Dados históricos curiosos sobre o crescimento populacional do nosso lugar.

Por obra dos nossos antepassados, com destaque para o Mestre Aragão, Vitória  possui um conjunto de informações escritas que nos permite, com certa clareza e alongados  anos de estudo,  exercitar  a imaginação,  no se  refere a sua evolução civilizatória.

Revirando meus arquivos encontrei, recentemente,  algumas informações que nos permite afirmar que o nosso lugar, por volta da  metade do século XVIII, experimentou um salto de crescimento populacional  considerável.

Em 1746:

439 fogos (moradias) e uma população estimada em 1.982 pessoas

28 anos depois, em 1774, outros registros dão conta de:

1009 fogos (moradias) e uma população estimada de mais de 4.000 pessoas, assim catalogadas:

Sexo masculino:

Criança até 7 anos – 970

Rapazes até 15 anos – 441

Homens até 60 anos – 902

Velhos, de 60 anos acima – 120

Sexo feminino:

Criança até 7 anos – 842

Raparigas até 15 anos – 378

Mulheres  até 50 anos – 991

Velhas, de 50 anos acima – 222

As fontes históricas divergem em alguns momentos, no diz respeito ao número de habitantes e curiosamente à paridade entre habitantes masculinos e femininos.

Pois bem, são números que revelam uma movimentação  populacional importante em nossas terras. Outra coisa que devemos ficar atentos, no que concerne aos fatos históricos antonenses é que,  as vezes,  os políticos contemporâneos, em rompantes, gostam de falar que seus feitos, suas obras e o “seu tempo” foram os “mais” da nossa  história. Nessa caso, em se tratando de crescimento populacional, vale pesquisar mais, para que os fatos não sejam contrariados…….

EU E MEU MENINO NO TEMPO DELE MENINO – por Sosígenes Bittencourt.


Filhos são relógios que temos.
Quanto mais jovens, mais envelhecemos.
O menino: – Pai, estou com medo.
Eu: – Começaste a sentir a dor da alma.
O menino: – O que é alma?
Eu: Para ter alma, não precisa explicação.
O menino: – Pai, eu penso que, quando o senhor era menino, o mundo era preto e branco.
Eu: – Cometeste o teu primeiro poema.
O menino: – Pai, eu estava com saudade.
Eu: – Saudade é um sentimento que não morre quando se mata. É a gente matando saudade e morrendo de saudade.
O menino: – Pai, uma menina me beijou.
Eu: – Cuidado, meu filho, eu ainda não estou na idade de ser avô.

Sosígenes Bittencourt

20 anos de saudade – por Mariano Ageu.

Nunca imaginei que, mesmo depois de tanto tempo, o nome dele continuaria tão presente no nosso dia a dia. Às vezes, fico pensando em como seria vê-lo com Mariana. Nessas horas, passa um filme e imagino quantos momentos incríveis eles poderiam viver juntos.
Mas uma coisa eu tenho certeza: Javan Ageu é daquelas pessoas que nunca deixam de viver em nossos corações.
Javan era sinônimo de alegria! Como bem disse um amigo: “Pra nascer um Javan, é muito difícil. Não tem igual!” E, como resumiu outro amigo: “Javan era de tudo um pouco.”
Falar dele é lembrar do INSS, dos Amigos para Sempre, do Clube dos Motoristas, do Arrasta Tudo, do Pereirinha, do Clube do Fusca e, claro, da política, que ele tanto acompanhava e gostava de viver.
Fico muito feliz em saber que ele viveu intensamente e que, sim, venceu! Mesmo depois de 20 anos, seu nome continua presente nas conversas, nas lembranças e na vida de tantos amigos. Isso só demonstra o quanto ele marcou a vida das pessoas e o quanto sua história continua viva entre nós.
Queria ter tido mais tempo ao lado dele, mas Papai do Céu sabe de todas as coisas. Foram doze anos de convivência, de muitas histórias e de muito aprendizado. Ensinamentos que carrego comigo até hoje e que continuam fazendo parte de quem sou.
O tempo passa, a saudade permanece, mas seu nome, sua história e seus ensinamentos continuarão vivos em nossas vidas.
Obrigado por tudo, meu pai!
A LUTA CONTINUA, COMPANHEIRO!
Mariano Ageu – advogado. 

Vida Passada… – Padre Machado – por Célio Meira.

Na cidade pernambucana de Gravatá, situada à margem do Ipojuca, rio sertanejo, nasceu, em 1890, no lar de Inácio e de Maria Francisca de Barros Machado, uma criança do sexo masculino. Recebeu, à pia batismal, o nome de Manuel. E aos 5 anos começou, esse menino travesso, e inteligente, a ouvir as lições se sua genitora, que pertencia, nobremente, magistério púbico. Mãe e professora, Maria Francisca dirigiu, com segurança, os primeiros passos do filho amado, nos caminhos da vida.

