Prêmio Pedro Ferrer de Cultura: VIDA LONGA AO MESTRE PEDOCA!!

Assim como tantos outros nomes que participaram ativamente da vida cultural da nossa cidade, desde os tempos da “Atenas Pernambucana”,  mas que já fizeram a viagem sem volta, o professor Pedro Ferrer, com o seu trabalho, talento e dedicação, também já construiu o seu  lugar ao sol,  naquilo que poderíamos chamar de seleto grupos dos grandes vitorienses – antonenses, como ele prefere nominar  ou santonense, como imagino ficar mais bonito.

Sem exaltar aqui os seus predicados como intelectual e pessoa viajada pelos quatro cantos do mundo e até de já haver residido no velho continente, para se aprofunda nos estudos,  “Pedoca” é detentor das mais sublimes ferramentas do saber, inerentes aos grandes mestres: a curiosidade e a humildade.

Desprendido de vaidades bobas e do patrimônio material, Pedro é reconhecidamente um homem de fé. Sua formação familiar e religiosa lhe permite olhar a vida por outro prisma. De sorte que podemos contar com a experiência das mais de sete décadas vividas do nosso presidente do Instituto Histórico, para que o mesmo continue  irradiando seu alto astral e desejo de promover cultural na nossa aldeia – Vitória de Santo Antão. Vida longa ao Pedoca!!!

Na nossa Vitória a fogueira também continua queimando por São José…

Ontem, 19 de março, foi o dia de São José. Na cultura nordestina a data tem muita simbologia. É o dia de plantar o milho para, três meses depois, se colher nas festas juninas, dedicadas aos três santos: Santo Antonio, São João e São Pedro.

A nossa tradição em acender fogueira foi trazida pelos nossos colonizadores europeus. Há explicações atinentes às comemorações das colheitas, mas, pelo fato de sermos um País eminentemente religioso, prevalece a questão ligada à fé católica.

Mesmo em tempos “bicudos” há quem mantenha as tradições. Na noite de ontem, por exemplo, registrei, apenas na Rua Silvino Lopes, no bairro do Cajá, duas figueiras em chamas. É bem verdade que atualmente há, também, quem reclame dos efeitos dessa tradição evocando os novos conceitos ecológicos e saudáveis.

Marielle Franco: mais um caso urgente para ser desvendado na “Cidade Maravilhosa”.

Olhando pelo retrovisor do tempo pouco mais de uma década nos separa do estrondoso lançamento da película cinematográfica nacional “Tropa de Elite”. Para os cariocas dos morros,  uma espécie de documentário real. Já para os brasileiros mais afastados dos grandes centros e pertencentes às classes mais bem situadas socialmente, uma ficção! Algo, por assim dizer, surreal. Hoje, a grande mídia e as redes sociais nos retratam com fidelidade tudo aquilo que foi visto,  em tempo real. Já “familiarizados” com o roteiro,  assistimos a tudo isso sem nos sobressaltarmos.

O recente e trágico evento ocorrido na “Cidade Maravilhosa”, que ganhou proporções internacionais por envolver uma vereadora, é mais um! Igual a tantos outros… o problema não é saber quem matou ou quais foram os mandantes da morte da ativista social Marielle Franco. Com efeito, proponho outra pergunta: à quem interessa um “estado de poder” paralelo, dentro de uma “Estado Legal”, amparado por uma Carta Constitucional?

No Rio de Janeiro, todos os dias, muito antes da morte da parlamentar, filada ao Psol, se assassina o “Estado Brasileiro”, mutila-se a Nação e subtrai do patrimônio do povo a esperança da tão a sonhada Justiça Social. Quando se executa uma juíza de direito em via pública – Patrícia Acioli – quem sangra e agoniza nos asfalto é o estado de direito. Quando uma criança é vítima de bala perdida ainda dentro do ventre da mãe, nascer, algo natural, não seria mais o desejo de ninguém.

Matar a sangue frio uma parlamentar eleita com o voto do povo de cuja proposta eleitoral encontrou eco em mais de 46 mil vozes é dizer, de maneira clara e sem meias palavras, que nossa democracia é obra para inglês ver. A grande igualdade é respeitar e conviver com os diferentes.

