A República e o militarismo – por historia_em_retalhos.

“Liberdade, liberdade!
Abre as asas sobre nós”

O samba-enredo campeão da Imperatriz Leopoldinense, em 1989, homenageou os 100 anos da proclamação da República no Brasil.

Porém, eu trago hoje a seguinte indagação: teria sido a proclamação da nossa República um ato épico e revolucionário?

Com toda a vênia, entendemos que não.

Em verdade, a própria monarquia brasileira já apresentava sinais de esgotamento.

Apesar de ter a simpatia de boa parte da população, Dom Pedro II estava doente e desgastado.

Comprou briga com o alto clero da Igreja Católica, ao manter-se aliado à maçonaria, bem assim bateu de frente com alguns setores do Exército, com a aplicação de penas de censura.

Paralelamente, crescia a classe média formada por profissionais liberais e comerciantes, que reivindicavam maior participação nos assuntos políticos.

Para além dessas questões, porém, dois pontos foram fulcrais.

Primeiro, que, com a assinatura da Lei Áurea, os barões do café, insatisfeitos com a perda da mão de obra escrava, também se sentiram traídos pela coroa.

Segundo, o descontentamento dos militares, desde o fim da Guerra do Paraguai, que se consideravam injustiçados e buscavam tomar mais espaço no poder.

O mais intrigante, todavia, é que a República foi proclamada pelo marechal Deodoro da Fonseca, monarquista convicto e de lealdade declarada a Pedro II, a quem devia, inclusive, favores.

Como a gota d’água, espalhou-se que o governo tinha ordenado a prisão de Deodoro.

Convencido de que esse boato seria verdadeiro, Deodoro juntou as tropas e proclamou a República em 15 de novembro de 1889.

E assim nasceu a nossa República: uma intervenção militar, sem nenhuma participação popular.

Para o historiador Frank D. McCann, “a intervenção militar na política e na sociedade é sinal de fraqueza tanto do Estado como da sociedade”.

Sobral Pinto também faz uma análise interessante.

Segundo ele, o fato de a nossa República ter sido proclamada por militares os faz sentirem-se, até hoje, como os verdadeiros “donos da República”.

Vale a reflexão.

Valeu, gente!

Um bom feriado a todos!
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/Ck-zwgDujV3/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Uma crônica, uma fotografia e várias histórias………

Navegando nas esquecidas águas da historiografia local, nesse final de semana, acabei ressignificando um registro fotográfico que possuo há mais de 5 anos – inclusive já postado aqui no blog,  noutra ocasião.  Lendo uma crônica do ex-prefeito Manoel de Holanda, escrita há mais de meio século, descobri que a garotinha da (desta) fotografia é a imortal da AVLAC  – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência – Marie Cavalcanti.

Pois bem, por ocasião da comemoração do jubileu de prata do nosso Colégio Municipal 3 de Agosto, em que ocorreu uma justa homenagem póstuma ao professor Adão Barnabé (seu pai), a referida crônica, nas entrelinhas, realça o descerramento da fotografia “feito por sua filha pequenina”. Automaticamente: matei a charada.

De pronto, recortei o texto e enviei para a colega acadêmica Marie. Quase que no mesmo instante a mesma respondeu-me: “que maravilha.  Lendo pela primeira vez”. Indagada se lembrava do dia respondeu que sim, dizendo possuir a fotografia do referido dia comemorativo e que iria me enviar.

Resumo da ópera: um texto que retrata passagem importante da vida de uma pessoa – ignorado por ela mesma (Marie) – foi “descoberto”. Para mim, além da alegria do  enriquecimento do acervo afetivo da colega, um registro fotográfico “mais robusto”. Pesquisa histórica as vezes é assim: a gente vai beber um copo com água e encontra um oceano…..

Assembleia Constituinte – por Siga: @historia_em_retalhos.

