RELÓGIO RELÍQUIA – por Sosigenes Bittencourt.

Relógio que pulsou, anos a fio, no pulso esquerdo do meu pai, Simônides da Silva Bittencourt, repassado, depois de sua passagem, pela minha genitora e geratriz, professora Damariz. Relógio relíquia, cujo tempo é que diz.

Envelhecido, mas jamais vencido, eis que, de espelho trincado, ponteiro parado, vai a Saulo Relojoeiro.

Ajustado e submetido a polimento, volta a reluzir, à sombra e à luz, o horário do momento.

E o evento ocorre, embalado por discurso de saudade, de pulsar o coração, na avenida
Mariana Amália, em Vitória de Santo Antão.

Pontual abraço!

Sosigenes Bittencourt

FINAL DE SEMANA – por Sosígenes Bittencourt.

Chegou mais um final de semana. Alegremo-nos a nós mesmos. Afinal, a única pessoa que conviverá com você por toda sua vida é você mesmo. Portanto, relembremos a máxima do Rei Salomão: O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos.
A felicidade não tem hora marcada. Ninguém trabalha durante a semana para ser feliz no domingo. Portanto, não coloque a felicidade fora de si mesmo, a felicidade é agora!
Contudo, se tiveres alguma aflição, relembrai o que o apóstolo João disse que Jesus havia dito: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.
Cordial abraço!

Sosígenes Bittencourt

ANOITECERES – por Sosígenes Bittencourt.

Anoitece em Vitória. Anoiteço em Vitória. Sou figura noturnal, viajante do ocaso, sonhador como o crepúsculo vespertino, morto de saudade como o final. De olhos vendados, conheço o cheiro dos bairros, dos becos, do meio do mato de minha cidade natal. O cheiro de fumaça, de mingau, de chuva. Sou todo olfato e lembrança. Conheço os trejeitos do meu lugar, os cabelos perfumados, os enxerimentos, o flerte e o gozo. Minha cidade é todinha uma mulher. Chamar-se-ia Vitória das Marias, Maria das Vitórias, tal como é.

Anoitece em Vitória. Anoiteço em Vitória. Saio para passear, impregnado dos prazeres noturnos, das eras do meu tempo, que me viciam e me saciam. Minha cidade muda todo dia, mas não muda o meu sentimento, o fascínio elaborado pela memória, como quem ama o que odeia e odeia o que ama, num jogo de perde e ganha.

Anoitece em Vitória. Sobretudo, anoiteço em Vitória. Enlouqueço em Vitória. Porque ninguém entende o que em nós nem conseguimos explicar. Vitória, meu berço e minha tumba. Minha alma noctívaga vai enredando sua história. O acaso me espreita, a surpresa me seduz, sua bruma, sua luz. Alucinações e desejos, rimas em ‘ina’, adrenalina, serotonina, dopamina. Ah! Vitória, dos meus idos e vindas de menino, minha menina!

Obs: Quando fiz a poesia, o gentílico antonense ainda não havia.

Sosígenes Bittencourt

MARCO AURÉLIO SOBRE A DESONESTIDADE DOS HOMENS – por Sosígenes Bittencourt.

“Se você se surpreende com a existência de homens desonestos, você é um tolo. A desonestidade é uma erva daninha que cresce onde há homens. O milagre é você permanecer reto em meio ao matagal.” – Marco Aurélio

Por isso, reafirmo, ad aeternum: A mulher é um animal melhor do que o homem. Tanto que, quando não presta, é um homem escritinho.

Sosígenes Bittencourt

BRASIL, PAÍS DO FUTURO – por Sosígenes Bittencourt.

Brasil, País do Futuro é um livro, de 1941, do autor austríaco Stefan Zweig, que retrata o Brasil como uma nação promissora e pacífica, apavorado com o nazismo alemão. A decepção foi tão grande que se suicidou com a esposa, um ano depois, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Outrossim, se quebra o cimento do túmulo e anda pela noite, se mata outra vez.

Sosígenes Bittencourt

INVENÇÃO EM TORNO DA MINHA MORTE OU O VERBO MORRER-ME – por Sosígenes Bittencourt.

É tanta invenção em torno da minha morte, que inventei o verbo “Morrer-me”. Verbo que não pode ser conjugado em todas as pessoas.
É assim: tu me morres, ele me morre, vós me morreis, eles me morrem. Por quê? Porque nem eu morro nem ninguém tem coragem de me matar. Então, eu não sou morto, sou morrido.
Bom frisar que morrer de mentira faz mais sucesso do que morrer de verdade, não é todo dia que se é um morto andando pela cidade.
Portanto, todo mundo morre, mas, comigo, é diferente, todo mundo “me morre”.
– Sosígenes, você andou morrendo?
– Não, meu nobre, andaram “me morrendo”.
Ressuscitado abraço!

Sosígenes Bittencourt

PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER – por Sosígenes Bittencourt.


Dizia Orson Wells que ” Se não fossem as mulheres, o homem ainda estaria acocorado em caverna, comendo carne crua. Nós só construímos a civilização, com a finalidade de impressionar nossas namoradas.”

Eu diria: Se desaparecessem todas as mulheres do mundo,
eu mandaria dar baixa na minha Carteira Profissional,
não iria trabalhar para sustentar um solitário como eu.
Apaixonado abraço!

Sosígenes Bittencourt

MENTIRAS ESPETACULARES – por Sosígenes Bittencourt.


A minha geração sempre foi alvo de duas mentiras espetaculares: O Brasil é o país do futuro, e o mundo vai se acabar. O “futuro” seria a “prosperidade”, e o mundo iria ser engolido por uma coivara de fogo, ou inundado por um gigantesco maremoto. O futuro não chegou, o mundo não se acabou, e a gente se acabando.

Sosígenes Bittencourt

O MUNDO HOSPITAL E A NATUREZA FARMÁCIA – por Sosígenes Bittencourt.

A visão de que o mundo é um grande hospital, fundamenta a dedução de que a natureza é uma grande farmácia. Outro dia, andei sendo instruído a ingerir 4 frutas, como medicina preventiva: romã, melancia, uva escura e limão. O danado é que eu não sei como comer romã. Penso que requer habilidade de macaco. Também penso que conseguiriam, essas meninas que usam unhas de bruxa, para se empanturrar de sanduíche de 5 andares, cimentado de maionese.
Amacacado abraço!

Sosígenes Bittencourt