4ª Festa da Saudade: SUCESSO TOTAL!!

Com as graças de Deus e a proteção do Glorioso Santo Antão a 4ª Festa da Saudade transcorreu dentro do desenho imaginado. Mesmo sem combinar com as pessoas a animação e a coreografia dos dançantes também estavam no conjunto da ópera. É bom que se diga: não se constrói um evento marcante da noite para o dia,  muito menos sozinho.

Alem do bom repertório musical ( executado com maestria pela Orquestra Super Oara )  e de toda uma estrutura pensada, a Festa da Saudade também favorece o reencontro de pessoas diferentes entre si, mas que convergem no mesmo sentido quando o assunto  refere-se  ao entretenimento dançante.

Do semblante das pessoas saltavam  satisfação e alegria –  facilmente decodificada pelos condutores do evento.   Assim sendo, após uns noventa dias de intenso vai e vem, contatos, idas e vindas  renovo a certeza de que esse modelo de festa,  nas terras desbravadas pelo português Digo de Braga, ainda tem muito gás para queimar. Para tanto, bastar calibrar e ajustar a combustão…..Mais uma vez, obrigado a todos que deixaram suas residências na direção do Clube Abanadores “O Leão”, na noite do sábado, dos dia 24 de Agosto de 2019. Ano que vem tem mais!!!

As muitas saudades da Festa da Saudade- por Raphael Oliveira

Como eu posso sentir nostalgia (saudades) de algo que eu não tenho idade para ter vivido? Essa pergunta ficou ecoando na minha cabeça, desde o momento em que eu coloquei o pé dentro da sede do Clube Abanadores O Leão, onde aconteceu a 4° Festa da Saudade, e eu acredito que Saudade é o nome mais apropriado para tudo aquilo que aconteceu dentro daquele lugar, naquela agradável noite de sábado (24), onde o objetivo final daquele evento foi, acima de tudo, o reencontro, com amigos e principalmente com as memórias.

Quando vamos à uma festa como essa, na verdade estamos adentrando numa espécie de máquina do tempo, nos olhos daquelas pessoas que estavam chegando ao Leão, estavam estampados os grandes bailes do passado, que aconteciam na Gamela de Ouro, na Toca do Coqueiro, no Clube dos Motoristas, onde não tinha problema nenhum se precisasse voltar para casa altas horas da madrugada, caminhando pelas ruas da cidade de mãos dadas com a “paquera” que tinha conhecido naquela noite.

Eu tenho essas memórias, baseadas em histórias contadas por meu pai, por minha minha mãe e que ali naquela noite, estavam sendo materializadas diante dos meus olhos, o clima ajudou bastante, o local também, imaginei quantos e quantos bailes aconteceram naquele espaço na década de sessenta e setenta, bailes estes regados a Renato e seus Blue Caps e The Fevers, imagino My Mistake dos Pholhas tocando no sistema de som, com vários Fuscas estacionados do lado de fora esperando a hora de levar o “broto” pra casa.

Ao entrar na festa já fui recebido por Have You Ever Seen The Rain, de Creedence Clearwater Revival, sendo interpretada pela nostálgica Made in Recife, banda que veio da
capital Pernambucana, para abrir os trabalhos naquela noite. Com um repertório calibrado, a banda tocou vários sucessos nacionais e internacionais das décadas de 70 e 80, eles já são velhos conhecidos do público Vitoriense, faziam apresentações mais intimistas na saudosa Varanda do Tadeu, mas na Festa da Saudade, mostraram toda a pompa de uma banda que já faz parte história da cidade apesar de não serem daqui como o próprio nome do grupo sugere.

Logo após o ótimo show de abertura, veio a grande atração da noite, a Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, ou Orquestra Super OARA, liderada por Elaque Amaral e fundada em 1958 pelo pai, “seu” Beto. O grupo de Arcoverde é a segunda banda de baile mais antiga em atividade no Brasil, perdendo apenas para a Filarmônica Tabajara do Rio de Janeiro, e toda essa história e experiência são refletidas no palco, o início do show é um acontecimento a parte, o naipe de metais dando força ao arranjo da música, a percussão dando a cadência, e o piano de Elaque completando a harmonia. Mesmo no início do show, ao som dos primeiros acordes, o salão já ficou cheio, num set afiadíssimo de boleros que iniciou os trabalhos da noite, assim a máquina do tempo da Festa da Saudade trabalhou na sua potência máxima e se manteve assim durante toda a noite, embalando casais das mais diversas idades que rodopiavam o salão, inebriados pela força da nostalgia de cada canção executada.

