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Momento Cultural: JÁ QUE TE FIZ SOFRER – por Heitor Luis Carneiro Acioli

MEU JEITO - Em versos e prosas - HEITOR LUIZ CARNEIRO ACIOLI

Que crueldade fiz a ti! É imperdoável o que te fiz. Mas “minha fada”, não me deixe! Prometo os sete mares velejar para pôr um fim naquilo que te faz sofrer. Se te fiz algo errado, perdão e volta pra mim! Vou até o fim do mundo pra me redimir contigo.

Se quiseres que eu extinga minha vida, farei sem problemas, afinal é o mínimo que posso fazer, já que te fiz sofrer.

(Meu jeito em versos e prosas – Heitor Luis Carneiro Acioli – pág. 03).

UM CERTO DOMINGO

Um certo domingo, corria o ano de 2010, eu assistia a uma reprise do Conexão Internacional, quando apareceu o jornalista e escritor carioca Carlos Heitor Cony, sendo entrevistado por Roberto D’Ávila.

Engraçado, disse simpatizar os cínicos, desde Sócrates a Machado de Assis e Jean-Paul Sartre. Disse que há uma diferença entre o escritor e o cronista. O escritor vive no fundo do mar, e o cronista, no aquário. O escritor tem de traçar seu caminho para ser notado, o cronista vive na vitrine. E acabou citando uma frase de Rabelais: “Não tenho nada, devo muito, o resto dou pros pobres.”

Ainda vi, neste programa, o físico Marcelo Gleiser dizer que “A terra pode ficar perfeitamente feliz sem a gente, mas a gente não vive sem a terra.”

Dá para esquecer semelhante domingo há 17 anos?

Dominical abraço!

Sosígenes Bittencourt

Pernambuco 2017: um carnaval marcado pelo “terrorismo doméstico”.

Não obstante nosso País continuar mergulhado numa agenda negativa desgraçada, sobretudo no que diz respeito ao aperto financeiro em que a população ficou submetida, com números de desempregados batendo recorde, o carnaval, como sempre, atua como uma espécie de bálsamo à dura e triste realidade do povão. Não à toa, comenta-se que no Brasil o ano só começa pra valer, na segunda-feira,  após o carnaval. Aliás, hoje, segunda-feira, dia 06 de março, a propósito, seria o “dia primeiro de janeiro” de 2017, particularmente,  para nós brasileiros.

Pois bem, com queda na venda de cerveja e aumento na venda de aguardente e bebidas mais baratas, apenas se comprova que a música  (Eu Brinco ) de Francisco Alves nunca esteve tão atualizada – “Com dinheiro ou sem dinheiro Eh eh eh eh eu brinco”

Nos três grandes polos carnavalescos do País – Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco – tivemos histórias diferentes. No grande palco da Sapucaí, observamos alguns problemas de ordem  estrutural. Já com relação ao carnaval de rua da Cidade Maravilhosa, o público superou todas as expectativas, em alguns casos, segundo informações de jornais, houve aumento de foliões muito acima do esperado. Em Salvador a mídia do “carnaval sem cordas” criou um novo cenário, no entanto,  na minha modesta opinião, não deve prosperar por conta da dificuldade do turista “comprar” a ideia.

No que diz respeito ao carnaval participativo e mais democrático do Brasil, o Carnaval Pernambucano, podemos dizer que apesar da sua história e da sua tradição, em 2017, recebeu um “golpe” fortíssimo, justamente daqueles que por finalidade deveriam zelar e protegê-lo. Falo da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiro e dos políticos que fazem oposição ao Governador Paulo Câmara.

Se beneficiando do clima violento que sacudiu o Brasil, logo nos primeiros dias do ano, face à eclosão de rebeliões em presídios, nas mais variadas localidades do país, em Pernambuco, orquestrou-se um movimento para “encurralar” o Governo do Estado,  que teve como mote o aumento dos soldos dos militares.

