O Tempo Voa: Farmácia Popular (1927)

Foto: acervo pessoal de Tadeu Prado

Recebemos do amigo Tadeu Prado, uma contribuição para a coluna O Tempo Voa. Confira o seu comentário:

É com imensa satisfação que, a partir de hoje – e se for da vontade de todos – sempre uma vez por semana, início o envio para a coluna O Tempo Voa, de fotos da antiga Vitória de Santo Antão, contribuindo com esse espaço democrático que é o Blog do Pilako. Nessa minha primeira postagem O FARMACEUTICO NESTOR DE HOLANDA, SUA FILHA MARTA DE HOLANDA COM AUXILIARES DA FARMÁCIA POPULAR, EM 1927. Velhos tempos… Belos dias!! – Tadeu Prado

Momento Grau Técnico Vitória

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Vitória de Santo Antão: “NOTA ZERO EM TRANSPARÊNCIA”.

No caderno de Política do Diário de Pernambuco, do último final de semana (10 e 11), nossa cidade, Vitória de Santo Antão, contabilizou mais um vexame. Desta feita, recebendo NOTA ZERO no quesito TRANSPARÊNCIA governamental. A avaliação e constatação de que a Lei aqui não é cumprida foi da 3ª edição da Escala Brasil da Transparente (EBT).

Por dever de justiça devemos dizer: “o levantamento foi realizado entre junho e dezembro de 2016”. Ou seja: sob a égide da gestão anterior. Mas, independente de qualquer coisa, na atual gestão municipal, comandada pelo prefeito Aglailson Junior, nos que diz respeitos às informações obrigatórias por Lei, a “escuridão” e a “opacidade” permanecem. Para tal constatação basta acessar a nova página oficial da prefeitura e verá que informações básicas continuam indisponíveis ao cidadão comum.

Entre os critérios avaliativos pesquisados estão a transparência passiva, o tempo de resposta, assim como à veracidade das mesmas. O curioso disso tudo é que a Lei, que obriga os órgãos públicos disponibilizarem  todas as informações na internet, já existe desde 2012, ou seja: HÁ CINCO ANOS.

Não podemos imaginar que toda essa “legião de estrangeiros”, que compõe o secretariado da atual gestão, ganhando salário de R$ 10.000,00 por mês, comadados pelo prefeito,  sejam “bobinhos” ao ponto de não saberem seus deveres e suas obrigações, na qualidade de gestores públicos.

Outra coisa que devemos destacar é que a “nova” gestão – há seis meses no comando da cidade – vem mantendo o mesmo ritmo administrativo do governo anterior, ou seja: “Esta tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

Reprodução

Não custa nada lembrar que dois terço do eleitorado local, no último pleito, hipotecou sufrágio pela descontinuidade da gestão anterior, cabendo, portanto, ao atual chefe do executivo uma espécie de autocrítica no rumo administrativo. Hoje, ainda há tempo e um pouco de “humor” aos eleitores. “Amanhã”, o tempo já evaporou e no que diz respeito ao humor, dar-se-á a mesma coisa.

Concluo essas linhas dizendo que nossa cidade, no tempo pretérito, sob o comando do prefeito José Aragão (1942 a 1944), além de outros bons exemplos administrativos, foi uma referência no quesito TRANSPARÊNCIA. Valendo salientar: sem leis ou quaisquer outras imposições, apenas regido pelo dever da consciência cívica e pelo respeito aos munícipes. Aliás, no seu tempo, internet nem na ficção existia.

Portanto, segue, abaixo, registros de jornal com publicações – mês a mês-  das atividades financeiras da nossa prefeitura. Tudo isso há setenta anos. Apenas uma pergunta: ao longo do tempo, mesmo com incontáveis avanços tecnológicos, no quesito transparência,  Vitória avançou ou  ou andou para trás?

Com a presença do Monsenhor Maurício, 2º Encontro da Vaqueirama homenageia o vaqueiro Bosco.

