Aluísio Ferrer – homenagem dos seus amigos e admiradores………

Perdemos o último dos moicanos ou melhor o último membro, salvo melhor juízo, da famosa “Corriola” criada, aqui,  nos anos cinquenta e hoje brilhantemente substituída, inclusive com mais glamour, pela Missão Cultural da Matriz. Aluísio e parceiros (Dodó da Gamela, Zé Palito, Zezinho Mesquita, Mizura, José Augusto Ferrer, Miro Caboclo, Zequinha Vieira, Biu Cândido, Wilson Bruto, Eliel Tavares, Donato, outros, outros e outros que me fogem à memória) criaram um grupo de jovens com a finalidade primordial de encherem o quengo e curtirem a vida. Resumindo: farrar.

Aluísio sofreu noventa e dois anos de exílio e agora retorna à casa do Pai. Aqui deixa o que tinha de menor valor: seu corpo, sua matéria. Leva suas boas ações e suas virtudes. Conhecemos  e convivemos  bem com Aluísio Ferrer. Homem de caráter e temperamento forte. Às vezes exagerava um pouco. Em nossos diálogos, às vezes um tanto ásperos, prevalecia a harmonia e a civilidade. Recordamos que certa feita, discutindo sobre religião, afirmamos:

– fulano é católico praticante.

Ele retrucou:

– “não há católico praticante; há católico. É, ou não é.  Há pessoas que afirmam serem católicos,  mas não frequentam a igreja, não suportam padres e dogmas. Não o são”.

Assíduo frequentador da missa das 6:30 h,  aos domingos na matriz de Santo Antão; amigo fiel do Monsenhor Renato Cavalcanti. Sua prática religiosa extrapolava as muralhas do templo. Sempre solícito procurava viver o cristianismo no que ele tinha de mais autêntico: amor ao próximo.

Aluísio Ferrer foi casado em primeiras núpcias com a antonense, Emília Siqueira, irmã do jornalista e escritor Júlio Siqueira, com quem teve 4 filhos: Alexandre, Joaquim Augusto, Aluísio e Severino José. Viúvo, casou-se com Angelita, nascida no Recife. Em Vitória de Santo Antão foi aluno do professor Aragão. Concluído o ginásio seguiu para o Colégio Marista sendo aluno destaque. Na UFPE cursou Economia. Retornando à terra natal assumiu seu posto no Engarrafamento Pitú, ao lado do pai, Nô Ferrer. Empresário responsável e dedicado deu forte contribuição ao progresso e pujança da empresa Pitú. Através dos clubes de serviços sempre manteve sintonia com as questões sociais.

Aluísio, sentiremos falta do teu vozeirão e de tuas explosões. Mas fica, e por isso agradecemos a Deus, termos convivido com pessoa tão especial, tuas histórias, teu companheirismo, tua solidariedade e fidelidade aos amigos. De uma imensurável dedicação à mãe, dona Áurea Ferrer.

Aluísio deixou-nos corporalmente. A morte é uma passagem. Libertou-se da matéria e agora ao lado do PAI CRIADOR, usufruirá do bem que aqui plantou. Parta em paz,  Aluísio,  e obrigado por tudo que  fizeste em vida por tua família, teus amigos e sobretudo pela República das Tabocas, ou melhor, República da Cachaça, já que tu também apreciavas a “branquinha”.

Homenagem dos seus amigos e admiradores

NOTA DE FALECIMENTO: Aluísio Ferrer de Morais

Faleceu na manhã desta quarta-feira (22/01), com 91 anos, no Recife, Aluísio Ferrer de Morais, um dos diretores do Engarrafamento PITÚ, deixando quatro filhos, sendo o mais velho Alexandre Ferrer, atual presidente da empresa e diretor comercial, sete netos e dois bisnetos.

Sr. Aluísio Ferrer completaria 92 anos no próximo dia 28 de janeiro. Ele estava internado na UTI do Hospital Português, na capital pernambucana, há um ano, apresentando um quadro de complicações pulmonares.

Aluísio Ferrer fazia parte da segunda geração de gestores do Engarrafamento PITÚ, sendo filho do sócio-fundador Severino Ferrer de Morais. Ao longo de seis décadas, Sr. Aluísio foi responsável pelo setor Comercial e de Marketing da PITÚ, consagrando a aguardente como a mais consumida no Nordeste, a segunda do País e a líder absoluta em exportação do produto para o mundo.