Cristiano Pilako mais uma vez cumpre o seu papel de um resgate histórico de outros tempos que cada vez ficam mais distantes, mas enquanto houver pessoas apaixonadas pelo passado, e que tem o prazer de ouvir a boa música, a chama da Festa da Saudade se manterá acesa, e o sucesso desse grande baile, cada vez mais agigantado,  ano após ano, apenas comprova isso.

Raphael Oliveira 

Fim de Semana Cultural: SONETO DO DESEJO (Poema) – por Luciene Freitas

E foi observando em um espelho alheio
Que vi a imagem, desejada, que não tive.
Busquei por tantas eras consolo, esteio,
Equilíbrio para uma alma, em declive.
Vi naquela figura de santa, tão formosa
Olhos ternos, profundos, infinitos de doçura.
Dos meus vazios o medo, da vida desditosa
O fim, em fortaleza de travas tão seguras.
A mulher ausente, o desconsolado pranto
O desespero, nas noites de busca, traduz
Eu era sombra sussurrando amor, tanto!
Firmes passos, compassados, me induz
A rever a figura, recoberta por um manto,
Esboço difuso, desmanchando-se na luz!

Luciene Freitas é Escritora vitoriense, autora de dezenas de livros,
entre adultos e infantis.

Para refletir – por Sosígenes Bittencourt.

Caso nossa maior necessidade fosse informação,
Deus nos teria enviado um educador.
Se nossa maior necessidade fosse tecnologia,
Deus teria nos enviado um cientista.
Se nossa necessidade fosse dinheiro,
Deus teria nos enviado um economista.
Mas, uma vez que nossa maior necessidade era o perdão,
Deus nos enviou o Salvador.

Max Lucado

Sosígenes Bittencourt. 

Antão Bibiano da Silva – por Pedro Ferrer

Aproveitando a sugestão do internauta Antônio Maciel, vai aí uma das personalidades vitorienses que integrará nosso próximo livro: “Construtores da Vitória de Santo Antão”.

Antão Bibiano da Silva, filho de José  Francisco da Silva e de Josefa Paraguassu, natural da Vitória de Santo Antão, veio ao mundo no dia 8 de março de 1889. Ainda pequeno, já confeccionava bonecos de barros e talhava na madeira. Eram os primeiros sinais dos dotes artísticos do grande escultor vitoriense reconhecido nacionalmente. Bem cedo, por interferência do seu padrinho, o tabelião local, Leobardo Carvalho, mudou-se para o Recife. Seguiu depois para o Rio de Janeiro onde cursou a Escola Nacional de Belas Artes. Mas Bibiano não esquecia Pernambuco. No ano de 1917 voltou ao Recife para se casar com Lygia Francisca da Silva, linda mulher que se tornou sua parceira  e inspiração. Na ocasião fixou residência na rua do Lima, bairro de Santo Amaro, onde nasceu Letícia, sua única filha. Em 1922 participou de um concurso em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, obtendo o quarto lugar, o que lhe valeu um prêmio de cinquenta contos de réis. Com esta importância viajou, acompanhado da mulher e filha, para o Rio de Janeiro onde permaneceu por um ano. Mas suas raízes estavam no Recife para onde regressou, vindo a se estabelecer na rua do Hospício, bairro da Boa Vista. Seu atelier, que era bem decorado com móveis finos e cortinas em veludo vermelho, era um ponto de atração na cidade. No dia 29 de março de 1932, reunido com um grupo de artistas locais, entre os quais Baltazar da Câmara, Murilo La Greca, Heitor Maia Filho e Henrique Elliot, resolveram fundar a escola de Belas Artes de Pernambuco. Bibiano foi escolhido para ser seu diretor. Logo após, por razões  profissionais, foi residir no Rio de Janeiro,  lá permanecendo até 1936. No ano seguinte, 1937, voltou ao Rio de Janeiro. Nessa ocasião a permanência foi bem mais longa. Apesar da boa situação financeira e do prestígio que desfrutava na Capital Federal resolveu, no ano de 1950, retornar ao Recife. Aqui chegando assumiu uma cadeira na Escola de Belas Artes da UFPE. Suas criações encontram-se espalhadas em diversas cidades brasileiras. Na Vitória de Santo Antão temos a oportunidade de ver algumas delas: o Leão Coroado, na praça da Estação; o busto de Antônio Dias Cardoso localizado na praça 3 de Agosto; o busto de Antão Borges na avenida Silva Jardim; o busto de Melo Verçosa, no Alto do Reservatório; o busto de Duque de Caxias, na praça do mesmo nome. Muitos outros trabalhos foram criados por Antão Bibiano Silva, com destaque para as esculturas que decoram o alto da fachada do Tribunal de Justiça, da capital pernambucana; o busto de José Mariano, no Poço da Panela, em Casa Forte-Recife; busto de Getúlio Vargas (Salão Nacional, RJ); busto de Eládio de Barros Carvalho (Náutico); estátua de D. Malan (Petrolina); busto de João Fernandes Vieira (Várzea-Recife); busto do escritor José Condé (Caruaru).

