181 anos…..

Ostentando o título honorífico de “cidade”, a partir de 6 de maio de 1843, nosso lugar, ontem, 06 de maio de 2024, comemorou os 181 anos do fato marcante. Nesse contexto, em nosso projeto cultural/esportivo que intitulamos de “Corrida Com História”, realçamos o histórico acontecimento.

Vale lembrar o nosso primeiro nome foi “Cidade da Vitória”. Uma alusão direta à vitória alcançada na épica Baralha das Tabocas. Só a partir de 1º de janeiro de 1944 é que “viramos” Vitória de Santo Antão. Veja, abaixo,  mais detalhes no vídeo.

https://youtube.com/shorts/qrFDK4T6z3A?si=xdHr39x3TrzM71c1

 

 

 

Cidadão de Olinda – por @historia_em_retalhos.

O ano era 1985.

Pouco tempo depois de receber o título de Cidadão de Olinda, na Câmara Municipal da cidade, o maluco beleza Alceu Valença deparou-se com uma surpresa.

Pasmem, mas uma parte dos 21 vereadores que compunham a Casa Bernardo Vieira de Melo achou que foi ridicularizada porque o artista comparecera para receber o diploma vestido de indígena, descalço e sem camisa.

Ainda, ficaram irritados porque em seu curto discurso Alceu não saudou nominalmente todas as autoridades presentes, como é de praxe nessas solenidades, preferindo se dirigir ao cavalo-marinho, à ema, à burra, à caipora, à jaraguá e ao pica-pau.

Para quem não sabe, essas figuras compõem a manifestação folclórica do bumba-meu-boi e estavam representadas no plenário da casa por fantasias produzidas por artistas populares de Olinda.

Pois bem, sob a liderança do vereador Nicácio Maranhão o grupo buscava a cassação do título de cidadão dado a Alceu.

O melhor, porém, estava por vir: a resposta.

Quando indagado, Alceu disse que recebeu o título “da forma mais digna possível, vestido de caboclinho Caeté, em homenagem aos nossos antepassados, os indígenas que habitavam Olinda”.

“É necessário que se saiba que aquilo é um apelo poético, já que Olinda é a antiga Marim dos Caetés”, afirmou.

E arrematou:

“Trajando caboclinho, estou muito mais solene do que se estivesse trajando paletó e gravata”.

Definitivamente, este é o nosso Maluco Beleza.

A iniciativa dos vereadores não passou de um jogo de cena e Alceu continua mais cidadão de Olinda do que nunca.

É por essas e outras que o legado de Alceu é eterno e a sua obra será sempre atemporal.

Salve Alceu Valença!
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“Tanto Mar” – por @historia_em_retalhos.

25 de abril de 1974: 50 anos.

“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim”

“Tanto Mar”, canção de 1978, foi gravada por Chico Buarque em homenagem à Revolução dos Cravos, movimento armado que pôs fim ao regime fascista salazarista, no dia 25 de abril de 1974, em Portugal. 🇵🇹

O período da história portuguesa conhecido como “salazarismo” teve o seu início em 1933, com a ascensão ao poder de Antônio de Oliveira Salazar.

Inspirado no fascismo italiano, Salazar estabeleceu um regime autoritário-ditatorial, pautado na censura, repressão, exílios e guerras coloniais.

Em 1968, Salazar sofreu um derrame e foi substituído por Marcello Caetano, que prosseguiu com a política autoritária.

O isolamento político, a decadência econômica e os desgastes com as guerras coloniais foram o pano de fundo para a formação de um movimento de resistência ao salazarismo.

Em 09.09.73, surge o MFA – Movimento das Forças Armadas, em oposição à ditadura, o qual, no ano seguinte, reúne-se e decide derrubar o governo de Caetano.

Em 25 de abril, às 00h:20min, a transmissão pelo rádio da música “Grândola Vila Morena” foi a senha utilizada para anunciar o início das operações militares, deflagrando a rebelião.

E qual a razão do nome “cravos”? 🌷

Em verdade, a revolta aconteceu praticamente sem resistência.

Caetano rendera-se no mesmo dia, seguindo para o exílio no Rio de Janeiro.

Diante disso, a população saiu às ruas para comemorar, entregando flores de cravos aos soldados, que as colocavam nos canos de seus fuzis, tornando, assim, a flor símbolo e nome da Revolução.

