Momento Cultural: PARA MINHA NETINHA – Por Diva Holanda

Plim Plim! Parece conto de fadas
ou mesmo boato infundado
mas, o que é fato é verdade
e não pode ser contestado:

Diva vai ser vovó
ela que parecia querer
ver em Mano um menino
de repente o viu crescer.

Cresceu deu nova vida
a quem não foi programada
mas que será com certeza
das filhas a mais amada.

Nascendo em tempo tão ruim
onde não se tem esperança,
estou apostando em você
minha doce e terna criança.

De você vou ser vovó
de fadas vou lhe falar
vou cantar mesmo sem voz
lindas canções de ninar.

E a vovó que daria
bolões de feijão e amor,
que hoje é da guarda
você vai levar uma flor.

E no seu mundo encantado
com baleias navegando,
sem guerra e sem fuzis
você vai crescendo pesando:

Que Drumond não morreu nunca
Que Deus é bom e perdoa,
Que a vida já é história
De um pensamento que voa.

Diva Holanda 

O bom uso da inteligência – por Sosígenes Bittencourt

A vida ensina, você é que tem de fazer bom uso da inteligência. A inteligência é uma FACULDADE, todos nós a temos. O bom uso da inteligência gera SABEDORIA. Às vezes, o que aprende com facilidade tem pouco interesse, e o menos capaz, pela dedicação, pelo esforço, consegue mais. Termina, o mais esforçado, usando melhor a inteligência, aprendendo mais, triunfando na vida. A perseverança é irmã da conquista.

Em resumo, o homem tem de saber lidar com as EMOÇÕES. Felicidade é comer jabuticaba no pé. Se você, na ansiedade, comer a semente, nunca irá saborear uma delas.

A paciência é a maior das virtudes, porque não há virtude sem paciência.

Sosígenes Bittencourt

Quem investiu em construções irregulares na linha férrea poderá dançar na “chapa-quente”….

Não sem sentido, repercutiu bastante nas redes sócias,  no nosso torrão,  o problema envolvendo à demolição, pela justiça federal,  de um prédio na cidade de Timbaúba –  Mata Norte – que foi construído no espaço que um dia circulou o trem.

Antes, sinônimo de progresso e modernidade, o sistema de transporte ferroviário foi meticulosamente estudado pelos governantes de plantão, a partir de um determinado período,  para não funcionar mais no Brasil. O País não poderia dar certo e ser viável, sem antes desenvolver a industria automobilística americana e europeia.

Pois bem, logo após a nossa então Vila de Santo Antão virar a próspera cidade da Vitória, em 06 de maio de 1843 –  Vitória passaria a ser “de Santo Antão” só a partir de 1943 – à chegada da “estrada de ferro”, em 1886, transformaria nosso torrão numa das circunscrição territorial mais estratégica para então Província de Pernambuco.

Nesse período, por assim dizer, nossa cidade “respirou doces ventos”. Conjugou, verdadeiramente, aquilo que hoje os especialistas chamam de “desenvolvimento econômico”, bem diferente do tão buscado crescimento econômico. Passado um século da sua chegada – por volta das décadas de 80/90 – as forças do atraso cuidaram de “sucatear” esse modal de transporte em nosso estado .

Assim sendo, a partir de agora, tem muito antonense sem dormir direito! Investiram suas economias em construções irregulares ou na compra de prédios sem a devida documentação, construídas sob o espaço das chamadas  “estradas de ferro”. Nessa parada não tem inocentes…….Todos sabiam o que estavam fazendo. Os políticos das gestões passadas – Governo Que Faz e Governo de Todos – se beneficiaram com os votos, os “corretores/vereadores”, idem!! E quem poderá dançar na “chapa-quente” são os comerciantes que apostaram e investiram dinheiro na “coisa fácil”……..

LITERATURA ABERTA – MIA COUTO: UM MOÇAMBICANO NA VITÓRIA – Escreveu- Ronaldo SOTERO

Para o escritor vitoriense OSMAN LINS, (1924-1978), no livro “Problemas Inculturais Brasileiros”, “Só existem, no Brasil, duas coisas verdadeiramente democráticas: a praia e a literatura. Estão sempre abertas a quem chega e ninguém paga pela entrada”.

Nessa perspectiva, o escritor moçambicano António Leite Couto, conhecido como Mia Couto, 63 anos, nascido em Beira, Moçambique, realiza palestra dia 17/04, às19h no Instituto Histórico da Vitória de Santo Antao, com o tema :”Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?- O Continente Africano numa perspectiva literária “, em evento com apoio da UFPE, Unicap e Facol.

