Roberto Dinamite – por @historia_em_retalhos.

Zico deixa a rivalidade de lado e veste a camisa do Vasco da Gama para homenagear o amigo Roberto Dinamite, em 1993.

Dinamite, o maior ídolo da história do Vasco da Gama, morreu hoje, dia 08, após longa batalha contra o câncer na região do intestino.

Roberto foi o maior artilheiro da história do Cruz-Maltino e o jogador com mais jogos pelo clube.

Detém, ainda, as marcas de maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro, com 190 gols, e do Campeonato Carioca, com 279.

Descanse em paz.
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/CnKP4afuqMX/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Clubes de Fado da Vitória – Corrida Com História.

Em ritmo de carnaval produzimos, na manhã do domingo (08), mais um conteúdo dentro do quadro “Corrida Com História”. Admirada e muito querida pelos antonenses a Agremiação Carnavalesca “Clube de Fado Taboquinhas” se configura num verdadeiro patrimônio da nossa terra.

Única no estilo e gênero musical na atualidade, é importante lembrar que antes da “Taboquinhas” já tivemos 3 outras agremiações nessa “pagada”. Ou seja: “Cana Verde”, “Cana Roxa” e “Fadista”. A “Cana Verde” foi fundada no século XIX e desfilou até 1920. Criada por dissidentes da pioneira, a agremiação “Cana Roxa” seguiu desfilando até 1915.

Já  Agremiação Carnavalesca “Clube Camponeses Fadista” foi criada em 1903 e abrilhantou o nosso carnaval até 1923. Detalhe: se tivesse ativa estaria comemorando esse ano 120 anos de folia.

Nossa cidade, se bem observada e estudada, é uma espécie de “museu a céu aberto”. Particularmente no reinado de momo vitoriense  já dobramos à esquina dos 140 anos de festa. Eis aí, portando, mais uma informação curiosa sobre nossas origens,  revelada pelo original projeto “Corrida Com História”.

Veja o vídeo aqui: https://youtu.be/iOF4wx1UJ6s

Ceroula de Olinda – por @historia_em_retalhos.

Em 05 de janeiro de 1962, Antonio Aurélio Sales (Cabela), Arthur Ferreira, Gilvan Gonçalves, Jamones Góes e Lucilo Araújo fundavam a Troça Carnavalesca Ceroula de Olinda, uma das mais tradicionais do carnaval da cidade.

A agremiação surgiu para concorrer com o Pijama, outra troça muito famosa da época.

A ideia inicial dos foliões era sair às ruas de cueca.

Todavia, como a censura não permitia, surgiu o símbolo da ceroula.

Em 1969, ano em que os norte-americanos Michael Collins, Buzz Aldrin e Neil Armstrong foram à lua (foto), Milton Bezerra de Alencar compôs o Hino da Ceroula.

A composição logo caiu no gosto popular, tornando-se um dos hinos mais executados do carnaval pernambucano.

Um detalhe curioso: a agremiação não permitia a participação de mulheres em seus desfiles.

A partir de 1987, porém, passou a consentir uma ala feminina, saindo a cada cinco anos.

Em meados dos anos 2000, enfim, percebeu-se que essa tradição não fazia o menor sentido e as mulheres passaram a abrilhantar anualmente o cortejo.

Parabéns, Ceroula!

Eu quero ver se tem troça que escolha, como em Olinda que tem a Ceroula!
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/CnCrs0VuuJD/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

MINHA AMIGA HELÔ VAI PARA A ABL – por Marcus Prado.

A primeira vez que nos encontramos, não seria a única, Heloisa Buarque de Holanda e eu, para uma conversa mais demorada, foi na casa dela, numa noite fria de junho, há exatos 15 anos, no bairro carioca do Cosme Velho, a poucos metros da casa onde Machado de Assis viveu parte de sua vida. Comigo estavam, para um encontro marcado, não apenas para jantar, as escritoras Rachel de Queiroz e Luzilá Gonsalves Ferreira. O foco da conversa teve como motivação o projeto, pioneiro e arrojado, dos Falares Regionais, para o qual Heloisa deveria contar com o apoio, de início, das Universidades do pais e seus centros acadêmicos de Letras e Pesquisas.

