O dia em que Vitória aderiu à República

Hoje é um dia histórico para nossa cidade. Hoje, 21 de novembro, está completando 123  anos que Vitória aderiu à República. Revirando meus arquivos encontrei esse fato marcante, ocorrido em nossa cidade no ano de 1889, que os  compartilharei com todos:

A adesão oficial da Cidade da Vitória à República – É bem curiosa e interessante a nossa história.

Rebuscando as arquivos das Repartições públicas se poderia levantar da poeira dos séculos, desses livros de páginas bolorentas e estragadas pela traça, um verdadeiro monumento ao passado honroso de nossa terra.

Ainda não se cuidou seriamente do assunto. É preciso restaurar as fontes históricas antes que elas desapareçam pela ação inclemente do tempo.

Do contrário, jamais poderíamos transmitir às gerações futuras as lições sublimes que nos deixaram os nossos antepassados, as mais belas tradições da terra das Tabocas.

* * *

Encontramos, há pouco, um documento valiosíssimo: a ata da sessão em que a Câmara Municipal de 1889 aderia oficialmente à República.

É de autoria do então Secretário José d`Oliveira Maciel Rego Barros, o fundador do <O Lidador>, que em várias legislaturas exerceu esse cargo.

Preferimos transcrever esse documento na íntegra, para que nada perca no seu sabor. Ei-lo:

Cap. Antônio de Melo Verçosa

“A uma hora da tarde do dia 21 de novembro de 1889, presentes neste Paço o Sr. Presidente (Capm. Melo Verçosa) e os Srs. Vereadores Marcelino José de Almeida Lisbôa, Manoel Lidio Alvares dos Prazeres, José Henrique de Sousa, Herculano de Barros Lima, Cristovão de Holanda Cavalcanti Albuquerque, Manoel José da Costa e Francisco de Gouveia Queirós, havendo número legal, foi aberta a sessão.

Lida a ata da sessão anterior foi a mesma aprovada.

O Sr. Presidente declarou então que havia convocado extraordinariamente esta Câmara, para tomar conhecido de um ofício recebido ontem do Exmo. Snr. Governador do Estado de Pernambuco, cujo ofício ia mandar ler pelo Secretário desta Câmara, para ela resolver se iria ou não aderir ao novo governo deste Estado.

Lido dito ofício foi ele ouvido com religiosa atenção e aplaudido não só pela Câmara como também por todos os cidadões presentes.

A Câmara por unanimidade resolveu aderir ao Governo Republicano, e neste sentido oficiou ao Exmo. Snr. Governador do Estado de Pernambuco.

Ao declarar o Snr. Presidente o ato da Câmara, foram levantados muitos vivas, vivas que foram correspondidos com frenezí e acompanhados pela música ao som da Marselheza.

Foi lido o oficio datado de 21 do corrente mês, do Snr. tenente coronel João de Sá Cavalcanti Lins comunicando haver em data de hoje assumindo o exercício do cargo de Delegado desta Comarca. Ficou a Câmara ciente.

Deliberou a Câmara, digo o Presidente conceder a palavra aos Snr. Vereadores que quisessem, assim como os seus empregados. Então o Sr. tenente coronel Severino Vilarim usando da palavra em um pequeno, porem belo discurso, declarou também associar-se ao prazer e ao jubilo desta Câmara e do povo brasileiro, e em seguida o Snr. Vereador Manoel Lidio Alvares dos Prazeres abundou nas mesmas considerações, assim como o Sr. Queiroz.

Também usaram da palavra os Ilmos. Srs. Dr. Juiz de Direito desta Comarca, o Dr. Antonio da Rocha Holanda Cavalcanti, o tenente-coronel João de Sá Cavalcanti Lins, os quais foram freneticamente aplaudidos, tocando a música ainda a Marselheza.

Estavam presentes a essa sessão as autoridades judiciárias e seus respectivos escrivães, assim como grande número de cidadãos qualificados e a música <14 de agosto>, assim como o Delegado efetivo e seu Escrivão.

E nada mais havendo a tratar foi levantada a sessão, tendo antes o secretário desta Câmara, usado da palavra e patenteado que em seu nome e em nome de seus colegas empregados desta Câmara aderiam ao novo Governo Republicano. E para constar etc.” Seguem-se as assinaturas dos nove Vereadores e de mais cincoeta pessoas presentes.

(REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO, Volume 7º – 1977 – pág. 47 a 49).

Tempo Voa Documento: Um dos maiores times que já existiu em Vitória, o Sport.

Foto: Arquivo Pessoal de Joel Neto

Pilako este é um dos maiores times que já existiu em Vitória o Sport praticamente não disputava campeonatos locais e sim formado pelos melhores jogadores da cidade para enfrentar equipes de fora seu grande presidente foi José da Costa que teve seu nome homenageado pelos desportistas vitorienses colocando seu nome no Campo do Dique que passou a ser chamado Estádio José da Costa, onde hoje se realiza o campeonato amador local.

Alguns jogadores desta foto são conhecidos outros não citarei aqueles que conheço de pé da esquerda para direita o terceiro Fernando de Marron, Miro Caboclo, Gilson Lemos e Ruitá agachados  só conheço o segundo que os amantes do futebol da epoca dizem ser o melhor goleiro que já existiu em Vitória.

Abraços,

Joel Neto

TEMPO VOA DOCUMENTO: FESTA DO LIVRAMENTO – A festa de Nossa Senhora do Livramento é uma das mais queridas tradições do povo vitoriense.

Não temos notícia de sua realização senão a partir de 1912.

Vigário Américo Vasco

Tudo indica que a primeira festa solene foi a da reinauguração da Igreja, a 25 de Agosto de 1912, realizada, segundo as palavras do Relatório do vigário Américo Vasco, já transcrito, com uma festa não acostumada, o que parece indicar que não estava em os hábitos e costumes locais.

A Bandeira foi levantada no dia 18, seguindo-se o setenário, trasladada, em procissão, à tarde, da Matriz de Santo Antão, onde se encontrava desde o desabamento do seu temblo, para a Igreja do Livramento, acompanhada da Bandeira.

Seguiu-se o setenário, com ladainha, pregação e bênção, e os costumeiros festejos populares na praça fronteira à Igreja.

Padre Américo Pita

No domingo 25, dia da festa, foi a igreja reinaugurada oficialmente. Às 10 e 30, o padre Américo Pita, precedido pela Irmandade das Almas e acolitado pelo vigário Américo Vasco e pelo religioso capuchinho Frei Ambrósio, procedeu à benção litúrgica do templo, celebrando, em seguida, Missa solene, com sermão, ao Evangelho, pelo padre Alberto Pequeno. Terminou a cerimônia às 13 horas. À tarde, realizou-se a procissão, e à noite, o encerramento, com muita ordem, entusiasmo e pompa.

Esta foi a primeira festa de N. S. do Livramento.

Desde então, vem ela sendo celebrada, no 2º semestre de cada ano, fixando-se, a sua celebração, há bastante tempo, na segunda quinzena de novembro.

Nos primeiros anos, era costume, algum tempo antes da festa, elegerem-se a o Juiz da Bandeira, o Juiz e a Juiza da festa, e comissões de “Juizes por Eleição”, “Juizes por Devoção”, “Mordomos”, aos quais incumbia dirigir e promover a solenidade.

Cada noite do setenário era confiada a uma classe: Solteiros, Solteiras, Casados, Casadas, Comércio, Artistas, Crianças, e últimamente, aos Motoristas, ao Tiro de Guerra, costume esse que se vem seguindo até os nossos dias. Eram os “noiteiros”.

Tradição que vem de há alguns anos, a rifa de uma novilha, oferecida pela família Trajano, a correr no dia da festa, em benefício da mesma.

Outra tradição, aliás comum, no interior, nas festas religiosas, visando à obtenção de recursos para as despesas, a realização dos chamados “leilões” das prendas, oferecidas pelos devotos.

Entre os festeiros dos primeiros anos cumpre salientar, como mais animados e animadores, mais constantes e diligentes, o farmacêutico Manoel Maria de Holanda Cavalcanti, Antonio Gomes de Farias, José Felipe Santiago, Samuel Fernandes Rosas, José Joviniano de Moura, João Mesquita de Freitas, Honório Alvares dos Paazeres, e mais recentemente, as famílias Trajano, Lemos de Vasconcelos, Severino Francisco Alves, Barnabé dos Santos, Augusto de Siqueira, Cunha Beltrão, entre várias outras.

