20 de novembro – Dia da Consciência Negra – duas décadas antes da abolição Vitória já debatia o tema!!

Como a própria “comemoração” sugere – “Consciência Negra”-  hoje, 20 de novembro, abre-se um espaço especial dedicado ao debate das questões que envolvem essa ampla temática. Desde o fim da escravidão no nosso País – 1888 – que a sociedade discute e, pouco a pouco, vem avançando e adentrando no chamado “mundo civilizado”.

Na Vitória de Santo Antão do século XIX, tal qual no Brasil inteiro, as discussões foram intensas, conforme registros da época. Duas décadas antes do marco oficial de libertação dos escravos,  em todo território nacional, nas terras de Santo Antão um organizado movimento abolicionista ganhou volume.

Por incrível que possa nos parecer, olhando com os olhos de hoje, o grande debate nacional em torno da questão – abolição – travou-se no campo da insegurança jurídica, afinal a mudança dizia respeito à propriedade e ao patrimônio dos senhores. Discutiu-se até uma indenização coletiva.

Passadas mais de treze décadas, a  estrada continua longa e sinuosa no sentido de uma sociedade menos injusta e mais igualitária. Os descendentes dos escravos em nosso país ainda continuam pagando um alto preço pela falta, lá atrás,  de políticas afirmativas mais amplas. Mas, recentemente, a divulgação dos números  mostrando,  primeira vez na história, que  o percentual de pretos/pardos ultrapassou o de brancos nas universidades públicas nacionais não deixou de ser uma vitória. Com todo respeito às opiniões contrárias, esse tipo de dialogo só deve mesmo ser tratado com pessoas que tem um mínimo de conhecimento histórico sobre a formatação do Brasil.

Com a intermediação do Blog do Pilako, famílias se reconectam depois de mais de três décadas!!!

Com mais de 25.000 postagens, ao longo dos mais de oito anos de atuação do nosso jornal eletrônico –  intitulado Blog do Pilako -,  hoje, essa linhas,  tem um sabor especial justamente  porque envolve um turbilhão de sentimentos que extrapola, por assim dizer,  a capacidade avaliativa do editor. Pragmaticamente não irei realçar os nomes dos envolvidos,  mas  confirmo  que se trata de acontecimento marcante,  ocorrido na nossa cidade,  há mais de três décadas,  envolvendo membros de famílias muito conhecidas e, ao mesmo tempo, uma história com final feliz.

Pois bem, semana passada, exatamente na segunda-feira, dia 11 de novembro, através do aplicativo de mensagens WhatsApp (mensagem de áudio)  um cidadão entrou em contato comigo dizendo morar no Estado da Bahia, mas que tinha familiares em Vitória. O mesmo chegou ao meu número guiado pelas informações do blog e do nosso canal no youtube. Disse-me  ele:

“Boa tarde senhor Pilako,  eu sou daqui da Bahia e estou precisando falar com o senhor. Como é que eu faço”.  Noutra mensagem, ele adiantou o assunto:

“ É que eu tenho parentes aí e não tenho nenhuma informação sobre eles………Eu queria ver se encontrava eles…….Eu tava pesquisando e encontrei seu blog. O senhor poderia me ajudar?”.

Após os primeiro contatos ele me repassou algumas das poucas informações que dispunha até o momento. O pai dele,  vitoriense de nascença,  faleceu  quando o mesmo ainda era uma criancinha. Lá atrás (há quase 40 anos), após sair daqui (Vitória),  fugido, conheceu e morou  (casou) com a mãe dele numa cidadezinha do interior da Bahia. Na época,  ela – a mãe do rapaz –  tinha pouco mais de 13 anos e ficou viúva aos 18 anos – com um casal de filhos para criar.

As informações iniciais foram básicas e distorcidas, inclusive até o nome do seu pai foi  fruto de documentação falsificada. Para complicar a busca, falou-me também que existia a possibilidade de haver uma praça na nossa cidade com o nome do seu avô paterno, algo que mais adiante também não se configurou como verdade. De informações concretas e “quentes” apenas o nome da rua que seu pai morou, o nome da sua avó e de duas tias. E foi com essas pistas  que começaram surgir uma luz no fim do túnel,  na direção do êxito das minhas buscas e pesquisas.

Com a intenção apenas e tão somente de ajudar, começamos a trocar informações diariamente. A  mãe  dele  (que reside noutra cidade), através de mensagens de áudio, foi ajudando a montar o quebra-cabeça, até porque ele não lembrava de nada, uma vez que quando tudo aconteceu o mesmo  era apenas uma criança pequenina  – com já falei anteriormente.

