O curral político antonense nunca mais será o mesmo…..

Como diz  a música  do roqueiro Lulu Santos: “nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”. Explico: as recentes mudanças no regramento eleitoral , ao que parece, começaram a  “mexer”  no curral político antonense, até então,  controlado pela  mão de ferro dos caciques locais, diga-se “os Liras”, os “Querálvares” e os “Queiroz“.

Recentemente circulou a notícia na internet que um grupo de vereadores vitorienses  – inclusive o líder do governo  na Câmara – foi  ao encontro da deputada federal Marília Arraes, pré-candidata ao governo do estado. Vale salientar que a neta do Doutor Arraes  –  até o momento-   se configura no fato novo da eleição majoritária pernambucana, em 2022.

Até aí, tudo bem………..Vereadores podem e devem se mexer no tabuleiro eleitoral da província. O detalhe em questão é que os três tradicionais grupos políticos locais  – com assento na ALEPE –  então na “cesta” do governador Paulo Câmara, ou seja: devem obediência política ao candidato indicado por ele, isto é: Danilo Cabral.

Aos mais atentos, à declaração pública de apoio de parte dos vereadores da base do prefeito Paulo Roberto a Marília Arraes, nesse momento, emite um volumoso  som de “falta de coordenação e comando político” por parte do grupo do  prefeito. Aliás, se Paulo Roberto realmente tivesse visão e  interesse em avançar no macro xadrez político, já deveria  ter  “mudado de direção” e se “abraçado” oficialmente com outra pré-postulação ao Palácio do Campo das Princesas. Para quem se colocou e investe na imagem  de  “diferente”, subir no mesmo palanque com Aglailson, Henrique e Elias é um verdadeiro tiro no pé, no sentido às retóricas futuras.

Como se diz no jargão político: “o cavalo tá passando selado”. Paulo, na qualidade de prefeito eleito e com expressiva votação, não poderia  – jamais – continuar cavalgando na garupa do cavalo de Elias Lira….

Anotado como o primeiro ponto fora da curva (positivamente), pelo menos para mim,  nessa pré-campanha,  foi a articulação do vereador de primeiro mandato, André Carvalho, em exibir, dias atrás,  através das redes sociais,  a “noiva da eleição de Pernambuco” em sua humilde residencia,  compartilhando um café e depois pousando para foto no Pátio da Matriz. As imagens, por si só,  emoldura o  interesse da pré-candidata na efetivação de uma nova história na Capital da Zona da Mata, região emblemática na consagração política da mítica carreira do seu avô, Miguel Arraes de Alencar.

Em tempo de regras eleitorais sem coligações  proporcionais e  comunicação aberta para todos (internet),  lembremos, novamente, o velho roqueiro tupiniquim, Lulu Santos: “nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”.

Reunião ordinária da AVLAC – Academia de Letras, Artes e Ciência.

Comandada pelo professor Serafim Lemos, presidente da instituição, membros acadêmicos da AVLAC – Academia de Letras, Artes e Ciência -, em reunião ordinária, reuniram-se na manhã de domingo (24), no histórico prédio do “Sobradinho”, localizado na Rua Imperial.

Na pauta, além de informações administrativas, o encontro proporcionou boas discussões relacionadas  à história da cidade assim como novos projetos, no sentido da ampliar o raio de atuação da “Casa Literária” na comunidade antonense.

Revolução dos Cravos – por historia_em_retalhos.

“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim”

“Tanto Mar”, canção de 1978, foi gravada por Chico Buarque em homenagem à Revolução dos Cravos, movimento armado que pôs fim ao regime fascista salazarista, no dia 25 de abril de 1974, em Portugal.

O período da história portuguesa conhecido como “salazarismo” teve o seu início em 1933, com a ascensão ao poder de Antônio de Oliveira Salazar.

Inspirado no fascismo italiano, Salazar estabeleceu um regime autoritário-ditatorial, pautado na censura, repressão, exílios e guerras coloniais.

Em 1968, Salazar sofre um derrame e é substituído por Marcello Caetano, que prossegue com a política autoritária.

