
Arquivo do Autor: Cristiano Pilako
José de Barros de Andrade Lima – primeiro prefeito da Vitória!

Não nasceu na Vitória de Santo Antão, aquele que foi o primeiro prefeito da cidade, todavia ele adotou a “República das Tabocas” como sua terra natal, dedicando-lhe todo seu potencial como profissional da medicina e como líder político e administrador público.
Membro de conceituada família pernambucana, nasceu José de Barros de Andrade Lima, na cidade de Igarassu, no dia 5 de setembro de 1853. Estudou medicina na Bahia. Ao retornar de Salvador fixou residência na Vitória de Santo Antão. Profissional competente e dedicado granjeou rápido a simpatia e a admiração dos vitorienses. Com a proclamação da República, 1889, derivou para a política, filiando-se ao partido “Autonomista”, liderado em Pernambuco pelo Barão de Lucena. Nos meses que seguiram à proclamação da República, as Câmaras Municipais foram dissolvidas. Suas atribuições passaram a ser executadas pelos “Conselhos de Intendência”. Em 1890, José de Barros, indicado pelo governador provincial, Barão de Lucena, assumiu a presidência do “Conselho de Intendência” da Vitória. Presidente desse Conselho, ele iniciou, na praça 3 de Agosto, a construção do Paço Municipal, prédio até hoje utilizado pela Câmara dos Vereadores. Em setembro de 1892 foi eleito prefeito da Vitória, na primeira eleição válida realizada no município, no regime republicano, cargo que voltou a ocupar no período de 1913/1916, em face da renúncia, em 1912, do dr. Henrique Lins Cavalcanti de Albuquerque. Sempre combatente e dinâmico, ora no governo, ora na oposição, José de Barros de Andrade Lima foi ainda vereador, (presidente da Câmara), deputado e senador estadual. Faleceu no Recife no dia 27 de abril de 1926, com a idade de 72 anos. Em vida foi casado com a senhora Dulce de Andrade Lima.
Pedro Ferrer

Virada de Lote – TÁ CHEGANDO…..

🏅 1ª Meia Maratona da Vitória – 21 por Tabocas
📍 21K e 10K
📅 Data: 21/09/2025
📍 Local: Antiga Estação Ferroviária / Praça Leão Coroado – Vitória de Santo Antão
🕓 Concentração: 4h
🏁 Largada: 5h
🏆 Premiações – Meia Maratona (21km):
🔹 Masculino e Feminino – 1º ao 5º lugar
🔹 Geral e Local
🔹 Faixas etárias:
* 40 a 49 anos
* 50 a 59 anos
* 60+
🏃♂️ Corrida 10km:
🔹 Masculino e Feminino – 1º ao 5º lugar
🔹Geral e Local
❗ Obs: Não haverá premiação em dinheiro 💰
📝 Inscrições:
🌐 Online: www.uptempo.com.br
📲 Grupos: 81 99198-0437
🏪 Presencial: Loja Monster Suplementos – Vitória
💸 Valores (1º lote promocional):
🔸 21K e 10K: R$ 99,99
🔸 Kit sem camisa: R$ 90,00
🔹 Descontos especiais para grupos: (81) 9 9198-0437
⚠️ Promoção válida até 06 de julho ou enquanto durarem as vagas do 1º lote
Vida Passada… – França Pereira – por Célio Meira.

