Recebi duas importantes e marcantes homenagens no carnaval 2020!!!

 Escutei  muito essa frase na minha juventude: “quando a pessoa começa a receber homenagens é porque já está perto de morrer”. Por uma questão lógica a frese tem certo sentido. Explico: Homenagens, quando espontâneas e pelo critério do merecimento, normalmente,  confere-se  às pessoas mais maduras que já tiveram “tempo” de prestar algum tipo de serviço à sociedade ou mesmo à causa que defende, naturalmente, por  se identificar com a mesma. Deve-se sublinhar também o sentimento daqueles que tiveram a iniciativa no que se refere à sintonia da chamada “justa homenagem”, por assim dizer.

Nesse sentido, contudo, realço e estendo meus parabéns, também, a diretoria da Companhia dos Monges em Folia e da coordenação da Pastoral Familiar da Paróquia Santo Antão por haverem me escolhido como homenageado em 2020, nas  suas respectivas promoções carnavalescas.

Pelos “Monges”, que no seu último desfile exaltou a palavra “saudade” como tema central da sua apresentação,  fui escolhido para representar  esse sentimento, aliás muito presente nos folguedos de momo. Qual folião  não sente  saudade dos carnavais de outrora e de pessoas com as quais já caíram  na folia?

Pela “Pastoral da Matriz”, que esse ano chegou à quinta edição consecutiva do seu “Baile de Máscaras das Famílias”, promoção digna de todos os elogios, imagino ser minha pessoa a representação  de uma das agremiações carnavalescas que mais se preocupara em promover um evento momesco levando sempre em consideração os bons costumes,  dentro dos mais caros conceitos familiares.

Portanto, por tudo e principalmente por esses dois reconhecimentos públicos de duas importantes instituições carnavalescas  da nossa cidade – “Baile de Máscaras das Famílias” e  “Monges em Folia” – o Carnaval 2020 ficará marcado nas prateleiras da minha memória como um momento extramente marcante.  Aliás, não é todo carnavalesco que recebe,  num só carnaval,  duas gratificantes lembranças momescas espontâneas. Obrigados a todos!!!

Babai Engraxate, no carnaval 2020, será homenageado pelo “Cachorrão”…

Com uma justíssima homenagem ao amigo e conhecidos de todos na cidade como “Babai Engraxate”, pelas inúmeras participações no famoso palanque armado na Praça Duque de Caxias, na semana pré-carnavalesca e por toda contribuição e irreverência no nosso reinado de momo de outrora, a Agremiação Carnavalesca “O Cachorrão” lembrará, no seu desfile 2020,  o eterno folião “Babai Engraxate”.

Em recente encontro casual com o nosso amigo “Cachorrão”, o mesmo realçou os motivos pelos quais o engraxate deveria ser lembrando no nosso carnaval, em função do seu recente falecimento. Lembrou também do ex-prefeito Doutor Ivo Queiroz que sempre teve uma ligação eleitoral com as classes menos favorecidas da cidade.

Assim sendo, para ilustrar bem essa matéria, fomos buscar nos nossos arquivos duas entrevistas históricas. Na primeira, o médico e líder político fala,  de maneira geral,  sobre o carnaval. Na segunda, realizada por mim, por ocasião da inclusão do nome de Babai no segundo volume do meu livro “Apelidos Vitorienses”, o mesmo fala dos seus áureos temos como “dançarino” no palanque do carnaval. Vale a penas assistir:

Eronides de França: Carnaval de Bezerros com “DNA” vitoriense……

Aos olhos do estado de Pernambuco a cidade de Bezerros, entre outras coisas,  ganhou notoriedade pelo seu carnaval. Isso é fato! Mas nem todos sabem que boa parte da concepção e construção do referido evento -   que hoje salta aos olhos dos turistas  que para lá se dirigem -  tem uma “composição genética” antonense.

Eronides de França, bezerrense por adoção e músico pelo coração, hoje um “setentão”, vitoriense na origem e na ideia, quando adolescente foi aluno do Mestre Aderaldo. Tocou na Banda do Colégio Municipal 3 de Agosto e fez parte de vários grupos musicais daqui., dentre os quais o famoso “VR-7” – Vitória Ritmo 7.

Na vida profissional, Eronides atuou como bancário pelo antigo BANDEPE. Depois de circular por várias cidades, fixou residência na cidade de Bezerro. Atualizado e com visão diferenciada atuou também vida pública. Nesse contexto, porém, destacou-se nas gestões municipais e, principalmente, no alinhamento,  à longo prazo,  do Carnaval da cidade de Bezerro. Como poucos, vivenciou os áureos tempos do carnaval de alegoria, rua e sede na nossa cidade. Eronides sabe o que significa "Carnaval" na amplitude da palavra e em todos os seus sentidos.