UM BALUARTE – Deixamos, propositadamente, para o fim, o destaque de uma figura exponencial no que diz respeito à devoção, ao zelo, ao trabalho e à dedicação à Virgem do Livramento.

Referimo-nos a JOSÉ BONIFÁCIO DE HOLANDA CAVALCANTI, vitoriense nato, membro de uma das mais antigas e conceituadas famílias vitorienses, extremado no amor à terra natal e ao bairro do Livramento, onde sempre residiu e pelo qual tudo fez, consagrando a existência, desde os verdes anos, ao serviço da comunidade, seja nas sociedades locais, de todos os gêneros, de que foi estrênuo cooperador; mas principalmente à Igreja do Livramento.

José Bonifácio, sozinho, valia por uma legião.

Muitas vezes arcou ele, quase sem ajuda, com o ônus da realização da tradicional festa de Nossa Senhora do Livramento, promovendo-a, desde os primeiros anos até quando lhe foi possível sair de casa, com o mesmo entusiasmo e animação.

Deu, de si, tudo, o máximo que podia dar, pelas instituições locais e pela Igreja consagrada à Virgem do Livramento, sua protetora e madrinha, a quem dedicou terna e filial afeição.

Festas do Livramento, a maior demonstração pública de fé e de amor a Nossa Senhora em nossa Vitória de Santo Antão, realizadas, quase sem interrupção, há 61 anos, quantas reminiscências e suaves recordações nos evocam elas, todos os anos, sobretudo para os da geração que se vai despedindo do cenário terreno da vida.!…

Tradição tão pura e tão nobre, há de ser mantida pelos vitorienses como preito de filial devoção à Virgem Mãe de Deus, cercando sempre, do maior carinho e atenção, a Igreja de Nossa Senhora do Livramento, um dos polos de nosso desenvolvimento espiritual, como comunidade, monumento erguido pelos nossos antepassados, fruto do amor e da devoção a Maria Santíssima, vãos de eleição divina e de sublimação humana.

Luciano Teles Sobreira
(REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO
VOLUME 5º – 1973 – PÁG 87 A 89)

É uma brasa… mora?

Este artigo é um pequeno tributo que presto á dois amigos. “… vocês meus amigos de fé meus irmãos camaradas…” Moisés e Tadeu.

Decorria a década de 1960, e o Brasil vivia a efervescência da Jovem Guarda. “…belas tardes de domingo…” aquela juventude vitoriense, não poderia ficar de fora da “doce loucura” que nos contagiava.

Botas de salto alto; calça boca de sino; pulseira e anel de alumínio com a figura do calhambeque impresso; cabelos longos e repartidos ao meio; chicle bola; torrone; caramelo de gasosa; drops ducora; mini saia; decotes ousados; perfume de cashemere bouquet no ar; corpete justo ao busto; crush; fratelli vita; grapete; coca cola; cuba libre… matinês; cine iracema… Sr. Luiz Boaventura (proprietário do cinema) – um verdadeiro gentleman -; durang kid; zorro; tarzan; jim das selvas; garrincha: a alegria do povo… eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones e, ainda não entendia porque os mocinhos nos filmes de faroeste tinham que matar os índios?

Foi nessa época da televisão em preto e branco – telefunken – (coisa rara em Vitória de Santo Antão) que conheci Moisés e Tadeu – dois verdadeiros dinossauros da Praça da Matriz. Jogos de dois toques no coreto da praça; alegres conversas sobre as matinês; sobre os monkey; futebol (praça futebol clube); carnaval… sinto-me um cara privilegiado. Eis aí o verdadeiro sentido da vida: ter amigos verdadeiramente amigos.

Estamos sempre nos encontrando na Praça da Matriz, vez por outra. Moisés, perdeu boa parcela dos cabelos jovemguardianos. Mas, continua o mesmo romântico de sempre. “…quando eu estou aqui, eu sinto esse momento lindo…” Tadeu, sempre inteligente com as palavras, permanece o mesmo. Ou seja, em seu amor filial “…lady laura, me leve prá casa, lady laura. Me conte uma história, lady laura…”.

Bem… agora que fiz revivescer nossas saudades, lembro que em nossos encontros, vocês sempre me perguntam: como vai a vida? Agora, posso lhes responder: a vida… a vida é uma brasa, mora?

Abraços fraternais,

Do seu amigo de fé seu irmão camarada.

Aliomar de Vasconcelos – Professor e Escritor vitoriense.

O Tempo Voa Documento: Foi sempre assim…

Revirando meus arquivos encontrei um “desabafo” de senhor Luis Nascimento em artigo escrito para Revista do Instituto Histórico nas comemorações do centenário da imprensa em nossa cidade (1866 – 1966) que reflete bem o sentimento daqueles que fizeram e faz imprensa em nossa Vitória. Vale a apena ler:

PERCALÇOS E IDEALISMO

A imprensa vitoriense sofreu, desde 1866, todos os percalços, dificuldades e inglórias inerentes à espécie. Viveram seus periodistas, por outro lado, os momentos culminantes da criação do jornal e da enunciação de ideias e programas, junto ao desejo de ser útil a comunidade, de consertar os erros do mundo e apontar os caminhos certos.

Continuaram eles, neste século, a amar e a sofrer, teimosamente, jungidos a um ideal, à missão de informar, de aparecer, de transmitir um pensamento, um verso, uma página literária.

Ultrapassou a casa dos trinta o número de publicações da grande família da imprensa dadas à circulação, de 1866 a 1899, na Vitória de Santo Antão. No cômputo geral dos cem anos hoje completados, subiram a mais de 170, de todos os gêneros, de vida intensa ou efêmera, fazendo surgir jornalista a granel, muitos deles perdendo o título rapidamente, outros altanando-se no conceito da imprensa regional ou nacional.

Esta terra de tantas tradições históricas tem, indubitavelmente, a primasia da imprensa no interior do Estado, uma primasia que honra Pernambuco, do mesmo modo que a imprensa de Pernambuco honra o Brasil.

Luis Nascimento
Originalmente publicado na REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – VOL. I – 1968.

O Tempo Voa Documento (Especial) – “No Tricentenário de Fundação da Cidade (1926)”

De 1 a 3 de Agosto de 1926, grandes festas foram realizadas nesta cidade em comemoração ao terceiro centenário de sua fundação.

A Comissão Executiva, composta dos snres. José Bonifácio de Holanda Cavalcanti, José Teixeira de Albuquerque, Prof. Antonio Guedes Alcoforado, e João de Lemos, realizara, antes, diversas reuniões nas quais ficara organizado o programa, cuja execução foi fielmente cumprida.

No domingo 1º de Agosto, na Praça 3 de Agosto, às 6 horas, a Banda Musical “Euterpe Vitoriense” tocava Alvorada, queimando-se uma salva de morteiros. À noite, houve retreta e tiveram início os divertimentos populares naquele local.

No dia 2, continuaram essas comemorações, tocando a Banda Musical e realizando o Orfeão Santa Cecília um concerto ao ar livre.

No dia 3, data oficial das comemorações, às 5 horas, os sinos de todas as igrejas locais repicaram festivamente enquanto girândolas fendiam os ares, silavam as locomotivas na estação ferroviária e buzinavam os automóveis, percorrendo as ruas, e a Banda Musical tocava marchas e dobrados, iniciando o programa comemorativo.

Monsenhor Américo Pita
Vigário de Satno Antão – 1925 – 1958

Às 6 horas, na Praça 3 de Agosto, diante do Monumento alusivo ao combate do Monte das Tabocas, era celebrada  Missa em Ação de Graças pelo Padre Américo Pita, Vigário da freguesia, preferindo o sacerdote conterrâneo Padre Estevão Cruz uma oração gratulatória que adiante transcrevemos. Fora, de início, cantado o Hino da Vitória, e, encerrando a solenidade, foi executado o Hino Nacional, queimando-se então uma salva de morteiros.

No altar, viam-se desfraldadas as Bandeiras do Brasil e de Portugal. Cerca de quatro mil pessoas assistiram a esse grandioso espetáculo cívico-religioso, reverenciando a memória de quantos, nos trezentos anos decorridos da fundação da cidade pelo português Diogo Braga, haviam trabalhado para seu desenvolvimento e progresso.

