História da fundação da agremiação carnavalesca “A TURMA DA CALCINHA”.

Criado na década de 80, precisamente em 1983, num dia sábado, uma semana antes do “Sábado de Zé Pereira”, uma turma de amigos que trabalhava no comercio, indústria, colégio e bancos, tais como: H. Morais, Aliança de Ouro, Mizura, Casas Pernambucanas, Pitú, Bradesco, Banorte e Banco do Brasil, em uma brincadeira,  debaixo de um “Pé de Fícus”, localizado  na Trav. São Vicente,  no bairro do Cajá, inaugurava a Barraca do AMARAL – saudosa memória.

Inauguração essa  que  recebeu a  contribuição de todos. Minha participação foi a doação do tira gosto, uma caldeirada de 100 guaiamuns de cocô, outros com bebidas etc.

Pois bem, na noite anterior (sexta)  alguns integrantes da comemoração haviam passado a noite no baixo meretrício e subtraíndo algumas calcinhas das profissionais do sexo que ali trabalhavam. Depois de umas e outras, alguns componentes, já calibrados, resolveram  pendura as calcinhas,  furtadas,  no pé de fícus.

Aquela cena despertou curiosidade em algumas pessoas que por ali passavam, principalmente quem gostava de toma “água que passarinho não bebe”. Compramos alguns  sacos de maizena e farinha de trigo e começamos o tradicional  mela-mela. Foi um dia inesquecível a inauguração  da “Barraca do Amaral”.

Conclusão:

No sábado posterior ao chamado Sábado de Zé Pereira, alguns amigos que estavam na inauguração da Barraca do Amaral, já calibrados, resolveram sair pelas ruas do comércio da Vitória,  tocando zabumba, triangulo e pandeiro, todos com uma calcinha na cabeça cantando músicas carnavalescas. Sendo assim, estava fundado, definitivamente, A TURMA DA CALCINHA, que sobreviveu durante 14 anos com recursos próprios. Em 1991 chegou a ter uma  música,  gravada no LP “VITÓRIA, CARNAVAL E FREVO”.

Atenciosamente,

SEVERINO ROBERTO SILVA.

A terra de Santo Antão: 400 anos de fundação!!!

Celebremos, hoje (17/01/2026), a passagem dos 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão. Mas é importante lembrar que nem sempre a mesma (cidade)  teve a palavra “vitória” como principal identificação.

Terra desbravada pelo português Diogo de Braga, oriundo do Arquipélago do Cabo Verde,  em 1626, mais precisamente da Ilha de Santo Antão, recebeu, de partida, o simpático nome de  “Cidade de Braga”.

Fruto da devoção ao catolicismo, o santo virou o protagonista do lugar: Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão, Vila de Santo Antão e só a partir de 06 de maio de 1843, virou “Cidade da Vitória”. Uma alusão direta à vitória alcançada na épica Batalha dos Montes Tabocas, ocorrida em 03 de agosto de 1645.

O curioso para o tempo presente  é que o nome atual – Vitória de Santo Antão – só  foi cravado, definitivamente, a partir de  1º de janeiro de 1944. Ou seja: apenas há 82 anos.

No transcorrer desses 400 anos de história o mundo se transformou. O Brasil deixou de ser apenas uma rica porção de terras nos trópicos para virar um País rico, soberano e próspero.  Na esteira dos acontecimentos nacionais, no alvorecer do século XIX (1812),  quando viramos vila autônoma – Vila de Santo Antão –,  os antonenses, por assim dizer,   começam a tomar conta do próprio nariz.

Constituíram  Câmara de Vereadores, passaram  a contar com ordenamento  jurídico próprio, determinam, também,   o seu código de postura e costumes e assim passam  a ter vida própria.

Nesse contexto, na qualidade de vida coletiva, o local ganhou  ares de metrópole. No comercio, vira uma espécie de locomotiva da região. Instrumento de cidadania e desenvolvimento, a imprensa escrita tornar-se-ia um caldeirão de alavancas. Um “campo santo” público (cemitério), atenderia os clamores da “vida” pós-morte. Mas é a chegada do trem (1886), símbolo do progresso nos quatro cantos do mundo, que a faz conjugar todos os índices de crescimento, ou seja: social, político, cultual e econômico.