De maneira resumida, por assim dizer, esse é um pouco do histórico desse vitoriense de sucesso em terras alhures.  Não sem motivo, hoje, o amigo Eronides de França tem seu nome reconhecido na cidade que lhe adotou como filho ilustre. Carnaval e música são alguns dos talentos desse nosso conterrâneo. Como é bom saber disso!!!

Carnaval das fantasias….

Se atualmente temos no desfile da Agremiação Carnavalesca "Etsão" uma verdadeira passarela de fantasiados, antigamente, no nosso tríduo momesco, algumas figuras conhecidas da cidade, por iniciativa própria, apareciam caracterizados, quase sempre  ironizando políticos, representando escritores, profissões, animais, atletas etc.

O professor Pedro Ferrer - que quase chegou a ser um padre de verdade - em determinado carnaval - não lembro a o ano - contribuiu com a nossa cultura carnavalesca  encarnando, no bom sentido da palavra, o BEATO SALÚ , personagem da novela Roque Santeiro. 

“Dona” Anita no meio da folia……..

O registro é raro. Minha mãe, “Dona” Anita, juntamente com uma das suas irmãs, Teresia, em plena folia,  numa terça-feira de carnaval. O ano não dizer exatamente qual foi. Tenho certeza que foi no inicio dos anos 90 (1990). Minha mãe brincava carnaval por força das circunstâncias, não obstante -  aos 14 anos -  haver conhecido,  num baile de carnaval no Clube Abanadores “O Leão”, o seu primeiro e único namorado – “Seu” Zito Mariano – com quem casou, em 1955, gerando uma prole de onze filhos.

Dizia ela em alto e bom som: “ carnaval para mim é só trabalho e problemas.  A casa se enche de gente. É marido bebendo e chamando todo mundo que passa na rua para comer e beber também. Os filhos pelo mundo,  sem ter hora para voltar e ainda tenho que ter cara bonita  e disposição para passar a noite dançando num baile de carnaval”.

Bom!! Voltemos ao registro fotográfico. Não sei exatamente por qual motivo, mas certamente por alto grau de estresse -  depois de três dias de carnaval -  “Dona” Anita zangou-se com “Seu” Zito em casa. Pegou a irmã pelo braço e, em tom “malcriado”, saiu dizendo: “Zito, cuida da cozinha e dos filhos que vou olhar o carnaval. Não sei que horas vou voltar” – algo inédito para uma dona de casa exemplar, aplicada  e responsável como minha mãe.....

Lá estou no ponto oficial do carnaval da Vitória de então – Pitú-Lanches – e vejo mamãe (com irmã que morava em Recife) andando pela rua – cena impensada. Sai atrás, apertei o passo,  e segurei-a pelo braço,  perguntando: a senhora tá fazendo o quê  aqui? Ainda com a cara abusada disse-me em tom ironia: “brincando carnaval!!! Eu num posso não? Só quem pode brincar são vocês.........”

Sem celular e nem whatsapp para enviar uma foto,  avisando que mamãe estava comigo, acabei pedindo para uma pessoa passar lá em casa e avisar.  Curiosamente de cada dez pessoas que  a cumprimentava, nove perguntavam: “cadê Zito?”. Resumo da opera: acabei comprando uma cerveja para ela – que nem tomou – e com um  certo tempo depois começou a chegar outro familiares e tal. Passada a malcriação,  “Dona” Anita voltou para o seu carnaval rotineiro, ou seja: comandar a” muvuca”, promovida por  marido e filhos,  que virava a sua casa por ocasião do reinado de momo.....Velhos tempo......

 

Assim surgiu a Companhia dos Monges em Folia……

Há pouco tempo do Carnaval de 1998, reuniram-se na sede provisória do Museu do Carnaval Maestro Amadeu de Senna, então localizado à Rua Cel. Eurico Valois, nº 26, 1º andar, na nossa cidade, o comerciário Rivaldo Felipe e o historiador André Fontes , para discutir  sobre assuntos relacionados ao  carnaval  vitoriense - de maneira geral.  De posse de algumas fotos passaram a observar  à criatividade individual do povo que desfilavam vestidos de árabes, de pato guizado, de barbeiros e uma infinidade de fantasias.

No meio de tantas fotos estavam duas figuras que sintetizam  tudo o que, doravante,  falaremos: A BANHEIRA MÓVEL ( do nosso inesquecível amigo GERALDO LIMA) e o ANJO DO CARNAVAL (uma das figuras mais populares do carnaval vitoriense,  MANOEL JOSÉ DE SOUZA, O MIZURA).

