A Paixão – Sosígenes Bittencourt.

A paixão é hipnótica,
conteúdo mental invasivo.
A paixão tem vontade própria.
O apaixonado, não.
A paixão é cega e vê,
porque vê o que quer sem entender.
A paixão é sentimento abdominal,
nasce de baixo para cima.
A paixão deve dar um sentido à vida,
não um sentido à morte.
A paixão é o aperitivo do prazer,
não deve virar um porre.
A paixão por coisas é mais serena;
a paixão por pessoas, mais dependente.
A paixão acorda o apaixonado, de madrugada,
para pensar nela.
A paixão é sem explicação,
tendo nada a ver com o seu objeto.
A paixão é suicida, pode matar o amador.
A paixão é homicida, pode matar a coisa amada.
A paixão termina por ganhar da solidão.
Ai do solitário!

Sosígenes Bittencourt

E se Vitória voltasse ao tempo das carroças, puxadas por cavalos?

Recentemente li um artigo que tinha como título um tom provocativo (na minha visão). Dizia ele:  “Como o carro “limpou” as cidades”. Em tempos de caos no trânsito, sobretudo nas grandes metrópoles, e efeitos nocivos à saúde,  em virtude dos gases produzidos por essas máquinas, cada dia mais possantes, além de inúmeras outras complicações pertinentes ao uso excessivo dessa “maravilha moderna”, hoje, a mobilidade urbana é um dos temas mais importantes no seio da sociedade, principalmente quando pensamos em futuro.

Pois bem, segundo o artigo, muito bem escrito por Pierre Lucena, foi justamente nos problemas causados pelo alto volume de excrementos dos cavalos –  enquanto força motriz no meio de transporte mais importante das grandes cidades ( carroças e carruagem) que a introdução do carro, na ordem do dia, que limpou as cidades.

Para entendermos melhor esse conflito, por assim dizer, devemos voltar ao final do século XIX. Basta dizer que só Nova York era possível encontrar algo em torno de 200 mil cavalos circulando diariamente pelas ruas da cidade. Olhando direitinho, já começamos achar que o nosso calvário já não é tão ruim assim……

Na nossa Vitória de Santo Antão, segundo registro do Manoel de Holanda, o primeiro desfile de um automóvel pelas sinuosas ruas santonenses só aconteceu no final da primeira década do século XX. Segundo os relatos, a cidade inteira parou por conta do “espetáculo”. Até então a esmagadora maioria da cidade nunca antes havia visto um “bicho daquele”.

Com efeito, hoje, nossa polis, nessa matéria (mobilidade urbana) ainda continua  sem produzir um planejamento consistente  para enfrentar as demandas que há muito são urgentes. Pode nos parecer absurdo, mas, imagino que o maior desafio dos gestores da nossa cidade ainda é, simplesmente, fazer o dever de casa.  Ou seja:  discutir e planejar. Concluo dizendo: ao que parece, “tudo continua como dantes no quartel de Abrantes !!”

Parabéns ao Mestre Fernandes Rodrigues!!

Em grande estilo, hoje, 11 de julho, o Mestre santonense,  Fernandes Rodrigues,  comemora mais uma passagem natalícia. Em plena movimentação do maior evento da América do Sul, voltado ao artesanato – FENEARTE – o amigo Fernandes será efusivamente  festejado.

Aliando simplicidade na forma de viver e tratar as pessoas ao estilo próprio e único na arte de transforma o barro comum em obra de arte, Fernandes vem ganhando notoriedade e fama que vão muito além dos contornos limítrofes do nosso município. Assim sendo emendo um retumbante e duplo “PARABÉNS PRA VOCÊ”, amigo Fernandes!!!

Estão abertas as inscrições de curtas-metragens para a Segunda Mostra de Cinema da Vitória de Santo Antão

 

A Segunda Mostra de Cinema da Vitória de Santo Antão (MCVSA) vai acontecer entre os dias 20 e 26 de agosto em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, pelo qual se encontra com inscrições abertas para curtas-metragens até o dia 19 de julho.