Além de biólogo, o escritor é natural de Beira, cidade muito atingida recentemente, durante a passagem do ciclone Idai. Sobre seu pseudônimo Mia, foi adotado porque o escritor tinha grande admiração por gatos e seu irmão não sabia pronunciar o nome dele.
Autor prolifico, de extensa obra literária, assim como o internacional Osman Lins, escreveu poesia, conto, romance, crônicas, sendo considerado como um dos mais importantes escritores de seu país. Suas obras foram traduzidas para o alemão,francês, castelhano, inglês, italiano, e publicadas em 22 nações .Mais traduzido escritor moçambicano. Seu primeiro romance “Terra Sonâmbula ” , de 1992, é considerado um dos melhores livros da literatura africana no século XX.

Ex- colônia portuguesa, independente em 1975, Moçambique é o 35 país mais desigual do mundo, segundo o Banco Mundial. O Brasil ocupa o 15 lugar. Embora dotado de grandes recursos naturais, a ONU considera esse país como um dos menos desenvolvidos no mundo.

Sua capital é Maputo. População é de cerca de 28 milhões. É banhado pelo Oceano Indico.
Para falar de tema de tamanha abrangência, que pode não ser de compreensão de boa parte dos presentes, pelas singularidades que a literatura exige, Mia Couto deveria pautar sua exposição tendo como pano de fundo a magistral África, continente de contrastes agudos, mistérios, guerras coloniais; conflitos étnicos, história, santuário ecológicos e diversidade, em um mundo fragmentado, mas de esperança viva.

Ronaldo Sotero

Bolsonaro: “não nasci para ser presidente, nasci para ser militar”…Disse tudo!!!!

Na melhor como o tempo para analisarmos fatos, situações e declarações. Há décadas que o discurso dos condutores da política nacional não produzindo os frutos desejados à população de maneira geral. Os problemas parecem crônicos…..

Para ficar só no contexto da corrupção, envolvendo suas excelências ex-presidente da república, Lula da Silva e Michel Temer –  o que não é pouca coisa -, começamos observar, não obstante ser políticos com origem, nível intelectual e  atuações distintas, além de tantas outras diferenças, é que as respostas, quando enquadrados no mundo do crime, contém similitudes familiares.

Já o atual presidente, Jair Bolsonaro, parece-nos ser mais “criativo” nas suas explicações quando tentou explicar o caso do seu filho, por ocasião da relação com os assessores quando pilotava o seu mandato de deputado na Assembleia Legislativa no Rio  de Janeiro – “garoto”  e “canelada”.

Hoje, 10 de abril, a gestão Jair Bolsonaro completa 100 dias. Pouco tempo para avaliações mais profundas. Precisamos deixar o tempo correr……Segundo pesquisas de opinião pública, a sua gordura na popularidade não lhes permite mais criar tantos fatos negativos para si. Aliás, o próprio presidente já cuidou de justificar-se: “não nasci para ser presidente, nasci para ser militar”…Disse tudo!!!!

Momento Cultural: Visitando o Nosso Colégio.

(confrontando Luís Guimarães Filho no seu soneto: “Visita a casa paterna”. Composto para o Colégio Nossa Senhora da Graça na fundação do dia da “ex-aluna”, em 9 de julho de 1947)

Como ao porto quando voltam as jangadas
após bem forte e cerrado temporal,
rever, quisemos, num elo fraternal,
o nosso Colégio de emoções sagradas!

Chegamos!… Ao nosso encontro maternal,
vem Madre Superiora muito amada
que, sorridente, institui, mui dedicada,
da ex-aluna o áureo dia magistral!

Entramos!… – Era esta a sala de estudo!…
Oh! a Capela!… ali, o açude!… e, de tudo,
sentimos que a Saudade a alma nos invade!

Ei-las, as boas Mestras!… as caras companheiras!…
revemos-los, hoje, alegres, prazenteiras…
e, de Gratidão, quem palpitar, não há-de?…

(SILENTE QUIETUDE – ALBERTINA MACIEL DE LAGOS – pág. 42).

NO TEMPO DE EU MENINO – por Sosígenes Bittencourt.


