@história_em_retalhos – um brinde aos dois anos de vida!!!

Com a alegria, entusiasmo e admiração registramos a passagem dos dois anos de atuação da página @história_em_retalhos.

A mesma é fruto de ampla pesquisa e muito compromisso histórico, motivo pelo qual resolvemos “comprar a ideia”  e passamos a reproduzir  o seu conteúdo em nosso jornal eletrônico, intitulado Blog do Pilako.

Além do endossar nossa proposta suas abordagens  também enriquece os nossos internautas. Portanto, VIDA LONGA à pagina https://www.instagram.com/p/CpPcQh-O1xH/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

 

Contemporaneidade de Euclides da Cunha no caso da Amazônia – por Marcus Prado

Na foto: Mario Vargas LIosa e eu, no Rio de Janeiro……

A perda da memória, o esquecimento daqueles que muito contribuíram para a identidade não só cultural do Brasil, continua e é de fazer chorar. Por que tratamos nossos registros históricos com tanto descaso? A quem interessa um país sem memória? Um povo que não compreende suas referências e suas origens, perde a chance de reparar seus erros históricos. Revoltante ainda mais quando se perde a oportunidade de mostrar a atualidade do que nos foi legado. É o caso de Gilberto Freyre e sua vasta e prolífica obra, Artur César Ferreira Reis (o mais injustamente esquecido de todos entre os estudiosos da Amazônia) e o escritor fluminense Euclides da Cunha (1866-1909), autor de um dos maiores clássicos brasileiros, Os Sertões, para citar apenas três.

No debate atual sobre as denúncias, recorrentes ao longo dos tempos, que estampam violência e devastação nas terras indígenas da Amazônia, com índices de mortalidade de crianças e adultos que chocam o mundo, ( quase 100 crianças morreram na Terra Indígena Yanomami em 2022, segundo o Ministério dos Povos Indígenas, devido ao avanço do garimpo ilegal na região ), Euclides da Cunha deveria ser reconhecido como um dos pioneiros a alertar, com toda clareza, competência, seriedade e coragem, para uma história que parece sem fim: o desaparecimento maciço da floresta tropical, o desmatamento criminoso causado pela mão do homem, que acaba de alcançar a pior marca, 11,3%, desde o início do monitoramento, em 2015.

Em textos para jornais, de 1904 e 1905, o jornalista e escritor fluminense Euclides da Cunha já procurava alertar sob a perspectiva histórico-social, para a ganância criminosa do extrativismo, a agressão contra os povos indígenas, a devastação ambiental, as doenças, a exploração predatória dos recursos naturais da floresta, a destruição cujos responsáveis, no início, eram os caucheiros peruanos que exploravam a região em busca de látex, seiva retirada de espécies vegetais usada para a produção da borracha.

É o que destaca o Jornal da USP, na sua recente edição, com texto de Joyce Tenório. “Abrindo a tiros de carabinas e a golpes de machetes (um tipo de facão utilizado para poda de árvores) novas veredas a seus itinerários revoltos, e desvendando outras paragens ignoradas, onde deixariam, como ali haviam deixado, no desabamento dos casebres ou na figura lastimável do aborígine sacrificado, os únicos frutos de suas lides tumultuárias, de construtores de ruínas”. (Euclides da Cunha).

Foi um período que marcou profundamente a vida dos povos indígenas e da paisagem social dessa região, conta ao Jornal da USP o historiador José Bento Camassa, autor da pesquisa de mestrado “Os icebergs e os seringais: representações e projetos políticos nos relatos de viagem de Roberto Payró sobre a Patagônia (1898) e de Euclides da Cunha sobre a Amazônia (1904-1905) ”. Euclides chegou a propor a construção de uma ferrovia no território acriano para melhorar o aproveitamento econômico e promover sua integração com o espaço geográfico nacional, enfatiza José Bento Camassa na sua tese acadêmica, mostrando como Euclides da Cunha apresentava grande interesse para o Brasil contemporâneo.

