CONVITE: o vereador Doutor Saulo convida pela Audiência Pública…

Registramos o convite enviado pelo vereador Doutor Saulo, para Audiência Pública que acontecerá no próximo dia 13, às 9h, no plenário da Câmara de Vereadores da Vitória. O encontro, além de comemorar a passagem dos  32 anos do Estatuto da Criança e Adolescente debatera às atribuições do Conselho Tutelar e Conselho de Direito. Desde já, agradecemos pela lembrança.

João Álvares: os 400 anos tá chegando…..

Dias atrás, nas dependências do Museu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, bati um papo com o sempre atualizado João Álvares. “Seu” João é dessas pessoas que se alimenta diariamente da boa leitura.

Sintonizado com os fatos marcantes da historiografia local, vale destacar, o mesmo atuou  de maneira sublinhada no palco da vida real antonense, sobretudo a partir da segunda metade do século XX. Com extrema devoção, “Seu” João também labutou,  por décadas,  na imprensa local.

Próximo de completar 400 anos de fundação, o nosso lugar se configura num pedaço da história do Brasil. Nesse contexto,   “Seu” João  é um entusiasta de  primeira hora para que a cidade, irmanada com os poderes constituídos e a sociedade civil organizada, confeccione e execute uma grande celebração festiva, a partir de 2026. Assim sendo, comecemos a contagem regressiva……faltam 3 anos e meio…….

Chegava ao Recife o papa João Paulo II – por história_em_retalhos.

Há 42 anos, em 07 de julho de 1980, chegava ao Recife o papa João Paulo II.

A visita era histórica.

Pela primeira vez, um papa visitava o Brasil.

Ao todo, o pontífice percorreu 13 cidades, em apenas 12 dias. Durante sua visita, bancos e repartições públicas fecharam e esquemas rodoviários foram alterados.

O avião pousou na base aérea da capital pernambucana às 15h:35min. Assim que desembarcou, João Paulo II foi recebido por Dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, e pelo então governador de Pernambuco, Marco Maciel.

Do aeroporto, a comitiva seguiu em desfile pelas ruas do Recife, arrastando uma multidão de fiéis. Às 17h:00min, o papa deu início à celebração da missa no Viaduto Capitão Temudo, que ficou conhecido como o “viaduto do papa”.

Da celebração, participaram mais de 500 mil pessoas. A liturgia foi organizada pelo padre José Augusto Rodrigues Esteves, pároco da Matriz de São José.

Durante a missa, Karol Wojtyla fez uma menção a Dom Hélder, que jamais foi esquecida: “Dom Hélder, irmão dos pobres e meu irmão”.

Chegou-se até a ouvirem-se rumores, na época, de que Dom Hélder poderia ascender ao cardinalato, após essa declaração, o que nunca aconteceu, tudo não passando de boataria.

Ao fim da celebração, o chefe da Igreja Católica foi levado por Dom Hélder para conhecer um pouco mais da cidade, avistando, no Complexo de Salgadinho, a Catedral da Sé, em Olinda.

Um dado extremamente curioso: naquele 07 de julho, oito crianças que nasceram no Recife ganharam o nome de João Paulo, tamanha era a popularidade do pontífice!

É bom lembrar (para não esquecer) que, em 1980, o Brasil ainda vivia sob o jugo do autoritarismo. Neste cenário, João Paulo II trouxe ao país temas incômodos ao regime militar, como justiça social e direitos humanos.

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Edson e Rhuan – dois heróis deles mesmo!!!

No último domingo – 03 de julho de 2022 – dois corredores de rua  do grupo ao qual também faço parte – Vapor da Vitória – escreveram, juntos,  uma história bonita que merece ser contada a todos, sobretudos aos respectivos  filhos e netos.  Em dupla, concluíram um trajeto de 100km. Cada qual, percorreu 50km. A façanha ocorreu no evento intitulado de  “Ultramaratona do Frio” – etapa 2022 – Caruaru/Garanhuns.