O isolamento político, a decadência econômica e os desgastes com as guerras coloniais foram o pano de fundo para a formação de um movimento de resistência ao salazarismo.

Em 09.09.73, surge o MFA – Movimento das Forças Armadas, em oposição à ditadura, o qual, no ano seguinte, reúne-se e decide derrubar o governo de Caetano.

Em 25 de abril, às 00h20min, a transmissão pelo rádio da música “Grândola Vila Morena” foi a senha utilizada para anunciar o início das operações militares, deflagrando a rebelião.

E qual a razão do nome “cravos”?

Em verdade, a revolta aconteceu praticamente sem resistência, com apenas 4 mortos.

Caetano rendera-se no mesmo dia, seguindo para o exílio no RJ.

Diante disso, a população saiu às ruas para comemorar, entregando cravos aos soldados, que os colocavam nos canos de seus fuzis, tornando, assim, a flor símbolo e nome da Revolução.

As principais conquistas do 25.04 podem ser resumidas nos chamados “3 d’s”: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, sendo o reconhecimento da independência de Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola um reflexo direto do movimento.

Para a nossa alegria, o perfume dos cravos portugueses também chegou ao Brasil, influenciando no processo de redemocratização do país e, mais tarde, na aprovação da CF de 1988…
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Clube dos Motoristas com nova diretoria.

Em ritmo de frevo, os amantes da folia de momo da “Terra de José Marques de Senna” reuniram-se, no dia de ontem, feriado nacional, para prestigiar a tomada de posse da diretoria do Clube dos Motoristas “O Cisne” que tem como presidente o veterano  carnavalesco  Rubem de Deus. Após um hiato de 2 anos, em virtude da pandemia, o carnaval antonense deverá voltar revigorado em 2023.

Interesse e manifestações espontâneas pelo projeto Corrida Com História!!!

Aqui e acolá, pelo blog ou mesmo pela minha página no Instagram – @pilakooficial – estamos postando manifestações espontâneas da mais variadas pessoas que casualmente nos encontram nas ruas, no tocante ao  projeto por nós inventado e executado que atende pelo nome de “Corrida Com História”.

Com apelo eminentemente local, na medida do possível, procuramos realçar datas, eventos, monumentos, vultos ou mesmo curiosidades atinentes à historiografia antonense. De maneira clara e objetiva,  sempre ao final da nossa salutar atividade física, em vídeo de pouco mais de 50 segundos, compartilhamos conhecimentos construídos  ao longo do tempo, adquiridos  através da leitura dos livros e jornais que contam a história dos nossos antepassados.

Pois bem, recentemente, lá na Oficina Elétrica do amigo “Mutreta”, ao adentrar no espaço e me avistar sentado, o sempre falante  José Carlos foi logo dizendo: “ corrida com história, Pilako…….Zé Ramalho já se apresentou em Vitória ……” . Em seguida emendou uma canção do exótico e sempre atual Zé Ramalho. Por coincidência eu estive em um desses  eventos, promovido pelo produtor Marcos Samurai, lá no Restaurante Recanto Gaúcho (não lembro exatamente a data).

Ao final, para marcar esse casual e interessante encontro, gravamos um rápido vídeo. Ao que parece, o nosso quadro –  “Corrida Com História” –  vem, no bom sentido da palavra, provocando nas  pessoas  das mais variadas classes sociais o interesse pelas coisas da terra, ou seja: aflorando o  chamado sentimento de pertencimento……E isso é muito bom….

 

Antonio Freitas: “eu sou cachorro de rua”….

“Maria vai com as outras” é um jargão popular que, nas entrelinhas, faz  referência  as pessoas que se deixam  levar  por  ideias alheias,  ou seja: abre mão facilmente dos seus princípios e das suas convicções e experiências. Ser radical numa sociedade fluida e mutante,  em que os conceitos são atualizados constantemente  face ao  mundo globalizado no sentido do dialogo on-line, em rede, convenhamos, não é um ativo pessoal para ser exaltado, no entanto, para uma melhor analise,  devemos separara e procurar entender à formação de cada sujeito no contexto do “seu tempo”.

