Vida Passada… – Sotero dos Reis – por Célio Meira.

No ano de 1800, na cidade de São Luiz, do Maranhão, nasceu, a 22 de abril, Francisco Sotero dos Reis. Foi aluno, na infância, de Frei Caetano de Vilhena, e quando se abriram, na sua vida, as estradas da mocidade, pensou, Francisco, no estudo da medicina, na velha França. Não lhe permitiu o destino essa aventura. A morte arrebatou-lhe o pai, e ele ficou no torrão nativo, triste e pobre.

Iniciou-se, então, no magistério particular, ensinando francês e latim, até que, em 1821, o general Bernardo Silveira, presidente da província, narra o padre Galanti, o nomeou professor dessa última disciplina, nu colégio, que vivia e prosperava nas graças do governo. Sotero obteve, em concurso, a cadeira de latim, no Liceu de sua província. Fundou o Instituto Literário Maranhense.

Político de convicções arraigadas, conservador, filiado ao partido dos cubanos ou saquaremas, teve, Sotero, atuação destaca e combativa nos anos de 1838 a39, no tempo da inditosa revolução dos “Bem´ti-vís”. Combatia-o o liberal Franco de Sá, “Bem-ti-vís” de boa linhagem, e amigo dedicado de João Francisco Lisboa, que era, na Côrte, o embaixador das ideias liberais. Nega-se a Sotero, nesse doloroso movimento armado, sentimentos de generosidade; atribue-se-lhe perseguição terrível aos adversários, e a historiadora Carlota Carvalho, nascida no Maranhão, o acusa de sanguinário. Outros historiógrafos exaltam-lhe a figura política e a obra patriótica. Há, ainda, nesses julgamentos, de lado a lado, afeições e ódios que se transmitiram de geração em geração.

Jornalista de linguagem elegante e vigorosa, armou, Sotero, várias tribunas de combate, e entre essas, o Maranhense, o Constitucional, o Observador e o Eclesiástico, informam biógrafos, foram aquelas em que, de melhor modo, ele se agigantou, na arena de luta, e aos olhos dos que o aplaudiam, tocados de idealismo.

Deputado à Assembleia da província nativa, homem de imprensa, político, não abandonou, nunca, a cátedra, ensinando a língua latina, num largo período de 43 anos, à mocidade da terra onde nasceu. Jubilou-se aos 66 anos de idade, publicando o “Postila de gramática geral”, o “Curso de literatura brasileira e portuguesa” e a famosa “Gramática Portuguesa”, consultada, ainda hoje, pelos estudiosos do vernáculo.

Morreu Sotero, aos 71 anos. Amado e odiado entre os políticos, queridos entre os discípulos, admirado no mundo dos intelectuais, pertence, esse brasileiro, à galeria dos filhos preclaros da gleba de Odorico Mendes, Gonsalves Dias, Joaquim Gomes de Sousa, Coêlho Neto e de Humberto de Campos, o príncipe dos escritores do Brasil.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira. 

Bola murcha para Trump…..

INDIANA, PENNSYLVANIA – SEPTEMBER 23: Republican presidential nominee, former U.S. President Donald Trump, dances on stage as he finishes speaking at a campaign rally at the Ed Fry Arena September 23, 2024 in Indiana, Pennsylvania. Trump is campaigning throughout western Pennsylvania today. (Photo by Win McNamee/Getty Images)

No micro universo  do futebol e no mundo das mais  diversas linguagens artísticas,  emolduradas pela imprescindível liberdade de expressão, toda atitude desproporcional de força, via de regra,  descamba para o deboche respeitoso.

Recentemente, o presidente  do EUA, Donald Trump,  “entrou em campo” para marcar aquilo que poderíamos chamar de um “gol contra”. Usando força oculta, mas poderosa, interferiu no regramento da FIFA, para anular um cartão vermelho, efetivado pelo um árbitro brasileiro, na direção de um atleta estadunidense.

Possivelmente,  motivados pela manobra tosca e esquisita do líder americano  os jogadores do selecionado da Bélgica, na noite de ontem (06), dentro de campo,  humilharam os donos da casa, ou seja: cantaram  de galo no terreiro alheio, com direito a dancinha provocativa…

Com essa resposta oportuna, eficiente e coreografada fica-nos uma dúvida: será   que os belgas, agora,  terão direito de seguir em frente na competição da FIFA (2026)?

Venceu o bom senso. Aguardemos as manifestações em forma de vaias  na partida final, se o Trump inventar de aparecer no dia da festa,  para entregar o  troféu de campeão.

A ópera ficaria  perfeita se o time da Bélgica terminasse a competição em primeiro lugar……..Segue o jogo….

Eliminação do Brasil: Ressaca futebolística…..

Além do Brasil, claro, também procuro acompanhar outros selecionados, toda vez que tem copa do mundo.  “Meu Uruguai, caiu na primeira fase.  Torci, também,  pelo Paraguai. Pelo Cabo Verde, vibrei bastante. Achei que o México chegaria mais longe.