Esta foi a impressão que tive de Mário Vargas Llosa, quando o entrevistei para o DIARIO DE PERNAMBUCO, mais de uma vez, durante a sua presença no Rio de Janeiro, no Hotel Glória, na reunião do Pen Clube Internacional, do qual era presidente. (1984). Ele, que seria Nobel de Literatura, já estava de malas prontas para uma viagem a Canudos, no início do seu famoso romance A GUERRA DO FIM DO MUNDO. Mário, então, estava por inteiro envolvido com o universo simbólico da obra de Euclides da Cunha.

Ariano Suassuna nunca escondia que, entre Gilberto Freyre e Euclides da Cunha, sua preferência era para o autor de “Os Sertões”, sem negar o seu apreço e respeito pelo autor de “Casa Grande & Senzala”. Canudos é uma página de heroísmo de nossa história, tema presente na trajetória do romance e do teatro de Suassuna. Canudos, mais do que espelho, em Suassuna, talvez seja uma miragem. Em verdade, algumas vozes da Ficção de Ariano, em menor grau, são trazidas pelos ventos de Canudos, não iguais aos ventos alísios e poeiras vindos da África, que fertilizam o solo amazônico.

Em razão do descaso dos últimos anos do governo federal, que desaparelhou de órgãos de fiscalização e desassistiu os povos indígenas, Euclides da Cunha é de uma atualidade notória. A mesma importância de reconhecida atualidade de Euclides da Cunha tem sido defendida pelo professor Francisco Foto Hardman que, desde o início dos anos 90, dedica parte de sua produção científica a Euclides, que viria chefiar uma missão diplomática como assessor especial do ministro das Relações Exteriores, Barão do Rio Branco.

Para a escritora Walnice Nogueira Galvão, “Os Sertões” tem que ser lido todos os dias para entender o que acontece com os pobres no país”.

Marcus Prado – jornalista

Padre Sérgio e a SAUDADE 2023…..

Em palavras emitidas pela voz do coração, recentemente, o Padre Sérgio, Pároco da Matriz de Nossa Senhora do Livramento, traduziu o sentimento dos diretores e  foliões da Agremiação Carnavalesca SAUDADE,  ao externar elogios na direção do contexto em que se deu o último desfile, ocorrido no último dia 20 de fevereiro.

Assim sendo, registramos, aqui, os agradecimentos ao referido religioso pela atenção, destacando também o apurado poder de  percepção no que se refere ao melhor e mais pernambucano dos repertórios executado em  nosso carnaval. Obrigado Padre Sérgio!

O triste fim de Jorge Lafond – @historia_em_retalhos.

Jorge Luiz Souza Lima, o Jorge Lafond, foi um comediante e bailarino brasileiro, com estilo próprio, talento e muita presença de palco.

Preto, pobre e homossexual, Jorge precisou aprender cedo a enfrentar as barreiras do preconceito.

Aos 6 anos, já tinha a consciência de que era homossexual, escondendo dos pais essa condição.

Movido pelo sonho, estudou balé clássico e, depois, teatro na UERJ.

Foi como bailarino que o artista começou a engrenar na sua carreira.

Fez parte do corpo de bailarinos do Fantástico, para, depois, estourar no Jô Soares, nos Trapalhões e A Praça é Nossa.

Seu personagem principal era quase uma caricatura de si mesmo: Vera Verão.

Consolidado e com o trabalho reconhecido, Jorge talvez já não esperasse sentir de forma tão forte o impacto da indiferença e da crueldade das pessoas.

Mas isso aconteceu e foi no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato.

No dia 10.11.2002, Lafond participava de uma competição integrando o time feminino.

Como de costume, a competição seria interrompida para dar lugar a uma atração musical e seria retomada depois.

Era normal que as equipes permanecessem no palco e até dançassem ao lado do convidado.