Pois bem, com mais de oito décadas de vida, o amigo Antônio Freitas não se cansa de repetir: “ eu sou cachorro de rua. Não adianta! Eu não me afasto um centímetro disso”. Refere-se ele as suas ideias e conceitos, em meio “aos debates e conversas”, sobretudo nos animados bate papos  com os amigos nos bares da vida.

Tonho, como é chamado pelos mais próximos, é um observador do mundo e um profundo “contabilista” das coisas que giram no seu entorno. Pratica diariamente a leitura e se exercita  na salutar tarefa da reflexão, diante das mais simples coisas. Homem de fé, ainda  traz à ordem do dia todos os ensinamentos recebidos, na qualidade de acólito,  do austero e respeitado Padre Pita.

No contexto da perseverança, junto com o filho, Everton, irá realizar no próximo dia 30 de abril a 41ª edição do Forró do Coelho. A primeira ocorreu justamente em 30 de abril de 1982. Diga-se de passagem: é o evento dançante (particular) mais tradicional da nossa cidade. É algo relevante a ser analisado, sob o ponto de vista da história social da nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão.

Não fosse todos os temas acima sublinhados, sobre o “sujeito antonense Antonio Freitas”,  confesso,  que a motivação principal da construção dessas linhas, realçando alguns dos seus traços pessoais, ocorreu na manhã do último sábado, dia 16/04/2022.

Pois bem, após  conclusão de mais um treino de corrida, esse finalizado até a localidade de  Bonança, como sempre faço, procurei uma condução para voltar para casa. Sem nenhuma escolha prévia adentrei na primeira que passou.  Do alto-falante ecoava o bom e tradicionalíssimo Frevo Pernambucano. Deliciei-me  com a sequência. E tome Frevo……

Quando já estou quase chegando  – passando pelo bairro de Redenção – o frevo cessa e entra as informações da emissora: Rádio Atual FM e o patrocinador do programa de frevo é a Loja Bem Me Quer, cujo proprietário é o nosso Antônio Fernando de Freitas. Para concluir : Tonho é Santo Antão, Forró do Coelho e Carnaval o Ano Inteiro….Como ele diz : “NÃO ME AFASTO UM CENTÍMETRO….”

Há 79 anos, nascia a Universidade Católica de Pernambuco – por historia_em_retalhos.

Em 18 de abril de 1943, há 79 anos, nascia a Universidade Católica de Pernambuco, por iniciativa dos padres jesuítas, sendo considerada a primeira instituição de ensino superior totalmente católica das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Por suas cadeiras, inúmeras gerações de estudantes já passaram, recebendo uma formação superior pautada em um forte sentimento de humanismo.

Parabéns à UNICAP e a todos os seus estudantes, professores e funcionários!

Na foto , o “Monumento à Juventude”, de Abelardo da Hora (1980).

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O tempo e o relógio de pedra e sol dos franciscanos de Olinda – por Marcus Prado.

Na Sexta-Feira Santa fui rever a Igreja de Nossa Senhora do Terço, no secular bairro recifense de São José, onde houve um acontecimento histórico: em 13 de janeiro de 1825, o frade carmelita, de 46 anos, frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o Frei Caneca, foi levado da calçada dessa igreja para o Forte de São Tiago das Cinco Pontas, para ser executado por um pelotão militar por sua participação na Confederação do Equador, revolução republicana ocorrida em Pernambuco, em 1824. Lembro que é do dramaturgo, escritor, ficcionista e historiador Cláudio Aguiar, da Academia Pernambucana de Letras e ex-presidente do Pen Clube do Brasil, o que melhor foi escrito até hoje sobre o drama que envolveu esse herói e mártir pernambucano: O Suplício de Frei Caneca, uma peça de teatro que honra a dramaturgia brasileira.