O velório de Sr. Aluísio Ferrer de Morais acontecerá no final da tarde desta quarta-feira (22/01), às 17h, no espaço Rosa Master, que fica ao lado do Cemitério São Sebastião, onde será o sepultamento em seguida, em Vitória de Santo Antão, seu município natal.

Histórias do Carnaval Antonense: o escritor Célio Meira, meu avô, se irritou com a chacota!!

Certa vez, uma irreverente toada fez o nosso querido e saudoso Célio Meira se retirar do tablado. Estávamos na fase aguda da primeira grande guerra e Célio era um francófilo capaz de brigar com quem tentasse, nesse particular, combater as suas ideias. Era nosso Ministro do Exterior o dr. Nilo Peçanha. Acontece que a Cambinda para, diante do tablado e ataca:

“O Doutor Nilo Peçanha
Pela Pátria brasileira,
– Mandou chamar Célio Meira
P’ra acabar com a Alemanha”.

Ceciliano não gostou da graça. Essa quadrinha foi atribuída a Samuel Campelo que, no entanto, sempre negou, Teria sido de meu pai, Joaquim de Holanda Cavalcanti. Muitas pessoas o davam como sendo o autor. Não sei…

O que sei é que a “Lagoa do Barro” lembra o Carnaval. Era lá o quartel general da folia, transformada em bosque e, à noite, com sua profusão de luzes, num vasto salão iluminado.

Até 1929, o nosso Carnaval, embora desfigurando-se  cada ano, guardou esse aspecto.

Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 6º – 1976 – Páginas 102 e 103.

Perguntou-me Pedro Ferrer: “quem morreu mesmo, amigo Pilako, foi o CAMELO OU O LEÃO?”

Na qualidade de folião antonense, com raízes carnavalesca vinculadas ao Clube Abanadores “ O Leão”, o professor Pedro Ferrer reclama da falta de “espaço” para o “mais querido”. Eis a nota enviada por ele, ao blog:

Enterro do Leão – O Camelo é de amargar. Só dá Camelo neste blog.

Vale a boa intenção dos adeptos do Vassouras: RESSUSCITAR O LEÃO. Desculpem – me estava com a cabeça cheia de enterro do Leão; mas quem morreu mesmo, amigo Pilako, foi o CAMELO OU O LEÃO? Tira-me esta dúvida. Que é da sede do aristocrático? Vou lá dar uns ponta pés na porta da sede. Não, não devo, agora é um templo religioso.

Falando sério: vale o esforço dos saudosistas do Camelo. Ressuscitando o Camelo, a benéfica rivalidade voltará às ruas de Santo Antão e com certeza com a benção do SANTO PADROEIRO, assim ganhará o nosso carnaval.

Viva o Leão de Célio Meira, de Nô Ferrer, José Augusto Ferrer, Abiatar Ferreira Chaves, Joel Siqueira, Honório Trugão (Sena), Mizura e tantos outros. Este último, Mizura, virou casaca; tempo depois passou para o outro lado.

Pedro Ferrer

O Tempo Voa Documento Especial: Reminiscências natalinas – Por Prof. José Aragão (1999)

Dos natais de minha infância, recordo, enternecido, dispostos em ordem, através do velho Pátio da Matriz, nesse tempo coberto de capim e outros arbustos silvestres: o carrossel, cheio de cadeiras e cavalinhos, movido à mão, ao som de melodias tocadas por uma caixa de música; as barracas de prendas de José Menezes e do José Viana, com cadeiras em torno dos armarinhos onde ficavam os objetos a ser sorteados entre os compradores de bilhetinhos feitos à mão; os bares improvisados, com mesas e cadeiras espalhadas em torno da praça; os botecos onde se vendiam quinquilharias, miudezas e brinquedos infantis; os tabuleiros dispostos em fila com bolos, alfenins e confeitos, tendo ao lado um pote com água fria para os fregueses; os presépios e os pastoris.

A iluminação era feita por bicos de latas de carbureto, pendurados em postes de madeira. Nas barracas e na frente de Matriz, lâmpadas a álcool.

De caibros fincados no chão, sustentando folhas de coqueiro, partiam os cordões de bandeirinhas multicores, feitas de papel de seda, circundando e cruzando toda a área da festa.

Por todos os becos, ruas e travessas convergiam ao pátio levas de matutos que acorriam à cidade para ouvir a Missa do Galo.

