A QUENTURA, MURIÇOCAS E BARATAS – por Sosígenes Bittencourt.

O tempo esquentou na Primavera. E com a quentura, ou variação de temperatura, ora fresca, ora escaldante, muriçocas e baratas são bem-vindas. Baratas já desfilam pelas calçadas, de sapato alto e antenas ligadas, muriçocas já migram em revoada, executando sua sinfonia macabra.

As fobias renascem. Não raro, os tementes a barata, munem-se de bisnagas de inseticidas, e os apavorados com pernilongos buscam repelentes atmosféricos ou de esfregar na pele. Fobia é uma espécie de medo de leão sem leão. Uma barata ganha a dimensão de um dinossauro. 
E como sofrem as criaturas. Aquele funcionário público que tem de se levantar cedinho para tomar 3 conduções para chegar ao trabalho, amarrotado, sonolento e suado, depois de uma madrugada revirando-se na cama, acendendo a luz para aspergir veneno em muriçoca. Aquela  dona de casa que tem de preparar o café, de madrugadinha, botar feijão no fogo e levar os meninos para a escola, depois de uma noitada de vigia, com os olhos aboticados nas paredes e se envergando para olhar debaixo da cama.

No tempo de eu menino, contavam que havia um comerciante tão pirangueiro, na cidade, que as baratas de sua mercearia morriam desnutridas por não terem acesso às mercadorias.

As muriçocas de hoje são falsas, misturando-se com o aedes aegypti, aquele pernilongo de meião alvinegro, cuja fêmea nutre-se vampirescamente do sangue do indivíduo, ameaçando-o de morte.

Sosígenes Bittencourt

Deputado Federal Túlio Gadelha entra no “jogo eleitoral” da Vitória.

Bem votado na cidade da Vitória no último pleito estadual (2018), o deputado federal Túlio Gadelha –  uma das surpresas da eleição em Pernambuco -,  recentemente, dialogou  com grupo de antonenses. O encontro deu-se num  Centro de Compras (Paço Alfândega) na cidade do Recife. Sintonizado com um novo jeito de fazer política, o parlamentar compreende  perfeitamente o “tamanho” e o potencial do nosso colégio eleitoral. Na pauta do encontro falou-se de tudo um pouco. Uma espécie de “salada de frutas” com os temas  locais.

Formado por pessoas de diversas áreas de atuação profissional, o grupo repassou ao parlamentar um pouco das suas angústias, ansiedades e desejos – erros e acertos. No que se refere ao contexto político propriamente dito, o deputado Túlio Gadelha endossou o sentimento desses agentes, no que se refere à ampliação do espaço do “seu partido” (PDT)  no município, sobretudo com vistas ao pleito municipal que se avizinha (2020), como também na busca da efetivação de políticas públicas.

De lá, o grupo voltou animado!! É que além da ratificação da legenda, inclusive na disputa majoritária,  antes já garantida pelo deputado, agora, resultados de sondagens  informais realizada pelo próprio Túlio, sugeriram-lhe um espaço propício para uma candidatura nova, na terra de João Cleofas de Oliveira. Ainda segundo informações do grupo, em breve,  eventos políticos serão programados aqui, no sentido do fortalecimento da sigla, inclusive,  com a participação das lideranças estaduais. São as peças do xadrez eleitoral local, em sintonia com as estaduais,  se mexendo…..

Batalha digital: Reality Show com influenciadores digitais acontece em Vitória de Santo Antão.

E se houvesse um Reality Show com influenciadores digitais, onde eles realizassem provas e competissem por uma premiação em dinheiro? É o que vai acontecer em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata pernambucana – em um evento que chega com a proposta de ser o maior e melhor em comunicação integrada da região: a Batalha Digital. No programa, vinte “influencers” irão disputar um prêmio de R$ 5 mil, passando por diversos desafios que irão emocionar e conectar a atividade digital com as relações humanas.

O reality será transmitido pela internet, na Bis TV – Web TV de Vitória. Através do Youtube, Facebook e Instagram, o público poderá acompanhar, ao vivo, todas as provas – além de interagir com o programa e os participantes. A atração será apresentada pelo jornalista Messias Amorim, e irá ao ar durante cinco domingos consecutivos. A estreia será no dia 22 de setembro, às 15h.

A competição também terá um cunho solidário. Durante a Batalha, os criadores de conteúdo participarão de uma prova que consiste em arrecadar donativos para instituições beneficentes de municípios da zona da mata. O reality contará ainda com votação popular, futebol de sabão, quiz sobre conhecimentos gerais e história do município da Vitória de Santo Antão, e ainda uma prova de resistência.

