Termópilas e o Monte das Tabocas: a essência do épico – por Marcus Prado.

Um casal de médicos pernambucanos, meus caros amigos, Neyton e Patrícia Santana, em visita à Grécia há poucos dias, ambos interessados na milenar cultura grega, sabendo da minha estima e escritos em que faço analogia de textos clássicos da Grécia Antiga com autores dos nossos dias, trouxeram-me como lembrança uma pequena pedra do sítio sagrado de Termópilas. “O meu desejo, ao visitar a Grécia”, disse-me Patrícia, “foi conhecer menos a Grécia instagramável e mais a Grécia berço cultural ocidental. Mas elegemos como um dos locais a ser visitado Termópilas, pois lá se deu a história de um rei destemido que, ao lado de seus melhores soldados, deu sua vida para refrear um exército inimigo que vinha não para preservar, mas para destruir. Hoje o local é pouco valorizado. A estátua de Leônidas, o herói, que despertou o sentimento de Nação entre os gregos, está em meio a uma auto-estrada. Mas o seu grito corajoso ecoa.”

O ato de Termópilas, embora tenha sido uma derrota tática, foi uma vitória moral. A lição de atualidade que resultou da Batalha de Termópilas, ocorrida em 480 a.C., de que nos fala a médica pernambucana, é de uma grandeza incomensurável, exemplar e de grande atualidade. Reside na disposição de arriscar a vida e a liberdade para confrontar um poder profundamente enraizado, corrupto e brutal. Tornou-se um dos exemplos mais celebrados de heroísmo e sacrifício militar, segundo seus historiadores, a partir do maior de todos: Heródoto. (A sua obra ilumina o que foi essa Guerra que durou apenas três dias). Fez parte das Guerras Greco-Persas e ficou famosa pela atuação de um pequeno contingente de gregos que enfrentou o vasto exército persa. Eram 300 heróis contra mais de 7.000 invasores fortemente armados. A dra. Patrícia fala-me da atualidade simbólica dessa guerra. Termópilas transformou-se no símbolo mítico de resistência desesperada, remete à ideia de uma luta final e incansável contra um poder avassalador.

Na minha casa guardo com carinho uma pequena pedra trazida do Monte das Tabocas (Vitória de Santo Antão), cenário de uma batalha há exatos 380 anos, crucial confronto de 3 de agosto de 1645. Esse evento marcou o início da Insurreição Pernambucana, onde forças luso-brasileiras venceram os holandeses invasores, consolidando a resistência e o sentimento nativista que levaria à expulsão holandesa do Brasil. Abriu caminho para futuras vitórias, como as dos Guararapes, segundo o historiador José Aragão Bezerra Cavalcanti.

As forças luso-brasileiras, lideradas por combatentes como Antônio Dias Cardoso, usaram táticas de guerrilha e o terreno favorável para surpreender os holandeses, que, apesar de estarem mais armados, foram derrotados. Essa ação foi para eles inexplicável, segundo documentos históricos. “A vitória consolidou a resistência e inspirou a luta pela libertação do Brasil.” A bravura e o sacrifício dos “300” de Termópilas e dos heróis de Tabocas tornaram-se um símbolo de determinação em lutar pela liberdade. São epítomes de verdadeiro heroísmo — o sacrifício pessoal máximo pela causa da liberdade: a essência do épico. Os dois combates devem ser vistos no contemporâneo como um símbolo duradouro da coragem, honra e sacrifício inabalável em face de adversidades esmagadoras.

A pedra de Termópilas e a pedra do Monte das Tabocas são iguais, com uma diferença: na batalha do Monte das Tabocas, entre os nossos heróis, não houve traidores.

Marcus Prado – jornalista

BRAZIL WORSE THE NEXT DAY – por Sosígenes Bittencourt.


(Brasil pior no dia seguinte)
O Flamengo perde 4 pênaltis na disputa pela Taça Intercontinental, contra o Paris Saint-Germain.
O Brasil é um país que consegue amanhecer pior no dia seguinte.
No Brasil, é proibido Tráfico de Drogas. Não obstante, haja tráfico em presídio e delivery de drogas.
Valha-nos, Deus!

