
Governava o Brasil, o sr D. João VI, num reinado feliz, quando nasceu Antônio Vicente do Nascimento Feitosa, em 1816, na cidade do Recife. Matriculou-se, aos 17 anos de idade, no Curso Jurídico de Olinda, e , aos 21, conquistou a carta de bacharel, na companhia de Teixeira de Freitas, de João Maurício Vanderlei, o futuro barão de Cotegipe, e de Zacarias Góis. Três ano depois, alcançou o grau de doutor, brilhantemente, na mesma Escola de Direito. A promotoria pública do Recife foi o primeiro marco da sua carreira pública. Revelou-se orador de raça, nessa cadeira de justiça.
Dedicou-se, também, ao magistério lecionando filosofia, em 1844, no antigo Liceu Pernambucano. Praticou a advocacia. Orador primoroso, e culto, conquistou aplausos, na tribuna judiciária. Político ardoroso, liberal exaltado, teve, Antônio Feitosa, atuação destacada, e impressionantemente, dia a dia, na imprensa do Recife.
“Praieiro”, pontificou, esse jornalista vigoroso, no “Diário Novo”, ao lado de Urbano Sabino Pessoa de Melo, de Felix Peixoto e de Lopes Neto, combatendo, desassombradamente, os conservadores, que eram, à esse tempo, os famosos “guabirus”.
Prestigiado pelo povo, vanguardeiro das legiões liberais, conseguiu eleger-se deputado geral por Pernambuco, em 1863, numa época em que a política do império ouvia a voz de comando do pernambucano Pedro de Araújo Lima, o marquês de Olinda, chefe de um gabinete adversário. Na câmara obteve vitórias.
E contava 5 anos de idade, quando, a 29 de março de 1868, a morte o arrebatou. Grandes e justas, foram as homenagens que fizeram à sua memória. Dez meses decorridos, na sessão solene do Instituto Arqueológico Geográfico e Histórico Pernambucano, realizada em 27 de janeiro de 1869, dizia Aprigio Guimarães, um dos príncipes da eloquência, a respeito daquele que ajudaria a fundar a Casa de Pernambuco: – “ O dr. Feitosa será para as futuras gerações pernambucanas o símbolo ilustre da força do talento e do estudo, e o mais nobre exemplo, legado aos filhos do povo, do prestígio e do merecimento pessoal”
Esta ainda de pé, fortalecido pela gratidão das massas populares, esse alto prestígio de que falava, há mais de meio século, o mestre Aprigio. Na zona do Campo Grande, município do Recife, há, ainda hoje, o “Feitosa”, trecho aprazível daquele arrabalde populoso.
O povo não se esquece, apesar dos pesares, daqueles que o amaram.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.



























