A NATUREZA VIVA – por Marcus Prado.

O que será visto neste conjunto de obras de grandes mestres e pintores nascidos ou radicados em Pernambuco, mais do que pode parecer à primeira vista, são desejos, traçados, espaços e cores, por caminhos diversos, de apreender o visível que se encontra na essência da Natureza e o seu universo imaginário. Desafios e reflexões estéticas, multiplicidade de leituras sobre um grande tema que esteve no centro das discussões das artes desde a antiguidade até os nossos dias.

No conjunto, esta amostra coletiva A NATUREZA VIVA, numa época em que o patrimônio natural da humanidade acha-se ameaçado, tanto terrestre quanto aquático, nos dá a impressão de que cada autor esteve em harmonia com o Universo e suas esferas gravitacionais.

Marcus Prado – Jornalista

O “Robertinho do Recife” – @historia_em_retalhos.

Este é Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque, o “Robertinho do Recife”.

Se você não o conhece, Robertinho do Recife é considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, marcando o cenário da música nacional, desde a MPB até o heavy metal, além de ser compositor, produtor e arranjador musical.

Profissional de múltiplos talentos, a veia musical do artista, que carrega a sua cidade natal no nome, começou ainda na infância.

Aos 10 anos, a caminho de uma quadrilha junina, foi atropelado por um carro.

Passou dois dias em coma, colocou platina na perna e manteve-se quase um ano deitado, sem poder andar.

Neste período, começou a tocar, sendo logo apontado como um guitarrista prodígio.

Aos 12 anos, tocava até com os pés!

Daí em diante, a sua carreira não parou: acompanhou a Jovem Guarda, fez sucesso nos EUA e interpretou música clássica e heavy metal.

O auge da sua carreira aconteceu entre os anos 70 e 80, nos quais compôs inúmeros sucessos.

Com seu nome nos créditos de mais de 300 discos, como músico, compositor, arranjador ou produtor, Robertinho cravou o seu talento em canções que tiveram a sua assinatura sonora, como os sucessos de Fagner (“Revelação”) e Marisa Monte (“Ainda lembro”).

Após esse período, dedicou-se à produção de vários artistas, entre eles, Xuxa, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e o próprio Fagner.

Certa feita, quando indagado sobre a origem de tanta versatilidade, respondeu:

“Eu sou um liquidificador, pego tudo e misturo com minhas frutinhas lá do Nordeste”.

Este virtuose da música completa, hoje, 70 anos!

Parabéns e saúde, @robertinhoderecife!

A quem interessar, recomendo a série “Robertinho de Recife? Robertinho do Mundo!”, de Claudia André, disponível no Music Box Brasil.

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Ação do Rotary Clube pelas lentes de uma criança de 8 anos…..

 

Em ação articulada pelo Rotary Clube da Vitória a 42º Missão Humanitária, comandada pelo renomado Doutor Rui Ferreira, efetivamente, está promovendo  25 cirurgias em crianças que nasceram com algum tipo de deformidade ou incapacidade física. Essas intervenções estão ocorrendo no Hospital SOS MÃOS RECIFE – ontem (02), hoje (03) e amanhã (04). 

Lembrando que o inicio dessa ação teve seu start,  prático,  no  processo da triagem, iniciada, há meses atrás, na sede da própria instituição (Rotary), localizada no bairro do Livramento – aqui em Vitoria.

Entre tantos outros objetivos dessa verdadeira ação pela dignidade humana, que se propõe a transformar a trajetória de famílias inteiras, podemos dizer que a troca e o compartilhamento de experiências de todos os envolvidos – equipe médica, rotarianos e familiares dos beneficiados – se configura num a espécie de “lição única”, como  bem relator uma rotariana que, ao levar seu filho de 8 anos para conhecer de perto o trabalho e, ao retornar ao lar,  pediu-lhe para registrar suas impressões no papel, o mesmo escreveu uma verdadeira pérola, que bem representa o sentimento da ação, grafado pela voz do coração e pelas lentes puras de uma criança.

Aos rotarianos, à equipe médica e a todos os envolvidos na referida 42ª Missão Humanitária, nossos parabéns por mais esse empreendimento social, no sentido da chamada responsabilidade social.  

 

Vitória tem população de animais 11 vezes maior do que a de humanos!!!

Em recente Pesquisa da Pecuária Municipal, realizada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –  e publicado no G1,  o Brasil tem uma população, basicamente formada por bois, vacas, galinhas e frangos estimada em 1,8 bilhões de cabeças. É aproximadamente 9 vezes maior do que a sua população de habitantes humanos.