Um fato complicador nessa “investigação” foi exatamente o nome “falso” do pai. Até dias atrás, após meus questionamentos,  nem ele nem sua mãe  sabiam o verdadeiro nome do provedor da família (pai/marido). Destravada essa questão, pessoalmente, consegui fazer o primeiro contato com um “suposto” familiar. Expliquei toda situação. Mesmo sem demonstrar qualquer boa vontade, o mesmo (suposto parente) passou-me o número do seu celular e autorizou-me repassa-lo  para o pessoal da Bahia. A conversa entre eles não prosperou. Um banho de água fria nas minhas investigações!! Insisti. Consegui o número de  telefone de outro membro da família para só assim chegar noutra irmã mais velha – que por acaso tem o mesmo  nome da pessoa citada inicialmente como “irmã do pai”.

Após muitas idas e vindas, até porque acabei me sensibilizando com a história desse  rapaz (baiano),  que colocou como “missão de vida” descobrir e conhecer os parentes do seu pai que, diga-se de passagem, nunca havia sido identificado nem por fotografia, tomei como ponto de honra – para mim – colocar um  ponto de “final feliz” nessa história.

Assim sendo, na noite de ontem (18), por volta das 19h, por telefone, conversei com a pessoa que julgava ser a tia do rapaz (baiano). Um tiro certeiro na mosca!! Ela confirmou a informação  das cartas  inclusive com o nome “diferente” que o seu irmão usava. Ela,  na qualidade de pré-adolescente, era quem narrava para sua mãe o conteúdo das cartas ( a matriarca não sabia ler). Até a noite de ontem, ela também não sabia que o irmão havia morrido, até porque há décadas que não recebia qualquer notícia dele. Disse-lhe, então,  a notícia que o seu irmão já estava morto,  mas que, ao mesmo tempo, havia sobrinhos e cunhada querendo estabelecer contato com todos os familiares  daqui.

Emocionada, disse-me ela com a voz trêmula: “ Pilako, ainda bem que eu já tomei meu remédio para pressão. Que história danada. Pode passar meu número e diga que vou avisar a todos os meus irmãos e sobrinhos. Mande o pessoal ligar hoje mesmo”.

E assim eu fiz….

Resumo da ópera: passava das 23h de ontem quando o rapaz da Bahia, chorando,  me ligou para agradecer,  mais uma vez. Disse-me  que desde 19h, ele, a irmã e a mãe estavam grudados ao telefone se comunicando,  em chamada de vídeo,  com os “novos” parentes encontrados na Vitória de Santo Antão. Em apenas uma frase ele resumiu tudo: “ é uma felicidade só”.

Portanto,  encerro essas linhas ciente do papel que desempenhei nessa jornada. Nem sempre entramos em campo pensando apenas na vitória, sobretudo quando somos agraciados com  a nobre missão de mediar o extraordinário “jogo da vida”  em que ambas equipes, ao final da partida,  sagram-se vencedoras. Com toda certeza essas famílias terão mais um motivo positivo para celebrar no próximo Natal…..

Terceiro Encontro do Vinil – um brinde ao bom gosto!!

O 3º Encontro do Vinil, ocorrido na tarde do domingo (17), na Loja “Grão de Ouro”, é o tipo de movimento que deveria ocorrer com mais frequência. A nossa cidade, paradoxalmente,  tão rica e tão pobre, aparentemente, encontra dificuldade para reunir pessoas diferentes, mas unidas por gosto mais refinados.

Além da “Expo Beatles”, com peças do particular acervo do roqueiro Raphael Oliveira, vendas,  troca e sorteio de produtos a decoração do ambiente – Loja Grão de Ouro –,  que nos remete aos mais diferentes cenários do tempo pretérito, cria uma atmosfera favorável ao bom lazer.

No palco improvisado, a Banda antonense “Sexto Ato” envolveu e convidou os participantes numa viagem musical das mais saudáveis. Um brinde ao bom gosto!!!!

SEM MUITA SORTE – por Marcus Prado

Não tenho sorte com os apelos femininos de pontualidade. Acabo de perder uma importante amizade virtual,  uma bela e inteligente mulher, residente na Italia, porque não tive como cumprir o prazo de 10 (dez!!!) minutos, dados por ela, para responder se eu aceitaria ou não rezar na igreja dela, os mesmos salmos, a mesma liturgia eucarística, as mesmas ladainhas, o mesmo badalo dos sinos. Eu  estava na aula matinal  de esgrima, concentrado, quando recebi essa sentença. Eu  não podia desviar a minha atenção para o pedido dessa mulher.