Rapazes e moças, em grupos, contornavam a praça, discreteando amável e respeitosamente sobre trivialidades próprias de sua idade, usufruindo o prazer natura de mentes jovens e sonhadoras em melífluos encontros.

As crianças, levadas pelas mãos dos pais, visitavam as várias estâncias de pura e inocente alegria, dispostas no vasto pátio, mais interessadas em ver os presépios e montar num dos cavalinhos do carrossel.

No centro, em coreto improvisado, a Banda Musical executava peças do seu repertório: dobrados, valsas, chorinhos, marchas etc.

Dos presépios, lembro-me do armado pelo sacristão da freguesia, Benjamim Bezerra, numa casinhola situada na esquina da rua Silva Jardim com a chamada “Vila Maria”, residência do vigário.

Pastoril famoso foi o organizado pela professora Amélia Coelho com as suas alunas, meninas-moças das mais destacadas famílias vitorienses, o qual se exibia num palanque armado ao lado direito da Matriz, arrancando aplausos delirantes das torcidas dos cordões azul e encarnado.

E assim, entre os devaneios da juventude, a euforia natural da matutada que vinha à cidade ostentando as vestimentas da festa, e a cordialidade reinante entre as famílias, vivia-se o espírito do Natal em sua essência.

À meia-noite, o sino grande da Matriz tocava badaladas, a princípio, pausadas e, logo, apressadas, anunciando o início da Missa.

No altar em frente à porta central do templo, sobre a calçada, celebrava o sacerdote a Missa do Galo, ouvida com unção religiosa, tendo como ponto alto o canto do Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.

Repetia-se unissonamente a mensagem angélica, anunciando aos pastores o nascimento do Menino-Deus.

Quantas suaves reminiscências desses Natais que vivi, embevecido pela grandeza e sublimidade do sagrado mistério da Encarnação do Filho de Deus, nascendo numa pobre manjedoura para redimir a humanidade, e fascinado pela singela beleza das comemorações ternas e pias desse grande evento! 

Prof. José Aragão
Texto publicado na Gazeta do Agreste,
 Dezembro / 1999.

Demóstenes de Olinda d’Almeida Cavalcanti – por Pedro Ferrer.

No dia 20 de setembro de 1873, a senhora Edeltrudes de Holanda Cavalcanti d´Almeida deu à luz uma criança do sexo masculino. O pai, major Claudino José de Almeida Lisboa, pôs-lhe o nome de Demóstenes de Olinda. Vitória de Santo Antão ganhava um poeta e escritor. Concluído seu curso primário, partiu, em 1886, para o Recife na tentativa de realizar um ideal acalentado desde a mais tenra idade, bacharelasse em Ciências Jurídicas. Matriculou-se no Ginásio Pernambucano. Disciplinado em tudo: no acordar, no vestir e no estudar, logrou grande êxito nos estudos, sendo um destaque em classe. Nos horários extraclasses criou com alguns colegas um pequeno jornal, “O Literário”. Terminado o “Curso de Humanidades” ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Ainda estudante das ciências jurídicas, colaborou com diversos jornais da capital escrevendo artigos, crônicas, contos e poesias. Em dezembro de 1895 recebeu seu diploma de bacharel em Direito indo trabalhar na diretoria da “Instrução Pública” e de “Melhoramento do Porto do Recife”. Seu único livro publicado, “Ortivos”¹, em 1894, ainda estudante, não teve a devida divulgação mas é carregado em sentimentos. “Pelos seus versos sente-se que o seu cantar era o amor, a felicidade, o sonho, a alegria de viver, e só raramente cantava a dor, o sofrimento” (Júlio Siqueira).

Em 1897 foi nomeado promotor público da comarca do Alto Rio Doce, Minas Gerais. Seu bom desempenho mereceu-lhe uma rápida promoção, juiz da cidade de Patrocínio, na mesma Alterosa. Não teve tempo de assumir o novo cargo. No dia 15 de agosto de 1900 faleceu, deixando viúva a senhora Augusta Olinda de Almeida Cavalcanti. Não tiveram filhos.

Além do seu livro “Ortivos”, único editado e publicado, deixou inúmeras poesias avulsas, dispersas tanto em Pernambuco, como no Rio de Janeiro e em Queluz, cidade mineira onde faleceu.