Ainda segundo a mesma fonte, a população de humanos da nossa Vitória de Santo Antão é de 134.110 pessoas. Não obstante nossa população, nas últimas décadas, paulatinamente,   haver migrado do campo à cidade, atualmente, segundo os números oferecidos pelo  IBGE 2022,  podemos afirmar que a população de animais do nosso município – morando no campo –  ainda é mais de 11 vezes maior  do que a de  seres humanos, ou seja: é de 1.489.552 (um milhão,  quatrocentos e oitenta e nove mil, quinhentos e cinquenta dois).

Para concluir, vejamos alguns números em detalhes:

Gado – 9.666

Galinha – 1.440.000

Porco – 4.997

Cabra – 2.359

ovelha – 3.317

Búfalo – 625

Cavalo – 961

Codorna – 27.607

Vida Passada… – Tito Rosas – por Célio Meira.

CÉLIO MEIRA

Nasceu, na pobreza, a 3 de janeiro de 1868, o menino Tito dos Passos, na cidade de Floresta, flor pernambucana do sertão requeimado,  debruçada à margem esquerda do rio Pajeú. E um dia, aos dezoito anos, o moço sertanejo dirigiu seus passos para o Recife, trazendo, no coração, a saudade do torrão nativo, e no espirito, cheio de idealismo,  o grande sonho de vencer, na jornada da vida. Desamparado dos ricos, desconhecido da sociedade recifense, e fazendo, da humildade christã, sua couraça, e dos sofrimentos, as armas abençoadas na refrega, começou Tito dos Passos de Almeida Rosas, conta o eminente Clovis Bevilaqua, sua batalha, dividindo o tempo entre os livros e os trabalhos penosos, que o iluminavam, e o elevavam, no conceito dos companheiros e dos mestres.

Concluiu os preparatórios no Ginásio Pernambucano, e matriculado na Faculdade de Direito, conquistou, em 1894, a carta de bacharel, e o prêmio de viagem à Europa. Pertenceu a turma de Bento Américo, o inimigo nº 1 dos verbos, e do Odilon Nestor, professor de renome, mais tarde, na mesma Escola, de Euzébio de Andrade, figura destacada na velha política de Alagoas, e de Turiano Campêlo, nobre figura de combatente, na imprensa do Recife.

Um ano depois de formado, alcançou, em concurso, uma cadeira naquela Faculdade, defendendo, ardorosamente, sua tese. E obteve, em 1904, a nomeação de professor catedrático e civil.

Advogado de cultura fulgurante, orador de linguagem polida, marchava, Tito Rosas, de vitória em vitória, quando o destino destruiu, malvadamente, numa tragédia, essa figura jovem de jurista e de filosofo.

Na manhã do domingo de carnaval, no ano de 1906, num minuto desgraçado de profunda agitação espiritual, Tito Rosas, aos trinta e oito anos de idade, cortou, com uma bala de revolver, o fio delicado da vida. Fugiu do mundo, o desventurado professor, e eminente causídico, pela porta tenebrosa do suicídio.

Floresta, a cidade sertaneja, não se deve esquecer do filho amado. Deve levantar, à sombra generosa dos tamarineiros, a herma do sertanejo eminente, ou dar, a uma rua, ou uma praça, o nome aureolado do mestre. Será essa a lição dos presentes às gerações do futuro.

Célio Meira – escritor

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reuno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

Vitória e o seu “mar de sangue”………

Cenas registradas por câmera de monitoramento, dando conta do brutal crime ocorrido na noite do sábado em nossa cidade, mais precisamente em um restaurante, localizado no bairro da Bela Vista, circulou pelo Brasil inteiro. Ou seja: além das redes sociais, o referido fato também foi manchete nos mais diferentes noticiários televisivos,  com programação  nacional. Mídia gratuita da nossa cidade, mas com conteúdo macabro. Efeito imediato da nossa incômoda e vergonhosa colocação no mapa da violência urbana. No ranking nacional, somos a 27ª cidade. E no estado de Pernambuco subimos no pódio na 2ª colocação.

Cabe-nos uma pergunta: de quem é a culpa? Ou melhor: quem são os culpados?

Sabemos que não existe solução fácil para problema complexo. A violência urbana no Brasil tem raízes profundas, mas também passa pela ausência contínua de políticas públicas eficazes. Tudo isso personificado na falta de seriedade do nosso corpo político: nacional, estadual e municipal.

Jogando luz na história recente da minha cidade – Vitória de Santo Antão -,nas últimas 4 décadas, poderíamos dizer que o “bolo administrativo”  local assim ficou dividido: 10% do tempo quem governou foi Ivo Queiroz. 30% o grupo vermelho e 60% o grupo amarelo.

No meu tempo de menino, adolescente, jovem e adulto, nas dinâmicas e  agitadas campanhas políticas,  era “moeda corrente”,  em discursos  inflamados pelos seus opositores,  nas praças públicas,  que “se um dia Aglailson fosse prefeito, Vitoria virava uma mar de sangue”.  