 Mais uma vez,  comprovei que minha sorte é limitada para os prazos femininos. Certo dia, por causa de uns breves minutos, perdi um encontro marcado, na Califórnia, com a neta por afinidade da mulher que muito amei: a pintora Geórgia O`Keeff.  (Quando a conheci, por retrato, ela tinha 80 anos). Tornei-me fascinado por sua arte. Francisco Brennand tornou-se igual a mim, nesse fascínio pessoal  por Geórgia.

 Por causa da minha impontualidade (não voluntária), perdi um encontro com outra mulher que sempre amei ( eu e talvez você, caro leitor): a fadista portuguesa Amália Rodrigues, na casa onde ela morava, na Rua lisboeta de São Bento. Já doente, sofrendo de incurável insônia, ela só podia dispor de breves minutos  para receber durante o dia.

Marcus Prado – jornalista

Cícero Santos e o seu Livro “A VITÓRIA DO ROCK” – as três gerações – 1983/2017

Através de uma publicação pela internet (facebook), messes atrás,  tomei conhecimento da data ( 30 de novembro) do lançamento do livro “ A Vitória do Rock” – as gerações – 1983/2017 – por Cícero Santos. Sem conhecer o autor pessoalmente, até então, de imediato fiz contato para manifestar minha vontade em comprar o opúsculo. Curiosidades pontuais: interesse na história local de um tema (rock) pouco – ou quase nada –  explorado na historiografia antonense.

Assim sendo, dias atrás, o próprio autor – Cícero Santos – esteve na redação do blog para concluirmos a operação. Não me canso de repetir: lançar livro numa cidade em que não tem sequer uma livraria,  configura-se em tarefa hercúlea. Na ocasião, disse-lhe que  iria ler e, oportunamente, registraria  nas páginas do nosso jornal eletrônico uma pequena resenha.

Como todo roqueiro que se preza o escritor,  Cícero Santos, através das páginas do seu livro – A Vitória de Rock – transpira sentimento pela causa. Mesmo de maneira simples e objetiva, Cícero dialoga na linguagem universal do rock roll fazendo, em certos momentos, comparações curiosas entre os difíceis momentos vividos pelos grupos locais com cenas dos primeiros passos das bandas que viraram verdadeiras lendas mundiais, o que demonstra amplo conhecimento da matéria.

No que se refere à cronologia dos fatos e grupos antonenses que abraçaram a causa do rock  – surgimento, encerramento, participação de eventos e etc –  ele situa o leitor no tempo,  dividindo a narrativa em “três gerações” e, ao mesmo tempo, assumindo o papel de comentarista dos fatos que, de certa forma,  influenciaram tais movimentos.

Sintonizado com as mudanças tecnológicas planetárias o rock, na terra de Santo Antão, ao longo dessas quatro décadas de atuação, na visão do Cícero, é frontalmente impactado com as mudanças no acesso às informações, antes restritas. No que se refere à pesquisa propriamente dita dificilmente o autor teria êxito se não fosse um deles (roqueiro e artista da cena).

Portanto, para todos aqueles que se interessam pelo gênero musical sem fronteira (rock roll) recomendo o livro do amigo Cícero Santos, até porque, em muitos momentos do livro o leitor haverá de “se encontrar” em alguns momentos por ele cravado como importantes no surgimento  do Rock Roll na  Vitória de Santo Antão. Parabéns, mais uma vez,  ao Cícero Santos!!!!

Rivaldo e Cornelio: no mesmo dia – iguais e diferentes!!!

Amigos “das antigas”,  Rivaldo e Cornelio, comemoram data natalícia no mesmo dia, isto é: 10 de novembro. Até o último domingo, eu não sabia. Nos dois encontramos pelo uma coisa igual e uma tremenda diferença: convergem na paixão pelo carnaval, mas quando o assunto é futebol pernambucano se colocam  diametralmente opostos. Um é torcedor do Tricolor do Arruda e o outro do Leão da Ilha!!

Fotografia: um momento congelado para a eternidade!!!

Próxima de completar duzentos anos – 1826 – a fotografia ainda continua impressionando!  Se antes permaneceu restrita – apenas disponível aos poucos grupos abastados financeiramente -,   hoje, graças às câmeras digitais,  o seu livre trânsito no “mundo virtual” tornou-se  tão popular quanto beber água em um copo de barro.

