São João e São João – por Sosígenes Bittencourt.

Das três maiores festas anuais, o São João é a mais singela e tradicional. O Ano Novo nos trespassa de tristeza, porque sugere a contagem do tempo e amontoa os mortos. Abrimos álbum de retrato e botamos pra chorar. O Carnaval é uma festa perigosa, de extravasar frustrações. O pessoal só falta correr nu pela rua.

O São João é uma festa mais pacata, que relembra nossas tradições mais atávicas, nossas raízes culturais. Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar o milho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado. O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé-de-moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.

Sosígenes Bittencourt

9ª Festa da Saudade: SALVE A DATA…

Algumas festas passam. Outras ficam na memória.

E no dia 15 de agosto, teremos mais um capítulo dessa história na Festa da Saudade – Ano 9.

Uma noite especial para reencontrar amigos, reviver grandes momentos e dançar ao som da inigualável Orquestra Super Oara. 🎶💃🕺

📍 Vitória de Santo Antão – Clube O Leão
🗓️ 15 de agosto

Salve a data, convide os amigos e venha fazer parte de mais uma edição dessa tradição que já mora no coração de tanta gente.

Pitú, um jeito pernambucano de ser

Fundada em 1938, a Pitú construiu uma relação afetiva que ultrapassa gerações, criando entre os pernambucanos um sentimento de identificação e orgulho pela sua história

Por Tarsila Castro, da Folha de Pernambuco

Referência quando o assunto é cachaça, a Pitú segue escrevendo sua história entrelaçada com a cultura e a identidade de Pernambuco. Fundada em 1938, a Engarrafamento Pitú soma hoje 88 anos de trajetória, consolidando-se não apenas como uma das maiores indústrias de cachaça do Brasil, mas como uma marca que representa o jeito de ser pernambucano.

Primeiro lugar na categoria Marca Que Representa o Estado de Pernambuco na premiação Marcas Que Eu Gosto, a empresa construiu uma relação afetiva que ultrapassa gerações. Os produtos fazem parte de histórias familiares, celebrações e de grandes eventos populares do Estado, como o Carnaval e o São João. A marca também venceu no segmento Aguardente, na categoria Bebidas.

“Existe entre os pernambucanos um sentimento de identificação e orgulho por compartilhar a mesma origem da Pitú — uma marca que, para muitos, é literalmente a cara de Pernambuco”, destaca a gerente de Marketing da Pitú, Maria Eduarda Ferrer (foto). 

Segundo a gerente, a empresa mantém uma escuta ativa e um relacionamento próximo com o público, entendendo o comportamento do consumidor e participando das experiências do dia a dia. “A proximidade vem da presença constante nos momentos de celebração e convivência, além de uma comunicação que valoriza o contato direto com o público”, afirma.

Com fábrica instalada em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, a empresa está inserida nas principais manifestações culturais do Estado, apoiando e participando de eventos populares. “A marca respeita e valoriza essas tradições, incorporando elementos da cultura local em suas ações e reforçando sua identidade regional”, reforça.

Comunicação 
A comunicação é um dos pontos fundamentais para fortalecer o sentimento de pertencimento local. Por isso, a Pitú preserva o sotaque, a linguagem e os símbolos de Pernambuco.

“Mesmo presente em outros mercados, a marca faz questão de destacar suas origens, o que fortalece o sentimento de pertencimento e orgulho entre os pernambucanos”, diz Maria Eduarda.

A marca equilibra tradição e inovação, investindo em novos produtos, acompanhando tendências de consumo e modernizando processos, mas sem abrir mão do DNA e da qualidade. Segundo Maria Eduarda Ferrer, a empresa vem ampliando o portfólio e fortalecendo a distribuição nacional.

“O lançamento recente das batidas prontas e das versões saborizadas, inicialmente no Nordeste, já está sendo expandido para todo o Brasil. Além disso, a Pitú segue investindo em logística, inovação e estratégias de marketing para consolidar sua presença em novos mercados”, destaca.

