MÃE, MISSA E BIRIBIRI – por Sosígenes Bittencourt.

Mãe é uma invenção de Deus. Até quem não acredita num Ser Superior, fica desconfiado. Pode-se até analisar o caráter de um ser humano, pela maneira como trata sua mãe.

Apesar de minha genitora ser evangélica desde que veio ao mundo, fui convidado por dois católicos, no Dia das Mães, para assistir a uma missa em latim, ali no Recife. Igreja antiga, cheirando ao tempo, padre entoando latim, discurso sobre a intermediação da palavra no encontro do homem com Deus. Muito bonito. Uma hora inesquecível, um evento memorável. Principalmente, para mim, uma ovelha desacostumada a visitar a Domus Dei e ajoelhar-se para agradecer. Geralmente, nesses êxtases, o homem chora.

A viagem foi um Café Filosófico. Danei-me a falar, citando a mitologia grega, contando histórias de divindades pagãs, entusiasmado com a sabedoria dos pensadores clássicos. Discorri até sobre o Destino, o Acaso e a Ação do Homem. Talvez, um antropocentrismo meio descabido para o momento, mas um exercício mental louvabilíssimo num universo de tanta asneira e falta de reflexão em que vivemos.

Depois, demos um saltinho lá no Bairro da Torre para visitar um padre, mas não o encontramos. Conhecemos, no entanto, um cidadão que mora pertinho da Igreja, que atende pelo nome de Luiz Anselmo. Aos 65 anos, dizendo-se filho de uma senhora com 100 de idade, anda mais ligeiro do que um menino treloso. Bom de conversa e vaidoso pela longevidade de seus familiares, nos apresentou uma frutinha cítrica, de uns 5 a 8 centímetros, creditando à mesma benefícios fitoterápicos. Diz que é biribiri. Curioso e enxerido, botei pra falar o que pensava. Quando soube que o mimo da natureza tirava ferrugem de roupa, fui logo dizendo que era antioxidante, continha vitamina C e combatia os Radicais Livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce e doenças degenerativas. Tem jeito?

Dominus Vobiscum!

Bendito abraço!

Sosígenes Bittencourt

4ª Festa da Saudade: vídeo oficial do evento dançante mais badalado da cidade!!

Sempre que possível devemos registrar, nas mais diversas plataformas, os acontecimentos sociais marcantes. Independente de qualquer coisa, parte da  história da nossa cidade, indiscutivelmente, passou pelos salões dos clubes daqui. Muitos encontros e demonstrações públicas de poder se fizeram presentes nos tradicionais bailes antonenses.

Sob o olhar mais festivo e arejado, confeccionamos mais um vídeo oficial para marcar a 4ª Festa da Saudade, ocorrida no último dia 24 de agosto, no Clube Abanadores “ O Leão”. Nessa ocasião, por assim dizer, reunimos pessoas das mais variadas, mas que possuem em comum o espírito festivo e o bom gosto musical – coluna vertebral do evento aludido.

Assim sendo, abaixo, segue o vídeo oficial da 4ª Festa da Saudade que retrata em “alto e bom som” e nitidez de imagem o agradável clima que desenrolou o evento dançante mais esperado e badalado do nosso torrão. Aproveito, também,  para anunciar a data do próximo evento: 5ª Festa da Saudade – dia 22 de agosto de 2020 – no “Leão” com a Orquestra Super Oara. AGENDE A DATA!!!

O DNA antonense na Fábrica Tacaruna – por Pedro Ferrer

Quem vai a caminho de Olinda pela avenida Agamenon Magalhães passa forçosamente entre o Shopping Center Tacaruna e um velho prédio soberbo e majestoso que conserva uma chaminé de 75 metros de altura. Naquele prédio abandonado funcionou a antiga Usina Beltrão. A Usina Beltrão, instalada em 21 de julho de 1890, era a mais moderna refinaria de açúcar da América do Sul: COMPANHIA INDUSTRIAL AÇUCAREIRA.

Dificuldades econômicas insuperáveis, consequências da grave crise econômica somadas à má vontade do governo estadual levaram os BELTRÃO a vender todo seu acervo que foi adquirido pelo grande industrial Delmiro Gouveia. Vítima de perseguição política o empresário Delmiro Gouveia não conseguiu reativar e tocar a Usina Beltrão. A usina permaneceu inativa de 1897 a 1924. Em 1925 foi adquirida pelo Grupo Menezes que nela instalou uma fábrica de tecidos administrada pela COMPANHIA MANUFACTORA DE TECIDOS DO NORTE e ficou conhecida como FÁBRICA TACARUNA.