Sosígenes Bittencourt

EU E MEU MENINO NO TEMPO DELE MENINO – por Sosígenes Bittencourt.

Filhos são relógios, por onde contamos o tempo.
Quanto mais jovens, mais envelhecemos.

O menino: – Pai, estou com medo.
Eu: – Começaste a sentir a dor da alma.
O menino: – O que é alma?
Eu: Para ter alma, não precisa explicação.

O menino: – Pai, eu penso que quando o senhor era menino, o mundo era preto e branco.
Eu: – Cometeste o teu primeiro poema.

O menino: – Pai, eu estava com saudade.
Eu: – Saudade é um sentimento que não morre quando se mata. É a gente matando saudade e morrendo de saudade.

O menino: – Pai, uma menina me beijou.
Eu: – Cuidado, meu filho, eu ainda não estou na idade de ser avô.

Sosígenes Bittencourt

64 anos do incêndio mais mortal da história do Brasil – por @historia_em_retalhos.

 Evento: 17 de dezembro de 1961.

64 anos do incêndio mais mortal da história do Brasil.

A assombrosa tragédia na Boate Kiss, em 2013, chocou o país quando 242 jovens morreram vítimas de um incêndio.

O que pouco se comenta, porém, é que, cinco décadas antes, um terrível incêndio criminoso causou a morte de 503 pessoas, entre elas, 300 crianças, mais do que o dobro de vítimas da Kiss.

O fato aconteceu em 17 de dezembro de 1961, na Praça do Expedicionário, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Naquele mês, o Gran Circus Norte-Americano chegava a Niterói, anunciando ser o maior e mais completo circo da América Latina.

A montagem do equipamento demandava bastante tempo e mão de obra, o que fez com que o dono, Danilo Stevanovich, contratasse cerca de 50 trabalhadores avulsos.

Entre eles, Adílson Marcelino Alves, o “Dequinha” (foto), que tinha antecedentes criminais e apresentava problemas de saúde mental.

Dequinha trabalhou apenas dois dias e foi demitido por Danilo, assim que foram descobertos os seus antecedentes criminais.

Inconformado, porém, passou a rondar as imediações do circo.

No dia da estreia, em 15 de dezembro de 1961, o circo estava lotado e Dequinha tentou entrar no espetáculo sem pagar o ingresso, sendo impedido pelo domador de elefantes Edmilson Juvêncio.

No dia seguinte, 16 de dezembro, Dequinha continuava a perambular pelas imediações e passou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era apontado como o responsável por sua demissão.

Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu Dequinha, que reagiu e jurou vingança.

Era a senha da tragédia.

No dia 17 de dezembro, Dequinha reuniu-se com José dos Santos, o “Pardal”, e Walter Rosa dos Santos, o “Bigode”, com o plano de atear fogo no circo.

Chegou a ser advertido, porém estava decidido: queria vingança e dizia que o dono do circo tinha uma dívida para com ele.

Com três mil pessoas na plateia, às 15h:45min, faltando apenas 20 minutos para o espetáculo terminar, começou o incêndio.

