Arraes, Dominguinhos e a democracia – por historia_em_retalhos

O ano era 1998.

Naquele ano, o então governador de Pernambuco Miguel Arraes era candidato à reeleição.

Em julho, aconteceria o Festival de Inverno de Garanhuns e o grande Dominguinhos cantaria, pela primeira vez, em sua terra natal.

Um fato, porém, agitou aquela escalação: antes do festival, Dominguinhos declarou publicamente o seu apoio a Jarbas Vasconcelos, o adversário de Arraes naquele pleito que se avizinhava.

Acredite se quiser, mas, em razão dessa declaração, começaram a surgir rumores de que a Fundarpe estaria sendo pressionada a cancelar a contratação de Dominguinhos, retirando-lhe o direito de cantar em sua terra natal, apenas por manifestar a sua opção política.

O assunto, então, chegou ao conhecimento de Arraes, que afirmou o seguinte:

“Ele vai se apresentar e eu vou estar lá pra assistir seu show pessoalmente. Não tem sentido fazer uma pessoa livre se ajoelhar. E não se aprisiona e nem se persegue um artista do povo por questões políticas e eleitorais”.

No dia do show, ao saber da presença de Arraes no camarote, o genial sanfoneiro disse-lhe de cima do palco:

“Doutor Arraes, não vou votar no senhor, mas jamais esquecerei esse seu gesto comigo de me assegurar cantar neste festival pela primeira vez. Um sonho que eu acalentava e que a sua gestão me proporcionou realizar. Deus o abençoe”.

Mais de 60 mil pessoas presentes na Praça Guadalajara aplaudiram os dois.

Que bela lição de civilidade e democracia.

É disso que esse país precisa.
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Internet 5G em Vitória: já já chega…..

Com promessa de revolucionar a vida cotidiana das pessoas,  de maneira geral, a quinta geração da internet móvel nos permitirá, por exemplo, se deslocar em ônibus do transporte público sem a figura do motorista. Informações oficiais prometem que a tecnologia estará  disponível em  todas as  cidades brasileiras em até dezembro de 2029.

Já disponível  – Internet 5g –  na capital federal, Brasília, desde do inicio desse mês (julho de 2022),  amanhã, 29 de julho, chegará  a vez da implantação em  Belo Horizonte, João Pessoa e Porto Alegre. Até 29 de setembro (2022) a promessa é que  todas capitais do país já estejam contempladas.

E em Vitória de Santo Antão? Bom! Duas notícias: uma boa e outra ruim. A boa é que você terá tempo para juntar dinheiro para comprar um aparelho que seja compatível – hoje ainda muito caro!! A ruim é que, na terra desbravada pelo português Diogo de Braga,  a tecnologia 5G está prevista para 31 de julho de 2027. Isto é: daqui a 5 anos…..É muito ou pouco? 

ALEPE – o jovem deputado Aglailson Victor entrou para história!!!

Repercutiu bastante nos meios de comunicação da capital, o fato do jovem deputado Aglailson Victor assumir –  5 dias-  a presidência da Assembleia Legislativa do nosso Estado (27 a 31 de julho de 2022). A força atrativa da notícia, por assim dizer, reside no fato do mesmo  (Victor) haver entrado para a história da “Casa de Joaquim Nabuco”, ou seja:  o  parlamentar mais jovem no seu comando. Victor acabou de completar 27 anos.

No campo político, o nosso lugar, ao longo dos seus quase 400 anos de fundação,  já produziu, por exemplo, dois governadores de Pernambuco – José Rufino Bezerra e Gustavo Krause. Outro antonense, não menos importante,  João Cleofas de Oliveira, também escreveu seu nome em espaços nunca antes alcançados por um conterrâneo. Isso é história viva!!!

Sobrado Vitoriense – por Marcus Prado.

A HISTÓRIA desse sobrado vitoriense, da família Holanda (Martha, Belkiss, Diva) merece um livro, pelo muito que lembra de um passado, sobretudo cultural. Sei de tudo, ou quase tudo, a partir das lembranças repassadas por um dos seus antigos moradores: meu saudoso amigo Manuel de Holanda Cavalcanti. Vou escrever algo para o Blog do Pilako sobre esse mais importante sobrado vitoriense.