Foto – Jornal A VOZ ESTUDANTIL – ANO 1- Nº 7

Por uma infeliz coincidência, apenas para adorna historicamente a narrativa reinante da época, uma jovem foi assassinada em um dos  comícios realizados pelo então deputado e postulante ao cargo de prefeito, José Aglailson, na vibrante campanha de 2000. Mas o destino e os votos dos antonenses, mesmo assim, lhes fizeram prefeito pela primeira vez da sua terra.

É bom que se diga, na qualidade de deputado, que quase todos esses atores administrativos locais e seus respectivos familiares também desfilaram pelos corredores do Palácio do Campo das Princesas e esquentaram os assentos na Assembleia Legislativas do estado, para quem recai, constitucionalmente, a obrigação pela segurança pública.

Ironicamente, hoje (2023), a cidade que é comandada pelo prefeito Paulo Roberto, um dos elos  da engrenagem do grupo político amarelo e que historicamente mais tempo ficou no poder  nesses últimos 40 anos e que também calibrou o discurso eleitoral  do “mar de sengue”, caso o opositor ascendesse ao poder, agora, é  obrigado a conviver com esse indigesto título que Vitória ostenta, isto é: 27ª cidade mais violenta do País e a 2ª do estado de Pernambuco!!!

Noite do dia 14 de março de 2003 – @historia_em_retalhos.

Era uma sexta-feira e o magistrado Antônio José Machado Dias tomara uma decisão: dispensar a escolta que sempre o acompanhava, porque, naquele dia, iria sair do fórum de Presidente Prudente/SP diretamente para a sua residência.

Não sabia ele, mas esta seria a pior decisão de sua vida.

A cerca de 300 metros do fórum, na Rua José Maria Armond, o seu carro foi surpreendido por outros dois veículos.

O primeiro disparo dos criminosos atingiu o juiz na cabeça, fazendo com que ele perdesse o controle do automóvel e batesse em uma árvore.

Outros três disparos certeiros atingiram o então corregedor dos presídios do oeste paulista, aos 47 anos de idade, na cabeça, no braço e no peito.

A motivação do crime foi clara: era uma ação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o trabalho do magistrado, que atuava para desarticulá-la.

Este crime é considerado o primeiro ataque direto do crime organizado contra uma autoridade do Poder Judiciário no Brasil.

Cinco pessoas, todas integrantes do PCC, foram condenadas, inclusive Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Acreditem se quiserem, mas o mais surpreendente é que familiares dos integrantes do PCC condenados pelo assassinato do juiz foram premiados, recebendo imóveis após o crime, e ganhando, até hoje, uma pensão vitalícia da facção.

Após a morte de Machado Dias, vieram as execuções do crime organizado contra os juízes Alexandre Martins de Castro Filho, em Vitória/ES, e Patrícia Acioli, em Niterói/RJ.

A pergunta que nunca cala: até quando?

Até quando autoridades que lidam com a segurança pública neste país continuarão pondo as suas vidas em jogo?

Atentar contra a vida de um magistrado no exercício regular de seu cargo é atentar contra o próprio Estado Democrático de Direito.

Agradeço ao amigo @osvaldoloboj @osvaldolobojr, por nos ter trazido a sugestão do tema.
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Eunice de Vasconcelos Xavier: centenário do seu nascimento!!!

Em ação conjunta da família  “Vasconcelos Xavier” e do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória comemorou-se, no domingo (29), a passagem do centenário do nascimento da professora Eunice de Vasconcelos Xavier – presidente do nosso  Instituto Histórico por duas décadas (1990/2010).

O auspicioso acontecimento contou com programação religiosa, solene e festiva. A partir das 9h, missa na Matriz de Santo Antão. Às 10:30h,  Sessão Solene no Teatro Silogeu e,  logo em seguida, coquetel nas dependências da “Casa do Imperador”.

Antonense da “gema”, a professora Eunice nasceu no dia 03 de outubro de 1923, na Rua Joaquim Nabuco, 207 – bairro da Matriz. Estudou no Colégio Nossa Senhora da Graça e no mesmo educandário  iniciou suas atividades no magistério.

Católica fervorosa, durante muitos anos foi integrante da Pia União das Filhas de Maria. Com o doutor Aloísio de Melo Xavier, em 06 de outubro  1946, contraiu matrimônio e teve 06 filhos: Maria Eunice, Maria de Fátima, Maria da Graça, Frederico José, Gustavo José e Aluísio José. Ela Faleceu,  no Recife, em 27 de junho de 2015, mas encontra-se sepultada no seu torrão – Cemitério São Sebastião.