Na madrugada do dia 12 de novembro de 1823, há exatos 199 anos, temendo que o poder da Assembleia Constituinte ameaçasse o seu reinado, Dom Pedro I ordenou que o Exército invadisse o plenário.

O brigadeiro José Manuel de Morais entrou à frente de sua tropa, com um decreto em mãos.

Assinado pelo imperador, o texto dizia:

“Havendo eu convocado como tinha direito de convocar a Assembléia Geral no ano próximo passado (…) Hei por bem, como imperador e defensor perpétuo do Brasil, dissolver a mesma Assembléia e convocar uma outra”.

O episódio ficaria conhecido como a “Noite da agonia”.

Os membros da Assembleia, que se preparavam para redigir a primeira Constituição brasileira, resistiram por horas, mas não conseguiram evitar a dissolução do grupo.

Muitos deputados, incluindo o Patriarca da Independência, José Bonifácio, foram presos e depois deportados.

Dias depois, o imperador reuniu dez cidadãos de sua confiança.

A portas fechadas, escreveram a primeira Constituição do Brasil independente, publicada no ano seguinte.
.
Fonte: @ronaldohistoriador

Siga: @historia_em_retalhos

REI DO MARACATU PERAMBUCANO DE BAQUE SOLTO – por Marcus Prado.

REI DO MARACATU PERAMBUCANO DE BAQUE SOLTO, o mais antigo de PE. Pedi que ele se concentrasse por instantes, pensamento voltado para as suas entidades de outros planos, antes de entrar na brincadeira, e assim permaneceu. Me deu a oportunidade única de uma imagem fotográfica num MARACATU. Dedico essa foto ao saudoso amigo RÊNÊ RIBEIRO (Fundaj) e à memória do antropólogo ROGER BASTIDE. Foto de Marcus Prado batida hoje na Fundaj.

Marcus Prado – jornalista. 

“Curiosidades Antonenses” foi o título da palestra de hoje no IFPE – Campus Vitória.

Com robusta programação que incluiu palestras, apresentações culturais, minicursos e oficinas  a 1ª Semana das Graduações do IFPE  – Campus Vitória de Santo Antão teve inicio na última segunda-feira (07) e seguiu até hoje, sexta-feira (11). O evento, segundo os organizadores, cumpriu sua missão com êxito.

Tendo como tema “Curiosidades Antonenses”,  fui convidado pela referida instituição para proferir palestra de encerramento do evento.  Com a “casa cheia” e um público majoritariamente formado por jovens nos propomos apresentar uma “cidade pouco conhecida”, ou seja:  o seu passado, algumas curiosidades na chamada “linha do tempo” e como dialogar com tudo isso nos dias atuais. 

Lastreada em 12 fotografias e um pequeno filme de 57 segundos de duração “navegamos” por 60 minutos,  no sentido da importância dos monumentos e pelas circunstâncias em que os prédios históricos foram construídos. Com linguagem simples e objetiva, de maneira geral, procuramos aproximar as pessoas da rica história local. Acredito haver contribuído positivamente com o evento e para o possível despertar da plateia, no chamado pertencimento.

Maradona e as Malvinas – por historia_em_retalhos.

Recentemente, a camisa usada por Diego Maradona no jogo contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986 foi leiloada pela casa de leilões Sotheby’s.

A peça, que tinha como lance inicial o valor de US$ 5,2 milhões, acabou arrematada por US$ 9,3 milhões (o equivalente a R$ 44,5 milhões), tornando-se, assim, a maior venda de um artigo esportivo da história.

Naquele jogo, Maradona marcou os dois gols contra a Inglaterra (o famoso gol “Mano de Dios” e aquele que é considerado o mais bonito da história das Copas, em que ele driblou quase todo o time inglês).

Uma das narrações mais famosas do gol, de Victor Morales, pergunta aos gritos:

“De que planeta você veio? Para deixar pelo caminho tantos ingleses…”.

A peça permaneceu durante 35 anos com o ex-meio-campista inglês Steve Hodge, que trocou de camisa com Maradona ao término da partida.