Também não podemos achar que a extinção da polícia militar seja algo minimamente razoável. Esse é um discurso que depõe contra os ativistas, afinal, isso coisa de “gang”, ou seja: executar companheiro e colocar a culpa nos outros.

Para o povo do Rio e toda Nação brasileira continuar apoiando a intervenção militar no referido  Estado, como bem demonstram as pesquisas de opinião publicas, recentemente divulgadas,  não obstante tantas outras providencias urgentes, faz-se imperativo apresentar os assassinos e todo “mapa” dessa macabra operação, com roteiro ainda imprevisível, afinal, um bom discurso surgiu, sobretudo  para aqueles que já não conseguiam encontrar sentido e coerência naquilo que bradavam.

A grande pergunta é: a quantos segmentos interessa o Rio de Janeiro ser dominado pelo “estado paralelo”? Ao que parece, lá, na Guanabara, os principais atores de um (comando) dialogam muito bem com os chefes  do outro, motivo pelo qual –  imagino –  os dois serem irmãos siameses. VALE RELEMBRAR O DEPOIMENTO DO ENTÃO (FICÇÃO) CAPITÃO NASCIMENTO.

Premio Pedro Ferrer de Cultural homenageou personalidades vitorienses.

Conforme anunciado aconteceu na noite da sexta (16) no Teatro Silogeu José Aragão a primeira edição do Premio Pedro Ferrer de Cultura. A iniciativa buscou homenagear pessoas e/ou instituições que contribuem para o engajamento cultural do município.

O nome do professor Pedro – atual presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória – é hoje uma espécie de unanimidade no que se refere ao incentivo, apoio e participação na mais variadas/diversas manifestações populares no nosso torrão – isso é fato!! Na abertura do evento uma projeção em forma de  documentário realçou um pouco da vida do professor Pedro.

De maneira plural o evento buscou homenagear destaques nas seguintes categorias:

Agremiação Carnavalesca – Clube de Fado Taboquinhas,
Ator – Bad Léo,
Escritor – Valdenite Moura,
Carnavalesco – Guilherme Pajé,
Companhia de Teatro – Máquina Teatral,
Educadora – professora Salete,
Instituição Filantrópica – AMA,
Mestre da Cultura Popular – Nestor Pedro,
Personalidade – Dona Nininha,
Instituição de Ensino – Escola Municipal Mariana Amália,
Músico – Beto do VR-7
Artista Plástico – Almir Brito.

Com a casa lotada, ao final do evento, o professor desceu do palco e se pronunciou próximo aos convidados e homenageados. Segundo ele, o que menos importa é o nome – Pedro Ferrer – que foi dado ao premio. Disse ele: “eu não sou nada nesse premio”. Com o fim da premiação um coquetel foi serviço nas dependências da “Casa di Imperador”. Veja o vídeo.

Monsenhor Maurício Diniz acata sugestão para que datas históricas sejam ajustadas.

Por falta de documentos oficiais e outros subsídios consistentes, assim como aconteceu com as cidades de Recife e Olinda, por convenção,  ficou estabelecido pela Lei Municipal 2.942/2002, sancionada pelo então prefeito da Vitória, José Aglailson Querávares, no dia 26 de agosto de 2002, que a data oficial da fundação do nosso município – então “aldeia de Braga” – seria 17 de janeiro 1626.

Muito bem, recentemente, o decano da imprensa local, “Seu” João Álvares, telefonou-me pedindo para marcar uma reunião com o Monsenhor Maurício Diniz para que pudéssemos tratar de divergências relacionadas com  algumas datas históricas, envolvendo, inclusive,  a Procissão de Santo Antão, que ocorre, desde sempre, no dia 17 de janeiro – feriado municipal.

Assim sendo, na manhã de ontem (15),  o religioso abriu espaço na sua apertada agenda para nos receber. Após escutar atentamente nossas explicações, todas lastreadas em registros documentais, absorveu a ideia e o nosso pleito. Sendo assim, doravante, será construído um documento pelo nosso Instituto Histórico e Geográfico, hoje, sob a dinâmica administração do professor Pedro Humberto Ferrer de Moraes, para lastrear as mudanças e equacionar as divergências antigas.