Como tudo que é impressionante, a fotografia continua suscitando debates. Alguns críticos não as consideram arte, outros, sim! Mas o mais interessante do registro fotográfico, na minha ótica, são as inferências que cada agente (contemplador) poderá fazer –  dependendo do seu nível de conhecimento da imagem refletida.  Para cada flash, um novo universo de possibilidades…

Assim sendo, fica por conta do livre arbítrio, aliado à capacidade inventiva de cada internauta, imaginar o que se passava na cabeça de cada um desses jovens que foram “congelados”, juntos, nesse rápido e casual instante, do último domingo (10), no Pátio da Matriz.

Detalhes: todos são estudantes do 2º ano do ensino médio, do Colégio Diogo de Braga. Outra dica:  haviam acabado de concluir a segunda prova do Enem,  que fizeram para acumular experiências……Da esquerda para direita, eis os nomes dos “congelados”: Mighuel Montenegro, Leonardo José, Alyne Larissa, Luísa Sandrelly, Marcos Emanuel, Wagner Emanoel, Manuella Siqueira, Carolina Alves, Gabriel de Melo, Caio Tavares e Thiago José.

“Corriola da Matriz” prestigiou o “Primeiro Festival de Forró de Pé Serra do Recife”!!

No sentido de prestigiar o “Primeiro Festival de Forró Pé de Serra do Recife”, realizado no Mercado Público da Encruzilhada, no último sábado (09), partiu da Vitória de Santo Antão uma “Missão Cultural” formada por integrantes do grupo intitulado “Corriola da Matriz”.

Por lá, como não poderia deixar de ser, encontramos pessoas de todas as tendências. Grupos musicais do gênero mais representativo do nosso Nordeste,  de várias cidades e até de outros estados, se revezaram no palco. Boa comida, bebida gelada, encontros e reencontros marcaram mais uma “Missão Cultural”.

14º aniversário da AVLAC foi comemorado em grande estilo!!

Em grande estilo, a AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência – realizou evento comemorativo pela passagem do 14ª aniversário de fundação. O encontro cultural ocorreu na noite do sábado, 09 de novembro, no Teatro Silogeu José Aragão. Representações de outras instituições congêneres, da Vitória de e de outros municípios,  marcaram presença para prestigiar o auspicioso acontecimento.

Na programação, além de homenagem e o lançamento da 3ª Antologia da AVLAC, três novos  acadêmicos tomaram posse: Maria do Carmo da Silva, Silvânia de Jesus Pina dos Santos e Ricardo Firmino Vieira.

UM CASAL DE NAMORADOS VITORIENSES E A ARTE DE BEIJAR – por Marcus Prado

EM MÔNACO, cansado de subir uma ladeira perto do principado, fico por instantes sentado numa parte baixa da calçada. Perto de mim, vejo um jovem casal de namorados trocando loucos beijos, como aqueles descritos nos livros de Cassandra Rios, autora predileta na minha descoberta do amor epidérmico. Ao ver o descontraído amante, qual “manga-larga” em cio junto da fêmea, no auge das aquiescências, sem recusas nem pudor, penso que o amor precisa ser reinventado na contracorrente do mundo que o inviabiliza como amor sentimento, pois o espaço do olhar e do sentir tende a fechar-se. Tende a ser substituído pelo reino do princípio de prazer absoluto, pela busca de sensações epidérmicas imediatas.

Nas ladeiras de Mônaco lembro-me dos muitos casais de namorados meus conhecidos, amados amigos de infância, frequentadores das praças, e dos cinemas Braga e Iracema. Vejo-os, beijando-se, na mirante paisagem do tempo vitoriense , ao contrário dos jovens namorados de Mônaco, sem a banalização do beijo, amando-se de forma carinhosa e romântica, magnificados. Há porém um casal de namorados que ficou para sempre na minha lembrança, pela forma, que só havia nos filmes de Clark Gable com Carole Lombarde , de se beijarem. Refiro-me ao namoro, que durou quase uma década, de Ivanise Carneiro Leão com Antônio, o enfermeiro do médico José Evaristo da Cruz Gouvêa. Cada um guarda na lembrança o beijo inaugural, dado na primeira namorada. Eu guardo na memória visual os beijos da filha de dona Beatriz, minha professora de escola primária, no bairro do Livramento. Era um amor proibido pela família, que fazia lembrar o drama imortal “Romeu e Julieta” , de Willlian Shakespeare. Mas era desafiado, toda noite, pelos jovens amantes com abraços e beijos na calçada do clube O Camelo, quando era seu dirigente o senhor Serafim de Moura Ferraz, pai de Gilka, dono do melhor brinquedo de minha infância, a famosa “Montanha Russa”, que ele instalava nos dias de festas antonenses.