Agora, vejo com alegria, a decisão de Helô (é como deve ser chamada) concorrer à vaga da saudosa Nélida Piñon na Academia Brasileira de Letras. Heloisa, como professora e escritora, tem uma biografia que honra a cultura acadêmica e intelectual do Brasil. Aposto na sua belíssima vitória.

Marcus Prado – jornalista

O 13 de Janeiro: o IPHAN e a Bauhaus – Marcus Prado.

O 13 de Janeiro tornou-se uma data emblemática para os brasileiros que lutam pela preservação e salvaguarda do nosso patrimônio histórico e cultural, o dia em que foi criado o IPHAN (1937). E para os que sabem da grandeza e o legado da Escola Bauhaus, o núcleo de design mais influente do século XX. Os que ainda hoje estão lembrados da sua extinção, há exatos 90 anos, num dia 13 de janeiro (1933) têm muito a lamentar. O IPHAN e a Bauhaus, ao longo de sua história, foram atingidos de cheio pela navalha do arbítrio, mas souberam resistir. A primeira, durante o golpe militar de 64, sem falar da soma de perdas durante o governo do ex-presidente Collor, período nefasto para a mossa cultura. A segunda, durante os anos da maior devastação moral da humanidade, de 1933 a 1945, quando o governo da Alemanha era controlado por Adolf Hitler.

O IPHAN – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o seu papel na história da construção/ampliação do conceito de Patrimônio no Brasil, além de ser uma das instituições mais legitimamente sérias e equipadas de corpo técnico do País, tem por finalidade preservar, em nível nacional, a riqueza dos acervos e monumentos históricos e arquitetônicos, além do patrimônio imaterial ou intangível, ou seja, o legado das gerações passadas, contribuindo para a compreensão da identidade cultural da sociedade que o produziu. Cabe-lhe igualmente responder pela conservação, salvaguarda e monitoramento dos bens culturais brasileiros inscritos na Lista do Patrimônio Mundial e na Lista o Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, conforme convenções da Unesco, respectivamente, a Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 e a Convenção do Patrimônio Cultural Imaterial de 2003.

Teve, como seu primeiro presidente, aquele que seria o maior vulto brasileiro do seu tempo no campo da preservação histórica, o mineiro Rodrigo Mello Franco de Andrade, com ele, na mesma missão de pioneiros, desde os primeiros momentos, os pernambucanos Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Airton Carvalho, anos depois, com a presença de outro pernambucano: Aloisio Magalhães. Sabe-se que Aloisio (Um dos fundadores do célebre Gráfico Amador), deixaria a marca de uma trajetória reconhecidamente inovadora, competente, de maneira extremamente modernizadora, na expansão e ampliação das ações de preservação, onde há muito se esperava, sem falar da qualidade que imprimiu, com a sua equipe, nas pesquisas e publicações, priorizando a qualidade científica dos seus colaboradores. A importância da contribuição de Aloísio Magalhães no IPHAN está justamente em ter desenvolvido um corpo teórico aplicável à nossa realidade, tendo sido reconhecido, até hoje, como um marco, um dos principais pilares do aparelho cultural do Estado do seu tempo.

