Momento Cultural: INERTIA – por ADJANE COSTA DUTRA

Adjane Costa Dutra (2)
Nas imagens dos sons inertes…

Inertia, inactivity, sloth.

Inércia dos sonhos coloridos…

Nas folhas brancas ao léu…

Momentos perdidos,

inércia desse vento nas paragens do tempo

de INTERROGAÇÕES ???????

Pára-tempo, tempo-pára.

Para, pára, o que não paro.

Inércia nos sons, nos sonhos coloridos,

Nas paragens desse tempo inertemente perdido…

(TAPETE CÓSMICO – ADJANE COSTA DUTRA – 1995 – pág. 25).

Tragédia ou massacre? – por Wedson Garcia

Gueto nazista? Não. A imagem acima é de um campo de refugiados na Europa, em 2016. Embora as condições sejam péssimas, esses espaços são a única alternativa para milhares de migrantes e refugiados que tentam chegar ao velho continente, para escapar da miséria, violência e perseguição. Porém, quando eles conseguem atingir as fronteiras da União Europeia (UE), da pior forma possível, também descobrem que a segurança permanece fora do próprio alcance, fato que explica os rostos cansados e angustiados da grande maioria, que se vê perdida em um novo território, onde verdadeiras fortalezas de arame farpado os mantém isolados da vida cotidiana que tanto almejaram e que forçam medidas desesperadas frente aos sistemas sofisticados de vigilância e equipes de guardas de fronteira.

A situação é drástica! Mas os maltratados e expulsos ilegalmente, sem acesso aos procedimentos de asilo, sob ameaça de detenção e condições que os colocam em grave risco, ainda preservam e existência e, em consequência, a esperança, diante da lembrança das incontáveis pessoas que, desde 2000, já morreram, tentando fazer a mesma jornada.

Se não bastasse, de forma contraditória, até o século 20, o acolhimento de refugiados tinha respaldo popular. Mas hoje, devido aos atentados terroristas, aqueles que chegam à Europa, causam aumento de brutalidade, intolerância e até Repugnância, devido à insatisfação das sociedades locais que, embora aleguem não compactuar com ações extremas, as colocam em prática com seus semelhantes, esquecendo-se que o Velho Continente também foi responsável pelo Imperialismo, colonialismo e ditatorialismo que, por anos, desestabilizaram tanto o Oriente Médio quanto a África.

Tragédia ou massacre?

Quando nos referimos ao êxodo de refugiados que ocorre principalmente na Europa, por meio do Mar Mediterrâneo, nos deparamos com um dilema mórbido: “tão próximo, porém tão distante”. Isso porque embora esteja ali, a apenas algumas horas de barco, a união Europeia não está disposta a ser um destino para essas pessoas.

As manchetes se sucedem, trazendo mais e mais números de mortos, e todos sabem que os constantes desastres e afogamentos têm um carrasco: a Política – a mesma que motiva os desajustes sociais e causa as fugas em massa. Tudo isso seria evitável, porém a política europeia está determinada a tornar a viagem para aquele continente o mais difícil possível para quem muito necessita de asilo.

O artigo 4º da convenção europeia dos Direitos Humanos diz, inquestionavelmente: “É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros. ” Ele não qualifica e nem abre margem, é intenso por princípio, mas marcado por sequelas: a primeira linha de um recente acordo entre a UE (união europeia) e a Turquia, por sua vez, afirma que: “Todos os novos migrantes irregulares que cruzam da Turquia para as ilhas gregas a partir de 20 de março de 2016 serão devolvidos para a Turquia. ” Apenas por deslize de interpretação linguística não se pode entender isso como uma “expulsão coletiva”. O conselho Europeu de Refugiados e Exilados sempre foi uma parte da estratégia de contenção do assédio de imigrantes ilegais. Mas agora, diante dessa catástrofe humana, tornou-se a plataforma alinhada e explícita da política antirrefugiados da UE.

Milhares não conseguem passar para a Europa e os locais reservados para acomodar quem consegue superar as desventuras da travessia oferece, segundo a Anistia Internacional, “condições desumanas”. Seja em Lampedusa, na Itália, onde o prefeito da ilha comparou o acampamento a um campo de concentração nazista; ou na Bulgária, onde os migrantes vivem aterrorizados com a constante ameaça de agressão racista; ou em Caldas, no norte da França, onde autoridades resolveram demolir as casas improvisadas em que os refugiados eram forçados a viver – mesmo sem terem algum outro lugar para ir.