Na peneira das oitavas, o nosso Brasil ficou. Uma pena! Mas á verdade deve ser dita: em 2026, o  time brasileiros não empolgou hora nenhuma….

Restou-me,  refazer a rota no quesito torcida alheia. Continuarei secando a França e a Argentina. Mas numa final entre as duas, acenderia velas para o selecionado sul-americano.

Não sou simpático ao fato do EUA avançar. Levando em consideração que apenas 8 países levantaram a taça de campeão na história das copas, doravante, irei torcer pelos países que nunca venceram. Com preferência pela Colômbia e Portugal, e Marrocos “jogando por fora”.

Tudo isso seria um uma espécie de “prêmio de consolação”. Até porque, convenhamos, a motivação maior (Brasil), naufragou no barco Norueguês. Sigamos, renovando as esperanças, na longa estrada do tempo, até 2030…….

Vitória – “3 deputados, mas é mesmo que num ter nenhum…..”

Alardeado pelas redes sociais tomamos conhecimento que hoje, sexta-feira (03), contaremos, em solo antonense,  com as ilustres presenças dos dois principais candidatos ao governo de Pernambuco (2026).  Agendas administrativas – como pano de fundo. Na prática, a campanha eleitoral já começou.

Nossa cidade, Vitória de Santo Antão, capital da Zona da Mata, ocupa espaço destacado no cenário econômico do estado. Na seara política, há várias décadas,  também  ocupamos  pedaço consistente de representatividade na ALEPE. Nessa aritmética, por um calculo simples e elementar, deveríamos contar com  bastante força com qualquer governador que estivesse morando no  Campo das Princesas – independente de lado político. Mas por incrível que pareça acontece  justamente o contrário.

O sentimento da população antonense, na linguagem popular, assim se expressa: “temos três deputados, mas é mesmo que num ter nenhum….”.

Após o pleito, independente por qual partido os nossos ilustres representantes sejam eleitos, eles acabam virando  governistas de carteirinhas.

Doravante, esquecem de cuidar  dos problemas da cidade e passam a usar os seus respectivos “peso político”, outorgado pelos eleitores locais de boa fé, para cuidar apenas dos  interesses próprios, ou seja:  resolver a sua vida e a dos familiares.  Para os governadores a equação se torna  simples, já que inexiste oposição –    como se diz no jargão político, “ Vitória é uma cidade resolvida”.

Por aqui, o que não falta são  problemas crônicos: é COMPESA que não investe em melhorias. É delegacia sucateada, ostentamos o incomodo título de uma das cidades mais violenta do estado, é o presídio local com quase 300% (291%) de superlotação: aliás, hoje (sexta 03),  assassinaram uma pessoa logo pela manhã,  em via pública, no bairro da Bela Vista

Infelizmente, Vitória é uma cidade castigada pelos políticos. Por aqui, nossos três deputados – filhos de três ex-deputados –  repetem o sistema  de décadas, que aliás: sempre deu certo.

Os eleitores, coitados,  que poderiam inverter esse “destino”, convenhamos, é o elo mais frágil dessa lógica perversa,  que continua reproduzindo privilégios para poucos e ignorando às necessidades  da coletividade.

No Brasil a incoerência política parece ser a regra…..

Não existe democracia, sem partidos políticos. A sigla partidária, na sua essência, é um espaço, num só tempo,   para o pensamento construtivo e crítico. Na sua formatação cartorial, os partidos são instituições federativas, ou seja: fomentam (ou deveriam)  um “pensamento” nacional.

Apesar de algumas mudanças positivas no ambiente partidário brasileiro, ocorridas   na última década, na qualidade de povo e eleitor ainda continuamos desconfiados, isto é: os atos reais fomentam e alimentam o descredito.

Com efeito, ontem (1º), o PSD, que carrega o número 55, que tem como pré-candidato a presidência da República o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou o atual presidente da sigla e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,  como candidato a vice. Aquilo que no jargão político atende pelo nome de “chapa puro-sangue”.

O curioso é que  os destaques da referida sigla (PSD), espalhados pelos estados,  não marcaram presença. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também filiada ao PSD, não participou desse ato importante do partido.

Aqui na paróquia pernambucana, a governadora, candidata à reeleição, faltando menos de um mês para as convenções partidárias, ainda não disse em quem votará para presidente.

No andar de baixo, refiro-me às postulações com DNA antonense, também observamos certa falta de clareza no  que se refere ao posicionamento político partidário de alguns atores.  Algo que corrobora com essa esquizofrenia  e incoerência política/partidária nacional.

O deputado Joaquim Lira, por exemplo: é filiado ao Partido Verde. O mesmo (partido) integra uma federal juntamente com o PT e PC do B que, historicamente, no estado (PE), são ligados ao grupo liderado pelo opositor  João Campo (PSB). No enquadramento político partidário, o deputado Joaquim Lira teria obrigação de votar em Lula, João Campos, Marília Arraes e Humberto Costa. Mas, na prática, se coloca como um apoiador  e soldado da governadora Raquel Lyra.

