MIMOSA PUDICA- por Sosígenes Bittencourt.

Há mulheres que podem ser comparadas a determinadas flores.
Aliás, toda mulher tem algo de flor, algo de espinho.

Por exemplo, quem não conhece uma mulher ultrassensível ou de sensibilidade muito aflorada? Daquelas que se perfumam, querendo ser uma flor, muito frescas e agradáveis, mas precisam ser mimadas.

Embora brotem em qualquer terreno amorosamente cultivado, ficam amuadas com facilidade. Sendo toda “não me toque”, recolhem-se aos aposentos, afundando-se no travesseiro, seu fiel conselheiro.

Pois bem, por causa de um sonho, nesta terça-feira, nada melhor do que ofertar a mulher tão sensível esta bela Dormideira.

Sosígenes Bittencourt

Em 2026 nosso lugar chegará aos 400 anos!!!!

Se levarmos em consideração que o Brasil possui apenas 519 anos, poderíamos dizer que a nossa cidade figura no time das mais antigas do País. Evidentemente que esse papo de “descobrimento” é ultrapassado. A verdade – nua e crua – e que nossas terras foram invadidas pelos  Europeus. O “nó”, por assim dizer, reside em saber, de fato, como os nativos sugiram. Tese, antes aceita como verdade, já foi sepultada.

Pois bem, quanto ao povoamento das terras que hoje chamamos de Vitória de Santo Antão a história é parecida. Os nativos que viviam na faixa litorânea e terras contíguas foram “empurrados” para os sertões. Nesse contexto,  em 1626, surgiu o português Diogo de Braga para, junto com seus familiares, levantarem acampamento  às margens do Rio Tapacurá e fazer surgir a Cidade de Braga que, mais adiante virou Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão, Vila de Santo Antão, Vitória e finalmente – só  a partir de 1943 – Vitória de Santo Antão.

Portanto, em rápidas palavras, logo..logo chegaremos ao ano de 2026. Nele comemoraremos os 400 anos de fundação do nosso lugar. Assim sendo, por oficio, o Instituto Histórico e Geográfico da Vitória já colocou em pauta o assunto. Na qualidade de antonense defensor das boas causas locais e membro da instituição dos mais entusiasmado com o auspicioso acontecimento encontra-se o jornalista João Álvares. Viva o Glorioso Santo Antão!!!

Vitoriense poderá receber Título de Doutor Honoris Causa em Direitos Humanos

Membros da Comissão Permanente da Cidadania em nossa cidade tomaram conhecimento através de fontes fidedignas de que o Conselho de mestres universitários da Faculdade Integrada de Filosofia e Ciências Humanas com sede em São Paulo capital, está analisando documentação do currículo e formação acadêmica de um vitoriense,  pelos relevantes serviços prestados na área de segmento social em defesa de direitos de pessoas excluídas, vulneráveis e injustiçadas.

Extra oficialmente membros da comissão permanente da cidadania em Vitória, tomaram conhecimento que são dois candidatos ao título honorifico, o concorrente filho natural de Vitória, tem mais de 30 anos na área social e eclesiástica, de formação evangélica, sofreu injustiça, todavia todos os segmentos consultados foram unânimes em reconhecer o trabalho abnegado e princípios éticos.

O título é um reconhecimento para pessoas físicas ou jurídicas, que realizaram um trabalho visando o resgate da cidadania com relevância para a humanidade.

A solenidade de entrega poderá ocorrer no plenário da câmara de vereadores, na sede do OAB-Vitória ou na Igreja Evangélica Congregacional. A pessoa homenageada receberá um prêmio a critério do corpo docente da Faculdade.

Assessoria de Imprensa.

Memórias de um Pierrô – por João do Livramento.

Naquele ano meu carnaval

Que maravilha foi tão especial!

Em minha dama

Quanta beleza

Tua nobreza

Em minha mesa

Eu degustei

Teu banquete imperial

Teus sabores

Sem ardores

Tão natural

Naquele ano meu carnaval

Que maravilha teu corpo escultural!

No carnaval

Você tinha a realeza

Mas preferiu

Abraçar minha pobreza

Minha folia Te encantou

E você beijou eu pierrô

Se foi magia minha folia

Tua beleza me contagia

Naquele ano meu carnaval

Que maravilha foi sem igual!

Se esse ano quiser brincar

Tu sabes onde me encontrar!

E mais esse ano meu carnaval

Que maravilha vai ser sensacional!

 

João do Livramento.

Da insatisfação humana – por Sosígenes Bittencourt.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) resumiu o significado do “desapego” como alternativa lógica para os desejos que não podem ser concretizados e causam sofrimento. Como libertar-se da insatisfação, já que somos eternos insatisfeitos. E aponta, principalmente, dois caminhos: O desapego e a arte. Desapegue-se! Sua conclusão filosófica é a seguinte: O homem pode FAZER o que quer, mas não pode QUERER o que quer.

Eu posso dar amor ao meu vizinho, mas não posso querer que ele me ame. Posso matar o meu vizinho, mas não posso querer que a Justiça me absolva. Compreende?

Querer nunca foi poder, senão eu teria tudo que quisesse. “Querer” move ação em busca do objeto desejado. Quem obtém o que quer, mata o desejo. E sai em busca de outro objeto desejado. A obtenção do objeto desejado é consequência, é resultado de ação, nunca resultado de um desejo, nunca resultado de um querer.