Em poucos minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas, porque a lona, que chegou a ser anunciada como sendo de náilon, era, na verdade, de tecido de algodão, revestido de parafina, um material altamente inflamável.
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Por uma infeliz coincidência, naquele dia, a classe médica do Rio de Janeiro estava em greve e o maior hospital de Niterói estava fechado.
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Desesperada, a população arrombou as portas do hospital e os médicos foram convocados por meio do rádio.
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O presidente João Goulart deslocou-se imediatamente para Niterói.
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Sem outra alternativa, o Estádio Caio Martins foi transformado em uma oficina provisória para a construção rápida de caixões, com carpinteiros da região trabalhando dia e noite, e, pasmen, sem mais terrenos disponíveis em Niterói, foi necessário solicitar-se uma área no município vizinho de São Gonçalo para enterrar os corpos.
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Dequinha foi preso cinco dias depois, assim como os seus cúmplices “Bigode” e “Pardal”, sendo condenado a 16 anos de prisão e 6 anos de internação em manicômio judiciário.
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Onze anos depois, em 1973, ele fugiu da penitenciária e foi encontrado morto com 13 tiros no alto do morro Boa Vista, também em Niterói.
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Niterói jamais esqueceu dessa tragédia.
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Algumas curiosidades:
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– a fuga da elefanta “Samba”, paradoxalmente, acabou salvando muita gente. Com a sua força, o animal rasgou um buraco na lona, abrindo um caminho para mais pessoas passarem. Outros, porém, com menos sorte, acabaram morrendo ou tendo ossos quebrados pelo animal.
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– o saudoso palhaço Carequinha ajudou no financiamento para a construção de um cemitério em São Gonçalo para enterrar as vítimas do incêndio.
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– o pregador “Profeta Gentileza”, nome pelo qual ficou conhecido José Datrino, motorista de caminhão, afirmou que, no dia da tragédia, recebeu um chamado à vida espiritual, que o mandava abandonar o mundo material e dedicar-se apenas ao plano espiritual, decidindo, a partir daquela data, residir no exato local onde acontecera o incêndio.
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– a quem interessar, recomendo o livro “O Espetáculo Mais Triste da Terra – O incêndio do Gran Circo Norte-Americano”, de Mauro Ventura.
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Vida Passada… – Barão de Caruaru – por Célio Meira.

Aos 21 de anos de idade, o pernambucano Francisco Antônio Raposo matriculou-se, ao tempo da Regência, na Escola Militar. Vestiu, moço, a farda de soldado e a conservou por toda vida, honrando-a, nos cargos de confiança do governo.

Amando a carreira perigosa das armas, estudioso, possuindo, em elevado grau, o sentido da disciplina, galgou todos os postos, na hierarquia da caserna. Em 1839, era 2º tenente, e sete anos decorridos, mereceu a promoção ao posto imediato. Doze anos mais tarde, tinha, na túnica, os galões de capitão. E, antes dos 40,  atingiu o posto de major.

Prestigiado no sei das classes armadas, querido entre os camaradas, obteve, Antônio Raposo o coronelato, em 1864. Engenheiro civil e militar, dedicou-se, também, ao magistério. E na mesma escola onde foi discípulo, subiu à cátedra, conta um biógrafo, ensinando física e matemática. Homem austero, de elevada moral, governou, aos 53 anos de idade, a província de Mato Grosso. E na terra mato-grossense, narra um historiador, exerceu, mais tarde, o comando geral das armas.

Conferiu-lhe o governo, em 72, os brilhantes galões de brigadeiro. Serviu no Arquivo Militar, e esteve na Europa à frente de comissões importantes. Regressando à pátria, coube-lhe a honraria de dirigir, na Côrte, o Arsenal de Guerra.

Jubilado, na Escola Militar, não se refugiou na vida inativa. Aceitou, a esse tempo, a direção da Escola Politécnica. Governou, o velho soldado pernambucano, de boa estirpe, essa famosa escola, cheia de tradições, sem perder os aplausos e a confiança do poder público.

Não se enamorou, nunca, da política, o velho militar. Viveu, sempre, para o exército. Mereceu, do monarca brasileiro, pelos serviços relevantes prestados à nação e à pátria, a honra de um baronato. Foi agraciado com o título de barão de Caruauru.

Morreu no dia 23 de março do ano de 1880, aos 63 anos de idade. Morreu tranquilo, na certeza absoluta de que bem servira ao governo e à terra natal.

Na história militar do Brasil, o nome do Brigadeiro Francisco Antônio Raposo lembrará , atreves dos tempos, aos jovens militares, a honestidade e a disciplina.

Honrou o país e o estrangeiro, o nome de Pernambuco.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira.

AVLAC – “Defesa Acadêmica” da doutora Leila Medeiros

Contemplada pelos pares e diante dos familiares do Padre Rento – Patrono de uma das cadeiras (23) da AVLC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência -, a acadêmica Leila Medeiros apresentou-se,  no sentido da ratificação da  sua condição de Imortal.

