Noticias do Camelo……

Em um determinado quadrante da nossa história momesca, que teve inicio  no final do século XIX,   alguns jornais e informativos, com títulos sugestivos e com conteúdo e linguagem própria, circulavam no período da folia.

Abaixo, portanto, notícias do Clube Vassouras (O Camelo), no “Língua de Sogra”. Detalhes: um expressivo acervo desses exemplares encontram-se arquivado e preservados no nosso Instituto Histórico Geográfico.

 

O Centenário do Poeta Dilson Lira será festejado na SAUDADE.

Faltando pouco menos de um mês para vivenciamos mais um reinado de momo, em Vitória de Santo Antão, as agremiações, das mais variadas tendências e estilos, continuam se organizando para apresentar sua melhor versão.

Nesse contexto, a Agremiação SAUDADE, que desfilará em 2025 mais uma vez com a Orquestra Super Oara e o Trio Asas da América, oportunamente, estará celebrando o nome do Poeta Dilson Lira, por ocasião da passagem do centenário do seu nascimento.

“Seu” Dilson, em se tratando de carnaval, nos deixou um patrimônio único com as suas filmagens e registros do nosso carnaval. Ele começou em registrando a nossa folia em 1966.

Assim sendo, por uma questão de justiça, tributaremos o nosso desfile a esse grande antonense, Dilson Lira.

Diario de Pernambuco, patrimônio intangível do Recife – por Marcus Prado.

“Quando se quer mostrar que o passado tem presença tão intensa, não se deve mostrar que ele é passado, mas que está presente e forte”. (Anatol Rosenfeld).

Minha passagem na condição de conselheiro titular do Conselho Estadual de Cultura (CEC) levou-me ao estudo de autores que contribuíram significativamente para a formação de perspectivas e visões da preservação da Memória e seu desdobrar histórico preenchido de significados. Ao fazer leituras sobre a prática preservacionista, tanto na área do patrimônio edificado e memória da cultura, pude recolher ganhos e ensinamentos de autores de incomensurável valor hermenêutico. O percurso, com certeza, não seria possível sem a acolhida de pessoas incríveis como Antenor Vieira, José Luiz Mota Silveira, Rosa Bonfim, Vera Millet, Marcos Galindo, Juliana Cunha Barreto, Nazaré Vieira.

Tornou-se, para mim, fascinante, a questão do patrimônio intangível, o papel essencial de quem trabalha nessa questão cada vez que a experiência pessoal, motivadora, sobretudo da vertente jurídica e legal que envolve o tombamento, os seus fundamentos justificatórios. Serviram-me quando produzi o Relatório de Tombamento “como patrimônio de rigorosa preservação” do edifício sede do Diario de Pernambuco. (Conselho Estadual de Cultura/2018-Gestão de Márcia Souto e Aramis Macêdo).

Nunca perdi a minha simpatia e interesse pelos repertórios e salvaguarda do Patrimônio Imaterial de natureza intangível. Esses duram a eternidade, assumem uma função globalizante a um só tempo plural, variada e dinâmica.

É o caso recente do tombamento do jornal Diario de Pernambuco como patrimônio imaterial do Recife (Lei de autoria da vereadora Ana Lúcia, sancionada pelo prefeito João Campos).

A honraria, plena de significados, significa dizer que o DP nos seus 200 anos, faz parte da identidade profunda da cidade, não só do Recife, mas do País; que esse acervo impresso é valioso para a imprensa de idioma português. Os dados atuais da UNESCO informam que uma das caracterizações dos bens imateriais é sobre a comunidade local, sem esse grupo não existiriam os patrimônios.

“Fundado na comunidade, o património cultural imaterial deve ser reconhecido como tal pelas comunidades, grupos ou indivíduos que o criam, mantêm e transmitem.” As edições desse Jornal, o mais antigo em circulação em nosso idioma, hoje digitalizadas, são insubstituíveis nas pesquisas históricas e na (re)interpretação desses eventos não só de Pernambuco.

Por fim. não vejo a hora de se reunir numa publicação de amplo alcance e acesso, o que se tornou oficialmente reconhecido, em Pernambuco, sobre a riqueza do nosso Patrimônio Intangível.