Produção 
Com produção anual de cerca de 100 milhões de litros, mantém posição de destaque: líder no Nordeste, vice-líder nacional e está entre as 20 bebidas destiladas mais produzidas do mundo. No exterior, tem forte presença na Europa, especialmente na Alemanha, além de mercados como Estados Unidos, Argentina, México e Japão.

A empresa, que está na quarta geração familiar, mantém como pilares a qualidade do produto, o investimento em tecnologia e sustentabilidade, além de estratégias de marketing que reforçam a conexão emocional com o público.

Para a gerente de Marketing, a Pitú segue como um dos maiores símbolos de Pernambuco, combinando tradição, inovação e um forte vínculo com suas origens. “Uma marca que não apenas nasceu no Estado, mas que ajudou a contar e a fazer parte da história de quem vive nele”, explica.

A Pitú é uma aguardente de cana pura, transparente, de sabor marcante e teor alcoólico de 40%. Este ano, lançou uma linha de batidas prontas e cremosas nos sabores coco, maracujá e morango, com distribuição nacional.

Diogo de Braga continua sorrindo……..

Ligado no Mundial da FIFA 2026, além do Brasil, sigo acompanhando e torcendo para o selecionado do Cabo Verde. Para minha surpresa, ontem (21),  o mesmo conseguiu sair de campo com mais um empate. Dessa vez, frente ao bicampeão mundial,  Uruguai.

Se bem estudado, todos nós, antonenses da terra da Vitória de Santo Antão, temos um pouco de sangue dos cabo-verdenses. Lembremos que, em 1626, juntos com familiares, Diogo de Braga, oriundo do Cabo Verde, levantou acampamento por aqui  e fundou o nosso lugar.

Na praça que carrega seu nome – Praça Diogo de Braga -, como já falei anteriormente, na face do seu busto um leve sorriso de alegria traduz o efusivo momento, vivenciado na sua terra natal. Mas tem que olhar bem direitinho para observar……(rs)

A hora da verdade se aproxima……

Em ano de eleições gerais a agenda política nacional ganha contornos mais realistas. Como diz o pensador: “o teatro é para todos, mas a verdade é para poucos”.

No plano nacional, o “caso Master” segue revelando que a corrupção não é exceção, é a regra. Comunga com o executivo, legislativo e o judiciário. Dos que alardeiam ideias conservadoras aos que levantam  bandeiras esquerdistas, passando, sem nenhum pudor,  pelos que deveriam pautar o regramento constitucional.

Com efeito, os atores políticos, de olho no voto,  sofrem  para manter-se equilibrados na sempre desafiadora  gangorra do poder.

Em Pernambuco, a hora da verdade da governadora Raquel Lyra chegou. Eleita em 2022 por um capricho dos deuses, em 2026,  não terá vida fácil, diante de um opositor – João Campos –  consistente e competitivo. A “caneta” da governadora continua sendo o seu maior cabo eleitoral, mas, mesmo assim,  ainda não  conseguiu calibrar o seu discurso político. Em algumas equações, a mesma vem adotando o caminho do silêncio, algo que funciona, quando o julgamento popular (urnas) não está na ordem do dia. Mesmo depois de 4 anos no poder, ainda não conseguiu ganhar corpo eleitoral próprio. Mas é  bom que se diga: já esteve em situação pior….

Na nossa Vitória de Santo Antão, o quadro político segue em marcha crescente de ebulição. Cada qual acelerando o motor,  nos seus respectivos ativos: quem tem discurso, fala. Quem tem estrutura,  arregimenta.

Com seis candidaturas consistentes à ALEPE, com domicilio eleitoral antonense, podemos dizer que nas rodas políticas locais  há um sentimento de expectativa. Dizem, com a faca nos dentes,  os que estão na folha de pagamento da prefeitura: “Túlio vai “engolir” os votos de Joaquim”. Já as “viúvas de Elias Lira”, rebatem: “o povo não tolera traidores”.

Já no o campo dos “Querálvares”,  a expectativa é que a “Pantera Cor de Rosa” (Socorrinho), como fala os mais antigos, suplante, na soma dos votos locais,  o sobrinho-neto, Aglailson Vitor.