Fui autor do seu projeto de Tombamento em nível estadual, na condição de conselheiro titular do Conselho Estadual de Cultura, quando, por ódio político, o prefeito Aglailson queria desapropria-lo para fins duvidosos. Por Lei, agora é patrimônio histórico e arquitetônico de Pernambuco. Deve ser rigorosamente preservado. (A foto é de minha autoria)

Outra fonte preciosa reside nos escritos do professor Aragão, o grande presidente e benfeitor do Instituto Histórico, que nos legou o que de melhor existe no seu acervo, inclusive a sua Biblioteca aberta ao público diariamente.

Marcus Prado – jornalista. 

Mais 80 anos de vida para o professor Pedro Ferrer……

Após viagem com filhos e netos, em que celebrou a chegada dos 80 anos, ocorrida no exatamente no dia 16 de julho, na noite de ontem (26), no Restaurante “Carnes &Galletos”, o professor Pedro Ferrer reuniu familiares, amigos mais próximos e a diretoria do Instituto Histórico para o tradicional “Parabéns Pra Você”.

Gozando de toda saúde, o professor se mantém ativo e produtivo, principalmente no que se refere às pesquisas sobre a história e curiosidades da nossa polís – recentemente lançou seu 10º livro.  Na qualidade de presidente do Instituto Histórico da Vitória, o mesmo não para de efetivar  projetos, ampliações na área do museu e ações diversas, sobretudo  no sentido da preservação do rico acervo da entidade.

Eis aí, portanto, um antonense arretado!!! Mais 80 anos de vida para o Professor Pedro Ferrer…..

Espetáculo “Contos do Mar sem Fim” em cartaz no teatro Silogeu.

“Contos do Mar Sem Fim” do Núcleo de Pesquisa Cênica de Pernambuco, entrará em cartaz em Vitória de Santo Antão. Depois de circular no mês de julho pelo interior de Pernambuco, o espetáculo encerra sua temporada de férias no Teatro Silogeu nos dias 29, 30 e 31 de julho com sessões às 20 hrs.

A peça teatral narra a estória de dois homens vivendo em um loop eterno de memórias, amores e perdões. O mar é o habilidoso desenhador de ausências. Nele, contém segredos que, somente com o tempo e o perdão, serão jogados na areia ao amanhecer. O azul das águas parece sempre cheio de segredos. Vinícius não entende que, para Omar, qualquer um pode tomar o leme quando o mar está calmo e que, somente o despertar da consciência, vai libertá-los.

O espetáculo fez sua estreia em formato presencial em março de 2022 através da Lei Aldir Blanc e com produção e direção de Wedson Garcia & Thamiris Mendes, “Contos do Mar sem Fim” circulou durante o mês de julho por várias cidades do interior de Pernambuco, como Altinho, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Taquaritinga do Norte, Caruaru, Glória do Goitá e Limoeiro.

Serviço:

Espetáculo: “Contos do Mar sem Fim”

Direção: Wedson Garcia & Thamiris Mendes

Dramaturgia: César Leão

Encenação e produção: Núcleo de Pesquisa Cênica de Pernambuco

Dias 29, 30 e 31 de julho às 20 horas no Teatro Silogeu – Vitória de Santo Antão, PE

Vendas Antecipadas pelo Sympla

Assessoria. 

 

 

 

Eleições 2022: quem vai ganhar, Lula ou Bolsonaro?

Faltando 10 dias para o encerramento do prazo para as chamadas convenções partidárias, ocasião  em que são ratificadas as candidaturas dos que desejam disputar em 2022, no  sentido da  postulação aos cargos de presidente, governador (com seus respectivos vice), senador (suplentes) e  deputados (federal e estadual), ao que parece  o quadro para os presidenciáveis  está  teoricamente  definido.