Aconteceu na manhã do domingo (11) o 2º Encontro da Vaqueirama, promovido pelo amigo  Jorge de Cecé. Esse ano o evento prestou uma justa homenagem ao vaqueiro Bosco, recentemente falecido. Sintonizado com tudo e com todos, no que diz respeito ao ofício de evangelizar, o Monsenhor, Maurício Diniz, que também é vaqueiro e principal articulador do evento do mesmo gênero, que ocorre lá no Engenho Bento Velho, marcou presença para dá um tom solene a festa.

Com o faro do bom repórter, credencial indispensável para quem labutar na arte de se comunicar com as massas, José Sebastian registrou o momento em que o pároco, Maurício Diniz, conduziu o encontro. Desde já, portanto, agradeço ao amigo e sempre aposto, José Sebastian, pelo envio do registro histórico. Veja o vídeo:

MOMENTO CULTURAL: Estou Quase me Entregando – STEPHEM BELTRÃO‏

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Estou quase me entregando
Saindo do banheiro de toalha
Caminhando de cueca pela casa
Tomando café em copo
Fazendo barba com navalha.

Achando que ciúme é amor
Trocando cega por surda
Levando tapa e achando graça
Achando que pasto é pastor
Andando descalço na praça.

Dormindo com chupeta
Usando meias listradas
Tomando banho com paletó
Confiando no fim do mundo
Bebendo cerveja na calçada.

Invejando os defeitos dos outros
Jogando no Pernambuco dá Sorte
Trocando a noite pelo dia
Roubando doce da boca de criança
Achando que está chovendo pra cima
Acreditando que tristeza é alegria.

Weverton Fagner: “CONTINUAR A VIDA”.

A cidade da Vitória de Santo Antão está em festa. O sabor da conquista sempre será mais intenso no paladar daqueles que vivenciaram os piores momentos.  Por mais que a realidade se apresente de maneira dura e cruel é a duvida nos passos futuro que nos consome, que nos enche de inquietação e amargura.  O retorno do Jovem Weverton Fagner à vida normal, assim como o sentimento de dever cumprido dos seus pais, é algo que nos sugere refletir sobre o sentido da vida. Daquilo que fazemos com o tempo que nos é ofertado para escrevermos nossa própria história.

O dia 8 de julho de 2017, no meu modesto entendimento, deveria ser marcado no calendário antonense como uma data especial. Desde as primeiras noticias até o dia de ontem (08), acredito que a nossa Vitória de Santo Antão – nos seu quase quatrocentos anos de história –  nunca havia  vivenciado um momento  coletivo  tão bonito  e edificante,  uma trilha real com começo (triste), meio (união) e fim (final feliz). Aliás, digno de um filme de longa metragem.

Revirando meus arquivos encontrei um vídeo, gravado no Pátio da Matriz, com o amigo Bira – pai do Weverton – onde o mesmo, apesar da difícil situação em que estava passando, realçou a beleza do momento. Naquela ocasião (inicio dos movimentos) se disse surpreso com o volume que a corrente solidária já havia alcançado. De maneira muito equilibrada e sensata expôs os objetivos das ações e, na qualidade de homem de fé, emocionado, colocou tudo nas mãos de Deus. Veja o Vídeo:

Hoje, dois anos depois, os envolvidos, direta ou indiretamente, estão emocionados e contentes. A senhora Maria Rodrigues, ao tentar retratar o auspicioso momento que está vivenciando, na qualidade de mãe do Weverton, disse: “o coração da mãe está explodindo de alegria”.

Aos vinte anos o jovem Weverton Fagner começa viver uma nova fase da vida com  muitos desafios e inúmeras incertezas, tanto quanto outros jovens da mesma idade. A vida não é fácil para ninguém. Dele, não podemos cobrar nem mais nem menos. É vida que segue. Aliás, ao ser questionado sobre o futuro, ele foi objetivo, afirmativo e perfeito: “CONTINUAR A VIDA”. Para quem esteve no fio da navalha, isso é tudo!!

Mataram Pernambuco?

Perdoem-me a dúvida, mas é que estamos ainda sentindo o calor das fogueiras juninas, e pouco estamos vendo da alma pernambucana.

Explico: desde criança, aprendemos a admirar o nosso estado, Pernambuco, pela sua história, suas tradições e seus ritmos; ouvimos cantar Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marines, Dominguinhos, Assizão e tanta gente boa que tomou em seus ombros a responsabilidade de perpetuar o nosso estado por meio do que nos diferencia e nos torna uma “nação” dentro de outra nação: nossa cultura!