Ednaldo Fonseca: o único juiz sanfoneiro, compositor e cantor do mundo, esteve em Vitória de Santo Antão!

Também palestrou na Expo Saúde, evento ocorrido recentemente no Vitória Park Shopping, no qual congregou profissionais da área médica de vários segmentos, o doutor Ednaldo Fonseca o único juiz de direito em atividade do Mundo que canta forró, compõe e toca sanfona. Sua participação, além de uma pequena apresentação musical, ateve-se ao tratamento terapêutico de uma depressão, curada pela música.

Tocado pela música desde a infância o doutor Ednaldo Fonseca reencontrou-se com ela depois de adulto, por indicação médica. Como magistrado atuante da cidade de Juazeiro da Bahia, o mesmo trouxe na sua composição genética a cultura do nordeste brasileiro. Refinado nas palavras, culto e simpaticíssimo o doutor nos concedeu uma entrevista,  na qual falou do seu trabalho e da sua paixão (música). Com relação a sua carreira artística, por assim dizer, é pautada na filantropia. Veja o vídeo:

Em função da música e das gravações em estúdio, já que o doutor Fonseca tem vários CD na praça, o mesmo desenvolveu uma relação de amizade e admiração com o saudoso artista local, Duda da Passira. O filho de Duda, Junior Passira, vem mantendo a mesma parceria com o “juiz sanfoneiro”- como gosta de ser lembrado.

Por vocação, emoção e muita inspiração – tripé que dá sustentação ao sucesso dos grandes artistas –  o compositor vitoriense Aldenisio Tavares – que conhecia o “Juiz Sanfoneiro” apenas de nome – cuidou de produzir, na hora, uma música para homenagear o doutor Ednaldo Fonseca. Diz a canção: “ou seu juiz solte a caneta e o paletó…..pega a sanfona e vem tocar forró”, veja o vídeo:

A vitoriense Ester Azoubel recebeu o título de professora EMÉRITA.

O presidente do nosso Instituto Histórico e Geográfico, professor Pedro Ferrer,  participou, ontem (15) da diplomação – Professora Emérita –  da doutora  Ester  Azoubel.  Vitoriense que estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças e filha de uma família que exerceu, no passado, forte influência em vários setores da sociedade antonense, sobretudo na  atividade econômica. Atuou fortemente, também, na vida cultural. Entre outras coisas, criaram dois cinemas – São Luis e o famoso Cine Braga.

Zezé do Forró em Pot Pourri.

 

Do novo CD de Zezé do Forró, ouça o Pot Pourri  ESQUENTA MORENINHA e Cair na Brincadeira, de autoria Assisão, Genaro e Evaldo Lima, respectivamente.

[wpaudio url=”http://www.blogdopilako.com.br/wp/wp-content/uploads/Esquenta-Moreninha-e-Cair-na-Brincadeira-Zeze-do-Forro.mp3″ text=”Esquenta Moreninha – Cair na Brincadeira – Zezé do Forró” dl=”http://www.blogdopilako.com.br/wp/wp-content/uploads/Esquenta-Moreninha-e-Cair-na-Brincadeira-Zeze-do-Forro.mp3″]

Aldenisio Tavares

“Matança” também faz parte do cotidiano dos vitorienses!!

Com o título: “Interior sem clima de paz” o Jornal do Commercio do último final de semana (10 e 11) publicou, no seu caderno “Cidades”,  uma reportagem atinente ao aumento da violência nos municípios que estão fora da Região Metropolitana do Estado. Nela, explicita-se, em  números e percentuais,  aquilo que todos nós sentimos na pele, isto é: sensação real insegurança!!

Segundo a ONU – Organização das Nações Unidas – considera-se  “aceitável” uma taxa de até 10 homicídios por 100 mil pessoas.  Em algumas cidades pernambucanas o índice chega ao alarmante 171,5 (Cupira) e até a 198,5 (São José da Coroa Grande), bem acima da taxa média do estadual (57,09). Para se ter a ideia do que estamos falando, o Estado do Rio de janeiro – que está sob intervenção federal na segurança pública – apresenta uma taxa de 40,0 por 100 mil habitantes.