Aos, agora, ultramaratonistas Edson e Rhuan nossos efusivos parabéns. Se aventurar em uma prova longa, que exigirá um esforço nunca antes conseguido,  é algo digno de todos os elogios. Além do ato em si – cruzar a alinha da chegada de pé – o feito exige muita determinação pessoal, disciplina mental e  treino físico constante (com bastante antecedência). Ninguém na face da terra, do nada, se levanta um dia da cama e diz: “hoje eu vou correr uma maratona….” e  consegue…..

Para tanto, vale salientar: planejar,  se preparar e conseguir  efetivar a façanha, convenhamos, é algo que só pertence aos verdadeiramente  determinados…

Portanto, aos heróis deles mesmos, Edson e Rhuan, mais uma vez, Parabéns!!!

Veja o vídeo da emocionante chegada….

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FALECIMENTO DE CLAUDINHO – por Sosígenes Bittencourt.


Claudinho era filho de finado Rochinha, da Farmácia. Eu o tratava, como merecia, em homenagem a seu pai: Claudinho, o menino de Eulâmpio Valois da Rocha. Claudinho era simples, disciplinado, simpático sem afetação, uma cópia do pai – gente de antigamente – um pequeno gentleman.

A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que temos. Ademais, morreremos. Contudo, uma vez vivos no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver.

Agora, amigo Claudinho, és detentor de um segredo só a ti revelado. Um dia, fostes como nós somos; um dia, seremos como tu és. E segue-se um mistério profundo, nunca mais retornaremos a este mundo.
Até breve! Requiescat in pace!

Sosígenes Bittencourt

4 de julho: o dia da independência dos EUA – por historia_em_retalhos.

4 de julho: o dia da independência dos EUA ou o “Independence Day”. 🇺🇸

Como tudo aconteceu ?

Em verdade, a insatisfação das chamadas “13 colônias” britânicas na América do Norte acentuou-se a partir da chamada “Guerra dos 7 anos”, travada entre Inglaterra e França (1756/1763).

Vencedora, a metrópole inglesa resolveu cobrar os prejuízos dos colonos, aumentando, consideravelmente, as taxações, além de criar leis que retiravam a liberdade dos norte-americanos.

Por outro lado, a Inglaterra vivia a plenos pulmões a Revolução Industrial, enxergando em suas colônias as fontes necessárias para alimentar o seu processo de industrialização.

As queixas em desfavor da metrópole, então, só aumentavam, o que motivou a realização de duas importantíssimas reuniões: o 1.° e o 2.° Congresso da Filadélfia.

Em 07.06.1776, no 2.° congresso, o delegado da Virgínia, Richard Lee, apresentou uma moção para as 13 colônias declararem independência.

O texto da declaração, cujo principal redator fora Thomas Jefferson (3.° presidente dos EUA), foi aprovado e publicado em 4 de julho, data que se tornou sinônimo da independência americana.

Um aspecto importante: após a Batalha de Saragota, a França, rival da Inglaterra, aderiu ao conflito, em 1778.

No ano seguinte, a Espanha também se aliou a franceses e a americanos, mas foi apenas em 1781, na Batalha de Yorktown, em que as forças rebeldes foram lideradas por George Washington (1.° presidente) e pelo francês Marquês de La Fayette, que o conflito foi encerrado.

A estátua da liberdade foi um presente da França aos EUA!

Representa a deusa romana Libertas, carregando uma tocha e uma tábua, onde está inscrita a data da independência (04.07.1776).

Os ideais iluministas da Independência Americana e da Revolução Francesa reverberaram fortemente no Brasil, influenciando movimentos libertários, como a Inconfidência Mineira, a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador.

Uma última curiosidade: em 04 de julho de 1994, dia de festa nos EUA, com um gol histórico de Bebeto, a seleção canarinha vencia os donos da casa, partindo para a conquista do tetracampeonato.
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Lembranças do Cofre da Casa Krause – por Marcus Prado.

LEMBRO-ME DE UMA LOJA QUE que deixou para sempre de ser, suas portas há anos fechadas: a M. L. Krause & Cia Joalharia Krause, na Rua Primeiro de Março, Esquina da Rua do Imperador – fundada em 1914. Dela já se ocuparam Paulo Fernando Craveiro, o cronista da cidade mais famoso do seu tempo e o saudoso Rostand Paraiso. Não é da loja e do seu prédio imponente de secular tradição, um marco da arquitetura pernambucana, que deveria ser tombado, que desejo comentar neste artigo. É do seu cofre cheio de joias preciosas de ouro e prata sob a responsabilidade do Luiz Alves Ferreira, gerente da loja, pai do maestro e compositor Nelson Ferreira.