Já em Pernambuco,   diferentemente,  a maioria das convenções estaduais estão programadas para os dois últimos dias do mês de julho. Aliás,  até o presente momento (segunda-feira – 25), inclusive, com  indefinições para o fechamento de algumas chapas majoritárias.

Com domicilio em nosso “colégio eleitoral” – Vitória de Santo Antão –  além dos três deputados já com assentos na ALEPE, outras muitas postulações estão bem desenhadas, tanto para o parlamento  Estadual quanto ao Federal.

Tendo como principal mudança para esse pleito, as “desconfiguradas” coligações proporcionais foram banidas, motivo pelo qual nossa cidade irá apresentar ao eleitorado pernambucano  um número recorde dos chamados “candidatos da terra”. Até o momento, já temos conhecimento de pelo menos uma dúzia de pré-candidaturas com DNA antonense, ou seja: 7 disputando um  lugar na Assembleia Estadual e 5 para a Câmara Federal.

Em tempos de polarização doentia, patológica e nada produtiva ao processo democrático brasileiro, estamos observando que, com algumas exceções, os postulantes  locais estão evitando declarar voto para presidente, ou seja: devem esconder o jogo até o quanto puderem…..

Para concluir, farei, aqui,  uma reprodução da reposta (pergunta) que sempre dou aos que me perguntam sobre a eleição presidencial, dizendo-me, antecipadamente, que não acredita em pesquisa eleitoral: “Pilako, quem vai ganhar,  Lula ou Bolsonaro?”

Primeiro eu digo: gostaria que não fosse nenhum dos dois. Não acredito nesses dois projetos. 

Em ato contínuo,  coloco a seguinte questão:  faça você mesmo a sua pesquisa, perguntado às pessoas no  seu ciclo de convivência. Quantos votantes você conhece,  que em 2018 sufragou  na urna o voto no Bolsonaro e que não irá repetir?

Quantos votantes, que em 2018 não votaram em Bolsonaro e que agora estão decididos a mudar,  votando  no atual presidente?

Mediantes as respostas, faça você mesmo a apuração, some,  divida, multiplique  e subtraia  para  chegar  ao  resultado final, sem a interferência da opinião de outras pessoas para não lhe induzir ao erro.  Assim você ficará mais consciente.

Torre de Cristal – por Marcus Prado.

QUANDO OLHO PARA a Torre de Cristal, de Francisco Brennand, erguida no Cais do Porto, meu olhar fotográfico, irremovível do vício de distorção das coisas e lugares, me faz ter a impressão de que ali está a famosa Torre de Einstein, de Erich Mendelsohn, máximo expoente da arquitetura expressionista, perto do Porto de Berlim. Vem de imediato a impressão, trazida pelas espumas do mar, de que, em vez de uma Torre, é um farol cheio de claridade e ninhos de aves marinhas.

A costa nordestina é um local de descanso e também de reprodução dessas aves, está na rota migratória do Atlântico, ainda mais porque o tronco dessa Torre e seu entorno possuem condições apropriadas de habitat para muitas espécies. Dizem que o lugar, quando a maré está baixa, serve de refúgio para namorados notívagos, porque foi dada à Torre o símbolo de objeto fálico como os que foram achados nas ruinas de Pompéia. Arqueólogos descobriram novas relíquias sob as ruínas da cidade de Pompeia, destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., tanto que uma delas tem semelhanças com a Torre de Cristal.

Marcus Prado – jornalista. 

5ª Festa da Saudade – mais de 60% dos espaços reservados!!!

Programada para acontecer no próximo dia 20 de agosto, a 5ª Festa da Saudade, hoje, se configura no evento dançante mais esperado pela nossa boêmia. O encontro terá como atração musical principal a internacional Orquestra Super Oara.

Faltando praticamente um mês para o “grande dia”, aviso aos amigos e pretendentes  que já chegamos a um bom número de reservas de mesa – cerca de 60% do total. Assim sendo, aos que realmente desejam participar dessa edição (5ª), há muito esperada, favor entrar em contato conosco pelo número 081 – 9.9192.5094.