Para pontuar dois momentos singulares,  nessa linha imaginária do tempo, nessa auspiciosa data comemorativa, sublinhemos  o pior e o melhor acontecimentos  já vivenciados: pelo lado trágico, o surto da Cólera, no qual parcela expressiva da população foi a óbito, em um curto espaço de tempo. Na outra ponta, respeitando o contexto histórico, exaltamos à visita do Imperador Pedro II, ocorrida em 18, 19 e 20 de dezembro de 1859, fazendo da então “Cidade da Vitória” a capital do Império.

Portanto,  para encerrar essas linhas, que mistura um pouco de tudo, comemoremos,  com “vivas”, à República da Cachaça, aqui, bem  representada pela gigante Pitú.

Redamos nossas homenagens à Vitória de Santo Antão, uma terra que se expressa de maneira plural. Ou seja: conservadora na vida política e  irreverente e criativa na sua festa maior – o Carnaval!!!

Iara Gouveia: uma mulher guerreira……

Fragilizada fisicamente, há algum tempo,  faleceu, ontem (29), a conhecidíssima “Doutora Iara Gouveia”. Será sepultada na tarde de hoje (30), no Cemitério Morada da Paz, localizado no município de Paulista.

Figura ativa desde a juventude ela teve uma trajetória de vida marcada por dificuldades e sucessos. Iniciou sua caminhada no magistério aos 18 anos e gostava de ser tratada como tal (Professora), mesmo depois de conjugar outras profissões – dentista e advogada.

Com personalidade forte, também atuou no cenário político, iniciando seu ativismo nos bancos da faculdade. Dizia em alto e bom som: “não sou de meias palavras e de gestos comedidos”. Amante do contraditório,  encontrou na tribuna do parlamento local o espaço perfeito para exercer seus atributos, seu jeito de ser e pensar. Foi a segunda mulher a ocupar a vereança na cidade da Vitória de Santo Antão.

Arquivo Jornal da Vitória

Foi através do casamento com Sylvio Gouveia, com quem teve três filhas, que adotou Vitória como “Pátria Amada”. Reconhecida como provedora de frutos coletivos recebeu, da Câmara de Vereadores local,  cidadania antonense.

Também teve passagem marcante no nosso secular carnaval. O nome Iara Gouveia se traduzia,  em  se tratando de carro alegórico, bom gosto, luxo e beleza.

 

Doutora Iara Gouveia não foi uma pessoa que passou despercebida pela vida. No plano terreno, foi uma guerreira, uma ativista, uma mulher que inaugurou, por assim dizer, o sentido da palavra “empoderamento feminino”. Seu legado e seus exemplos serão exercidos por seus familiares e, sobretudo, por aqueles que gozaram da sua amizade e do seu afeto.

Duas homenagens: o obelisco e eu – concreto e carne e osso……

Pensada e articulada pelas lideranças católicas da nossa cidade e financiada pelo sentimento de gratidão dos fiéis de então, o “Obelisco da Matriz” –  um monumento em forma de “Pirâmide”- eternizou a homenagem dedicada a Jesus Cristo, por ocasião da  passagem do século  XIX para o XX.

O papo é reto: ninguém pode amar,  preservar e cultuar aquilo que  desconhece. O sentimento  só chega depois do conhecimento.

Pois bem, munido de informações históricas e pessoais, hoje, sexta-feira, 26 de dezembro, pela manhã, ao final de mais um treino de corrida, fiz questão de realizar um registro, junto ao referido monumento histórico.

Explico:

No final de ano de 1967, exatamente no dia 26 de dezembro, nasceu o décimo-primeiro filho do casal  Zito e Anita. Dentro do clima natalino, resolveram, naquela ocasião,  que o  garoto deveria  se chamar Natalício.

Sem      qualquer inconveniência do avô materno, o intelectual Célio Meira,  por ocasião de uma visita, ainda na maternidade,  ao saber da decisão – o nome do garoto seria uma homenagem ao Natal – sugestionou outro nome, sem mudar o sentido  da homenagem, dizendo:

“Já que vocês querem fazer uma homenagem ao Natal, porque não homenagear o verdadeiro símbolo do Natal que é Jesus Cristo? Coloquem o nome Cristiano no garoto”.

