
No ano de 1850, a 6 de maio, João Damasceno Vieira Fernandes, na formosa cidade de Porto-Alegre. Terminando o curso primário, conquistou, aos 21 ou 22 anos de idade, o título de professor, na Escola Normal da terra onde nasceu.
Não possuía, o jovem inspirado poeta do “Ensaio Timidos”, a paciência do mestre-escola; faltava-lhe o amor à vida, se gloria, do magistério primário; não tinha o espirito de renúncias dessas criaturas, professores públicos de primeiras letras, que trabalham e sofrem, se estiolam e morrem, no anonimato e na humildade. Desejou Damasceno Vieira, vida mais intensa, em que pudesse, pela natureza do seu trabalho , correr pelo mar, pelos rios e pelas terras do país natal. E ingressou, esperançoso, no funcionalismo público.
Exerceu, a principio, contam biógrafos, o cargo de escriturário na Tesouraria da Fazenda, e na Alfandega da Província nativa e, depois, em outras Alfandegas do Rio Grande do Sul. E servindo à nação, realizou a peregrinação desejada, por uma grande faixa da terra brasileira. Trabalhou na Alfandega de Santos, na do Rio, e na do torrão baiano, honrando, sempre, o cargo público, a que consagrava as energias de seu espirito iluminado.
A burocracia não matou, graças a Deus, o homem de letras. Poeta, jornalista, crítico, historiador, e teatrólogo, deu, Damasceno Vieira, à literatura nacional, boas obras, escritas em linguagens elevada, e correlata, e cheias de amor à terra onde viu, um dia, a luz do sol. Entre seus trabalhos, está o livro “Esboços literários”, páginas de crítica, “ A flor do Mancá”, formoso poemelo histórico, e o “Através do Rio da Prata”, obra preciosa que o levou, conta um biógrafo, no Instituto Histórico Brasileiro.
Batalhou, durante quarenta anos, no jornalismo, redigindo artigos e crônicas no “Jornal do Comércio”, de Porto Alegre, na “Reforma”, e no “Mercantil”, diários da gleba nativa, e em inúmeros jornais e revistas do Brasil. Morreu, Damasceno Vieira, na Baia, aos 60 anos de idade. E seu nome é , ainda hoje, no funcionalismo federal, e nas letras literárias, um exemplo de honestidade e de trabalho.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira




































Um certo domingo, corria o ano de 2010, eu assistia a uma reprise do Conexão Internacional, quando apareceu o jornalista e escritor carioca Carlos Heitor Cony, sendo entrevistado por Roberto D’Ávila.
