Momento Cultural: Os Sinos da Matriz – por Stephem Beltrão.

Os sinos da matriz anunciam milagres
Os pequeninos de Belém
Miraculosos sinos pequeninos
Os sinos de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem

Meus olhos acreditam
Nos milagres que os sinos anunciam
Os milagres prometidos
Os sinos
Despertam o menino
Que se fez poeta
Na esperança de ouvi-los
Proclamarem os milagres                          Os sinos da minha raiz
Os sinos da Matriz

Stephem Beltrão.

Justiça à margem da Lei – por Sosígenes Bittencourt.

A Justiça é cega, mas os homens é que se negam a enxergar o Direito. Marcos Mariano da Silva, perante Themis, a deusa de olhos vendados, não tinha cor, credo nem classe social. Mas, os seus algozes o viam como ex-mecânico, homem sem posses, riqueza, desprovido de beleza. Marcos Mariano não tinha nada que chamasse a atenção dos causídicos, nada que os seduzisse, por isso foi vilipendiado. Porque não há desprezo maior do que você negar justiça a quem merece.

Marcos Mariano não passou 19 anos preso, como inocente, sem que a Justiça o soubesse. Porém, a Justiça só se faz pela ação do homem. E onde estava esse homem? Quem são esses pérfidos indiferentes? A Lei, enquanto teoria, é apenas uma flauta, alguém terá de soprá-la.

Embora cego, Marcos Mariano sabia a verdade, enxergava dentro, mas era um Tirésias esquecido. Como confiar naqueles que lhe negaram a liberdade? Como acreditar na Justiça nas mãos de quem a nega? Porque Marcos Mariano da Silva não foi tratado como marginal, a Justiça foi que agiu à margem da Lei. E de que adianta, agora, indenizá-lo, se ele está morto? Cegou dentro do presídio e morreu sem enxergar a liberdade. Morreu sem poder ver as noites e os dias. Como imaginar que o ex-mecânico Marcos Mariano foi torturado até a morte por aqueles que tinham o dever de lhe conceder o direito de viver?

Vilipendiado abraço!

Sosígenes Bittencourt

A notícia era que uma mulher na nossa cidade virava bicho!!!

Lendas e conversas misteriosas povoam as cabeças das pessoas. Hoje pela manhã, ao caminhar pelo nosso centro comercial,  encontrei uma pessoa que há quase duas décadas não tinha notícias. Aliás,  ela nem me viu e nem sabe que a vi, muito menos do que  lembrei ao vê-la.

Essa senhora, que por motivos óbvios não irei revelar seu nome ou qualquer outra referência a sua pessoa, residiu durante muito tempo – de aluguel – em das casas do meu pai – Zito Mariano. No meu tempo de criança tinha medo dela danado….

Naquela época corria um boato que a mesma, em noite de lua cheia,  virava bicho!!! No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, essas histórias tinham fé de ofício, ou seja:  era verdade verdadeira!!! Lembro, inclusive, que,  vez por outra, locatários das casas contíguas queixavam-se ao meu pai dessa situação. Alguns falavam que até escutavam  “coisas estranhas”, que vinham da casa dela.

Certa vez, lembro bem, um casal foi falar com papai para alugar uma casa. Ao ser informado que havia duas desocupadas na mesma rua em que a dita cuja  morava – a mulher que virava bicho – o casal retrucou na hora: “aquelas nem de graça eu quero, “Seu” Zito…..

Bom!! Muito  tempo depois chegou-se à conclusão  que a “mulher que virava bicho” era uma   senhora muita chata, complicada que gostava de importunar as pessoas, motivo pelo qual, seus antigos vizinhos do sítio lhe colocaram esse mimo, ou seja: “a mulher que vira bicho”……

Forte Orange: a historia concreta e viva!!!

Em recente visita ao Forte Orange – Itamaracá – pude constatar a comprovação de tudo aquilo que se encontram nos documentos históricos e livros didáticos. As ruínas da fortificação holandesa, de maneira evidente e preservada, se configura num concreto atestado  de como viveram os nossos antepassados.

No século XVII uma fortificação à beira de um oceano expressava o que existia de mais estratégico em termos de segurança e soberania. Nessa época, com efeito, o inimigo externo só poderia chegar pelos mares. O fascinante da história não é apenas reproduzir datas e informações. É entender o contexto, suas implicações, efeitos e mudanças para só assim valorizar o que muitos chamariam de apenas de ruínas……

Momento Cultural: SÓ DAR AMOR – Por Manoel de Holanda Cavalcanti.

Na restrição, pra mim, de desfavor,
destas quatorze linhas d’um soneto,
Eu nem de leve tocarei no amor;
a falar sobre sonhos não me atrevo/Eis que se foi embora um bom quarteto!
quero falar do sol, no esplendor,
das estrelas, do mar; não intrometo
o coração, em cousas de valor/Sei da história do mar apaixonado
por Diana que o fita com dulçor,
na ausência do sol, seu namorado/Mas, já se viu que cérebro demente?
quero banir deste soneto o amor,
e um soneto fazer de amor somente!…..

(Coleção do Prof. José Aragão)

Manoel de Holanda Cavalcanti, vitoriense nascido em 18.XI.1897 e falecido em 22.3.1978. Filho de Joaquim de H. Cavalcanti e de Olindina de H. Cavalcanti. Irmão dos também poetas Henrique e Corina. Exerceu por muitos anos o serviço cartorial, do registro civil. Cultor das letras tinha uma prosa amena e agradável, como também a sua poesia.

O lado bom da vida – por Sosigenes Bittencourt.

Esta é uma das rosas que recebi por e-mail, remetido por dona Conceição Azevedo, leitora do meu blog. Chamada de Rosa da Sinceridade, escolhi como a mais bela. Sincero era Jesus, que agia como pregava. Dona Conceição é apaixonada pelo lado bom da vida. Prova de que podemos ser felizes, sentindo prazer sem culpa e suportando os sofrimentos da existência sem desespero.

Estético abraço!

Sosigenes Bittencourt