Menino ainda (a lembrança me diz que eu não tinha mais de dez anos) jamais havia visto um casal de namorados como aqueles, no conluio amoroso da paixão e dos beijos. Até hoje, fora das telas de cinema, nunca vi beijos iguais aos de Antônio e Ivanise. Fui “testemunha ocular” desses beijos, porque eles fizeram parte da minha descoberta do mundo e os mistérios do amor, muito antes de ler Carne, de Júlio Ribeiro. Logo cedo da noite, os vizinhos já haviam chegado do trabalho (Anísio Costa era um deles, ao lado de Pedro Ramalho e Brasiliano de Queiroz Monteiro) o jovem Antônio chegava de mansinho e ansioso, relógio de bolso na algibeira com pulseira exposta, indicando, por certo, as 19 horas. Tinha só uma hora de namoro, como era determinado naquele tempo, namoro semiescondido à luz morna gerada pela usina elétrica de Pirapama, quando não por inteiro as lâmpadas “apagadas por falhas técnicas” , como era habitual no dizer do cronista Ulisses Viana, crítico implacável, nas folhas dos jornais da cidade e da capital, da usina geradora de energia elétrica do Município. Momentos depois chegava a doce namorada.

Os dois se cumprimentavam docemente. Ela, preocupada com o vento nos cabelos soltos. Ele, olhando, desconfiado, para os lados, para o entorno do Pátio dos Currais, temendo com respeito as proibições da mãe atenta e vigilante da namorada. Breve silêncio entre os dois e um olhar cheio de ternura parecia iluminar a rua inteira. Um ligeiro toque do namorado no rosto da bela mulher como se estivesse diante dele uma deusa. O primeiro beijo na boca, ainda sem o gosto de mel. O segundo beijo parecia que o mundo inteiro desabava de emoção e doçura. Eu não precisava ficar oculto ou transparente na noite antonense para ver como se beijavam. Foram os primeiros beijos que eu vi na minha vida, muito diferentes do beijos dados pelo jovem casal de Mônaco. Nos namorados vitorienses havia algo como a alquimia do amor. No casal de Mônaco havia o amor incendiado pela fogueira do Apocalipse, a usina Pirapama em pânico, ou o Vesúvio em fúria. Parecia que o mundo todo ia acabar naquele instante, sem outra oportunidade de amar aquela única mulher.

Nestas anotações do viandante sem itinerários mapeados, máquina fotográfica à mão e uma filmadora na mochila cheia de filmes, a memória

se inclina para um elenco inalienável de pessoas que ficaram no retábulo das lembranças e contemplações mais amadas do passado vitoriense. Já se disse que a memória é um mecanismo de esquecimento programado: nem tudo ela registra e, do que registra, pouco ou quase nada aflora à nossa vida presente. Mas me esforço dentro do meu particular belvedere vitoriense, para que tudo volte à cena para louvar a terra e os filhos que nela nasceram. Tenho para mim, ao fazer essas anotações de viagem, que a memória é também uma força rejuvenescedora, talvez a única capaz de enfrentar o implacável envelhecimento.

Marcus Prado – jornalista 

Por indicação do vereador Novo da Banca, os sargentos Paiva e Clauberrobson, agora, também são vitorienses!!

Com missão já programada pelo Exército Brasileiro para ser cumprida na capital federal, Brasília, os sargentos Paiva e Clauberrobson, agora, ex-instrutores do nosso Tiro de Guerra, na noite da sexta, através da indicação do vereador Novo da Banca, receberam o título de “cidadão vitoriense”.

Com relevantes serviços prestados na nossa cidade, durante o tempo em que atuaram na instrução militar no Tiro de Guerra, contribuindo na formação de centenas de jovens da nossa cidade, os sargentos Paiva e Clauberrobson, filhos das cidades de Palmeira dos Índios (AL) e Petrolina (PE), respectivamente, receberam também o carinho e o respeito dos ex-atiradores que lotaram a galeria da Casa de Diogo de Braga.

Na qualidade de ex-atirador e pessoa próxima aos movimentos do Tiro de Guerra (07-004)  gostaria de parabenizar o vereador Novo da Banca pela sensibilidade e reconhecimento aos dois militares já citados pela outorga.

Um “grito de carnaval” marcou a passagem dos 50 anos de vida do amigo Cornelio!!

Rompendo a barreira do meio século de vida, ontem, 10 de novembro, o amigo Cornelio foi festejado por familiares e amigos na Praça da Matriz. Com a mesa farta, bem ao seu estilo, o torcedor emblemático do Sport Clube do Recife, Cornelio, é um apaixonado pela vida, celebrando-a em todos os momentos, dizendo assim: “a vida é feita de momentos e devemos festejar sempre”.