O nosso DP, contemporaneamente, na prática profissional do jornalismo, exerce, como há 200 anos, papel de porta-voz da sociedade, guardião da agenda de grandes temas da população.

Marcus Prado – jornalista

Palestra: carnaval antonense no centro do debate!

Dentro da programação produzida pelo Instituto Federal, realçando a história do nosso reinado de momo, que terá como culminância um “grito de carnaval” nas dependências da instituição, na manhã de ontem (03), contribuímos com uma palestra sobre algumas passagens, transformações e curiosidades sobre nessa festa maior – Carnaval Antonense.

Direção, professores e alunos se juntaram para manter viva nossa história carnavalesca. Através da pesquisa e uma visita presencial ao nosso Instituto Histórico se apropriaram de conteúdo valioso para, em atividades escolar,  formatar algumas peças e criar uma sinergia com a comunidade local. Parabéns aos envolvidos!

Olinda: os quatro cantos do mundo…

Para consumir ideias diferentes e beber noutras fontes históricas, na tarde do domingo (02), juntamente com parte do grupo da “Missão Cultural”,  seguimos para a cidade de Olinda, local que exala  de tudo um pouco, um espécie de caldeirão cultural.

Nesse período de inicio de ano até o reinado de momo,  propriamente dito, Olinda é bom laboratório humano e social. Em se tratando de carnaval,  como festa popular, para quem gosta, caminhar, subir e descer suas ladeiras, ao som do que rola por lá, sempre será uma boa experiência. Vale a pena conferir!!!

12º Feijoada da ABTV “esquentou” o Carnaval Antonense!

Mantendo a tradição de abrir a temporada carnavalesca antonense, no sábado, 1º de fevereiro, aconteceu a 12º edição da Feijoada da ABTV – Associação dos Blocos de Trios da Vitória. Bem prestigiada, o evento contou com a participação de políticos, diretores de agremiações, artistas, carnavalescos e foliões.

Patrocinado desde a sua primeira edição pelo Engarrafamento Pitú, a Feijoada da ABTV também congregou a imprensa da cidade para, em coletiva, em primeira mão, anunciar as novidades das respectivas agremiações atinentes ao reinado de 2025.

O evento realçou e condecorou alguns nomes: Elias Andrade, recentemente falecido, recebeu na categoria póstuma. Marconi Sandres como alegorista. “Mijo Dela”, “Pereirinha” e  a Agremiação  “Em Cima da Cama” também foram lembradas. Na ocasião, a passagem dos 75 anos da “Girafa”, os 25 do “Papaléguas”  e os 15 do “Fera” foram sublinhados.

Comandando o palco, o consagrado artistas,  Nildo Ventura, compartilhou sua apresentação com vários artistas que irão se apresentar nos blocos filiados a ABTV. Brindou a todos os presentes com os mais tradicionais  frevo a Orquestra Ciclone, comandada pelo Maestro Givaldo.

Portanto, a 12º edição da Feijoada da ABTV cumpriu, mais uma vez, o seu papel que, entre outras coisas, atua para fomentar a nossa festa maior, ou seja: o Carnaval Antonense.

Demócrito de Souza Filho, 80 anos depois – por Marcus Prado

O dia 3 de março está chegando, data em que uma página negra da história de Pernambuco foi escrita, há exatos 80 anos, em 1945, com o tiro na cabeça de um jovem estudante da Faculdade de Direito do Recife, Demócrito de Souza Filho, quando discursava numa manifestação cívica na sacada do Diario de Pernambuco.
Ele tinha apenas 23 anos.