A dupla - Rivaldo e André -  passou então a discutir com que fantasia iriam brincar o carnaval de 1999. Logo no início pensaram em reeditar uma das antigas fantasias -  certa confusão ocorreu -,   praticamente ambos queriam sair com a cobertura de MORCEGO (com certeza a figura mais popular dos antigos carnavais,  Júlio Mosquito, que desfilava no comando do préstito do Clube Abanadores O Leão). Sem chegar a nenhuma definição, passaram a comentar sobre o filme O NOME DA ROSA. Durante a análise da película surgiu a ideia de levar paz ao carnaval. A vestimenta de monge caiu como uma luva. Seria uma fantasia diferente, criativa, calma...ambos aceitaram. João Francisco desenhou um esboço do traje.

O tempo passou e de repente faltavam apenas três dias para o carnaval -  procurava-se, freneticamente,   uma costureira. As artesãs estavam bastante ocupadas com outras roupas e sempre recebíamos um “não posso”.  Foi quando no Sábado de Zé Pereira Rivaldo Felipe comentou com o amigo Ednaldo Torres sobre os monges.  O radialista ficou bastante interessado e o levou-o  à costureira Dona Zezinha, que a pedido do Ednaldo se prontificou a costurar a roupa de cinco monges.

Dr. Jorge Marinho, o prof. Luís Carlos, o artista plástico João Francisco, o comerciário Rivaldo Felipe e o historiador André Fontes, assim,  puderam então brincar o carnaval de 1999 na santa paz.  Salientemos, então,  à atitude do nosso amigo Dr. Jorge Marinho, que antecipou o dinheiro para a compra do tecido e a confecção das roupas. Estava então criado A Companhia dos Monges em Folia.

Assessoria de imprensa da referida agremiação.

Companhia dos Monges: que monge você vai ser?

Na troça “Companhia dos Monges em Folia” os brincantes – “monges” -, muita dos quais figuras conhecidas da cidade,  ganham “sobrenome”. De maneira uniforme, vestidos com seus respectivos “hábitos”, peça (fantasia) que bem marca o desfile da referida agremiação, os “mongeanos”, aos poucos, vai saindo anonimato e recebendo seus “adágios”:

Monge "fotógrafo" (Raminho),  o Monge da "Saudade"(Pilako), o Monge "Mago" (Rivaldo), a "a  Voz" dos Monges (Edinaldo Torres), o Monge da "Pitú" (Batfino), o Monge "Bordaeux" (Zezé Boêmio), o Monge "Controle" (Jurandir), O Monge "Maluco Beleza" (Franklin), Léo dos "Monges" ' e o Monge "Branco" (Cristovão) esse último,  o maior  “roqueiro” de todos temos da nossa polis. Difícil imaginas que no tríduo momesco ele mude de ritmo. E você, que “monge” seria?  Em 2020, venha ser um “monge” por uma noite ganhe seu “sobrenome”!!!

  Assessoria.

“O EMOÇÕES” – por Lucivanio Jatoba

O EMOÇÕES ( Carnaval saudoso de Vitoria)

O Emoções era um ônibus que meu colega de escola,Toinho Ferrer, ( Toinho Tripa) montou para desfilar um dia no Carnaval de Vitoria de Santo Antão. Reunia as raparigas da rua do Sapo, gays da cidade e travestis...Dava a cada uma fantasia, colocava-os no "Emoções" e saia pelas principais ruas da minha cidade, desfilando. Os "Marginais" durante o ano tinham ao menos um dia de glória. A cidade parava para ver passar o "Emoções". Os aplausos eram ensurdecedores, e isso numa cidade conservadora e na década de 1970......Acabou-se esse Carnaval. Agora é tudo tão certinho, tão politicamente correto que me dá raiva... Ficou muito triste o período de Momo que tanto me fascinava.

Lucivanio Jatoba

Programação dos “Monges” para o carnaval 2020.

A diretoria dos "Monges em Folia" nos enviou informações no que se refere a sua programação carnavalesca  2020. 

Carnaval vem chegando e a Companhia dos Monges em Folia está disponibilizando à venda  camisas para o desfile 2020. As mesmas  custam  R$ 50,00 e podem ser compradas pelo telefone/zap 9 8827-1481 / 9 9939-0703 - à vista ou no cartão de crédito em até  2 vezes.

Em 2020 "Os Monges" desfilará duas vezes. No dia 20/02/2020,  no Recife Antigo,  às 20:32 h,  e no dia 22/02/2020 -  Sábado de Zé Pereira -  no tradicional horário, ou seja: 21:32 h. Concentração na Praça da Matriz,  em Vitória. No percurso o tradicional serviço de garçom c/Whisky Open Bar, além das senhas para cerveja e pitú-cola - serviço de bar só no desfile local.

O tema desse ano é "Saudade", tendo como  homenageado o nosso amigo Cristiano Pilako, Uma pitada de Saudosismo  para as pessoas que fizeram história no carnaval antonense.  No comando da animação musical, a Orquestra Temperada da cidade de Chã Grande,  que  toca na agremiação por quase uma década.