FERVILHAVA DE NOVIDADES vindas das filiais do Rio de Janeiro, Pará e Maranhão, dos países de maior fama e tradição no ramo de joias, principalmente da França e da Alemanha. Era a preferida pela chamada “fina flor” das famílias abastadas recifenses. Por tradição, saído da Krause, o que era ouro, de verdade o seria para sempre. Daí a fama da marca fundada por um caixeiro viajante.

ERA VISITADA POR MUITA gente famosa: usineiros, políticos, senhores e senhoras de engenho, damas nascidas em berço de ouro. Um dos seus clientes famosos era o político paraibano Joao Pessoa. Poucas horas antes de ser assassinado, no Recife, havia marcado encontro na Krause com o amigo, usineiro Caio de Lima Cavalcanti. O visitante comprara uma joia de grife famosa para a filha que morava no Rio de Janeiro.

Roberto Burle Marx era um deles. O filho da pernambucana Cecília Burle, na sua fase de design de joias, quando mostrava, no Recife, ainda jovem, o que desenhava com exclusividade para H. Stein, o mesmo H. Stein que, vindo da Alemanha, fugindo da Guerra, iniciara os seus negócios com as joias feitas pelo também paisagista, que se tornaria o mais importante do século em que viveu. Foi uma dessas joias presenteada pelo governo do Rio de Janeiro à Rainha Elizabeth II, quando de sua passagem pelo Brasil. Nos leilões de arte, as joias de Burle Marx eram disputadas.

O COFRE DA KRAUSE, de fabricação alemã, era o mais antigo e confiável da cidade. O seu peso foi estimado em 2,5 toneladas. O segredo, só ao velho gerente da loja pertencia. Eu sabia, vendo o cofre-museu de perto, que tinha a capacidade de guardar dentro dele vários outros cofrinhos familiares, protegidos em caixas de cedro, (ainda ouço as modinhas vienenses que deles saia, quando abríamos sua tampa de veludo), onde se via antigas cartas de amores desfeitos; outras cartas, sem nome, de despedida do jovem pracinha da FEB com destino à Itália; um vestido de noiva, véus e grinaldas nunca usados; secretas cartas seladas de um jovem padre a uma freira de convento, nada parecidas com as cartas do padre e gênio Pierre Teilhard de Chardin a Leontine Zanta; um pequeno e delicado estojo francês de retoque de maquiagem, para uso quando as palavras nada mais soassem, quando o relógio de parede não mais desse as horas na vastidão do tempo, quando os sonhos fossem quimeras a favor dos ventos, quando o espelho sem folego perdesse o seu reflexo.

VI NESSE COFRE lindas fotos do sol aceso no auge do verão, nos canaviais do engenho Cachoeirinha, de dona Flora de Oliveira Lima, ela que foi casada com o escritor e diplomata Manuel de Oliveira Lima; um exemplar da Odisseia, de Homero, “pai fundador” da literatura e do cânone ocidental, onde em sucessivas passagens o Ouro figura com predominância, ao lado de armas de ferro, diversos tipos de elmos provenientes do Bronze caracterizado pela presença de um suporte metálico, feito de Ouro.

Comoveu-me o gesto simbólico de quem teria deixado sob a guarda do Cofre da Casa Krause esse outro emblemático Ouro, que dura para sempre, não muda de cor com a passagem dos séculos. O que tinha memória, o que tinha esquecimento havia no cofre da Casa Krause. Não exagero ao dizer que vi caixas de perfumes, espelhos, leques e pentes para a festa em louvor à deusa Iemanjá; uma bola de cristal, das que auguravam aventuras e desventuras do amor; fiquei sabendo que, dentro do cofre, havia cipós de madeira, do tipo certo para confecção de banguês, como se nossos engenhos de açúcar não fossem todos de fogo morto; desconfio que, para aprender a amar o mistério, alguém deixou no cofre da Casa Krause, dentro de uma caixa foliada a ouro, um cadeado de prata, fechado, … sem a sua chave; pelo rastro do cheiro que inspirava, havia uma cumbuca cheia de receitas de bolos de leite, torta de chocolate, torta de gelatina que derrete na boca; bolo da cueca virada; bolo de macaxeira ralada; bolo cremoso de coco;

