OS PASTEIS DE DONA MARIINHA DE SEU CAQUILHO – Marcus Prado

O  MOTORISTA  pára o carro em Aguero, vilarejo  ao pé de um grande rochedo, com  pouquíssimas casas e uma  só torre de Igreja, no leste da Espanha,  e chego a  pensar  que  estou no paraíso.

Tudo ali era  calmo e tranquilo como antigamente acontecia   na Rua das Pedrinhas, em Vitória de Santo Antão. ( O silêncio é tanto que bem se pode ouvir a queda de uma folha seca sobre o chão) . Até quando, na  Plaza Mayor,  na vitrine humilde  de uma  casa de lanches, vejo  alguns pastéis expostos, e  meninos cheios de vida chegando ,  olhos arregalados.   Pareciam os  meninos do Pátio da Matriz na porta de “dona” Mariquinha de “seu” Caquinho, na Rua Imperial,  na hora em que a lenha do forno ardia, no preparo dos  pastéis.

Eis que me vejo , pela imaginação,  de volta à terra natal, ao tempo isento de qualquer  mudança, nas coisas e na paisagem.

Marcus Prado – Jornalista.

4ª Festa da Saudade: SUCESSO TOTAL!!

Com as graças de Deus e a proteção do Glorioso Santo Antão a 4ª Festa da Saudade transcorreu dentro do desenho imaginado. Mesmo sem combinar com as pessoas a animação e a coreografia dos dançantes também estavam no conjunto da ópera. É bom que se diga: não se constrói um evento marcante da noite para o dia,  muito menos sozinho.

Alem do bom repertório musical ( executado com maestria pela Orquestra Super Oara )  e de toda uma estrutura pensada, a Festa da Saudade também favorece o reencontro de pessoas diferentes entre si, mas que convergem no mesmo sentido quando o assunto  refere-se  ao entretenimento dançante.

Do semblante das pessoas saltavam  satisfação e alegria –  facilmente decodificada pelos condutores do evento.   Assim sendo, após uns noventa dias de intenso vai e vem, contatos, idas e vindas  renovo a certeza de que esse modelo de festa,  nas terras desbravadas pelo português Digo de Braga, ainda tem muito gás para queimar. Para tanto, bastar calibrar e ajustar a combustão…..Mais uma vez, obrigado a todos que deixaram suas residências na direção do Clube Abanadores “O Leão”, na noite do sábado, dos dia 24 de Agosto de 2019. Ano que vem tem mais!!!

As muitas saudades da Festa da Saudade- por Raphael Oliveira

Como eu posso sentir nostalgia (saudades) de algo que eu não tenho idade para ter vivido? Essa pergunta ficou ecoando na minha cabeça, desde o momento em que eu coloquei o pé dentro da sede do Clube Abanadores O Leão, onde aconteceu a 4° Festa da Saudade, e eu acredito que Saudade é o nome mais apropriado para tudo aquilo que aconteceu dentro daquele lugar, naquela agradável noite de sábado (24), onde o objetivo final daquele evento foi, acima de tudo, o reencontro, com amigos e principalmente com as memórias.

Quando vamos à uma festa como essa, na verdade estamos adentrando numa espécie de máquina do tempo, nos olhos daquelas pessoas que estavam chegando ao Leão, estavam estampados os grandes bailes do passado, que aconteciam na Gamela de Ouro, na Toca do Coqueiro, no Clube dos Motoristas, onde não tinha problema nenhum se precisasse voltar para casa altas horas da madrugada, caminhando pelas ruas da cidade de mãos dadas com a “paquera” que tinha conhecido naquela noite.

Eu tenho essas memórias, baseadas em histórias contadas por meu pai, por minha minha mãe e que ali naquela noite, estavam sendo materializadas diante dos meus olhos, o clima ajudou bastante, o local também, imaginei quantos e quantos bailes aconteceram naquele espaço na década de sessenta e setenta, bailes estes regados a Renato e seus Blue Caps e The Fevers, imagino My Mistake dos Pholhas tocando no sistema de som, com vários Fuscas estacionados do lado de fora esperando a hora de levar o “broto” pra casa.