Sou do tempo em que havia tempo de acompanhar a réstia do sol e contar estrelas.
Sou do tempo em que o coral dos grilos executava a sonoplastia das estrelas.
Se os primeiros anos de vida marcam o homem, como uma tatuagem na memória, devo ter influência de minha primeira infância na Feira das Panelas, em Vitória de Santo Antão. Comi macaquinho de feijão com farinha e jaca dura no palito. Sou do tempo da laranja-da-baía-de-umbigo. Nunca mais vi um maracujá-açu.
Sou do tempo em que menino não pitava “cannabis sativa”, não portava arma de fogo nem namorava nu. Criança não estirava língua nem estalava banana para os mais velhos; tempo da palmatória nos argumentos de matemática.
Sou do tempo em que safadeza sexual era pecado e urinar no meio da rua era falta de educação. Levei chinelada porque tudo que ia contar, enfeitava de adjetivo, num arrodeio que parecia invenção. Mais tarde, minha mãe descobriu que eu não mentia, era poesia.
Minhas maiores alegrias foram quando aprendi a soletrar e que mulher foi feita pra namorar. Um dia, eu vi o Cego de Apoti, cantando na feira. Era um cidadão que enxergava com a voz.  Às vezes, uso chapéu de palha para saber se tenho cara de matuto.

Sosígenes Bittencourt

Livro Cristais Fissurados: Pedro Ferrer vai cair na boca do povo…..

No próximo dia 24 de maio o professor Pedro Ferrer lança mais um livro. O opúsculo, que tem conteúdo diferente de todos os outros por ele já lançado, no meu modesto entendimento revelará um Pedro Ferrer que muita gente não conhece.

Biólogo de formação e quase padre, Pedoca, nesse livro, por assim dizer, juntou tudo que viveu – as metamorfoses da biologia e às castrações religiosas – para contar uma história verídica,  ocorrida na nossa cidade que envolveu duas famílias da então nobreza dos engenhos de cana de açúcar – muita safadeza e covardia…..

Por sua generosidade, imagino, escolheu-me para fazer a devida apresentação da obra, por ocasião do seu lançamento. Cristais Fissurados é o nome do título. Mas também poderia possuir uma chamada mais “picante”, sintonizado com os atos primitivos da espécie animal, no que concerne ao sexo propriamente dito.

Com todo respeito aos livros já lançados pelo amigo Pedoca, inclusive um deles premiado pela APL – Academia Pernambucana de Letras – esse, certamente, irá despertar mais  interesse por parte dos seus fies  leitores, sobretudo para saber o que anda “poluindo” sua mente nas noites e  madrugadas silenciosas…. Esse livro vai dá o que fala!!

HISTÓRIA ABERTA – TIRANOS & TIRANETES – Escreveu: RONALDO SOTERO.

Autor : Carlos Fico
Quem quiser conhecer excelente livro que permite entender a atuação de alguns governos ditatoriais da América Latina, eis a indicação. O caso do Chile, que não faz fronteira com o Brasil, é emblemático. A eleição de Salvador Allende em 15.9.70, marxista , mudou os destinos do país. Empossado em 3.11.70, tinha como meta a desapropriação de terras, nacionalização das empresas estrangeiras, reforma agrária, socialização dos meios de produção, que levou a queda na oferta de alimentos. A inflação chegou a 300%. Desemprego alto, caos econômico.

Em três anos de governo a sonhada primeira experiência de um governo socialista no continente estava com os dias contados. Na madrugada de 11.9.73 , os militares deixaram os quartéis e tomaram o governo. No Palácio La Moneda, bombardeado pela força aérea, o presidente Allende comete suicídio disparando um tiro de fuzil contra o queixo. O general Augusto Pinochet assumiu o poder e imprimiu dura repressão para reorganizar o país. Foi implacável com os opositores. Durante 17 anos o Chile conseguiu desenvolvimento e ordem. Uma releitura, sem emocionalismo, nas páginas desse delicado momento da história desse país andino, permite entender ,com lucidez , sua história recente.

Ronaldo Sotero. 

Momento Cultural: Canção antiga – por Henrique de Holanda

Eu te amei tanto…
foste meu tudo:
– um lírio da Judéia
que teceu de perfume um manto
e, bem de leve, de mansinho, mudo,
vendou-me os olhos e envolveu-me a ideia…

E como um passarinho esvoaçaste
sobre a minha existência outrora calma.
A mais linda canção tu me ensinaste
porque entraste, cantando, na minh’alma.

Resolveste fugir do meu destino.
Desviaste do meu, o teu caminho
e deixaste, num louco desatino,
meu triste coração sofrer sozinho…

Hoje és somente uma ave sem guarida;
o amargurado sonho que sonhei;
uma folha seca na haste de minha vida,
a cantiga mais triste que cantei…

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 14).