Em 26 de janeiro de 1901 um grupo de escritores pernambucanos, liderados por Carneiro Vilela, criaram a Academia Pernambucana de Letras, tendo o nome de Demóstenes sido indicado para Patrono da Cadeira, nº 20. Era o mais alto reconhecimento do mérito literário daquele que tão cedo partira para a eternidade. Esse reconhecimento se estendeu e se manifestou ainda com a publicação de sua biografia no Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco e no Almanaque de Pernambuco. Foi ainda homenageado na capital pernambucana com a aposição do seu nome em uma rua do bairro da Madalena. Semelhante reverência recebeu da prefeitura de Camaragibe que deu seu nome a uma rua em Aldeia. Vitória de Santo Antão também soube reverenciar a memória do seu ilustre filho, colocando seu nome em uma rua no bairro do Cajá.

.NOTURNO

Sonhei ( ai se eu assim sempre sonhasse:)

Que, reclinada, tinha-te ao meu lado,

e te beijava a loira fronte, a face

rubra e o rubro seio perfumado.

Que esse meu sonho azel sempre durasse:

que de leve não fosse perturbado

o sono meu: que nunca eu despertasse

senão na clara noite do noivado

Isto eu pedia aos céus ainda ouvindo

a doce prece dos teus lábios, quando

vou de repente as pálpebras abrindo…

Despertaste (dirás) verso cantando…

mas não: eu não te vendo ao lado, rindo,

só poderia despertar chorando!…

ESCURO TEMA

Cada vez que te falo me convenço

que melhor fora se te não falasse,

porque se em ti eu tanto não pensasse,

não te falava do que menos penso.

E digo mesmo que este amor intenso

que guardo n’alma, eu antes não guardasse,

pois dos loucos, se assim eu não te amasse,

não pertencia ao número e pertenço.

Longe de mim não és feliz, ausente

de ti não sou feliz: mas os desejos

que temos se resumem num somente.

Ah! Não termos do pássaro os adejos

para estares comigo eternamente

e eternamente eu te cobrir de beijos!

ORTIVOS¹ – VERSOS

Hugo & Cia – Editores

Papelaria Americana

Recife – 1894

1 – Ortivo = nascente, que está nascendo, oriental.

Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico da Vitória. 

o amigo Severino Araujo foi condecorado pela APAMI pelos 10 anos de evangelização!!!

Hoje é mais uma quarta-feira que será realizada, pelo grupo do “Terço dos Homens” da Paróquia de Santo Antão, o encontro com os enfermos, vítimas da droga do Alcoolismo   que estão em pleno tratamento na  unidade hospitalar da APAMI.

Assim ocorreram, todas as quartas, nos últimos dez anos, nas dependências da APAMI, completado no dia 29 de maio próximo passado.   Na qualidade de abnegado e vibrante coordenador dessa verdadeira missão evangelizadora, encontra-se o nosso amigo e cristão de verdade, Severino Araujo, mais conhecido por “Capitão Biu”. Diz a placa:

Homenagem de Reconhecimento

Severino Araujo 

Agradecemos sua Dedicação e Carinho, seu exemplo de Fé, Perseverança e Amor ao próximo, durante os 10 anos de Evangelização e Celebração do Terço dos Homens.

Desejamos Paz, Saúde e Sabedoria para continuar sua missão.

Um forte abraço.

APAMI – VITÓRIA – 29/05/2019

Disse Jesus: “vai aos enfermos, cuida deles, que cuido de vocês”. “É um trabalho de amor ao próximo”. Disse-me o Capitão Biu, realçando à unidade do grupo. “Das 19h às 20:30h, nas noites da quarta, dedicamos nossas orações ao terço e pregamos a palavra,professando a fé,  através de cantos religiosos”. “Esse é o trabalho para resgatar os irmãos que foram vítimas dessa chaga social que é o alcoolismo”, complementou ele  com o total conhecimento do papel religioso e social que cumpre nessa verdadeira missão divina.

Eis, portanto, um trabalho digno dos aplausos de toda a sociedade antonense. Resgatar o sujeito do vício do álcool não é tarefa das mais fáceis, sobretudo quando a maioria dos  enfermos não se acham doentes. Assim sendo, daqui, emito meus parabéns a todos integrantes do grupo do “Terço dos Homens” da Paróquia da Matriz, em especial para o amigo Severino Araujo extensivo também, naturalmente, ao Monsenhor Maurício Diniz pelo apoio,  pelo seu dinamismo e, ao mesmo tempo, pela sua simplicidade, marcando assim sua passagem pela ‘Terra de Diogo de Braga” como edificante e profícua. Viva Santo Antão!!!