Ao entrar na festa já fui recebido por Have You Ever Seen The Rain, de Creedence Clearwater Revival, sendo interpretada pela nostálgica Made in Recife, banda que veio da
capital Pernambucana, para abrir os trabalhos naquela noite. Com um repertório calibrado, a banda tocou vários sucessos nacionais e internacionais das décadas de 70 e 80, eles já são velhos conhecidos do público Vitoriense, faziam apresentações mais intimistas na saudosa Varanda do Tadeu, mas na Festa da Saudade, mostraram toda a pompa de uma banda que já faz parte história da cidade apesar de não serem daqui como o próprio nome do grupo sugere.

Logo após o ótimo show de abertura, veio a grande atração da noite, a Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, ou Orquestra Super OARA, liderada por Elaque Amaral e fundada em 1958 pelo pai, “seu” Beto. O grupo de Arcoverde é a segunda banda de baile mais antiga em atividade no Brasil, perdendo apenas para a Filarmônica Tabajara do Rio de Janeiro, e toda essa história e experiência são refletidas no palco, o início do show é um acontecimento a parte, o naipe de metais dando força ao arranjo da música, a percussão dando a cadência, e o piano de Elaque completando a harmonia. Mesmo no início do show, ao som dos primeiros acordes, o salão já ficou cheio, num set afiadíssimo de boleros que iniciou os trabalhos da noite, assim a máquina do tempo da Festa da Saudade trabalhou na sua potência máxima e se manteve assim durante toda a noite, embalando casais das mais diversas idades que rodopiavam o salão, inebriados pela força da nostalgia de cada canção executada.

Cristiano Pilako mais uma vez cumpre o seu papel de um resgate histórico de outros tempos que cada vez ficam mais distantes, mas enquanto houver pessoas apaixonadas pelo passado, e que tem o prazer de ouvir a boa música, a chama da Festa da Saudade se manterá acesa, e o sucesso desse grande baile, cada vez mais agigantado,  ano após ano, apenas comprova isso.

Raphael Oliveira 

Direitos Humanos participa de reunião com empresários dos transportes urbanos.

Empresários dos transportes urbanos na grande Vitória, participaram no dia 21/08/19 às 10:00h no Plenário da Câmara de Vereadores de uma reunião com diretores do Escritório Vitoriense de Direitos Humanos para uma explanação da Lei Municipal 4.357/2019, que regularizou a padronização nas cadeiras reservadas aos idosos e pessoas com deficiência.

A Dra. Joseneide, presidente do Escritório de DH, esteve acompanhada dos diretores Wilson Brito, Ouvidor, Dr. Aloisio Jorge, Departamento Jurídico, Sr. Alexandre Rogério, da Advisa, atendendo convite do Vereador Lourinaldo Júnior, autor do Projeto de Lei.

A maior dificuldade dos empresários do setor de transportes é a questão da acessibilidade e mobilidade para pessoas com deficiência, quanto aos idosos, e gestantes houve um trabalho educativo com fiscalização e palestras e cerca de 80% da frota de ônibus, fez as adaptações nos acentos prioritários. A equipe dos Direitos Humanos trabalha em parcerias com alguns vereadores, secretarias da prefeitura da Vitória, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e Ministério Público estadual.

A Dra. Joseneide Adriana respondeu muitas perguntas, na sua explanação reconheceu o exitoso  trabalho junto aos empresários das empresas de transportes, da população composta de usuários que elogiam e aplaudem o esforço compartilhado, com o Governo Municipal, Estadual e Organizações não Governamentais.

Assessoria.

4ª Festa da Saudade: mesas e camarotes esgotados!!!

No próximo sábado, dia 24 de agosto, nos salões do Clube Abanadores “ O Leão”, a sociedade antonense tem encontro marcado com a boa música  sob o véu da nostalgia dos grandes bailes de outrora. Como molho musical principal, a inconfundível Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos – Super Oara.