O evento aconteceu  na manhã do último domingo (14) e ocorreu  no Salão Nobre do Instituto Histórico da Vitória. Na sua “Defesa Acadêmica”, a doutora Leila Medeiros viajou pela vida, pela obra e pelo legado  religioso do Monsenhor Renato da Cunha Cavalcanti.  

O encontro integrou o conjunto de ações da AVLC que, entre outras finalidades, tem como objetivo manter viva a história de baluarte antonenses que enriquecem a terra Osman Lins.

SAUDADE – faltando 2 meses para o Baile no Asfalto!!!

Festejado, celebrado e produzido em nossa terra desde o final do século XIX, o “Carnaval Antonese” se configura num verdadeiro Patrimônio coletivo. Seus acontecimentos, seu rico acervo e suas memórias emolduram  parte significativa da história local.

Pois bem, nesse contexto, são as nossas agremiações organismos importantes nesse emaranhado de sentimentos. Umas mais antigas outras nem tanto.  Algumas delas iniciando sua trajetória,   mas independente de qualquer coisas,  todas dando o seu contributo positivo ao conjunto carnavalesco local.

Jogando no time das agremiações que qualifica a cena musical, “ A SAUDADE” tem dia e hora para desfilar. Na noite da segunda-feira de carnaval. Sempre com temas ligados aos acontecimentos locais, em 2026, exalará à passagem dos 140 anos da chegada do trem ao munícipio, ocorrida em 1886.

Portanto, na segunda-feira,  dia 16 de fevereiro de 2026 –  há exatos dois meses de distância temporal – estaremos vivenciando mais um desfile da SAUDADE, que mais uma vez contará com a Orquestra Super Oara e o Trio Asas da América e aquele elegante, bonito e extraordinário concurso de adereço de cabeça.

Para concluir, não custa nada lembrar: NA SAUDADE, A GENTE BRINCA MELHOR!!!

 

16 de dezembro de 1976 – por @historia_em_retalhos.

Naquele dia, membros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) estavam reunidos em uma casa insuspeita da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, para realizar um balanço político da recém-derrotada Guerrilha do Araguaia, movimento de resistência armada organizado pelo partido no sul do Pará.

Um fato muito imprevisível e perigoso naqueles anos difíceis, todavia, aconteceu: a traição.

O militante Manoel Jover Telles decidiu trair os seus companheiros de partido, informando o dia e o local da reunião do Comitê Central do PCdoB ao Exército.

Telles, que havia sido preso em meados de 1976, negociara com os órgãos da repressão e fornecera informações sobre a reunião, recebendo por isso a quantia de 150 mil entregue à sua filha em Porto Alegre/RS.

Na madrugada, após o fim da reunião, a residência foi cercada e metralhada.

Os militantes Ângelo Arroyo e Pedro Pomar foram sumariamente assassinados a tiros na própria operação (foto).

João Batista Franco Drummond, preso no dia anterior, à tarde, após sair da casa, fora levado ao DOI/CODI, onde morreu sob tortura, durante a madrugada.

Outros cinco integrantes (Elza Monnerat, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade) foram presos e torturados.

O objetivo da operação era claro: riscar do mapa o partido que havia dirigido a Guerrilha do Araguaia, que foi a principal ação armada de resistência à ditadura.

Nenhum dos responsáveis pela chacina jamais foi responsabilizado.

No ano de 2010, o suborno de Manoel Telles para liquidar o PCdoB foi confirmado pelo general Leônidas Pires Gonçalves em entrevista ao jornalista André Cintra.

Não existem limites morais para uma ditadura.

O limite é a sua própria sanha.

Lembrar para não esquecer.

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Clarissa Góes saudou-nos com uma verdadeira aula de história!!!