58 anos se passaram. Hoje, temos, pelo menos, duas homenagens concretas e diretas ao filho Deus em nossa cidade:  uma de concreto (o “Obelisco”) e outra de carne e osso ( eu). .

 

 

Natal dos meus tenros anos – Por Fausto Agnelo (pseudônimo do Prof. José Aragão) – 1939.

A ação impiedosa do tempo destrói todas as obras humanas de modo tão sutil que nós mesmos somos, sem o pressentirmos, os agentes e pacientes dessas informações.

Dir-se-ia que no campo espiritual existem sedimentos iguais às que se verificam no terreno material.

As gerações sucedem-se deixando camadas sobre camadas de ideias e sentimentos que se concretizam em atos e costumes e marcam a mentalidade de cada época do espírito humano.

Os povos de formação definida, já chegados à maioridade racial, evoluem lentamente, são, por índole, conservadores, de modo que, entre eles, os costumes e as tradições nacionais sobrevivem às gerações.

Nos países novos, etnicamente em gestação, pontos de convergência das migrações de outros povos, é o próprio movimento da população que produz a renovação contínua, incessante e rápida dos costumes com a introdução de usos estranhos e a imitação dos figurinos estrangeiros.

É o que sucede com o Brasil, notadamente depois que os modernos inventos encurtaram as distâncias e nos fizeram vizinhos dos Estados Unidos e da Europa.

Só assim se explica a metamorfose da vida brasileira, hoje com aspectos e modalidades bem diferentes, quando não opostos aos de 20 ou 30 anos atrás.

* * * *

Vieram-me à mente essas lucubrações ao meditar sobre o Natal que conheci nos meus tenros anos, cheio de encanto e suavidade.

O Natal do lares enfeitados, onde se reuniam famílias e se formava ambiente de intensa alegria, vivendo os moços, os velhos e as crianças momentos de verdadeira felicidade, ao som do harmônio e da flauta, à mesa frugal, ou nos salões onde se achava o presépio armado e adrede preparado para receber a visita do pastoril elegante.

O Natal dos carros de bois rangendo saudosamente pelas estradas, conduzindo as famílias dos engenhos que vinham “à rua” para ouvir a Missa do Galo.

O Natal das barraquinhas aristocráticas, cercadas de cadeiras para as famílias, donde mocinhas feiticeiras trocavam olhares discretos com os moços janotas da cidade, que se desmanchavam em amabilidades e tudo faziam para enviar uma prenda à sua predileta.

O Natal em que se ouvia o canto pausado do Glória a Deus nas alturas, por ocasião da missa tradicional, a que o povo assistia com o máximo respeito e silêncio religioso.

Natal dos fandangos, das lapinhas vistosas, dos presépios animados.

* * * *

Hoje, o Natal está desfigurado.

Sente-se que desapareceram o misticismo, a poesia, a beleza mágica de outrora.

É um Natal frio, vário, sem o encanto de outras eras.

É que as aspirações, os sentimentos, as ideias de hoje são bem diferentes dos que formavam o ambiente de nossa infância.

Tudo passa sobre a Terra.

Prof. José Aragão
Sob o pseudônimo de Fausto Agnelo.
Texto publicado no Jornal O Vitoriense, 31 de dezembro de 1939.

Clarissa Góes saudou-nos com uma verdadeira aula de história!!!

No prestigiado programa global “Bom Dia Pernambuco” de hoje, segunda-feira (15), a conceituada jornalista e apresentadora do referido matinal, Clarissa Góes, saudou-nos com uma verdadeira aula de história. Aliás, na qualidade de nativo da Terra desbravada por Diogo de Braga, só hoje, fiquei sabendo que o seu irmão mais velho, Diego, nasceu em nosso torrão. Ou seja: também é uma espécie de guerreiro das Tabocas…

https://youtube.com/shorts/hzQ3iLkkZ-Y?si=3_gQD4wqLMDjgJAV

Bem assessorada e atualizada a eminente comunicadora verbalizou corretamente o termo que,  há vários anos,  pesquiso, compartilho  e alardeio (antonense), no sentido do necessário ajuste histórico, atinente ao nosso gentílico “oficial”, ou seja: vitoriense para antonense ou à adoção dos dois, de maneira oficial.