Para o evento aludido todas as mesas e camarotes  – no limite da boa mobilidade –  foram reservados pelos bons festeiros e dançarinos da nossa cidade e também das cidades circunvizinhas, mostrando assim que a animação está garantida. Aproveito, desde já, para agradecer a todos pela confiança e atenção. Vamos pra festa, dançar e se divertir!!!

Burle Marx, a pintura e o despertar de uma paixão – por Marcus Prado.

Muito já foi escrito por especialistas brasileiros e de outros países sobre o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1904), filho de Wilhelm Marx, judeu alemão, nascido em Stuttgart e criado em Tréveri, e de Cecília Burle Dubeux, uma recifense de Apipucos, de ascendência francesa. Agosto é o mês das celebrações de aniversário (dia 4 de agosto) desse vulto central da gênese do jardim moderno. Todos já disseram que ele foi o mais influente e respeitado paisagista do século em que viveu, que sua obra pode ser encontrada ao redor de todo o mundo, uma referência até hoje inultrapassável na condição, raríssima, de paisagista de muitos saberes e criatividade. Entretanto, poucos ampliaram estudos e pesquisas sobre o Burle Marx escultor, desenhista, tapeceiro, designer de joias, músico e ceramista.

Foi nas visitas que fiz ao sítio Santo Antônio da Bica, em Guaratiba (Rio de Janeiro), lugar de plantios, pesquisas e experimentos com espécimes vegetais, templo de arte e buscas de novas formas de criação estética, que tive a oportunidade de conhecer e fotografar, demoradamente, o que de valor inestimável o genial artista nos legou no campo da pintura. Todas as peças do acervo permanente estavam expostas diante de mim, dando-me a impressão de que havia uma ligação estilística entre a pintura e o paisagista. Crescendo o meu interesse por esse lado da estética burlermaxiana tive um encontro, que durou mais de duas horas, para mim enriquecedor, além de inesquecível, com um dos amigos mais próximos de Burle Marx: o saudoso Acácio Gil Borsoi. Para ser preciso, na torre cimeira de sua casa olindense de Nossa Senhora do Amparo..

O interesse de minha conversa com Acácio, ele já sabia, era sobre Burle Marx pintor e suas habilidades polivalentes. Acácio me falou sobre a linguagem notoriamente orgânica e evolutiva de Burle Marx, sobre a sua arte como pintor, identificada com as vanguardas artísticas. Sem esquecer o concretismo, “tão presente na sua pintura”. Sabe-se que Roberto passou uma temporada na Alemanha, levado por seus pais, a partir de 1928. Seus biógrafos, até os seus colaboradores mais próximos, faltam dizer algo mais sobre a sua grande vocação para a pintura, antes de abraçar o paisagismo. Isso se deu em Berlim, incentivado por uma bela professorinha alemã, Erna Busse, que ficaria apaixonada pelo jovem aluno brasileiro desde a primeira troca de olhar. Erna era budista e possuidora de uma inteligência rara.

Ela via no jovem Roberto a reencarnação do seu falecido noivo, morto na Guerra. A partir do primeiro encontro houve uma dedicação afetiva, da parte de Erna, de tamanha magnitude e entrega, que poderia ser tema de um grande romance ou de um filme. Juntos visitavam, quase diariamente, os teatros, os museus, as exposições de Manet, Mondriand, Monet, Renoir, Picasso, Paul Klee, Matisse, o que havia de melhor dos expressionistas, a pintura pré-cubista, os quadrados, triângulos, círculos e cubista de Cézanne, as fraturas trazidas do cubismo, a construtibilidade lírica dos seus traços, Picasso, Léger, Gris, Lhote, Braque (este, que se tornaria uma das suas paixões no campo da pintura). Numa das tardes berlinenses de muita neve que, entretanto, acontecera, foram ao ateliê de pintura de Degner Klemn. Burle Marx tornou-se aluno dele. Quando nada acontecia saíam, juntos, nas horas de ensolarada quietude, colhendo violetas nos jardins da cidade. Numa dessas visitas, Roberto Burle Marx receberia o impacto do Jardim Botânico de Dahlen. Aí, começa outra história, a mais bela e rica experimentada por um gênio do paisagismo.