Dizer o que foi, em resumo, a Staatliches Bauhaus, comumente conhecida como Bauhaus, não seria possível num breve registro de Jornal. Tornou-se conhecida por ser visionária, de vanguarda e transdisciplinar. Os ideais da escola foram proferidos para além do pensamento tradicional de seu tempo. Era o sonho de todo estudante de Artes de qualquer parte do mundo. Ali, se concentrava uma parte da elite do que de maior importância havia não só na Alemanha nos campos do design, teoria da linguagem, história, artes gráficas, Fotografia, pedagogia, psicologia, física e matemática. A influência dessa Escola, fundada em 1919 pelo pintor Henry Van de Velde e pelo genial Walter Gropius, em Weimar, tem sido ainda hoje presente em numerosos países, destacadamente no Brasil. A começar por Oscar Niemeyer (um dos nomes mais ligados ao movimento da Escola no Brasil, embora tenha sido mais inspirado por outra vertente do modernismo, criada pelo arquiteto francês Le Corbusier). Eu citaria Lina Bo Bardi, arquiteta e urbanista ítalo-brasileira (que teve projetos no Recife, quando era secretário de Cultura o mestre Ariano Suassuna). Além dos nossos saudosos Aloisio Magalhães, Acácio Gil Borsoi, Lula Cardozo Ayres. É possível perceber na pintura e no paisagismo de Burle Marx estruturas geométricas elementares e cores que nos remetem ao mundo da Bauhaus.

Infelizmente, o nazismo, os exércitos do Terceiro Reich consideravam os ideais da Escola de Bauhaus “antipatriotas” e em janeiro de 1933, por ordem de Hitler, foi dado o prazo de um dia para ser extinta em definitivo. Há exatos 90 anos nesse 13 de janeiro.

Marcus Prado – jornalista

Saudade Iluminada – 100 ANOS DE LUZ! – é o tema 2023!!!

Assim como todas as outras agremiações carnavalescas antonenses, a “SAUDADE” também não desfilou nos anos de 2021 e 2022,  por conta do cancelamento do tríduo momesco pelas autoridades sanitárias do País. Com as graças de Deus, a proteção do Glorioso Santo Antão e a “vacina no braço”, em 2023, estamos de volta.

Se levamos em consideração que a última “folia” ocorreu no ano de 2020, poderíamos dizer que existe um recorte temporal de 3 anos de espera. E para quem gosta de carnaval, isso é uma eternidade….

Pois bem, a SAUDADE irá desfilar em 2023 e teremos algumas mudanças:

A primeira delas está relacionada à distribuição de bebidas durante o seu desfile. O motivo determinante para essa mudança ocorrer diz respeito à não mais fabricação da embalagem – tipo peteca (250 ml) –  do Whisky Teacher’s.

Esse modelo de embalagem facilitava a distribuição e evitava o desperdício de toda ordem. Sendo assim, para 2023,  retiramos do preço final do kit todas as despesas relativas ao processo de distribuição e bebidas – o custo dos produtos e também da logísticas para essa operação acontecer com eficiência. Nesse contexto, apesar de toda a inflação e o “aumento de tudo” nesses últimos 3 anos, em 2023, estamos repassando, inicialmente,  o kit com o preço menor do que iniciamos no carnaval de 2020.

Outra questão é que investimos num sistema de vendas em que o próprio comissário (vendedor autorizado)  estará de posse de uma maquinetas, evitando assim qualquer tipo de deslocamento por parte do folião: pouco papel, a mesma segurança  e muito mais rapidez.

No concurso de “Adereço de Cabeça” estaremos anunciando em breve um formato em que o processo de escolha dos vencedores ocorrerão  pela internet, na própria página oficial da agremiação, sem maiores dificuldades e  de maneira mais interativa.

Já com relação à estrutura musical – banda e trio elétrico – não haverá mudanças! Contaremos mais uma vez com a internacional Orquestra Super Oara e a  fortaleza sonora do Trio Asas da América. Assim sendo, começamos hoje, dia 03 de janeiro de 2023, o nosso processo de vendas ao folião, postando aqui no blog e também nas demais redes sócias a primeira peça publicitária para 2023.

Esse ano estaremos lembrando (realçando) o centenário da chegada luz elétrica em nosso cidade – SAUDADE ILUMINADA – 100 ANOS DE LUZ. O Carnaval voltou depois de um tempo obscuro. Precisamos comemorar. Viva o Carnaval da Vitória!

Serviço:

Saudade Iluminada – 100 anos de luz!

Desfile: segunda-feira de carnaval – 21h.

Banda: Super Oara.