As principais conquistas do 25 de abril podem ser resumidas nos chamados “3 D’s”:

– Democratizar,

– Descolonizar e

– Desenvolver.

O reconhecimento da independência de Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola foi um reflexo direto do movimento.

Para a nossa alegria, o perfume dos cravos portugueses atravessou o Atlântico e também chegou no Brasil, influenciando no processo de redemocratização do país e, mais tarde, na promulgação da Carta Cidadã de 1988… 🙌🏼
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Vik Muniz e João Câmara – por Marcus Prado.

Vik Muniz vem sendo visto pela imprensa cultural do Rio de Janeiro e São Paulo como “o maior artista plástico brasileiro”. O seu currículo é fantástico, está sendo apontado como um dos mais caros do mercado de artes em Nova York. No entanto, para opinar sobre quem seria o maior pintor brasileiro dos nossos dias, eu escolheria o paraibano João Câmara, radicado no Recife. E assim o faço pelo que ele formula de indagações complexas, pela sua dramaticidade expressionista, sem deixar de ser acessível e, ao mesmo tempo, de forte erudição, transitando por diferentes meandros da história política do País, da arte, da mitologia. Ao ponto de ser visto por Francisco Brennand como “um pintor genial”. Genialidade inesgotável, indiscutível, sóbrio nos seus insólitos jogos de metáforas e analogias, pela inventividade na busca constante por fundir a arte, o homem, a vida. O Artista como gênio criativo. É assim que o vejo. Quem também fez a escolha do melhor, num longo ensaio, foi Ferreira Gullar, um dos maiores críticos de arte brasileira do seu tempo. O nosso João Câmara, premiado nacional e internacionalmente, era sempre uma referência nos trabalhos críticos do igualmente poeta Ferreira Gullar na sua coluna da Folha de São Paulo. Não foi por acaso, nem apressado, esse julgamento. Ferreira Gullar, como crítico exigente, altamente respeitado, era conhecedor da trajetória de João Câmara. Além de grande pintor (trabalha com tinta a óleo ou com tinta acrílica, sobre tela ou madeira), Câmara é dos raros na sua geração a estudar e a escrever, em profundidade, sobre a teoria da arte. Produziu durante vários anos artigos de crítica de arte, semanais, para o suplemento “Panorama Literário” do Diário de Pernambuco.Muniz ficou conhecido por usar materiais inusitados em suas obras como lixo, açúcar, chocolate, geleia, calda de chocolate, arame, pó, terra, até dinheiro picotado (!), etc. Trabalha num só ímpeto, com fotografia, pintura e escultura. Poderia ser visto por outro gênero de crítica como excelente fotógrafo, sem deixar de reconhecer a sua contribuição para a pintura. Já foi comparado alegremente com Gisele Bündchen das artes plásticas (Jornal O Globo, 22 de agosto de 2010). É o mais caro da Bolsa de Artes de São Paulo. (Uma obra ultrapassou US$ 300 mil num leilão). Torna-se estranho quando ele nos diz que toda a sua arte só tem começo. “O resto fica por conta do espectador”.

Há cerca de 20 anos, vindo ao Recife, cidade natal dos seus pais (ele, garçom, trabalhava no cais do Porto, e ela, atendente), surpresos ficaram os que viram Vik Muniz (conhecendo a sua arte de rebeldia e irreverência) passar uma tarde inteira fotografando o altar barroco da abadia do Mosteiro de São Bento (Olinda). Tema, aliás, de uma crônica de sua autoria na Folha. Parecia um piedoso monge da Ordem Beneditina, mas estava nascendo ali uma série de quadros/fotografias do festejado pintor, dessa vez com inspiração no Divino. “Imaginárias” seria o título, uma releitura de imagens históricas da arte sacra. Sobre a nova experiência temática, ele diria: “Quando você chega no contexto do modernismo e pós-modernismo, o artista, o intelectual, quase que por obrigação, tem que ser ateu e comunista. Eu não sou nenhum dos dois”.

Marcus Prado – jornalista

MINIBIOGRAFIA – por Sosígenes Bittencourt.