E explico mais uma vez:

Desde a nossa fundação, de 1626 a 1843 (217 anos), na qualidade de lugar, nunca  fomos  referenciados por “Vitória”.

Pela ordem, fomos:  “Cidade de Braga”, Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão e Vila de Santo Antão. Isto é:  antonenses na essência, no nascedouro e  no DNA.

Só a partir de 1843 (06 de maio), viramos “Cidade da Vitória” – título honorífico. E mais adiante, definitivamente, em 1º de janeiro de 1944,  passamos a ser Vitória de Santo Antão. Destaquemos que dos 400 anos como “lugar”,  apenas por  100 anos não ostentamos no nome o  “de Santo Antão”. 

Foi no bojo dessa  mudança (Cidade da Vitória) que recebemos o gentílico de “vitoriense”- uma alusão direta à Vitória alcançada na épica Batalha do Monte das Tabocas, ocorrida em 3 de agosto de 1645.

Aliás, vale destacar que, de maneira geral, gentílico é uma expressão usada para identificar nativos, de maneira exclusiva,  que nascem em um determinado lugar ou região.

Salientemos, também,  que o  “vitoriense” original –  por assim dizer –  é justamente atribuído  aos que nascem na cidade de Vitória, capital  do estado do Espirito Santo.

Portanto, fico feliz em testemunhar que nossa peleja pelo gentílico “antonense”,   vem ganhando espaço institucional – livros, jornais, internet, rádio e televisão. A nota desafinada continua sendo praticada  pelas as autoridades locais, responsáveis por pontuais ajustes histórico, que continuam ignorando, desconhecendo  e não se preocupando como deveria  com as causas coletivas da municipalidade. Sigamos  em frente……

 

Vila de Pirituba – “Um sonho além dos olhos humano ” – por assessoria.

MONUMENTO DE SANTA LUZIA  – Serra das pitombeiras – Distrito de Pirituba – Vitória – PE

O Distrito de Pirituba, região localizada na zona rural da cidade de Vitória de Santo Antão-PE. aproximadamente 15 km do centro da cidade. Vem se destacando pelo seu clima agradável, voltado para o turismo.

Uma iniciada foi dada por Edson Aparecido Lemos (Édson) e José Antônio de Souza (Deca de Pirituba ).objetivando construir um monumento religioso na região.

Os mesmos procuraram o reverendíssimo padre Rafael R. Menezes (Pároco da paróquia São João Batista – Pirituba), no intuito de buscar apoio para a realização deste sonho. De Imediato, padre Rafael Ricardo Menezes abraçou a causa e juntou-se aos mesmos visando organizar uma equipe para possíveis articulação. Compôs esta equipe: o Padre Rafael, Deca de Pirituba, Edson, Fabiano Ribeiro (Arquiteto ) e Pedro Henrique (Advogado).

O grupo almeja construir uma estátua de Santa Luzia com aproximadamente: 50 metros de altura. Segundo informações de membros do grupo, já houve uma conversa com o prefeito Paulo Roberto leite de Arruda, o presidente da Câmara de Vereadores, Edmilson José dos Santos (Edmilson de Várzea Grande), e a subprefeita do distrito Núbia Meira. A equipe busca apoio dos órgãos público para a construção do monumento e mirante na Serra das pitombeiras. Terreno este doado pelo Sr Pedro Henrique (membro da Equipe).

Neste dia 13 de dezembro de 2025 será celebrado uma benção da pedra fundamental para a construção da imagem de Santa Luzia. O evento acontecerá na Serra das pitombeiras a partir das 17:00h.

Após a benção da pedra fundamental os fiéis sairá em procissão para matriz São João Batista, aonde acontecerá o encerramento da festa de Santa com a missa campal celebrada pelo reverendíssimo padre Rafael Ricardo Menezes.

assessoria. 

Cascatinha da Matriz – por Sosígenes Bittencourt.