   Marcus Prado – jornalista 

O Conselho Tutelar e a Importância do voto – por Wanessa Freitas.

1) Você sabe o que é e qual a função do Conselho Tutelar? Você sabe,
também, a importância do seu voto para eleições do Conselho?

Muitas pessoas já ouviram falar do Conselho Tutelar, mas o fato é que na maioria das vezes estas pessoas não saberiam descrever o que é e qual a função do Conselho Tutelar, por conseguinte não sabendo o que é e como funciona, não saberia discernir a importância do voto para as eleições do Conselho Tutelar. Portanto vamos esclarecer como funciona e o que faz o Conselho Tutelar, como também a importância do voto com informações importantes que serão apresentadas neste artigo, que deverá servir para mostrar a importância deste órgão para a sociedade como um todo.

a) O que é o Conselho Tutelar?

O nosso ordenamento jurídico traz na Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, de forma clara que o Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Permanente porque é um órgão contínuo e infindável; autônomo porque apesar de pertencer à administração Pública Municipal não é subordinado pelo executivo municipal quanto às suas atribuições institucionais e não jurisdicional porque o Conselho Tutelar não é um órgão julgador, seus conselheiros tutelares não possuem as mesmas atribuições de um magistrado e suas atuações são passíveis de controle do judiciário.

b) Qual a função do Conselho Tutelar?

O Conselho Tutelar possui diversas atribuições, sendo que dentre estas a principal é atender crianças e adolescentes que tenham seus direitos previstos no ECA ameaçados por ação ou omissão da sociedade e do Estado. Também cuida e atende crianças e adolescentes cujos pais ou responsáveis lhe faltem, ou até se estes ofereçam risco à formação dessas crianças e adolescentes além de fornecer proteção quando situações de abuso sejam observadas. Em casos de abusos ou maus tratos, recebendo as denúncias, o Conselho Tutelar irá averiguar a certeza do fato denunciado, e, uma vez constatado a veracidade da denúncia, noticiará a ocorrência de abuso ao Ministério Público que tomará as medidas cabíveis na esfera penal e administrativa em face ao agressor.

c) Porque o seu voto é importante?

A sociedade deve unir forças e se empenhar na efetivação das normas do ECA, desenvolvendo a mais significativa mobilização social com a finalidade do cumprimento dos direitos fundamentais relativos à infância e juventude. Dentre essas mobilizações o voto para o Conselho Tutelar é relevante, contudo, não é simplesmente votar, é necessário que exista previamente uma análise dos candidatos que sejam comprometidos e capacitados, pois o voto deve ser consciente. A escolha de candidatos aptos e qualificados aparentemente pode ser bobagem, mas não é e fará uma diferença positiva não só para as crianças e adolescentes, como também para sociedade como todo. Portanto, como o Conselho Tutelar é o órgão principal encarregado por zelar e cumprir os direitos referentes a infância e da juventude, e as crianças e adolescentes são o futuro do nosso país, logo, é preciso que a sociedade seja mais participativa e vote nas eleições para o Conselho Tutelar, visto que os conselheiros tutelares exerce um cargo de extrema importância devendo ser eficientes para fazer cumprir os direitos da criança e do adolescente, e com isso resultar na perspectiva de construir uma sociedade melhor e mais justa afastando as crianças e adolescentes das facetas perversas da exploração, opressão e exclusão social.

Wanessa Freitas.

4ª Festa da Saudade: a Chef Carmete Marques assina os petiscos do evento!!

No propósito do aperfeiçoamento constante, no conjunto de serviços que se conjugam  na efetivação  de  um grande evento, esse ano, a 4ª Festa da Saudade celebrou parceria com uma profissional na área da gastronomia.  Nesse contexto, porém, os petiscos que serão disponibilizados durante o evento terão a assinatura da Chef de cozinha Carmete Marques.