No dia 24 de fevereiro de 1870, nasceu Luiz de França Pereira, na terra pernambucana do Recife. Poeta, desde menino, publicou, em 1889, o “Ritornelos Líricos”, e no ano seguinte, aos 20 anos de idade, “A Pátria Nova”, livro de crítica. Matriculado na Faculdade de Direito da sua tarra natal, conquistou, em 1895, a carta de bacharel, na mesma turma do vitoriense Demóstenes de Olinda, inspirado poeta do “Ortivos”, do paraibano Ulisses Costa, que seria, num período vermelho de convulsão política, o chefe de polícia de Pernambuco, e de Virgílio de Sá Pereira, que teria de honrar, com o andar do tempo, na magistratura do Distrito Federal, o nome da terra onde nasceu. Coube, a França Pereira, a honra de dizer adeus, em oração formosa, aos mestres e companheiros.
Diplomado, e cheio de esperanças, armou, na cidade do Cabo, a tenda de advogado, fixando-se, pouco tempo depois, no Recife, o grande cenário de suas brilhantes atividades, na imprensa e na cátedra.
Jornalista, cronista, e escritor de invejável cultura literária e cientifica, batalhou, França Pereira, no Correio de Pernambuco”, na companhia de Pereira Junior, de Minervino Soares, Celso Vieira e de Francisco Alexandrino, ocupando, mais tarde , a secretaria da Revista Contemporânea, ao lado de Teotônio Freire. “Grande Talento, escreve Clóvis Bevilaqua, servido por vastos estudos , artista do conto e do verso, cultor da filosofia”, teve França Pereira, atuação de relevo, em 1902, na Revista Pernambucana, fundada por Getúlio Amarale Francisco Solano. Nessa trincheira branca das boas letras, no mesmo e elevado plano de Artur Orlando, Carlos Porto Carreiro, Gervásio Fioravanti e de Rigueira Costa, realizou, França Pereira, modesto e culto, obra imperecível, Foi, nessa época, força poderosa no primado do espirito. No Diário de Pernambuco e na Província, desfraldou, também, a bandeira de lutas literárias.
Publicou, em 1916, uma Gramática Prática Elementar. Poliglota, exerceu o magistério, alcançando, num concurso célebre, na Escola Normal, a cadeira de francês. Entregou, às livrarias, em 1924, o Terra Patrum, o grande livro de versos, em cujas páginas palpita o amor à pátria e à natureza. O Terra Patrum pertence ao rol dos livros notáveis, na literatura de um povo. Quando, em 1901, se fundou a Academia Pernambucana de Letras, Carneiro Vilela foi busca-lo na sua humildade, e lhe deu uma cadeira. E ele ilustrou, e a honrou, e a enobreceu, sob a luz do espirito de Afonso Olindense, literato político e abolicionista.
Através das idades, enquanto existir a Academia, França Pereira, será sempre, o grande apóstolo que semeou, na província das letras, as sementes da Verdade e da Beleza.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

MEMÓRIA DE VITÓRIA – por Sosígenes Bittencourt.

Diz que é de Vitória de Santo Antão, mas não tomou Brahma Chopp, do rótulo verde, na Sorveteria Peixe, despachada por Pedro Peixe, na década de 60, do Século XX, na Avenida XV de Novembro.
Espumoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

O Tempo Voa Vídeo: Walter, Roberto e Antônio Lemos.
2026: leituras e suas encruzilhadas…….

Distante um ano dos últimos ajustes para as disputas eleitorais, visando o pleito geral brasileiro, é possível dizer que a maioria do eleitorado “cansou” das duas figuras protagonistas dos últimos anos, ou seja: Lula e Bolsonaro. Saturados, os eleitores começaram a entender que os dois adornam o mesmo sistema, mas com abordagens e apresentações distintas.

Aparentemente mais cristalizado o cenário pernambucano, visando 2026, é possível dizer que já temos um desenho mais aproximado do que irá acontecer. Duas jovens lideranças – João Campos e Raquel Lyra -, que estão no gozo de suas respectivas gestões administrativas, no contexto do Poder Executivo, estão se apresentando para o embate. Aliás, os últimos festejos juninos, realizados nas mais diversas cidades do estado, serviram de plataforma para os dois jogarem seus “laços políticos”.

Já na terra do eterno João Cleofas de Oliveira, o cenário político que se apresenta hoje, visando o próximo pleito (2026), nos inclina a imaginar que será mais animado do que o ocorrido em 2022. Isso porque, ao que tudo indica, teremos mudanças de posicionamentos políticos, tanto no contexto estadual quando no local, propriamente dito.
Alguns atores locais, outrora “aliados eternos”, começam seguir caminhos diferentes dos já trilhados, sobretudo no contexto estadual. Mas, como dizem alguns cientistas políticos populares mais experientes, em política tudo pode mudar.
Aliás, vale lembrar, também, que em política, muitas vezes, até as discórdias e as mudanças de rumo são combinadas. Só depois de muito tempo – ou as vezes não – é que os eleitores se tocam que foram usados como “galos briga”, apenas para animar a campanha eleitoral da vez. Segue o baile……

O Tempo Voa: Bodas de Ouro (1969).

Celebração religiosa das Bodas de Ouro do escritor Célio Meira e Alzira Valois – 1969 – entre outros, ao fundo, o casal Zito Mariano e Anita Garibaldi.

Momento Pitú

Primeira Meia Maratona da Vitoria – virada do 1º lote!

🏅 1ª Meia Maratona da Vitória – 21 por Tabocas
📍 21K e 10K
📅 Data: 21/09/2025
📍 Local: Antiga Estação Ferroviária / Praça Leão Coroado – Vitória de Santo Antão
🕓 Concentração: 4h
🏁 Largada: 5h
🏆 Premiações – Meia Maratona (21km):
🔹 Masculino e Feminino – 1º ao 5º lugar
🔹 Geral e Local
🔹 Faixas etárias:
* 40 a 49 anos
* 50 a 59 anos
* 60+
🏃♂️ Corrida 10km:
🔹 Masculino e Feminino – 1º ao 5º lugar
🔹Geral e Local
❗ Obs: Não haverá premiação em dinheiro 💰
📝 Inscrições:
🌐 Online: www.uptempo.com.br
📲 Grupos: 81 99198-0437
🏪 Presencial: Loja Monster Suplementos – Vitória
💸 Valores (1º lote promocional):
🔸 21K e 10K: R$ 99,99
🔸 Kit sem camisa: R$ 90,00
🔹 Descontos especiais para grupos: (81) 9 9198-0437
⚠️ Promoção válida até 06 de julho ou enquanto durarem as vagas do 1º lote
VAI-SE O SÃO JOÃO – por Sosígenes Bittencourt.
Vai-se o São João. E o amontoamos entre os São Joões que passamos. Fogueirinhas preguiçosas, resto de cinza, camisa quadriculada, retalhos de vidas. Uma boca bordada na pele, cotocos de cigarro, fuxico, ebriedade. Nenhuma santidade em nome do santo. Ninguém quer ir para o céu, por isso mistura história de santo com samba do crioulo doido. George Bernanos dizia: A santidade é uma aventura, ela é mesmo a única aventura.
Sosígenes Bittencourt

São João do Nordeste: sonhar ainda é possível!

Em sonho, nada é impossível. Mas não é exagero dizer que há 50 anos ninguém teria a ousadia de sonhar que na metade da terceira década do século XXI a cor preta seria predominante nas vestimentas do povo nordestino, justamente nas grandes aglomerações juninas, promovidas com o dinheiro público.
Num mundo cada vez mais globalizado, outrora, precificado pelos estudiosos da época como algo inevitável, a chamada reserva de mercado é aplicada pela força, no sentido da “proteção interna” e, em alguns casos, pelo interesse coletivo. Os detentores do capital financeiro são especialistas nessa matéria e sabem “mexer” bem com as peças no tabuleiro. Ou seja: as massas sempre acompanham as “tendências”….
Extremamente rico e detentor de um capital cultural singular e valiosíssimo, o Nordeste brasileiro amarga a doença “da mau sorte” de ser dirigido e liderado por políticos entreguistas: em regra, simulam o compartilhamento das dores no atacado, para se beneficiarem no varejo do particular.
E como nos sonhos nada é impossível, que bom seria se os políticos do nosso pedaço do Brasil (Nordeste), em sinal de respeito ao fortalecimento financeiro e cultural da região que representam, fechassem – apenas no São João – a “porteira musical” para o resto do País e numa só voz bradassem a todos pulmões: vamos promover os artistas e as manifestações genuínas dos 9 estados, num amplo intercâmbio cultural, no sentido da proteção, promoção e desenvolvimento financeiro da região. Nada mais justo!!!

Aliás, dinheiro é o que não nos falta. Ainda sem despertar do sono – para não ser taxado de ingênuo – tenho absoluta certeza de que em uma década já estaríamos (Nordeste) exportando festivais joaninos para os quatro cantos mundo. Finalmente, teríamos um produto “made in nordeste” para chamar de seu.
Mas a vida é vivida no “mundo dos acordados” e enquanto essa realidade estiver vigente – atrações musicais alheias ao interesse da cultura local – apenas os sabidos e os mal intencionados estarão se dando bem com o atual formato dos festejos juninos. Aliás, cada vez mais “encaixadinhos”…..
O Povo nordestino, coitado, não consegue nem sonhar, muito menos pensar de como seria tão bom e efetivamente sustentável ter um São João genuíno: cultura e artistas da região sendo protagonistas e cantando de galo em seu vasto terreiro, que se chama NORDESTE DO Brasil.

Momento Pitú
Todo mundo quer saber: quantos pontos você fez, pituzeiro? Conta pra gente aqui nos comentários.

FALECIMENTO DE FERNANDO GARÇOM – por Sosígenes Bittencourt.


O Tempo Voa: celebração

Celebração dos 50 anos de “Seu” Zito Mariano – Capela São João Batista – Zito Mariano, Padre Renato e, ao fundo, “Seu” Zezé Mariano, pai do aniversariante – junho de 1978.

Vida Passada… – Moreira de Vasconcelos – por Célio Meira.

Mocinho, com os exames de preparatórios, não encaminhou seus passos, o carioca Francisco Moreira de Vasconcelos, na direção de uma escola de ensino superior. Não desejou um título cientifico. Não o deslumbrou o brilho das pedras preciosas, nos anéis simbólicos. Foi bater, alegre, à porta de um teatro. Atraia-o a luz forte, e enganadora, das gambiarras e da ribalta. Ao alvoroço dos estudantes, nos corredores das faculdades, preferiu o cochicho, no pequenino espaço dos bastidores, dos atores e das atrizes. “Matriculou-se”, na Academia do palco. Alcançou o título de “doutor”. E atirou-se ao mundo.
As lições dos mestres o fizeram autor teatral, e a experiência da vida o levou a ser empresário. Fazendo o galã, o centro, o cínico, e por vezes, o cômico, escrevendo dramas, e organizando companhias, começou, Moreira de Vasconcelos, corajosamente, sua peregrinação artística, pelo Brasil, de norte a sul, conquistando aplausos das plateias. Esteve, no Recife, pela primeira vez, escreve Samuel Campelo, em 1885, ao lado de Luiza Leonardo, estreando com o “Tiradentes”, drama histórico, de sua autoria. E, um ano depois, voltou ao Santa Isabel, velho teatro pernambucano, representando “Os Revoltosos”, e encenando, mais tarde, a famosa “Lamarão”, deliciosa revista de costumes recifense.
Quatro anos decorridos, pisou, Moreira de Vasconcelos, pela terceira vez, a terra do Recife. Acolheu-o, o povo, com simpatia, com entusiasmo, e com emoção. “Era, no dizer de um cronista de teatro, escritor de talento, e como empresário, operoso, ativo e inteligente”. Nessa temporada, na companhia, de Luiza e Leonardo, a admirável Leonardo, a “afilhada do Imperador Pedro II”, representava, Moreira de Vasconcelos, no teatro da cidade dos Palmares, quando a morte, em noite de 23 de fevereiro de 1900, malvadamente, o arrebatou. Subia, à cena, “O Calvário”, drama da pena daquela famosa companheira, e em meio à representação, contra-cenando com Luiza Moreira de Vasconcelos cambaleou, levando a mão ao coração.
Era o fim. Era o calvário. “Morreu, no palco. Morreu como um soldado, conta Rêgo Barros, no seu posto de honra”
E assim se extinguiu, dramaticamente, o bom Moreira de Vasconcelos, ator, poeta, e dramaturgo. Quando, no teatro Palmarense, desceu o pano-de-boca, abriram-se mansamente, as cortinas da eternidade. Havia Luz. Era a glória.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

O Tempo Voa Vídeo – entrevista: Pedro Queiroz
Momento Pitú
Resenha com sabor é com a gente mesmo. A bananinha da Pitú e a Pitú Caju chegaram pra deixar aquele gostinho doce de quero mais. Quem concorda, ergue o copo.

A GLAMOUROSA CHUPETA DO SATANÁS – por Sosígenes Bittencourt.

No tempo de eu menino, ninguém sabia que cigarro entupia os alvéolos pulmonares, provocava enfisema, dava câncer. Quanto mais, menino.
Papai comprava cigarro americano importado e colocava no guarda-roupa. Tinha Half and Half, Marlboro e Pall Mall. O cheiro era de chocolate, e papai dava belas baforadas depois do café, sentado numa cadeira de sofá pé de palito, à la Hamphfrei Bogart.
Às vezes, ouvindo o jogo do Sport Club do Recife, abraçado com um rádio transistorizado. Também desconhecia que cigarro servia para aplacar ansiedade, era ansiolítico. E eu ficava ansioso para experimentar sem jamais ter inalado.
Um dia, eu entrei no seu quarto, e a porta do guarda-roupa estava entreaberta. O cheiro de chocolate incensava o cubícu…
Sosígenes Bittencourt

…e o São João era assim… – Por Alfredo Sotero (em 1947)

Quando o Brasil era brasileiro e não havia comunistas, nem as moças solteiras sabiam as coisas que sabem hoje, o São João era tão lindo!
De manhã, os bacamartes estrondejavam defronte da igrejinha, nas perigosas viradas do cocho; e os meninos acordavam assustados, querendo saltar da cama de camisola arrastando, para verem como se acordava São João, que a lenda suave dizia que estava dormindo sem parar, no silêncio do céu.
De noite, depois de cear pamonha de côco, canjica, milho verde assado, milho verde cozido, bolos sem conta, a gente ia acender a fogueira votiva que ardia estrelejando o espaço com milhões de trêmulas centelhas. E ia ver no espelho ou na bacia com água, à luz fugaz, às próprias faces, para saber se para o ano ainda estava vivo. E a Maroquinhas, a moça nervosa, espiava e não via, por mais que fizesse, e saía chorando pela casa, a dizer a todos que no ano seguinte já não era deste mundo.
E os “mosquitos” passando pelos pés da gente, as meninas correndo e chorando, para as queixas sem fim às mamãezinhas, contra os meninos desesperados, que só queriam jogar nelas os “diabinhos”…
E o Sebastião, um moleque escanzelado e fedorento, que tinha fé em São João, mas muito em Nosso Senhor Jesus Cristo, e espalhava as brasas da fogueira, que parecia então uma enorme melancia de fogo e madura, aberta, sobre cujas as brasas o moleque danado passava, indo e vindo, como se pisasse flores, mostrando a força da fé…
E os rapazes da vila, depois que as devotas voltavam do terço, para se mostrarem às namoradas, acendiam os buscapés, que abriam na noite as faixas fulgurantes, como línguas de prata líquida, que, soltos no ar negro e calmo, cabriolavam, tombando depois sobre a terra, numa agonia luminosa, estertorante, envoltos num sudário de luz irisada e diáfana, como uma aurora sidérea, nas desoladas regiões polares.
Tudo passou. Calaram-se os bacamartes que os doutores desbrasileirados sepultaram nos báratros do oceano. Tudo se foi. Somente a saudade no coração da gente que ainda vive, vinda daqueles tempos felizes, ainda chorando na estrada do tempo. E quando todos morrerem tudo será silêncio, que é o tumulo branco das recordações extintas.
Alfredo Sotero de Farias, foi natural de Apoti, (Glória do Goitá), diplomado em Farmácia e Química, exerceu sua profissão em Laboratórios. Freqüentando, desde a adolescência, esta cidade e possuindo acentuado pendor para as letras, colaborou na imprensa local e na interiorana, passando a ser assíduo colaborador do Jornal do Commércio, do Recife. Foi um dos fundadores da “Academia de Letras dos Supersticiosos”, com Samuel Campelo, Célio Meira, José Miranda e outros. Em dezembro de 1915, adquiriu e instalou a Rua Barão de Rio Branco nº 22 uma tipografia (Tipografia Gutemberg), que depois vendeu a Célio Meira, na qual foi impresso o bi-semanário “A Coluna” (1916 – 1919), um dos mais bem elaborados jornais do interior. Faleceu em 1981.
