Vida Passada… – Teixeira de Melo – por Célio Meira.

Na cidade de Campos, terra canavieira, à margem direita do Paraíba do Sul, a leste do Estado do Rio, nasceu José Alexandre Teixeira de Freitas, no ano de 1833. Ouvindo as aulas dos padres, no Seminário de São José, concluiu o curso de preparatórios, e cedo, na corte, se matriculou na Faculdade de Medicina. Um ano antes de receber o grau de doutor, reuniu, no “Sombras e sonhos”, os versos da mocidade, cheios de doçuras e de recordações da terra onde nascera. Quando obteve, em 1859, o doutorado, tinha vinte e seis anos de idade.

Não atraiu a clínica, na metrópole, e apressado, afivelou a mala, e marchou, marginando o rio natal, na direção da formosa Campos, onde armou sua oficina de trabalho. Poeta e jornalista teve, Teixeira de Melo, na imprensa campista, e na do Rio de Janeiro, atuação destacada, escrevendo, informa o erudito historiador Artur Mota, excelentes trabalhos de filosofia e de história.

Dezesseis anos decorridos, fixou-se na capital do Império, em 1876, conta um biógrafo, e ingressou na Biblioteca Nacional, chefiando valiosa secção de manuscritos. Foi, nesse posto, trabalhador infatigável, colhendo notas e apontamentos preciosos, destinados a biografias e memórias. Deu publicidade, em 77, ao “Miosotis”, livro de versos delicados, repassados de lirismo. Era Teixeira de Melo, no julgamento dos críticos literários, simples na linguagem e aprimorado na forma. Redigiu a “Gazeta Literária”.

Obra de vulto, realizou esse ilustrado fluminense, publicando, a partir de 1881, na Gazeta de Notícias”, do Rio, as “Efemérides Nacionais”. Reunidas em três volumes, representam, essas notas, trabalho paciente e fonte perene de informações exatas sobre a história da pátria. Mereceu, em 82, Teixeira de Melo, a honra de ingressar no Instituto Histórico Brasileiro.

Quando, em 97, os vultos luminosos, e maiores, da vida intelectual do Brasil fundaram a Academia Brasileira de Letras, não se esqueceram desse escritor, e lhe deram uma cadeira.

Ocupou, o poeta de “Sombras e Sonhos”, a poltrona número 6, patrocinada por Casimiro de Abreu, o cantor do “Primaveras”, fluminense também, nascido na barra de São João.

Homem simples e de excessiva modéstia, no dizer de Artur Mota, teve, Teixeira de Melo, no Instituo, e na Casa de Machado de Assis, a divina alegria do trabalho, honrado sempre aos postos conquistados pela sabedoria, e pela humildade.

Morreu velhinho, a 10 de abril de 1908, aos setenta e cinco anos. Desceu, amado e respeitado, à sepultura. E é possível que tenha repousado, no seio da terra, como ele desejava, “à sombra de salgueiro”.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Academia de Letras da Vitória: nova diretoria e nova sede.

Com reunião aberta ao público, a AVLAC  – Academia Vitoriense Letras, Artes e Ciência – iniciará, a partir do próximo domingo, dia 19 de abril, um novo ciclo. Com nova sede e nova diretoria. A reunião terá inicio às 9h.

Cedido pela atual gestão  municipal, o prédio que fica localizado na Rua Rui Barbosa, no qual funcionava a Biblioteca Osman Lins, doravante, será o palco dos encontros da AVLAC. Das reuniões ordinárias, festivas e eventos afins.

Com mais de duas décadas de atuação na cidade, a Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência, atualmente presidida pela advogada Christienne Marie Barnabé,  é um espaço dedicado à produção e preservação de conteúdo literário e artístico  eminentemente antonense.

PÉ DE PITANGA – por Sosígenes Bittencourt.

Debruçado sobre o muro aqui de casa, um pé de pitanga vigia a rua. Mulheres que vêm de bairros distantes passam, de braços dados, a admirá-lo.

Êi, Maria, vê quanta pitanga!
As pitangas, suspensas no ar, parecem se balançar de vaidade, olhando para lá e para cá.

Menina, e tem de toda cor!
Alguns pinguços também já as admiraram, lambendo os beiços, ébrios de desejo.
Isso dá um tira-gosto arretado!

Sinto-me contente com tamanha dádiva. A eugenia uniflora, que dá em quintais, empertigada no canto do muro do meu terraço. Sei que a drupa globosa é comum na Mata Atlântica brasileira e na Ilha da Madeira em Portugal. Ao sol vesperal, parecem mimos caídos do céu, esses novelos de cálcio coloridos d’aquém e d’além mar.