Já fizemos muitos contatos e continuamos articulando mais participantes. Vale lembrar, que por uma questão de espaço – Clube Abanadores “O Leão” – somos obrigados a limitar as vendas de mesas e camarotes. Espero contar com a compreensão de todos!!!

Tiro de Guerra em marcha…..

 

Por volta das 7:30h de hoje (22), ao trafegar pela Avenida Henrique de Holanda, ao testemunhar os atiradores do nosso Tiro de Guerra em uma missão externa –  de maneira automática – lembranças do “meu tempo” (1986)  saltaram das prateleiras memória.

Na “minha época”, por assim dizer, o comandante da tropa era o então Subtenente Eudes. Corridas matinais pelas as principais artérias da cidade e marchas, cada vez mais longas, eram por nós, atiradores, encaradas com todo entusiasmos e  vibração. Boas lembranças…

 

Rua da Imperatriz – por historia_em_retalhos.

Antes símbolo de um comércio efervescente e vibrante, a Rua da Imperatriz, na Boa Vista, não lembra mais, nem de longe, os seus tempos áureos.

Ruas vazias, lojas fechadas e imóveis desocupados traduzem o retrato atual do centro da capital pernambucana.

Como reverter esse processo de degradação do território que já foi o coração social e econômico da cidade?

Deixe a sua visão do problema ou, se preferir, venha debater conosco em nosso fórum “Centro do Recife: desafios e soluções”.

Saiba como se inscrever em: https://www.mppe.mp.br/mppe/comunicacao/noticias/16484-inscricoes-abertas-mppe-promove-em-julho-discussao-sobre-medidas-de-revitalizacao-do-centro-do-recife

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Momento Pitú.

Pela quarta vez consecutiva, a Pitú fez bonito na avaliação do BTI, um dos mais respeitados institutos de análise de bebidas alcoólicas do mundo. Este ano levou medalha de ouro e #PitúVitoriosa, medalha de platina. Isso só confirma o que a nação pituzeira já sabe: Gold e Vitoriosa estão entre as melhores e mais apreciadas cachaças envelhecidas do mundo inteiro. Bora brindar essa conquista?

Livro Asas Para Vitória de Santo Antão – a história do Aero Clube da Vitória – continua à venda!

Fruto de uma aprofundada pesquisa histórica, realizada pelo presidente do Instituto Histórico da Vitória, professor Pedro Ferrer, o Livro Asas Para Vitória de Santo Antão tem recebido os merecidos elogios. Recheado com fotos e documentos, o conteúdo, de maneira cronológica, narra o passo a passo rumo à materialização e sucesso, daquilo que que ficou catalogado na nossa história como um dos sonhos mais ousados dos antoenses, ou seja: a concretização do Aeroclube da Vitória – vale a pena ler……

O livro custa $70 e pode ser adquirido através do contato (81) 9.8880.1744.

Ressurgimento da Praça Duque de Caxias: uma boa ação!!!

Antes denominado de “Lagoa do Barro”, o local que hoje conhecemos como Praça Duque de Caxias teve seu nome escolhido na segunda metade do século XIX, mais precisamente no ano de  1870. A  homenagem foi uma indicação direta da  Câmara de Vereadores  da então “Cidade da Vitória” ao Patrono do Exército Brasileiro, em clima de encerramento da Guerra do Paraguai,  à qual enviamos um conjunto de combatentes, intitulados na ocasião por “voluntários da pátria”. O monumento alusivo só veio se materializar em 1954. Sua inauguração festiva só ocorreu  em 7 de setembro de 1955, ainda na administração do então prefeito Manoel de Holanda.

Por ocasião do centenário da elevação à categoria de cidade, ocorrido em maio de 1943, nosso lugar promoveu um grande evento cívico/festivo. Nesse conjunto de ações, na referida praça,  a gestão municipal  do então prefeito José Aragão  inaugurou um obelisco comemorativo. O orador oficial nesse auspicioso encontro foi o meu avô materno, o jornalista e advogado Célio Meira.

