
Nasceu o pernambucano Francisco Xavier Pais Barreto, em 1821, na antiga vila sertaneja de Cimbres. Viveu a primeira infância, no torrão nativo. Estudou preparatórios no Recife, e matriculou-se no Curso Jurídico da cidade de Olinda. Inteligente e estudioso, alcançou vitórias na vida acadêmica, recebendo, aos 21 de idade, a láurea de bacharel. Pobre, sem proteção política, iniciou-se na magistratura, aceitando o cargo de suplente de juiz municipal de Goiana.
Seis anos decorridos, mereceu de Pires da Mota, presidente da província de Pernambuco, a nomeação de promotor público do Recife.
Nomeou-o juiz de direito do Limoeiro, em 1854, o presidente José Bento da Cunha Figueiredo, visconde do Bom-Consêlho. Exerceu a judicatura, conta Pereira da Costa, nas comarcas da Vitória e do Rio-Formoso. E mais tarde, na de Olinda. Exerceu, também, numa época tormentosa, a chefia de polícia do Piauí, ocupando o mesmo cargo, na província das Alagoas, numa fase de agitação política. Conservou-se, nesses postos, alheio aos ódios e às perseguições, mantendo, serenamente, a ordem pública.
Governou, esse pernambucano, narra aquele eminente historiador, as províncias da Paraíba, do Ceará, do Maranhã e d Baía, sem perder a confiança do governo e do aplauso dos governadores. Na cadeira da presidência, foi, antes de tudo, um magistrado. Representou a terra natal, na Assembleia de sua Província, e na Câmara geral.
Quando o partido conservador subiu ao poder, com o gabinete Ângelo Ferraz, barão de Uruguaiana, ocupou, Pais Barreto, a pasta da marinha. Não pertenceu, esse filho preclaro da vila de Cimbres, à vanguarda dos político exaltados. Homem de convicções arraigadas, teve, sempre, nas lutas partidárias, o elevando e nobre espirito de concórdia. Foi um das figuras preeminentes do partido progressista, em cujas fileiras, apertaram, as mãos, “conservadores moderados e liberais”. Sob a bandeira da paz dessa poderosa agremiação política dirigiu, Pais Barreto, no ministério liberal de 15 de janeiro de 1864, chefiado pelo baiano Zacarias de Góis, a pasta do Estrangeiro. Nesse ano, deu-lhe, Pernambuco, a poltrona de senador do Império.
Faleceu, no Rio de Janeiro, no dia 28 de março de 1864. Contava 43 anos de idade. Presidente de quatro províncias, deputado, duas vezes ministro, e senador, morreu paupérrimo. Era, porém, à honra fatal, milionário de virtudes.
Haverá, na vila de Cimbres, rua ou praça, ou escola municipal, que recorde, aos velhos e especialmente aos moços, o nome honrado do Conselheiro Pais Barreto.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.



