Porém, o convidado do dia, o padre Marcelo Rossi, fez uma exigência inusitada, com a conivência de Gugu Liberato: Lafond teria que ser retirado do palco.

Supostamente, o padre não queria estar no mesmo ambiente do comediante.

Sem reação, Lafond recebeu a orientação para retirar-se, enquanto o religioso apresentava-se.

Assim que o padre saiu, a produção tentou convencê-lo a retornar, mas ele não quis.

Já não dava mais.

Humilhado, voltou pra casa.

O impacto foi muito grande, porque, além de tudo, ele era admirador do padre.

Coincidência ou não, uma semana depois, ele foi internado com complicações cardíacas.

Em 11.01.2003, após o agravamento do quadro, o comediante morreu, aos 50 anos, vítima de um infarto.

Nunca se saberá, ao certo, o grau de relação entre essa atitude do religioso e a morte de Lafond.

Porém, uma coisa é certa: mesmo que causada por outras razões, a sua morte foi, no mínimo, precipitada pelo preconceito.
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Papaléguas – abre avenida que meu bloco vai passar…..

Voltado para o segmento mais jovem, o Bloco Papaléguas desfilou duas vezes no carnaval 2023 – sábado e terça. Na terça-feira (22), em posição privilegiada, nossas lentes registram o início do desfile que começou no Pátio do Livramento. Na ocasião, a cantora Leyd Falcão demonstrava toda sua energia e vibração no show.

“Marias e Lampiões” trouxe o forró à folia de MOMO.

Com toda irreverência, o Bloco Marias e Lampiões desfilou na terça-feira de carnaval trazendo o forró para o circuito oficial da folia. Animados por dois “pesos pesados” dos festejos juninos do nosso estado, Petrúcio Amorim e Irah Caldeira,  animou os foliões do começo até o fim.

Vestidos com peças que lembram os tempos do  cangaço, os foliões também encontram no desfile da agremiação muita criatividade nos pontos de paradas – abre o bar e fecha o bar. Por tudo isso e congregar uma galera bem animada, o Maria e Lampiões sempre faz sucesso no nosso carnaval.

Saudade 2023 – voltou com animação total….

De maneira especial, registro o desfile da agremiação por nós administrada. Por mais uma edição A SAUDADE desfilou animada pela Orquestra Super Oara, comandada pelo vibrante Elaque Amaral. Por determinação do Poder Público Municipal a agremiação,  em 2023, teve como ponto de partida e chegada o Pátio do Livramento.

Em novo formato e com novas regras, o concurso de adereço de cabeça da SAUDADE chegou em sua 4ª edição e teve como patrocinador oficial a DNZ Óticas. O mesmo ocorreu pelo critério da “foto mais curtida” na página oficial da agremiação no Instagram, logo após o carnaval.

Sem distribuição de bebidas, por conta da não mais fabricação da embalagem de 250ml do uísque Teachers, fato que inviabilizaria  à distribuição organizada dos produtos durante o percurso,  resolvemos retirar do preço do kit os custos referente a esse serviço. Ao final, o folião, de maneira geral, comprou o kit mais em conta, sobretudo para àqueles que não bebem. Resumo da ópera: o bloco ficou mais cheio e com a mesma animação!!!

Aproveitamos o ensejo para agradece a todos aqueles que de forma direta e indireta contribuíram para efetivação – por mais um ano – desse projeto cultural que tem sua plenitude e ponto alto na segunda-feira de carnaval.

Girafa: 3 dias no Carnaval da Vitória!!!

Comandada pelos irmãos Ferrer – Alexandre e Aluízio – a Agremiação Carnavalesca A Girafa desfilou os três dias de carnaval – domingo, segunda e terça. Sem cordão de isolamento, o bloco teve como nesse carnaval a Banda e o Trio Asas da América.

Fundada em 1949, a agremiação é presença garantida no nosso carnaval desde a sua fundação, como bem relembrou, por várias ocasiões durante o percurso um dos seus diretores, Aluizinho Ferrer.