Trio – Asas da América.

Preço do kit: R$ 80,00 – à vista ou em 3X no cartão (1º LOTE ATÉ O DIA 28 DE JANEIRO).

Pontos de venda: Escritório do Blog do PIlako (Praça Leão Coroado), nas 2 Lojas das Óticas Diniz e com os vendedores autorizados.

Na Saudade, você já sabe: A GENTE BRINCA MELHOR!

Vista da Rua Marquês do Herval – por Josebias Bandeira.

Vitória de Santo Antão- Pernambuco- Brasil. Seu passado e sua história no túnel do tempo. Muito antigo registro fotográfico- 28 de Fevereiro de 1935. Vista da Rua Marquês do Herval . Por Ezequiel Olégario Pereira.
O Sr. Ezequiel Olégario era um abastado comerciante estabelecido à rua Ambrósio Machado Nº 80 em seu estabelecimento comercial, ele vendia e comprava Açúcar refinado, café moído , em grão, fubá, milho para mangusá, em grosso e a varejo.
Com o grande estoque de produtos citados , ele se destacava dos demais comerciantes e tinha condições de atender aos seus inúmeros clientes da localidade e municípios vizinhos.
Por essa razão sua casa comercial apresentava um alto volume de transações. A raríssima imagem pertence ao acervo do Cartofilista e pesquisador pernambucano, vitoriense Josebias Bandeira de Oliveira.

O Carnaval Voltou……..

Em condições normais, por assim dizer, sempre nas primeiras semanas do ano até o  final do Reinado de Momo priorizamos em nosso jornal eletrônico – Blog do Pilako – à chamada pauta carnavalesca. Disse “condições normais” porque justamente nos últimos dois anos, em função dos impedimentos pela pandemia da covid-19, o carnaval foi suspenso no Brasil inteiro e, em nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – não foi diferente.

Assim sendo, doravante, na medida do possível, iremos procurar postar majoritariamente matérias atinentes a nossa festa maior, ou seja o “Carnaval Vitoriense”. Se possível, então, ajude-nos no enriquecimento  desse conteúdo enviando historias, curiosidade e fatos marcantes sobre nossas agremiações e outros acontecimentos carnavalescos. Chegou o tempo de aproveitar e compensar os dois anos que não “marcamos o passo” nas ruas da Vitória! O Carnaval Voltou! Vamosimbora….

2023: “motivação é uma porta que se abre por dentro”….

Chegamos para uma nova etapa do calendário. Com ela muitos planos e um conjunto de ações, que ainda está na fase do planejamento, nos impulsionam ao melhoramento pessoal e coletivo. Lembremos que “motivação é uma porta que se abre por dentro”. Assim sendo, desejamos a todos os internautas do Blog do Pilako um ano cheio de realizações. Vamosimbora….

21º Batalhão de Polícia promoveu o “Mérito Monte das Tabocas”.

Em clima de confraternização de final de ano, na noite de ontem (29), o 21º Batalhão de Polícia, sediado em Vitória, promoveu solenidade alusiva ao “Mérito Monte das Tabocas”. O encontro ocorreu no Clube Abanadores “O Leão”.

No evento, além de realçar em vídeo os números relativos às ações na circunscrição da corporação,  assim como outras atividades  voltadas ao contexto social, o ponto alto ficou por conta das condecorações –  “Mérito Monte das Tabocas” – aos militares que se destacaram ao longo do ano de 2022.

Liderado pelo Coronel Norberto Lima Garcez Júnior, que usou da palavra para, entre outras coisas,  agradecer aos companheiros de fardas e ao público em geral pela presença, a instituição também destacou e concedeu honrarias a um conjunto de parceiros e colaboradores. Irrigada com os tradicionais “comes & bebes”,  a festa também contou com animação da Banda Avalovara.

Na qualidade de convidado e agraciado com premiação, aproveito para agradecer a todos os organizadores do referido evento pela participação. 

 

Ciro de Andrade Lima – por Marcus Prado.

