
Três meses antes de desencadear-se pelo nordeste, partindo de Pernambuco, a Confederação do Equador, o sonho grandioso e malogrado do republicano Pais de Andrade, nasceu Antônio Teixeira da Rocha, a 4 de abril de 1824, na cidade de Maceió. Terminando o curso preparatório, matriculou-se, Antônio Teixeira, na Faculdade de Medicina da Baía, na esperança de conquistar a carta de doutor. E obteve-a, brilhantemente, aos vinte e dois anos de idade. Estudioso, fascinado pelo magistério superior, alcançou a cátedra, em concurso memorável, na Faculdade de Medicina, do município Neutro, sede do poder da monarquia. Foi, nessa escola, professor eminente, pelo caráter e pela sabedoria invulgar, àquele tempo.
Mereceu a honra, conta um historiador, de ser médico da Câmara Imperial, gozando da amizade e da simpatia D. Pedro II, Imperador e sábio. Representou, na Câmara Geral, de 1872 a 75, a província natal, sem perder a confiança e o respeito daqueles que lhe conferiram o mandato popular. Recebeu, informa um biógrafo, aos 53 anos de idade, a graça de um baronato. Foi, Antônio Teixeira da Rocha, barão de Maceió.
Correm, a respeito da vida desse titular, algumas histórias e várias anedotas. Entre essas, a do “copo dágua”, a que se refere Heitor Moniz no “Aspectos da História Brasileira”.
Resumamo-la:
– Viajava D. Pedro II, em 1880, com destino ao Paraná, a bordo do ‘Rio Grande”. O barão de Maceió, o visconde de Tamandaré, o vereador Pinto, e outros, faziam parte da comitiva imperial. Num dado momento, Sua Majestade pediu, ao barão, um copo dágua. Partiu, veloz, o fidalgo alagoano, e , poucos minutos, oferecia ao imperante, “numa salva de prata pesada, o copo de cristal”. O visconde de Tamandaré, camarista do Imperador, assistiu à cena, e “tremeu de cólera”. Quando o barão foi guardar o copo, Tamandaré o acompanhou e o interpelou, com voz cheia de ódio:
-“Quem lhe deu a confiança de servir água a Sua Majestade? Não sabe que o camarista sou eu?”
“Maceió replica no mesmo tom aborrecido, aborrecido e enérgico”
Travou-se áspera discursão. Faiscaram, no tombadilho, insultos terríveis. E ouviram-se estas palavras:
-“Você é um reles grumete!”
-E você um reles alveitar!…
Disputava-se desse modo, na monarquia, o direito de coriesania…
Morreu o barão, aos 62 anos de idade, no Paço de São Cristovão. Finou-se como um príncipe, na opulência, e nas graças da monarquia.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.





Pelo generoso convite, emitido pelo conceituado comunicador antonense, Josué Correia, na próxima quinta-feira, dia 26 março, a partir das 14h, estaremos, mais uma vez, na qualidade de entrevistado, participando do seu singular programa: Gente Interessante.













Anoitece em Vitória. Anoiteço em Vitória. Sou figura noturnal, viajante do ocaso, sonhador como o crepúsculo vespertino, morto de saudade como o final. De olhos vendados, conheço o cheiro dos bairros, dos becos, do meio do mato de minha cidade natal. O cheiro de fumaça, de mingau, de chuva. Sou todo olfato e lembrança. Conheço os trejeitos do meu lugar, os cabelos perfumados, os enxerimentos, o flerte e o gozo. Minha cidade é todinha uma mulher. Chamar-se-ia Vitória das Marias, Maria das Vitórias, tal como é.



“Se você se surpreende com a existência de homens desonestos, você é um tolo. A desonestidade é uma erva daninha que cresce onde há homens. O milagre é você permanecer reto em meio ao matagal.” – Marco Aurélio
Na condição de candidato a presidente da República, Juscelino Kubitscheck, (Diamantina MG 12.9.1902- Resende -RJ 22.8.1976), esteve em Vitória de Santo Antão. Almoçou na residência do então prefeito José Joaquim da Silva,(1955-1959), segundo mandato, o primeiro foi de 1947 a 1951, no sobrado da rua Primitivo de Miranda. No exercício da presidência cumpriu promessa de quando candidato, disponibilizando verbas para a construção da Maternidade da Vitória.