Interessava-me saber como estava sendo preservado esse patrimônio histórico e como ainda existia o seu relógio grande de parede. Um relógio de igreja humilde e de poucos paroquianos que me conduz, pelo olhar, a outros relógios de templos católicos, que conheci. Ao da Catedral de Notre Dame, de Paris, ao da Catedral de Praga; ao relógio astronômico, uma peculiaridade da catedral de Strasbourg, na Alsácia. Não entro num templo católico sem antes olhar para seu relógio litúrgico, neste artigo procuro dizer sobre a importância muito além de subjetiva desse símbolo e seu valor incontrastável.

Henry Bergson, um daqueles que põe fim à era cartesiana, quis demonstrar que a autêntica vida está nos símbolos. Os relógios das nossas igrejas, ao lado dos sinos, carregam uma forte carga de simbolismo. Os relógios das igrejas do Cristianismo, nas suas edificações, tenho para mim, assemelham-se a uma escritura cifrada. O tempo: nos textos de interpretação bíblica estão o seu deciframento, a sua substância: o tempo. De mais a mais, na filosofia, de maneira magistral, fonte inspiradora de Aristóteles, Spinoza, Husserl e Heidegger, o tempo e a eternidade em Tomás de Aquino, sem os quais estaríamos ainda na fase primária de conhecimento do tempo, a apreensão do seu eterno fluir, a sua essencialidade mais profunda, apreensível apenas por intuição inefável mais alta, como diria Bergson.

Juntos com o tempo se esvai a nossa vida, a dos outros e a do mundo, as nossas alegrias e tristezas, as nossas perdas e ganhos. O relógio e o contágio dos seus braços na busca incessante de cada um dos nossos instantes, até o nosso inevitável perecimento.

A grande beleza dos relógios das nossas igrejas não reside nos detalhes, quando vistos – o que deles sugere, avassaladoramente provocador – sob o ângulo da durabilidade infinita, até quando as suas lâminas estão imóveis, mas não inertes. (Immotus nec iners). Vejo os relógios litúrgicos como o tempo com o ritmo de Deus, o relógio infalível do tempo, a imagem móvel do infinito e do eterno, no dizer de Platão, para se compreender a teoria clássica aristotélico-tomista do movimento, que já entre os Gregos homéricos – kairós – simbolizava a ideia de suas qualidades divinas e subjetivas. O eterno devir dialético dos seres do mundo, que resulta, para muitos, numa tremenda e desconcertante perplexidade bem conhecida no pensamento contemporâneo. O tempo, inspirador de uma das poucas obras filosóficas indispensáveis para a cultura de um país: Ser e Tempo, de Martin Heidegger, ele que teve como assistente e tradutora no Brasil a pernambucana Maria do Carmo Tavares de Miranda,

E o que dizer dos primitivos relógios de sol e pedra? Em nada se diferem no seu conteúdo e essência de simbolismo. Volto sempre ao relógio de sol e pedra da igreja do convento olindense dos franciscanos, como se nunca o tivesse visto. Está ali, no mesmo lugar, desde 1855, a nos mostrar o passar do tempo, como se este fosse uma substância que pudéssemos apalpar, com duração em eterno devir. Do século 18, um dos mais antigos do país, o relógio de sol e pedra parece desafiar as nossas imperfeições, qual esfinge grega, no terraço descoberto de frente para o mar, perto do bloco conventual,

Os relógios das igrejas e catedrais como sendo partes da liturgia do sagrado, o tempo no seu movimento contínuo, em cujo seio heterogêneo e móvel se integra à consciência, na incomensurabilidade do infinito, à cristalização da ideia de um motor movido antes dele: Deus.

Marcus Prado – jornalista

 

19 de abril: dia do índio – por historia_em_retalhos.

O dia foi estabelecido, no Brasil, pelo Decreto-Lei n.° 5.540, assinado por Getúlio Vargas, em 1943.

E qual a razão da data?

Isso porque, em 19 de abril de 1940, várias etnias e lideranças indígenas reuniram-se no Primeiro Congresso Indigenísta Interamericano, realizado no México, para lutar pelo reconhecimento de seus direitos.

Ser um indígena no Brasil, em pleno século 21, ainda é um ato de muita resistência.