O saudoso médico Ciro de Andrade Lima e o neto dele, prefeito João Campos. Lembro-me de Ciro nas saudosas noitadas que tivemos no engenho Pombal, (Vitória de Santo Antão) com Ariano Suassuna, Zélia, padre Daniel Lima e Jairo de Andrade Lima. A última vez que vi Ciro foi perto de um Baobá plantado por ele em Pombal, que fotografei.

Marcus Prado – jornalista.

Ku Klux Klan (KKK) – por @historia_em_retalhos.

Ku Klux Klan (KKK) é o nome adotado por diversas organizações nos EUA que pregam a supremacia dos brancos, antissemitismo, racismo, anticatolicismo, anticomunismo, homofobia e nacionalismo.

O primeiro Klan surgiu no sul do país, em 24 de dezembro de 1865.

Frequentemente, essas organizações recorrem ao terrorismo, à violência e aos atos intimidatórios (como a queima das cruzes) para oprimir as suas vítimas.

Esses grupos foram organizados por veteranos do Exército Confederado dos EUA, que, depois da Guerra da Secessão, quiseram resistir à Reconstrução.

A organização adaptou rapidamente métodos violentos para conseguir a sua conclusão, contudo houve uma reação que, em pouco tempo, levou à sua derrocada, pois as elites do sul vieram para a Klan, em verdade, como pretexto para que as tropas federais permanecessem ativas naqueles estados do sul.

A KKK foi formalmente dissolvida em 1870, pelo presidente republicano Ulysses S. Grant, por meio da Lei de Direitos Civis 1871, conhecida como “A Lei da Ku Klux Klan”.

O grupo, porém, ressurgiu em 1915.

Seus membros opunham-se aos judeus, além de fazerem profunda oposição à Igreja Católica.

Naquela época, a organização adotou um traje branco padrão e usava palavras de código semelhantes às do primeiro Klan, além de ter adicionado os rituais de queima de cruzes (foto) e de desfiles.

Essa fase do grupo terminou em 1944.

A atual encarnação da Ku Klux Klan surgiu nos anos 50, após a promulgação da lei contra a segregação racial nas escolas públicas.

O grupo agia de forma violenta, cometendo assassinatos e atentados contra negros.

No fim dos anos 70, o grupo perdeu a força, pois os seus líderes tiveram que pagar grandes indenizações para as vítimas dos seus atentados.

Atualmente, a KKK não é considerada uma organização, mas um coletivo de grupos independentes espalhados pelos EUA.

A partir dos anos 90, organizações neonazistas acabaram absorvendo ex-membros da KKK, tirando a força da entidade original.

Campanhas recentes da Ku Klux Klan tinham como alvo a imigração ilegal e as uniões civis homossexuais.
.
Fonte: @ronaldohistoriador
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/Cmi_eyxui9O/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

A casa de Manuel Bandeira na Rua do Curvelo (RJ) – por Marcus Prado.

Vem do governo alemão um exemplo raro de tributo à memória de um grande escritor. O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, (1956-) assumiu o compromisso de adquirir, para fins culturais, as casas onde o Nobel Thomas Mann havia morado, na Europa e nos EUA, e assim o fez e cumpriu a intenção. TM é autor de obras que hoje fazem parte do cânone da literatura universal, como os romances A Montanha Mágica e Os Buddenbrook e as novelas Morte em Veneza e Tonio Kröger. Até o casarão da mãe do escritor, a brasileira Julia Mann (1851-1923), em Paraty (Rio de Janeiro), fazia parte cimeira do projeto, mas a transação, infelizmente, não foi aceita por seu atual proprietário, o navegador Amyr Klink. (Ele estava fora do Brasil quando estive em Paraty para uma entrevista sobre o assunto, havia deixado o irmão, que me recebeu num café da manhã, enfatizando a intenção do Amyr não se desfazer da casa).

