O bom tratamento – por Sosígenes Bittencourt

O ser humano é cativo do bom tratamento.
Há diferença entre VER e OLHAR, OUVIR e ESCUTAR.
Olhar é ver com atenção. Escutar é ouvir com atenção.
Há quem conquiste, mostrando.
Há quem conquiste, olhando.
Há quem conquiste, falando.
Há quem conquiste, escutando.
A paciência é a maior das virtudes,
porque não há virtude sem paciência.

Sosígenes Bittencourt

Apelidos Vitorienses: BOCA

O amigo Edmilson José da Silva,  até o início da sua adolescência,  era carinhosamente chamado por “Dedé” e um colega que morava na mesma rua por “Didi”. O sonho do Edmilson, desde muito cedo, foi ser marinheiro. Como uma espécie de premio de consolação, já que seus país não permitiram deixar sair da cidade,  acabou que em 1991, então com 13 anos, fizesse parte da primeira formação da chamada “Guarda Mirim” da Vitória de Santo Antão.

Na qualidade de membro da “Guarda Mirim” o Edmilson José da Silva, juntamente com tantos outros garotos com idade semelhante, recebia várias instruções visando  boas maneiras sociais e de patriotismo. O conhecimento dos símbolos e hinos oficiais eram matérias obrigatórias, por assim dizer.

Pois bem, foi por conta de uma apresentação musical realizada no Quartel da Polícia Militar que o garoto Edmilson José da Silva recebeu o apelido que até hoje, quase trinta anos depois, passou a ser o seu nome social. Ao cantar a introdução do hino nacional o mesmo foi repreendido duas vezes pelo chefe da instrução que  “catucou-o”  com uma vareta e,  em voz alta,  disse: “ não cante isso aqui não seu Bocão”.

Desse dia em diante, contou-nos o amigo Edmilson, que seus colegas passaram a lhe chamar de várias maneiras: “ Bocão…Boquinha….Boca e etc”. Ao final, prevaleceu o simpático apelido de “BOCA”,  que foi absorvido por Edmilson sem o menor constrangimento. Sendo assim, “BOCA,  é mais um a participa do livro “Apelidos Vitorienses” por ser  mais conhecido pelo apelido do que pelo próprio nome.

Com a aprovação dos deputados Henrique Queiroz e Joaquim Lira o governo Paulo Câmara promoveu mudança duvidosa!!

Repercutiu mal a mudança estrutural no combate à corrupção na administração e serviços públicos,  proposta pelo governador Paulo Câmara com o apoio da maioria dos deputados estaduais, dentre os quais os representantes da Vitória de Santo Antão: Henrique Queiroz e Joaquim Lira.

Nas muitas informações disponíveis na imprensa a gritaria é grande. Com exceção dos representantes diretos do governo do estado e dos parlamentares da base, praticamente todos os atores envolvidos nessa questão estão repudiando a mudança. Valendo salientar , mo entanto, que a mesma se deu em caráter de urgência,  ou seja: sem o debate necessário.

Mesmo não sendo conhecedor de detalhes dessa operação, acredito que submeter  ao crivo direto do palácio às operações  que visam desbaratar esquemas de corrupção dentro da  própria máquina pública é algo que não cheira bem, sobretudo após as revelações da  força tarefa da Operação Lava-Jato em que deixou bem claro à existência da chamada “corrupção endêmica” nos  vários níveis da engrenagem da nossa fétida republica.

Fica-nos, portanto, a esperança de que o governador Paulo Câmara e os seus fiéis deputados possam, o quanto antes, se utilizar da imprensa para explicar  ao povo pernambucano a verdadeira intenção da mudança. Aliás, a nação brasileira não suporta mais tanta ação duvidosa por parte dos seus governantes……

Nestor de Holanda Cavalcanti Neto – por Pedro Ferrer

Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: “Sossego, rua da revolução”.

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, “A ignorância ao alcance de todos”, vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: “Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo”.