Para além do brilho e do talento de Diego Maradona, porém, a importância daquele jogo para o povo argentino teve uma razão histórica: a partida aconteceu quatro anos após a Guerra das Malvinas entre Argentina e Reino Unido.

O conflito terminou com uma derrota humilhante da Argentina, morrendo 649 soldados e três civis, mais do que o dobro dos britânicos.

A noção de que os ingleses usurparam um território argentino e de que o país teve os seus direitos soberanos violados por uma potência estrangeira é profundamente arraigada na sociedade argentina até hoje.

Em verdade, Maradona sintetizou toda a revanche que a Argentina esperava dar à Inglaterra, desde as Malvinas.

E o craque não tinha o menor pudor em ser esse porta-voz de seu povo, dentro das quatro linhas e fora delas.

Se observarmos, em diversos momentos da história, o esporte ultrapassa as competições e reflete o contexto geopolítico de sua época, para o bem ou para o mal.

Muito da idolatria que o povo argentino guarda para com Maradona, até hoje, deve-se a esse fato: Diego personificou o sentimento do seu povo.
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/Ckx5f1ou4cG/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Carta de Navegação Cultural para o Governo do Estado (1ª parte) – por Marcus Prado.

Para uma talvez proposta de ação cultural na área de governo, nesta hora de mudanças da autoridade governamental em Pernambuco, dentre as imagens possíveis para traduzir o sentido de um plano, o mais comum, eu teria por base, (se fosse consultado pela senhora Raquel Lyra, governadora eleita), o que venho defendendo há muitos anos neste Diario: o valor do patrimônio cultural, no sentido coletivo, para memória e identidade do povo. Da necessidade constante e insistente de protegê-lo, das ações preservacionistas a serem exercidas sobre os bens nas modernas sociedades. Para Daniele Canelo, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, PUC Minas, que conhece a realidade cultural de Pernambuco, a literatura latino-americana coloca as políticas de difusão de democratização da cultura e as de democracia cultural como os modelos clássicos da ação do Estado no campo da Cultura. “As políticas de identidade e patrimônio, em todas as suas abrangências, aparecem muito antes das políticas contemporâneas de produção e difusão cultural.”  A herança coletiva do passado junto com seus monumentos. Trata-se de um capítulo que não tem merecido em nosso estado, do Palácio do Governo, o merecido apreço. Eu diria: o devido mérito do respeito. Estou me referindo às ações mais elementares.

Tenho para mim que a questão do Patrimônio Histórico Cultural Edificado e Intangível deve aparecer na escala do primordial para abertura de qualquer Carta de ideário e metas de políticas de fomento cultural, para um projeto de Governo, sem nenhuma variante ideológica. Sem ele, estando em risco, sem uma política séria de preservação, sem um projeto ativo, constante, competente, de educação patrimonial, apoiado pelo Iphan, ouso dizer que é impossível falar de projetos culturais para os nossos dias, para políticas de produção e difusão cultural, ainda que nelas se incorporem outras mais complexas.

Embora correndo o risco de ser incompleto e omisso neste esboço de Carta de sugestão, dada a limitação de espaço, serei sintético, com o foco no que acho, para um início, exequível e viável, não um projeto, mas uma espécie de Carta de navegação, uma mirada horizontal, um mapa temporal, resumido, que sugere medidas, rotas e caminhos possíveis para almejar objetivos e metas claramente definidas e construídas. Que garanta, sem nada de abstrato, a sustentabilidade das ações dos setores envolvidos. Garantir, aumentar e legitimar os recursos financeiros para a Cultura deve ser o que mais se almeja num projeto de governo voltado para o setor.