Sabe-se que Demócrito iniciara seu estudo na Faculdade de Direito em 1941, durante a ditadura de Getúlio Vargas. O fascismo estava em ascensão na Europa, com líderes como Benito Mussolini na Itália e Adolf Hitler na Alemanha. O governo Vargas mantinha relações diplomáticas com esse regime e chegou a elogiar Mussolini publicamente. Pense um jovem cheio de esperança e ardor cívico em busca da redemocratização do seu país, morrer tão de repente, de forma covarde, traiçoeira, brutal, dolorosa, violenta, numa época que a cidade era a capital do Nordeste, estava vivendo a efervescência de motivações para jovens, como ele, sobretudo de ideais políticos em seu tempo e espaço histórico. A bala passou pelas paredes duplas da sacada do Diario, quase raspando o peito do companheiro de campanhas pernambucanas, o escritor Gilberto Freyre. O impacto do tiro, certeiro, o fez cair no meio da redação do jornal.

O Recife inteiro ficou consternado ao saber desse crime encomendado, executado por um fanático do regime. (Policiais invadiram a redação do Diario de Pernambuco horas depois, destruindo as páginas já prontas da edição de 4 de março de 1945). Demócrito caiu como herói da Pátria, pela sua coragem de resistência contra o Estado Novo, contra as ideologias dominantes, carregadas de marginalizações históricas, quando um novo tempo brasileiro era motivação de ideais democráticos, querendo sair da escuridão de uma ditadura caracterizada pela centralização do poder e pelo autoritarismo. Com todos os meios de comunicação sob rigorosa censura. Tinha como setor fiscalizador o nefasto DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). As secretas investigações, no Recife, eram voltadas para Demócrito, temido porque tinha o poder da palavra, da liderança estudantil, da coragem, e para o Diretório Acadêmico da Faculdade, presidido por ele.

Demócrito, naquele 3 de março, saíra de sua casa vestido de branco, e deixaria nesse dia, para sempre, a sua mãe vestida de preto até a sua morte. Vestida da mesma cor ficaria a senhora Vicenta Lorca Romero, mãe dolorosa do poeta Federico Garcia Lorca (morto por uma patrulha do ditador Franco, da Espanha), praticamente reclusa, sem usar outra roupa, senão a de luto fechado, até sua morte. O escudo de aço era uma arma preciosa e emblemática como era vista na Antiguidade. (Na “Ilíada”, de Homero, o escudo que Aquiles usa em sua luta com Heitor). O escudo de Demócrito caiu sobre chão manchado de sangue. Mas ficou o seu legado no labirinto de novos caminhos neste imenso mar de esperanças.

Marcus Prado – jornalista

Encontro de semelhantes diferentes………..

Por volta do meio-dia de ontem (29), na Praça da Restauração, casualmente, encontrei o jornalista José Edalvo. Como sempre, ao encontrá-lo, dedicamo-nos, por menor que seja,  um tempo para breves,  e não tão breves,  atualizações. Para nossa grata surpresa, nesse ínterim, eis que surge o professor, poeta e pensador antonense, Sosígenes Bittencourt. Para concluir, na linguagem frívola das redes socais, poderíamos dizer: “encontro de milhões”. Noutra seara, poderíamos arrematar: “encontro de semelhantes diferentes”….

Voltemos a 1917 – por @historia_em_retalhos.

Naquele ano, duas figuras de gerações distintas encontravam-se nas dependências da Casa de Detenção do Recife: o lendário cangaceiro Antônio Silvino e o histórico militante comunista Gregório Bezerra.

Antônio Silvino nasceu em Carnaíba/PE e entrou para o cangaço aos 22 anos de idade, em 1897, para vingar o assassinato de seu pai, Pedro Rufino.

Também conhecido como “Rifle de Ouro”, Silvino já era um cangaceiro temido e conhecido quando nascia no Sítio Mocós, em Panelas/PE, em 1900, o líder revolucionário Gregório Bezerra.

Ambos, cangaceiro e revolucionário, tinham origem camponesa.

Iniciaram-se no trabalho no cabo da enxada desde os primeiros anos de vida, enfrentando um duro regime de exploração.

Ambos eram irresignados.

Gregório lutava contra as difíceis condições de trabalho do seu povo, enquanto Silvino rebelara-se contra o assassinato de seu pai a mando de um “coronel” da região.

Em 1917, Gregório tinha apenas 17 anos e encontrou na prisão um Antônio Silvino já maduro, com 42 anos, e já completamente fora da cultura da violência.