Na foto, registro das entidades dos “praiás”, do povo indígena Pankararu, originário do município de Tacaratu/PE, sertão de Pernambuco.

Tive a oportunidade de passar o dia 19 de abril do ano de 2017 junto ao povo Pankararu, em sua aldeia.

Experiência cultural inesquecível.
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A MORTE DO DONO DA FUNERÁRIA – por Adelson Cardoso.

A MORTE DO DONO DA FUNERÁRIA
(O PAPA DEFUNTO)

Lá na minha pequena cidade natal, no interior de Pernambuco, o povo sofria muito com as dificuldades da vida, pois não havia grandes empresas comerciais nem industriais, a população vivia da dependência da produção agrícola dos pequenos sitiantes. Como conseqüência da falta de empregos para a mão de obra jovem, àqueles rapazes e moças mudavam para outras cidades maiores em busca de trabalho e de melhora nas condições de vida. Isso era fato corriqueiro em quase todas as famílias da cidade.

Com a família do seu José, esposo de dona Maria e pai de quatro filhos- José, João, Antonio e Maria- não era diferente. Ao chegar à idade de buscar emprego, os irmãos se mudaram para São Paulo levando em suas bagagens pouca experiência e muita esperança.

Seu José era dono de uma pequena bodega, onde negociava vendendo poucas coisas, tais como, querosene, sal, farinha, sabão em barra, óleo, carne de charque, bolachas e outras coisinhas, negócio sem muita lucratividade não lhe permitindo ter condições de criar e manter aqueles filhos dentro de casa. Assim, apesar do choro e da saudade dos meninos permitiu que fossem procurar uma melhora de vida noutro lugar mais desenvolvido, por isso foram parar em São Paulo.

Os irmãos mais velhos, José e João, já acostumados com a lide do trabalho na roça, eram fortões e musculosos e logo que chegaram a São Paulo foram trabalhar como serventes de pedreiros na construção civil e nas folgas e feriados começaram a treinar lutas marciais numa academia próxima de casa, tornando-se, após um tempo, grandes e famosos lutadores do MMA. A irmã Maria arranjou um emprego de vendedora de loja, logo se casou com o gerente da loja. Já o irmão Antonio também se arrumou e trabalha como cobrador de ônibus.

O tempo passou e seu José ficou muito doente. Cidade sem médico e doença difícil de curar. Dona Maria providenciava todos os tipos de chás, garrafadas e todas as mezinhas que lhes ensinavam e nada de seu José melhorar. Foi parar na cama, já não andava e nem queria comer. A enfermeira do posto de saúde, que tinha a fama de muito fofoqueira, diariamente ia à casa do doente e lhe aplicava injeção e nada do seu José melhorar. A notícia caiu nos ouvidos do povo da cidade dizendo que seu José estava morrendo. A enfermeira jurava que não tinha sido ela a divulgadora de tão triste notícia, apesar do Sr. Jorge Martírio, mais conhecido como PAPA, dono da única funerária da cidade ser primo legítimo da enfermeira.

Após a divulgação daquela notícia o seu PAPA passou a ir, diariamente, duas vezes na casa do seu José, saber notícias do estado de saúde do doente:

Primeiro dia:

– Papa: bom dia dona Maria, com está seu marido?

– Esposa: bom dia seu Papa, ele está na mesma situação

– Papa: boa tarde dona Maria, seu José como está?

– Esposa: boa tarde seu Papa, tudo igual, nenhuma melhora.

Segundo dia:

– Papa: bom dia dona Maria e aí como está o doente?

– Esposa: só a graça de Deus sabe.

– Papa: boa tarde dona Maria tem notícia boa para mim?

– Esposa: sim, ele deu uma melhorada hoje.

– Papa murmurando: notícia boa nada. Horrível, estou precisando vender um caixão.

Terceiro dia:

– Papa: Bom dia dona Maria o homem ainda está vivo?

– Esposa: claro que está vivo, graças s Deus.

– Papa: dona Maria a senhora me permite que eu entre até o quarto do defunto, digo do meu cliente para tirar as medidas dele para ir adiantando a confecção do caixão?