Prevejo, como uma das prioridades, entre outras que esboço no próximo artigo, um Projeto que esteja sempre pronto e possa enfrentar, com coragem, serenidade, preparo e imaginação criadora, os cortes de verbas para pagamento de dívidas ou para equilibrar orçamentos, que sempre recai, historicamente, sobre as áreas indispensáveis ao processo de inovação e desenvolvimento socioeconômico: a Cultura. Um fenômeno (falha de bom planejamento) recorrente não só em Pernambuco, a começar pelo governo federal.  Se a cultura, num formato consistente, flexível e profundamente democrático não for tratada apenas como mais uma das obrigações de Estado, não desanimo, mantenho o meu otimismo na possibilidade de uma boa governança para o setor. Reivindico a criação de agências compartilhadas de cultura, se possível,  em todos os municípios do estado, aliadas à transversalidade das políticas públicas culturais, ligadas ao caráter transversal das artes, necessariamente em todas as suas expressões, essencialmente democráticas e participativas, pernambucanas, de alma e vigor pernambucanos. Que a sua prática circule sem limites, insisto em dizer, da Praça do Campo das Princesas, indo até a Praça da Matriz da cidade sertaneja de Afrânio, a última do mapa de Pernambuco, chegando à Praça Flamboyant, do arquipélago de Fernando de Noronha.

Para a sua prática ser ampla, forte, dinâmica, ativa, orgânica, colaborativa, criativa e transformadora de realidades sociais e colocada em prática, a ação governamental deve incluir não apenas os órgãos de cultura, mas representantes presenciais  de outras políticas públicas que têm interface com a política cultural, tais como: educação, comunicação, turismo, ciência e tecnologia, meio ambiente, esporte, saúde, segurança pública, desenvolvimento econômico e social,  implementação do plano setorial de economia da cultura e de indicadores que permitam avaliar a participação do setor cultural no PIB do estado. O governo terá a oportunidade de resguardar o Setor Cultural e Criativo, estimulando o vigor econômico e social das áreas que promovem bem-estar e gera retorno financeiro e de imagem, apoiando medidas que beneficiem o conjunto por inteiro da população.

Marcus Prado – jornalista. 

Saldanha, o João Sem Medo – por @historia_em_retalhos.

Ninguém questiona que a seleção brasileira de 1970 foi o melhor time da história das copas.

O escrete tinha Pelé, Tostão, Jairzinho etc. jogando em alto nível e com um futebol arrebatador.

Há um lado desse episódio, porém, que precisa ser enxergado: por trás daquele timaço, houve um personagem que foi intencionalmente apagado da história.

Estamos falando de João Saldanha, o principal responsável pela montagem daquele time.

Antes do torneio, a seleção não apresentava um bom futebol e surgia o receio de que não se classificaria.

Acima da média, Saldanha já era conhecido como cronista esportivo e treinador do Botafogo.

Porém, trazia algo inusitado: era um militante de esquerda e fazia oposição aberta ao regime militar.

Em 1969, o Brasil amargava o pior período da ditadura e estava sob o comando do general Médici, fã de futebol.

O convite para Saldanha treinar a seleção partiu do diretor da CBD Antônio do Passo, sem consultar o governo.

De logo, disse João:

“Meu time são 11 feras dispostas a tudo. Irão comigo até o fim. Para a glória ou para o buraco”.

Em 6 jogos, 6 vitórias nas eliminatórias.

O Brasil atropelou os adversários.

Embora no ano seguinte o desempenho tenha caído, os resultados animaram a torcida e o time estava pronto para o mundial.

Eis que se chegou a março de 1970.

A três meses da copa, a surpresa: Saldanha era demitido.

Muito se polemizou, mas todos concordavam que para a ditadura seria inadmissível ver um militante de esquerda voltar do México com a Jules Rimet nas mãos.

João não tinha medo.

No exterior, aproveitava a condição de técnico da seleção e denunciava a repressão no Brasil.

Uma das várias versões foi a de que Médici queria a convocação do atacante Dadá Maravilha.

Fato ou boato, a história chegou até ele, que deu a conhecida resposta:

“O presidente organiza o ministério, eu cuido do time”. 