(A Cascatinha da Matriz e Manoelzinho de Horácio)

Papai me contava e mamãe assevera que quem construiu essa praça, chamada Dom Luis de Brito, foi Horácio de Barros, pai de Manoelzinho Rangel. Depois, diz que Horácio de Barros não foi à inauguração da obra, porque estava acometido de Tifo. Assistiu ao evento, debruçado na janela de sua casa, na Rua Imperial, popularmente conhecida como Rua do Meio.

Era nessa Cascatinha que Manoelzinho de Horácio tomava cachaça com caramelo de menta, contava piada, soltava lorota e empulhava o mundo. Manoelzinho de Horácio partiu para a Eternidade aos 73 anos, já faz algum tempo. Ele contava que o médico que lhe tirou o baço e garantiu-lhe um ano de existência morreu primeiro.

Certa vez, Manoelzinho de Horácio me contou que fez um frio tão grande em Vitória de Santo Antão que o Leão Coroado, na frente da Estação Ferroviária, saiu do monumento e foi se esconder dentro de uma barbearia do outro lado da Praça. Manoelzinho de Horácio era jogador de futebol. Diz que, um dia, ele foi bater um pênalti, quando o adversário Tenente Índio o ameaçou: – Se fizer o gol, me apanha! Manoelzinho não teve dúvida, furou o gol e saiu correndo do estádio José da Costa, solto na buraqueira, pelo Dique afora.

Sosígenes Bittencourt

50 anos: da 1ª eucaristia à longevidade autônoma……..

50 anos se passaram. O mesmo desejo, a mesma vontade,  coincidentemente, no mesmo lugar. Na parte inicial da história, vivenciada  no domingo,  09 de novembro de 1975, reinava  o ineditismo, o sagrado,  misterioso e supremo.  Em 2025, meio século depois, uma  realidade nua e crua, o esforço consciente,  apostando na colheita frutificada em forma de  longevidade autônoma. Mas a vontade  foi a mesma: correr, correr e correr., 

Essa foi a vontade soberana que ligou os dois recortes temporais, separados por exatamente 5 décadas, sublinhadas, aqui, em forma de registro histórico. 

Explico:

No longínquo domingo, dia 09 de novembro de 1975, guiado pelo farol da expectativa, aos 8 anos de idade, acordei-me sem  a necessidade de fatores externos. Isto é: ninguém precisou me chamar. Após muitos encontros, aulas  de catecismo e ensaios, finalmente, havia chegado o dia da minha primeira comunhão.

Cabelo devidamente cortado, roupa nova para vestir e nos pés,  sapatos zero quilometro.  O “kit eucaristia” nas mãos,  cuidadosamente guardado para testemunhar,  ratificar e acessar, com fé de ofício,  a universal  fé católica.

Lembro-me como se fosse hoje: papai tomava café na sala e,  ali mesmo, de pé, em cima de um  sofá, após o banho, mamãe penteou  meus cabelos e arrumou-me  todo. Ao final, com voz imperativa,  disse : “agora,  fique sentado no terraço, quieto,  para não amassar a roupa, esperando a hora de ir” – o que prontamente foi realizado com sucesso.

Da minha casa  – Avenida Silva Jardim, número 209 – até a Igreja da Matriz, para chegar logo,  minha vontade era apenas uma: correr, correr e correr….

O tempo seguiu na sua contagem  impiedosa, constante, perene, sem vexame  ou mesmo atrasos, para chegarmos a uma  manhã de domingo, num “mesmo” 09 de novembro, à mesma Avenida Silva Jardim, defronte da imponente e secular Matriz de Santo Antão, há exatamente 50 anos, para participar de um evento esportivo, cujo o desejo reinante era  o mesmo de antes,  ou seja:  correr, correr e correr….

Situações traçadas, alinhavadas e equacionadas pelas mãos daquilo que acostumamos chamar de destino, acontecem todos os dias, cabendo a nós, simples mortais, fagulhas de um  vulcão em erupção ou mesmo um ponto de escuridão situado na imensidão cósmica, termos a sensibilidade para torna-los importantes e únicos, ou seja: silenciosamente, vivenciá-los de maneira  marcante, celebrando-os com um brinde à memória.

