em sua curta atividade política, tentou e conseguiu, escaldar e fritar o imperador dom Pedro II. Ele foi um dos artífices da proclamação da república. Com o novo regime ele esperava uma posição de destaque, mas qual o quê, os militares deram-lhe uma cotovelada. Desgostoso partiu para uma viagem de recreio pela Europa. No seu roteiro constava o monte Vesúvio. Na época o vulcão estava agitado e Silva Jardim foi aconselhado a não subir até à cratera. Imprudentemente o grande estatista resolveu galgar o monte. Aproximou-se demasiadamente da cratera e terminou caindo dentro do vulcão, sendo escaldado e fritado pelas ferventes lavas. Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido, diz o adágio popular.

Pedro Ferrer

Diário de Viagem: Notícias do velho mundo (em Nápoles)

napoles

Uma rua de Nápoles, centro da cidade.

Pilako é um patrão chato, duro e exigente. Mas tem o direito de sê-lo, pois paga bem e dobrado.

Recentemente deu-me um aumento significativo. Ele exige e só deseja notas que se refiram à terrinha. Hoje eu ia falar do homenageado da rua Silva Jardim, na matriz, porém chegando à Nápoles, com duas quebradas de olhos, deu me um estralo na cabeça. Pilako você fala de barriga cheia, reclama porque é chato e teimoso. Quer ver sujeira, lixo amontoado, trânsito desorganizado, invasão de calçada e poluição sonora?

Venha para Nápoles. Ela destoa de todas as outras cidades europeias. Será que nossos gestores não fizeram um curso ou estágio por aqui. Alegrai-vos vitorienses, Nápoles é bem mais suja e desorganizada que nossa Vitória de Santo Antão.

Mas por que se espelhar no errado, se há tantos bons exemplos, aí mesmo no Brasil e em Pernambuco a serem seguidos?

Pilako, só estão faltando os bichos. A única espécie solta e espalhada pelas ruas, é o BICHO HOMEM.

Pedro Ferrer

Diário de Viagem: Notícias do velho mundo

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Quando viajamos a passeio ou a negócio devemos observar os hábitos, os costumes, o portar dos habitantes dos locais visitados. Justamente o que faço nesta minha rápida estadia por algumas cidades da Itália. Tenho observado sobretudo os museus e o trato da coisa pública. Levo alguns subsídios para nosso  Instituto. Para a cidade, teria, mas de que vale uma rede armada …………. Pilako que o diga.

Vamos comentar um fato que não diz respeito à Vitória de Santo Antão, mas que é bem interessante. Sai de Milão para Florença, a pérola da Renascença. Chegando às portas de Florença resolvi mudar o roteiro e segui para Pisa. Lembrei-me que na catedral de Pisa tinha um candelabro, que eu já vira anos atrás. Desejei rever esta peça. Dirá o caro leitor, que bobagem! Parece realmente, à primeira vista, uma grande  bobagem. Este candelabro serviu como experimento ao famoso cientista Galileu Galilei. Aquele que concluiu, após estudos, e teve a ousadia de afirmar, contrariando todos, que o sol era o centro do  nosso sistema planetário. Um dia, Galileu, que era cientista, mas não era ateu, foi à catedral orar. Na penumbra, ainda a mesma, enquanto meditava,  observou o candelabro que oscilava. Analisou detalhadamente o movimento e tirou suas dúvidas sobre a teoria, que estava elaborando, sobre o movimento pendular. Transportei-me,  500 anos atrás, e fiquei  imaginando Galileu,  observando o oscilar daquele  candelabro. No êxtase, fui violentamente acordado pelo pipocar de dezenas de “flashs” de turistas incautos que desavisadamente, com certeza, não conheciam a importância daquele candelabro que tanto contribuiu para as conclusões do preclaro cientista. Turistas que saem tão vazios quanto entraram. Fotografei o famoso candelabro e repasso sua imagem aos meus caros conterrâneos.

Pedro Ferrer

Diário de Viagem: Notícias do velho mundo

Milano primeiro dia 004

Estou em Milano. Viagem excelente. Conhecemos a bela catedral estilo Gótico Flamboyant.