Formada há quatro anos pela Universidade Maurício de Nassau a entusiasmada profissional é apaixonada pela atividade que  abraçou: “Acordar, trabalhar e dormir respirando gastronomia é o que me inspira a transformar meus pratos em realidade”. Revelou-me a amiga Carmete,  que atualmente  comanda a cozinha do seu  próprio negócio.

Assim sendo, de maneira inovadora, o evento dançante mais esperado da cidade, além de outras novidades em  áreas distintas,  também terá uma profissional do ramo  da gastronomia visitando as mesas,  para indicar e sugestionar à melhor opção no petisco. Dançar, se divertir, beber e comer bem!!!Essa é a proposta da 4ª Festa da Saudade. 

A NUDEZ DE MARTHA DE HOLANDA – por Marcus Prado.

 

A ESCRITORA VITORIENSE MARTHA DE HOLANDA em tudo foi uma antecipada, antecipadíssima, corajosa, desobediente. Sua biografia, escrita por Luciene Freitas, merece o nosso reconhecimento e aplauso pelo notável esforço de pesquisa. Um episódio marcante de sua índole de rebeldia permanece ainda não revelado: aquela cena de nudismo, a única e mais bela jamais vista, com tamanha categoria e arte, nas terras antonenses.

Foi quando, ainda jovem, solteira, numa certa noite de verão, a autora de O DELÍRIO DO NADA teve como única alternativa e apelo de conforto, permanecer, por instantes, não demorados, quase nua, os belos seios soltos como pássaros no infinito, na varanda do sobrado em que morava na companhia dos pais, na antiga Farmácia dos Holanda vitorienses, na Rua do Comércio. No sobrado que pertenceu a Nestor de Holanda, Maria Belkiss e Diva de Holanda, hoje patrimônio histórico de Pernambuco por minha iniciativa, no Conselho Estadual de Cultura. Seios que pareciam os das ninfas dos bosques e dos contos de fadas, no exagero da poesia. Os seios de Martha, na sua alvura, na aragem fria que ela encontraria  naquele lugar, pareciam os seios de Duilia, da famosa narrativa de Aníbal Machado.

Martha era assim: provocação e sensualidade, eternamente desafiadora, chamamento ao desespero das horas sonhadas, sem perder a sua dignidade e altivez. Os olhos grandes, rasgados, de um brilho persistente, mesmo quando ela se afastava feito as ondas de um sino ficam para sempre soando no ar. O inesperado nessa noite quentíssimo, aconteceu: uma tia de Martha, católica praticante, que morava na mesma rua, noutro sobrado, viu esta cena de espontânea liberdade e bem-estar da nossa Martha, e exclamou, a voz alta de censura: OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPEIA? Martha respondeu de imediato: Não, mas contemplo daqui, tristonha, a lamentar, a DECADÊNCIA FÍSICA DE UMA GERAÇÃO.

Marcus Prado – Jornalista

SAUDOSAS VENDAS E LOJAS VITORIENSES (5) – por Marcus Prado.

LOJA DE ISMAIL HAMMAD – O forte dessa loja era a miudeza, além de outras variedades domésticas. Ismail dividia com Martha, sua esposa, o comando da loja, localizada no centro comercial da cidade. Martha era filha de um tradicional lojista vitoriense. Ismail tinha, como raros, no seu ramo, um vasto interesse pelas coisas do Brasil, era um crítico de políticos inoperantes. Dizia com forte sentimento de gratidão que era um imigrante acolhido com muito carinho pela cidade que o adotou como um dos seus
filhos. A diferença dessas lojas do passado para os modernos super-mercados dos nossos dias, entre tantas razões e motivos bairristas, é que nelas a gente falava com os donos.

Marcus Prado – jornalista 

AVLAC – mais uma reunião ordinária…..

Na manhã do domingo (18) aconteceu mais uma reunião ordinária da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Sob o comando do presidente Serafim Lemos o encontro aconteceu na sede da instituição – Sobradinho – e contou com a participação de membros e convidados.