Os governos alegam ter muita dificuldade em lidar com o número alarmante de imigrantes, e existe o pânico pela segurança provocado pela ameaça do Estado Islâmico. Por fim, a UE está obcecada em controlar a imigração ilegal, então, os números não são o problema, a vontade política, sim. Mais de 22 mil pessoas morreram tentando chegar à Europa desde 2000. Eles queriam atravessar a fronteira para salvar suas vidas, mas em vez disso, a fronteira os matou… e nada mudou, ainda.

Wedson Garcia é ator e diretor de teatro com bacharel em Administração pela Faculdade Metropolitana do Recife. Estudante do curso de licenciatura plena em história da Universidade Estácio.  Contribui para o desenvolvimento teatral da cidade de Vitória de Santo Antão, estando a frente do Núcleo de Pesquisa Cênica de Pernambuco. Contato:wedsongarcia@hotmail.com

Violação de Direitos Humanos
GOVERNO E SOCIEDADE CONTRA ABUSOS

Dia 30/08/17 houve uma reunião coma Dra. Lucile Girão Alcântara, Promotora de Justiça, Direito do consumidor e cidadania, na sede do Ministério Público nesta cidade.

Compareceram autoridades do Governo Municipal e entidades não governamentais, para definir um trabalho em parceria para adequar as empresas de ônibus urbano e rural as exigências do Estatuto do Idoso (Lei federal 10.741 de 01/10/2003), acessibilidade dos idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais, nas cadeiras padronizadas, adesivos e tratamento respeitoso por parte das empresas e funcionários.

Haverá a curto prazo um curso de capacitação para motoristas e trabalhadores, iniciativa da secretaria de Assistência Social do Município. Bem como fiscalização educativa nos ônibus para elaboração de dados estatísticos das empresas que faltam cumprir as exigências da legislação federal.

A ouvidoria do Escritório Vitoriense dos Direitos Humanos, tem recebido muitas denuncias e reclamações das violações de direitos por parte das empresas de ônibus, agências bancárias e casas lotéricas. Marcaram presença na reunião: Cel. Paulo Targino, Secretário de Defesa e Segurança Cidadã; Sr. Elmir Nogueira, Diretor da AGTRAN; Dr. Danilo José Barbosa, representando a secretaria da Assistência Social; Alexandre Rogério, presidente da ADVISA – Associação dos Deficientes da Vitória; Sr. José Alberdam representante do Conselho Estadual das pessoas Deficientes; Wilson Brito, ouvidor do escritório dos Direitos Humanos. A sociedade vitoriense, parabeniza a louvável iniciativa do Governo Municipal e sociedade civil organizada.

Com informações da assessoria de imprensa.

Livros – Apelidos Vitorienses – continuam disponíveis à venda!!

Aos amigos conterrâneos, quer estejam residindo ou não na nossa terra-mãe, informo que ainda possuo exemplares do nosso Projeto Cultural, intitulado “Apelidos Vitorienses”, disponíveis à venda. No volume um, narramos à origem dos seguintes apelidos:

Além do meu apelido (Pilako), catalogamos: Americano, Batifino, Baleado, China Contador, Doutor do Posto, Fernando Diamante, Furão, Giba do Bolo, Heleno da Jaca, João de Qualidade, Lavoura, Mané Mané, Manga Rosa, Matuto, Nanãe, Natal do Churrasquinho, Olho de Pires, Moleza, Pindura, Pirrita, Toco, Tonho Trinpa, Torto e Zé Catinga.

Nesse segundo volume estão: Babai Engraxate, Novo da Banca, Pea Preta, Branca, Gongué, Vei Eletricista, Brother, Bambam Água, Zé Ribeiro, Regis do Amendoim, Val da Banca, Pirraia do Feijão, Pituca, Junior Facada, Pezão, Moreno, João Potó, Touro, Lino, Eraldo Boy, Cocota, Castanha, Miro da Cachorra, Nininho e Neném da Joelma.