Em uma determinada quadra da sua vida, em função da profissão do marido (juiz de direito) e da priorização dos estudos dos filhos, mudou-se para a capital. Mas nunca deixou órfão sua terra da sua presença nas mais diversas ocasiões, inclusive mantendo aberta as portadas da sua casa  – Em Vitória de Santo Antão – até os últimos dias de vida.

De perfil conciliador, Dona Eunice viveu guiada pela voz do coração sem nunca haver perdido a lucidez,  nas oportunidades em que esteve nas encruzilhadas da vida. Foliã das mais animadas,  era uma espécie de  embaixadora do nosso Clube de Fado Taboquinhas e também foi homenageada com música, no desfile da Agremiação Saudade, composta por Aldenisio Tavares, em 2016. 

Além da figura singular, do exemplo de matriarca e da simplicidade com que viveu,  Dona Eunice nos deixa, para os próximos séculos, a beleza do seu cativante sorriso. Parabéns aos seus familiares pelo evento, configurando-se em  mais uma prova de sintonia da Professora Eunice com sua história antenone.  

 

Lembranças vitorienses em Nuremberg – Marcus Prado.

 

UM PROJETO há muito desejado: conhecer, na histórica cidade alemã de Nuremberg, localizada ao sul do país, a Albert-Durer-Haus, casa-museu onde viveu um dos mais notáveis artistas e gravadores do Renascimento, Albrecht Durer (1471-1528). Ao chegar ali, lembrei-me de imediato da bela edição do livro do Dante: A “Divina Comédia”, que li pela primeira vez na biblioteca do Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão. Trata-se de uma edição histórica, porque foi toda ilustrada pelo famoso pintor.

Ao chegar à casa de Durer, uma agradável surpresa me deixou maravilhado: a sala que se localiza no térreo abriga uma prensa de madeira (que pertencia ao pintor) semelhante à de ferro que existe hoje no museu do Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão. É uma relíquia histórica, do antigo jornal O LIDADOR, que poucas cidades possuem iguais no mundo. Durante os dias que passei nessa cidade, reservei um tempo para conhecer um dos mais encantadores museus da Europa, o Spielzeugmuseum. Os soldadinhos de chumbo mais famosos do mundo estão expostos nesse museu. São a maior atração. Ao vê-los, lembrei-me de imediato dos soldadinhos que meu pai comprava na loja vitoriense de Nabi Kouri, para me dar de presente.

MUITOS ANOS SE PASSARAM, o tempo levou para longe de mim os soldadinhos de chumbo que meu pai me dera, mas eles não saíram nunca da memória. Revejo-os agora, não iguais, mas parecidos, no museu de Nurenberg. Quase iguais àqueles que perdi na Rua das Pedrinhas, perto da casa de Isolda. (Era minha namorada, só na imaginação, ela nunca soube disso…).

A FONTE GÓTICA, apontada como a maior atração da cidade (que se destaca mundialmente como grande produtora de livros de arte), é de rara beleza. Ela me fez lembrar as duas fontes luminosas que existiam no passado vitoriense: das Praças Leão Coroado e do Rosário. Ambas, quando funcionavam, à noite, no meu tempo de menino, nos davam uma imensa sensação de prazer. Em Nuremberg ninguém ousa, sequer, tirar uma só gota de água de sua fonte famosa. Na minha terra, deixam as fontes luminosas secar e as luzes que nelas existiam estão para sempre na escuridão do tempo.

Marcus Prado – jornalista. 

Vida Passada… – Marechal Seara – por Célio Meira.

Célio Meira

Aos dezoito anos de idade, enamorou-se, Antônio Correia Seara, pernambucano, nascido no Recife, da vida agitada do soldado. Trocou, então, os livros por uma arma de fogo, e pelo sabre, e se alistou, cheio de esperança, conta ilustrado Sebastião Galvão, nas forças da “divisão de voluntários d’el –rei”. O Rei era d. João VI, o devorador de frangos. O tirano Luiz do Rêgo Barreto governava Pernambuco. E foi feliz, Seara, na carreira das armas.

Em 1823, era tenente, e às ordens de Pedro Labatut, para bem servir à corôa de Pedro I, expulsou, da Bahia, os portugueses. Percorreu, combatendo, os campos de Pirajá. Mereceu, ao regressar à terra natal, o posto de capitão. E em 1824, formado ao lado dos amigos e partidários do Morgado do Cabo, enfrentou Manuel de Carvalho Pais de Andrade, perseguindo os “carvalhistas”, armas à mão, no combate de Barra Grande, na terra alagoana. Foi, fiel ao Imperador, defendendo sua ideologia, um dos coveiros da Confederação do Equador, o sonho nativista, e malogrado, do poeta Natividade Saldanha e de Caneca, o frade carmelita.