Na qualidade de convidado, o amigo Zito de Galileia apresentou alguns dos seus trabalhos – literatura de cordel. A professora e escritora Maria do Carmo da Silva,  da cidade de Gravatá, fez uma breve apresentação da sua obre que tem como foco os povos indígenas.  Em breve a AVLAC promoverá evento para comemorar mais um ano de passagem da sua fundação.

The Beatles Night – por Raphael Oliveira 

Aconteceu no último Sábado (17) um evento que já faz parte do Calendário Cultural de Vitória de Santo Antão, trata-se do The Beatles Night, que em outros anos já teve o nome de Uma Noite em Liverpool, organizado pela loja Clássicos do Rock do amigo Sebastião Cristóvão e que pela primeira vez aconteceu no Espaço de Ouro, casa de shows que fica ao lado do tradicional restaurante A Gamela de Ouro, que já foi palco de eventos passados.

Como o nome já entrega, trata-se de uma noite dedicada aos Beatles, uma das maiores bandas de todos os tempos, e que neste ano de 2019 completam cinquenta anos do lançamento do seu último disco de estúdio, o Abbey Road de 1969, que marcou o fim da lendária banda. Para provar que mesmo após tanto tempo do término do conjunto, a chama da Beatlemania se mantém acesa, a casa de shows Espaço de Ouro, recebeu fãs e admiradores de todas as idades que puderam acompanhar grandes sucessos dos Beatles, interpretados pela banda cover Revolution Beatles Band da cidade do Recife.

O clima estava propenso, uma chuva fina que caía do lado de fora deixou a noite com uma cara um pouco mais “Inglesa”. Quando o relógio marcou 22:00 teve início o primeiro show da noite, que ficou por conta da banda Sexto Ato de Vitória de Santo Antão, destilando sucessos das décadas de 60, 70 e 80, como Creedence Clearwater Revival, Doobie Brothers, Bread, America, U2 dentre outros. O público cantou, dançou e se divertiu com o show de abertura, ficando no clima perfeito para o show que viria a seguir.

 Por volta da meia noite teve início o principal show do evento com a Revolution Beatles Band, que começou com grandes clássicos dos Beatles como From me To You, Day Triper, We Can Work it Out, passando por clássicos da carreira solo de cada Beatle, como Give me Love de George Harrison e No More Lonely Nights de Paul Mccartney. A banda Recifense é um dos principais covers dos Beatles no Nordeste, e em conversa com o guitarrista Carlos Vilanova, ele disse que “É sempre um prazer voltar a Vitoria de Santo Antão para tocar Beatles”, exaltando a coragem e a persistência do organizador do show, Sebastião  Cristovão, que todo ano marca a cena musical vitoriense com esse tipo de evento.

Foi mais uma noite memorável que ficará marcada na história Vitoriense, esperamos que esse tipo de evento se perpetue na cidade, pois a casa repleta de fãs mostra que o público que se renova é fiel e que sempre vai prestigiar a boa música de décadas passadas.

“Beco do Cornelio”: mais informações e histórias – por Fernando Borges e Lucivanio Jatobá.

Em relação ao artigo recentemente postado, escrito pelo jornalista Marcus Prado, retratando o “Beco do Cornelio”, recebemos dois comentários que somam no contexto histórico da nossa cidade.

“Conheci e conheço o Beco de Cornelio e conheci o próprio .Cornelio era um soldado aposentado da policia ele vendia revolveres balas…comprei muita bala de revolver 38 e de rifler 44…e eu ainda menino comprava esta munição e levava para o engenho e lá atirar”

Fernando Borges. 

“No Beco do Cornélio, até março de 1964, funcionou no.primeiro andar de um desses prédios à direita da foto a Associação dos Estudantes de Vitória ( ou vitorienses). Não sei se era subordinada à UNE, que na época andava por Vitória, por conta das Ligas Camponesas. Jetro era um jovem estudante que estava à frente da Associação. Fui uma vêz ao local… Fiquei fascinado com o que vi. Disse a meu pai…Quase levo uma surra. Fazia o primeiro ano Ginasial”. 