No prestigiado programa global “Bom Dia Pernambuco” de hoje, segunda-feira (15), a conceituada jornalista e apresentadora do referido matinal, Clarissa Góes, saudou-nos com uma verdadeira aula de história. Aliás, na qualidade de nativo da Terra desbravada por Diogo de Braga, só hoje, fiquei sabendo que o seu irmão mais velho, Diego, nasceu em nosso torrão. Ou seja: também é uma espécie de guerreiro das Tabocas…

https://youtube.com/shorts/hzQ3iLkkZ-Y?si=3_gQD4wqLMDjgJAV

Bem assessorada e atualizada a eminente comunicadora verbalizou corretamente o termo que,  há vários anos,  pesquiso, compartilho  e alardeio (antonense), no sentido do necessário ajuste histórico, atinente ao nosso gentílico “oficial”, ou seja: vitoriense para antonense ou à adoção dos dois, de maneira oficial.

E explico mais uma vez:

Desde a nossa fundação, de 1626 a 1843 (217 anos), na qualidade de lugar, nunca  fomos  referenciados por “Vitória”.

Pela ordem, fomos:  “Cidade de Braga”, Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão e Vila de Santo Antão. Isto é:  antonenses na essência, no nascedouro e  no DNA.

Só a partir de 1843 (06 de maio), viramos “Cidade da Vitória” – título honorífico. E mais adiante, definitivamente, em 1º de janeiro de 1944,  passamos a ser Vitória de Santo Antão. Destaquemos que dos 400 anos como “lugar”,  apenas por  100 anos não ostentamos no nome o  “de Santo Antão”. 

Foi no bojo dessa  mudança (Cidade da Vitória) que recebemos o gentílico de “vitoriense”- uma alusão direta à Vitória alcançada na épica Batalha do Monte das Tabocas, ocorrida em 3 de agosto de 1645.

Aliás, vale destacar que, de maneira geral, gentílico é uma expressão usada para identificar nativos, de maneira exclusiva,  que nascem em um determinado lugar ou região.

Salientemos, também,  que o  “vitoriense” original –  por assim dizer –  é justamente atribuído  aos que nascem na cidade de Vitória, capital  do estado do Espirito Santo.

Portanto, fico feliz em testemunhar que nossa peleja pelo gentílico “antonense”,   vem ganhando espaço institucional – livros, jornais, internet, rádio e televisão. A nota desafinada continua sendo praticada  pelas as autoridades locais, responsáveis por pontuais ajustes histórico, que continuam ignorando, desconhecendo  e não se preocupando como deveria  com as causas coletivas da municipalidade. Sigamos  em frente……

 

“Com os militares não havia corrupção” – por @historia_em_retalhos.

É muito comum ouvirmos ainda hoje declarações sobre um mito de que, durante a ditadura militar brasileira, não havia corrupção.

Isto é um grave equívoco histórico.

Nos governos autoritários, a ausência de transparência, a censura e a centralização do poder pela força possibilitam que a corrupção seja praticada absolutamente imune ao controle social.

E foi isso o que aconteceu pós-1964, principalmente em favor daqueles aliados ao regime.

Obras faraônicas, como a Transamazônica, Itaipu, Tucuruí, Ferrovia do Aço, a Ponte Rio-Niterói e as usinas nucleares de Angra foram marcadas por superfaturamento, descumprimento de prazos e desvios de verbas, com o amordaçamento dos mecanismos de fiscalização.

Mas os exemplos não param por aí.

São inúmeros.

Em 1984, os ministros Delfim Netto (foto) e Ernane Galvêa (ministro da fazenda) foram protagonistas do famigerado escândalo Coroa-Brastel, acusados de desviar recursos da Caixa Econômica Federal em forma de empréstimo para o empresário Assis Paim Cunha.

No âmbito do crime organizado, um dos nomes mais conhecidos da repressão, o delegado Sérgio Fleury (foto) foi acusado pelo Ministério Público de associação ao tráfico e extermínios.

Apontado como líder do Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar, Fleury era ligado a criminosos comuns, fornecendo serviço de proteção ao traficante José Iglesias, o “Juca”.

Na Bahia, o governador biônico Antônio Carlos Magalhães foi acusado em 1972 de beneficiar a Magnesita, da qual seria acionista, abatendo em 50% as dívidas da empresa.