E no ano seguinte, ostentava, nos punhos, os galões de major. Ganhara-os, bravamente, na luta ardente, e armada, derramando seu sangue. Mais tarde, sei anos decorridos, no posto de tenente-coronel, pelejou na Cisplatina. Enviou-o, o Pará, em 1843, à Câmara dos Deputados. Desembainhou sua espada, na Baia, servindo à Regência de Feijó, no desbaratamento da Sabinada. E, pouco tempo depois, ao lado de Caxias, por quem foi elogiado, narra Sebastião Galvão, ajudou a destruir a revolução dos Farrapos.

Descansava, no Rio de Janeiro, dos ásperos combates, quando rebentou, nas Alagoas, a revolução de 44, que apeou, do governo, o Bernardo de Souza Franco. À frente de sua tropa, venceu os rebeldes, na Vila de Anadia, reestabelecendo a ordem pública. Foi, informam historiadores, o pacificador da província alagoana.

Deu-lhe, o governo do segundo império, em 1852, o alto posto de marechal de campo. Conferiu, Pernambuco, no ano seguinte, ao valoroso batalhador, a representação, no parlamento. E três anos depois, alcançou o recifense Antônio Correia Seara a maior distinção, no exército da pátria. Foi promovido a tenente-general. Era a Glória. E bem merecida.

Nasceu o marechal Seara, no dia 2 de janeiro de 1802, e morreu, aos 58 anos de idade. Não o esqueceu a cidade do Recife. Gravou o nome do grande soldado pernambucano, na esquina rua um (1).

Célio Meira – escritor

(1) Transcrita na “Folha do Norte”, de Belém do Pará, edição de 11 de fevereiro.

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reuno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

59 anos da 1ª Vaquejada da Vitória – pelas lentes Inteligência Artificial.

Na sua mais recente crônica do “Projeto Corrida com História”, o historiador Pilako mais uma vez presenteia os leitores com uma viagem no tempo, trazendo fatos históricos contextualizados da cidade de Vitória de Santo Antão. Dessa vez, ele mergulha na memória da cidade para relembrar a primeira Vaquejada que ocorreu no espaço da Pista do Aeroclube, nos dias 24 e 25 de outubro de 1964.

A crônica de Pilako destaca a importância desse evento na história local, que reuniu amantes da vaquejada e proporcionou momentos memoráveis para a comunidade. É evidente que a Vaquejada representou um marco na cultura e nas tradições da cidade na época, e Pilako se dedica a resgatar essas lembranças para os antonenses.

No entanto, a crônica também traz uma nota de nostalgia ao mencionar que o local da primeira Vaquejada, a Pista do Aeroclube, hoje abriga uma escola estadual chamada CAIC. Isso mostra como a cidade passou por mudanças ao longo dos anos, onde um espaço antes destinado a eventos culturais e esportivos agora serve para a educação.

Ao compartilhar essas informações e lembranças, Pilako oferece aos habitantes de Vitória de Santo Antão um verdadeiro documento histórico sobre sua cidade, um registro valioso que permite que as gerações atuais conheçam e se conectem com o passado da cidade das tabocas. A crônica de Pilako é mais do que uma simples narrativa; é um mergulho no passado que ajuda a preservar a história e a identidade da comunidade.

Ismael Feitosa/ChatGPT

A bengala mágica de Francisco Brennand – por Marcus Prado.

A bengala de Jordão Emerenciano e o cachimbo de Gilberto Freyre eram apenas ornamentos de circunstância. Charme, devaneios de quem vivia exilado nos trópicos. Jordão era um Monarquista saudoso. Gilberto era “um anarquista no bom sentido”. Gênio. A bengala de Charles Chaplin (leiloada em Los Angeles, em 2012, pelo valor de US$ 90 mil), era um componente corporal da cena fílmica. O corpo e a bengala de Chaplin falavam, assim diria Pierre Weill, autor do famoso “O Corpo Fala”. Como a bengala inseparável de Winston Churchill. Era como o chapéu do Indiana Jones (não havia tiroteio que desmanchasse a sua aba irremovível); como a bengala luxuosa de Arsene Lupin; como o chapéu de Dom Quixote de La Mancha (não perdia o seu prumo, até diante dos Moinhos de Vento); como o chapéu e a bengala de Martin Heidegger (juntos até no exilio da Floresta Negra); como o chapéu de Santos Dumond, que voava com ele; como o chapéu-capacete de Safari inglês, (o Pith Helmet), de Gilberto Freyre, quando das suas pesquisas pelas colônias portuguesas na África; como o chapéu, de estilo clássico, de Luiz Delgado, até quando dava aulas na Faculdade de Direito. O chapéu de Robin Hood era inseparável dele, na lendária Floresta de Sherwood, como a bengala do famoso espião James Bond. Inesquecíveis são o chapéu e a bengala da pintora Geórgia O`Keeffe, na sua fase de encantamentos mais criativos, em Santa Fé (Novo México), hoje são peças de museu; ou como o chapéu de Augusto Lucena (ganhando ou perdendo eleições, não saia da sua cabeça). Finalmente, como o chapéu de abas largas e desalinhadas de James Joyce, e o chapéu de Plinio Pacheco, em Nova Jerusalém, montado no seu cavalo.