Bem sei que alguns a futucam com um pau, no intuito de fazer um ponche, chupar minhas pitangas. Nem por isso vou “chorar as pitangas”, me aperrear, ficar me lamuriando. Aliás, lembra-me a célebre reflexão do revolucionário francês Babeuf: Os frutos da terra pertencem a todos, e a terra, a ninguém.

Sou um homem feliz, porque, em meio à struggle for life (luta pela vida), tenho tempo de parar para observar minhas pitangas e produzir esta crônica.
Mimoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Equipe Superação promoveu a sua 1ª corrida de rua.

No domingo (12), aconteceu a Primeira edição da Corrida Superando Limites, promovida pela Equipe Superação, grupo de corrida, daqui da Vitória de Santo Antão. O evento começou por volta das 5:30h, e teve como como ponto de concentração, largada e chegada, o Pátio da Estação Ferroviária.

Com premiação para as três primeiras colocações, no masculino e feminino, o percurso seguiu até o Bairro de Água Branca. Ao final, os atletas foram agraciados com medalha de participação e brindados com frutas e outras iguarias.

O TEMPLO E O TEMPO – por Sosígenes Bittencourt.

Dá a impressão de que é um dia de Domingo. A igreja está sozinha, imponente, erguida para o alto. Impossível contemplar o templo sem sentir o tempo. Foi por trás desta Domus Dei que fiz o meu Curso Primário. Lembro-me até do meu corte de cabelo, camisa engomada e gravatinha pendurada no pescoço. A professora dava aula de tudo, até de boas maneiras. Qualquer erro era denunciado à genitora, qualquer desvio da cartilha moral era um pecado. Era proibido pensar nas tentações da carne por trás da Igreja. Profa. Luzinete Macedo ensinava o verbo amar, com todo amor do fundo da alma. Era o mais regular dos verbos, o verbo dos verbos, o mais conjugado. Profa. Luzinete Macedo era bonita, bem fardada, impecável. Falava explicado, com ênfase, uma lição de ser humano. Saíamos com sua aula na epiderme, na respiração, embalados pelo seu tom, seu gosto. Cheirávamos as páginas do livro, passávamos a mão na pele das páginas.

Impossível contemplar este templo sem pensar no tempo, sem pensar na vida, no vulto iconográfico de Padre Pita. Impossível não pensar no destino, nos meus idos e vindas de menino. Meu corpo era maneiro, meu sangue fino, desengordurado, desintoxicado, a morte estava longe. Minha infância evolou-se por trás deste templo, para além dos coqueiros, na penumbra da Hora do Ângelus. Ah! minha vida, nossas vidas, nossos templos, na correnteza fugaz do tempo. Lembra-me a palavra desesperada de Horácio, angustiado com a brevidade da vida: Eheu! fugaces labuntur anni! (Ai de nós! os anos passam ligeiro!)
Transitório abraço!

Sosígenes Bittencourt

5ª Corrida da Vitória – 90% das vagas preenchidas!!!

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Mais de 90% das vagas já foram preenchidas… e o ritmo só aumenta! 🔥

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Papo político: encontro casual…..

Faltando apenas alguns meses para o “D” das eleições gerais (2026), ao que parece, até o momento, o Brasil segue  dividido entre dois projetos superados, sob os mais diversos prismas.

Em Pernambuco, os preparativos para o  certame eleitoral (2026) segue surpreendendo. Cada semana aparece  uma novidade, sublinhando reviravoltas, antes, impensadas.

Na nossa Vitória de Santo Antão, que não é uma ilha, mudanças de posicionamentos e de  partidos também vem chamando a atenção nesse momento, nos pós-fechamento da chamada “janela partidária”.

Pois bem, recentemente, ao circular pelo centro comercial da Vitória, encontrei-me com duas figuras que bem representam aquilo que chamamos de “cientista político popular”. “Seu” Velho da Pitú e Giba do Bolo. No nosso casual encontro, boas risadas e algumas revelações curiosas. Esses dois tem “estrada” na política antonense.

Vida Passada… – Bruno Seabra – por Célio Meira.

“ A bordo de um barco, em águas paraenses”, conta J. Eustáquio de Azevedo, autor da preciosa “Antologia Amazônica”, nasceu Bruno Henrique de Almeida Seabra, no ano de 1837.