Recomendo ao leitor seu livro “O decúbito da mulher morta”. História ocorrida na nossa cidade.

Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ““Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais “cariocas” dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em “São os do Norte que vêm”. O carioquíssimo “Sargento Iolando” jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida.”

Amanhã, às 9 horas, estarei defendendo a cadeira nº 14, na Academia de Letras do Brasil, que tem como patrono Nestor de Holanda Cavalcanti Neto.

Momento Cultural: Martha de Holanda.

Espasmo… Vertigem do sétimo sentido do sol,
nos braços da terra…
Espasmo… O silêncio desvirginizando o tempo
no leito das horas…
Espasmo… A orgia da vida, na bacanal da morte…

Meu amor! Espasmo…
O meu beijo na tua boca…
Meu amor! Espasmo…
O teu beijo na minha boca…

Espasmo… A noite estava, com as estrelas,
arrumando o céu, para receber o dia.
O luar veraneava, longe, levando a sua bagagem de luz
E as ventanias passavam, correndo, para assistir ao
parto prematuro da primeira aurora.
E eu me desfiz dentro de mim…

Espasmo… A natureza parecia enxugar o seu vestido
cor de ouro debruado de azul, hemoptise do poente.
As nuvens voltavam, cansadas do trabalho das trajetórias,
a tomavam a rua das trevas.
Os pássaros acabavam de dar o seu último concerto do dia
na ribalta dos espaços, e recolhiam-se felizes nos bastidores
das folhas.
E eu me procurei em ti…
Espasmo… As raízes entregavam-se à terra,
para a eterna renovação dela mesma.
Os elementos tocavam-se na confusão das origens,
O éter, na elasticidade, dobrava-se
volatizando-se por todo o universo.
E, eu, te senti em mim.

Martha de Holanda, vitoriense, filha de Nestor de Holanda Cavalcanti e de Matilde de Holanda Cavalcanti, nasceu a 20.III.1909 e faleceu no Recife a 24.VI.1950. Casou-se com o poeta Teixeira de Albuquerque aos 8.XII.1928.

Um amigo para a vida toda……….

Semana passada, em um blog, li um artigo que me fez refletir bastante. Falava de uma realidade comum (morte), mas com um requinte de ineditismo, pelo menos pra mim e para nossa cultura. Aliás, dizem alguns entendidos  que em função do avanço da ciência, nos últimos dois séculos, cada dia que passa estamos “desnaturalizando” a morte.

O artigo tratava de um telefonema sui generis entre dois homens maduros que se conheciam desde os bancos escolares. Separados pelas questões naturais da vida adulta, até a última sexta (02) em definitivo, os dois se falaram pela última vez alguns dias antes de um deles comunicar  sua morte programada, lá dou outro lado do mundo (Holanda). O papo foi  exatamente assim:

– “Como vai?, Zé Paulo”.
– “Tudo bem, rapaz, o que há de novo?”.
– “Estou ligando para me despedir.
– “Como???”
– “É que vou fazer eutanásia na próxima sexta” (hoje, dia de finados).

Após o primeiro impacto da noticia, como se fosse um murro na barriga, narrou o Zé Paulo, o Agnaldo narrou os motivos pelos quais havia tomado a aludida  decisão. Entre outras coisas, em função de um câncer, estava apenas com 51kg e a cada cinco dias perdia mais um.

Quando questionado sobre a legalidade do ato, o Agnaldo disse que na Holanda era permitido e que já havia tomado todas providencias legais. Aliás até descreveu como seria:

“Até quarta, iria se despedir de amigos e parentes. Quinta, mulher e filhos. Sexta de manhã, só a mulher. No começo da tarde, chegariam juiz, tabelião, o médico da família, enfermeiro. E às 16 horas, em sua cama, tomaria uma injeção. Não sentiria dor, assim lhe prometeram”.