Às 9 e 30, pelo trem do horário, chegavam do Recife a Comissão representativa do Instituto Arqueológico Pernambucano composta dos dres. Samuel Campelo e Carlos Pereira da Costa, jornalistas representando os matutinos do Capital, a Banda Musical do 2º Corpo de polícia, diversas pessoas gradas e vitorienses radicados no Recife, sendo festivamente recebidos.

Às II horas, na Praça Diogo Braga, teve lugar o encerramento, no Monumento ali erguido ao Fundador da cidade, da urna contendo documentos, jornais, moedas e cópia da Ata respectiva, a qual foi assinada pelas autoridades locais e representações da Capital.

Às I4 horas, realizou-se no Paço Municipal a solene sessão magna comemorativa, presentes as escolas, as Bandas Musicais, comissões representativas das sociedades locais e da Capital e as autoridades.

Ocuparam a Mesa o Prefeito do Município, dr. José Horácio Carneiro Leão, o Juiz de Direito da Comarca, dr. Felinto Ferreira de Albuquerque, o Padre Américo Pita, Vigário da freguesia, o Presidente do Conselho Municipal, Cel. Antonio de Melo Verçosa, os representantes do Instituto Arqueológico e o Padre Felix Barreto, Diretor do Ginásio do Recife e vitoriense de coração e de formação.

Abrindo os trabalhos, o Prefeito convidou ao Dr. Juiz de Direito para, na qualidade de representante do Dr. Governador do Estado, assumir a presidência, tendo o mesmo aquiescido e, depois de ressaltar a grande significação do fato que se comemorava, dado a palavra ao Orador oficial, dr. Samuel Campêlo.

Na sua oração, o dr. Samuel Campêlo recordou os dias que passara nesta cidade como Promotor público, a sua atividade na imprensa local, os laços de admiração e de afeto que o prediam aos vitorienses e, repassando os principais acontecimentos da história local nos três séculos decorridos, exaltou a terra vitoriense e o seu povo, as suas tradições cívicas, numa Saudação final a Vitória. Suas palavras foram delirantemente aplaudidas, sendo em seguida encerrada a sessão.

Manoel de Holanda Cavalcanti (oficial do Registro Civil)

Logo após, as escolas públicas, puxadas e seguidas pelas Bandas Musicais e por compacta multidão, realizaram um desfile pelas ruas centrais em direção a Praça Diogo Braga. Ali chegando, usou da palavra o Sr. Manuel de Holanda Cavalcanti em nome da Comissão Executiva das Festas, entregando à cidade, na pessoa do sr. Prefeito, o Monumento comemorativo ali erguido, no cimo do qual figura o busto de Diogo Braga, obra executada pelo escultor Bibiano Silva. Usaram da palavra o Padre Felix Barreto, em nome do Prefeito e do dr. Carlos Pereira da Costa, em nome do Instituto Arqueológico, tendo todos os oradores palavras de exaltação à história vitoriense.

Antigo Curral da Municipalidade, localizava-se onde hoje se vê a Praça 3 de Agosto. Nela se realizava a feira de gado – década de 1920.

Na antiga Praça Ambrosio Machado, chamada vulgarmente “Pateo dos Currais” porque nela se realizavam as feiras de gado, para o qual havia um curral na área atualmente ocupada pelas casas de números 63 e 79 e seus terrenos, foram inauguradas placas com a nova denominação de “Praça 3 de Agosto”, homenageando a data aniversária da Batalha das Tabocas, cujo Monumento ali se encontra, e que dessa data em diante passou a ser considerado também o “Dia da Cidade”.

Nessa oportunidade usaram da palavra o poeta e jornalista vitoriense José Teixeira de Albuquerque e a senhorinha Marieta de Oliveira.

À noite, continuaram os festejos populares, tocando as duas Bandas Musicais e o Orfeão Santa Cecília, êste composto de 24 figuras sob a regência do Prof. José Mendonça, executando ao piano, e em bandolins, violinos e flautas, peças clássicas.

Circularam em edição especial consagrada ao município da Vitória a “Revista dos Municípios” e “O Lidador”, velho hebdomadário local.

No salão principal do Paço Municipal, realizou-se animando baile em homenagem à data, o qual se prolongou até alta madrugada.