“Muitas empresas, hoje, dependem quase que integralmente da atividade de influenciadores digitais, estamos vivendo esse fenômeno, e podemos considerar que eles são a principal força motriz do comércio local. Por isso,

nossa proposta é conectar cada vez mais as empresas, influenciadores e o público em geral, fomentando, desta forma, um maior processo de humanização nas relações comerciais, colaborando positivamente para o desenvolvimento econômico de nossa região, através das plataformas digitais. Isso irá acontecer com a Batalha, que, além de por em evidência marcas e criadores de conteúdo, vai proporcionar uma experiência social significativa. É um projeto que ganha vida por criar um laço emocional com o público”, comenta Célio Bisneto, um dos idealizadores da Batalha Digital.

Para participar, os influenciadores precisam ser maiores de 18 anos, possuir cinco mil ou mais seguidores, morar em Vitória ou cidades vizinhas, e não possuir antecedentes criminais. Os competidores já foram selecionados, e serão divulgados oficialmente em breve. Para mais informações basta acessar o site batalhadigital.com.br.

SERVIÇO

Programa Batalha Digital Local: Vitória de Santo Antão Estreia: 22 de setembro, às 15h Transmissão: Bis TV (Youtube, Facebook e Instagram)

MÍDIAS Site: batalhadigital.com.br Instagram: instagram.com/batalhadigital Facebook: facebook.com/batalhadigital

Momento Cultural: Assunção da Virgem – por Corina de Holanda.

Deve ter sido pela madrugada:
– Em torno da modesta sepultura,
Daquela dentre as puras a mais pura,
Anjos, em graciosa revoada,

Como a medir, de céu, a imensa altura,
Vão de estrelas formando a linda escada
Por onde subiria a Imaculada…
– Jamais se viu tão régia iluminada.

(Se Deus é o Autor de tão custosa tela…).
Rasga a morte seus véus! Eis que esplendente,
Surge Maria, a quem Gabriel conduz.

Astros se apagam diante da mais bela…
E todo o Céu saúda alegremente,
A que trouxe em seu seio a própria Luz.

1969

(Entre o céu e a Terra – 1972 – Corina de Holanda – pág. 33).

O BRASIL FUNCIONA MAL – por Sosígenes Bittencourt.

Existe cota racial para branco pobre e descendente de negro? Tem descendente de negro, branquinho que nem um fantasma, do cabelo pixaim, pobre que dá dó e sem direito a cota racial. Parece que no Brasil tudo funciona mal. O Eca, por exemplo, tem garantido futuro às crianças e adolescentes? Até o ECA nos cheira mal.

Sosígenes Bittencourt

Firme e forte, recentemente, “Seu” Orlando comemorou seus 86 anos de vida!!

Na noite da última sexta (06), véspera do feriado cívico da independência, “Seu” Orlando de Souza Leão, completou 86 anos de vida – diga-se de passagem: BEM VIVIDOS. Para o terraço da sua residência, localizada na Rua Imperial, bairro da Matriz, convidou os atuais amigos de farra. Nesse seleto grupo, pessoas com idades variadas. De menos de 50 até alguns com mais de 80.

Com um largo sorriso no rosto, algo que já foi incorporou ao seu semblante, ele diz em tom de brincadeira: “ainda bem que arrumei essa turma para jogar conversa fora e tomar umas e outras de vez em quando. Da minha turma das antigas, para se fazer uma farra, só restou eu”.

Com origem na chamada indústria canavieira, “Seu” Orlando, quando mais jovem, foi  membro atuante em praticamente todos espaços sociais da nossa cidade. Torcedor do Santa Cruz  Futebol Clube desde de sempre é desses coroas atualizados e mesmo com quase nove décadas de vida ainda mantém acesa a curiosidade pelas novidades.

Pois bem, de um tempo para cá, após um dos nossos passeios ( intitulado de “Missão Cultural”,  onde o mesmo aprendeu um novo jeito de extrair o caldo do limão, ele não cansa de dizer: “nunca imaginei que iria aprender espremer depois de velho. Essa missão cultural é arretada!”

Assim sendo, renovamos nossos parabéns pela passagem dos 86 anos de vida de “Seu” Orlando de Souza Leão!!

AVLAC – mais uma reunião da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Na manhã do domingo (08), em sua sede (Sobradinho), aconteceu mais uma reunião ordinária da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Após alguns informes administrativos repassados pela direção dos trabalhos, o momento acadêmico foi aberto. No conjunto dos debates contribuições das mais variadas.