Aos 13 ou 14 anos, Manuel, ex-aluno do Ginásio Pernambucano, onde deixou fama de trocista e de vadio, ingressou no seminário de olindense. Ordenou-se, em 1913. Foi D. Luiz de Brito, o grande arcebispo de Olinda e Recife, quem o abençoou, à hora em que ele iniciou sua marcha pelo sacerdócio. Cantada a primeira missa, confiou-lhe, D. Luiz, a paróquia da Ilha de Itamaracá.

E naquela terra cheia de histórias e de lendas, onde enamorado de Sancha Coutinho, viveu Antônio de Albuquerque, que se transformou no padre Aires; onde viu a luz do dia padre Antônio Gomes Pacheco, escritor e poeta; e onde o vigário Peixoto pregou as ideias da República, o jovem padre Machado, de 23 anos de idade, traçou as diretrizes abençoadas do seu apostolado. Oito anos viveu na ilha das mangas doces, ombreando-se com os humildes e socorrendo os pobres e os desgraçados.

Em 1923, assumiu a vigararia de São Pedro Gonsalves do Recife. Não modificou, padre Machado, o plano do combate apostólico, que o assinalara, entre os intimoratos lutadores da ação social, na  ilha de Itamaracá. Alargando-o, dando-lhe novos aspectos, aconselhado pela experiência, retocando-o, dia a dia, prosseguiu n batalha, confiante na vitória. As posições destacadas, na alta sociedade, não o seduziram. Não o conquistou, a politica. Partiu, porém, sem perda de tempo, para os arraiais habitados pelas crianças paupérrimas. E foi dizendo, a sorrir, nas suas longas, caminhadas: – Deixai vir a mim as criancinhas! E, os meninos, maltrapilhos, de pão minguado e analfabetos, foram ao encontro daquele padre, bem moreno, de olhos vivos, e risonho, que levara, no coração, e nos lábios, a doçura do mel de abelha.

Fundou, padre Marchado, a Liga Protetora da Infância Desvalida do Recife. E em poucos anos, era gigantesca a obra do missionário. Os meninos tinha roupa, pão e tecto. Aprendiam a ler e a escrever. Encadernavam e fazia móveis. Germinara a semente. Deus a lançara pela mão daquele vigário do Recife.

E marchava, contente, o D. Bosco do Nordeste, à frente das crianças pobres e felizes, quando, no dia 10 de maio de 1932, a morte o arrebatou.

Levou a morte, nesse dia, o padre de coração angélico. Deus o chamou para ocupar a cadeira de santo que ele deixara vazia, desde 1890, há 42 anos, no azul da Eternidade.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

NO TEMPO DE EU MENINO Ponte de Gaiola – por Sosígenes Bittencourt.

A fotografia da Ponte de Gaiola lembra-me a Vila dos Ferroviários e o arruado de Dr. Alvinho. Arruado, aqui, não é “à beira da estrada”, mas, à margem do Rio Tapacurá. Das enchentes, dos porcos, das galinhas e vira-latas. Da pobreza, dos panos estendidos no arame e das meninas bonitinhas, cheirosinhas a Seiva de Alfazema. Das moçoilas semivirgens debruçadas nas janelinhas de vaso com flor.

Quando menino, eu tinha medo de cair desta ponte; hoje, eu tenho medo de que me empurrem da ponte. Saudade de um tempo de paz. Contava, minha mãe, que atravessou esta ponte, de mãos dadas com meu pai, conduzindo-me a bordo do seu ventre. Sou do tempo em que havia tempo de acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Sou do tempo em que o coral dos grilos executava a sonoplastia das estrelas.

Sosígenes Bittencourt

Super Oara: quem vende também compra……..

Diz um ditado popular que o vendedor de um determinado produto, antes de tudo, simultaneamente, tem que, na qualidade de consumidor, consumir esse mesmo produto.

Ou seja, em outras palavras:  “ninguém poder vender aquilo que não compra”.

Assim sendo, na noite da sexta (09), juntamente com familiares e amigos, participei, no Recife, de mais uma edição do “Mirante Dançante”, evento festivo que como principal atração musical a Orquestra Super Oara.

Na qualidade de consumidor brincante, delicie-me com as boas músicas e dancei bastante. E ainda com direito a um registro fotográfico exclusivo,  com o sempre simpático e competente Elaque Amaral, líder do referido grupo musical.

RECÍFILIS – A Venérea Brasileira – por Sosígenes Bittencourt.