Pernambuco terminou o ano de 2017 com 21% a mais que em 2016. Saltamos de um ano para o outro de  4.479 para 5.427. Um aumento de 21%. A política praticada pelo governador Paulo Câmara, nos últimos três anos, nos quatro cantos do estado,  no que se refere à segurança pública, foi um desastre.

Não obstante nossa cidade, Vitória de Santo Antão, não aparecer nessa macabra estatística, não quer dizer que por aqui as coisas estão melhor. O problema, na verdade, é que no nosso município os índices de assassinatos veem se mantendo em altas taxas,  há vários anos consecutivos.

Coincidência ou não, desde que as três maiores força políticas do nosso município se alinharam no mesmo “campo político” estadual, isto é fazem parte da base do governo liderado pelo PSB,  que Vitória deixou de receber os investimentos necessários.

Ou seja: quando as três forças políticas locais, com assento no parlamento estadual,  passaram a “comer no mesmo coxo” Vitória de Santo Antão deixou de receber a atenção devida dos mandatários  de plantão. Não podemos, evidentemente, deixar de  elencar o crescimento e à organização do crime cada vez mais organizado com um dos fatores principais do aumento da violência em todas as regiões de Pernambuco.

O deputado federal Eduardo da Fonte vem cobrar o seu “pedaço”.

Há poucos dias postamos uma matéria com o seguinte  título:  “Elias, Henrique e Aglailson e as arrumações de bastidores para 2018”. Nela, entre outras perspectivas e possibilidades, avaliamos que o atual prefeito da Vitória de Santo Antão, Aglailson Junior, em função da possível filiação do seu filho  – pré-candidato a deputado estadual – no PP (Partido Progressista) seria “obrigado” a dividir os votos do seu “curral” – para deputado federal – com o presidente da referida e agremiação – o deputado federal Eduardo da Fonte.

Bem, hoje, o veterano colunista político da capital, Inaldo Sampaio, escreveu em sua coluna algo que corrobora com aquilo que já havíamos aventado. Eis a nota:

Novo par – Aglailson Júnior (PSB), prefeito de Vitória de Santo Antão, vai lançar o filho, Aglailson Victor, para deputado estadual, possivelmente pelo PP, onde teria mais chance de vitória. Se sua opção partidária realmente for esta, ele fará dobradinha com Eduardo da Fonte PP) e não mais com João Campos (PSB)”.

“Espaço Desenvolver” tem uma nova proposta para o tratamento do Autismo.

Em ampla expansão na nossa cidade, Vitória de Santo Antão, o Espaço Desenvolver configura-se na primeira clínica multidisciplinar do interior de Pernambuco, o que reforça, exponencialmente, à qualidade polo do médico local. Com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos e psicopedagogos o espaço tem como foco o Tratamento do Espectro Autista.

Na qualidade expositor do primeiro evento voltado aos profissionais de saúde da nossa cidade,  o diretor administrativo da clínica, Fabiano Moscoso, realçou a importância do evento e relatou todo o planejamento no projeto Espaço Desenvolver. Entre outras coisas, disse ele: “ foi uma  empresa gestadas com uma ideia nova, formada  por um grupo de  jovens profissionais”. Veja o vídeo:

Apelidos Vitorienses: GIGI

Em virtude do repentino crescimento quando adolescente – aquilo que antigamente se chamava “esticão” – nossa amiga Maria do Socorro Beltrão recebeu uma simpática alcunha que, mais de meio século depois, continua lhe acompanhando como nome social.

Contou-nos a senhora Maria do Socorro Beltrão que quando estudava no Colégio Municipal 3 de Agosto, em poucos meses cresceu cerca de dez centímetros. Motivo, aliás, que lhe deixou muito satisfeita. Suas amigas da sala de aula, que ainda hoje goza do  seu convívio, resolveram lhe colocar o simpático apelido de “Girafa”.