O monumento comemorativo mede cerca de três metros de altura e contém a seguinte inscrição: 1626 – 1926 – Homenagem ao Fundador da Cidade da Victória por iniciativa das Associações delegadas, sendo o Prefeito do Município o Dr. José Horacio C. Leão, o Vigário da Freguesia o Revmo. Pe. Américo Pita – Comissão: José Bonifácio, Guedes Alcoforado, Teixeira de Albuquerque, José Alexandre de Barros, João de Lemos. 3 – 8 – 1926 – BRAGA – (O FUNDADOR).

Texto publicado originalmente em 1968 na REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – VOL. IV – PAG 45

Tempo Voa Documento: 1º Edição de “O Grito”

Recebemos da professora Valdinete Moura, internauta assídua de nosso blog, a primeira edição do boletim literário “O Grito“, editado no final dos anos 80.

Apoiadas pela Professora Valdinete, as então alunas Cristina Francelino e Marize José da Silva do curso de Letras, da Faculdade de Formação de Professores da Vitória, atual FAINTVISA, editaram o boletim, que circulou em vários números, pelos corredores daquela faculdade.

Disponibilizaremos, no Fim de Semana Cultural, algumas de suas edições, para o deleite dos apreciadores da literatura. Fique ligado.

O Tempo Voa Documento: “Elias Lira deixa rombo de 200 milhões nos cofres da prefeitura” – diz Dr. Ivo Queiroz em entrevista realizada em 1989.

Cinco meses após sua posse, o Dr. Ivo Queiroz deu uma entrevista ao “Jornal da Vitória”, em sua edição de maio de 1989, onde falou sobre a dificuldade ao assumir a prefeitura “arrombada” pelo seu antecessor Elias Lira, que foi prefeito de Vitória entre 1982 a 1988.

Reproduzimos a entrevista abaixo. Só a manchete em si merece uma séria reflexão por todos nós.

“Os meus opositores foram os meus maiores cabos eleitorais” – Dr. Ivo Queiroz.

“Após os primeiros meses da gestão do prefeito Ivo Queiroz Costa, esta redação decidiu entrevista-lo dando oportunidade de esclarecer aos munícipes como ele recebeu a prefeitura de seu antecessor, o que já realizou pelo município, os seus planos administrativos e as suas perspectivas políticas.

Eis a entrevista:

JV – Como V. Excia. Recebeu a prefeitura das mãos do ex-prefeito Elias Alves de Lira?

Dr. Ivo Queiroz – Encontrei a prefeitura arrombada; sem condições de governar, de fazer nada durante seis meses; com uma dívida de mais de 200 milhões e com 1600 funcionários, entre os quais, 900 novos.

JV – O que já realizou pelo município nestes cinco meses de governo?

Dr. Ivo Queiroz – Cuidei da conservação das praças, da iluminação pública e da limpeza da cidade, que está um pouco melhor; tornei o Colégio 3 de Agosto, o Magistério e o Colégio Comercial José Joaquim da Silva totalmente de graça, inclusive não existe taxa de caixa escolar, a qual foi abolida; implantei a cobrança de imposto de feira através de carnês para serem pagos em bancos (aquela imagem de cobrador de feira acabou-se); fiz algumas galerias na periferia da cidade, recuperei um caminhão tanque de água, três ambulâncias, a patrol, a enchedeira e a retro; instalei a Secretaria de Saúde no prédio anexo à prefeitura, onde tem o auditório; recuperei a quadra do Colégio Municipal 3 de Agosto, colocando iluminação nova; recuperei mais de 2.000 bancas escolares; conservei as estradas vicinais do município; construí um chafariz com lavanderia e sanitário da feira de mangalho; concluí a reforma da praça D. Luís de Brito; recuperei dezenas de ruas esburacadas; coloquei medicamentos nos postos médicos que encontrei até sem esparadrapos, mercúrio cromo e etc; já distribuí mais de 300 terrenos com o povo carente da cidade; ajudei alguns velhinhos a recuperar suas casinhas que caíram durante o inverno; já foram recuperados 2 tratores e já estamos arando a terra dos pequenos agricultores do município; estamos colocando Vitória na Liga Desportiva de Futebol a fim de participarmos da Copa do Interior; dei apoio as reivindicações dos comerciários.

JV – Quais os seus planos administrativos?

Dr. Ivo Queiroz – Saúde, educação e moradia para todos.