Acabou substituído por Zagallo, que pouco mexeu na seleção, ficando com a glória do tricampeonato.

O gaúcho morreu em 1990, aos 73 anos, sem nunca ter o reconhecimento devido.

Pela coragem, Nelson Rodrigues o apelidou de João Sem Medo.
.
Siga: @historia_em_retalhos

Uma oportunidade para mudar de vida……

Um conjunto de situações nos impulsiona à vida sedentária.  A mais comum e “mentirosa” desculpa todos já conhecem bem: “falta de tempo”.  Com efeito, noutra ponta, através das mais diversas plataformas de comunicação, somos estimulados ao consumo dos alimentos processados (saborosos) que são desaconselhados por todos os médicos e nutricionistas.

Nesse contexto, somos obrigados a tomar uma atitude, sobretudo àquelas pessoas que já ultrapassaram a emblemática marca do meio século de vida. Praticar atividade física regularmente é algo imperativo e deve ser colocado na ordem do dia.

Aos que se enquadraram no “figurino” do texto segue a provocação em forma de desafio:  que tal, na qualidade de atleta,  participar da 2ª edição da Corrida e Caminhada da Vitória? Será que num era esse “empurrão” que estava lhe faltando?

Pois bem, anote e “salve a data”:  domingo,  23 de abril (2023) em nossa cidade. Um programa para toda família….

Vamosimbora!!!

Carlos Chagas – por @historia_em_retalhos.

Em 08 de novembro de 1934, morria no Rio de Janeiro o grande cientista, biólogo, médico sanitarista, infectologista e bacteriologista brasileiro Carlos Chagas, responsável pela descoberta do protozoário causador da Doença de Chagas.

Em tempos de negação à ciência, este médico por vocação merece todas as homenagens.

Na foto, Chagas aparece ao lado de Albert Einstein em visita deste ao Brasil em abril de 1925.

Diz-se que Chagas não ganhou o Prêmio Nobel de Medicina porque fora sabotado por seus próprios colegas brasileiros.

Uma grande injustiça da história.

Chagas é um exemplo para os médicos brasileiros.

Até hoje, foi o único cientista a descrever completamente o ciclo de uma doença.
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/Cks10wou9GF/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Somos todos antonenses……….

Em um determinado ponto da linha do tempo dos quase 400 anos que separa à chegada do português Diogo de Braga em nossas terras – por força de uma Lei federal –, na qualidade de cidade, fomos obrigados a mudar de nome. Isso ocorreu em entre os anos de 1943/1944. Naquela ocasião, entre outras sugestões, apareceu o “Vitrice”.

Pois bem, não inadvertidamente faço uso da expressão “antonense” para representar o coletivo de pessoas que nasceram ou que residem em nossa circunscrição territorial, aquilo que chamamos de gentílico.  Oficialmente ainda somos “vitorienses”. Ressaltemos, contudo, que ajustes históricos sempre serão necessários. Faz parte da dinâmica das pesquisas.

Por ocasião das produções do nosso quadro “Corrida Com História”, em que estamos a realçar e sublinhar fatos e vultos locais, a palavra “antonense” começou a ser divulgada também na linguagem falada, motivo pelo qual aumentou e muito às indagações e questionamentos de pessoas das mais diversas tendências, por assim dizer.

Com a toda boa vontade do mundo respondo a todos, inclusive, dando-lhe as devidas explicações. Aliás já estou pensando em produzir um vídeo – dentro do “Corrida Com História” – só para falar desse tema. Vamos em frente…..

Dom Hélder e o topless – por historia_em_retalhos.

Certa feita, tentaram envolver Dom Hélder Câmara em uma situação polêmica.

O jornalista Chico Maria fazia um programa de entrevistas na TV Cabo Branco e dirigiu ao arcebispo a seguinte pergunta:

“Dom Hélder, o que o senhor acha do topless?”