Utilizando-se das redes sociais, nas mais diversas plataformas, construiu-se um canal de boatos e se espalhou falácias, multiplicando assim, a sensação de insegurança, para se chegar aos caos desejados. Deve-se ressaltar: uma coisa é segurança. Outra coisa é sensação de segurança. Duas coisas distintas que a população, incauta, não consegue distinguir com clareza razoável.

Pois bem, foi nesse contexto que aconteceu o carnaval de Pernambuco. Somando-se à crise financeira real, tivemos como resultado o esvaziamento dos principais focos da folia no estado. Às vésperas do Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do Mundo e principal cartão postal do nosso Reinado de Momo, falava-se em “greve da polícia”. Na cidade Patrimônio da Humanidade (Olinda), famosa pelo seu carnaval, carregado de história e criatividade, após a festa, um saldo negativo de público foi anunciado.

Na nossa Vitória de Santo Antão, onde se produz carnaval há mais de um século,  com esmero e devoção, a crise financeira e o “terrorismo doméstico” também golpeou, com força,  a nossa festa de momo.

Como já falei, em virtude da falta de sensação de segurança, uma parcela expressiva de pessoas,  com intenção de brincar e se divertir, ou mesmo apenas acompanhar – na qualidade de “folião olhante”,  ficaram com medo e, por cautela,  se ausentaram do foco folia.

Em contra partida, o clima de “cidade sem polícia”, certamente desencadeou  nos “valentões de plantão”uma euforia nunca vista, criando assim, o ambiente desejado para aqueles maus pernambucanos que planejaram “destruir” a festa de momo, justamente no ano do Bicentenário da Revolução Pernambucana, data emblemática para o nosso estado e consequentemente para o nosso carnaval.

É triste, mas é real. Por incrível que pareça, esse ano, o carnaval de Pernambuco foi “minado” pelo “terrorismo doméstico”. Como Vitória não é uma ilha, também sofreu suas consequências. O Governador Paulo Câmara, deveria responder com a autoridade que lhe cabe, sair da sua inércia perene e fazer do limão uma limonada. Mostrar que na sua caneta EXISTE TINTA,  para punir os “terroristas” e revelar aos pernambucanos os nomes dos políticos que faz oposição ao estado de Pernambuco.

Para encerrar gostaria de dizer, contudo, que fica o registro, sobretudo para os que observam mais um pouco,  que nossa sociedade é pobre de entendimento. Que o respeito é algo sublime. Fica, portanto, uma mancha, uma nódoa na história daqueles que deveriam construir e, ao invés disso, tentaram provocar o caos e pulverizar desordem…..

A Praça Leão Coroado é um marco do primeiro sonho de liberdade concreto das Américas!!

Hoje, 06 de março de 2017, comemora-se o Bicentenário da Revolução Pernambucana. Para nós, filhos da “Terra dos Altos Coqueiros”, sobretudo para os que conhecem um pouco mais sobre sua história, é motivo de alegria e de muita reflexão.

Se há duzentos anos, os motivos pelos quais que deflagrou o referido movimento libertário, resguardando-se a historicidade para que não cometamos o chamado anacronismo histórico, entre outros, foi a exorbitante carga tributária, cobrada pelo Coroa Portuguesa, aos provincianos de Pernambuco, para segura o alto padrão de vida da corte, sob o deleite do Rei Dom João VI e os seus protegidos, hoje, dois séculos depois, continuamos a produzir riquezas para enriquecer outras corjas, não menos escrotas.

Deixamos o regime colonial, passamos pela monarquia e adentramos na República, a partir de 1889. Mas, aquilo que conceituou o intelectual Sergio Buarque de Holanda, em uma das suas obras – Raízes do Brasil – lançada em 1936, continua sendo a coluna vertebral da sociedade brasileira, ou seja: “O Homem Cordial”.