Colégio Municipal 3 de Agosto. Vitória de Santo Antão, PE. 1970

Colégio Municipal 3 de Agosto. Vitória de Santo Antão, PE. 1970

Ensinar, para mim, é uma forma de conviver.
Minha escola é o mundo.
Estudar, para mim, é uma forma de conviver,
Minha escola é o mundo.
Sou professor no que ensino;
no que estudo, sou aluno.
Sou filho de professora Damariz,
meio gente, meio pó de giz.
Fazer poesia é destino,
sou poeta desde menino.
Porém, sou poeta trabalhado,
o meu dom é divino,
mas o estudo é sagrado.

Sosígenes Bittencourt

1.° de maio de 1940 – por @historia_em_retalhos.

Em 1.° de maio de 1940, há exatos 84 anos, Getúlio Vargas anunciava no estádio de São Januário (Rio de Janeiro) a criação do salário mínimo e, no ano seguinte, em 1941, a instalação da Justiça do Trabalho no Brasil, dois importantes instrumentos de justiça social.

Cerca de 40 mil pessoas estavam presentes.

Após a entrada triunfal em carro aberto, dando uma volta olímpica no gramado, e a execução da “Canção do Trabalhador”, na voz da estrela do rádio Carlos Galhardo, Getúlio Vargas discursou.

Naquela década, Getúlio procurava unir o político ao sagrado e costumava utilizar os campos de futebol para esse fim.

Nas festas do 1.º de maio, discursava das tribunas de honra em frente ao microfone, que levava a sua voz a todo o país e até ao exterior.

Carismático e personalista, valia-se do capital simbólico dos gramados para se aproximar das classes populares.

Mas… por que São Januário?

Mesmo depois, com o Maracanã já construído, o estádio do Vasco da Gama era o seu preferido para os eventos cívicos do Dia do Trabalhador.

Isso se explica pela relação histórica do clube cruzmaltino com as classes operárias do Rio de Janeiro, de qualquer origem étnica, como negros, mulatos e brancos pobres da classe trabalhadora.

Apenas como exemplo: em 7 de abril de 1924, o então presidente do Vasco da Gama assinou o manifesto que ficou conhecido como a “Resposta Histórica”, comunicando que o clube recusar-se-ia a disputar a divisão principal do Rio de Janeiro sem seus jogadores negros, exigência que havia sido imposta pelos dirigentes da época.

Na humilde opinião deste subscritor, este pode ser considerado o documento mais bonito e importante do futebol brasileiro.

Em verdade, Getúlio sabia que estar em São Januário era uma forma de estar mais próximo às classes operárias, as destinatárias finais de suas medidas do dia 1.° de maio.

Eis a sua motivação.

Um bom feriado do trabalhador pra todo mundo, gente!

Agradeço aos amigos @karla.dames e @joaocarlosoliveira927 pela conversa boa que resultou no retalho de hoje.
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POR QUE FAÇO LITERATURA – (Há 12 anos – 28/04/2012) – por Sosígenes Bittencourt.


O filósofo alemão Nietzsche dizia: Tudo que se faz por AMOR, se faz além do BEM e do MAL.
Portanto, faço literatura, porque me agrada agradar o meu semelhante, e isto está além do BEM e do MAL.
A arte tem a função de tornar a realidade mais suportável. Primeiro, a mim mesmo; depois, ao meu semelhante. Fazer literatura me dá prazer, e o prazer é o maior dos bens. O próprio Nietzsche dizia que “Sem a música, a vida seria um erro.”

Sosígenes Bittencourt

Simplício de Holanda – por José Miranda, jornal O Lidador, 3 de novembro de 1956, editado por Walmar Andrade.