Lucivanio Jatobá. 

4ª Festa da Saudade: contagem regressiva – falta apenas 01 sábado!!!

Praticamente, tudo pronto para o acontecimento dançante mais esperado da nossa cidade. Agora, resta apenas um só sábado! A 4ª Festa da Saudade acontecerá no próximo dia 24 de agosto no Clube Abanadores “O Leão”, a partir das 22h,  e contará com duas atrações musicais: Banda Made In Recife e Orquestra Super Oara.

Por falar na Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos (OARA), conjunto musical com mais de seis décadas de “estrada”, o amigo e líder do grupo, Elaque Amaral, em vídeo, revelou que também está na contagem regressiva para sua próxima apresentação na nossa cidade e prometeu muita animação, música boa e uma noite inesquecível.  Veja o vídeo.

SAUDOSAS VENDAS E LOJAS VITORIENSES (5) – por Marcus Prado.

LOJA DE CORNÉLIO, O BECO. Toda cidade que não tem no seu traçado urbano um BECO, é uma cidade incompleta, algo de romântico e telúrico está faltando nela. É por isso que o morador de Brasília ainda hoje sofre de frustração crônica pela falta de um BECO, pior ainda, pela falta de esquinas. Vitória tem o seu BECO mais famoso: o BECO DE CORNÉLIO. O beco do Borges e o Beco da Macaca tiveram, também, no passado, um lugar de relevo no imaginário vitoriense.

Marcus Prado – jornalista

ORGULHO DE SER VITORIENSE – por André de Bau

Povo querido da Vitória:

Após ter sido convidado pelo amigo Pilako para publicar um artigo quinzenalmente neste conceituado veículo de comunicação, quero, inicialmente, agradecer ao ilustre conterrâneo por esta gratificante e valiosa oportunidade de expressar minhas idéias e conhecimentos e, ao mesmo tempo, deixar aqui patenteado que me sinto muito honrado com o gentil convite. Dito isto, nesta primeira publicação, quero me dirigir à família vitoriense para discorrer sobre a nossa origem cívica, o destemor do nosso povo, e a nossa tradição de lutas históricas. É oportuno justificar que fiz uso da expressão “família vitoriense” no singular, intencionalmente (em vez de “famílias vitorienses”), na certeza de que desta forma não perco a abrangência de me referir a toda a comunidade local, porque considero a população vitoriense uma única e grande família. Uma família unida no convívio salutar com a pluralidade de raças, traduzindo, aliás, a miscigenação do nosso povo, decantada pelo notável escritor pernambucano Gilberto Freire.

Uma grande família, unida pelo trabalho, seja voltado para o setor industrial, que nos gera divisas econômicas e fama internacional; no comércio intenso, que, inclusive, realiza uma das maiores feira-livre do estado de Pernambuco; seja na agricultura, transformando o município num verdadeiro celeiro, destacando-o como um grande exportador de alimentos naturais e um dos maiores produtores de hortaliças da região. Uma grande família, unida na diversidade de crenças religiosas, comum, porém, em servir a um mesmo Deus de amor, bondade e misericórdia. Uma grande família ordeira, amiga e hospitaleira, mas que não arrefece os ânimos e revela sua coragem cívica quando se trata de defender dignos propósitos como a liberdade democrática e as garantias individuais do ser humano, aliás, a bravura e o heroísmo são índole do nosso povo, o qual, já deu à história inúmeras páginas com demonstrações de destemor e ufanismo. Sobejam os exemplos: aqui nesta terra de heróis, teve início a Guerra dos Mascates, liderada pelo Capitão-Mor Pedro Ribeiro da Silva, visando acabar com a exploração comercial por parte dos “atravessadores” que atuavam naquela época;  Na Guerra do Paraguai, Vitória viria a ocupar novamente posição de destaque na história, com o alistamento de Mariana Amália do Rego Barreto entre “Os Voluntários da Pátria”; Duas décadas antes da Abolição da Escravatura, Vitória já marcava espaço na luta por esse objetivo, com a fundação da Sociedade Auxiliadora de Emancipação dos Escravos; Mais proximamente, na segunda metade do Século XX, Vitória viria a chamar a atenção do mundo inteiro na luta pela Reforma Agrária, através do movimento revolucionário liderado pelas chamadas “Ligas Camponesas”, com destaque para o núcleo formado no Engenho Galiléia.