TUDO ISSO, GUARDADO EM SEGREDO, como se fez em caixas herméticas no obelisco de Luxor por doação do Vice-rei do Egito, Mehmet Alçi ao rei da França, Carlos X, hoje instalado na Praça da Concórdia, em Paris; como se fez na abóbada da Catedral de Santa Maria de Toledo. E, para não ir longe, como se fez no obelisco da praça da Matriz, em Vitória de Santo Antão, para assinalar a passagem do século 19: no seu interior foi depositado, entre outros objetos históricos, um exemplar do livro O Delírio do Nada, da escritora vitoriense Martha de Holanda, a primeira poeta e intelectual existencialista, muito antes de Simone de Beauvoir. Cofres antigos, há sempre segredos guardados neles, dependendo das mãos macias que guardam a sua chave.

Marcus Prado – jornalista

Doutor Gil também entrou no páreo para deputado estadual…

Com a presença do pré-candidato a governador de Pernambuco Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, o advogado Gilvani Lima, popularmente conhecido como “Doutor Gil”, lançou oficialmente sua pré-postulação ao cargo de deputado estadual. O evento ocorreu na tarde do domingo (03), na Casa de Recepção Maçã Verde, bairro do Livramento.

Na ocasião, os convidados escutaram atentamente as propostas e afirmações do aspirante a governador, Miguel Coelho, que apresentou números e resultados da sua exitosa gestão pública na cidade mais importante do Sertão pernambucano.

 

Doutor Gil usou da palavra para agradecer a presença dos amigos e admiradores que atenderam ao seu convite. Pontuou seu desejo em se colocar na disputa para debater com outros postulantes suas ideias e projetos compartilhando, também, com o sentimento da população de que a cidade precisa melhorar sua representatividade parlamentar na esfera estadual. Por fim, disse confiar nos propósitos de Deus,  demonstrando fé na sua mais nova caminhada política.

Pedro Ferrer lançou seu 10º livro – Asas Para Vitória de Santo Antão – a história do Aero Clube da Vitória.

O Salão Nobre da “Casa do Imperador” – Instituto Histórico –, na noite as sexta (01), abriu suas portas para o lançamento do 10º livro escrito pelo Professor Pedro Ferrer. Sempre com temas vinculados ao torrão antonense, dessa vez, o professor ganhou altura na obra “Asas Para Vitória de Santo Antão”.

Com farta documentação e muita ilustração, através de fotografias inéditas, o autor consegue transportar o leitor à Vitória de Santo Antão do inicio século XX,  para entender a ousadia da sociedade de então em criar um aero clube, isto é:  numa cidade ainda com poucos automóveis introduzir o avião na ordem do dia das pessoas.

Vale Lembrar também que o autor, hoje com 80 anos, na qualidade de criança foi testemunha ocular desse empolgante acontecimento. Alguns dos seus familiares participaram ativamente desse empreendimento. Assim sendo, para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a história do Aero Clube da Vitória e todos os seus acontecimentos, recomendo a Livro Asas Para Vitória de Santo Antão.

Segue, abaixo, vídeo completo do evento de lançamento.

Caso seja do seu interesse a aquisição do referido livro, favor entrar em contato com Rúbia, através do 9.8880.1744.

Confederação do Equador – por historia_em_retalhos.

Em 02 de julho de 1824, era proclamada no Recife a Confederação do Equador, uma aliança entre quatro províncias que se opunham ao autoritarismo do 1.° Reinado.

Inúmeros foram os seus antecedentes.

Como se sabe, várias eram as divergências entre Pernambuco e o governo central, acentuadas, sobremaneira, na Revolução de 1817, de forma que a província aderiu com muita desconfiança à causa de Pedro I em 1822.

A condição era que o imperador mantivesse a promessa de convocar a Constituinte e aceitar as suas decisões.