Na sua imensa sabedoria, respondeu o Dom da Paz:

“Meu filho, eu estou preocupado com quem não tem roupa para usar. Mas quem tem e quer tirar eu não me importo”.

Um tapa no falso moralismo.

Que falta nos faz!

Um domingo de paz a todos! 🙏🏼
.
Dedico este retalho à querida amiga @dilimendes.
.
Siga: @historia_em_retalhos

FLORA DE OLIVEIRA LIMA – Marcus Prado.

DETALHE DO JARDIM DA CASA GRANDE DO ENGENHO CACHOEIRINHA DE PROPRIEDADE De JAIME BLTRÃO.

Essa casa tem uma ilustre história a ser contada pelo jornalista MARCUS PRADO no seu DICIONÁRIO ONOMÁSTICO E PAISAGÍSTICO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO. Nela viveu uma das mais ilustres damas de Pernambuco do passado, dona FLORA DE OLIVEIRA LIMA, casada com o diplomata e famoso historiador e IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, OLIVEIRA LIMA. Nesta casa , ele escreveu parte de sua obra-prima DOM JOÃO VI NO BRASIL (foto, inédita, de Marcus Prado).

O que a Argentina fez com os seus negros? – por historia_em_retalhos.

Esse tema sempre me intrigou muito.

Não entendia porque o país vizinho, que também passou pelo flagelo perverso da escravidão, tinha uma população negra tão reduzida.

Só para se ter uma ideia: no século 18, a participação negra chegou a ser de 30% da população argentina.

Hoje, gira em torno de 4 a 6%.

Há razões históricas, que, pelo absurdo, lembram de alguma forma o processo de desaparecimento dos índios nos EUA.

Tudo começou com a abolição da escravidão, em 1853.

Tal qual no Brasil, os negros foram entregues à própria sorte, caindo no esquecimento e abandono.

Morando em guetos, cortiços e favelas, sem higiene, a população negra passou a ser presa fácil das grandes epidemias, como cólera e febre amarela.

Muitos sucumbiram nesse período.

Um outro fator (cruel e covarde) também pesou bastante: a maciça exposição dos negros nas linhas de frente das guerras, como “buchas de canhão”.

Com os grandes embates nas guerras da independência, na Guerra do Paraguai e em outros conflitos, o governo criou diversos batalhões constituídos apenas por afro-argentinos, com promessas de dias melhores, que nunca chegaram.

Esses batalhões não recebiam as mesmas instruções e treinamentos, partiam para o fronte e eram simplesmente dizimados.

Some-se a esse processo de aniquilamento o forte estímulo, a partir de 1850, à imigração da mão de obra branca europeia (principalmente italianos e espanhóis), a qual gozava de prestígio e tinha os seus direitos civis e trabalhistas reconhecidos.

Estigmatizados e sob a vigência de uma clara política de branqueamento, os afro-argentinos foram, aos poucos, desaparecendo.

Uma curiosidade: paradoxalmente, o maior símbolo da cultura argentina, o Tango, tem origem africana.

O ritmo fazia parte das cerimônias escravas conhecidas como “tangós”.

Há o ditado que diz que “os argentinos são italianos que falam espanhol e que pensam que são ingleses”.

De fato, tem o seu fundo de verdade.

Este retalho está longe de exaurir o tema, mas explica, em certa medida, porque a Argentina ainda é um país reconhecidamente racista.
.
Siga: @historia_em_retalhos

GUERRA DOS MASCATES – embate político militar ente os senhores de Engenhos (habitantes de Olinda) X comerciantes portugueses (habitantes do Recife).


O movimento no seu bojo pretendia tornar Pernambuco uma República. Pereira da Costa, grande historiador, em “Anais Pernambucanos”, vol. 5 assim descrevia o sentimento que ia no coração dos pernambucanos. “O projeto de independência era coisa certa e combinada entre Bernardo Vieira de Melo e o mestre de campo João Freitas da Cunha, e ao qual se achavam associados o capitão-mor de Santo Antão, Pedro Ribeiro da Silva, o capitão André Dias de Figueiredo e seu irmão o dr. José Tavares de Holanda e contando eles com a principal nobreza pernambucana”.