Além do indispensável corte do bolo e o apagar das velinhas, o tradicional “parabéns pra você” foi executado pela orquestra de frevo, comandada pelo maestro Silvano. Assim sendo, a passagem dos 50 anos do amigo Cornélio,  poderíamos dizer, que foi marcada por um verdadeiro  “grito de carnaval” em pleno “Pátio da Matriz”!! Que venha mais 50 anos !!!

 

ACTV – ASSOCIAÇÃO DO CARNAVAL TRADICIONAL VITORIENSE SE PREPARA PARA O CARNAVAL DE 2020.

Fundada em 1999, com o intuito de fomentar a cultura carnavalesca do Município da Vitória de Santo Antão, a ACTV iniciou os preparativos para o Carnaval de 2020 dando as boas vindas a todos os carnavalescos vitorienses e turistas. Composta por uma Diretoria atuante – a associação segue os parâmetros do Decreto da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco e Decreto Municipal, convocando e orientando seus associados sobre o cadastramento das agremiações e participação ao Fórum do Carnaval. “Sequências de diálogos passam a ser rotina com todas as Secretarias Municipais necessárias para dinâmica deste grandioso evento, principalmente o feedback e parceria com a Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes da Prefeitura da Vitória de Santo Antão”. Conforme Lei Municipal do Patrocínio, a ACTV em conjunto com a Prefeitura planeja, organiza e constitui oportunidades, empreendedorismo, lazer, turismo e cultura.

A Diretoria da Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense sempre enfatiza a importância de manter vivo o autêntico carnaval de rua, “Carnaval Tradicional Vitoriense”, com cortejos das Troças e Clubes Carnavalescos que se apresentam brilhantemente com seus estandartes, bonecos gigantes, carros alegóricos e orquestras de Frevo, bem como, a apresentação dos bois, maracatus e bloco de fado. A ACTV tem um papel fundamental no dinamismo deste evento, devido ao quantitativo expressivo de agremiações, gerando renda aos vitorienses, atraindo turistas ao Município e aquecendo a economia local.

Novo entendimento do Supremo: perde o povo, ganham Lula e Bolsonaro!!!

Para os mais atentos, o resultado da mudança na orientação do Supremo Tribunal Federal,  no que diz respeito à mudança de entendimento da prisão para condenados em 2ª instânciam, é algo inusitado.  Após os primeiros votos,  a “pedra” já havia sido cantada. Essa contenda não é coisa para amador muito menos para quem já foi “sequestrado”,  emocionalmente, pelo viés político da questão em tela. Aliás, pelo apertado placar, vê-se que  as duas teses se valeram de consistentes argumentos.

Para a população em geral e a opinião púbica fica a certeza da impunidade. O Brasil, em descompasso com o mundo, com esse entendimento, escancara que é um paraíso para os “bandidos” ricos e perverso com os “bandidos” pobres,  haja vista que repousam lá, no nosso falido sistema carcerário – o 3º maior em população do planeta – quase 30% de brasileiros que nunca foram sequer condenados na primeira instância, mas como não  possuem dinheiro para fazer valer a Lei acabam, muita vezes, se “profissionalizando” na  bandidagem, isso porque, lá (presídios),  o camarada é obrigado a se “filiar” numa facção criminosa para não morrer de vésperas.

No que se refere a nossa Constituição o encarceramento do cidadão,  antes de esgotar todos os recursos possíveis – o trânsito em julgado –,  é algo que fere o princípio da presunção da inocência. Assim sendo, doravante, essa é a regra que deverá ser seguida e aplicada, mesmo àqueles que já são bandidos efetivos.

No “mundo próprio” da política “verde/amarela” essa nova decisão, por assim dizer, contempla, hoje, os anseios da cúpula das duas alas mais percebidas pelo eleitorado nacional. No conjunto  das esquerdas, deverá voltar a campo o seu principal líder –  Luis Inácio Lula da Silva – para levantar a bandeira de que o “povo” precisa viver melhor e ter seus direitos garantidos. Deverá, também, levantar a ideia de que é o “homem mais honesto do Brasil”- acredite, se quiser…..

Já no campo da extrema direita, ocupada, atualmente,  pelo “bolsonarismo”, eleito no ano passado  (2018) como uma espécie “paladino” da moral e das boas práticas políticas,  ganha “novo fôlego” na manutenção do chamado “antipetismo”, uma vez que, nos primeiros meses de governo (10 meses) perdeu muito espaço na faixa eleitoral que apostou nessa ideia face ao radicalismo e polarização – o chamado voto irracional/emotivo.