Por fim, foi durante o ciclo da ditadura militar (1982) que Pernambuco viu nascer o maior crime financeiro de sua história, o famigerado “Escândalo da Mandioca”.

Este escândalo, que beneficiou diversas pessoas influentes do regime, incluindo o Capitão da PM Audaz Diniz, resultou no assassinato do procurador da República Pedro Jorge (foto), herói e mártir do Ministério Público brasileiro.

Tudo sob o beneplácito da ditadura militar.

Em verdade, este estereótipo de um regime “imune” à corrupção é uma falácia e um acinte ao estudo crítico da história.

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5ª edição Corrida da Vitória celebrará a passagem dos 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão.

A origem da cidade da Vitória de Santo Antão que conhecemos hoje é carregada de coragem, pioneirismo e fé. Muita fé em Santo Antão – Padroeiro local.

Partindo do Arquipélago do Cabo Verde, precisamente da Ilha de Santo Antão,  Diogo de Braga, juntamente com seus familiares,  desbravaram nossas terras, há exatos 4 séculos (2026).

É nesse contexto que a 5ª edição da Corrida da Vitória se materializará, no domingo, dia 26 de abril de 2026. Nosso empreendimento esportivo vai além do suor da camisa,  da missão cumprida e do incentivo à chamada “Vida Saudável”. Aqui, carregamos, também, o sentimento de história e memória.

Assim sendo, tal qual nas edições anteriores, em que imprimimos nas medalhas e troféus um recorte da nossa história, em 2026, celebraremos os 400 anos de fundação do nosso lugar.

Portanto, não é exagero dizer que a medalha e o troféu da  Corrida da Vitória, 5ª edição, ano  2026, é uma peça rica e valiosa: rica,  porque sintetiza a história de um povo . Valiosa,  porque será conquistada pelo esforço consciente, algo próprio da corrida de rua. Viva os 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão!!!

 

Vila de Pirituba – “Um sonho além dos olhos humano ” – por assessoria.

MONUMENTO DE SANTA LUZIA  – Serra das pitombeiras – Distrito de Pirituba – Vitória – PE

O Distrito de Pirituba, região localizada na zona rural da cidade de Vitória de Santo Antão-PE. aproximadamente 15 km do centro da cidade. Vem se destacando pelo seu clima agradável, voltado para o turismo.

Uma iniciada foi dada por Edson Aparecido Lemos (Édson) e José Antônio de Souza (Deca de Pirituba ).objetivando construir um monumento religioso na região.

Os mesmos procuraram o reverendíssimo padre Rafael R. Menezes (Pároco da paróquia São João Batista – Pirituba), no intuito de buscar apoio para a realização deste sonho. De Imediato, padre Rafael Ricardo Menezes abraçou a causa e juntou-se aos mesmos visando organizar uma equipe para possíveis articulação. Compôs esta equipe: o Padre Rafael, Deca de Pirituba, Edson, Fabiano Ribeiro (Arquiteto ) e Pedro Henrique (Advogado).

O grupo almeja construir uma estátua de Santa Luzia com aproximadamente: 50 metros de altura. Segundo informações de membros do grupo, já houve uma conversa com o prefeito Paulo Roberto leite de Arruda, o presidente da Câmara de Vereadores, Edmilson José dos Santos (Edmilson de Várzea Grande), e a subprefeita do distrito Núbia Meira. A equipe busca apoio dos órgãos público para a construção do monumento e mirante na Serra das pitombeiras. Terreno este doado pelo Sr Pedro Henrique (membro da Equipe).

Neste dia 13 de dezembro de 2025 será celebrado uma benção da pedra fundamental para a construção da imagem de Santa Luzia. O evento acontecerá na Serra das pitombeiras a partir das 17:00h.

Após a benção da pedra fundamental os fiéis sairá em procissão para matriz São João Batista, aonde acontecerá o encerramento da festa de Santa com a missa campal celebrada pelo reverendíssimo padre Rafael Ricardo Menezes.

assessoria. 