No dia 17 de outubro o governador da Província, Sebastião de Castro e Caldas, foi emboscado no centro do Recife, na rua da Água Verde, próximo ao Pátio de São Pedro. Infelizmente, para os pernambucanos, o tirano sobreviveu aos ferimentos. Impulsionado pelo sentimento de vingança e sabendo que os autores dos disparos eram familiares do Pedro Ribeiro e que eles tinham fugido para a Freguesia de Santo Antão, ordenou ao corpo da guarda da Freguesia que prendesse o Pedro Ribeiro e seus comparsas.

No dia 3 de novembro, após rápidas escaramuças, Pedro Ribeiro da Silva resistiu à prisão e de quebra prendeu seus perseguidores. Formou um grupo armado e partiu para o Recife com o objetivo de depor o Governador. Era o início da “Guerra dos Mascates” De Santo Antão ecoava o grito de liberdade. Às tropas do capitão mor Pedro Ribeiro somaram-se outras vindas da zona da mata. Amedrontado com a presença dos bravos mazombos, Sebastião de Castro e Caldas fugiu para Salvador.

Em cartas escritas posteriormente de Salvador-Bahia, para onde fugira, Sebastião de Castro e Caldas responsabilizava Pedro Ribeiro e parentes pelo atentado que sofrera: “que os principais amotinadores, além dos ditos conjurados, repartidos pelas Freguesias, foram, na de Santo Antão, onde teve princípio, o Capitão-mor dela, Pedro Ribeiro e seus cunhados…” O sentimento nativista, germinado no Monte das Tabocas,
consolidava-se com a Guerra dos Mascates.

Com ânimo e patriotismo as tropas comandadas por Pedro Ribeiro e outros capitães, ao som de tambores, invadiram, no dia 9, o Recife. Grande confusão invadiu as hostes dos mascates, que entregues à própria sorte fugiram atônitos e desesperados. Senhores da situação, os pernambucanos destruíram primeiramente o pelourinho. Em seguida, libertaram todos os prisioneiros, tanto os políticos, como os comuns e arriaram a bandeira de Portugal do cimo do palácio das Torres.

A primeira ação administrativa foi destituir todos os portugueses que ocupavam cargos públicos. Assegurada a posse da vila do Recife, continuaram triunfantes, em marcha para Olinda. Grande destaque teve o capitão-mor Pedro Ribeiro da Silva, que entrou triunfante na capital da Província, onde foi efusivamente recebido, sob aplausos e gritos de alegria. Senhores da “Marim dos Caetés”, restava reunirem-se, para deliberarem sobre a nova forma de governo e outras medidas cabíveis.

Observação: mais detalhes sobre a Guerra dos Mascates e sobre o capitão mor Pedro Ribeiro da Silva podem ser colhidos em livro à venda no Instituto Histórico pelo preço de R$ 40,00.

Instituto Histórico e Geográfico da Vitória 

 

A primeira mulher a governar Pernambuco? – por historia_em_retalhos.

Será Raquel Lyra (PSDB) a primeira mulher a governar Pernambuco?

Resposta: depende.

Se considerarmos a ascensão ao cargo pela via democrática, pelo voto direto, sim.

É um fato inédito.

Todavia, há uma importante personagem da história que assumiu o comando da capitania de Pernambuco, no século 16: Brites de Albuquerque (Beatriz de Albuquerque), esposa do donatário Duarte Coelho.

Ela foi considerada a primeira governante das Américas e uma das responsáveis pela prosperidade na capitania pernambucana.

Ao todo, foram cerca de 30 anos à frente do governo de Pernambuco.

Desejamos boa sorte à futura governadora @raquellyraoficial e que atentemos a este importante registro, em observância à história.

Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/CkecP6rOgd6/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

Vitória nas urnas: Lula e Raquel…..

Rachado ao meio, politicamente falando, o eleitorado brasileiro compareceu às urnas no último domingo (30) para eleger o presidente e mais 12 governadores pelo 2º turno das eleições 2022. Sem maiores transtornos ou problemas que merecessem destaque pela grande mídia nacional, horas depois do pleito, a chapa encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, por pequena margem de votos (a menor da histórica sob o regime da chamada “Nova República”) foi consagrada a vencedora.

Muito antes do início do processo eleitoral (propriamente dito),  em função das muitas declarações do presidente Jair Bolsonaro (candidato à reeleição), no que se refere ao  modelo de apuração – urnas eletrônicas – já havia um clima de conflito anunciado, caso o mesmo não lograsse êxito eleitoral.  Vale lembrar que o próprio Jair Bolsonaro, em pleitos passados, já fora eleito e reeleitos várias vezes por esse mesmo sistema.

Jogando o jogo democrático dentro das “quatro linhas” –  expressão muita usada pelo atual presidente da república – o candidato eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, cumpriu agenda de vencedor, ou seja: fez o discurso da vitória para imprensa e foi para rua comemorar com os seus eleitores – Avenida Paulista – São Paulo.

Em Pernambuco a governadora eleita, a ex-prefeita da cidade de Caruaru, Raquel Lyra, já teve a sua vitória “ratificada” pela adversária, ao enviar mensagem de “boa sorte”. Nesse pleito (2022), na “terra dos altos coqueiros”, ressaltemos que as mulheres quebraram alguns tabus. A primeira senadora eleita, Teresa Leitão e a primeira govenadora da nossa história republicana.

No regime democrático o respeito ao processo é a regra número um. Não que estejamos navegando em um “barco perfeito”, mas esse foi o “combinado” ao qual todos se submeteram e aceitaram, na medida que “vestiram suas respectivas camisas”, antes de do apito inicial.

Assim sendo, apesar de todo acirramento e divisão dos últimos anos, ocorrido nos quatro cantos do País, esperamos que a serenidade prevaleça, no sentido de voltarmos ao eixo da história, sem sobressaltos ou aventuras inconsequentes.

A polêmica do debate de 1989 – historia_em_retalhos.

Em 1989, os brasileiros foram às urnas para escolher o novo presidente da República.

Era a primeira eleição presidencial pelo voto direto, depois de 29 anos e um longo período de ditadura militar.

Havia, ao todo, 23 candidatos, passando para o segundo turno Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Collor de Mello (PRN).

O segundo e principal debate entre os dois aconteceu no dia 13.12.1989, sendo transmitido pelas quatro principais emissoras de televisão do país: Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT.

Um fato, porém, repercutiu bastante.

No dia seguinte, a Rede Globo apresentou duas matérias com edições do debate: uma no Jornal Hoje e outra no Jornal Nacional.

A segunda, especificamente, provocou grande polêmica.

A Globo foi acusada de ter favorecido o candidato do PRN, tanto na seleção dos momentos, como no tempo dado a cada candidato, já que Collor teve um minuto e meio a mais do que o adversário.

O PT chegou a mover uma ação contra a emissora no TSE.

Em frente à sede da Globo, atores da própria emissora, junto com outros artistas e intelectuais, protestaram contra a edição.

Tempos depois, os responsáveis pela edição do JN apresentaram a justificativa de que teriam usado o mesmo critério de edição de uma partida de futebol, na qual são selecionados os melhores momentos de cada time.

O fato é que este episódio trouxe um inequívoco dano à imagem da Globo.

Não sem razão, hoje, a emissora adota como norma não editar debates políticos.

Eles são vistos na íntegra e ao vivo.

Sem dúvida, é melhor assim.

É o mais consentâneo com a boa informação e com o livre convencimento do telespectador.
.
Siga: @historia_em_retalhos

https://www.instagram.com/p/CkRUnalORCN/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D