Em função da diferença de horário –Brasil/Holanda – sua viagem sem volta ocorreria exatamente às 12h da sexta (02). Confesso que antes de ler o aludido  artigo nunca havia falado no senhor Agnaldo, no entanto, de certa forma, fiquei sensibilizado com o seu calvário e com a sua leveza na decisão, até porque ele também pediu ao Zé Paulo para  que fosse transmitido aos amigos em comum o seu falecimento programado – dia de finados.

Desde a leitura do artigo, aqui e acolá, fiquei a lembrar do senhor Agnaldo (sem nunca haver antes tomado ciência da sua existência). Na sexta (02), já por volta das 11h – lá na Holanda 15h – já tava ligado em pensamento (eita…… falta um hora para Agnaldo morrer). Às 12h em ponto,  fiquei totalmente ligado. Parecia que estava lá……..

Bom! O senhor Agnaldo nem foi o primeiro nem será o último sujeito a programar sua morte,  mas, desde a leitura do artigo realçado, passei a admirar esse camarada,  que ligou para o amigo para pedir-lhe que avisasse a outros amigos que ele iriam morrer……….Esse sim! Foi um amigo para toda vida e para a vida toda…….Feliz quem gozou da sua amizade!!!

 

 

Exame toxicológico: o que é e para que serve?

Muito se tem falado sobre esse exame, e muitas dúvidas estão surgindo. O exame toxicológico detecta a presença de substâncias ilícitas no organismo. Ele é exigido aos motoristas que precisam renovar ou classificar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH ) nas categorias C, D e E. 

Esse exame é solicitado também aos motoristas profissionais, na admissão ou desligamento de empresas, e aos candidatos a vagas em alguns concursos públicos, como polícia militar, federal, rodoviária, guarda municipal e bombeiros. Quem desejar fazer o exame de forma independente, para identificar substâncias ilícitas no organismo, pode também.

O Laboratório Silvano Sarmento, que fica em Vitória de Santo Antão, tem uma equipe preparada e uma unidade dedicada a coleta do exame toxicológico. Tendo em vista as particularidades para a realização do teste. O laboratório coleta as amostras do cabelo ou pelos corporais e envia para a análise. Para os cabelos precisam ter no mínimo 3,5 cm de comprimento. E para os pelos, 1,5 cm.

Uma dúvida bastante comum é sobre a janela de detecção, as drogas ingeridas e com quanto tempo de uso a droga acusa no exame. Após a ingestão de substâncias ilícitas, elas demoram de 6 a 7 dias para ficarem impregnadas na queratina dos cabelos – parte que será analisada no laboratório. O tempo que a droga continua no fio varia em função de diversos fatores, como o metabolismo de cada organismo, quantidade de drogas ingerida e frequência de uso.

Muita gente não sabe, mas o rebite acusa no exame toxicológico. É uma droga que promete tirar o sono dos motoristas, mas é derivada da anfetamina ou metanfetamina que pode possuir cocaína. Sua atuação no sistema nervoso altera neurotransmissores e, assim, mantém os indivíduos em estado de alerta.  A ação da droga dura de 4 à 12 horas.

O exame toxicológico identifica o rebite ingerido nos últimos 3 meses. Ou seja, apenas um comprimido pode invalidar o exame e, assim, impedir do motorista renovar a carteira de habilitação.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran),  determina que seja analisado se a pessoa ingeriu alguma substância ilícita no histórico mínimo de 90 dias retroativos.

O exame toxicológico só é feito em laboratório particulares.

Outras informações:

Seguem as drogas que o exame toxicológico identifica:

 -anfetamina (presente no rebite, assim como outras drogas, como a cocaína);

-cocaína e derivados, como o crack;

-codeína;

-ecstasy, conhecido como “bala” (mdma, mda, mde);

-maconha e seus derivados, como skunk e haxixe;

-metanfetaminas, como meth, ice e speed;

-heroína;

-morfina;

-mazindol.