Entre todos os movimentos libertários que aqui tiveram origem, porém, considero a Batalha das Tabocas, que estamos a celebrar neste mês seu 374º aniversário, a mais importante, cujo episódio, conforme registra a nossa história, marca a vez primeira que os próprios brasileiros defenderam a Nacionalidade Pátria, nos conferindo o galardão de Berço da Nacionalidade Brasileira. Os fatos acima mencionados atestam que, ao longo dos seus quase quatro séculos de formação, Vitória demonstrou ser detentora de um povo bravo, trabalhador e que não teme enfrentar desafios e nem foge da luta pela liberdade e, por isso mesmo, um povo vocacionado para ser feliz. Daí, a minha satisfação de fazer parte desta grande família e o meu imensurável orgulho de ser vitoriense.

André de Bau – advogado e vereador da Vitória. 

OBS: Reitero Preito de gratidão ao amigo Pilako.

SAUDOSAS VENDAS E LOJAS VITORIENSES (4) – por Marcus Prado.

O PUXA-PUXA, de Doralice, perto da casa do Pastor Lidônio e do sobrado de Genaro Trajano. Não havia doce igual a esse puxa-puxa. Ainda sinto o gosto dele no céu da boca quando passo por esse lugar. Depois, descobri, secretamente, a receita desse puxa-puxa: 2 litros de leite — 2 kg de açúcar cristal; 1 pitada de bicarbonato de sódio (para o leite não talhar); 1 pitada de sal (para puxar o doce). Preparo: Numa panela, queime 400 gramas de açúcar, até que derreta e tome uma coloração escura. Em seguida, coloque o leite, o bicarbonato e o sal, mexendo sempre. Acrescente o restante do açúcar, até a massa engrossar e chegar ao ponto de doce de cortar. Ela fica no estilo “puxa”. Retire do fogo e deixe esfriar. Faça bolinhas, com as mãos, e enrole em papel celofane comum. Rendimento: Aproximadamente dois quilos de balas deliciosas.

Marcus Prado – jornalista. 

Avenida Mariana Amália – por Lucivânio Jatobá.

Pilako,
A Avenida Mariana Amália era a minha ” Avenida Copacabana”: enorme ( para meus olhos e perspectiva de menino) e linda demais. Recordo do meu pai no início dos anos 1960, comprando o Diário da Noite, todos os dias da semana. Lembro ainda da Comemoração da Copa de 1962, ali na avenida. E recordo dos Carnavais daquela década, indo comprar farinha de trigo para participar do mela-mela, depois, na Praça do Livramento e na Rua Ruy Barbosa, defronte do Cine Diogo Braga…
Grande abraço!
Lucivânio Jatobá

SAUDOSAS VENDAS E LOJAS VITORIENSES (3) – por Marcus Prado.

 

LOJA DE PAUTILA LOPES – Ficou na minha saudade, porque era no meu tempo vitoriense, a única loja que vendia as melhores revistas do Rio de Janeiro. O Cruzeiro e Seleções eram as minhas preferidas. Entre seus diversos assuntos, a revista O Cruzeiro contava fatos sobre a vida dos astros de Hollywood, cinema, esportes e saúde. Ainda contava com seções de charges, política, culinária e moda. Porém, havia também um grande destaque para a vida da elite jovem brasileira nas páginas da revista com matérias sobre bailes e festas escolares, diversão na praia, eventos esportivos (incluindo competições de estudantes e militares), concursos de beleza, fotos de modelos e entrevistas com jovens ricas. Eu gostava de ler os artigos de página inteira, de Rachel de Queiroz e Gilberto Freyre.