“Debaixo desta condição é que aclamamos Sua Majestade”, afirmou Frei Caneca, o líder máximo da Confederação.

Um aspecto importante é que, àquela época, começava a surgir uma nova classe de produtores, ligados ao plantio do algodão, na zona da mata norte do estado.

Esse grupo já não dependia da metrópole, porque vendia o seu produto diretamente às fábricas da Revolução Industrial inglesa, sendo, portanto, simpático às ideias revolucionárias que levassem à quebra dos monopólios.

Tal perspectiva estendia-se às províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, em que a produção algodoeira também se tornara expressiva.

A chegada da notícia da dissolução da Constituinte, em 1823, foi a gota d’água.

Um colégio eleitoral reuniu-se na catedral de Olinda e substituiu a Junta dos Matutos por outra, presidida por Manuel de Carvalho Paes de Andrade.

Paes de Andrade, então, convocou as províncias do norte a juntarem-se a PE, para a formação de um país federalista, inspirado no modelo americano.

A bandeira da Confederação exibia as palavras “religião, independência, união e liberdade”, substituindo os ramos de café e tabaco pelos da cana-de-açucar e do algodão.

O desfecho, porém, foi tirano.

Pedro I determinou a suspensão das garantias constitucionais da província, enviou tropas por terra e por mar e mutilou o território pernambucano, retirando dele a comarca do São Francisco, que correspondia a 60% de seu território.

Apesar da derrota, a Confederação do Equador trouxe ao lume ideais libertários que mudariam o curso da história do Brasil.

Ontem e sempre, nestas terras, o arbítrio nunca se fez.
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Paulo Câmara – um fardo pesado a ser carregado…….

Ainda na fase da pré-campanha, os candidatos à cadeira mais importante do Palácio do Campo das Princesas começam sinalizar que rumo deverá tomar suas respectivas estratégicas nessa disputa. É bem verdade que existe um grande conjunto de eleitor que ainda  não sabe nem que  haverá  eleição em outubro, muito menos  em que candidato deverá sufragar o seu voto.

Campeão em rejeição, segundo todas as pesquisas já divulgadas ( cerca de 70%)  o governador Paulo Câmara deverá ser o “saco de pancada” do pleito. Até o seu candidato, Danilo Cabral, de alguma maneira,  já vem se distanciando dele.

Apostando na polarização nacional entre Lula e Bolsonaro, os seus respectivos candidatos “oficiais” locais, Danilo e Anderson, respectivamente, já vem tentando colar suas imagens   e discursos  na agenda nacional para, juntos, chegarem ao segundo turno – esse é o desejo dos dois.  O grande problema, por assim dizer, é que existe um “fato” chamado “Marília Arraes”. Eis aí, portanto, o “X” dessa  questão eleitoral pernambucana em 2022.

As outras duas pré-candidaturas com visibilidade, Miguel Coelho e Raquel Lira, estão alinhadas nacionalmente  com Luciano Bivar e Simone Tebet, respectivamente, algo que, convenhamos, passa muito distante do imaginário popular, necessitando  assim, deles, (Miguel e Raquel) criatividade extra e uma  dinâmica  própria nas campanhas  para poder  avançar na disputa.

Em nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – os três grupos políticos com representação na ALEPE estão “abraçados” com o governador Paulo Câmara e, por tabela, com o projeto do pré-candidato  Danilo Cabral. Resta-nos saber  se  realmente todo esse arsenal político/eleitoral se materializará em voto na urna,  em outubro, no colégio eleitoral antonense.   A campanha propriamente dita ainda nem começou……….

 

A Casa mais olindense de Olinda – por Marcus Prado.

Já imaginou conhecer cada cantinho (e sua fascinante história) de uma das Casas mais olindenses e ilustres de Olinda, senão de Pernambuco, a Casa da Rua de São Bento, que pertenceu ao herói da Restauração Pernambucana, João Fernandes Vieira? Um dos sobrados mais antigos e preservados da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, hoje de propriedade do escritor, ficcionista, biógrafo, acadêmico da APL, Cláudio Aguiar, e que teve como seu antigo dono e morador o escritor e acadêmico da ABL, Joaquim de Arruda Falcão. O sobrado foi tombado em nível federal pelo IPHAN como Patrimônio Histórico e Artístico de rigorosa preservação. Não conheço em Olinda outro imóvel com tamanho esforço de preservação.