Pude como milhares de crianças, adolescentes e adultos, dançar quadrilha, mas quadrilha mesmo (sem esses invenções de hoje que mais “caricaturizam” do que preservam), dentro de uma cadência “equilibrada”; pude ver casas decoradas, famílias inteiras se remexendo ao som de verdadeiros ritmos juninos, inclusive, e fundamentalmente, decentes. Creditava-se e vivia-se o melhor! Vivia-se a alma pernambucana!
Então, de olhos no passado, ainda recente, por que a minha dúvida? Pelo que se ouve e se vê atualmente; hoje, o São João tornou-se um produto de mídia: temos músicas que, de juninas, não têm mais nada, mas, o que as rádios e emissoras de televisão colocam para à sociedade é como se o fossem. A Pornofonia, a má qualidade. o barulho idiota das baterias, tomou o lugar da beleza, do singelo, da tranqüilidade!

O que sempre foi uma festa familiar, com fortes elementos religiosos, até porque se comemora um grande santo: São João Batista aquele que batizou Jesus Cristo, agora é quase pornofônica, diria até com fortes elementos de pornográfica, é só ouvir algumas músicas, é só ver o que fizeram das danças, etc.

Fizeram da nossa mais querida festa nordestina um imbróglio, isto é, uma mistura sem brilho, criminosamente descaracterizaram um símbolo pernambucano. E, como corolário desse assassinato cultural trazem atrações alienígenas para os ditos focos juninos. Criaram até a tradição do ridículo: todos os anos levam à querida Gravatá atrações como Asa de Águia, O Rappa e Jorge e Mateus, e outras porcarias alienígenas…

Caruaru, a “Capital do Forró,” (quem dera que ainda fosse) providenciou em jogar uma colher de cal na tradição promovendo aberrações “marcianas” tipo: Luan Santana, etc.

Qual o brilho cultural que há nisto: um grande público? Ora, se esta for a desculpa, “tragam” Pink Floyd, ressuscitem Michael Jackson, Madonna e, com certeza, teremos mais de um milhão de iludidos nas ruas.

Será que já não basta descaracterizar o nosso Carnaval, querem também o São João.

E o pior, toda essa engenharia feita para descaracterizar o nosso São João, é azeitada com dinheiro público. Isto mesmo, com dinheiro público. O Governo do Estado de Pernambuco e esses governos municipais medíocres estão usando dinheiro que poderia ser posto para fomentar cultura genuinamente nossa, usam para promover a inculturação de nossa gente.

O que se vê em Gravatá e em Caruaru, Campina Grande é o festival do ridículo, do desamor pelas coisas nordestinas.

Pernambuco, em talentos, possui valores superiores àqueles alienígenas, postos à apreciação de uma multidão cada vez “menos” pernambucana.

Ser pernambucano é ter alma, é falar, é pensar, é ouvir os sons ancestrais que sempre fizeram de nosso estado uma nação dentro desta nação chamada Brasil. É duro ter que dizer a nossos filhos, ou a quem quer que seja, que aquilo que se viu e se vê em Gravatá e em Caruaru, etc (em geral em todo o estado) é, inferior aos nossos ícones culturais; já que a mídia, o governo estadual, e alguns outros descompromissados com o espírito de pernambucanidade, de forma às vezes subliminar, às vezes agressiva e mentirosa, dizem o contrário.

Vivemos uma guerra de idéias, de valores, de alma diria, e sendo assim o que esperar de multidões influenciadas pela alienação cultural? Pela pornofonia?

O Fundador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro, o Padre Leonel Franca já nos alertava sobre à má idéia, sobre a divulgação do que não presta:

“Grande é a responsabilidade de quem escreve. Agitar ideias é mais grave do que mobilizar exércitos. O soldado poderá semear os horrores da força bruta desencadeada e infrene; mas enfim o braço cansa e a espada torna à cinta ou a enferruja e consome o tempo. A idéia uma vez desembainhada é arma sempre ativa, que já não volta ao estojo nem se embota com os anos”. (…)

Basta! Somos pernambucanos!


Por Manoel Carlos.