Ninguém na Vitória de Santo Antão da velha guarda desconhece a expressão que teve na vida política da cidade, no Império e na primeira República, os Holanda Cavalcanti.
Família de tradição não só socialmente e não só na esfera da cultura, como também na política. Dela saíram expoentes literários e artísticos, algumas das quais em registros imortais na história da nossa cultura.
Poetas como Olinda Cavalcanti e Agostinho de Holanda. Martha de Holanda, sem deixar rimas, sem nunca ter feito um verso nem mesmo nas suas mais afetivas elocubrações de namorada. Todos conhecemo-la, na sua vida intelectual, autêntica poetisa, pela melodia e ritmo das produções de letras.
Família de tradição na cultura e na política também.
O antigo regime não passou sem o concurso dos Holanta Cavalcanti nos partidos Conservador e Liberal, dois que eram apenas. Atuavam tanto nos pleitos, eleições de vida ou morte como se diz à boca das urnas, quanto nos cargos públicos a cujos desempenhos lhes confiavam os governantes.
Contam-se, ainda com pesar, os tristes acontecimentos eleitorais. Não só da Hecatombe do Rosário, página das mais lúgubres e vergonhas dos anais políticos de Vitória, mas também da eleição para o primeiro prefeito republicano, em que eram candidatos José Xavier de Morais e José de Barros de Andrade Lima. O primeiro vindo das hostes conservadoras e o segundo, do Partido Liberal.
Há nessa história, que cada vitoriense daquele tempo conta a seu bel prazer e lhe dá as tintas de acordo com o seu modo de ver, um bocado de influência de um Holanda Cavalcanti [Alexandre José Maria de Holanda Cavalcanti, avô de Simplício, eleito subprefeito de José de Barros de Andrade Lima em 1892]. Influência orientada, naturalmente, pelo interesse de ser útil à terra, dotando-a do governo que a achava merecer.
A Revolução Dantista, que se operou em Pernambuco em fins de 1911, encontrou a família Holanda Cavalcanti coesa em torno do seu chefe e amigo aqui no município, Antônio de Melo Verçosa [marido de Emiliana de Holanda Leite]. Nenhum deixara o seu posto de honra nas fileiras do marretismo.
Nestor de Holanda [subprefeito de Vitória em 1903] era, nesse tempo, membro da família atuante na vida partidária local. Uma espécie de ponto de apoio. Bem relacionado de maneiras agradáveis, sugestivas, dando-se com todos. Fazia da sua Farmácia Popular um centro de reunião onde se encontravam desapaixonados políticos dessa e daquela facção, desse e daquele lado.
Se Antônio de Melo Verçosa tinha, ali na calçada da farmácia, o tabuleiro de gamão sobre os joelhos, pelas tardes dos dias úteis, não menos acontecia com José de Barros de Andrade Lima.
Enquanto Antônio de Melo Verçosa jogava gamão com Nestor de Holanda ou com qualquer outro político ou comerciante, aperuava (como se costumava dizer) de lado, fumando o seu charutinho, dizendo as suas piadas, as suas humoradas, Simplício de Holanda.
Eu o conheci de perto em 1920. Tinha uma loja na rua do Barateiro, uma loja de fazendas, imprensada entre as oficinas e a redação de O Lidador e o Armazém do Anjo, uma casa de secos e molhados.
Os sábados não lhe pertenciam: os fregueses tomavam-lhe todas as atenções. Nem mesmo a Quintino de Itamatamirim, seu amigo e parente, e com quem fazia política, podia prestar a atenção devida.
Aos domingos, ia à feira de Pombos, onde mascateava. Nos dias úteis, enquanto arrumava as prateleiras, dispunha as amostras e despachava algum freguês que aparecia, fazia política.
O velho comerciante do Barateiro discutia, e com que autoridade!, tanto em rodas na porta de Onofre Teixeira ou Luiz Porto, quanto na porta de Antonio de Mello Verçosa.
Quantas vezes vi-o atravessar a rua da sua loja para a rua da loja Relógio Grande, de seu pai Vicente Maria de Hollanda Cavalcanti, com a boca cheia d’água, de bochechas coculadas.
Era que não lhe convinha falar no momento. Conversador como ele, cheio de conhecimentos das coisas como ninguém, só a boca cheia d’água o salvava das interpelações, dos bisbilhotismos por onde ia passando.
Vitória tem atravessado uma boa porção de crises políticas na república, entre os quais se destaca a de 1926, quando no governo do Estado estava o nosso conterrâneo de saudosa memória José Rufino Bezerra Cavalcanti [Governador de Pernambuco de 1919 a 1923].
No crédito que ao marretismo abriu o governo Manuel Borba, abrindo com o dantismo, quantos dos fiéis à oposição, cansados ou desencantados – os Sebastianistas desagregavam-se da sua resistência de crenças, de esperanças, andavam fora dos apriscos primitivos, ou de princípios!
No pleito municipal de então, o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti não se inclinava a reconhecer o direito do legitimamente eleito. A questão do veredito das urnas fez não só retornar tudo aos seu lugares, como acender, como nunca, os morrões.
Não é possível se ir mais longe, em embirras, em perseguições, em hostilidades.
A cidade passou seis ou sete meses sem iluminação, sem limpeza pública, sem nada. Como sem pagar impostos e nem nada receber o funcionalismo, uma vez que os cofres estavam vazios. Viveu Vitória meio ano à toa.
Dois partidos. Um do governo, do manda quem pode. Outro, o da oposição. E a luta persistia. Com a oposição estava a razão, o direito. Com o poder, a força. E nunca o direito submeter-se-ia à força ante a terra ainda independente, ciosa dessa sua qualidade ante o direito de força.
Um terceiro partido fora criado. E teria ele a virtude de intermediário, de superar as dificuldades de um acordo, ou mesmo de se antepor sobre todos os outros.
Coube a Simplício de Holanda Cavalcanti as bases, os alicerces e vigas mestras do edifício político. Quintino, como vários outros que constituíam uma espécie de dissidência do verçosismo, constituíam o estado maior.
Os arautos da nova entidade rumavam, um dia, ao solar do Governador José Rufino Bezerra Cavalcanti. O governador recebe-os no seu velho bom humor e escuta todos com atenção, senhor das atualidades político-partidárias da terra onde nascera e senhor das manhas dos homens e das coisas.
Caboclo da aldeia, o honrado Governador do Estado, pilheriando, pôs no partido o nome de Retame. Ou batizou-o, já que o partido ainda não tinha ido verdadeiramente à pia para a água benta e os santos óleos.
Retame é no banguê o resíduo ou a borra do açúcar, ou ainda o açúcar de qualidade inferior. Para o novo partido, na sua crítica, nome mais adequado encontrava o experimentado agricultor e político que governava o Estado.
E o Remate, o açúcar melaço, não suporta a umidade. Estava a nova organização político-partidária destinada a desaparecer nas primeiras manifestações do inverno da indiferença.
Fora partido de banguê – parece que o governador vira isso. E daí o nome com que o batizara, ou então tomara-o como restos de outros.
Simplício de Holanda, longe de se molestar, ria-se a bom rir, tanto com o batismo do partido, como pelas humoradas, alegres, do velho conterrâneo, estadista de renome que era!
A Revolução de Trinta não o encontrou mais [Simplício faleceu em 16 de julho de 1926, aos 46 anos, dois anos após a morte de sua esposa Elvira]. A morte arrebatou-o bastante cedo, quando muito esperava, ainda, de sua inteligência, de sua atividade, de sua sabedoria política de homem do interior. A sua Vitória!
Além de comerciante e político, fora jornalista. Na direção de O Lidador esteve dois anos e meses, de 1924 a 1926.
Político na ampla acepção do termo, Simplício de Holanda não deixou substituto ou até agora não teve ainda [os dois filhos, Lamartine e Antão, tinham 16 e 14 anos quando ficaram órfãos de pai e mãe]. Da política de aldeia conhecia-lhe as manhas e artimanhas.]
Edição: Walmar Andrade. 