A 2ª Mostra de Cinema da Vitória é um projeto aprovado no 10º Edital do Programa de Desenvolvimento da Produção Audiovisual de Pernambuco (Funcultura 2016 – 2017). O foco principal é a exibição audiovisual de curtas e longas-metragens dos mais variados gêneros e temáticas, que estão fora ou com pouco espaço no cinema convencional, a fim de incentivar a formação e o debate sobre a linguagem, interiorizando o acesso e democratizando as obras.

A MCVSA nasceu do Cineclube Avalovara, que existe desde 2013 e, embora tímido no começo, acabou despertando o fazer audiovisual em várias pessoas da cidade. Agora, o Cineclube Avalovara está bem consolidado, funcionando também com incentivo do Funcultura, e a MCVSA está indo para a sua segunda edição (a primeira aconteceu em 2016).

“É um espaço pelo qual zelamos e nos orgulhamos muito, justamente por mobilizar e abrir janelas – outrora quase nem imaginadas – no interior do Estado de Pernambuco”, sublinhou Claudia, uma das coordenadoras do projeto.
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Regulamento com link para o formulário podem ser acessados:

Regulamento: https://tinyurl.com/edital2018mcvsa
Formulário: https://tinyurl.com/forminsc2018mcvsa

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Página no Facebook: facebook.com/mostravitoria

Momento Cultural: Cérebro – por Henrique de Holanda.

Na mocidade,

a razão quase sempre se encandeia,

tornando a vida uma mera ingenuidade.

O cérebro da humana criatura

– quem é moço concebe

ser uma taça de ilusões bem cheia

que o coração segura e a alma bebe.

Mas, a velhice vem

fermentando a bebida outrora pura…

e o coração, que forças já não tem,

vendo a alma fugir, derrama a taça,

que ao se precipitar de grande altura

no chão se despedaça…

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 25).

Não ria se puder – Sosígenes Bittencourt

De tanto me dedicar aos dramas humanos, me esqueci de apreciar os bichos. Talvez, tivesse me decepcionado menos.

Um dia, meu menino me perguntou:
– Painho, o que é que aqueles porcos estão fazendo no meio da rua?
– Porcaria, meu filho.
– E por que aqueles cavalos estão soltos?
– Porque os seus donos são burros.

Aliás, quando chamamos um cidadão de BURRO, estamos desconsiderando o quadrúpede. Eu nunca vi um burro fumando nem tomando cachaça.

Sosígenes Bittencourt

“Javalis Selvagens”: esse é o time campeão do Mundo!!!

O drama dos “meninos da caverna” – como assim ficaram conhecidos –,  felizmente,  chegou ao fim. Os doze garotos e o técnico da equipe de futebol  – “Javalis Selvagens” –  passam bem e seguem sendo monitorados por médicos e psicólogos. Os desdobramentos dessa vivência são imprevisíveis.

Na exitosa operação de resgate trabalharam diretamente noventa mergulhadores (50 especialistas internacionais e 40 experientes tailandeses) e trinta equipes médicas. A mobilização foi grande e a torcida em todo planta foi maior ainda. Esse é o tipo de acontecimento que mexe com o emocional daqueles que são seres humanos de verdade.

Mesmo distante me envolvi com essa operação. Para cada resgate uma alegria. Aliás, dias atrás, disse aqui:  na qualidade de civilização, de nada adiantaria termos tecnologia para visitar a lua e fazer turismo em marte, se fracassássemos nesse evento.

De sorte que estamos cantando vitória!!! Espero, contudo, que no próximo domingo, por ocasião da final da Copa do Mundo,  na Rússia, o time do “Javalis Selvagens” seja a mais festejada, afinal, entendo, esse ser o melhor momento para eles dizerem ao mundo que são os verdadeiros campeões…….

O dia em que o teto da Igreja do Livramento desabou.