No meu momento, por assim dizer, dei ênfase ao conteúdo do artigo do ex-ministro da Justiça e Segurança Nacional, Raul Jungmann, recentemente publicado no Jornal do Commercio com o título “As duas faces do futuro”. Nele, um sem números de pontos de reflexão. Show de Bola!!

A Historiografia de Kléber Mendonça Filho – por Raphael Oliveira

Aqui no blog do Pilako, já tivemos uma ótima análise do filme Bacurau feita por André Carvalho, onde ele aborda em termos gerais esse filme maravilhoso, que aliás, conquistou o seleto Júri do Festival de Cannes, se sagrando o primeiro filme Brasileiro a ganhar a premiação nesta categoria (Prêmio do Júri). Eu não vou fazer uma nova análise deste filme, mas eu quero chamar a atenção para um recorte da obra, uma cena que pra mim é determinante para o desenrolar da trama e que passa uma mensagem profundamente verdadeira, que me fez ter uma reflexão do quão importante é a nossa história e de como ela está cada vez mais sendo deixada de lado, e principalmente quais as consequências disso, afinal Bacurau se passa num futuro distópico porém profundamente ligado ao nosso presente.

Esta cena a qual me refiro é quando os dois motoqueiros chegam na cidade de Bacurau com a missão de colocar o equipamento que bloqueia o sinal de celular da cidade inteira, a primeira coisa que os dois fazem quando chegam na cidade, é ir ao bar e tomar umas bebidas, onde disfarçadamente eles instalam o bloqueador de sinal, eles chamam bastante atenção por conta de suas motos barulhentas, e suas roupas de trilha, que são um tanto quanto extravagantes. Talvez numa tentativa de mostrar o “valor” daquele pequeno lugar, os moradores logo oferecem a oportunidade deles conhecerem o museu da cidade de Bacurau, para que eles pudessem conhecer a história daquele povo, que obviamente era motivo de orgulho para cada um que estava ali naquele momento. Imediatamente os dois forasteiros se negam a conhecer o museu, dão uma desculpa qualquer e como já tinham cumprido a missão de bloquear o sinal de celular com o aparelho instalado embaixo de uma das mesas do bar, eles vão embora e a trama segue a partir daquele acontecimento. Aí vem o ponto que pra mim é o determinante da trama.

Se eles fossem ao museu iriam descobrir a história de luta de um povo que estava estampada e exibida no museu através de armas antigas expostas como um troféu que expressavam a força de um povo sertanejo, que ao mesmo tempo que eram pacatos também poderiam ser extremamente viscerais quando se sentissem ameaçados, aquele arsenal do Museu da Cidade de Bacurau foi o que salvou aquele povo, a história renegada pelos forasteiros, foi o que salvou aquele povo, ao mesmo tempo que a preservação daquela história foi o trunfo determinante para a vitória no confronto final.

Para mim, esse é o recado que o diretor Kléber Mendonça filho passa nesta cena do filme, quanto mais se renega a história de um povo, menos empatia se tem por ele e menos se conhece daquela realidade. Ao contraponto que a salvação da cidade de Bacurau, foi justamente a preservação de sua história materializada naquele arsenal bélico, o orgulho do seu passado salvou o seu futuro. Que essa ficção nos inspire e nos ajude a preservar o
nosso passado, para que o nosso futuro não seja tão sombrio.

Raphael Oliveira – Historiador, Analista de Sistemas, Radialista/Podcaster, metido a escritor. 

Momento Cultural: Brincadeira de Esconder por Henrique de Holanda.

Com vontade de brincar,
essas travessas meninas,
que trelam no teu olhar,
correram. (Vê, que traquinas!)
ao encontro dos meus olhos….
Nenhuma pensou em ter
escolhidos dois abrolhos
p’ra brincar de se esconder.

E além das tais “buliçosas,”
que nasceram pra brincar,
deixaram mais duas rosas
de tuas faces saltar…
E de amor pela escalada,
fugidas, muito em segredo,
ei-las com a rapaziada,
para animar o brinquedo.

– Do teu semblante, o viver;
teu sorriso, teu carinho,
tua voz, bem doce e calma,
…p’ra brincar de se esconder…
E deixei tudo, tudinho,
esconder-ser na minh’alma.
P’ra torná-los mais seguros,
fechei-os com a chave de ouro
da mais dourada ilusão,
nos recôncavos escuros
que transformaste em tesouro,
bem aqui, no coração.

Fugir do meu peito, agora,
deseja o bando inocente…
A chave, tenho-a perdida!
Minha ilusão foi-se embora!

E ficaste eternamente
fechada na minha vida.

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 6 e 7).