Amanhã voltaremos à rotina de postagens…..

Devido ao volume de atividades nos últimos dias, vinculados à 3ª Edição da Corrida e Caminhada da Vitoria, “literalmente”, faltou-me “pernas” para atualizar o nosso jornal eletrônico, intitulado Blog de Pilako. Aos que acompanham, diariamente, pedimos a devida compreensão.

A partir de amanhã, terça-feira, voltaremos à rotina de postagens. Nesse contexto, inclusive, registraremos informações adicionais sobre o aludido acontecimento. De partida, já ratifico, assim como nas edições anteriores, foi um sucesso!!!

 

Motoristas, Abanadores e Vassouras, juntos, no Carnaval do Sport!!!

Exibindo a faixa de Bicampeão, encontramos, no domingo (21), por ocasião do “Carnaval do Sport”, uma trinca de amigos,  contentes e alegres.  Ozias Valentim, Silvio Gouveia e Joel Neto, atém de serem autênticos torcedores do Leão da Ilha são, também,  foliões antonenses vinculados (sentimentalmente) aos três grandes clubes carnavalescos da nossa terra. Clube dos Motoristas (Ozias), Clube Abanadores (Silvio) e Clube Vassouras (Joel)……

 

EU TENHO SÉRIOS POEMAS MENTAIS – por Sosigenes Bittencourt.


Vejo poesia em tudo, por isso ando pelo cantinho da calçada.