Carregado de simbolismo cívico e fazendo parte da memória afetiva de muitas gerações antonenses,  o referido local será requalificado pela atual gestão municipal, comandada pelo prefeito Paulo Roberto. O anuncio da “ordem de serviço” ocorreu na semana passada. O projeto custará aos cofres públicos quase meio milhão (R$ 488.976,05) e tem  conclusão estipulada para  3 meses. Eis aí, portanto, uma ação positiva do atual governo municipal.

Lembremos que esse espaço – Praça Duque de Caxias –, em recentes gestões municipais,  recebeu um duplo golpe mortal (na qualidade de praça),   ou seja, sua destruição foi uma espécie de “consórcio administrativo do mal”, então praticado pelos prefeitos José Aglailson (Zé do Povo) e Elias Lira –  cada qual no seu tempo!

José Aglailson, então gestor da cidade, sem nenhuma cerimônia ou qualquer diálogo com a sociedade, na calada da noite, jogou as máquinas e destruiu tudo – canteiros, bancos, árvores e etc deixando de pé apenas os dois  monumentos. Na ocasião, na qualidade de oposição, mesmo da “boca pra fora”, o então deputado Elias Lira protestou.

Mais adiante, após assumir mais uma vez como  prefeito da cidade, Elias Lira deu continuidade à infeliz obra do seu antecessor,  ou seja: transformou o local em estacionamento pago, para alegria da empresa que explorava o serviço de zona azul no município. Passadas duas décadas o espaço voltará a existir com a finalidade de outrora, evidentemente sem o romantismo de antes, até porque os tempos são outros…

O curioso do ato festivo para o lançamento da  referida “ordem de serviço”, em que se  busca  o “reaparecimento da alma” da Praça Duque de Caxias,  foi a presença física  do ex prefeito Elias Lira. Na ocasião,  o mesmo parabenizou o atual  prefeito,  dizendo que “a praça era muito importante”, mesmo sendo ele, tempos atrás, um dos seus algozes.

Para concluir essas linhas, em que reforço a boa ação da prefeitura nesse pontual empreendimento, reproduzo uma frase  – dita a mim –  por um dos  membros  do atual grupo político do prefeito:  “Pilako, quando vejo  Paulo Roberto botando Elias Lira para falar nessas lives, com cara de “cego perdido em tiroteio”,  tenho a impressão que o prefeito tá se vingando dele, por tanta covardia já feita…..”

 

 

Saudosos mestres sineiros vitorienses – por Marcus Prado.

Louvo o oficio dos saudosos mestres sineiros de minha terra natal, da Matriz de Santo Antão e da Matriz do Livramento. Nunca esqueci o som desses sinos, ainda mais quando, por mais de uma vez, ouvi os sinos da Catedral de Notre Dame e de algumas catedrais do Leste Europeu, onde a tradição dos sinos tem se mantido mais fiel ao passado.

Por meio da linguagem dos sinos – herança rítmica do passado remoto – eles transmitem mensagens ligadas aos ritos da igreja cristã, pareciam falar. Além de marcar o tempo, são seus toques e dobrados, emitidos do alto das torres das igrejas, que informam aos moradores sobre os acontecimentos de interesse coletivo: uma procissão, um falecimento, uma festa, um parto, um incêndio.
A linguagem sonora dos sinos não é para qualquer um.

Já que se fez nesse mundo tantos congressos e seminários sobre tantos temas, mas não fizeram até hoje um encontro mundial de mestres sineiros, tendo como ambiente a Catedral da Sé, em Olinda e suas torres sineiras, deixo aqui a minha lembrança. Memória e criatividade estão no cerne do ofício dos sineiros. Na minha terra vitoriense (vitoriense, sim, sem essa de ANTONENSE), no meu tempo de menino, além de um famoso sacristão e mestre, que morava na mesma rua da Igreja, havia um eventual substituto, o doidinho. O que tinha de doido, tinha de afinado nos acordes dos sinos seculares.

Marcus Prado – jornalista.