



Faço uso diário da leitura. “Bebo” nas mais diversas fontes. Uma espécie de “salada de frutas” em assuntos: artigos, pesquisas, noticias, frivolidades, curiosidades e etc.
Na noite de ontem (17), por exemplo, após realizar uma leitura dinâmica nos três grandes jornais da capital e conclui um livro, ainda tive fôlego para ler algumas postagens de um renomado blog, voltado para assuntos políticos. Dentre as quais, uma tratava do julgamento pelo STF das chamadas candidaturas avulsas.
No contexto, uma determinada frase fez-me rir. Escreveu o eminente julgador: “aos partidos políticos é atribuída a função de ‘organizar a vontade popular e de exprimi-la na busca do poder”.
Fiquei pensando: se a população tivesse noção do que se passa realmente na cabeça da expressiva maioria dos políticos, em relação aos seus problemas mais básicos, certamente morreriam, antes, por excesso de decepção.
Para não alongar muito o texto, concluo, dizendo: a política exclui os bem intencionados, privilegia os vigaristas e corrompe quase todos que por ela transita e circula……


(Parabenizando-a pelo transcurso de mais uma data natalícia)
Conheci-a no oitão da Igreja Matriz de Santo Antão, eventualmente, num Domingo, à noite, apropriado teatro para sua vocação religiosa, sua catolicidade teórica e praticante.
Animada, fluente na conversa, dissertava sobre assuntos mais diversos e manifestava o interesse por variedades, como tocar piano, falar duas línguas neolatinas: francês, espanhol e italiano – e uma anglo-saxônica: inglês. Colecionadora de antiguidades, também versejava, embora não revelasse interesse de editar livro até então.
Na correnteza esperta do tempo, como no dizer do poeta Drummond, fomos consolidando amizade, fundada na preocupação intelectual com o Universo.
Pouco poderia imaginar que, lá adiante, tanto iria precisar de seus saberes científicos, médicos, como especializada em Endocrinologia, não obstante experiente em Clínica Geral, resgatando-me o ombro de uma dolorosa bursite e a vida do acometimento da Covid-19. Diagnóstico e medicação sem pestanejar, lépida, despachada, e combate efetivo das enfermidades. Uma eficiência, acendrada no conhecimento, adquirido com a aplicação da inteligência, ressaltando-lhe a Sabedoria. Como diziam os gregos: A Inteligência é uma faculdade humana, cuja virtude é a Sabedoria (Sofia).
Por tudo exposto, já não era sem tempo, manifestar o meu agradecimento pelas dádivas e fazê-lo em nome de minha cidade, pelo resgate de tantas vidas, ora acorrentadas a doenças, ora no limiar da morte, durante 20 anos e 11 meses de medicina horária, assídua em Vitória de Santo Antão.
Felicidades e muito obrigado!
Sosígenes Bittencourt



Apesar do desejo antigo, mas por um conjunto de fatores alheios a minha vontade, só esse ano (2025) consegui programar-me para participar da Meia Maratona de João Pessoa, realizada na capital do vizinho estado da Paraíba.
Inscrito para fazer os “21k”, por precaução, acabei optando pelo percurso dos “10k”. o surgimento de uma lesão, meses antes, atrapalhou frontalmente a minha preparação. Ainda no sentido das dificuldades, 5 dias antes do dia “D”, uma gripe me “pegou”, complicando ainda mais o meu desempenho. Mas a “cabeça” já estava determinada para concluir o objetivo traçado. Daí, mesmo “cansadinho”, segui em frente…..

Superando as variáveis negativas, às 3h do domingo (16) pulei da cama e joguei-me em baixo do chuveiro. Às 4h, andando, já estava saindo do hotel, na direção da concentração do evento para, às 5h, juntamente com outros milhares de atletas, largar e concluir o percurso.
O referido evento, já na sua 6ª edição, foi muito bem produzido. Organizado e planejado em local estratégico – beira mar de João Pessoa – o mesmo concorre para o seu êxito. Às pessoas que correm e adotaram a corrida como estilo de vida, fica o meu conselho: a Meia Maratona de João Pessoa é uma boa experiência….


