Vida Passada… – Sabino Barroso – por Célio Meira.

No velho município mineiro de Sorro, onde nasceram os Ottoni e o presidente João Pinheiro, Sabino Barroso Filho viu a luz do dia, a 27 de abril de 1859. Estudou o curso de humanidades, a principio, num colégio de Diamantina, e depois, no “Caraça”, famoso educandário dos lazaristas, fundado por um fidalgo europeu, que se amortalhou, em vida, num hábito de frade, com o nome de Frei Lourenço. Diplomou-se em Direito, Sabino Barroso, aos 26 anos de idade, pela Faculdade de Direito da terra bandeirante. E, cedo, ingressou na política partidária, elegendo-se deputado à Assembleia de sua província.

Proclamado o regime político de 89, não ensarilhou, Sabino, suas armas. Afiou-as para novos combates, nas arenas políticas, e conquistou, de novo, ao tempo da Constituinte, na Assembleia mineira, conta o ilustra o ilustrado biógrafo do “Galeria Nacional”, a cadeira de deputado. Deu-lhe, também, o nobre povo de sua gleba, a poltrona de senador estadual. E decorridos alguns anos, as urnas livres de Minas o enviaram, com justiça, à Câmara Federal.

Governava, Campos Sales, a República, quando Epitácio Pessoa deixou a pasta da Justiça. Entregou-a , o presidente paulista, ao político mineiro do Serro, e , nesse posto, teve Sabino Barroso, posição destacada. Substituiu, nessa época, Joaquim Murtinho, interinamente, na pasta da Fazenda, onde se conservou por nove anos, alcançando triunfos, pela cultura jurídica e pela austeridade do caráter.

Assumindo, Venceslau Braz, o governo do país, em 1914, mereceu, Sabino, novamente, a honra de dirigir a pasta da Fazenda. Doente, porem, não pôde permanecer, por muito tempo, no cargo que lhe confiara o astuto político das terras de Itajubá. Foi João Pandiá Calógeras, um dos homens mais sábios do Brasil quem o substituiu naquele ministério. Dois anos mais tarde, voltou, Sabino, a sentar-se na bancada de seu Estado, na Câmara dos Deputados, cabendo-lhe, repetidas vezes, a presidência desta casa do poder legislativo.

Jornalista, informa um historiador, fundou o “Serro”, na terra natal, em Belo Horizonte, o “Diário de Minas”, em cujas colunas teve aplausos daqueles que o acompanharam nos prélios eleitorais, e nas jornadas políticas. Professor de direito, honrou a cátedra, pelo saber e pela bondade.

Morreu Sabino Barroso, em 1919, aos 60 anos de idade. À geração dos grandes e notáveis políticos notáveis da 1ª República pertenceu esse ilustrado mineiro, que elevou, sempre, nos postos da carreira pública, o nome da terra onde nasceu.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Um extraordinário espaço dançante…….

Na última sexta-feira (31), em Recife, aproveitei para dá um pulinho no Clube das Pás. Vale lembrar que a referida instituição já possui mais de um século de fundação e segue ativa, promovendo encontros sociais festivos, dançantes, serestas  e bingos concorridos. É um espaço plural, mas, convenhamos,  direcionado às pessoas com mais primaveras.

Já conhecia. Tempos atrás, participei de muitas noitadas por lá. Na atualidade, está ainda melhor. Mais organizado e com um serviço extraordinário. Mas pelo menos uma coisa mudou. E mudou muito. Ao chegar lá, fiquei sabendo que naquela noite, homem não pagava e mulher teria que desembolsar vinte reais, se quisesse  adentra no templo da dança de salão recifense. Fiquei surpreso…..

 

ESTUDANDO PORTUGUÊS (Antonomásia) – por Sosígenes Bittencourt.

Antonomásia é a substituição de um nome por uma perífrase. Use-a para dar brilho a sua fala ou erudição a sua redação. Contudo, procure saber dissertar sobre o significado da perífrase.
O ancião dos dias – Deus
A cidade de cem portas – Tebas
O cisne de cambraia – Fénelon
O apóstolo das selvas – Anchieta
O vate da abolição – Castro Alves
Os salvadores do Capitólio – os gansos
O vencedor de Trafalgar – Nelson
A nau de Pedro – a Igreja
A virgem de Donremy – Joana d’Arc
O herói manchego – D. Quixote
A preciosa rubiácea – o café
O Desejado das nações – Cristo
A rainha dos Manzanares – Madri
A águia de Patmos – São João Evangelista.

Erudito abraço!

Sosígenes Bittencourt

 

46ª Corrida das Tabocas: 22km num “bate-volta”………

Dentro da programação das comemorações alusivas a passagem dos 381 ano da épica Batalha das Tabocas, ocorrida em 03 de agosto de 1645, mais uma vez, participei da Corrida das Tabocas que esse ano chegou à sua edição de numero 46.