A bengala de Francisco Brennand tinha uma finalidade incomum, única, singular, quando as suas peças saiam do forno cheio de calor, raios e incandescências. Ouvidos atentos do criador, o toque sutil da parte extrema da bengala sobre a superfície plana da cerâmica era determinante para saber, com exatidão, sobre a qualidade final, a autonomia da peça. Se, no forno, alcançara o seu efeito plástico final. Tive a curiosidade de fotografar, em câmera lenta, esse “ritual”, um atributo visto, apenas, nas oficinas dos sábios artesões.

Francisco tinha o hábito de dar passeios diários pelas salas das esculturas, na Várzea. Ao passar por cada peça, nova ou antiga, filha do barro e do fogo, fazia o “teste de qualidade” com o uso do seu termômetro mágico. Fazia-me lembrar do Edmund Husserl citado por Gilles Deleuze (“Lógica do sentido”) quando infere um Ver e Ouvir originários transcendentais a partir da “visão” perceptiva. Nada perturbava Brennand nessas horas. Assim como ele sabia ler as cores, era íntimo na rotina dos sons e suas magias. Brennand não teria, homem da Várzea do Capibaribe (a mais bela do Recife), o mesmo prodígio de Michelangelo quando terminou a escultura do seu “Moisés”. Brennand nunca exclamaria diante de sua escultura: “Parla!” Não era a perfeição o que ele queria, muitas peças ficaram e permanecem partidas. Tudo em Brennand era magia, um conjunto de singularidades, exercício do inconsciente que exprime o que designa. A bengala era instrumento de medição acústica.

Num retorno à Oficina de Francisco Brennand, na Várzea, quando da recente reabertura do seu Museu, não vi mais essa bengala. Soube que, no dia da sua morte, a filha Neném Brennand guardou-a para a cerimônia do adeus. “Fiquei com ela em casa, por algumas horas. Só pensando no momento de entregá-la nas mãos dele de novo Se foi com ela, virou chama e no fogo suas ondas sonoras se confundiram com os cânticos de Deus”.

Marcus Prado – jornalista 

Esta é Clarice Herzog – por @historia_em_retalhos.

Ela é a Clarice que chora no verso do clássico “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc.

No trecho, os compositores citam as viúvas Maria, mulher do operário Manuel Fiel, e Clarice, esposa do jornalista Vladimir Herzog, brasileiros assassinados nos porões do DOI-CODI (órgão de inteligência e repressão do governo militar, subordinado ao Exército).

Em 25 de outubro de 1975, há 48 anos, Vladimir Herzog era torturado e morto pela ditadura militar brasileira, tornando-se um triste símbolo das atrocidades cometidas naquele período da história do Brasil.

Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura, tendo se apresentado voluntariamente para prestar depoimento no DOI-CODI.

No dia seguinte, foi encontrado morto em uma cela, tendo os seus algozes afirmado que ele teria retirado a própria vida.

Na época, era comum que o governo militar divulgasse que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam perecido por “suicídio”, fuga ou atropelamento.

Conforme o laudo expedido pela polícia, Herzog enforcara-se com uma tira de pano, a “cinta do macacão que o preso usava”, amarrada a uma grade a 1,63 metro de altura.

Ocorre que o macacão dos prisioneiros do DOI-CODI não tinha cinto, o qual era retirado, juntamente com os cordões dos sapatos, conforme a praxe daquele órgão.

No laudo, foram anexadas fotos que mostravam os pés do prisioneiro tocando o chão, com os joelhos fletidos, posição em que o enforcamento seria impossível.

Foi também constatada a existência de duas marcas no pescoço, típicas de estrangulamento.

Depois do AI-5, o ato inter-religioso pela morte de Herzog foi a primeira grande manifestação de protesto contra a ditadura militar, reunindo milhares de pessoas na Catedral da Sé, em SP.

Em 2012, o seu registro de óbito foi retificado, passando a constar que a “morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército – SP”.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por negligência na investigação do assassinato do jornalista.

Para muitos, a morte de Vladimir Herzog inaugurou o início do fim da ditadura no Brasil.