Escrevo para dizer e muito a lamentar que a casa da Rua do Curvelo, 53, bairro de Santa Teresa, do poeta pernambucano Manuel Bandeira, onde ele viveu os anos mais difíceis e paradoxalmente criativos de sua vida, foi demolida. Ali, ele viveu modestamente durante quase 15 anos, pobre, doente, só, sem emprego, por conta de um montepio deixado por seu pai, algo como um salário mínimo na época.

No artigo “O diário de Gilberto Freyre”, Antônio Carlos Villaça conta que Gilberto Freyre, quando em viagem ao Rio, em 1926, “foi visitar Manuel Bandeira na Rua do Curvelo, 51”, (…) “lindo lugar, mas casa de pobre”. Nos breves cômodos do poeta, era num quarto que recebia as visitas. Apenas uma janela servia como mediação entre o espaço interno e o espaço externo da rua. A vida como um rio que passava e poderia ser vista da janela, sob a proteção das paredes da casa. Uma certa paisagem construída de forma subjetiva por ele, realizada por meio de um sentimento que só a poesia sabe dizer. Era com o sotaque das suas origens que inventava o seu miradouro. Tenho para mim que nenhum poeta de nosso idioma como esse pernambucano teria visto de uma simples janela as coisas, os seres, o panorama da existência, o mundo, as alegrias e as dores, a poética do cotidiano e as coisas efêmeras, a paisagem construída pela memória, que convém aos momentos raros da vida.

Arthur Miller (1915-2005) teve a sua “ponte” para ver o mundo. Para Manuel Bandeira bastou uma janela, sobre a qual, recentemente, uma máquina de demolição por implosão reduziu a cinzas. Tudo na hora durou um instante, “rugiu como um furacão”, como no seu poema As Cinzas das Horas (1917).

Foi nessa casa onde ele, morando apenas de um quarto, (o aluguel era sublocado) sob impacto de imensa nostalgia do passado do seu tempo recifense distante, já tuberculoso, teve a ideia de fugir de tudo o que lhe atormentava e escreveria um dos seus mais belos poemas de exaltação a essa cidade: “Vou-me embora pra Pasárgada/Lá sou amigo do rei/ Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei/ Vou-me embora pra Pasárgada”. Ele sempre confessava gostar desse poema, porque via nele “em escorço” toda a sua vida. Porque lhe parecia que nele soubera “transmitir a tantas outras pessoas a visão e promessa” da sua adolescência no Recife. Um poema que faz parte da sua melhor Antologia Poética, de todas as Antologias da melhor literatura brasileira contemporânea. Um poema como o de Carlos Drummond de Andrade (l902-1987), Os Ombros Suportam o Mundo, (Sentimento do Mundo) síntese de sua vida e do seu tempo. Só por esse poema, não bastasse o vulto humano de Manuel Bandeira, essa casa deveria ser tombada, que jamais permitissem a sua demolição.

Faço daqui um apelo ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, (que já tem um interessante projeto de restauro de imóveis antigos) para que, em parceria com a Academia Brasileira de Letras, da qual Bandeira foi integrante, mande colocar no que restou da velha casa de Manuel Bandeira, uma placa alusiva ao mais importante morador daquele bairro e que foi um dos mais cariocas, amorosamente cariocas, dos poetas do seu tempo. A casa que foi, também, durante muitos anos, de Rachel de Queiroz.

Marcus Prado – jornalista.

O massacre de Serra Pelada – por @historia_em_retalhos.

A mina de Serra Pelada, no Pará, ficou conhecida como o maior garimpo a céu aberto do mundo.

Aquele lugar, que remetia ao sonho de poder e fama, atraiu milhares de aventureiros, a partir do início da década de 80, compondo a imagem de um formigueiro humano, em um vaivém frenético, em busca da fortuna instantânea.

No auge da produção (1982/1986), cerca de 120 mil pessoas viveram em Serra Pelada.

Para trás, porém, ficou o legado de degradação ambiental, omissão do poder público, impunidade, miséria e violência.

Foram muitos os massacres naquela região (sendo impossível contabilizar o número de corpos), mas o mais sangrento deles aconteceu em 1987.