Aprendeu a carta do A.B.C. e conquistou os preparatórios nas escolas de Belém. Poeta desde menino publicou “Um Fenômeno do tempo presente” poemêto, aos dezoito anos de idade.  A crítica o aplaudiu e vaticinou as vitórias do cantor nortista.

Andava pelo Rio de Janeiro, frequentando a Escola Militar, quando entregou, às livrarias em 1859, o “Tipos Burlescos”. E vinte e quatro meses decorridos, dois romances, “O dr. Pancrácio” e “Paulo”, saíram de sua pena. Não conhecemos, na crítica literária, nenhuma referência a esses últimos livros, de modo que ignoramos o gênero a que se filiava, no romance, esse grande lírico das letras do Pará.

Abandonando a escola, ingressou no funcionalismo público, ganhando honestamente, a vida, nas províncias do Maranhão, Paraná, Alagoas e Baia. Publicou, em 1862, o “Flores e Frutos”, livro de versos, e no ano seguinte, fascinado pelo teatro, escreveu a comédia “Por direito de Patchouly”, que não sabemos se chegou a receber a consagração ruidosa das plateias.

Usando o pseudônimo – Aristóteles de Souza – escreveu um biógrafo, deu publicidade, em 1868, ao  “Memórias de um pobre diabo”.

No sereno julgamento de J. Eustáquio de Azevedo, velha e vitoriosa figura da Academia Paraense de Letras, foi Bruno Seabra, o “João de Deus paraense”, pela graça e doçura de seus versos líricos. Sua poética e, na verdade, delicada, e cheia desse raro encanto, que há nas coisas e nas criaturas que se radicaram à natureza silvestre. Era, Bruno, afirma um historiador, “um exímio pintor de cenas, costumes e tipos nacionais”.

Nascido numa embarcação, numa “vigilenga”, talvez, ao balanço incerto das águas, teve, Bruno Seabra, na jornada áspera  da vida , destino de correnteza. Ainda não era home feito, quando deixou o berço nativo, e durante vinte anos, mais ou menos, peregrinou pela Côrte, e por quatro províncias, na conquista do pão e da glória literária. Poeta, romancista, comediógrafo, e funcionário público, Bruno Seabra não viveu muito tempo, morrendo, na Baia, a 8 de abril de 1876, aos 39 anos de idade.

Não colheu, o autor do “Flores e Frutos” nessa caminhada apressada para o túmulo, os frutos do ouro. Colheu, porém, e com fartura, as lindas flores, que enfeitam, agora, sua memória.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira.

RELÓGIO RELÍQUIA – por Sosigenes Bittencourt.

Relógio que pulsou, anos a fio, no pulso esquerdo do meu pai, Simônides da Silva Bittencourt, repassado, depois de sua passagem, pela minha genitora e geratriz, professora Damariz. Relógio relíquia, cujo tempo é que diz.

Envelhecido, mas jamais vencido, eis que, de espelho trincado, ponteiro parado, vai a Saulo Relojoeiro.

Ajustado e submetido a polimento, volta a reluzir, à sombra e à luz, o horário do momento.

E o evento ocorre, embalado por discurso de saudade, de pulsar o coração, na avenida
Mariana Amália, em Vitória de Santo Antão.

Pontual abraço!

Sosigenes Bittencourt

5ª Corrida da Vitória – 80% das vagas preenchidas!!!

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O “Gente Interessante” do Josué Correia – cultura e memória!!!

Com uma recepção impecável, o inventor,  produtor e condutor do programa de entrevista “Gente Interessante”, Josué Correia, além de alardear  conteúdo qualificado, o mesmo produz e conserva memórias, algo que vem  se tornando cada vez mais raro,  no atual contexto da chamada “informação fugaz”.

Cuidadoso  e criterioso, o seu programa está muito próximo de chegar à incrível marca de 1000 (998) edições, ao longo de décadas de dedicação.

Semana passada, na qualidade de entrevistado, retornei ao seu programa. Na pauta, criteriosamente  construída, realçamos um pouco da história da Corrida da Vitória e seus preparativos para a 5ª edição (próximo dia 26 de abril), assim como realçamos algumas figuras “apeliobiografadas”, que constam nos livros “Apelidos Vitorienses”, por nós escritos.

Falamos, também, de maneira geral, dos monumentos e datas marcantes da nossa Vitória de Santo Antão. Aproveito, mais uma vez, para agradecer ao amigo comunicar, Josué Correia, pelo convite, a oportunidade e  o acolhimento.

Assista a entrevista completa aqui: 

https://www.instagram.com/reel/DWo-NVyETtd/?igsh=MTFxNW1jOXYwb2I1MA%3D%3D