São João e a cidade de Pombos: sintonia perfeita!!!

Na Vitória de Santo Antão de antigamente, segundo os livros que contam nossa história, a então “Rua da Lagoa do Barro” – hoje Praça Duque de Caxias – tinha muita lama e camaleão. Os cavalos dos matutos,  carregados com mercadorias, vindo das diversas partes da Zona Rural, não raro, trafegavam enfiando as patas  (até o meio) nas vias lamacentas. Nessa época o comércio da Vitória funcionava aos domingos,  até às 9h.

Costumava-se,  nas folgas dominicais, os homens de negócio e pessoas financeiramente  confortável,  “matar” o tempo nas matas,  se divertindo com suas espingardas. Carregadas nos ombros em busca dos alvos em movimentos os “caçadores”, por assim dizer, se deslocavam para o lado poente da cidade,  no qual,  havia grande quantidade pombos bravos (asa branca).

Na segunda-feira, nos momentos em que os fregueses no comércio rareavam,  e com tempo de sobra, nas calçadas dos estabelecimentos, as aventuras e as peripécias eram contadas como vitorias aos amigos comerciantes  que não puderam comparecer na empreitada prazerosa. Ao serem questionados, falavam com galhardia: “foi um verdadeiro são joão nos pombos”.

Eis ai, portanto, o motivo pelo qual a nossa vizinha cidade, que um dia foi distrito da Vitória de Santo Antão, recebeu o nome de  POMBOS. Hoje, porém, certamente poucas pessoas de lá sabem,  exatamente,  o motivo pelo qual são pombenses de nascimento.

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O dia em que o teto da Igreja do Livramento desabou.

Foto do acervo pessoal de Tadeu Prado

Revirando nossos arquivos encontramos uma matéria publicada no jornal “O LIDADOR”, 1907,  relatando  o dia em que o teto da Igreja do Livramento caiu, iniciando assim as comemorações do Livramento, com a Festa da Cumeeira:  leia:

DESABAMENTO – “O Lidador”, na edição de 3 de Agosto de 1907, publicava:

É um grande perigo entrar-se atualmente na Igreja do Livramento. As tesouras do tecto estão todas deterioradas; um dos oitões, desamarrado e penso, sendo inevitável o seu completo desmoronamento, a menos que se tome, já, rigorosa providência. Os poderes públicos fariam um grande bem, proibindo a sua abertura.”

Efetivamente, três meses e três dias após esse sombrio prognóstico, realizava-se ele, sendo assim noticiado pelo mesmo jornal na edição de 23 de novembro de 1907:

“Pelas 8 horas e meia da noite de 16 do corrente, ecoou em toda cidade o estrondo do desabamento do tecto da Igreja do Livramento. Pressagiámos o fato há três meses. De então para cá deixou de realizar-se ali certa devoção habitual nas noites de sábado, Não houve danos, além do material.”

A 7 de Dezembro anunciava o mencionado jornal um “consta” de que o cônego Bernardo pároco de Santo Antão, iria apelar aos paroquianos a fim de reconstruir a Igreja, e sugeria a realização de uma quermesse, iniciativa que se confirma em “O Popular” de 15 de fevereiro de 1908:

“o nosso venerando e ilustre Vigário no louvável intuito de reconstruir a Igreja do Livramento, tem-se dirigido aos católicos da freguesia, pedindo auxílios de todos quantos amam de coração a religião do Nazareno.”

Já valetudinário, nada mais pôde fazer o virtuoso sacerdote, pois, a 31 de Agosto, falecia, após quase vinte anos de relevantes serviços prestados a Igreja na paróquia de Santo Antão.

O seu sucessor, Monsenhor Laurino Justiniano Douetts, empossado a 27 de setembro na Matriz de Santo Antão, mas, em maio de 1910, voltava sua atenção para a Igreja do Livramento, abrindo campanha para a sua reconstrução, que foi iniciada em julho, dizendo “O Popular”, a 27 de agosto desse ano:

“estivemos nas obras de reconstrução e verificamos quanto se precisa despender para seu acabamento, pois, pode-se dizer, trata-se de uma quase completa reedificação.”

A proprietária do engenho São João novo doara todo o madeiramento e os trabalhos continuavam normalmente, sendo interrompidos com o falecimento do monsr. Douetts, a 24 de julho de 1911.