Gregório teve em Silvino um dos seus principais amigos no cárcere, chegando a registrar essa admiração em seu livro de memórias:

“Antônio Silvino foi o bandido mais famoso, mais popular e mais humano na história do cangaço”, disse Gregório, referindo-se ao espírito de valentia do cangaceiro, mas também reconhecendo a forma distinta com que tratava as mulheres, as crianças e os idosos.

Com o tempo, essa amizade aprofundou-se com Silvino sendo um verdadeiro conselheiro de Gregório e, ainda, um leitor das notícias que chegavam da Rússia revolucionária de 1917.

Em 1937, Silvino recebeu indulto de Getúlio Vargas e faleceu em 1944, em Campina Grande/PB.

Já Gregório, continuou em sua luta, amargando 23 anos de prisão ao longo da vida, a depender do momento histórico que enfrentava (década de 20, Estado Novo, anos 30/40 e golpe de 64).

Dezoito anos mais tarde, em 1935, eles voltariam a se encontrar na mesma Casa de Detenção do Recife.

Duas figuras icônicas de gerações distintas que o cárcere aproximou.

A quem interessar, recomendo o livro “Gregório Bezerra, Memórias”. 📖
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Rádio Centro promovendo o carnaval antonense…

Promovendo e aquecendo o reinado de momo na República da Cachaça, a Radio Centro, dirigida pelo amigo Rômulo Mesquita, desde o raiar do novo ano (2025),  vem recebendo diretores de agremiações carnavalescas  das mais variadas tendências para da folia antonense 2025.

Convidado, ontem (29), também participei da empreitada. Na ocasião, falamos um pouco da história do nosso carnaval e aproveitei para alardear a movimentação da SAUDADE, que desfilará  na segunda-feira de carnaval, às 21h, com a Orquestra Super Oara e Trio  Asas da América.

Veja a entrevista aqui: https://www.instagram.com/reel/DFbIaLgvnij/?igsh=ZXdhejlxbnRpcHN1

Engenhos de fogo morto – por Marcus Prado.

DURANTE QUASE UMA década fotografei os engenhos de fogo morto da Vitória de Santo Antão, esforço inédito que resultou numa doação ao acervo do Instituto Histórico local, quando era seu presidente o professor José Aragão.

Sentia-me no dever, depois de cerca de 40 anos como servidor dessa instituição, da qual, nesse período, me tornei integrante do seu quadro social.

As centenárias CUBAS dessa foto foram fotografadas no Engenho Pirapama, de João Cleofas de Oliveira.

Em artigo exclusivo para este Blog, direi como foi a trajetória e o método de prospecção iconográfica dessa pesquisa.

Marcus Prado – jornalista. 

A história de Manoel Bezerra de Mattos Neto – por @historia_em_retalhos.

A história de Manoel Bezerra de Mattos Neto: o advogado assassinado por defender direitos humanos.

Há exatos 16 anos, em 24 de janeiro de 2009, Manoel Mattos era morto a tiros de espingarda calibre 12, em uma casa de veraneio, em Pitimbu/PB.

O advogado, que também havia sido vereador em Itambé/PE e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, integrava a Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, ficando conhecido por denunciar grupos de extermínio com a participação de policiais militares e civis, na divisa entre Paraíba e Pernambuco, região que já fora chamada de “Fronteira do Medo”.

Mattos participou ativamente de duas CPI’s (estadual e nacional), sempre denunciando as violações de direitos humanos e anunciando publicamente que corria risco de vida, pedindo proteção.

Além disso, era especialista na defesa de trabalhadores rurais.

Diante das ameaças de morte que se repetiam, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA chegou a conceder, em 2002, medidas cautelares que determinavam que o Brasil deveria garantir a sua proteção.

Infelizmente, não foi suficiente.

Morto covardemente, o jovem advogado perdeu a vida, aos 40 anos, e a sociedade perdeu um militante combativo dos direitos humanos.

Denunciados, dois dos cinco réus acusados de envolvimento no seu assassinato foram condenados.

O sargento Flávio Pereira foi condenado a 26 anos de prisão e José da Silva Martins a 25 anos, em regime fechado.