Milano primeiro dia 002

Amanha seguiremos para Roma onde ficaremos 4 dias. O restante de Milano fica para o retorno quando for tomar o avião de regresso.

Viajou no mesmo avião comigo, Recife-São Paulo, o Fernando Bezerra Coelho. Falei-lhe da importância do titulo que ele estava recebendo. Perguntei sobre a candidatura ao governo. Ele foi reticente mas disse que a estratégia está sendo costurada.

Enviarei mais fotos.

Abraço e até a volta.

Pedro Ferrer

Cônego Pedro de Souza Leão

padre

Nascido em Ipojuca, no Distrito de Nossa Senhora do Ó, no dia 8 de janeiro de 1917, era filho de Pedro de Souza Leão e de Minervina de Souza Leão. Aos 19 anos sentiu o chamado de Deus e ingressou no Seminário de Olinda. Completada sua formação eclesiástica foi ordenado, no dia de Todos os Santos de 1947, por sua Reverendíssima, o Arcebispo de Olinda-Recife, dom Miguel de Lima Valverde. Sua primeira celebração eucarística teve lugar na sua terra natal, no Distrito de Nossa Senhora do Ó, no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição. Mal raiou o ano novo, no dia 5 de janeiro, foi empossado vigário cooperador da Vitória de Santo Antão e capelão do Colégio Nossa Senhora da Graça.

Em 1949 foi transferido para Glória do Goitá assumindo a direção da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, onde exerceu seu apostolado com amor e dedicação até julho de 1959. Nos dez anos à frente da paróquia realizou importantes obras tais como: construção da nova igreja matriz, da escola Paroquial de Menores e do ginásio Dom Miguel de Lima Valverde. A edificação deste educandário foi um marco na educação do município, visto ser o primeiro educandário de primeiro grau. Tão frutífera administração fez o povo da Glória do Goitá elegê-lo prefeito. Exerceu seu mandato, 1958/1962, com dedicação e seriedade, pautado em princípios éticos e morais. Em janeiro de 1962 voltou à Vitória de Santo Antão, assumindo mais uma vez, a capela do Colégio N. S. da Graça. Em agosto, do mesmo ano, foi convocado por Dom Carlos Coelho, Arcebispo de Olinda e Recife, para dirigir a construção do Seminário Regional do Nordeste, localizado em Camaragibe. Sua permanência à frente da construção do Seminário foi curta.

Um homem com sua competência administrativa e sua capacidade de trabalho, não podia ficar ocioso. Em 1965, o governador do estado, dr. Paulo Pessoa Guerra o nomeou diretor do Instituto Profissional de Pacas. Foram sete anos de excelente administração. Os que conheceram de perto e vivenciaram o dia a dia do Instituto de Pacas, são unânimes em afirmarem que foi a melhor de todas as administrações passada naquela casa. O Instituto sofreu uma grande metamorfose: de casa de correção, transformou-se em centro de educação.

Em 1972 foi convidado pelo prefeito José Augusto Ferrer de Morais, para assumir a Secretaria de Administração, vacante, pela renúncia do jornalista João de Albuquerque Álvares.

Após longos anos, longe da vida paroquial, não da vida pastoral, pois continuou exercendo seu apostolado continuamente, o Cônego Pedro Souza Leão, assumiu a paróquia de Cavaleiro, no município do Jaboatão dos Guararapes. Paróquia grande, ocupada por uma população carente de bens materiais e espirituais. O Cônego tinha à sua frente mais um desafio. Foram quase vinte anos de apostolado e de fidelidade ao Cristo e à Igreja. Nos últimos anos de vida, cansado e com a saúde precária, ficou preso a uma cadeira de rodas. Sem perder o ânimo continuou sua missão evangélica até ao final. No dia 20 de maio de 1991 foi acolhido por Jesus Cristo na casa do Pai.

Suas exéquias, presididas por dom José Cardoso, teve lugar na matriz de Cavaleiro, por ele construída. O sepultamento foi em sua terra natal.

Recentemente, em 2013, seus restos mortais foram transladados para a Matriz de Nossa Senhora da Glória, na cidade de Glória do Goitá.

Pedro Ferrer