Pedro Ferrer

Direitos Humanos participa de reunião com empresários dos transportes urbanos.

Empresários dos transportes urbanos na grande Vitória, participaram no dia 21/08/19 às 10:00h no Plenário da Câmara de Vereadores de uma reunião com diretores do Escritório Vitoriense de Direitos Humanos para uma explanação da Lei Municipal 4.357/2019, que regularizou a padronização nas cadeiras reservadas aos idosos e pessoas com deficiência.

A Dra. Joseneide, presidente do Escritório de DH, esteve acompanhada dos diretores Wilson Brito, Ouvidor, Dr. Aloisio Jorge, Departamento Jurídico, Sr. Alexandre Rogério, da Advisa, atendendo convite do Vereador Lourinaldo Júnior, autor do Projeto de Lei.

A maior dificuldade dos empresários do setor de transportes é a questão da acessibilidade e mobilidade para pessoas com deficiência, quanto aos idosos, e gestantes houve um trabalho educativo com fiscalização e palestras e cerca de 80% da frota de ônibus, fez as adaptações nos acentos prioritários. A equipe dos Direitos Humanos trabalha em parcerias com alguns vereadores, secretarias da prefeitura da Vitória, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e Ministério Público estadual.

A Dra. Joseneide Adriana respondeu muitas perguntas, na sua explanação reconheceu o exitoso  trabalho junto aos empresários das empresas de transportes, da população composta de usuários que elogiam e aplaudem o esforço compartilhado, com o Governo Municipal, Estadual e Organizações não Governamentais.

Assessoria.

Momento Cultural: Exaltação – por ALBERTINA MACIEL DE LAGOS.

À grandeza simples de um Soldado Imortal. Dedicado, ainda, aos meus ex-alunos convocados para as fileiras do nosso glorioso Exército Nacional através do seu estágio no Tiro de Guerra local.

Ante o mundo triste, ameaçado
pela guerra – terrível apreensão!
O Brasil, olhando o seu Passado
Ressalta de Caxias, a ação,

o valor, que em São Paulo é provado,
Minas, Uruguai e Maranhão,
Rio Grande do Sul, e, confirmado,
no Paraguai em dura repressão!

Ó Glória do Exército Brasileiro!
– Caxias, és o intrépido guerreiro
de Itororó, Valentinas, Avaí…

Deste exemplo, ó mocidade escuta
a voz a te dizer: – “Trabalha e luta
pela Pátria que tanto enalteci!”

(SILENTE QUIETUDE – ALBERTINA MACIEL DE LAGOS – pág. 33).

4ª Festa da Saudade: mesas e camarotes esgotados!!!

No próximo sábado, dia 24 de agosto, nos salões do Clube Abanadores “ O Leão”, a sociedade antonense tem encontro marcado com a boa música  sob o véu da nostalgia dos grandes bailes de outrora. Como molho musical principal, a inconfundível Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos – Super Oara.