Aliás, vale sempre lembrar: ninguém poderá  ser sujeito útil  à coletividade ou mesmo aos mais próximos,  sem antes, saber existir para si mesmo, sem comparações, afinal,  somos uma peça rara e exclusiva,  no sempre misterioso mercado  da existência. 

Alcoólicos Anônimos da Vitória – um breve relato…

 

Recebi, ontem (10), da colega Imortal da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência -, Marie Cavalcantti, um “panfleto” realçando um fato curioso, ocorrido na nossa cidade, envolvendo a história do A.A. antonense. Abaixo, portanto, segue as informações recebidas.

“A primeira mulher a fazer parte do AA em Vitória foi Noêmia Barnabé como participante honorífica. Foi entitulado madrinha do AA. Ela não era alcoolista mas pediu para fazer parte dessa associação para ajudar os dependentes químicos e muito o fez . Sua participação dentro do AA foi bastante frutífera com vários depoimentos . Atuando por mais de 25 anos”

Marie Cavalcantti. 

Curiosidades vitorienses: Código de Posturas (1897)

Dando continuidade a coluna de curiosidades antonenses, publicaremos trechos do CODIGO DE POSTURAS do município da Vitória, datado de 1897. Os trechos foram retirados do volume 07 da revista do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, editada em 1977. São muitas curiosidades, que valem a pena serem disponibilizadas.

Os nossos jardins – José Aragão – 1946.

Nada concorre mais para o embelezamento de uma cidade do que os jardins públicos, os parques e a arborização.

Emprestam eles ao aspecto monótono das construções cores variadas, formando contrastes interessantes com a aridez das nossas artérias, constituídas, em grande parte, de prédios de arquitetura rudimentar e pobre, sem maior beleza.

O jardim é um oásis artificial em pleno centro urbano, recanto ameno cuja paisagem alegre e poética satisfaz ao espírito cansado do labor quotidiano, valendo como refrigério e lenitivo.

Por isso é que as praças ajardinadas são o ponto preferido pela população, nos momentos de folga, para descanso e passeio.

Temos, apenas, três praças com jardins e canteirinhos: a do Leão Coroado, Diogo Braga e a Dom Luiz de Brito, mais conhecida como Praça da Matriz. Dessas, apenas o jardim da última apresenta aspecto agradável, muito embora sem flores, que são o mais belo ornamento, não porque não as produza, mas porque são colhidas tão logo desabrocham, o que é para lamentar. O jardim da Praça Leão Coroado, que já oferece aspecto bem interessante, e os canteirinhos da Pracinha do Braga estão em decadência, à míngua de cuidados.

Queremos crer que o ilustre Chefe do Executivo Municipal, tão zeloso do bem público e do progresso da cidade, voltará em breve as suas vistas para esses logradouros e os entregará a mãos zelosas e hábeis, que poderão transformá-los rapidamente.

Não nos falta água para a conservação dos nossos jardins. Faltam jardineiros.

Decerto, não tardarão eles a aparecer por determinação do governo municipal.

 

José Aragão – Editorial do Jornal O Vitoriense de 02 de Fevereiro de 1946.

10 novas UTIs na APAMI – inauguração em breve!

Em constante processo de melhoramento, no que se refere aos serviços prestados, equipamentos hospitalares  e estrutura  física, podemos dizer que, hoje, a APAMI  celebrou de mais um gol de placa.

Referência em atendimento médico assistencial em nossa cidade e na região,  desde a metade do século passado (XX), a APAMI investiu na construção de 10  novas UTIs.

Com as obras  concluídas e já com os devidos equipamentos prontos para serem acionados, na manhã de hoje, sexta-feira, 25 de julho, a instituição recebeu uma vistoria dos  técnicos  dos órgãos competentes,  no sentido da aprovação para a devida ativação do novo espaço.

Vencido as questões burocráticas, naturais para processos dessa envergadura, a direção da APAMI, representada pela gestora Socorrinho da Apami, juntamente com toda equipe funcional, deverão, em breve,  receber a governadora do estado,  Raquel Lyra,  para em ato inaugural,  acionarem o botão do play  dessa marcante e importante operação,  na referida instituição hospitalar. Vale salientar, que o governo do estado jogou papel importante na materialização desse arrojado empreendimento.