Quem ama, não ama com o objetivo de ser amado, ama simplesmente. O amor, como consequência, é resultado. Tanto que há quem odeie sem o objetivo de ser odiado, odeie por odiar. Agora, quem semeia amor, não gera expectativa de colher ódio, e quem semeia ódio, não gera expectativa de colher amor. Quem espera carinho sem dar carinho, corre mais o risco de ficar sozinho.

Sosígenes Bittencourt

Santa Cruz do Capibaribe também é um pedacinho de Brasil…….

No início da semana eventos trágicos de violência colocou a cidade de Santa Cruz do Capibaribe  no centro do debate na nossa região. Um assalto provocou um rastro de sangue e cenas medievais. No conjunto, segundo informações, tivemos o seguinte  saldo negativo:  um policial morto, outro ferido e oito bandidos mortos.

Esse debate não simples. De maneira geral a população está cansada de tanta violência. O problema também não é localizado. O Brasil, nessa questão, como um todo, é uma “bomba chiando”.  No fato aludido vídeos evidenciam que a população foi para rua aplaudir a polícia. Menos mal……Complicado é quando a população se solidariza com os bandidos. No entanto, não devemos esquecer  que, aqui e acolá, a polícia também comete  seus desvios e pecados.

Sem o envolvimento emocional, natural para os que de certa forma participaram diretamente da referida tragédia, fatos e cenas como essas deveriam nos oportunizar um profundo processo de reflexão. Por assim dizer, gostaria, nesse momento, de diferenciar aquilo que entendemos por justiça do termo vingança.

Definição:

“A diferença entre justiça e vingança: mesmo quando pune, a justiça age sob o princípio da humanidade, respeitando os valores fundamentais do ser humano e dá ao culpado aquilo que ele merece de acordo com a lei, enquanto a vingança possui objetivos destrutivos e quer apenas que o outro sofra em proporção igual ou maior”.

Portanto, arrisco-me a dizer que a melhor solução para os problemas dessa natureza ainda estão na sua raiz. Tratar das consequências, na maioria das vezes, é muito mais sofrível e pouco eficiente. Como nação, somos pobres, muito pobre mesmo! Se estivermos no caminho certo, teremos um século pela frente para melhorarmos………..

Nestor de Holanda Cavalcanti Neto – por Pedro Ferrer.

Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: “Sossego, rua da revolução”.

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, “A ignorância ao alcance de todos”, vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: “Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo”.

Recomendo ao leitor seu livro “O decúbito da mulher morta”. História ocorrida na nossa cidade.

Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ““Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais “cariocas” dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em “São os do Norte que vêm”. O carioquíssimo “Sargento Iolando” jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida.”

Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico da Vitória. 

 

Momento Cultural: PARABÉNS AOS PEDREIROS – por Severina Moura.

Aos pedreiros construtores do progresso
Que debaixo de sol e chuvas vão
Ao trabalho da obra do universo
Para ganhar cada dia o seu pão
Pão dos filhos, da esposa, da família
Que alegres o recebem em união.

Suas mãos calejadas pela pá
Construindo ângulos e paralelas
Dos esquadros as perpendiculares
Retas, curvas e inclinadas.
Dos transferidores sem mazelas.
Calculando volumes matemáticos
Das portas, áreas e janelas.

Esses homens que nem sabem quanto valem
Seus serviços, se bem feitos valem ouro
Se uma aresta não for bem construída
É um desastre, no final um desadoro
E o dono da obra sai perdendo,
Dinheiro, sossego e decoro.

Parabéns a vocês, caros pedreiros,
Que para o dono fazem essa construção
Se orgulhem de tudo o que fazem
Com dosagem certa, e com paixão
Quem ama o que faz, não se arrepende
Porque Deus lhe dá sempre proteção.

Profª Severina Andrade de Moura, nasceu em Vitória de Santo Antão. Foram seus pais: José Elias dos Santos e Doralice Andrade dos Santos. Viúva de Severino Gonçalves de Moura, com quem se casou em 1962. Fez o curso Pedagógico no Colégio N. S. da Graça. Lecionou em Glória do Goitá e Carpina. Concluiu Licenciatura Plena em Letras em Caruaru (1976). Pós-graduação em Língua Portuguesa na Univ. Católica (1982). Ensinou em várias escolas estaduais e municipais na Vitória e ensina atualmente na Escola Agrotécnica e na Faculdade de Formação da Vitória de Santo Antão. Poetisa por vocação. Colabora na imprensa local.

Introjeção de norma e castigo – por Sosígenes Bittencourt.

Antigamente, a juíza da infância e da adolescência era a mãe. Isso foi no tempo da palmatória. Escreveu, não leu, o pau comeu. Embora ninguém questionasse o valor da chinelada na educação doméstica, não me lembro de criança castigada com injeção letal.

A criança precisa entender que está sendo castigada porque descumpriu normas que precisam ser introjetadas, regras que precisam ser aprendidas, não por irritação, autoritarismo ou abuso da força paterna. Ninguém bate em criança por amor à criança, bate com raiva da criança. Ninguém mata um estuprador por amor ao estuprado, mas por ódio do estuprador.

Introjetamos normas com medo do castigo, mas isso não credita a todo castigo a melhor forma de promover a introjeção da norma.

A criança precisa entender o motivo pelo qual está sendo castigada, não pode concluir que está sendo castigada pelo ódio dos pais, pelo capricho dos pais, pela força maior dos pais. Isto seria como treiná-las para odiar.

Sosígenes Bittencourt

Momento FAMAM – Faculdade Macêdo de Amorim.

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