– Esposa: o Senhor é doido? Claro que não, meu marido está vivo.

– Papa: está vivo por pouco tempo, logo vai precisar do caixão e eu vou ter que fazer as pressas, isso fica mais caro para a família do defunto e a senhora já podia ganhar esse desconto.

– Esposa: credo em cruz seu Papa, vá embora pelo amor de Deus. Entrou em casa chorando.

Quarto dia:

– Papa: bom dia dona Maria, o homem ainda está vivo? Ele é muito forte, heim?

– Esposa: graças a Deus está vivo e melhorando.

– Papa: dona Maria a senhora sabe por que eu sou conhecido por PAPA?

– Esposa: claro que não! Não conheço a sua vida.

– Papa falando: pois é, sendo eu o dono da funerária da cidade, tenho muita experiência com doentes e sei quando a pessoa vai morrer ou vai escapar. Por isso que o povo me chama de PAPA DEFUNTO. Eu tenho certeza que seu José vai morrer logo e sem demora.

– Esposa: homem vá embora pelo amor de Deus, entrou chorando.

Passou mais uma semana e aquela situação não mudava. O PAPA defunto continuava indo à casa de seu José diariamente, para perguntar a velha senhora se o marido já havia morrido: gritava lá do portão: dona Maria o homem já morreu? …..Ainda não!!!?….. Puxa vida, este véio é duro na queda,……. Nada ainda? …..

Certo dia, o PAPA defunto gritou lá do portão: dona Maria aqui é o PAPA, me dê uma boa notícia, hoje.

– dona Maria apareceu chorando ao portão, seguida pelos dois filhos, José e João, LUTADORES DE MMA, que se dirigindo ao PAPA DEFUNTO lhe disseram: nós vamos arranjar um defunto para tua funerária e em seguida deram uma boa surra no PAPA DEFUNTO.

Em seguida os irmãos providenciaram a mudança dos pais para São Paulo e o PAPA DEFUNTO ficou no morre/não/morre no posto de saúde e não tinha nem um caixão de defunto pronto para ele.

Adelson Cardoso Escritor bissexto abril/2022.

Egídio Ferreira Lima e Jarbas Vasconcelos – por @historia_em_retalhos.

Pernambuco perdeu, na madrugada desde sábado (16), o ex-deputado e constituinte Egídio Ferreira Lima.

Natural de Timbaúba, Egídio Ferreira Lima foi um dos mais destacados políticos brasileiros na luta pela redemocratização do país, tornando-se uma referência na política nacional, também, por sua luta em favor dos direitos dos trabalhadores.

Ex-juiz de direito e ex-professor da FDR/UFPE, foi eleito deputado estadual, em 1966, pelo MDB, partido de oposição ao regime militar.

O mandato foi assumido em 1967 e Egídio permaneceu no cargo até 1969, quando teve os direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n.º 5.

Em 1970, participou da criação do grupo dos “autênticos” do MDB, considerado a ala mais à esquerda da agremiação e no qual estavam presentes Marcos Freire, Fernando Lyra e Jarbas Vasconcelos (foto 1).

No pleito de 1986, elegeu-se deputado federal constituinte por Pernambuco, novamente pelo PMDB.

Foi relator da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo, titular da Comissão de Sistematização e suplente da Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral Partidária e Garantia das Instituições.

Nas principais votações da Constituinte, manifestou-se a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que adotavam política de discriminação racial, do mandado de segurança coletivo, da proibição do comércio de sangue, da limitação dos encargos da dívida externa, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da anistia aos micro e pequenos empresários e do aborto.

Votou contra a pena de morte, a legalização do jogo do bicho e o limite de 12% ao ano para os juros reais.

Nas questões de interesse dos trabalhadores, votou a favor da proteção ao emprego contra a despedida sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional e da unicidade sindical.

No ano de 2008, em sua homenagem, foi criado o Instituto Egídio Ferreira Lima, com o objetivo de realizar debates, cursos e pesquisas.