Portanto, eis aí, uma notícia que gera uma positiva expectativa na população antonense e nos nativos das cidades circunvizinhas, nas  questões relacionadas ao atendimento da chamada saúde pública. Essa é uma daquelas iniciativas que todos saem ganhando. Parabéns para APAMI Vitória. 

Instituto Histórico e Geográfico de Pombos – a semente foi lançada!

Por uma feliz iniciativa de alguns iluminados munícipes da vizinha cidade de Pombos, outrora distrito da cidade da Vitória de Santo Antão,  até 1963, na noite de ontem, quinta-feira, 10 de julho de 2025, foi constituído, oficialmente, o Instituto Histórico e Geográfico de Pombos.

A Sessão Solene aconteceu na Sede da Banda Padre Galdino e teve início por volta das 19:30h. O evento contou com um bom número de pessoas. Além dos nativos, envolvidos na causa da preservação e educação patrimonial,  o encontro também celebrou  a presença da  senhora Claudia Pinto (RIHPE) e o doutor José Soares (IAHGP), ambos representando o movimento vinculado à consolidação da pauta da preservação histórica,  em nível estadual.

Na qualidade de figura central e emblemática para a historiografia da cidade de Pombos, a ativista e semeadora das boas causas, professora Gasparina, com a autoridade dos seus 84 anos, deu o tom do evento. Empolgou a todos  com o seu entusiasmo, com a sua mente privilegiada e o seu amplo conhecimento sobre os fatos marcantes e o  cotidiano local.

Portanto, a semente foi lançada em campo fértil e certamente irá vingar, crescer e florescer, até porque a cidade de Pombos tem uma rica história, um povo animado e vibrador. Elementos necessários de que precisa um Instituto Histórico e Geográfico, para avançar e se consolidar. Desejamos boa sorte e sucesso para todos os envolvidos nessa verdadeira empreitada  cívica e cultural.

Instituto Histórico e Geográfico de Pombos: agora é oficial!

Boas notícias da nossa vizinha cidade. Com o inicio das atividades, de maneira oficial, a cidade de Pombos contará com um Instituto Histórico e Geográfico, no sentido da preservação e promoção da sua história. Emitido pela diretoria provisória, segue o convite a todos as pessoas que se identificam com essa verdadeira causa cívica!

José de Barros de Andrade Lima – primeiro prefeito da Vitória!

Não nasceu na Vitória de Santo Antão, aquele que foi o primeiro prefeito da cidade, todavia ele adotou a “República das Tabocas” como sua terra natal, dedicando-lhe todo seu potencial como profissional da medicina e como líder político e administrador público.

Membro de conceituada família pernambucana, nasceu José de Barros de Andrade Lima, na cidade de Igarassu, no dia 5 de setembro de 1853. Estudou medicina na Bahia. Ao retornar de Salvador fixou residência na Vitória de Santo Antão. Profissional competente e dedicado granjeou rápido a simpatia e a admiração dos vitorienses. Com a proclamação da República, 1889, derivou para a política, filiando-se ao partido “Autonomista”, liderado em Pernambuco pelo Barão de Lucena. Nos meses que seguiram à proclamação da República, as Câmaras Municipais foram dissolvidas. Suas atribuições passaram a ser executadas pelos “Conselhos de Intendência”. Em 1890, José de Barros, indicado pelo governador provincial, Barão de Lucena, assumiu a presidência do “Conselho de Intendência” da Vitória. Presidente desse Conselho, ele iniciou, na praça 3 de Agosto, a construção do Paço Municipal, prédio até hoje utilizado pela Câmara dos Vereadores. Em setembro de 1892 foi eleito prefeito da Vitória, na primeira eleição válida realizada no município, no regime republicano, cargo que voltou a ocupar no período de 1913/1916, em face da renúncia, em 1912, do dr. Henrique Lins Cavalcanti de Albuquerque. Sempre combatente e dinâmico, ora no governo, ora na oposição, José de Barros de Andrade Lima foi ainda vereador, (presidente da Câmara), deputado e senador estadual. Faleceu no Recife no dia 27 de abril de 1926, com a idade de 72 anos. Em vida foi casado com a senhora Dulce de Andrade Lima.

Pedro Ferrer