Com concentração e largada no Pátio da Estação Ferroviária, a partir das 5h, partimos às 6h com destino ao Monte das Tabocas (pouco mais de 11km). Particularmente, esse ano (2026), realizei o chamado  “bate-volta”, ou seja: fiz mais 11km  indo e 11km voltando (total 22km).

Diferente de outros anos, nessa edição o sol teve presença constante. Mas vida de corredor é isso: com chuva ou com sol,  o objetivo tem de ser cumprido….

MEMÓRIA DE VITÓRIA – por Sosígenes Bittencourt.


(Grupo Escolar Cardeal Roncalli)
Diz que é de Vitória de Santo Antão, mas não escalou a Praça 13 de Maio, rumo ao Grupo Escolar Cardeal Roncalli, passando pela Venda de João de Barros Lima, na Feira das Panelas, quando não havia uma estaca fincada no chão nem um barracão.
Sosígenes Bittencourt

Memorável abraço!

Sosígenes Bittencourt

Eleições 2026: um novo jogo na ordem do dia….

Previsto no calendário eleitoral, as convenções partidárias seguem até o dia 05 de agosto. Aqui em Pernambuco, os dois principais grupos realizarão, respectivamente, seus movimentos nesse final de semana, em Recife.

Na largada da pré-campanha, alardeavam as pesquisas de opinião pública, o ex-prefeito do Recife, João Campos,  abriu vantagem numérica expressiva.

Desgastada, tanto no campo político quanto no administrativo, face suas primeiras medidas na gestão, a governadora Raquel Lyra, nos últimos meses, “acelerou” o passo  operacional  e também tomou uma espécie de “chá de simpatia”, no sentido de melhorar  a sua “cara dura”. E deu certo.

Concluíram essa etapa (pré-campanha) em pé de igualdade, segundo as mais recentes pesquisas divulgadas.  Seguem, portanto,  empatados numericamente (dentro da margem de erro) para o novo ciclo do embate político/eleitoral.

Doravante,  a disputa é puramente política. É campanha na veia. No meu modesto entendimento, a eleição está aberta. Raquel tem a máquina na mão e suas realizações administrativas para explorar, aliás: bem avaliada, segundo as pesquisas.   Mas, convenhamos, terá que  amolecer a  “cintura”  para jogar bem e diferente, no campo  político/eleitoral.

João e o PSB tem histórico administrativo positivo para mostrar  e negativos para serem mostrados pelos adversários. Os negativos, se bem pontuados  pela equipe adversária, poderá quebrar o seu discurso de “super-tudo”.

Mas convenhamos:  essa galera do PSB tem estrada em campanhas políticas e sabem transformar água em vinho. Já no campo político/eleitoral, mesmo na oposição, João vem mostrando que tem força local e nacional. Não é pato morto, como se diz na gíria.

Assim sendo, a  nova fase está apenas começando. Segue a temporada  do malabarismo, da  ilusão  e da esperança,  até porque, ao final,  o que vai valer mesmo é o combo:  “mentira nova  para o povo + estrutura de campanha para arrumar votos +  acordos políticos na bolsa futuro”. Valendo lembrar:  para serem  descontados no  velho tabuleiro da tão sofrida  e espoliada máquina pública….

Curiosidades Vitorienses: Código de Posturas (1897).

Dando continuidade a coluna de curiosidades vitorienses, publicaremos trechos do CÓDIGO DE POSTURAS do município da Vitória, datado de 1897. Os trechos foram retirados do volume 07 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, editada em 1977. São muitas curiosidades que valem a pena serem disponibilizadas pelo blog.

Vida Passada… – Major Capote – por Célio Meira.

Aracatisense, nasceu João Antônio Capote, no ano de 1828. Inteligente, vivo e moço, encaminhou seus passos para Fortaleza, onde ingressou na vida do comércio, exercendo a profissão humilde de caixeiro. Não lhe agradou, porém, o trabalho do balcão. Homem nascido perto do mar, amando os horizontes iluminados, desejando luta ao sol, preparou carros de boi, conta o barão de Studart, e começou a carregar mercadorias da Alfandega para as casas comerciais. Foi, João Capote, a esse tempo, no princípio do 2º Império, o precursor tranquilo dos serviços de transporte, na famosa terra das jandáias. E nessa batalha demorada, a passo de boi, conquistou vitória. Tornou-se rico. E estabeleceu-se com uma loja de fazendas.

Esteve em Pernambuco, anos depois, e no ano de 1857, aos 29 anos de idade, informa aquele historiador, montou, João Capote, no Rio de Janeiro, na companhia de um conterrâneo, oficina de ourives. E abençoado por Deus, prosperou, na Metrópole. Decorridos alguns anos, transformou-se o ourives em proprietário. Comprou uma fazenda. Batizou-a com nome de Santa Fé. Hospedou, certa vez, contam cronistas, com esplendor, S.M o Imperador Pedro II.