A diferença entre os efeitos da poesia e a embriaguez é que o poeta conhece o caminho da volta.
A diferença entre o louco e o que fala sozinho é que o louco repete.
A diferença entre o poeta e quem gosta de poesia é que o poeta fuxica a poesia.
A diferença é que os diferentes são sempre a minoria, e a maioria considera-se normal.
O pintor Salvador Dali dizia: A diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco.
Contudo, só há algo igual entre os homens: todos são diferentes.

Sosigenes Bittencourt

Título pernambucano de número 44 – Festa do Sport em Vitória!!!

Comemorando o  título estadual pela quadragésima quarta vez, a torcida antonense do Sport Clube do Recife, no domingo (21), ganhou as ruas para fazer “barulho”.  Ao som de orquestra de frevo, grupo de pagode e trio elétrico, tanto na concentração quantos nas ruas, o clima foi de euforia.

Nossas  lentes registraram a passagem da “festa” pelo Pátio da Matriz. Torcedores de todas as gerações marcaram presença. Registramos, também, o emblemático vibrador rubro-negro “Seu” Manoel da Sorveria Peixe. Parabéns   a todos…..Pelo Sport Tudo!!!

FALECIMENTO DE PROFESSORA REGINA – por Sosígenes Bittencourt.

Estão se esvaindo do mundo as professoras do meu tempo, da Era do Silêncio, da autoridade com gentileza, do elo sentimental entre o mestre e o aluno. Portanto, é movido por este sentimento, que nos despedimos de professora Regina.
A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que temos. Ademais, morreremos. Contudo, uma vez vivos, no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver.
Agora, professora Regina, és detentora de um segredo só a ti revelado. Um dia, foste como nós somos; um dia, seremos como tu és.
Até breve, Requiescat in Pace!
Sosígenes Bittencourt

Professora Regina – minha primeira professora!!!

Através dos grupos de WhatsApp tomei conhecimento do falecimento da Professora Regina. Nos últimos anos, sempre estava “esbarrando” com ela pelo Pátio da Matriz, sobretudo,  logo nas primeiras horas da manhã, por ocasião de nossas respectivas atividades físicas – eu correndo, ela caminhando.

Regina foi a minha primeira professora. Encaminhou-me às primeiras letras. Juntamente como minhas irmãs mais novas – as gêmeas Alzira e Laura – estudei lá, na sua “escola”,  no  início da década de 1970.

Já com os meus 56 anos emplacados, ainda guardo muitas lembranças desse tempo. Recreio no Pátio da Matriz, festas de “São João” da escola,  realizadas  no Clube Abanadores “O Leão”, aulas de catecismo e etc. Tudo isso  disponíveis à consultas,  arquivadas nas pastas da minha  memória.

Há quase dez anos, por ocasião do meu ingresso, na qualidade de acadêmico,   na AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência – em ato religioso, realizado na Igreja  Matriz de Santo Antão, fiz questão de agradece-la  e registrar o momento, dizendo, à época, que se conseguia,  com certa desenvoltura, transmitir meus pensamentos através da escrita, deveria  lembrar que quando adentrei, pela primeira vez, na Escola Externato Sagrado Coração de Jesus,  nem sabia juntar o “B” com “A”.,

Portanto, com pesar, registro o falecimento da professora Regina – minha primeira professora!!!

 

19 de abril: Dia dos Povos Indígenas – por @historia_em_retalhos.

Desde a aprovação da Lei n.° 14.402/2022, não se deve mais utilizar a expressão “Dia do Índio”.

Mas, por quê ?

Isso porque o termo “índio”, além de reforçar um estereótipo de que todos os povos indígenas são iguais, reforça uma ideia de que são seres do passado ou selvagens.

O estereótipo do ‘índio’, em verdade, alimenta a discriminação, que, por sua vez, instiga a violência física e o esbulho de suas terras.

Isso pode parecer mero preciosíssimo ou algo superficial, mas não é.

A expressão indígena, lado outro, que significa ‘originário’, ou ‘nativo de um local específico’, valoriza a diversidade de culturas que há em todos os povos originários das Américas.

Viva o Dia dos Povos Indígenas ou Originários!

Na foto, a obra “Guerreiro Azteca”, de Paulo Costa, talhada em madeira de jaqueira.

Paulo Costa é um artista de Olinda/PE, cujo atelier fica na Rua Prudente de Moraes, no Carmo.
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