Festividades alusivas ao dia 3 de Agosto de 1974 – Praça 3 de Agosto, mais conhecida como “Praça do Anjo” – 1974 – entre outros: prefeito Barreto e o empresário Jetro Gomes.


“Liberdade, liberdade!
Abre as asas sobre nós”
O samba-enredo campeão da Imperatriz Leopoldinense, em 1989, homenageou os 100 anos da proclamação da República no Brasil.
Porém, eu trago hoje a seguinte indagação: teria sido a proclamação da nossa República um ato épico e revolucionário?
Com toda a vênia, entendemos que não.
Em verdade, a própria monarquia brasileira já apresentava sinais de esgotamento.
Apesar de ter a simpatia de boa parte da população, Dom Pedro II estava doente e desgastado.
Comprou briga com o alto clero da Igreja Católica, ao manter-se aliado à maçonaria, bem assim bateu de frente com alguns setores do Exército, com a aplicação de penas de censura.
Paralelamente, crescia a classe média formada por profissionais liberais e comerciantes, que reivindicavam maior participação nos assuntos políticos.
Para além dessas questões, porém, dois pontos foram fulcrais.
Primeiro, que, com a assinatura da Lei Áurea, os barões do café, insatisfeitos com a perda da mão de obra escrava, também se sentiram traídos pela coroa.
Segundo, o descontentamento dos militares, desde o fim da Guerra do Paraguai, que se consideravam injustiçados e buscavam tomar mais espaço no poder.
O mais intrigante, todavia, é que a República foi proclamada pelo marechal Deodoro da Fonseca, monarquista convicto e de lealdade declarada a Pedro II, a quem devia, inclusive, favores.
Como a gota d’água, espalhou-se a “fake news” de que o governo tinha ordenado a prisão de Deodoro.
Acreditando que esse boato (jamais comprovado) seria verdadeiro, o indeciso Deodoro juntou as tropas e proclamou a República em 15 de novembro de 1889.
E assim nasceu a nossa República: uma intervenção militar, sem nenhuma participação popular.
Esqueceram de convidar para a festa o personagem principal: o povo brasileiro.
Sobral Pinto faz uma análise interessante.
Segundo ele, o fato de a nossa República ter sido proclamada por militares os faz sentirem-se, até hoje, como os verdadeiros “donos da República”, como se só eles fossem capazes de dizer quais são os melhores rumos para a nação.
Vale a reflexão.
Valeu, gente!
Bom feriado!
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No Pátio da Matriz, uma poça d’água serve de espelho líquido para a Domus Dei e a abóbada celeste em Vitória de Santo Antão.
Sosígenes Bittencourt




No nosso Projeto Cultural/Esportivo, que atende pelo simpático nome de “Corrida Com História”, hoje, juntamos os três tempos: passado, presente e futuro.
Com os olhos no ano de 2026, tempo que ocorrerá a Copa da FIFA 2026, assistiremos, pela primeira vez, o selecionado de Cabo Verde em ação. Vale lembrar, que a “canarinha” – Seleção Brasileira – é a única do planeta que marcou presença em todas as edições.
Pois bem, levando em consideração que nós, brasileiros antonenses, descendemos geneticamente do português e fundador do nosso lugar, Diogo de Braga, natural do Cabo Verde – então colônia de Portugal – que por aqui chegou em 1626 para se instalar com sua família, não seria nenhum absurdo dizer que temos o “pedacinho” da sua terra dentro de nós.
Portanto, que venha a Copa do Mundo: além de filhos legítimos do Brasil, nós antonenses, também temos sague Cabo-verdense. Corrida Com História. Veja o vídeo aqui: https://youtube.com/shorts/Rac9RCLlNWE?si=p0T5S–sgFYRePCI

Por conta deste artigo https://www.blogdopilako.com.br/wp/2025/11/10/50-anos-da-1a-eucaristia-a-longevidade-autonoma/, o amigo professor, poeta e pensador, Sosígenes Bittencourt, enviou-me a seguinte mensagem:
“Este é o seu artigo mais bem confeccionado do ano. Parabéns por haver partilhado a memória do seu tempo de menino”.
Publique-as! Autorizado! Sosígenes Bittencourt


SAVE THE DATE!
A 5ª Corrida da Vitória já tem data marcada!
No dia 26 de abril de 2026, Vitória de Santo Antão será palco de mais uma grande celebração do esporte, reunindo atletas, famílias e apaixonados por corrida de rua.
Prepare-se para viver uma manhã de energia, superação e movimento!
Data: 26/04/2026
Local: Vitória de Santo Antão – PE
Em breve, divulgaremos todas as informações sobre inscrições, percursos e novidades desta edição.
Marque na agenda e venha fazer parte da 5ª Corrida da Vitória!