A Diretoria

Histórias do Carnaval Antonense: o escritor Célio Meira, meu avô, se irritou com a chacota!!

Certa vez, uma irreverente toada fez o nosso querido e saudoso Célio Meira se retirar do tablado. Estávamos na fase aguda da primeira grande guerra e Célio era um francófilo capaz de brigar com quem tentasse, nesse particular, combater as suas ideias. Era nosso Ministro do Exterior o dr. Nilo Peçanha. Acontece que a Cambinda para, diante do tablado e ataca:

“O Doutor Nilo Peçanha Pela Pátria brasileira, – Mandou chamar Célio Meira P’ra acabar com a Alemanha”.

Ceciliano não gostou da graça. Essa quadrinha foi atribuída a Samuel Campelo que, no entanto, sempre negou, Teria sido de meu pai, Joaquim de Holanda Cavalcanti. Muitas pessoas o davam como sendo o autor. Não sei…

O que sei é que a “Lagoa do Barro” lembra o Carnaval. Era lá o quartel general da folia, transformada em bosque e, à noite, com sua profusão de luzes, num vasto salão iluminado.

Até 1929, o nosso Carnaval, embora desfigurando-se  cada ano, guardou esse aspecto.

Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 6º – 1976 – Páginas 102 e 103.

Perguntou-me Pedro Ferrer: “quem morreu mesmo, amigo Pilako, foi o CAMELO OU O LEÃO?”

Na qualidade de folião antonense, com raízes carnavalesca vinculadas ao Clube Abanadores “ O Leão”, o professor Pedro Ferrer reclama da falta de “espaço” para o “mais querido”. Eis a nota enviada por ele, ao blog:

Enterro do Leão – O Camelo é de amargar. Só dá Camelo neste blog.

Vale a boa intenção dos adeptos do Vassouras: RESSUSCITAR O LEÃO. Desculpem – me estava com a cabeça cheia de enterro do Leão; mas quem morreu mesmo, amigo Pilako, foi o CAMELO OU O LEÃO? Tira-me esta dúvida. Que é da sede do aristocrático? Vou lá dar uns ponta pés na porta da sede. Não, não devo, agora é um templo religioso.

Falando sério: vale o esforço dos saudosistas do Camelo. Ressuscitando o Camelo, a benéfica rivalidade voltará às ruas de Santo Antão e com certeza com a benção do SANTO PADROEIRO, assim ganhará o nosso carnaval.

Viva o Leão de Célio Meira, de Nô Ferrer, José Augusto Ferrer, Abiatar Ferreira Chaves, Joel Siqueira, Honório Trugão (Sena), Mizura e tantos outros. Este último, Mizura, virou casaca; tempo depois passou para o outro lado.

Pedro Ferrer

Histórias do Carnaval Antonense: o horário “maluco” dos Monges!!

De maneira original, a Agremiação Carnavalesca Companhia dos Monges em Folia alardeia que, na noite do sábado de Zé Pereira, precisamente,  às 21:32h terá inicio o seu desfile. Não existe nenhum registro, até agora, que o horário oficial não tenha sido "mais ou menos "  cumprido.

 Essa peculiaridade, por assim dizer, surgiu logo no primeiro desfile da agremiação por sugestão do amigo Zé Carlos da Gráfica. Na cabeça do dele, que mais perece um papa-figo de antigamente, o horário seria uma  “jogada de marketing” para “chamar” a atenção dos foliões.

Dizia ele: “doido, com esse horário maluco todo mundo vai perguntar se vai sair na hora mesmo e também quem inventou essa besteira”. Resumo da ópera: até um relógio “gigante”, marcando a hora 21:32h,  a diretoria mandou confeccionar.

Histórias do Carnaval Antonense: O dia em que O LEÃO foi enterrado pelo CAMELO.

Sempre que tenho oportunidade de falar, repito: não sou velho, mas carnavalescamente falando vivi o restinho de tudo aquilo que hoje só habita nas paredes da memória dos mais velhos. Vivi o mela-mela, o corso -  com suas “batidas” automobilísticas, as disputas das orquestras, os belíssimos carros alegóricos, os animados bailes de sede, os concorridos ensaios de rua na Pitú-lanches, as comissões com livro de ouro debaixo do braço e porque não dizer, entre outras coisas: o restinho da rivalidade entre LEÃO e o Camelo.

Deixei, a propósito, o tema RIVALIDADE por último, para justamente, narrar um acontecimento, ocorrido na terça-feira de carnaval 1991, onde nós, “camelistas” liderado pelo então Presidente Joel Neto, protagonizamos cenas de um carnaval, cujo o “oxigênio”, como já falei, se socorria na RIVALIDADE.