Para o evento aludido todas as mesas e camarotes  – no limite da boa mobilidade –  foram reservados pelos bons festeiros e dançarinos da nossa cidade e também das cidades circunvizinhas, mostrando assim que a animação está garantida. Aproveito, desde já, para agradecer a todos pela confiança e atenção. Vamos pra festa, dançar e se divertir!!!

Burle Marx, a pintura e o despertar de uma paixão – por Marcus Prado.

Muito já foi escrito por especialistas brasileiros e de outros países sobre o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1904), filho de Wilhelm Marx, judeu alemão, nascido em Stuttgart e criado em Tréveri, e de Cecília Burle Dubeux, uma recifense de Apipucos, de ascendência francesa. Agosto é o mês das celebrações de aniversário (dia 4 de agosto) desse vulto central da gênese do jardim moderno. Todos já disseram que ele foi o mais influente e respeitado paisagista do século em que viveu, que sua obra pode ser encontrada ao redor de todo o mundo, uma referência até hoje inultrapassável na condição, raríssima, de paisagista de muitos saberes e criatividade. Entretanto, poucos ampliaram estudos e pesquisas sobre o Burle Marx escultor, desenhista, tapeceiro, designer de joias, músico e ceramista.

Foi nas visitas que fiz ao sítio Santo Antônio da Bica, em Guaratiba (Rio de Janeiro), lugar de plantios, pesquisas e experimentos com espécimes vegetais, templo de arte e buscas de novas formas de criação estética, que tive a oportunidade de conhecer e fotografar, demoradamente, o que de valor inestimável o genial artista nos legou no campo da pintura. Todas as peças do acervo permanente estavam expostas diante de mim, dando-me a impressão de que havia uma ligação estilística entre a pintura e o paisagista. Crescendo o meu interesse por esse lado da estética burlermaxiana tive um encontro, que durou mais de duas horas, para mim enriquecedor, além de inesquecível, com um dos amigos mais próximos de Burle Marx: o saudoso Acácio Gil Borsoi. Para ser preciso, na torre cimeira de sua casa olindense de Nossa Senhora do Amparo..

O interesse de minha conversa com Acácio, ele já sabia, era sobre Burle Marx pintor e suas habilidades polivalentes. Acácio me falou sobre a linguagem notoriamente orgânica e evolutiva de Burle Marx, sobre a sua arte como pintor, identificada com as vanguardas artísticas. Sem esquecer o concretismo, “tão presente na sua pintura”. Sabe-se que Roberto passou uma temporada na Alemanha, levado por seus pais, a partir de 1928. Seus biógrafos, até os seus colaboradores mais próximos, faltam dizer algo mais sobre a sua grande vocação para a pintura, antes de abraçar o paisagismo. Isso se deu em Berlim, incentivado por uma bela professorinha alemã, Erna Busse, que ficaria apaixonada pelo jovem aluno brasileiro desde a primeira troca de olhar. Erna era budista e possuidora de uma inteligência rara.

Ela via no jovem Roberto a reencarnação do seu falecido noivo, morto na Guerra. A partir do primeiro encontro houve uma dedicação afetiva, da parte de Erna, de tamanha magnitude e entrega, que poderia ser tema de um grande romance ou de um filme. Juntos visitavam, quase diariamente, os teatros, os museus, as exposições de Manet, Mondriand, Monet, Renoir, Picasso, Paul Klee, Matisse, o que havia de melhor dos expressionistas, a pintura pré-cubista, os quadrados, triângulos, círculos e cubista de Cézanne, as fraturas trazidas do cubismo, a construtibilidade lírica dos seus traços, Picasso, Léger, Gris, Lhote, Braque (este, que se tornaria uma das suas paixões no campo da pintura). Numa das tardes berlinenses de muita neve que, entretanto, acontecera, foram ao ateliê de pintura de Degner Klemn. Burle Marx tornou-se aluno dele. Quando nada acontecia saíam, juntos, nas horas de ensolarada quietude, colhendo violetas nos jardins da cidade. Numa dessas visitas, Roberto Burle Marx receberia o impacto do Jardim Botânico de Dahlen. Aí, começa outra história, a mais bela e rica experimentada por um gênio do paisagismo.

   Marcus Prado – jornalista