Ditadura NUNCA mais.
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Para Vitória – Paulo Câmara e Raquel Lyra – 6 por meia dúzia….

Com a chegada da nova gestão ao Palácio do Campo das Princesas, a partir de janeiro do ano em curso (2023), de maneira geral, os números da violência em Pernambuco não arrefeceram. Se antes, na gestão comandada pelo PSB, o  alardeado Pacto Pela Vida já andava desidratado e anêmico, hoje, não temos seque uma nova receita pronta.

Em se tratando de violência – todos os dias –  os noticiários da grande imprensa pernambucana não são animadores. Recentemente, entre outros casos,  ganharam destaques  à execução na cidade de Camaragibe e o assassinato do magistrado em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, ambos na Região Metropolitana onde, como bem sabemos,  existe um melhor policiamento.

Não existe vida mais importante que outra. Cada ser humano é um universo em miniatura. Mas convenhamos que em alguns casos, em função  da representação social exercida,  o simbolismo seja maior. Ou seja: todos estão vulneráveis à violência urbana.

Meses atrás, a Governadora Raquel Lyra percorreu as muitas Regiões do estado promovendo um determinado  evento (programa) que ganhou o nome de “Ouvir Para Mudar”. Nessa formatação, em que procurou-se “tomar conhecimentos dos maiores problemas regionais e locais”,  por assim dizer,  os eventos ocorreram nas maiores cidades, cada qual nas suas respectivas regiões.

O curioso é que na Região da Mata Sul,   na qual  Vitória de Santo Antão é a locomotiva em todos os quadrantes, inclusive na representação política, a mesma foi ignorada, isto é:  o local escolhido para sediar o evento foi o município dos Palmares.

Lembremos: em Vitória o prefeito é aliado da governadora. Temos uma deputada federal e três deputados (estadual).

Mesmo que  não tivéssemos uma representação política robusta, até pelos índices negativos que “ostentamos”, tais quais: a 2ª cidade mais violenta do estado, problemas crônicos no abastecimento de água (COMPESA tem uma ótima arrecadação e um péssimo investimento em melhorias), delegacia sucateada, PE vergonhosa e tantas outras demandas, imagino que  a governadora, Raquel Lyra, nessa escolha, tenha  se equivocado no calculo ao promover o seu “Ouvir Para Mudar” –  na Região da Mata Sul  – na cidade dos Palmares.

Para concluir, outra curiosidade: nem prefeito, nem deputada, muito menos deputados se pronunciaram sobre essa desfeita com a nossa cidade,  promovida pela Governadora Raquel Lyra. Até parece que, para Vitória,  a atual gestão estadual é uma continuidade do governo  Paulo Câmara…….

As festas de Halloween – por @historia_em_retalhos.

Por que as festas de Halloween estão apagando o folclore nativo brasileiro?

Ao contrário do que muitos pensam, a festa de Halloween não nasceu nos Estados Unidos, sendo levada para o país por imigrantes irlandeses.

Segundo a maioria dos historiadores, a festividade teria origem celta e surgiu a partir de comemorações em homenagem aos mortos (“Samhain”).

Todavia, não há dúvidas de que foi na terra do Tio Sam que a celebração massificou-se pra valer, tornando-se uma das festas mais tradicionais da nação e espalhando-se pelo mundo.

Faço eu, porém, a seguinte indagação: por que uma festividade de evidente tradição anglo-saxã, nitidamente exógena à nossa cultura, tem ganho cada vez mais espaço no Brasil?

A história explica.

Em verdade, a partir da Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a sofrer uma fortíssima influência da cultura norte-americana.

Por meio dos filmes e séries, o padrão de consumo e o chamado “sonho americano” foram introjetados na vida dos brasileiros.

Passou-se a imitar os hábitos e os modos de vestir e falar, mesmo que inconscientemente.

Neste contexto de sobreposição cultural, lamentavelmente, figuras do nosso folclore, como o saci-pererê, estão sendo paulatinamente apagadas de nossas tradições.

Dificilmente, uma criança brasileira, hoje, sabe discorrer sobre a mula sem cabeça, a Comadre Fulozinha ou o Curupira, mas é incentivada desde muito cedo a fantasiar-se de preto para reproduzir uma comemoração que jamais teve relação com a identidade cultural nacional.

Não se trata de fechar as portas para uma influência cultural estrangeira.

Absolutamente.

Trata-se de opor-se a um indesejável processo de asfixia cultural.

Sabiamente, em 2013, foi aprovado o projeto de lei n.º 2.479, que estabeleceu o dia 31 de outubro como o “Dia do Saci”.

A escolha da data não foi por acaso.