Bem votado na cidade, no pleito de 2022, André Carvalho, é sempre uma aposta de futuro. Já na outra ponta, o deputado Henrique Filho, que deve renovar o mandato com certa facilidade, na Vitória, onde já foi vereador e vice-prefeito, dizem os entendidos, será o menos homenageado com os sufrágios antonenses.

Para finalizar, ainda segundo os “cientistas populares” da Vitória de Santo Antão, o palanque da governadora, em Vitória,  ficará pequeno para tantos apoios. Já para o palanque da Frente Popular, apenas o prefeito  Paulo Roberto se apresentou.  Fica a pergunta: qual candidato ao governo será mais votos na terra abençoada por  Santo Antão: João ou Raquel?

Vida Passada… – Figueira de Melo – por Célio Meira.

Na terra de Sobral, banhada pelo rio Acaraú, onde o romancista Domingos Olímpio e o arcebispo D. Jerônimo Tomé viram a luz do sol , nasceu, a 19 de abril de 1809, Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, cearence preclaro, e de acentuada projeção no mundo político brasileiro.

Bacharelou-se em direito, no ano de 1832, pertencendo à primeira turma do Curso Jurídico de Olinda, figurando ao lado de Euzébio de Queiroz, de Nunes Machado, do sobralense José Antônio Pereira de Macedo, um dos vultos de relevo da política pernambucana, no 2º império bragantino.

Promotor público, na Côrte, aceitou, mais tarde, informa o barão de Studart, um juizado de direito, em Fortaleza. E depois, o cargo de secretário do barão da Bôa Vista, presidente da província de Pernambuco. Mereceu a honra de governar, aos 34 anos de idade, a província do Piauí.

Quando se desencadeou, em Pernambuco, no ano 48, a rebelião praieira, Figueira de Melo estava na chefia de polícia. Não se pode julgar, ainda, com serenidade, a ação dessa autoridade. Os jornais da época estão cheios de injúrias e de ódios recíprocos, e não podem conduzir o espirito a um julgamento imparcial. Louvando essa revolução política, escreveu Urbano Sabino Pessoa de Melo, liberal exaltado, e romântico, a “Apreciação da Revolta Praieira”, em cujas páginas fervilhava, o que é natural, a paixão partidária. Condenando-a, em nome da lei, publicou Figueira de Melo a “Cônica da Revolução Praieira”, em que defende, com ardor, sua intervenção nessa luta armada, e inglória. Os historiadores devem ocupar-se dêsse episódio sangrento da política de Pernambuco, afim de que se faça justiça àqueles que recorreram às  armas, na defesa de uma ideologia.

Três anos depois, em 1851, ingressou, Figueira de Melo, no Tribunal de Relação de Pernambuco. Exerceu, mais tarde, na Côrte, o cargo de chefe de polícia. Deputado à Câmara Geral por Pernambuco e pelo Ceará, obteve, em 1870, a cadeira de Senador do Império, pela província natal. E no ano seguinte dirigiu os destinos da terra gaúcha. Sentou-se, em 1873, na cadeira de ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Atingiu o mais alto posto, na sua agitada e honesta carreira de magistrado.

Jornalista vigoroso, e orador eloquente, defendeu os bispos D. Vital e D. Antônio da Costa, informa Studart, na famosa Questão Religiosa. Morreu, aos 69 anos de idade. Vinculado à vida politica, administrativa e jurídica de Pernambuco, bem merece as homenagens dos homens de pensamento.

Nunes Machado e Figueira de Melo, juntos, no dia da formatura, em 1832, tiveram, 16 anos decorridos, destinos opostos, na jornada áspera da vida. Este sustentou a lei, e aquele dirigiu a revolta. A história os julgará.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio 

Direitos Básicos: se a “moda” pega…..