Local de venda – Redação do Blog do Pilako – Praça Leão Coroado.

Valor: Volume 01 – R$ 30,00 / volume 02 R$ 30,00

Contato: 9.9192.5094 ou pelo zap 9.8456.4281

Obs: Para as vendas fora da cidade acrescer despesas postais.

Momento Cultural: Anoiteceres – (crônica) – Por Sosigenes Bittencourt

Anoitece em Vitória. Anoiteço em Vitória. Sou figura noturnal, viajante do ocaso, sonhador como o crepúsculo vespertino, morto de saudade como o final. De olhos vendados, conheço o cheiro dos bairros, dos becos, do meio do mato de minha cidade natal. O cheiro de fumaça, de migau, de chuva. Sou todo olfato e lembrança. Conheço os trejeitos do meu lugar, os cabelos perfumados, os enxerimentos, o flerte e o gozo. Minha cidade é todinha uma mulher. Chamar-se-ia Vitória das Marias, Maria das Vitórias, tal como é.

Anoitece em Vitória. Anoiteço em Vitória. Saio para passear, impregnado dos prazeres noturnos, das eras do meu tempo, que me viciam e me saciam. Minha cidade muda todo dia, mas não muda o meu sentimento, o fascínio elaborado pela memória, como quem ama o que odeia e odeia o que ama, num jogo de perde e ganha.

Anoitece em Vitória. Sobretudo, anoiteço em Vitória. Enlouqueço em Vitória. Porque ninguém entende o que em nós nem conseguimos explicar. Vitória, meu berço e minha tumba. Minha alma noctívaga vai enredando sua história. O acaso me espreita, a surpresa me seduz, sua bruma, sua luz. Alucinações e desejos, rimas em ‘ina’, adrenalina, serotonina, dopamina. Ah! Vitória, dos meus idos e vindas de menino, minha menina!

Sosigenes Bittencourt

Cacá Soares

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Com a música “Uma Chance“, Cacá Soares encanta. A música é de autoria dos vitorienses Samuka Voice, Cacá Soares e deste colunista. Ela faz parte do primeiro álbum do cantor, com participação especial de Bruna KellyOuça!

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Aldenisio Tavares

Momento Cultural: ESPAÇO – por MELCHISEDEC

Melchisedec

Para nós, seres humanos, o nosso espaço no cosmos, começou a três milhões e quatro centos mil anos, porém, só a trinta mil anos, começamos a entender onde vivíamos e o que éramos.

Conquistamos o fogo, iniciamos plantio das sementes, aprendemos lidar com os animais, aplicamos nosso primitivo talento para criar os instrumentos de trabalho, usando a pedra, depois descobrimos o ferro e o bronze que permitiam um avanço significativo na nossa arte de fazer as coisas.

Com o ajuntamento das pessoas, formamos as tribos, as comunidades agrícolas que foram evoluindo até a formação das cidades.

Nesse vasto espaço cósmico, a nossa memória parece confinada no estreito lugar do planeta em que vivemos. Pouco a pouco vamos aparecendo em forma de escritos históricos para dizer à posteridade o que fomos, o que somos e o que seremos.

Hoje, todas as pessoas de quem ouvimos falar, viveram e lutaram em algum ponto deste planeta.

Todos os reis, sábios, nobres e plebeus, batalhas, guerras, migrações, invenções, tudo que há nos livros, sobre a história do homem, aconteceu aqui.

Dentro desse imenso espaço do universo de onde emergimos, somos um legado de vinte bilhões de anos de evolução cósmica.

Agora vemos nosso planeta à beira da destruição. As máquinas mortíferas inventadas pelo homem para sua própria destruição. É a inversão de valores.

A maldade tomou conta do coração do homem. Agora temos que melhorar a vida na terra e conhecermos o universo que nos criou, sem desperdiçar nossa herança de vinte bilhões de anos numa autodestruição insensata.

O que acontecer no próximo milênio, dependerá do que fazemos aqui a agora, usando a nossa inteligência e a nossa vontade para salvar o planeta.

Lembremos que: “há mais coisas entre o céu e a terra de que supõe vã filosofia”.

(VERDADES FUNDAMENTAIS – MELCHISEDEC – pág. 61).