Voltemos ao início da nossa descrição. A USINA BELTRÃO foi fundada e construída por dois antonenses, dr. Pedro da Cunha Beltrão e dr. Antônio Carlos de Arruda Beltrão. Aquele nascido no Engenho Conceição em 5 de julho de 1849; este no Engenho Bento Velho no dia 3 de novembro de 1855. Descendentes de família canavieira. Na sequência publicaremos as biografias desses dois ilustres empreendedores antonenses.

Fica aqui uma observação. Quem entra pela alameda principal do Cemitério São Sebastião observará, antes de chegar à Capela, um mausoléu em forma de pirâmide. Nele se encontram os restos mortais do dr. Pedro da Cunha Beltrão.

Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico da Vitória. 

Momento Cultural: PARA MINHA NETINHA – Por Diva Holanda.

Plim Plim! Parece conto de fadas
ou mesmo boato infundado
mas, o que é fato é verdade
e não pode ser contestado:

Diva vai ser vovó
ela que parecia querer
ver em Mano um menino
de repente o viu crescer.

Cresceu deu nova vida
a quem não foi programada
mas que será com certeza
das filhas a mais amada.

Nascendo em tempo tão ruim
onde não se tem esperança,
estou apostando em você
minha doce e terna criança.

De você vou ser vovó
de fadas vou lhe falar
vou cantar mesmo sem voz
lindas canções de ninar.

E a vovó que daria
bolões de feijão e amor,
que hoje é da guarda
você vai levar uma flor.

E no seu mundo encantado
com baleias navegando,
sem guerra e sem fuzis
você vai crescendo pesando:

Que Drumond não morreu nunca
Que Deus é bom e perdoa,
Que a vida já é história
De um pensamento que voa.

Dra. Diva de Holanda Bastos

Recordar é Viver: No tempo de eu menino – por Sosígenes Bittencourt.

Dentre as figuras lendárias e bizarras das quais tive notícias e algumas conheci, em Vitória de Santo Antão, espero que alguém relembre MÃO DE ONÇA, CAFINFIM, PAPA-RAMA, DIDI DA BICICLETA, BIU LAXIXA E O CORCUNDA ANÍBAL.

Mané Capão, sem menosprezo ao animal, era todinho um macaco. Haja vista que andava de pernas arqueadas, pendendo para os lados, erguendo a cabeça e fazendo bico com a beiçola. Às vaias e insultos que recebia, respondia na pedrada. Não é preciso dizer que lascou cabeça de gente, estilhaçou vidraças e botou muito sujeito pra correr. Recordemo-lo. Penso que quem o insultava era pior do que ele.

Mão de Onça nunca deu um soco num atrevido para não vê-lo estatelado no chão. Papa-rama brigava com 4, na braçada. Parecia um viking. Didi da Bicicleta tinha o corpo fechado, porque a caixa dos peitos era rendada de tiros sem ter baixado à sepultura. Cafinfim dava óleo queimado para os presos beberem, e Biu Laxixa era tão doido que, quando corria na frente, ninguém corria atrás. E ainda tinha Ferro, um negão que dava beliscão em menino.

Não sei quem se lembra, mas eu conheci a figura cinematográfica do corcunda Aníbal. Andava pelas ruas resmungando e exalando um nauseante aroma de pão e banana, como se fosse um personagem de filme de terror. Aníbal tinha o hábito de apalpar o seio das mulheres, o que o tornava mais apavorante. Não sei do que morreu nem exatamente quando, o que lhe empresta uma feição misteriosa e hugoana, à la O Corcunda de Notre Dame.

Sosígenes Bittencourt

Eleições 2020: a maioria dos partidos em Vitória estão “desmantelados”!!!

Em reunião de trabalho com o amigo contador Manoel Neto, recentemente ocorrida,  após sua conclusão, seguimos conversando sobre o cenário político. Vale salientar que amigo Manoel é um dos profissionais mais gabaritados da nossa cidade quando o assunto é prestação de contas eleitoral.

Disse- se ele espantado: “Pilako, se a eleição municipal acontecesse no próximo domingo,  só existira dois partidos aptos. O resto tem algum tipo de problema na justiça eleitoral”.

Sem dizer o nome, contou-me que, em função da indevida prestação de conta de um diretório local, a conta bancária de um conhecido político local fora bloqueada pela justiça. Só liberada, após o devido ajuste.

Como sou um curioso na matéria – política – resolvi fazer uma rápida pesquisa no Site do TRE. Tudo que ele me falou se configura como urgente. A expressiva maioria dos diretórios locais Tem alguma pendência a Justiça Eleitoral.

Tem muita gente na nossa cidade pensando em se filiar para ser candidato no próximo pleito. Como sugestão e até conselho, realço que antes mesmo de se filiar a algum partido o pretenso candidato pergunte ao seu “líder” político como “andam as prestações de contas da referida agremiação partidária?”