Vigário Américo Vasco

O novo vigário, padre Américo Vasco, preocupou-se de imediato com os consertos no teto e melhoramentos internos na Matriz de Santo Antão, realizados no 2º semestre de 1911.

Logos nos primeiros meses de 1912, reiniciou-se o serviço de restauração da Igreja do Livramento, onde, a 11 de março, era celebrada a “Festa da Cumieira.”

(REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 5º – 1973 – pág 78 a 79).

Doutor Gamaliel da Costa Gomes – por Pedro Ferrer.

Gamaliel da Costa Gomes, antonense filho do comerciante Severino Gomes, mais conhecido como “Seu” Biu Nova Seita, em virtude de  pertencer à Igreja Evangélica Pentecostal. “Seu” Biu, membro ativo,  junto ao deputado federal Aurino Valois e do comerciante Dilermando da Cunha Lima ajudou a erigir o atual templo.

Gamaliel da Costa Gomes era diplomado em Direito tendo ocupado os cargos de Promotor e Procurador do Estado. Assíduo membro do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória e do Círculo  dos Amigos da Vitória. Em vida foi casado com a sra. Palmira Cândido Carneiro, filha do industrial Joel Cândido Carneiro, um dos fundadores da Pitú com a qual teve quatro filhos: Severino, advogado do Engarrafamento Pitú, Cláudia, residente em New York, nos USA, Leonardo, gerente industrial do Engarrafamento Pitú e Davi,  industrial estabelecido no ramo de artefatos plásticos. Gamaliel faleceu, recentemente,  aos 93 anos na cidade do Recife. O sepultamento ocorreu no cemitério local, São Sebastião.

Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória

Vamos Comemorar: “MAIO ANTONENSE – O MÊS AZUL E BRANCO”

Hoje, 06 de maio, Vitória de Santo Antão comemora a passagem de mais um aniversário da sua elevação à categoria de cidade. Para “sintonizar” o internauta no tempo e no espaço,  por assim dizer, realcemos que o Recife recebera esse título (cidade) apenas duas décadas antes,   exatamente em 1823, demonstrando assim que o nosso torrão, já na primeira metade do século XIX,  despontava como um circunscrição territorial/política  considerável.

Do ponto de vista prático, no que se refere ao contexto administrativo local, o titulo de “Cidade” em nada modificou a relação dos governantes com os nativos,  pois a verdadeira transformação local, no que se refere à “vida orgânica municipal”,  já havia nos ocorrido décadas antes, ou seja: elevação de Freguesia à Vila, em 1812. Já à autonomia jurídica correu  1833 – Vitória deixou de pertencer à Comarca do Recife e passou a ter Juiz togado.

Na qualidade de estudioso da vida pretérita  da nossa aldeia e sócio efetivo –  há mais de quinze anos  do Instituto Histórico –    na próxima oportunidade em que estiver em reunião ordinária na “Casa do Imperador”, que penso ser o embrião natural dessas questões, irei abrir discussão no sentido de promovermos no mês de maio um conjunto de ações  comemorativas –  haja vista todos esses relevantes acontecimentos terem ocorridos num  mês de maio,  evidentemente que em dias e anos diferentes.  A história é dinâmica! Releituras serão sempre bem vindas e necessárias à boa historiografia.

ESSA SERÁ UMA DAS MINHAS PROPOSTAS: “MAIO ANTONENSE – O MÊS AZUL E BRANCO”

Acredito,  se bem trabalhado em conjunto com toda sociedade e os poderes constituídos, poderemos despertar nos nativos, sobretudo nos mais jovens, um incremento substancial no que se refere ao chamado SENTIMENTO DE PERTENCIMENTO, algo que nos parece em processo de desidratação na terra desbrava pelo português Diogo de Braga.

 Portanto, desde já, aproveitemos o mês que acaba de começar para introduzirmos  e alardeáramos  essas informações, principalmente  com os  nossos conterrâneos menos atentos,  no que refere às  questões da aldeia………Viva “O MAIO ANTONENSE – O MÊS AZUL E BRANCO”…

Pedro Ferrer: “mesmo longe da terrinha”

Mesmo longe da terrinha,  remeto-lhe esta foto histórica das obras da Praça da Restauração. Na foto,  o prefeito Manoel de Holanda (chapéu e terno escuro ) inspeciona os trabalhos,  acompanhado de auxiliares. Ano de 1953. A praça seria inaugurada em janeiro de 1954,  ocasião em que se festejou o TRICENTENÁRIO da RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA. Vamos lembrar aos antonenses que o nome da praça é PRAÇA DA RESTAURAÇÃO e que o réptil JACARÉ,  infeliz e antigo inquilino do tanque,  já partiu para outra.