Muito bem, vamos à história:

Ano de 1991, noite de terça-feira de carnaval. Ao chegar, por volta das 19h na sede do Clube Vassouras "O CAMELO”, juntei-me aos companheiros da jovem diretoria e fui logo  recebendo o recado: "Joel Neto quer falar com a gente, ele tá aí com uma novidade”.

Naquela ocasião os “coroas” do Camelo, presentes ao desfile foram: Elias Ramalho, Dodó da Gamela, Berilo, Miro Caboclo e “jogando” no time intermediário (meia idade”) Joel Neto. Os mais jovens eram: Fernando, Puã, Alexandre da Gamela, Edalvo, Léo, Murilo, Mano do Cartório, Clodoaldo, Silvio de Velho da Pitú e Eu.

Pois bem, naquele ano, salve engano, estava completando uma sequência de três anos, consecutivos sem o desfile do Leão no carnaval da Vitória. Joel Neto, que ainda gosta da “cachorrada”, aproveitando essa “turma Jovem” e empolgada, disse que só iríamos saber da novidade quando chegássemos na casa de Miro Caboclo, localizada na Rua Imperial (Matriz).

Durante o percurso, o nível de ansiedade da turma jovem só fez aumentar, todos se perguntavam: “que “diabo” de novidade é essa que Joel Neto tem para nos contar?”

Em certo momento, fomos convidados a entrar na casa de seu Miro, lá,  tomamos cada qual umas três lapadas de uísque e,  só assim, a tal novidade foi revelada.

Joel Neto tinha mandado confeccionar uns roupões pretos com desenhos e máscaras de caveiras e uma pequena  alegoria, para ser carregada nas mãos, que revelava a figura de um LEÃO -  feio e fraco -  quase morto.

Assim sendo, quando saímos da casa de seu Miro, fantasiados de CAVEIRAS, carregando nos braços aquele LEÃO quase morto, a “galera" do Camelo foi ao delírio e  o desfile ganhou uma nova empolgação. Assista o vídeo:

Após contornamos a Praça da Matriz, propositadamente,  paramos em frente a sede do  Clube Abanadores o LEÃO, ao som de  uma marchas fúnebre,  e fizemos o enterro simbólico do Clube Abanadores O LEÃO. Em certo momento algumas pessoas, mais empolgadas, começaram a chutar a porta do clube. Nesse instante, Joel Neto, com sua autoridade de presidente, controlou a situação.

Saímos,  então, “cantando vitória” no retorno a nossa sede, localizada no bairro do Livramento e,  até chegar lá, o pau cantou em cima da “alegoria” do Leão quase morto.

Uma semana depois do enterro simbólico, quando passei pela calçada da casa do senhor Zé Lourenço,  na Matriz,  torcedor “fervoroso” do Clube Abanadores O Leão,  disse-me ele: “filho de Zito, vem cá. Eu vi você chutando a porta do Leão, vou dize a seu pai, ele não vai gostar de saber disso não viu!!”.

Bem, confesso que fiquei meio “cabreiro”. Mas, caso papai viesse a me reclamar, a resposta já estaria  na ponta da língua: “foi Joel Neto que inventou tudo isso”.

Pelo sim, pelo não, acho que seu Zé Lourenço falou com papai, mas como Seu Zito Mariano era  CAMELO de coração, no fundo, no fundo, acho até que ele tenha  gostado da nossa, digamos assim, transgressão carnavalesca. Histórias do carnaval........

 

Guilherme Pajé: uma referência para os apaixonados pelo frevo!!

Nesse novo mundo mágico e plural das redes sócias, recebei com alivio à possibilidade da notícia do falecimento do amigo e contemporâneo, Guilherme Pajé, entre tantas, ser mais uma “pegadinha”,  relacionada à popular data em que se “comemora” o dia da mentira que aliás, foi objeto de postagem nossa, na pauta de ontem (01). Infelizmente, foi verdade verdadeira!!!

Conheço Pajé desde os tempos da banca escolar do Colégio Municipal 3 de Agosto. Estudamos vários anos juntos. Desde sempre ele foi um sujeito formal. Em sala de aula, não gostava de brincadeiras. Comportava-se  como um sujeito adulto. Aliás, praticamente da mesma maneira que, até a noite de ontem (01), dia do seu fulminante falecimento, se mantinha.

Em entrevista ao nosso blog, por várias vezes, revelou o amigo Guilherme que a sua paixão e, posteriormente, identificação  e amor pelo  frevo – ritmo genuíno do nosso Estado – teve como origem na admiração que nutria pelo Maestro Nunes. Em alguma medida, por assim dizer, Pajé “renunciou” muita coisa na vida para se dedicar ao seu propósito – elevar e preservar um dos maiores  patrimônios  pernambucano – O FREVO.