É bem verdade que há tempo. Também é verdade que os prazos na Justiça Eleitoral são mais céleres e cruéis, até porque o calendário da mesma é inelástico. Portando, para os que necessitam de uma gestão profissional e competente, no que se refere à contabilidade de partido político, na nossa cidade, não conheço ninguém mais inteirado com as novas regras do que o amigo Manoel Neto.

Obs: segue o seu contato (zap) – 9.9311.7178.

Bacurau, filme nacional no shopping de Vitória – por André Carvalho.

Cuidado, tem spoiler.

Estreou o filme Bacurau, de Kleber Mendonça, aqui em Vitória. Para quem está acostumado a ver filmes nacionais, Bacurau é bem diferente: ele mescla cenas de faroeste, do cangaço, de humor, de romance, de ação e até de horror.

O filme se passa num futuro distópico, na cidade sertaneja de Bacurau. Uma cidade imaginária que nem existe no mapa.

Ali um esquadrão de assassinos resolve jogar um jogo sinistro: assassinar, sadicamente, os moradores da cidade. Mas mal sabem eles que aquela gente descende do cangaço, acostumada com as intempéries da vida, com a morte e com a violência. Quer dizer, a vida pacata e moderada dos habitantes daquele lugar esconde a violência brutal de que são capazes, quando se sentem ameaçados. O contraste entre um homem simples e sossegado, porém potencialmente violento, está presente na literatura de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

Kleber Mendonça não economiza nas cenas de horror. Cenas às vezes tão bizarras que o público é capaz de rir. É o caso, por exemplo, do personagem Lunga: uma mistura sangrenta de rambo com Bruce Lee.

O filme tem uma camada mais densa: a invasão dos produtos importados, da tecnologia, na vida do sertanejo. Ali, nesse futuro distópico, convivem paredões de som com cavalos, drones com roupas da sulanca, tablets e Internet com a terra seca do sertão. Mas apesar da invasão desses produtos importados, apesar de toda essa informação globalizada, a vida daqueles sertanejos não se transforma na vida insossa e insensível das grandes metrópoles. Ao contrário, o coração de Bacurau ainda pulsa. Tudo se passa como se o sertão, ameaçado de virar mar, faz o oposto: devora o mar e mostra ao mundo que o mar é que deve temer o sertão.

No filme tem muito mais. Difícil contar todos detalhes. Mas a cena mais emblemática, que atraiu muitos risos, mas que carrega uma mensagem importante, é a cena em que uma das assassinas pergunta a um menino: “quem nasce em Bacurau é o quê?”. Ao que o menino responde: “gente”.  Assistam Bacurau.

André Carvalho

Desfile de 7 de setembro: atenção ex-atiradores do Tiro de Guerra!!

Hoje pela manhã, recebi um telefonema do “eterno instrutor” do nosso Tiro de Guerra, Major Eudes. Informando-me e, ao mesmo tempo,  solicitando que avisasse, através do nosso jornal eletrônico,  aos ex-atiradores que irá acontecer o desfile – em carro – do pelotão dos mesmos. Assim sendo, aos interessados, favor entrar em contato com ele.

Momento Cultural: MEUS AMIGOS – Heitor Luiz Carneiro Acioli.

Meus amigos, pessoas que me confortam e me levam para um lugar melhor. Amigos são pessoas que considero como irmãos. Amigo é aquela pessoa que podemos contar nossos problemas sem nos preocuparmos. O único ponto negativo é que um dia os amigos se separam. Meu desejo, não, meu pedido, melhor falando, é que sejamos amigos para sempre.

(Meu jeito em Versos e Prosas – Heitor Luiz Carneiro Acioli – pág. 02).

Introjeção de norma e castigo – por Sosígenes Bittencourt.

Antigamente, a juíza da infância e da adolescência era a mãe. Isso foi no tempo da palmatória. Escreveu, não leu, o pau comeu. Embora ninguém questionasse o valor da chinelada na educação doméstica, não me lembro de criança castigada com injeção letal.

A criança precisa entender que está sendo castigada porque descumpriu normas que precisam ser introjetadas, regras que precisam ser aprendidas, não por irritação, autoritarismo ou abuso da força paterna. Ninguém bate em criança por amor à criança, bate com raiva da criança. Ninguém mata um estuprador por amor ao estuprado, mas por ódio do estuprador.

Introjetamos normas com medo do castigo, mas isso não credita a todo castigo a melhor forma de promover a introjeção da norma.

A criança precisa entender o motivo pelo qual está sendo castigada, não pode concluir que está sendo castigada pelo ódio dos pais, pelo capricho dos pais, pela força maior dos pais. Isto seria como treiná-las para odiar.

Sosígenes Bittencourt