Além do repentino crescimento, confidenciou Socorro,  que na sua família todos tem um alongado pescoço, algo que ajudou na escolha do apelido. Pois bem, para não deixar que a turma toda tomasse conhecimento da brincadeira suas amigas começaram lhe chamar, publicamente, apenas por “Gigi”.

O tempo passou e o apelido pegou. Hoje, nos mais diversos ambientes, nossa amiga Maria do Socorro Beltrão é conhecida apenas por “Gigi”. De modo que a catalogamos como uma vitoriense que também é mais conhecida pelo apelido do que pelo próprio nome.

“Chico Dentista”: “a saúde começa pela boca”.

Também na qualidade de expositor e palestrante do evento intitulado Expo Saúde Vitória, figurou o conceituado cirurgião dentista Francisco Junior, popularmente conhecido por “Chico Dentista”. Desempenhando seu oficio há décadas na nossa cidade o doutor Francisco é uma das referências no que podemos chamar de “sorriso perfeito”.

Em um descontraído bate papo, no seu stand, do referido evento, entre outras coisas, “Chico” procurou desmistificar a ideia de que tratamentos dentários com próteses e correções sejam algo distante das pessoas. Segundo ele, hoje em dia, o trabalho poderá ser feito por etapas com custos planejados,  Inclusive com pagamentos parcelados.

Portanto, se você precisa ou tem interesse de melhorar o seu sorriso, o consultório do amigo “Chico Dentista” fica localizado na Praça Duque de Caxias – ao lado do Banco Itaú – e atende pelo telefone 3523-0646.

Segundo alguns documentos a Freguesia de Santo Antão foi criada em 14 de março.

O conceito da palavra “freguesia” é amplo. Da expressão latina – filius eclesiae – advém a ideia de “filho da igreja”. Do latim – filius gregis – entende-se por filho ou membro do rebanho. Nossa pujante Vitória de Santo Antão de hoje um dia já foi uma freguesia.

Os registros não são precisos. Mas há documento datado de  05 de  dezembro de 1881 em que,  após solicitação do cônego Marcolino Pacheco do Amaral, o bispo Dom José da Silveira Barros, afirma:

“Esta Freguesia é antiguíssima, pelo que ignora-se a época da sua fundação. Em 1626, foi edificada a capela de Santo Antão, que, com o andar dos tempos, veio a servir de Matriz, sendo que os primeiros assentos de batismo e casamento são 1732”.

Em outro documento – Almanack Administrativo da Província de Pernambuco de 1882 consta o seguinte:

“Freguesia de Santo Antão – criada pelo alvará de 14 de março de 1783”.

Assim sendo, hoje, 14 de março de 2018, estaríamos completando 235 anos da criação da então Freguesia de Santo Antão. Ainda segundo documentos, o primeiro vigário da nossa Freguesia foi o padre José Fernandes da Cruz.