Na qualidade de compositor, juntos com tantos outros anotonenses, tornou-se imortal. Grafou nas páginas do livro da Vitória de Santo Antão suas digitais musicais. Não posso afirmar, mas acho que a música que ele compôs para festejar o Centenário do Clube Abanadores “O Leão”, em 2002, seja uma das suas obras mais significativas.

Nos últimos anos, andou me confidenciando e até revelou em entrevista – gravada em 2017 – que já não mais acalentava à esperança no ressurgimento e posterior fortalecimento do nossos carros alegóricos, não obstante manter-se entusiasmado com o grande número de pessoas jovens que estavam participando da diretoria de vários novos clubes que continuavam desfilando ao som das  orquestras de frevo.

Em duas ocasiões distintas, mas em momentos parecidos já que se tratava de funerais de pessoas ligadas ao nosso carnaval –  José Marques de Senna e Maestro Aderaldo –  gravai vídeos  com o Guilherme Pajé. Em todas duas, ele reconheceu à importância do trabalho dos dois para o fortalecimento da nossa festa maior – Carnaval – se colocando, também, como uma pessoa que tinha obrigação de manter o legado dos referidos mestres.

Um fato curioso sobre a vida do amigo Pajé diz repeito ao seu nome. Sendo ele um “homem do frevo”, o mesmo nasceu no dia 24 de junho, dia do nosso tradicional São João. Seus pais, pessoas ligadas às tradições católicas, para não batiza-lo pelo nome do santo do dia (João) resolveram dar-lhe o nome do santo do dia seguinte (25),  isto é: SÃO GUILHERME.

Por fim, resta-nos, agora,  apenas lamentar. Sua dedicação e seu trabalho não foram sem sentido. Pelo seu empenho e devoção à sua causa – o frevo – se dez vida tivesse, dez vida daria pra fazer tudo novamente. Em vida, Guilherme recebeu inúmeras homenagens carnavalescas. Foi o carnavalescos vitoriense que mais recebeu homenagem.

Hoje tem festa no céu,  em ritmo de frevo. Ele deverá juntar-se aos carnavalescos do passado, como o próprio relembrava no seu programa – “Sua Excelência O Frevo” – e certamente, daqui pra frente,  estará aposto para receber os carnavalescos do presente que, em um futuro incerto, também sucumbirão às cinzas, tal qual o reinado de momo chega à sua hora  derradeira,  na odiada e sempre temida quarta-feira ingrata. Ao som dos saudosos e  melancólicos frevos de bloco, descanse em paz, amigo Pajé!!

A ACTV EM PARCERIA COM A PREFEITURA DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO SE DESPEDE DO CARNAVAL 2019 COM GOSTINHO DE QUERO MAIS.

“...Óh quarta-feira ingrata; chega tão depressa; só para contrariar...” e assim a ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense - se despede dos festejos carnavalesco de 2019,  com saudosismo e com grandes expectativas para 2020. A ACTV, em nome de todos os seus afiliados, agradece  o apoio da Prefeitura Municipal da Vitória de Santo Antão, Pitú, Destilaria JB e demais empresas parceiras. Aos turistas e foliões, nosso muito obrigada pelo prestígio. Ano que vem, tem mais.....

APOIO:

Prefeitura da Vitoria e a Associação do Carnaval Tradicional garantem a folia na cidade.

Em parceria com a Prefeitura Municipal da Vitória de Santo Antão, A ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense registra com total sucesso o Carnaval de 2019. Desde 1999 a ACTV fomenta a cultura carnavalesca do Município da Vitória de Santo Antão, atraindo turistas e aquecendo a economia local. Arrastando multidões, a Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense assenta o evento com grandes desfiles de carros alegóricos, cortejos com orquestras de frevo, apresentações dos estandartes, bonecos gigantes, fados, caluas, bois e maracatus.

A ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense destaca as Agremiações Carnavalescas entre os dias 02 a 05 de Março de 2019.

Com apoio da Prefeitura Municipal da Vitória de Santo Antão, a ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense anuncia que as Troças Carnavalescas Jegue de Tróia, Saí na Marra, ETsão e Boi Dela, além dos Clubes Carnavalescos Urso Preto e o Urso Branco estarão no circuito oficial do carnaval, fomentando a cultura e agraciando os foliões e turistas com seus carros alegóricos, orquestras de frevo, estandartes, bonecos gigantes e bois.

 

Quase Dois Centenários – por Aluísio Xavier

Em 2018, meus queridíssimos genitores, Aloísio de Melo Xavier e Eunice de Vasconcelos Xavier, se vivos fossem, teriam completado, respectivamente, cem e noventa e cinco anos de idade. Ambos filhos da Vitória de Santo Antão, a Terra das Tabocas, por eles amada como quem mais a ame ou tenha amado. Dela somente saíram pela necessidade educacional da numerosa descendência, sem nunca terem deixado de comparecer ao seu torrão natal. Por questão de absoluta justiça, é imperioso dizer-se que o amor, por ambos dedicado à sua terra e à sua gente, foi inteiramente correspondido, em vida e após a morte, sendo-lhes prestadas diversas homenagens, que sempre mereceram a maior gratidão dos familiares. Mas é necessário um reconhecimento público, ora feito, com as escusas aos não expressamente citados, o que ocorre apenas em razão da limitação deste espaço.