Perde Pernambuco. Perde o Brasil.
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Procissão do Senhor Morto…

Na noite do feriado da “Sexta-Feira da Paixão” – 15 de abril – nossas lentes registraram a passagem da “Procissão do Senhor Morto”, pelo Pátio da Matriz. A celebração católica é um chamamento à reflexão dos últimos momentos de vida e também da morte do Senhor Jesus Cristo. Veja os vídeos.

Blog do Pilako – registrando a história da nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão.

Do meu isolamento pessoal, por conta das restrições sanitárias e na medida do possível,  dentro de uma margem de segurança,  procuramos registrar momentos marcantes ocorridos na nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – no  contexto pandêmico ao qual fomos submetidos – e ainda estamos…..

Há exatos dois anos (13/04/2020), por exemplo, vivenciamos  uma Páscoa  bem diferente do momento presente (14/04/2022).  Assim sendo, dentro daquilo que nos propomos, naquela ocasião,   segue, abaixo, postagem do nosso blog que bem exala o odor da angústia e da incerteza a que fomos todos submetidos. Boa Páscoa a todos os internautas. Páscoa é passagem….e a pandemia tá passando….

 

COVID-19: uma Páscoa diferente……

(Vitória de Santo Antão, 13 de abril de 2020 – 21:50h) Dos quatro cantos do mundo saltam notícias dos impactos da pandemia do coronavírus. Da China,  realçam que a vida começou voltar ao curso normal. Dos EUA, novo epicentro do vírus, a mortandade dá sinais de “estabilidade”. Na Europa –  Itália e Espanha –  seguem mergulhados no caos. No nosso País continental chamado Brasil afirmam as autoridades sanitárias que o pior ainda vai chegar.

Nas mais diferentes plataformas de comunicação,  notícias desse feriado de Páscoa foram sublinhadas pela seguinte expressão: “pela primeira vez na história….” Nesse contexto, contudo, nossa aldeia – Vitória de Santo Antão – também celebrou o Domingo da Ressurreição de Jesus Cristo de maneira atípica.

Com as igrejas fechadas a peregrinação do Santíssimo Sacramento percorreu de carro  aos bairros que congregam as cinco paróquias do nosso município – Matriz de Santo Antão, Nossa Senhora do Livramento, São Vicente de Paulo, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima (Vicariato Vitória). Das calçadas e das janelas os católicos festejaram o encontro e renovaram a fé – “Uma páscoa diferente”.

Reinaldo de Oliveira – por @historia_em_retalhos.

Registro de Reinaldo de Oliveira ao lado de seu pai, o teatrólogo Valdemar de Oliveira, fundador do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), um dos grupos teatrais mais antigos em atividade no Brasil.

Reinaldo faleceu no último sábado, dia 09.04.2022, deixando uma vasta e importante contribuição artística.

Médico por formação, tinha como paixões o teatro e a medicina.

Fez parte da Sociedade dos Médicos Escritores de Pernambuco, além de ter ocupado a cadeira de número 24 da Academia Pernambucana de Letras (APL).

Entusiasta da cultura pernambucana, escreveu vários livros, compôs frevos, maracatus e ganhou diversos prêmios em festivais.

Perde a nossa cultura. 🙏🏼
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Na qualidade de “novo comunista”, Joaquim Lira prefere André de Paula ou Luciana Santos?

Política não é coisa para amadores...Em função das novas regras eleitorais/partidárias alguns partidos estão se “juntando” a outros – pelos próximos 4 anos –  para poder continuar no carrossel do sistema, após o próximo pleito. Estão se abraçando nas chamadas “federações partidárias”.

Por motivos que desconhecemos o PSD pernambucano, comandado pelo deputado federal André de Paula e até então pelo o deputado estadual antonense Joaquim Lira, esqueceu  em organizar o partido  para o pleito de 2022. Não montaram chapa para federal, nem para estadual.Com efeito, os deputados estaduais vinculados à sigla foram, aos poucos, pulando fora do barco para salvar seus mandatos, respectivamente.