JV – Qual a maior dificuldade que V. Excia. Encontra hoje para administrar uma cidade do porte de Vitória de Santo Antão?

Dr. Ivo Queiroz – A falta de dinheiro, porque a nossa reforma tributária foi um o conto do vigário; só foi boa para os grandes municípios do sul do país.

JV – Qual o maior problema que atualmente enfrenta esse município?

Dr. Ivo Queiroz – Falta de água.

JV – Como pretende solucioná-lo?

Dr. Ivo Queiroz – Construindo uma barragem em Boa Sorte para reforçar a rede distribuidora e por outro lado, solicitar, pedir, implorar ao atual governo do estado que aumente a barragem de Jussaral, compre uma bomba de recalque, construa uma nova adutora, e teremos água para o ano 3.000. Se assim não for feito, o governador será um ingrato com aqueles eleitores que lhe deram 25.000 votos em Vitória na esperança de dias melhores para a nossa população.

JV – A câmara municipal tem apoiado as iniciativas do Prefeito, colaborando, assim para o êxito de sua administração?

Dr. Ivo Queiroz – Sim.

JV – Qual é o próximo passo político de V. Excia.?

Dr. Ivo Queiroz – Ser candidato a vereador ou a prefeito novamente se for aprovada a lei que possibilite prefeito poder se reeleger ao término do mandato.

JV – V. Excia. faz política a mais de quatro décadas: já foi vereador, deputado três vezes, assumiu o terceiro mandato de prefeito e nunca perdeu uma eleição. Qual a receita para vencer sempre?

Dr. Ivo Queiroz – Nunca me afastar de Vitória, viver em Vitória permanentemente, de manhã, de tarde e à noite; é ser político todo o tempo e porque não dizer também? – a tinta verde de meus bilhetinhos e de minhas receitas médicas.

JV – Quem é o seu maior cabo eleitoral, ou quem foi o seu maior cabo eleitoral do último pleito?

Dr. Ivo Queiroz – Foram os meus opositores que não souberam fazer política contra mim.

JV – Qual a mensagem que V. Excia. gostaria de enviar ao povo vitoriense nesse momento?

Dr. Ivo Queiroz – Agradeço a compreensão que ele está tendo no meu início de administração, pois se fiz pouco, é porque a situação financeira do município encontra-se em dificuldade. Assim que melhorar, iniciarei a construção de grupos escolares para dar educação as crianças de dois a sete anos, construção de postos médicos nos bairros onde não existirem, distribuição de medicamentos para as pessoas carentes, e incentivo para aqueles que não tem onde morar construírem as suas casinhas.”

Utilizamos algumas referências do livro História da Vitória de Santo Antão, 1983 a 2010 – pág 121 a 124.

A Girafa – um clube de 62 anos de história.

Foto: Divulgação/Empetur, 2004.

Ávidos por algo diferenciado e motivador para brincar o carnaval de 1950, um grupo de “corrioleiros” (amigos), teve a inusitada idéia de “roubar” a girafa alegórica usada como símbolo do Armazém Nordeste – A Girafa Tecidos (casa comercial situada na Praça da Bandeira). Discretamente a missão foi cumprida com sucesso, e o produto do ilícito sorrateiramente recolhido à Oficina Atômica, de propriedade de Zé Palito.

Reunião marcada, corriola reunida, bebidas servidas, discursos proferidos: estava fundada a Troça Carnavalesca Mista A Girafa. Oficialmente a data da fundação é 16/01/1950, como consta em Ata lavrada à época.

A primeira Diretoria ficou assim constituída:

– Presidente: José Mesquita de Freitas (Zezinho Mesquita);
– Vice-Presidente: José Augusto Férrer;
– Secretário: José Jacinto;
– Diretor Geral: José Celestino de Andrade (Zé Palito);
– Orador: Mauro Paes Barreto;
– Tesoureiro: Aluízio Férrer;
– Diretor Musical: Paulo Férrer;
– Fiscais: João Carneiro (Doido) e Hugo Costa;
– Diretor Artístico: Nivaldo Varela;
– Porta-Estandarte: Wilson Coelho (O Bruto);
– Comissão de Recepção: Donato Carneiro, José Pedro Gomes, Eliel Tavares, José Vieira (Zequinha), Rubens Costa e João Peixe.