Antigamente, corria a década de 60, nenhum namorado podia manter concurso carnal ou congresso sexual com a namorada.
O namoro era na calçada da casa, 3 vezes por semana, das 19 às 21 horas, empertigados e, impecavelmente, vestidos.
E, não raro, com um irmãozinho pidão, chupando caramelo ao lado.
Quando o pai da donzela arrastava os pés na sala, ou pigarreava, era hora do mancebo se mancar.
Se o adolescente quisesse treinar a cópula, teria de ir à Zona de Baixo Metetrício, fazê-lo com uma mulher da vida fácil.
Quando contraía doença venérea, fuxicava ao pai, para ir à Farmácia, comprar antibiótico.
Porém, quando apanhava chato- um minúsculo inseto – no jardim pubiano – ia comprar mercúrio em pó, ou Detefon, para expulsar o intruso.
Se demorasse, ia lidar com o cricri e o goli-goli, que apareciam pendurados no chato, promovendo uma chateação danada.
Chateado abraço!

Sosígenes Bittencourt

 

O perde ganha das urnas……

Passado o 1º turno das eleições gerais, no qual, na qualidade de pernambucanos, reelegemos a chapa encabeçada pela governadora Raquel Lyra e as postulações ao senado da principal chapa opositora, Humberto Costa e Marília Arraes, como também deputados estaduais e federais pertencentes às mais variadas agremiações partidárias, é hora de prestar atenção na disputa presidencial em 2º turno,  que segue até o próximo dia 25, entre Lula e Flavio. 

Como todos sabem, em política não existe espaço vazio. No nosso estado, com a derrota do ex-prefeito do Recife, João Campos, emergem das urnas novos nomes que possivelmente deverão ocupar mais espaços  no campo das esquerdas, por aqui. Isso é natural.

Na Vitória de Santo Antão, muitas “forças” locais submeteram seus respectivos nomes ou  indicaram candidaturas na disputa 2026.  Ao colocar a lupa política eleitoral nos respectivos resultados, enxerga-se uma espécie de “perde/ganha” nos diversos  conjuntos.

Visando 2028, quando ocorrerão as eleições municipais e o atual prefeito Paulo Roberto,  por força da lei,  não estará concorrendo à reeleição, atores locais, face seus últimos desempenhos nas urnas, seguirão  fazendo cálculos, calibrando discursos e certamente “costurando” possibilidades de se apresentar ao embate, pelo comando do palácio antonense do Poder Executivo.

Mas, como dizem os “cientistas políticos populares” de plantão em cada esquina da cidade, dois anos é uma eternidade na política. Segue o jogo….

Vida Passada… – Zeferino Galvão – por Célio Meira.

A antiga povoação da Santa-Cruz, encravada no município de Garanhuns, foi invadida, meses a fio, contam historiadores, por cobras venenosas. Vieram esses réptis das matas virgens que rodeavam e protegiam esse risonho lugarejo, nascido sob as benções de um padre missionário. Travou-se entre os habitantes da Santa Cruz e as cobras, lutar feroz e perigosa. Brandindo cacetes, e aos gritos de – “Valha-me São Bento” – “ Acida-me Senhor São Bento”, os homens venceram os ofídios, desalojados de seus domínios, a ferro e fogo.

E, agradecendo aos santo, fundador da ordem beneditina, o amparo e proteção, naquele transe, deram, povoadores santacruszenses, àquela terra, o nome augusto de São Bento.

Nessa vila, na casa grande da fazenda “Ingá, nasceu Zeferino Candido Galvão Filho,  o dia 9 de maio 1864. Estudou as primeiras letras, na cidade de Pesqueira, onde se fixara, iniciando, mais tarde, no Recife, o curso de preparatórios. Perseguido pela pobreza, interrompeu as lutas escolares, e regressou à terra pesqueirense. Fez-se professor primário, ensinou algumas disciplinas do curso secundário, e exerceu funções públicas, na administração pública.

Jornalista de pulso, e polemista, dirigiu a “Gazeta de Pesqueira”, a poderosa tribuna da imprensa matuta, que representou o sonho de sua mocidade, e o apostolado de sua velhice. Batalhamos, na primavera, nessa oficina, ouvindo-lhe a palavra mansa e acolhedora, e agora, no outono, recordando sua figura sertaneja de filósofo, louvemos sua memória.

Traçou o “MIrza”, “Inconfidente”, “Cadete Bonifácio”, “Eulâmpio Corvo” e “Heloisa d’Arlemont”, em cujas páginas se agiganta o grande romancista e o historiador ilustrado.

Poeta, cinzelou o “Epicombos”, e na “Voragem dos “Séculos” e no “Coração e Cérebro” deixou traçadas as diretrizes seguras do pensador.

A grande obra de Zeferino Galvão foi “Dicionário Biográfico Universal”, em muitos volumes, escrito, durante trinta anos, com o espirito beneditino, na solidão da serra do Ororubá. Infelizmente, desse monumento histórico, foi publicado apenas, o 1º volume. Os outros estão condenados, talvez, à poeira e ao esquecimento.

Pertenceu à Academia Pernambucana de Letras, sentando-se na cadeira de Bento Teixeira. Honrou e sodalício. Zeferino Galvão, na terra semi-árida, foi um sábio. Não o esqueçamos

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira