Carnaval de Orquestra, Carnaval de Trio.

Todo ano, surge essa discussão. Obviamente que, se a invenção de Dodô e Osmar não houvesse se espalhado por outras regiões, não haveria essa celeuma entre os ritmos regionais. Mas, marketing é marketing. A mídia apoiou e a praga se disseminou. O que não aconteceu com o frevo pernambucano, que não se difundiu e, portanto, ficou um espetáculo doméstico, de nossas tradições e de nossas plagas. Evidentemente que, se o Trio pegou o universo adolescente, passou a fazer parte de sua história. Resta, apenas, preservar o Carnaval tradicional, com execução de nossas músicas, do ritmo mais genuinamente nacional – segundo Gilberto Freyre – que é o “frevo”. Afinal, não devemos sepultar nossas tradições, nossa cultura, em nome de produtos importados. Vale ressaltar, no entanto, que essa convivência deve ser pacífica, não resvalar para aquele posicionamento radical e binário: ou isso, ou aquilo. O respeito deve imperar, em nome do humanismo. O radicalismo exacerbado é o prelúdio do fundamentalismo intolerante. E se o Carnaval de Trio passar – tenham certeza – surgirá coisa mais estranha aos admiradores dos velhos Carnavais, o Carnaval das orquestras de frevo. Sempre haverá esse choque, entre gerações, difícil de administrar, tendo como único caminho a tolerância e o diálogo. É como aquela velha polêmica: o que é melhor, The Fevers, ou Calcinha Preta? O que sabemos é que The Fevers parece ser eterno. Ainda hoje, toca. Não sabemos, evidentemente, se o forró eletrônico permanecerá, ao longo de tantas décadas, a tocar. O que promove certa reação é que a música está se traduzindo em ensurdecedores batuques, sem variantes, sem literatura, como se a arte estivesse em crise, ou o verdadeiro artista, aquele reconhecidamente inspirado, estivesse em extinção. Essa melancólica constatação merece especial abordagem, pois os sublimes valores do ser humano devem ser preservados, o que sempre o distinguirá dos demais seres vivos do planeta.

Sosígenes Bittencourt

SAUDADE 2019: teremos o segundo concurso de adereço de cabeça!!

No transcorrer dessa semana estaremos anunciando a segunda edição do “Concurso de Adereço de Cabeça” da SAUDADE. O objetivo, entre outros, é deixar a o desfile da agremiação mais bonito, em total sintonia com clima de momo.

No mesmo formato anterior, teremos três categorias: Individual, dupla e grupo. Assim sendo, poderíamos dizer que a noite da segunda-feira de carnaval, na Vitória, será a mais bonita e enfeitada!! Vamos participar!!

CAPIBA NO CÉU – por Sosígenes Bittencourt.

Lourenço da Fonseca Barbosa
* Surubim: 1904
+ Recife: 1997
Capiba chega ao céu.
Sorridente e de braços abertos, penetra sem kit
no bloco de Nelson Ferreira, Irmãos Valença e Felinho.
Ao som de Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista,
os anjos danam-se a frev(o)ar e plumas caem.
Vem um ente traquinas e seringa cloreto de etila no ar.
O folguedo, alegre e saltitante, vai circulando um salão de nuvens
e volatiliza-se sob uma neblina de papéis picados.

Sosígenes Bittencourt

ONG “SOS AUMIGOS”: uma corrente do bem!!!

Na tarde ontem, no Pátio da Matriz, aconteceu mais um evento para adoção de cães e gatos. Realizado pela ONG “SOS AUMIGOS”, entre outros objetivos, o encontro vira uma grande festa de pessoas e animais. A presença dos amigos de quatro patas nas residências  – com destaque para cães e gatos –  na atual conjuntura social ganhou uma nova leitura social. Isso é fato!!

A instituição – SOS AUMIGOS – existe há dois anos e teve como mote para sua criação o desejo de ajudar um cão acometido de uma enfermidade. Pessoas que compartilhavam do mesmo sentimento se  mobilizaram. Daí o surgiu o grupo. Na ocasião, gravamos um pequeno vídeo a amiga Gleyce no qual ela convoca mais pessoas para se engajar nessa corrente. Veja o vídeo.

Revivendo o Carnaval: Célio Meira se irrita com chacota.

 

Certa vez, uma irreverente toada fez o nosso querido e saudoso Célio Meira se retirar do tablado. Estávamos na fase aguda da primeira grande guerra e Célio era um francófilo capaz de brigar com quem tentasse, nesse particular, combater as suas ideias. Era nosso Ministro do Exterior o dr. Nilo Peçanha. Acontece que a Cambinda para, diante do tablado e ataca:

“O Doutor Nilo Peçanha
Pela Pátria brasileira,
– Mandou chamar Célio Meira
P’ra acabar com a Alemanha”.

Ceciliano não gostou da graça. Essa quadrinha foi atribuída a Samuel Campelo que, no entanto, sempre negou, Teria sido de meu pai, Joaquim de Holanda Cavalcanti. Muitas pessoas o davam como sendo o autor. Não sei…

O que sei é que a “Lagoa do Barro” lembra o Carnaval. Era lá o quartel general da folia, transformada em bosque e, à noite, com sua profusão de luzes, num vasto salão iluminado.

Até 1929, o nosso Carnaval, embora desfigurando-se  cada ano, guardou esse aspecto.

Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 6º – 1976 – Páginas 102 e 103.