Noutro exemplo que também confundi a cabeça do eleitor, joga o posicionamento do deputado Aglailson  Victor. Neto de Zé do Povo, historicamente ligado à família Arraes e ao presidente Lula, em 2026, segue no campo da governadora Raquel Lyra que, por outras circunstância,  poderá se “abraçar” com a candidatura do Flávio Bolsonaro, levando o jovem deputado consigo.

Já o atual prefeito Paulo Roberto, que em 2026 apoia dois familiares – a candidatura da deputada federal Iza Arruda e a postulação à ALEPE do Túlio Arruda – e sempre foi ligado à chamada “direita pernambucana” rompeu com a governadora Raquel Lyra e alinhou-se às tradicionais forças populares estaduais. Em 2026, já se declarou: vota em Lula e no palanque fechado de João Campos. O bônus ou ônus dessa equação, só será melhor apurada com a abertura das urnas.

Como falei inicialmente,  os partidos políticos, no Brasil, ainda são espaços frágeis na formação do pensamento  e na atuação eleitoral   política. Na prática, nos palácios – em Brasília, em Recife, em Vitória ou em qualquer outro lugar – continua em voga a famosa e mais usada regra. Ou seja: a da  conveniência política momentânea….. Segue o jogo….

Festa da Saudade – Super OARA – 15 de agosto.

No vídeo, um pouco do clima de um dos encontros da Festa Saudade, evento dançante que celebra o bom repertório musical e o encontro de gerações: 

Serviço:

Evento –  9ª Festa da Saudade 

Dia – 15 de agosto

Local – Clube Abanadores O Leão

Atrações musicais: Banda Pinga Fogo e Orquestra Super OARA

Reservas de mesas e camarotes: 9.9188.3054

 

 

Vida Passada… – Conselheiro Peretti – por Célio Meira.

Nasceu  Anselmo Francisco Peretti, a 21 de abril de 1812, na terra goianense, na atina província de Pernambuco. Inclinado, desde os primeiros anos, às letras literárias, o jovem Anselmo era calouro, aos 19 anos de idade. No Curso Jurídico de Olinda, o técto do famoso mosteiro de São Bento. E aos 23 anos, recebeu a láurea de bacharel. Rico, atravessou o atlântico, e viajou pelas civilizadas cidades da Europa, estudando literatura, conta Pereira da Costa, e afirmam historiadores numa Universidade de Paris.

Retornando à Pátria, ilustrado, e cheio de esperanças, ingressou na vida pública, aceitando o cargo de secretário dos presidentes das províncias do Maranhão e do Ceará. Contava, apenas 30 anos, quando, o governo do 2º Império lhe confiou a presidência da província de Sergipe. Dirigiu, decorridos dois anos, os destinos dos alagoanos, numa época de inquietação política, alcançando, nesse posto, simpatias e aplausos, pela serenidade de seus propósitos e de suas atitudes.

Pertenceu, Anselmo Peretti, honestamente, à magistratura pernambucana. Exerceu a judicatura na sua terra natal, a gloriosa e histórica cidade de Goiana, vinculada aos movimentos nativistas, e nas comarcas do Brejo-da-Madre-de-Deus, do Limoeiro, da Vitória de Santo Antão e do Recife. Galgou o ponto de Desembargador na Relação de Pernambuco, sentando-se, pela escolha unanime de seus pares, na cadeira na cadeira da presidência. Político liberal, independente, e austero mereceu a honra de representar na Câmara Geral, as províncias do Ceará e do Piauí. Representou, também, o povo do Recife, na Câmara Municipal, pugnando pelos interesses da cidade. Em 1860, foi eleito 1º provedor da Santa Casa de Misericórdia do Recife, e nesse cargo elevado, permaneceu durante 12 anos, servindo aos pobres, aos necessitados e aos aflitos, numa afirmação, nunca desmedida de caridade cristã.

Vice-presidente da província de Pernambuco, o eminente brasileiro à frente do governo, interinamente, de 1º de dezembro de 1864 a 24 de janeiro de 1865, na ausência do Barão de Vila-Bela. Faleceu o conselheiro Peretti, em 1877, aos 65 anos de idade.

Deputado, homem de governo, magistrado, o eminente goianense honrou o nome de Pernambuco. Ele foi na verdade, no julgamento de Epaminondas de Melo, citado por Pereira da Costa, “primus inter pares pela presidência do Tribunal, mas era também primus inter pares, pela inteligência, e pela ilustração jurídica e literária”.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira. 

 

12º Encontro das Amigas da Vitória – 26 de setembro.

Já virou tradição. No último sábado do mês de setembro acontece, em Vitória de Santo Antão, uma celebração memorável. Pessoas, das variadas tribos que, na qualidade de jovens, viveram, juntas, seus sonhos juvenis resolvem reviver “os tempos que não voltam mais….”

Em 2026, mais uma vez coordenado pela vibrante Flávia Verçosa, o 12ª Encontro das Amigas da Vitória já está garantido. Acontecerá no Restaurante Gamela de Ouro, no sábado, 26 de setembro, com inicio previsto às 11h.

Para mais informações: Flávia: 9.8923.5675.