Comemoremos, então, o feito dos pernambucanos. Primeiro movimento libertário efetivo de todas as colônias portuguesas. Setenta e cinco dias de uma república nova, idealista e que viveu seu sonho de liberdade. Viva! Aos nossos irmãos que derramaram seu sangue na busca da tão sonhada JUSTIÇA SOCIAL.

Na nossa cidade, Vitória de Santo Antão, nesse contexto, a Praça Leão Coroado é o marco que mais representa a Revolução Republicana, ocorrida em 06 de março de 1817. Construída em 1917, pelo  prefeito  da época, Eurico do Nascimento Valois, para marcar o então Centenário do evento, hoje,  a nossa praça e,  consequentemente sua  escultura, deveria ser o ponto de convergência de toda comunidade antonese.

Viva! José de Barros Lima – o Leão Coroado – e a todos aqueles que levantaram a sagrada bandeira da liberdade!!

Carnaval alongado na Vitória de Santo Antão.

No final de semana, após o carnaval, pelo menos uma dezena de agremiação carnavalesca na nossa Vitória de Santo Antão, esticaram o reinado de momo. Em bairros distintos, aqui e acolá, a festa rolou.

Na tarde do domingo (05), por exemplo, registramos a passagem da agremiação carnavalesca “Ricos Por Um Dia”, pelo Pátio da Matriz. Animados por uma orquestra de frevo a turma desfilou animada. Veja o vídeo:

Aliás, prévias e carnaval antes do calendário oficial, esse anos (2017), foram em abundância. A propósito, no próximo final de semana ainda tem folia na terra de José Marques de Senna.

Momento Cultural: A Alvorada – POR GUSTAVO FERRER CARNEIRO

Gustavo Ferrer Carneiro

O sol se descortinava na praia
Brilhando em meus olhos
Caminho só
Ar imóvel, quente
Vento assobiando ardente
Com o som da minha respiração
Um monte de pensamentos
Um toque agudo sibilante
Suspirando com prazer
O nascer de um novo dia
Uma alvorada arredia
De momentos de introspecção

Um aroma gostoso de terra molhada
Ou maresia,
Um delicada lua ornamentando o amanhecer
Em uma fantasmagórica poesia,
Plenitude
O vento zunindo
Um sentimento de dignidade
Uma visão do encanto
Insondável graça no rosto
No perplexo momento
Da percepção da vida.

O que ele diz
estará dentro do seu peito
Todo tempo
Para sempre…

Seja longe, seja perto
Não sabemos o exato, o correto
Para tudo tem um tempo

Mas quando será esse tempo certo?

(MOSAICO DE REFLEXÕES – GUSTAVO FERRER CARNEIRO – pág. 14).

VIOLÊNCIA NO CARNAVAL DE VITÓRIA – PE

Não seria de estranhar violência no Carnaval de qualquer cidade que se embriaga, ouvindo música que trata a mulher como objeto sexual. Uma “lapada na rachada”, ou seja, a comparação do coito com uma carnificina. E a mulherada põe óculos escuros, mira o smartphone e se requebra para o mundo, como se estivesse num céu aberto. É o culto à“bundomania” nacional com o quadril em rotação sexual. Os decibéis são ensurdecedores para ninguém ter que parar para pensar. Éproibido sofrer, e refletir sobre o que se está fazendo, pode suscitar constrangimento. Nada é feito para espantar a tristeza, mas paraescondê-la.

Este discurso parece preconceituoso e de cunho moral, com ressaibos de puritanismo, mas não é. Pergunte a uma senhora que perdeu o seu filho, e ela responderá: “Eu disse tanto a meu filho que deixasse essa vida. Coração de mãe não se engana.”

No tempo de eu menino, havia um ditado que concluía: Por trás de toda desgraça do mundo, há três coisas, e, às vezes, as três juntas:dinheiro, bebida e mulher.

Eu acrescentaria que não são as três coisas em si, mas a maneira comoaprendemos a lidar com elas.

Misericordioso abraço!

Sosigenes Bittencourt