Quem sobe a colina de acesso ao Mosteiro de São Bento, vindo do Palácio dos Governadores, o olhar atento para o último sobrado do lado direito dessa Rua, terá o mesmo gosto experimentado pelo monarca Dom Pedro II quando esteve com a sua comitiva em visita à Marinho dos Caetés, em 1859. A mesma Rua que foi de Edson Nery da Fonseca, Gilvan Samico, Ormindo Pires Filho e de tantos religiosos educadores beneditinos que ficaram na história. A rua mais visitada por milhares de turistas que passam por Olinda todo ano, onde se ouve o mais belo tocar de sinos do sítio histórico. Não tem erro: na parte cimeira do sobrado há uma placa histórica informando que João Fernandes Vieira habitou e faleceu naquele imóvel. A placa foi fixada pela primeira vez, em 1865, pelo Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), responsável pela luxuosa edição do livro. Placa inspirada num pedido de Dom Pedro.

Não foi por acaso que a visita imperial privilegiava no seu roteiro pernambucano os lugares emblemáticos da nossa história. Em Olinda a sua escolha foi para o Mosteiro de São Bento e a Casa do Mestre de Campo e herói João Fernandes Vieira, ele que ficou conhecido como um dos mentores da Insurreição Pernambucana (1645-1654), que culminou com a expulsão dos holandeses das nossas terras depois das batalhas do Monte dos Guararapes. Sem esquecer a do Monte das Tabocas, em Vitória de Santo Antão, desafiadora e heroica, que teve como seu historiador o saudoso mestre José Aragão.

Conhecedor da história de Pernambuco como raros do seu tempo e dos feitos heroicos do morador dessa Casa, o monarca que amava fotografar, fez questão de ali se demorar na calçada cujos tijolos e pedras ainda são do seu tempo, as chamadas “Pedras do Reino”. Ainda hoje, diz o autor, “podem ser vistas dezenas de “Pedras do Reino” colocadas em toda a extensão lateral da calçada (…)”

Tudo isso e mais ainda é narrado com detalhes minuciosos numa bem conduzida escrita e pesquisa histórica, que acaba de sair do prelo, numa edição de luxo, capa dura, bilíngue: A Casa de João Fernandes Vieira, o Restaurador de Pernambuco, de Cláudio Aguiar, conhecido por sua vasta obra literária e prêmios como o Jabuti, pela dedicação ao patrimônio histórico de Pernambuco, assim como pela sua elogiada atuação durante vários anos à frente do PEN CLUBE do Brasil, com sede no Rio de Janeiro. No elogioso prefácio de Arno Wehling, da ABL e confrade de Claudio Aguiar no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RJ), foi dito que “o autor bem atendeu aos requisitos ditados por Gilberto Freyre: a obra é biografia e sociologia, além de ser, igualmente, um belo exercício de história cultural, associando memória social e cultural”. De sua parte, mestre Reinaldo Carneiro Leão, Secretário Perpétuo do Instituto Arqueológico e Histórico Pernambucano, num dos seus melhores textos como historiador, nos diz, no Prefácio, que o livro de Cláudio Aguiar muito provavelmente surge para a melhor compreensão do herói da Restauração Pernambucana”. O autor por certo já conta com esse livro para as bases de sustentação da futura Casa olindense de muitos saberes culturais que pretende criar, tendo como sede a Casa de Vieira e como moldura, além das particularidades das suas dependências, feitas para durar séculos, o espaço público do entorno do sobrado. Um entorno preservado, que cumpre as leis internacionais de Tombamento histórico. Um lugar de se poder desfrutar do mais belo amanhecer da cidade. É um livro de notável e perceptível importância na melhor historiografia brasileira do nosso tempo. Ostenta um polo de enorme atração como leitura cristalizada no domínio da arte de escrever e pesquisa. O livro, dedicado a Célia, mulher do autor, reúne fotos temáticas de minha autoria, de J. Francisco e Ítalo Didot. A versão em inglês é de Tereza Christina Rocque da Motta.

Marcus Prado – jornalista.