Naquele ano, a mobilização dos garimpeiros que reivindicavam caminhões e tratores para o rebaixamento da grande cava ganhou força em 27 de dezembro, quando uma enorme assembleia de trabalhadores foi realizada.

Parte deles, cerca de 4 mil, seguiu em transportes particulares até Marabá, coordenados por Jane Rezende, a primeira mulher líder de garimpo no Brasil.

Como não foram atendidos pelas autoridades do estado, interditaram o acesso à ponte sobre o Rio Tocantins, impossibilitando a passagem das locomotivas da Companhia Vale do Rio Doce, grande interessada na área.

A chacina ocorreu em 29 de dezembro.

Por volta das sete da noite, 500 homens da PM armados de fuzis e metralhadoras encurralaram os garimpeiros de um lado da ponte, enquanto a tropa do Exército fechou a outra cabeceira.

As vozes foram abafadas a tiros e bombas de gás lacrimogênio.

Dezenas tombaram ali mesmo.

Outros tiveram os corpos pisoteados por aqueles que tentaram escapar na escuridão.

Houve, ainda, aqueles que se jogaram do alto do vão central, de altura superior a 75m, caindo sobre pedras no leito do rio.

O número oficial de mortos e desaparecidos foi de 79 pessoas, mas se fala em até 133 vítimas.

A mesma estratégia da PM do Acre voltou a ser repetida, anos mais tarde, nos massacres de Eldorado dos Carajás (1996) e de Pau d’Arco (2017).
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/CmtQMzGOdRg/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Irmãs Mirabal – por @historia_em_retalhos.

Essas são as Irmãs Mirabal: Pátria, Minerva e Maria Teresa.

Essas três mulheres foram assassinadas, no dia 25 de novembro de 1960, pelas forças de repressão da ditadura do presidente dominicano Rafael Trujillo (1930-1961).

O fato culminou na criação do “Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher”, instituído pela ONU, na data da morte das irmãs.

Desde sempre, as três irmãs abraçaram a luta contra a ditadura de Trujillo como uma missão de vida.

Ao longo dos anos, foram presas, torturadas e violentadas, mas se recusaram a desistir da missão de restaurar a democracia e as liberdades de seu povo.

Enquanto estudava, Minerva descobriu que o pai de uma amiga havia sido morto por se opor ao regime.

Tal evento tornou-se um catalizador para a sua luta política.

O governo de Trujillo silenciava a oposição e caçava dissidentes, sendo marcado por corrupção e nepotismo.

As irmãs de Minerva, então, decidiram segui-la: primeiro, Maria Teresa.

Depois, Pátria, que aderiu após testemunhar um massacre durante um retiro religioso.

Unidas, Minerva, Maria Teresa e Pátria reuniram um grupo dissidentes e fundaram o “Movimento Revolucionário 14 de Junho”.

Em 25.11.1960, Pátria, Minerva e Maria Teresa estavam retornando para a província de Salcedo, quando foram abordadas por um grupo de homens de Trujillo.

As irmãs foram levadas para o meio do mato, onde foram estranguladas e espancadas até a morte.

Os corpos foram recolhidos e colocados nos jipes, na tentativa de fazer com que as suas mortes parecessem um acidente.

Estava claro que não fora um acidente e o assassinato das irmãs gerou uma enorme comoção no país e no mundo.

Neste ano, o CNJ liderou a campanha de “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, relembrando a trajetória das Irmãs Mirabal.

Um aspecto importante: havia, ainda, uma quarta irmã, Dedé Mirabal.

Esta viveu até os 88 anos e criou a “Fundação Irmãs Mirabal”, para manter o legado de suas irmãs.

Dizia Dedé:

“Quando me perguntam o porquê de eu não ter sido assassinada, sempre respondo: para que eu pudesse contar a verdade”.

A quem interessar, recomendo “Las Mariposas: Hermanas Mirabal”. 🎥
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/Cmou9R3u-9p/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D