MOMENTO CULTURAL: Os Medos da Paixão (conto) – Por Valdinete Moura

Não era assim que queria. Não assim: estômago embrulhado, boca amargando, cabeça rodando. Não assim. Bêbada. Difícil acreditar. Sempre tão certinha, comportada e agora, bêbada. Bêbada como uma qualquer. Qualquer Fulana dos becos e ruas da lama que existem por aí. Sou bêbada chique, conseqüência do uísque escocês do mais puro, moro em um apartamento luxuoso em Copacabana. Nem por isso menos bêbada, menos enjoada… Enjoada de mim, da vida, do mundo… Esse mundo é uma porra! Pronto, disse. Uma bêbada é o que você é e, além de bêbada, pornográfica. Não se envergonha? Jamais pensei que um dia, minha filha… Meu Deus, só falta me chamar de puta. Não, mamãe, não diga assim… Se soubesse, chamaria, talvez até não quisesse mais me ver. Não fale assim, mamãe, eu estou sofrendo. A verdade é que estou bêbada. Nunca fiquei assim antes… só uma pequena dose, socialmente. Pro diabo com o social, estou bêbada e sozinha, ninguém viu quando roubei a garrafa. Quando meu irmão descobrir… na sua festa. Ora, que se fodam todos: meu irmão, minha mãe, todo mundo, o mundo também. E eu de quebra. Que está acontecendo comigo? Nunca usei essas palavras. Mentirosa! Usar, usou, só não falou. Se peca por pensamentos, palavras e ações. Se pensou, pecou. Porra para vocês também. Todos os que enfiaram essas coisas na minha cabeça. Não quero chorar; não, meu Deus, que papel ridículo estou fazendo: bêbada e toda desalinhada. A roupa nova que custou os olhos da cara naquela butique nova, como é mesmo que se chama? A tal butique? Sei lá, qualquer uma chique da Zona Sul. Que se dana a tal butique junto com todo o bairro. O Rio de Janeiro todo. A maquiagem deve estar toda borrada. Não quero… não quero chorar, ficar horrível: bêbada… chorona… bobona… meu Deus, que coisa feia. Feia, coisa nenhuma, feio é o que fiz. Como fui fazer aquilo? Deve-se fugir da ocasião de pecado. Como, se o pecado é tão atraente. O diabo toma formas atraentes para tentar. Para o inferno com o demônio… não acredito em demônio, nem em inferno… inferno é agora… o meu. Merda, estou chorando, estou horrível, não quero, felizmente ninguém me vê. Como pode ver, se fugi, enganei todo mundo, queria ficar só, roubei o uísque. Mentira, não quero ficar só, quero colo, alguém para me consolar, quero meu irmão, ele pode. Quero esquecer, foi tão bom e durou pouco, tão pouco… parecia tanto, tão bom, divino. Por que digo assim? Não devia. É sacrilégio usar o nome de Deus em vão. Ainda mais se tratando de coisa assim. Foi divino, sim. Divino ser puta?  Assim que me chamava, sua putinha. Que vergonha, meu Deus. Era tão bom, tão bonito, ficava tão feliz! Menos quando me chamava de putinha, mesmo assim, com carinho, fiquei não sei como, humilhada, ofendida, não sei. Não disse nada, sentia vergonha. Igual às mulheres da rua da Lama  que passavam em frente à casa de vovó, lá no interior. Mamãe não falava com elas, nem vovó, nem as senhoras de respeito, se falavam, usavam um tom de superioridade para mostrar o lugar de cada uma. E agora eu me sinto tão mal, tonta. Tonta e chorando, não consigo parar de chorar. Deus, queria gritar, preciso. Queria morrer. Aí, acabava tudo. Mamãe não ia saber de nada e o povo ia dizer coitadinha! Morreu tão nova! Bebeu demais, não tinha costume. Ninguém, ia ficar sabendo de nada. Ninguém sabe; só eu e ele. Ela, será que sabe? Sabe nada! Ele não ia dizer a mulher que ele… que nós… ai, que vergonha! Vergonha, você nesse estado. Não conhece seu lugar? Uma moça de família, mamãe, não mudou nada… quer dizer, quase nada. Ai, meu Deus, não quero pensar, não quero lembrar; ele com ela como se não me conhecesse, tão seguro, como se nós não… Não posso esquecer os dois daquele jeito. Tão apaixonados e eu… pensei que ia morrer, cair ali mesmo e ele tão seguro. Não quero lembrar, não quero. Se ao menos eu dormisse antes que alguém chegasse aqui, era como se morresse. Mamãe ia ficar assustada. Que me importa, só me importa eu agora, o resto que se dane, se foda, se qualquer-coisa-de-horroroso, qualquer coisa. Eu quero dormir, esquecer, passar a ressaca. Não quero morrer, ninguém morre disso, tão bom… apesar… sua putinha. Ninguém ficou sabendo, isso passa. E se souber? Merda pra todo mundo, merda pra elite carioca. Bom falar assim. Pensar. Livre. Vou dormir… respiro fundo, isso passa, amanhã é outro dia, respiro fundo, durmo, não estou mais chorando, só com a cabeça doendo… respiro fundo, passa, durmo, respiro… durmo… passa… merda pra…  ZZZZZZZZzzzzzzzzzz…………….

* Conto integrante do livro “Mulheres na Chuva” pela Ilumine Editorial.
** Ilustração de Jack SoulFly, artista vitoriense.


Valdinete Moura
 é escritora e poetisa,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.