O jovem deputado de segundo mandato, Joaquim Lira,  acabou sendo acolhido pelo Partido Verde que compõe, junto com o PT (Partido dos Trabalhadores)  e o PCdoB (Partido Comunista do Brasil) uma federação.

Isto é: pelo menos pelos  próximos 4 anos, caso eleito, Joaquim Lira deverá levantar  a bandeira das causas do campo político das esquerdas. Em outras palavras: Joaquim, agora é companheiro de Lula.

Pois bem, filiada histórica do PCdoB a vice-governadora Luciana Santos já marcou data para  lança-se  candidata a senadora pela Frente Popular, ou seja: o mesmo espaço politico que vem sendo pleiteado  pelo deputado federal André de Paula. Eis a pergunta:

Joaquim, agora,  fará força pelo seu antigo companheiro de partido e  “discípulo de Marco Maciel”,  André de Paula, ou pela nova companheira comunista, Luciana Santos?

Como falei, inicialmente: Política não é coisa para amadores…….

Vitoriense Nelson Silva: bem na fita!!!

Contando com a participação de um time de primeira linha e apresentação do Klebão, hoje, 13 de abril, às 20h, o  “Fórum Corrida”, em live, receberá o vitoriense maratonista/ultramaratonista Nelson Silva – o Stevie Wonder das Corridas de Pernambuco.

Na ocasião, o amigo Nelson irá contar um pouco da sua vida. Atualmente,  com quase 70 anos (69) ele se configura, sobretudo aos praticantes da corrida de rua,  numa verdadeira referência viva de Pernambuco e um exemplo para o Brasil.

Recentemente, Nelson recebeu um expressivo testemunho na sua terra natal – Vitória de Santo Antão -, ao ser escolhido o atleta homenageado na Primeira edição da Corrida e Caminhada da Vitória.

Aos que desejarem acompanhar a live, segue o link:

https://www.youtube.com/watch?v=4ItLUtRrwdg

O Grande Hotel – por Marcus Prado.

Não sei por onde anda o precioso livro de registro de hóspedes do mais tradicional e histórico hotel recifense, o Grande Hotel, hoje repartição pública. Foram seus hóspedes, intelectuais famosos como Jean Paul Sartre e a mulher dele Simone de Beauvoir, Aldous Huxley, Jorge e Zélia Amado, Albert Camus, Camilo José Serra, Eduardo Galeano, entre outros.

Ali, houve troca de amores do casal Sartre , filósofo existencialista, com uma namorada recifense, e Simone, por correspondência, com o seu amante americano. Tudo numa boa, viviam, os ilustres visitantes, um casamento aberto. Tema de uma crônica que estou escrevendo para o DP, A foto é de minha autoria.

Marcus Prado – jornalista. 

Maria da Graça Xuxa Meneghel – por @historia_em_retalhos.

Em 11 de julho de 1988, Maria da Graça Xuxa Meneghel lançava o álbum “Xou da Xuxa 3”, o disco infantil mais vendido da história.

Com mais de três milhões e duzentas mil cópias vendidas, o álbum consagrou hits como “Ilariê”, “Arco-Íris”, “Abecedário da Xuxa”, “Brincar de índio” e “Dança da Xuxa”, sendo, também, o disco mais vendido da história do Brasil por uma artista feminina.

A canção “Ilariê” (Cid Guerreiro) permaneceu em primeiro lugar nas paradas durante 20 semanas, como a mais executada em rádios, ao lado de “Faz Parte do Meu Show”, de Cazuza.

Incompreendida por muitos e constantemente atacada por setores conservadores, como se a ela não fosse concedido o direito de errar, a Rainha dos Baixinhos é, até hoje, indiscutivelmente, um fenômeno de sucesso infantojuvenil jamais alcançado no Brasil.

No início da década de 1990, chegou a apresentar programas de televisão no Brasil, Argentina, Espanha e EUA, simultaneamente, alcançando 100 milhões de telespectadores.

Aos 59 anos, a gaúcha de Santa Rosa segue ativista e militante de causas nobres, como a violência contra as crianças e o direito dos animais.

Xuxa, eterna rainha.
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