Demorou, mas chegou! O processo teve inicio no ano de 2015. Um morador da comunidade de “Dois Leões”, vinculada à vizinha cidade de Pombos,  através dos seus advogados,  legalmente constituídos, ingressou na Justiça para cobrar o saneamento básico da comunidade em que reside. Resumo da ópera: sentença  indenizatória ao reclamante  e prazo de dois anos para a prefeitura reparar e resolver a situação do esgoto à céu aberto, objeto da ação.

Essa exitosa ação judicial (0000742-97.2015.8.17.150), que vai além de um roteiro meramente processual,  porque abre um clarão no sentido dos direitos básicos, quase sempre negados às camadas menos esclarecidas e mais sofridas da sociedade, chegou ao meu conhecimento pelo operador do direito Manoel Carlos do Nascimento.

No transcurso do processo, como é de costume, o ente público, no caso a Prefeitura de Pombos, segundo o Manoel, tentou “jogar a responsabilidade” para a COMPESA. Mas ao final, venceu a tese dos advogados que, de maneira firme e obstinada, jogaram luz nos princípios constitucionais.

Ainda sobre esse mesmo tipo de demanda, falou-me o Manoel, correm outras ações, inclusive aqui em Vitória de Santo Antão. Convenhamos: isso é uma ótima notícia. Tomara que essa “moda” pegue e as prefeituras do Brasil inteiro sejam obrigadas a efetivar o básico. Aliás, é bom que se diga: básico esse que muitas vezes são instrumentos e ferramentas poderosas de políticos,  em suas respectivas campanhas eleitorais. Bingo para a advocacia cidadã!

 

Seleção do Cabo Verde: também é um orgulho antonense!!!

Corria o ano de 2025 quando, empolgado com a classificação,  inédita,  da seleção do Cabo Verde para a Copa da FIFA, decidi que iria torcer por  duas “bandeiras”, ou seja: a brasileira e a cabo-verdense.

Ontem (15), o time do Cabo Verde pregou um susto no espanhol e se apresentou ao mundo de maneira empolgante. Um dos cotados  para levanta a taça de campeão,  o time da Espanha,  ficou sem entender nada.

Daqui, da nossa “aldeia antonense”, levantemos um sonoro “VIVA” ao feito. Se bem observado, hoje, até o Diogo de Braga, lá da Praça que carrega o seu nome, emite um leve sorriso de satisfação…….Será…?

Reunião da AVLC: apresentações e posse de novos sócios…

Em sua sede, localizada no bairro do Livramento, a AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência –,  realizou, na manhã do domingo (14), mais uma reunião ordinária.

Na pauta, apresentações de trabalhos recém-concluídos pelos acadêmicos: Hérika Araújo, Aldenisio Tavares, Jones Pinheiro  e Débora Lima. Na sequência, novos sócios tomaram posse. Ao final, um lanche foi servido aos presentes.

Você sabia que Pernambuco tem a sua própria Guadalajara? – por @historia_em_retalhos.

Ela existe e é um distrito do município de Paudalho/PE!

Na euforia nacional durante a Copa de 1970, trabalhadores rurais do corte da cana-de-açúcar da então Vila da Sardinha em Paudalho/PE reuniam-se para assistir e vibrar com os jogos da seleção canarinha.

Era simplesmente um esquadrão: Pelé, Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo, Carlos Alberto etc.

Isso impactou tão fortemente a comunidade local, que os próprios moradores da vila, sob a liderança de “Zé Galego”, fizeram um movimento para que fosse dado ao distrito o mesmo nome da cidade mexicana onde o Brasil mandou cinco das suas seis partidas no torneio.

Guadalajara no México foi a “casa” e o “QG” da seleção brasileira durante a vitoriosa campanha da Copa do Mundo de 1970!

Agora, pra você que não sabia, fique sabendo: nós temos uma Guadalajara pra chamar de nossa!

História em Retalhos na Copa!
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.Agradeço ao amigo @salustiano_bira e ao ex-prefeito de Paudalho Pereira pela troca valiosa de informações.

https://www.instagram.com/p/DZhUsvXHNfZ/?igsh=MXA5MzhiaW9seHl3bQ%3D%3D

.@historia_em_retalhos