De início, os agradecimentos aos vereadores Mano Holanda e André Saulo dos Santos Alves. O primeiro, por ter sido o autor do projeto de lei, apresentado logo após o falecimento do meu genitor, através do qual passou a denominar-se Rua Dr. Aloísio de Melo Xavier o logradouro onde se localiza a sua residência de muitos anos. O segundo, em razão da autoria do projeto de lei que denominou Rua Professora Eunice de Vasconcelos Xavier uma via urbana, merecendo destacar que o mesmo projeto homenageia quatorze mulheres, dentre elas, madre Tereza de Calcutá, Clarice Lispector e Marie Curie, tendo o edil a distinção de iniciar a nominação das ruas pela minha genitora. Os agradecimentos se estendem ao ex-prefeito Carlos José Breckenfeld Lopes da Costa e ao atual, José Aglailson Querálvares Júnior, por haverem, respectivamente, sancionado os projetos de lei.

Também os agradecimentos ao professor Pedro Humberto Ferrer de Moraes, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (IHGVSA), pela sua iniciativa de realizar, ano passado, sessão solene alusiva ao centenário de nascimento do meu genitor, na qual falaram, destacando qualidades do homenageado, João Álvares, orador oficial, Gustavo Krause, Luciene Freitas e José Edalvo. Após a sessão, o Instituto afixou placa, com os dados biográficos do homenageado, na fachada da sua antiga residência. Os agradecimentos são extensivos aos oradores e a todos os que compareceram ao evento. Ainda os agradecimentos ao mesmo professor, e aos que integram o IHGVSA, pela criação da Medalha Eunice Xavier, que presidiu a instituição por aproximadamente vinte anos ininterruptos. A comenda é entregue anualmente em março, no Dia Internacional da Mulher, às vitorienses ou amigas da Terra das Tabocas, que se destacam em gestos e ou trabalhos em prol da cidade.

Do mesmo modo, os agradecimentos ao professor Paulo Roberto Leite de Arruda, fundador da Faculdade Osman Lins (FACOL), Clínica Universitária de Reabilitação, Educação e Saúde (CURES) e Cidade Universitária Governador Marco Maciel (CDUGMMA), por haver denominado de Dr. Aloísio Xavier e Professora Eunice Xavier, respectivamente, as bibliotecas da FACOL e da CDUGMMA, sendo a primeira delas a unidade central do complexo educacional de nível superior.

Igualmente, os agradecimentos a Cristiano Pilako, por haver a Associação dos Blocos de Trio da Vitória, com mais de duas décadas de existência, homenageado a minha genitora, em 2016, pelos relevantes serviços prestados ao carnaval da Vitória, entre

outras coisas, participando da administração do Clube Carnavalesco Misto Taboquinhas, último clube de fados do Brasil. Também a Pilako, os agradecimentos pela homenagem prestada à minha genitora no carnaval de 2017, no desfile da agremiação A Saudade, dedicando-lhe a canção original A Saudade da Eunice, de autoria de Aldenisio Tavares e sua. Costumava ela acompanhar a sua agremiação do coração até quando a idade não mais permitiu, mas ficava aguardando a sua passagem na janela de casa.

Ainda os agradecimentos a Rogoberto Rangel Neto, ex-presidente do Círculo dos Amigos da Vitória de Santo Antão, entidade informal fundada por meus genitores e outros vitorienses, atualmente com trinta e oito anos ininterruptos de funcionamento, por haver instituído a Medalha Aloísio de Melo Xavier, em 2014, ao ensejo dos trinta e três anos de atividade da agremiação.

Identicamente, os agradecimentos ao ex-prefeito Elias Lira e à ex-secretária Yara Acácia de Alencar Lopes, pela inauguração do Centro Especializado de Atendimento à Mulher Eunice de Vasconcelos Xavier.

Da mesma maneira, os agradecimentos a Rubem de Deus e Melo e a João Álvares, pela homenagem prestada, em 2018, na edição especial de O Lidador, ao centenário de nascimento do meu genitor.

Por fim, um agradecimento tardio, in memoriam, pela beleza do gesto: em 29.11.1976, menos de dois anos antes da sua morte, o grande escritor Osman Lins, vitoriense, de renome nacional e internacional, ofereceu aos meus genitores o livro de sua autoria A Rainha dos Cárceres da Grécia, lançado no mesmo ano, com a seguinte dedicatória: “Para o Aloísio Xavier, ídolo da minha adolescência, e também para Eunice, com amizade, abraços os mais afetuosos do conterrâneo Osman Lins.”