O objetivo foi justamente contrapor-se ao Halloween, visando reduzir a supervalorização dos elementos culturais estrangeiros e resgatar o folclore e a cultura popular brasileiros, resguardando os seus mitos, tradições e histórias.

Nada contra as bruxas, mas, sinceramente, desejo mais sacis-pererês a este país! 🙌🏼
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Efetivo do nosso Tiro de Guerra visitou o Museu do Instituto Histórico.

Em visita programada, na manhã de hoje (23), a diretoria  do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão abriu as portas da Casa para receber o efetivo do nosso Tiro de Guerra.

Comandados pelos Instrutores Sub Tenente Wagner e Sargento Valente, cerca de 80 atiradores  puderam desfrutar da visita ao Museu da Casa do Imperador.

Na ocasião, inicialmente,  o grupo assistiu ao filme institucional para só depois circular nos mais diversos espaços da casa. Além das muitas informações históricas, na medida do possível, também procuramos estabelecer “pontes de ligação” da Vitória do presente com os fatos históricos mais longínquos e relevantes.

Ao final da visita, pudemos perceber no semblante dos jovens soldados uma mistura de surpresa e satisfação. Surpresos  pelo fato de muitos deles desconhecerem, até então, o rico acervo da Casa do Imperador. E satisfeitos pela oportunidade criada pelos instrutores do Tiro de Guerra de estarem  vivenciando  um momento marcantes em suas respectivas histórias de vida.

 

Academia de Letras comemorou a passagem dos seus 18 anos de fundação.

Em noite dedicada à Literatura de Cordel, comemorou a AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência – a passagem dos seus 18 anos de fundação. O evento comemorativo ocorreu na noite do sábado (21) nas dependências do Instituto Histórico –  Teatro Silogeu José Aragão. 

Bem prestigiada, a solenidade contou com a presença de parcela representativa dos acadêmicos (imortais), representantes das autoridades e públicos em geral.

Sob a liderança do seu presidente, professor Serafim Lemos, o encontro cultural contou com palestras, homenagem, condecorações e apresentações culturais. Na ocasião, a figura da ex-presidente da entidade (AVLAC), professora Severina Andrade de Moura, foi alvo de bonita e emocionante homenagem póstuma.

Futebol e Política: Vitória continua sem o Estádio Carneirão……

Se bem observado,  o contexto futebolístico é bem parecido com o político. Nesses dois “caldeirões” – futebol e política -, aos quais, entre outros,  são adicionados ingredientes de fidelidade, fé e superação,  quase sempre na busca da incondicional  e cega emoção,  desprezando a tão desejada razão, podemos dizer que o povo (torcedor)  brasileiro, de maneira geral, é feliz! Até porque somos o País do futebol e dos “expoentes” políticos:  Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

Pois bem, recentemente, em suas redes sociais o prefeito da Vitória, Paulo Roberto, postou vídeo realçando o bom desempenho no campeonato pernambucano de uma das equipes da nossa cidade. Detalhe: ele estava na moderna Arena de Pernambuco que fica na cidade de São Lourenço da Mata.  Antes, porém, devemos dizer que o Paulo tem ligação antiga com o futebol.

Ao assistir o referido vídeo, de maneira imediata e imaginária,  o mesmo transportou-me  para um tempo (não muito distante)  vivenciado em  nossa terra. Nesse determinado recorte temporal governava a nossa cidade o então prefeito José Aglailson, o  autointitulado  “Zé do Povo”.

Nessa passagem à qual me refiro, entre outras, dava conta da polêmica do time de futebol profissional local sendo obrigado a treinar e jogar em outras cidades,  justamente pelas  dificuldades “criadas” pelo então gestor do município. De quebra, essa polêmica latente  ainda jogava “gasolina” no já tão incendiário espaço político da nossa pólis. Nesse período, o Paulo Roberto já acalentava o sonho de ser prefeito da nossa cidade.

Ainda raciocinando no tempo pretérito, com efeito,  o mais inocente e pessimista “torcedor” do grupo amarelo ou mesmo o mais truculento e canino eleitor do grupo vermelho, naquela ocasião, nunca poderia imagina que um dia iria testemunhas o Paulo Roberto, na qualidade de prefeito, torcendo e vibrando pelo time da Vitória de Santo Antão que ele viu nascer, nas arquibancadas de um estádio de futebol de outra cidade,  justamente por falta de um estádio na nossa:  nesse caso,  o velho e histórico Carneirão.

Para concluir, arrematemos: se no tempo do Zé do Povo o problema se dava no contexto político/administrativo, hoje, com o Paulo Roberto sentado na cadeira de prefeito,  o problema é real, ou seja: não temos um estádio de futebol.

Continuemos, de boa fé,  torcendo e se alimentando dos ingredientes produzidos por esses dois caldeirões: futebol e política…..