Um detalhe relevante: este processo traz consigo uma importância histórica.

Foi o primeiro caso de federalização no Brasil.

Em 2010, o STJ autorizou a instauração do Incidente de Deslocamento de Competência, mecanismo previsto na CF, desde 2004, para crimes que envolvam violação de direitos humanos, ensejando o deslocamento da competência para a Justiça Federal.

Mais adiante, o processo também foi deslocado da Justiça Federal da Paraíba para a de Pernambuco.

Manoel Mattos foi assassinado por defender o uso da justiça em detrimento da violência, por estimular os mais fracos a buscarem os seus direitos e por denunciar grupos de extermínio.

À sua memória, a nossa homenagem no dia de hoje.

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Para o pódio centenário……

No mais recente evento de corrida de rua, ocorrido aqui em Vitória, um fotógrafo profissional registrou minha passagem pela frente do nosso cemitério. Sendo o campo santo o destino final de todos nós, continuo alimentando a ideia de que meu corpo não será enterrado. Após minha jornada por aqui, desejo ser cremado. Aliás, acho até que essa é uma mudança de comportamento crescente e racional.

Em vida,  sempre que possível,  é bom lembrarmos  dessa trinca de mistérios: porque nascemos, para que vivemos e por qual motivo morremos?

Sem a devida explicação, continuo vivendo e cuidando da saúde para tentar entrar no seleto grupo dos que ultrapassam um século de vida,  em plena atividade cognitiva e física.  Será que  vou conseguir? Por enquanto, estou fazendo a minha parte.

Próximo do fechamento das cinco dúzias de idade, acredito haver calibrado o “ritmo e o pace”, constante e sem pressa, respectivamente, no sentido da chegada ao pódio centenário. Aliás,  já consigo imagina-lo……..Corta para 26 de dezembro de 2067….

Primeira Corrida do EJC – Igreja do Amparo.

Organizada pela turma jovem da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, no último domingo (19), aconteceu a 1ª Edição Corrida do EJC. Com concentração desde 5:30h,  após o aquecimento, os atletas percorreram os 5km planejados.  O encerramento ocorreu no Pátio de Evento Otoni Rodrigues.

Ao final, os três primeiros colocados, no masculino e feminino, foram agraciados com troféus. Para concluir: muita fruta, guloseimas e um banho para refrescar. Parabéns ao pessoal do EJC, pela iniciativa.

 

A atualidade das ideias de Gilberto Osório de Andrade – por Marcus Prado .

No universo em que se discutem grandes temas ligados à Geografia como ciência-síntese da relação homem-natureza, sobretudo quando se fala em crise climática, nomes pernambucanos são lembrados entre os da geração que passou e a mais recente, a começar pela trajetória intelectual de cientistas como Gilberto Osório de Andrade, Mário Lacerda de Mello, Manuel Correia de Andrade, Rachel Caldas Lins, Diva de Andrade Lima, Lucivânio Jatobá, Marlene Maria da Silva. Eles representam um conjunto de pesquisadores de alto nível, de particularidades históricas e epistemológicas que marcaram e ainda marcam época, parceiros de uma corrente do que se convencionou chamar de Geografia Moderna, uma ciência que tem como objeto de estudo o espaço geográfico, o lugar, onde se realizam as atividades humanas. Re-teorizar o espaço era uma referência do autor do “Introdução aos estudos dos brejos pernambucanos”, um clássico, quando o foco primordial é a Geografia Regional, ao fazer abordagens sobre a relação entre as influências dos meios naturais, particularmente o clima.

Foram Gilberto Osório de Andrade e Rachel Caldas Lins que correlacionaram o clima semiárido nordestino com o deserto na parte meridional da África. Afirmavam com propriedade que o semiárido brasileiro era uma projeção do ar seco kalahariano no continente sulamericano. Muitos geógrafos brasileiros desconhecem Gilberto Osório e as revolucionárias teses que defendeu.