Na terra paraibana de Bananeiras, onde o barão de Araruama e o ilustrado desembargador Santos Estanislau viram a luz do dia, nasceu, em 1814, Antônio Manuel de Aragão e Melo. Estudou preparatórios, em Olinda, e vestiu, naquela cidade, a batina humilde de seminarista. Abandonou, porém, no quarto ano, o curso eclesiástico. Restituído à vida mundana, mas habituado à solidão, aceitou, em dezembro de 1839, na vaga de Lourenço Trigo de Loureiro, o cargo de bibliotecário do Curso Jurídico, son o teto arruinado do famoso mosteiro de São Bento. E era, já, terceiro anista de direito, quando deixou, em 42, os livros da biblioteca.
Obteve, em 1844, a carta de bacharel, e ingressou na magistratura, aceitando uma promotoria de justiça, na sua província, e o juizado de direito na comarca de Limoeiro, na terra pernambucana. Exerceu o cargo de chefe de polícia na Baía e no Maranhão, e governou, pouco tempo, a província de Goiàz. Durante 20 anos, informa um biógrafo, representou na Câmara, o povo de sua terra. Homem culto, orador eloquente, advogado, jornalista, e conservador delicioso, Aragão e Melo, no julgamento de Liberato Bittencourt, preclaro historiador, “foi grande na advocacia, no latim, no jornalismo, e na cultura jurídica.”.
Pertenceu esse ilustre paraibano, celibatário, impenitente, aos rol dos homens feios. E essa fealdade do licurgo da Paraíba foi, humoristicamente, proclamada, na Câmara, por Martinho de Campos, o “demolidor de governo”, orador fulgurante e um dos mais notáveis parlamentares de Minas, no 2º Império. Deu-lhe, Martinho, um ramo verde da vitória. Leiamos, nesse particular, o erudito escritor do “Paraibanos Ilustres”: “ E ao entrar na Câmara, Martinho de Campos, então havido o mais feio dos representantes da nação, tomou um ramo de folhas e dirigiu-se, prazenteiro, a Aragão e Melo: “passo-lhe, satisfeito, o ramo, deixado de ser, de hoje em diante, o homem mais feio desta casa”. Possuia, Martinho de Campos, em grau elevado, o espirito de renúncia. Vê-se como ele se despojou das honrarias…
A República de 89 veio encontrar Aragão e Melo à sombra da árvore da velhice, e não muito distante da planície do túmulo. Não o atraiu. O ancião, por sua vez, não festejou. E tranquilo, relendo, por vezes, páginas do livro da sua vida, esperou que o destino lhe trouxesse, no minuto inadiável, a noiva dos celibatários. E ela chegou, a 17 de março de 1898, velhinha, vestida de branco, sem flores de laranjeiras….A noiva, tinhas séculos. O noivo, 84 anos.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.


Festa de Nossa Senhora do Livramento – Igreja Nossa Senhora do Livramento – hoje, Praça Padre Felix Barreto – registro 1942.


Na manhã do domingo (09), em sua sede, localizada no bairro da Matriz, os membros da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência – participaram de mais uma reunião ordinária.

Na ocasião, além do tradicional “momento acadêmico”, espaço reservado aos “imortais”, as escritoras convidadas Janaina F. Silva e Soraia Ferreira expuseram seus últimos trabalhos literários.


