
Na risonha Aracati, princesa do Jaguaribe, berço nativo de Liberato Barroso e de Adôlfo Caminha, nasceu, em 1814, Pedro Pereira da Silva Guimarães. Matriculou-se, aos 19 anos de idade, no Curso Jurídico de Olinda, conquistando a carta de bacharel, em 1837, ao lado de Teixeira de Freitas e de João Maurício Vanderlei, o futuro e famoso barão de Cotegipe. Era, ainda, terceiro anista de direito, quando publicou, no Recife, ou na terra olindense, o “Vandemecum dos Poetas ou coleção de sonetos jocosos, esquisitos, curiosos e burlescos”.
Diplomado, regressou à província natal, e ingressou na imprensa. O “Popular”, em 1883, foi, conta o barão de Studart, o “pai da história do Ceará”, sua primeira tenda de trabalho, em cujo mastro desdobrou tocado de idealismo, a bandeira vermelha de sua vida de combatente. Cedo, porém, o governo ferido e injuriado, destruiu essa trincheira inimiga. No ano seguinte, Pedro Guimarães assumiu a cadeira de justiça pública, em Fortaleza, e mais tarde, deu audiências, e lavou sentença, num juizado municipal e de órfãos, na mesma cidade marítima, coroada de sol.
Espirito irrequieto, mas, forrado de cultura jurídica, polemista de boa estirpe, teve, Pedro Guimarães, no jornalismo partidário, o grande e movimentado cenário de suas grandes batalhas. No “Pedro II”, de Fortaleza, narram contemporâneos, traçou as famosas “Cartas de Braz Pitorra à sua sobrinha Inês Sensata”. Combateu, sem temores, no “Periquito”, o governo do presidente Vasconcelos, ridicularizando o chefe do poder, e no “Comercial”, em 1855, redigiu Alforges, “Folhetins jocosos”, no julgamento austero daquele titular, e que tiveram aplausos nas rodas jornalísticas e literárias do velho Ceará da monarquia. “O SOL”, porem, sentenciam biógrafos, foi na realidade, a grande luminosa tribuna desse preclaro aracatisense, que se vinculou, quando era moço, à vida mental das cidades de Olinda e do Recife.
Exerceu, também, a magistratura, na província do Pará, e atraído pela politica, representou sua província, na Câmara geral, pedindo, desassombradamente, da tribuna, de 1850 a 1852, a aboliçãoda escravatura negra. O magistério cearense viu Pedro Guimarães, entre suas figuras destacadas. Lecionou geometria, esse vanguardeiro das liberdades públicas, no Liceu de Fortaleza.
Teve vida longa e trepidante. Morreu aos 62 anos de idade, no dia 13 de abril de 1876. Finou-se, nesse dia 13 de abril de 1876. Finou-se, nesse dia, o autor da “Cartilha de meus filhos”, e de “O Nome de Pedro”, obra valiosa, dedicada o Imperador da terra brasileira.
Não se deve esquecer de Pedro Guimarães, a terra do Aracati.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira






















Eu sempre tive a mania de colar frases célebres no centro da cidade para o povo refletir. Sou um LOUCO da boa LOUCURA. Há quem colecione galo de briga e se acredite sadio.










