Conforme prometido, no vídeo de hoje, reviveremos o primeiro desfile carnavalesco de uma trio elétrico com banda em nossa cidade. O Bloco Enérgia, liderado, entre outros, por Raly e Itamar marcou época em Vitória.
Para os vitorienses que hoje tem pouco mais de 35 anos, assim como eu, fica mais fácil lembrar do “estouro” musical do artista baiano, Ricardo Chaves, lá, no longínquo carnaval de 1993. “É O BICHO …É O BICHO…….VOU TE DEVORAR CROCODILO EU SOU……”,
Portanto, a implantação no carnaval vitoriense dos blocos padronizados acompanhou, naquela ocasião, uma tendência nacional, face à grande exposição, na grande mídia, do estilo do carnaval baiano.
Certa vez, ainda bem jovem, em uma das minhas saídas na comissão do CAMELO (Livro de Ouro), onde um “doador de recurso” nos tratou com certa mal vontade, escutei do carnavalesco MIZURA a seguinte frase: “Pilako, vá se acostumando, a gente só vai se livrar desta humilhação quando um dia a gente conseguir fazer com que as pessoas que saem pulando na frente da orquestrar contribuam para o clube sair…….aí sim …a gente vai fazer carnaval com quem gosta….”
Pois bem, isso foi no final da década de 1980. Na frase de Seu MIZURA, já existia o conceito de carnaval participativo, hoje, totalmente absorvido pelos nossos foliões. Quanto ao carnaval, promovidos pelos clubes que desfilam com alegoria e orquestra, este sim, deveriam ser tratados a “pão de ló” pelos órgãos governamentais, sobretudo pela prefeitura da nossa cidade, coisa aliás, que os últimos gestores fizeram de conta que não existem.
Conforme prometido começaremos hoje a postar na coluna Tempo Voa Vídeo. Neste primeiro flash do carnaval de 1993, escutaremos a inconfundível voz de Seu Otoni Rodrigues e veremos o saudoso folião Mizura no meio da folia. Acompanharemos parte do desfile do ETesão na Praça da Matriz. Ao longo deste período que antecede o tríduo momesco de 2014, relembraremos um pouco das saudosas alegorias diurnas, como também as noturnas. Veremos também muito frevo no pé e muita gente acompanhando as orquestra. Veja o primeiro vídeo:
Reunião da diretoria do Camelo – Foto: Acervo pessoal do blogueiro
Sempre que tenho oportunidade de falar, repito: “não sou velho, mas carnavalescamente falando, vivi o restinho de tudo aquilo que hoje só habita nas paredes da memória dos mais velhos”. Vivi o mela-mela, o corso, com suas “batidas”, as disputas das orquestras, os belíssimos carros alegóricos, os animados bailes de sede, os concorridos ensaios de rua na Pitú-lanches, as comissões com livro de ouro debaixo do braço e porque não dizer, entre outras coisas: o restinho da rivalidade entre LEÃO e Camelo.
Deixei, a propósito, o tema RIVALIDADE por último, para justamente, narrar um acontecimento, ocorrido na terça-feira de carnaval 1991, onde nós, “camelistas” liderado pelo então Presidente Joel Neto, protagonizamos cenas de um carnaval, cujo o “oxigênio”, era a RIVALIDADE.
Muito bem, vamos à história:
Ano de 1991, noite de terça-feira de carnaval. Ao chegar, por volta das 19h na sede do Clube Vassouras “O CAMELO”, juntei-me aos companheiros da jovem diretoria e fui logo recebendo o recado: Joel Neto quer falar com a gente, ele tá aí com uma novidade”.
Naquela ocasião, os “coroas” do Camelo, presentes no desfile foram: Elias Ramalho, Dodó da Gamela, Berilo, Miro Caboclo e “jogando” no time intermediário (meia idade”) Joel Neto. Os mais jovens eram: Fernando, Puan, Alexandre da Gamela, Edalvo, Léo, Murilo, Mano do Cartório, Clodoaldo, Silvio de Velho da Pitú e Eu.
Pois bem, naquele ano, salve engano, estava completando uma sequência de três anos, consecutivos, sem a saída do Leão no carnaval da Vitória. Joel Neto, que gosta da “cachorrada”, aproveitando essa “turma Jovem” e empolgada, disse que só iríamos saber da novidade na casa de Miro Caboclo, localizada na Rua Imperial, quando a Orquestra do Maestro Seminha estivesse parada em frente da casa.
Durante o percurso, o nível de ansiedade da turma jovem só fez aumentar, todos se perguntavam: “que “diabo” de novidade é essa que Joel Neto tem para nos contar?”
Em certo momento, fomos convidados para entrar na casa de seu Miro, lá tomamos, cada qual, umas três lapadas de uísque, e a só assim, a tal novidade foi revelada.
Joel Neto tinha mandado confeccionar uns roupões pretos com desenhos e máscaras de caveiras e uma alegoria, para ser carregada nas mãos, onde aparecia a figura de um LEÃO, feio, fraco, e porque não dizer, quase morto.
Assim sendo, quando saímos da casa de seu Miro, fantasiados de CAVEIRAS, carregando nos braços, aquele LEÃO quase morto, a “galera” do Camelo foi ao delírio, o desfile ganhou uma nova empolgação. Assista o vídeo:
Após contornamos a Praça da Matriz, paramos em frente a sede do LEÃO, ao som de machas fúnebres, fizemos o enterro simbólico do Clube Abanadores O LEÃO. Em certo momento algumas pessoas, mais empolgadas, começaram a chutar a porta do clube. Nesse instante, Joel Neto, com sua autoridade de presidente, controlou a situação.
Saímos então, “cantando vitória” no retorno a nossa sede, no bairro do Livramento e até chegar lá, o pau cantou em cima da “alegoria” do Leão quase morto.
Uma semana depois, quando passei pela calçada da casa do senhor Zé Lourenço na Matriz, torcedor “fervoroso” do Clube Abanadores O Leão, ele disse: “filho de Zito, vem cá. Eu vi você chutando a porta do Leão, vou dize a seu pai, ele não gosta disso não”.
Bem, confesso que fiquei meio “cabreiro”. Mas, caso papai viesse a me reclamar, a resposta já estava na ponta da língua: “foi Joel que mandou”.
Pelo sim, pelo não, acho que seu Zé Lourenço falou com papai, mas como Seu Zito era CAMELO de coração, no fundo, no fundo, acho até que ele tenha gostado da nossa, digamos assim, transgressão carnavalesca.