Em 11 de novembro de 1975, há exatos 50 anos, o então primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, proclamava a independência do país de jure e de facto de Portugal.
Tão logo se tornou independente de Portugal, porém, o país mergulhou em uma luta fraticida entre dois ex-movimentos de guerrilha anticolonial: o MPLA, apoiado pela antiga União Soviética, e a UNITA, apoiada pelos EUA.
Esta guerra interna teve um custo altíssimo, com milhares de mortos e mutilados, destruições de vulto nas cidades e o comprometimento grave da infraestrutura do país (estradas, pontes, aeroportos etc).
A despeito do desmantelamento das velhas estruturas colinais, a independência angolana, em plena Guerra Fria, inflamou paixões políticas, excitou os antagonismos ideológicos e desencadeou uma guerra civil sem sentido que mergulhou o país em quase duas décadas de tragédias.
O êxodo forçado de homens voltados para o bem da nação, como o professor Teodoro Chitunda, que veio para Olinda/PE, foi, dentre outras perdas, um dos piores legados que poderiam ter ocorrido a Angola.
Se você quiser compreender melhor todo este processo histórico de um país-irmão, também lusófono e que também passou pelas mesmas agruras de um colonialismo de exploração, recomendo o filme “Alice, Nome de Batismo”, de Tila Chitunda @tilovita (foto), e o livro “Impossível Regresso”, de Luís Guerreiro (foto).
11 de novembro: salvem Angola e o povo angolano.
À memória de dona Amélia Chitunda, protagonista e testemunha de toda esta história, com quem tive o enorme prazer de conviver, eu dedico este retalho de hoje.
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50 anos se passaram. O mesmo desejo, a mesma vontade, coincidentemente, no mesmo lugar. Na parte inicial da história, vivenciada no domingo, 09 de novembro de 1975, reinava o ineditismo, o sagrado, misterioso e supremo. Em 2025, meio século depois, uma realidade nua e crua, o esforço consciente, apostando na colheita frutificada em forma de longevidade autônoma. Mas a vontade foi a mesma: correr, correr e correr.,
Essa foi a vontade soberana que ligou os dois recortes temporais, separados por exatamente 5 décadas, sublinhadas, aqui, em forma de registro histórico.
Explico:
No longínquo domingo, dia 09 de novembro de 1975, guiado pelo farol da expectativa, aos 8 anos de idade, acordei-me sem a necessidade de fatores externos. Isto é: ninguém precisou me chamar. Após muitos encontros, aulas de catecismo e ensaios, finalmente, havia chegado o dia da minha primeira comunhão.

Cabelo devidamente cortado, roupa nova para vestir e nos pés, sapatos zero quilometro. O “kit eucaristia” nas mãos, cuidadosamente guardado para testemunhar, ratificar e acessar, com fé de ofício, a universal fé católica.
Lembro-me como se fosse hoje: papai tomava café na sala e, ali mesmo, de pé, em cima de um sofá, após o banho, mamãe penteou meus cabelos e arrumou-me todo. Ao final, com voz imperativa, disse : “agora, fique sentado no terraço, quieto, para não amassar a roupa, esperando a hora de ir” – o que prontamente foi realizado com sucesso.
Da minha casa – Avenida Silva Jardim, número 209 – até a Igreja da Matriz, para chegar logo, minha vontade era apenas uma: correr, correr e correr….

O tempo seguiu na sua contagem impiedosa, constante, perene, sem vexame ou mesmo atrasos, para chegarmos a uma manhã de domingo, num “mesmo” 09 de novembro, à mesma Avenida Silva Jardim, defronte da imponente e secular Matriz de Santo Antão, há exatamente 50 anos, para participar de um evento esportivo, cujo o desejo reinante era o mesmo de antes, ou seja: correr, correr e correr….
Situações traçadas, alinhavadas e equacionadas pelas mãos daquilo que acostumamos chamar de destino, acontecem todos os dias, cabendo a nós, simples mortais, fagulhas de um vulcão em erupção ou mesmo um ponto de escuridão situado na imensidão cósmica, termos a sensibilidade para torna-los importantes e únicos, ou seja: silenciosamente, vivenciá-los de maneira marcante, celebrando-os com um brinde à memória.
Aliás, vale sempre lembrar: ninguém poderá ser sujeito útil à coletividade ou mesmo aos mais próximos, sem antes, saber existir para si mesmo, sem comparações, afinal, somos uma peça rara e exclusiva, no sempre misterioso mercado da existência.
