
Nasceu Anselmo Francisco Peretti, a 21 de abril de 1812, na terra goianense, na atina província de Pernambuco. Inclinado, desde os primeiros anos, às letras literárias, o jovem Anselmo era calouro, aos 19 anos de idade. No Curso Jurídico de Olinda, o técto do famoso mosteiro de São Bento. E aos 23 anos, recebeu a láurea de bacharel. Rico, atravessou o atlântico, e viajou pelas civilizadas cidades da Europa, estudando literatura, conta Pereira da Costa, e afirmam historiadores numa Universidade de Paris.
Retornando à Pátria, ilustrado, e cheio de esperanças, ingressou na vida pública, aceitando o cargo de secretário dos presidentes das províncias do Maranhão e do Ceará. Contava, apenas 30 anos, quando, o governo do 2º Império lhe confiou a presidência da província de Sergipe. Dirigiu, decorridos dois anos, os destinos dos alagoanos, numa época de inquietação política, alcançando, nesse posto, simpatias e aplausos, pela serenidade de seus propósitos e de suas atitudes.
Pertenceu, Anselmo Peretti, honestamente, à magistratura pernambucana. Exerceu a judicatura na sua terra natal, a gloriosa e histórica cidade de Goiana, vinculada aos movimentos nativistas, e nas comarcas do Brejo-da-Madre-de-Deus, do Limoeiro, da Vitória de Santo Antão e do Recife. Galgou o ponto de Desembargador na Relação de Pernambuco, sentando-se, pela escolha unanime de seus pares, na cadeira na cadeira da presidência. Político liberal, independente, e austero mereceu a honra de representar na Câmara Geral, as províncias do Ceará e do Piauí. Representou, também, o povo do Recife, na Câmara Municipal, pugnando pelos interesses da cidade. Em 1860, foi eleito 1º provedor da Santa Casa de Misericórdia do Recife, e nesse cargo elevado, permaneceu durante 12 anos, servindo aos pobres, aos necessitados e aos aflitos, numa afirmação, nunca desmedida de caridade cristã.
Vice-presidente da província de Pernambuco, o eminente brasileiro à frente do governo, interinamente, de 1º de dezembro de 1864 a 24 de janeiro de 1865, na ausência do Barão de Vila-Bela. Faleceu o conselheiro Peretti, em 1877, aos 65 anos de idade.
Deputado, homem de governo, magistrado, o eminente goianense honrou o nome de Pernambuco. Ele foi na verdade, no julgamento de Epaminondas de Melo, citado por Pereira da Costa, “primus inter pares pela presidência do Tribunal, mas era também primus inter pares, pela inteligência, e pela ilustração jurídica e literária”.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.