Triste encruzilhada, mais uma vez, está metida a nação brasileira. Para se mudar a constituição, ironicamente,  precisa-se dos votos de justamente dos cidadãos (congressistas) que mais são usuários e beneficiários do entendimento que não se deve aprisionar um sujeito condenado em 2º instância. Enquanto isso, o povão está mais preocupado com a escalação do time do Flamengo e com o próximo sucesso musical do autor da obra “Caneta Azul, Azul Caneta”……..E ainda dizem que Deus e brasileiro!!!

Compositores Gustavo Ferrer e Aldenisio Tavares contribuem para festival de música.

Dois dos grandes compositores antonenses, Gustavo Ferrer e Aldenisio Tavares, estão inscritos no festival de música promovido pela FACOL. As devidas apresentação classificatórias estão ocorrendo nos dias 07 e 08 e de novembro,  no Clube Abanadores “ O Leão”.

Com a música “Levanto Poeira, ontem (07),  o compositor Aldenisio foi classificado para a disputa final que ocorrerá no próximo dia 22 de novembro. Já o amigo Gustavo, com a música “Sonho”, escalado para a eliminatória de hoje a noite (sexta 08), deverá receber a torcida dos amigos e familiares para conseguir emplacar mais um sucesso,  na sua já consagrada performance como compositor. Veja o vídeo da música do Aldenisio.

Dom Helder Câmara: “se discordas de mim, tu me enriqueces”

Com os impactos da Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, a criação da locomotiva,  como ferramenta para escoar a produção aos lugares mais distantes, com rapidez e segurança, configurou-se num dos mais importantes componentes do desenvolvimento do chamado “tempos modernos”. Nessa perspectiva,  o ritmo de trabalho acelerou.  De maneira geral, as pessoas passaram a ter mais pressa.

Dos séculos se passaram e adentramos no temido século XXI – temido, porque o mundo haveria de acabar em 2000. Pois bem, com o advento das redes sócias e tudo mais de moderno que nos cerca todos nós estamos sofrendo – em grande ou menor escala –  com chamada Síndrome do Pensamento Acelerado, algo identificado pelo psiquiatra e estudioso Augusto Cury.

De maneira geral, os mecanismos usados pelos criadores das redes sócias,  em tese, lhe “sequestra” do mundo para lhe colocar em numa espécie de “aquário”. Não a toa, familiares e amigos  nossos, aqui e acolá –  ou até nós mesmos –  não consegue mais produzir um pensamento crítico  acerca dos fatos e acontecimentos, com calma,  escutando e observando os vários prismas.  Isso é grave!!

Recentemente, ouvindo um debate de alto nível sobre a passagem dos trinta anos da “queda do muro de Berlim”, um dos participantes aventou à possibilidade do retorno dessa radicalização e divisão, espalhadas nas mais diversas partes do globo terrestre, atualmente, tal qual nos tempos do ápice do período da“Guerra Fria”, em boa medida,  à ascensão de lideres mundiais que não demonstram apreço pelas causas comuns do planeta, apesar de haverem sido alçados ao cargo pelo voto democrático, citando como exemplo o atual presidente dos EUA.

Assim sendo, estamos precisando nos policiarmos, para não  virarmos mais um “jumento motivado”,  cheio de ódio no coração e “certezas” na cabeça,  nas mãos dos que querem conduzir o pensamento único, ao invés de dialogar na direção do consenso. Lembremos, então, o importante religioso que marcou época, D. Helder Câmara: “se discordas de mim, tu me enriqueces”.

O Projeto Vitória (Em)Cena – 01/12.

Tem teatro para infância e juventude na programação do projeto Vitória (Em)Cena. Levem seus filhos, irmãos, sobrinhos ou netos para assistir ao espetáculo “O gato Malhado e a Andorinha Sinhá” que se apresenta dia 1 de Dezembro às 16 hrs no teatro Silogeu. Os ingressos custam R$10 reais e podem ser adquiridos antecipadamente pelo whatsapp nos números: (81)995198717 & (81)986989134

Caneta Azul: um festival de besteiras………

Pensando com os “meus botões” imagino que pelo menos em duas situações, no que se refere ao mundo mágico do cinema, a realidade conseguiu chegar primeiro do que a ficção – no ataque do dia  11 setembro (torres gêmeas) e na popularização  das redes sociais. Nem mesmo “Os Jetsons” que, em 1963, tentavam projetar o cotidiano da vida social – tecnologicamente falando –  um século depois (2062),  pensaram nas inúmeras facilidades e operacionalidade dos nossos  “atuais” celulares.