Vida Passada… – Irmão Joaquim – por Célio Meira.

“Joaquim do Livramento nasceu numa Sexta-feira Santa, em 22 de março de 1751, escreve o padre Rafael Galanti, na capital da província de Santa Catarina.” Destinava-o,  o pai, à vida comercial, e aos 13 anos, mais ou menos, estava Joaquim à frente de um balcão. Não era atento à freguesia. Estava, sempre, de ouvido afiado à voz do sino. Não sabia, esse menino, nascido na terra de Luiz Delfino, de Cruz e Sousa e de Vitor Meireles, arrumar mercadorias nas prateleiras da casa de negócio. Ninguém, porém, o superava, e nem mesmo o igualava, na arte de amar e de enfeitar um altar.

Aos 17 anos, deixou, definitivamente, o comércio, passando a dirigir, no lar paterno, o Oratório de Nossa Senhora do Livramento. Acompanhava o Viático e socorria os pobres e os enfermos. E, um dia, nas ruas da antiga Destêrro, apareceu um homem, muito oço, humilde, de hábito de fazenda grossa, pedindo esmolas, destinadas à fundação de um asilo para os desamparados. Esse jovem, iluminado pela graça de Deus, era o Irmão Joaquim.

Deu, Joaquim, a essa jornada cristã, o rumo do sul e atravessando as fronteiras de sua terra natal, percorreu, de bordão e sacola, a província do Rio Grande, adquirindo donativos. Nessa peregrinação, enfrentou sofrimentos atrozes, e ouviu injúrias. Nada, porém, lhe impediu a marcha penosa, orientada pelo sol e pelas estrelas, e quando regressou ao berço nativo, os pobres tiveram a felicidade de um teto, remédios, alimentação, e a doçura das horas de oração. E para que se mantivesse, esse asilo, através, de todas as necessidades, irmão Joaquim foi  Lisboa, e pediu, à rainha, uma pensão.

Um dia, desapareceu, de Santa Catarina, o doce “frei” Joaquim. Levou-o, o destino, à terra baiana de Salvador. Não se foi recolher a um convento. Foi pedir esmolas, nas ruas. E com essas pequenas quantias, fundou o Seminário dos órfãos de São Joaquim. Solicitou, outra vez, em Lisboa, à mãe de D. João VI, dinheiro para os necessitados. E mais tarde, passando, já, dos 50 anos, fundou, ainda perto de Angra dos Reis, o Seminário de Jacuecanga. E nessa missão abençoada de socorrer os aflitos, e os pobrezinhos, foi, em São Paulo, conta um historiador, o companheiro admirável, e abnegado, do padre  Campos Lara.

E, pela terceira vez, em 1826, atravessou o Atlântico. Ia pedir, ainda, uma graça, a d. Miguel, de Portugal, para o Seminário de Jacuecanga.  A agitação política, naquele país, o levou a Roma. A morte, a esse tempo, começou a marchar ao lado desse “frade” da Ordem de Deus. E regressou à pátria. Não avistou as praias natais. Morreu em Marselha, em 1829, aos 78 anos de idade.

Irmão Joaquim não foi apóstolo, Não foi um missionários. Foi um Santo.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira.

MARIA BETÂNIA VITORIANO PEREIRA – por Sosígenes Bittencourt.

A menina de dona Jucélia
Eu conheci, no curso Ginasial,
as 7 Maravilhas do Mundo Antigo:
A Estátua de Zeus, O Colosso de Rodhes,
o Templo de Ártemis, O Mausoléu de Helicarnasso,
As Pirâmides de Gizé, O Farol de Alexandria
e Os Jardins Suspensos da Babilônia.
A menina de dona Jucélia foi uma das 7 maravilhas
de minha adolescência.
A menina de dona Jucélia não me permite ser um adulto definitivamente maduro; vez por outra me rejuvenesce,
me adultesce, fazendo-me adultescente.
Descongela, em mim, um menino que hibernava,
alargando meu passado e me distanciado da morte
às vésperas do crepúsculo de minha existência.
Sosígenes Bittencourt