Quando leio “Geografias pós-modernas: A reafirmação do espaço na teoria social crítica”, de Edward Soja, o Edward visto como um dos mais destacados geógrafos norte-americanos, vejo como a problemática do espaço foi tratada com severidade de pesquisa, também de forma abrangente, pelo nosso Gilberto Osório de Andrade.

Dedicou-se a escrever pioneiros estudos de Climatologia e Geomorfologia, hoje confirmados pelas modernas ferramentas do Geoprocessamento. Há um livro biográfico, de autoria da jornalista Leda Rivas, que retrata a vida e as ideias do nosso geógrafo maior e seus grandes debates que se estendem até os dias atuais, sobre o semiárido nordestino.

Com a sua sede inerentemente insaciável por conhecimento, foi dele a preocupação dialética do espaço, do tempo e do ser social. As teses por ele defendidas implicaram num avanço incrível da Geografia Física brasileira nas décadas de 1960 e 1970. São estudados tudo o que envolve os seres vivos e o meio onde eles vivem — desde os aspectos biológicos, passando pelos químicos e, finalmente, seus aspectos físicos.

Talvez não seja demais lembrar que Gilberto, nos seus estudos, livros e palestras (a destacar a sua presença na SUDENE e no Seminário de Tropicologia/Fundaj, oferece-nos uma perspectiva inovadora do espaço geográfico como, antes dele, foi argumentado por Maurice Merleau-Ponty: o espaço em que existimos e somos nele. O lugar da memória, do esquecer, da cristalização de lembranças.

Marcus Prado – jornalista

Lançamento da Antologia Literária Internacional Além-mares III

Em uma linda tarde poética à beira-mar, o Restaurante Picuí Praia,  em João Pessoa (PB),  se encheu de alegria e emoção para celebrar o lançamento da antologia. Com boa música ao fundo, os participantes vivenciaram  momentos inesquecíveis, repletos de arte e conexão!

Parabéns aos coautores: Djar Aquino e Raul Vitorino, que com sua receptividade iluminaram o evento e acolheram com carinho o Projeto Chá da Vida Brasil, comandado por Jones Pinheiro.  Que as palavras continuem a  unir e inspirar pessoas…

Mais uma Missão Cumprida!!

Assessoria

Mãe Gilda – por @historia_em_retalhos.

Mãe Gilda: vida e morte de luta contra a intolerância religiosa.

Esta é a ialorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda.

Símbolo da luta contra a intolerância religiosa, a ialorixá é fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, em Salvador/BA.

Como todos aqueles que lutam pelo respeito à sua ancestralidade africana neste país, Mãe Gilda sofreu com ataques de preconceito, ódio, intolerância e violência.

No caso dela, custou a própria vida.

Em 1999, teve a sua imagem utilizada no jornal Folha Universal, vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”.

Na época, a reportagem dizia que estava crescendo um “mercado de enganação” no país.

E o pior, com um detalhe sórdido: a imagem de Mãe Gilda aparecia com uma tarja preta nos olhos.

A publicação dessa foto marcou o início de um doloroso, porém importante processo de luta por justiça da família e de todos os religiosos do Candomblé.

Lamentavelmente, dada a fragilidade do momento, adeptos de outras religiões hegemônicas sentiram-se no direito de atacar diretamente a casa de Mãe Gilda, agredindo-a, verbal e fisicamente, dentro das dependências do terreiro, até quebrando objetos sagrados lá presentes.

Diante desses fatos, com a saúde fragilizada, Mãe Gilda não suportou: o seu estado piorou, sofreu um infarto e ela faleceu no dia 21 de janeiro de 2000.

Custa-nos a acreditar, mas, periodicamente, o busto que foi erguido em sua homenagem dentro do Parque do Abaeté (foto), em Salvador, é alvo de atos de racismo religioso.

O autores desses atos costumam justificar a conduta dizendo que apedrejam “a mando de Deus”.

Racismo religioso é crime.

Para quem não sabe, o Brasil registra uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas e os adeptos das religiões de matriz africana, principalmente Umbanda e Candomblé, são os mais perseguidos no país.

Desde 2007, celebra-se em 21 de janeiro o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”, em memória de Mãe Gilda.
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