Pedro Ferrer – acervo família Holanda Cavalcanti (foto). 

Professora Odorina Gonçalves de Moura: breve relato do doutor Fernando Moura…

Recentemente fui procurado pelo professor e amigo Leandro, no sentido de  colher informações sobre o histórico da pessoa que empresta o seu nome à escola em que ele leciona, uma vez, que,   segundo ele, por lá, as informações são elementares.

Não obstante ser conhecedor de algumas informações sobre a professora Odorina Gonçalves de Moura, até porque a sua família era próxima da família do meu pai, para contemplar a carência e à necessidade do amigo Leandro,  fui obrigado a recorrer ao doutor Fernando Moura –  sobrinho da referida professora.

 De pronto e com toda boa vontade do mundo o doutor enviou-me informações que certamente irá suprir as necessidades. Segue:

Tia Dorita, a mais nova das irmãs Moura, foi professora atuante em nosso município por quase 30 anos, contribuindo para a formação educacional de várias gerações  de vitorienses. Formou-se em pedagogia em uma das primeiras turmas do Colégio Nossa Senhora da Graça  (Damas) e logo em seguida passou a lecionar. Inicialmente, durante 08 anos, na zona rural, na Fazenda “Miringabas”, pertencente ao Sr. Figueiredo (sogro de Sr. Joel de Cândido e avô de Sr. Elmo). Posteriormente, ainda na mesma propriedade, mas na parte pertencente ao ex-vereador, Elias Gomes de Freitas (“Elias de Miringaba”).

E seguida, foi transferida para a área urbana, onde exerceu, por vários anos,  o seu mister em uma escola localizada no Borges. Finalmente, concluiu as suas atividades de magistério na escola mínima “São João Batista”, localizada na “Capelinha São João Batista”, por ela construída com recursos próprios  (seu pai (Zito Mariano) fez a doação de uma bela imagem de Nossa Senhora para a Capelinha, inaugurada em 1960), onde exercia também a função  de Diretora. Dentre alguns dos seus alunos,  na Capelinha, no momento, lembro de alguns:  Carlos Peres, Etiene, Alemão…….Faleceu em setembro de 1994, aos 65 anos de idade.

Em razão dos relevantes serviços por ela,  efetivamente prestados à educação do nosso município,  após o seu falecimento, o Prefeito do Município  (na época,  Sr. Elias Lira), por indicação da sua Secretária de Educação,  Profa. Lourdinha Álvares,  resolveu homenageá-la com a aposição do seu nome em um Grupo Rural, localizado no Lagoa Queimada, próximo ao  Distrito de Pirituba. Espero ter contribuído para os esclarecimentos do histórico pretendido. Abraços!”

Jose Fernando Moura – advogado e sobrinho da professora Odorina Gonçalves de Moura.

O Tempo Voa Documento: foi sempre assim…

Revirando nossos  arquivos encontramos  um “desabafo” do senhor Luis Nascimento, em artigo escrito para a Revista do Instituto Histórico, em função  das comemorações do centenário da imprensa na nossa cidade (1866 – 1966),  que bem  reflete o sentimento daqueles que fizeram e que continuam fazendo  imprensa na Vitória de Santo Antão. Vale a apena ler:

PERCALÇOS E IDEALISMO

A imprensa vitoriense sofreu, desde 1866, todos os percalços, dificuldades e inglórias inerentes à espécie. Viveram seus periodistas, por outro lado, os momentos culminantes da criação do jornal e da enunciação de ideias e programas, junto ao desejo de ser útil a comunidade, de consertar os erros do mundo e apontar os caminhos certos.

Continuaram eles, neste século, a amar e a sofrer, teimosamente, jungidos a um ideal, à missão de informar, de aparecer, de transmitir um pensamento, um verso, uma página literária.

Ultrapassou a casa dos trinta o número de publicações da grande família da imprensa dadas à circulação, de 1866 a 1899, na Vitória de Santo Antão. No cômputo geral dos cem anos hoje completados, subiram a mais de 170, de todos os gêneros, de vida intensa ou efêmera, fazendo surgir jornalista a granel, muitos deles perdendo o título rapidamente, outros altanando-se no conceito da imprensa regional ou nacional.