Pois bem, para ficar apenas no tema “internet”,  não consigo imaginar que uma música com as “credencias”  da “Caneta Azul, Azul Caneta”, composta pelo vigilante maranhense de 49 anos, Manoel Gomes, pudesse ser “cantada” pelo Brasil inteiro com poucos dias de lançada. Algo que precisa ser analisado e estudado por cientistas das mais variadas áreas do comportamento coletivo.

Se num passado não muito distante convivíamos,  “estarrecidos”,  com aquilo que aprendemos chamar de “boato”, hoje, na qualidade de sociedade usuária das redes sociais, estamos perfeitamente familiarizados com os “memes” – termo grego que quer dizer “imitação” – e com as fake news.

Pois bem, nos últimos dias, assim como praticamente todos os internautas brasileiros, fui impactado com a obra da “Caneta Azul”- num movimento conhecido como “efeito manada”.  Não ignorei, apenas fiz a minha parte, isto é: não enviei nada do que recebi,  atinente ao tema aludido – acredito haver contribuído para uma internet menos “toxica”.

Vez por outra,  imagino,  que,  na qualidade de população, estamos perdendo uma oportunidade de amadurecer. Já pensou se todo esse “tempo perdido” com o envio de mensagens da “Caneta Azul”, tivéssemos, todos,  “enfiado o pé” para mostrar o caos na saúde nacional? O brasileiro precisa se levar a sério……..Isso,  apenas nos mostra o tanto de estrada  – longa e sinuosa – que ainda teremos de percorrer……

 

Extinção de municípios – por Raphael Oliveira

Esta semana me deparei com uma notícia vinda do Governo Federal, onde no último dia 5 de Novembro foi entregue a PEC do novo Pacto Federativo para tramitação no Congresso Nacional. Este documento propõe a extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes, os quais seriam incorporados à uma cidade vizinha de maior porte e que tivesse condições de embarcar esses novos munícipes, esta decisão foi proposta baseada na baixa arrecadação de algumas localidades e estima-se que por volta de 1.254 cidades seriam afetadas por esse novo Pacto Federativo (Fonte: Veja).

 Muito além de fatores econômicos que justifiquem tal decisão, além de toda impopularidade do tema, imagino se nesse tipo de proposta é levada em consideração a identidade do povo que habita tais localidades que seriam diretamente afetadas por essa decisão. Esse tipo de pensamento vem através de leitura, onde a própria definição da palavra povo, vem o seguinte conceito, “É um conjunto de indivíduos, ligados a um determinado território, por um vínculo chamado nacionalidade”. Obviamente esta definição citada acima, é mais voltada para uma identidade nacional, mas a minha reflexão vem através desta ligação do indivíduo com as suas raízes mais locais.

 Para mim, não tem como entrar nesse tema sem lembrar de um filme dirigido por Eliane Caffé que se chama “Narradores de Javé”, onde na trama, após descobrirem que o minúsculo povoado de Javé seria inundado pelas águas de uma hidrelétrica, os moradores decidem contar a importância daquele lugar através do único morador daquele local que sabia escrever, e que através da escrita de sua história, poderiam barrar o avanço das águas daquele grande empreendimento. O filme costura de uma maneira muito bem humorada a narrativa da fundação e dos grandes feitos dos primeiros moradores daquela região, alguns narrados de maneira heróica, outros de maneira desastrosa, mas sempre fazendo muito bem essa relação entre ficção e realidade.

Ao refletir sobre o filme e sobre nossa sociedade atual, imagino o quão importante é o conceito de identidade, que é o que mantém o indivíduo ligado a determinado local ou lugar, e para isso, se utiliza de referências culturais daquele povo. Mas também reflito sobre o quão importante é o registro histórico, através desta história são construídos esses elos de ligação entre indivíduos e seu lugar no mundo, que é algo muito além do sentimento de pertencimento, mas também de como se deu e se dá os movimentos sócio-econômicos de determinada região e qual a relação do povo nesses movimentos.

Muito provavelmente esse trecho do Novo Pacto Federativo vai ser desidratado pela Câmara ou pelo Senado, como dito, é uma medida altamente impopular e temos de lembrar que estamos às vésperas de eleições municipais, porém temos que aproveitar este tipo de proposta para fazer esse tipo de reflexão pois assim como esta, novas propostas que envolvem nossa identidade podem vir e precisam ser discutida.

Raphael Oliveira