Revirando nossos arquivos encontramos uma matéria publicada no jornal “O LIDADOR”,  de 1907, realçando o dia em que o teto da Igreja do Livramento desabou. Desse fato, contudo, deu-se  às comemorações  com a Festa da Cumieira.

 “O Lidador” –  edição de 3 de Agosto de 1907 publicava:

DESABAMENTO:

É um grande perigo entrar-se atualmente na Igreja do Livramento. As tesouras do tecto estão todas deterioradas; um dos oitões, desamarrado e penso, sendo inevitável o seu completo desmoronamento, a menos que se tome, já, rigorosa providência. Os poderes públicos fariam um grande bem, proibindo a sua abertura.”

Efetivamente, três meses e três dias após esse sombrio prognóstico, realizava-se ele, sendo assim noticiado pelo mesmo jornal na edição de 23 de novembro de 1907:

“Pelas 8 horas e meia da noite de 16 do corrente, ecoou em toda cidade o estrondo do desabamento do tecto da Igreja do Livramento. Pressagiámos o fato há três meses. De então para cá deixou de realizar-se ali certa devoção habitual nas noites de sábado, Não houve danos, além do material.”

À  sete de dezembro anunciava o mencionado jornal um “consta” de que o cônego Bernardo,  pároco de Santo Antão, iria apelar aos paroquianos a fim de reconstruir a Igreja, e sugeria a realização de uma quermesse, iniciativa que se confirma no Jornal “O Popular”,  de 15 de fevereiro de 1908:

“O nosso venerando e ilustre Vigário,  no louvável intuito de reconstruir a Igreja do Livramento, tem-se dirigido aos católicos da freguesia, pedindo auxílios de todos quantos amam de coração a religião do Nazareno.”

Já valetudinário, nada mais pôde fazer o virtuoso sacerdote, pois, a 31 de agosto, falecia, após quase vinte anos de relevantes serviços prestados a Igreja na paróquia de Santo Antão.

O seu sucessor, Monsenhor Laurino Justiniano Douetts, empossado a 27 de setembro do mesmo ano,  na Matriz de Santo Antão,  em maio de 1910, voltava sua atenção para a Igreja do Livramento, iniciando  uma campanha para a sua reconstrução. A mesma  foi iniciada em julho, dizendo o Jornal  “O Popular”, em  27 de agosto do mesmo ano:

“estivemos nas obras de reconstrução e verificamos quanto se precisa despender para seu acabamento, pois, pode-se dizer, trata-se de uma quase completa reedificação.”

A proprietária do engenho São João novo doara todo o madeiramento e os trabalhos continuavam normalmente, sendo interrompidos com o falecimento do Monsenhor  Douetts, em 24 de julho de 1911.

O novo vigário, padre Américo Vasco, preocupou-se de imediato com reparos  no teto e melhoramentos internos na Matriz de Santo Antão, realizados no 2º semestre de 1911.

Logos nos primeiros meses de 1912 reiniciou-se o serviço de restauração da Igreja do Livramento, onde, em 11 de março, era celebrada a “Festa da Cumieira.”

(REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 5º – 1973 – pág 78 a 79).

Momento Cultural: A Balsa – por Stephem Beltrão

Lembro-me, pequeno passageiro,
a primeira travessia.
Na minha pequena cabeça,
O cabo de aço, a balsa
não suportaria.

Passei pelo antigo trapiche
da velha fábrica de gelo.
Meus desesperos se afastavam
do barco, junto com um banzeiro.

Prestava bem atenção
na espuma deixada pela chalana
amarrada atrás da balsa.
Girava como minha imaginação,
tal qual, o cabo na roldana.

A outra margem do rio
parecia o outro mundo.
Achava que nunca conseguiria
completar aquela
travessia.

Ao chegar, enfim, a margem,
um marinheiro a corda jogou,
amarrando a balsa ao cais,
dando fim à viagem.
E, como um sonho,
a travessia acabou!

Stephem Beltrão