Esta terra de tantas tradições históricas tem, indubitavelmente, a primasia da imprensa no interior do Estado, uma primasia que honra Pernambuco, do mesmo modo que a imprensa de Pernambuco honra o Brasil.

Luis Nascimento
Originalmente publicado na REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – VOL. I – 1968.

Nestor de Holanda Cavalcanti Neto – por Pedro Ferrer

Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: “Sossego, rua da revolução”.

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, “A ignorância ao alcance de todos”, vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: “Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo”.

Recomendo ao leitor seu livro “O decúbito da mulher morta”. História ocorrida na nossa cidade.

Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ““Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais “cariocas” dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em “São os do Norte que vêm”. O carioquíssimo “Sargento Iolando” jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida.”

A história da fundação da “Girafa”- por Dryton Bandeira.

Ávidos por algo diferenciado e motivador para brincar o carnaval de 1950, um grupo de “corrioleiros” (amigos), teve a inusitada ideia de “roubar” a girafa alegórica usada como símbolo do Armazém Nordeste – A Girafa Tecidos (casa comercial situada na Praça da Bandeira). Discretamente a missão foi cumprida com sucesso, e o produto do ilícito sorrateiramente recolhido à Oficina Atômica, de propriedade de Zé Palito.

Reunião marcada, corriola reunida, bebidas servidas, discursos proferidos: estava fundada a Troça Carnavalesca Mista A Girafa. Oficialmente a data da fundação é 16/01/1950, como consta em Ata lavrada à época.

A primeira Diretoria ficou assim constituída:

– Presidente: José Mesquita de Freitas (Zezinho Mesquita);
– Vice-Presidente: José Augusto Férrer;
– Secretário: José Jacinto;
– Diretor Geral: José Celestino de Andrade (Zé Palito);
– Orador: Mauro Paes Barreto;
– Tesoureiro: Aluízio Férrer;
– Diretor Musical: Paulo Férrer;
– Fiscais: João Carneiro (Doido) e Hugo Costa;
– Diretor Artístico: Nivaldo Varela;
– Porta-Estandarte: Wilson Coelho (O Bruto);
– Comissão de Recepção: Donato Carneiro, José Pedro Gomes, Eliel Tavares, José Vieira (Zequinha), Rubens Costa e João Peixe.

Após o carnaval, sanadas as arestas geradas por conta de “roubo” do animal símbolo de Armazém Nordeste, ficou devidamente acordado entre as partes que a alegoria em questão, seria emprestada anualmente pela referida loja e posteriormente devolvida em perfeito estado de conservação. Anos após, a diretoria mandou confeccionar sua própria Girafa, símbolo maior e marca-registrada dos girafistas até os dias atuais. Vale enfatizar que a Girafa é a única agremiação da cidade a participar de todos os carnavais desde sua fundação.

Durante anos e já na condição de Clube, abnegados foliões conduziram os destinos da folia girafista e suas alegorias foram montadas em diversos locais da cidade, até que me 1986 foi concluída a construção do um moderno e amplo barracão, localizado à Rua Eurico Valois (Estrada Nova). O citado barracão não foi festivamente inaugurado, em face do falecimento de Dona Jura. Tão girafista quanto seu marido,  Mané Mizura.

As apresentações ocorriam nas manhãs de domingo e terça-feira de carnaval, saindo da Praça Félix Barreto, no Bairro do Livramento. Acordes do famoso hino e gigantesca queima de fogos sinalizavam o início de mais um desfile. Clarins anunciavam a presença do Clube na ruas da cidade e o abre-alas era composto do animal símbolo e de foliões devidamente caracterizados de Girafa. Belas e criativas fantasias compunham as alegorias, geralmente inspiradas em temas infantis. Transcorridas alguma horas, o percurso era alegremente cumprido. Novo show pirotécnico, frevo e muita confraternização, fechavam com risos e lágrimas mais um dia de exaltação à Girafa.

Três estandartes saíram às ruas da cidade durante mais de cinco décadas de existência. Inúmeras orquestras animaram os girafistas. Dentre elas: A Venenosa, 3 de Agosto e a do Maestro Seminha de Limoeiro. O hino oficial é: Exaltação à Girafa, composto por Guga Férrer (letra) e Sérgio Patury (música), gravado na voz de Babuska Valença.

Pesquisa e Texto – Dryton Bandeira