Longe da terra natal, acompanhava, interessado, os negócios políticos e administrativos do Ceará. E quando em 1872, o visconde do Rio Branco, chefe do gabinete 7 de março de 1871, nomeou, conta Studart, o cidadão Bernadino Pinheiro para o cargo de tesoureiro da Tesouraria da Fazenda, na gleba cearense, major Capote lançou, veemente, seu protesto, ferindo de frente, o poderoso estadista da Baía. Processado, e preso, por esse motivo, mereceu o indulto do monarca.

Relevantes serviços prestou, esse famoso nordestino aos seus irmãos distantes, perseguidos e famintos, em 1877 e 78, pelo flagelo da seca. Coração aberto à misericórdia e à generosidade, abriu sua bolsa aos moços pobres, que não podiam estudar nas escolas superiores, conseguindo diploma-los. E entre aqueles que mereceram essa graça, esse amparo cristão do major Capote, esteve o ilustrado Domingos José Nogueira, parlamentar e ministro, e que morreu agraciado com o título de visconde de Jaguaribe.

Finou-se, na Côrte, o major João Antônio Capote, no dia 26 de abril de 1879, aos 51 anos de idade. Não foi deputado nem senador. Não mereceu, do Império, título nobiliárquico, mas, foi fidalgo  e nobre pelo coração e pelo trabalho.

A memória do major Capote viverá , sempre, na alma da gente do Aracatí e da gente amorosa do vale do Jaguaribe.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Sobre “A Odisseia”, o filme de Christopher Nolan por Marcus Prado.


O texto do jornalista André Guerra, “Retorno dos homens, fúria dos deuses” (“Diario de Pernambuco”, 16 de Julho/26), sobre o filme “A Odisseia”, do famoso diretor Christopher Nolan — inspirado no épico do poeta grego Homero (928 a.C.−998 a.C.), será visto como um bom roteiro de leitura para quem deseja assistir ao filme, que promete ser um dos gigantes de bilheteria na atual temporada. Faz lembrar, o texto de André, um tempo e tradição de profissionais ligados à Sétima Arte que passaram pela redação do DP. Isto sem falar da contribuição, como analistas de clássicos da cinematografia mundial no Suplemento Literário do DP, dos filósofos pernambucanos Lourival Vilanova, José Souto Maior e Evaldo Coutinho, professores de Filosofia da UFPE — tendo Evaldo ampliado suas pesquisas na obra monumental “A Imagem Autônoma”. Tamanho domínio e erudição tinham sobre o tema que, se não fosse a escolha pela cátedra, teriam sido autores de obras fundamentais sobre a hermenêutica da linguagem, a essência fílmica. Para eles o filme não era apenas um produto de entretenimento ou um simples registro da realidade, mas um produto complexo que exige um processo de interpretação — uma “leitura” ativa — para desvelar as camadas de sentido que residem além da superfície da imagem.

A Odisseia, adaptada para o cinema diversas vezes, tema pleno de desafios, inspirador do filme de Nolan (Custou na nossa moeda R$ 1, 3 bilhão), é um dos pilares da literatura ocidental atribuído a Homero e centra-se no Odisseu (conhecido pelos romanos como Ulisses). A obra descreve sua jornada de dez anos para retornar a casa após o fim da Guerra de Troia. O Odisseu de Homero não é um herói definido apenas pela força física, mas, acima de tudo, pela sua astúcia, inteligência e resiliência. Ele é o “homem de muitos recursos”, capaz de criar estratégias brilhantes — como o famoso Cavalo de Troia — para superar obstáculos que pareciam impossíveis (belo e inspirador, por sinal, o Cavalo de Troia de Francisco Brennand). Não sei dizer se Nolan, para produzir o seu filme, teria lido, entre as suas fontes de consulta, o que disse um dos mais eruditos filósofos brasileiros, Damião Berge (1895-1978), teólogo, historiador da filosofia e frade franciscano, tão admirador de Joaquim Nabuco. Ele destaca em seu monumental livro “O Logos Heraclítico” (Editora Vozes, páginas 154-158). — já comentado por mim — o que Heráclito de Éfeso disse a respeito de Homero. Para se ter uma ideia, o julgamento de Heráclito, no dizer de Berge, foi um dos confrontos intelectuais mais famosos de seu tempo. Vejamos: para Heráclito, o poeta épico “falhava” em compreender a realidade profunda e o Logos, a razão universal que rege o cosmos, focando apenas na superfície das coisas. “Houve ali uma incapacidade de transcender o imediato em direção ao Logos”, “o que descreve uma verdadeira condição de miopia ontológica”; “(…) imerso no fluxo incessante das aparências, é incapaz de decifrar a gramática invisível que estrutura a existência”. “Ao focar apenas na superfície, o sujeito habita o ‘plano do ruído’. Nesse estágio, “a realidade é percebida como uma sucessão caótica de eventos, objetos e sensações sem coesão”. Heráclito, muito temido no seu tempo, o Gregório de Matos da Jõnia, teve um famoso defensor: Werner Jaeger (1888=1961), na sua também monumental “Paideia”.

Marcus Prado – jornalista.