Após o carnaval, sanadas as arestas geradas por conta de “roubo” do animal símbolo de Armazém Nordeste, ficou devidamente acordado entre as partes que a alegoria em questão, seria emprestada anualmente pela referida loja e posteriormente devolvida em perfeito estado de conservação. Anos após, a diretoria mandou confeccionar sua própria Girafa, símbolo maior e marca-registrada dos girafistas até os dias atuais. Vale enfatizar que a Girafa é a única agremiação da cidade a participar de todos os carnavais desde sua fundação.

Durante anos e já na condição de Clube, abnegados foliões conduziram os destinos da folia girafista e suas alegorias foram montadas em diversos locais da cidade, até que me 1986 foi concluída a construção do um moderno e amplo barracão, localizado à Rua Eurico Valois (Estrada Nova). O citado barracão não foi festivamente inaugurado, em face do falecimento de Dona Jura. Tão girafista quanto seu marido Mané Mizura.

As apresentações ocorriam nas manhãs de domingo e terça-feira de carnaval, saindo da Praça Félix Barreto, no Bairro do Livramento. Acordes do famoso hino e gigantesca queima de fogos sinalizavam o início de mais um desfile. Clarins anunciavam a presença do Clube na ruas da cidade e o abre-alas era composto do animal símbolo e de foliões devidamente caracterizados de Girafa. Belas e criativas fantasias compunham as alegorias, geralmente inspiradas em temas infantis. Transcorridas alguma horas, o percurso era alegremente cumprido. Novo show pirotécnico, frevo e muita confraternização, fechavam com risos e lágrimas mais um dia de exaltação à Girafa.

Três estandartes saíram às ruas da cidade durante mais de cinco décadas de existência. Inúmeras orquestras animaram os girafistas. Dentre elas: A Venenosa, 3 de Agosto e a do Maestro Seminha de Limoeiro. O hino oficial é: Exaltação à Girafa, composto por Guga Férrer (letra) e Sérgio Patury (música), gravado na voz de Babuska Valença.

Pesquisa e Texto de de Dryton Bandeira

Revivendo o Carnaval: Confusão entre rivais resulta na fundação do Clube dos Motoristas

O carnaval em Vitória chegou ao seu apogeu na primeira parte do século XX, onde foram criados diversos tipos de agremiações que faziam a população festejar com muita alegria. Dentre elas, os Clubes de Fados e os Clubes de Manobras. Estes últimos, com inúmeros fãs, realizando grandes desfiles e bailes, principalmente o “Abanadores”, posteriormente batizado como “O Leão” pelo poeta Teopompo Moreira, e o “Vassouras”, conhecido como “O Camelo”.

Segundo o professor José Aragão, no seu livro História da Vitória de Santo Antão, volume III, foi em uma dessas grandiosas apresentações que tudo começou. O “Vassouras’’ vinha do bairro do Livramento e da Matriz vinha o “Abanadores”, fazendo os rivais se chocarem durante o percurso, levando as a autoridades ordenarem o recolhimento às suas sedes, prevendo piores conseqüências. Posteriormente, pensando em evitar tais interrupções, vários foliões reuniram-se para fundar uma nova agremiação, formada em sua maioria por motoristas como afirmou o célebre jornalista João Álvares:

O Clube dos Motoristas da Vitória de Santo Antão foi fundado no mês de março do ano de 1949, idealizado por um grupo de motoristas e pessoas ligadas ao ramo automobilístico que desejavam construir um clube para proporcionar lazer para os profissionais do volante, bem como cultivar solidariedade e o espírito de disciplina e cooperação nas relações humanas.

Foi assim que surgiu o “Clube dos Motoristas”, em reunião realizada em 04 de março de 1949, pelos seus fundadores: “Valdemar Lino Chaves (1º presidente), Alfredo Francisco de Oliveira, João Vicente de Freitas, Sebastião Ferreira do Nascimento, Joaquim Francisco Damásio, Pedro Ferreira Guimarães, Abiatar Ferreira Chaves, Manoel José de Souza e Sebastião Pinheiro de Souza”, além da presença de mais de 80 pessoas.

No ano seguinte, em 1950, estreava-se pelas ruas da cidade, já com muita alegria, que ao longo dos anos foi atraindo muito mais foliões.