A todos, a gratidão que não perece.

Aluísio Xavier - Advogado e ex-presidente da OAB/PE. 

 

Revivendo o Carnaval: Célio Meira se irrita com chacota.

 

Certa vez, uma irreverente toada fez o nosso querido e saudoso Célio Meira se retirar do tablado. Estávamos na fase aguda da primeira grande guerra e Célio era um francófilo capaz de brigar com quem tentasse, nesse particular, combater as suas ideias. Era nosso Ministro do Exterior o dr. Nilo Peçanha. Acontece que a Cambinda para, diante do tablado e ataca:

“O Doutor Nilo Peçanha Pela Pátria brasileira, – Mandou chamar Célio Meira P’ra acabar com a Alemanha”.

Ceciliano não gostou da graça. Essa quadrinha foi atribuída a Samuel Campelo que, no entanto, sempre negou, Teria sido de meu pai, Joaquim de Holanda Cavalcanti. Muitas pessoas o davam como sendo o autor. Não sei…

O que sei é que a “Lagoa do Barro” lembra o Carnaval. Era lá o quartel general da folia, transformada em bosque e, à noite, com sua profusão de luzes, num vasto salão iluminado.

Até 1929, o nosso Carnaval, embora desfigurando-se  cada ano, guardou esse aspecto.

Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 6º – 1976 – Páginas 102 e 103.

A história da fundação da “Girafa”- por Dryton Bandeira.

Ávidos por algo diferenciado e motivador para brincar o carnaval de 1950, um grupo de “corrioleiros” (amigos), teve a inusitada ideia de “roubar” a girafa alegórica usada como símbolo do Armazém Nordeste – A Girafa Tecidos (casa comercial situada na Praça da Bandeira). Discretamente a missão foi cumprida com sucesso, e o produto do ilícito sorrateiramente recolhido à Oficina Atômica, de propriedade de Zé Palito.

Reunião marcada, corriola reunida, bebidas servidas, discursos proferidos: estava fundada a Troça Carnavalesca Mista A Girafa. Oficialmente a data da fundação é 16/01/1950, como consta em Ata lavrada à época.

A primeira Diretoria ficou assim constituída:

– Presidente: José Mesquita de Freitas (Zezinho Mesquita); – Vice-Presidente: José Augusto Férrer; – Secretário: José Jacinto; – Diretor Geral: José Celestino de Andrade (Zé Palito); – Orador: Mauro Paes Barreto; – Tesoureiro: Aluízio Férrer; – Diretor Musical: Paulo Férrer; – Fiscais: João Carneiro (Doido) e Hugo Costa; – Diretor Artístico: Nivaldo Varela; – Porta-Estandarte: Wilson Coelho (O Bruto); – Comissão de Recepção: Donato Carneiro, José Pedro Gomes, Eliel Tavares, José Vieira (Zequinha), Rubens Costa e João Peixe.

Após o carnaval, sanadas as arestas geradas por conta de “roubo” do animal símbolo de Armazém Nordeste, ficou devidamente acordado entre as partes que a alegoria em questão, seria emprestada anualmente pela referida loja e posteriormente devolvida em perfeito estado de conservação. Anos após, a diretoria mandou confeccionar sua própria Girafa, símbolo maior e marca-registrada dos girafistas até os dias atuais. Vale enfatizar que a Girafa é a única agremiação da cidade a participar de todos os carnavais desde sua fundação.

Durante anos e já na condição de Clube, abnegados foliões conduziram os destinos da folia girafista e suas alegorias foram montadas em diversos locais da cidade, até que me 1986 foi concluída a construção do um moderno e amplo barracão, localizado à Rua Eurico Valois (Estrada Nova). O citado barracão não foi festivamente inaugurado, em face do falecimento de Dona Jura. Tão girafista quanto seu marido,  Mané Mizura.

As apresentações ocorriam nas manhãs de domingo e terça-feira de carnaval, saindo da Praça Félix Barreto, no Bairro do Livramento. Acordes do famoso hino e gigantesca queima de fogos sinalizavam o início de mais um desfile. Clarins anunciavam a presença do Clube na ruas da cidade e o abre-alas era composto do animal símbolo e de foliões devidamente caracterizados de Girafa. Belas e criativas fantasias compunham as alegorias, geralmente inspiradas em temas infantis. Transcorridas alguma horas, o percurso era alegremente cumprido. Novo show pirotécnico, frevo e muita confraternização, fechavam com risos e lágrimas mais um dia de exaltação à Girafa.

Três estandartes saíram às ruas da cidade durante mais de cinco décadas de existência. Inúmeras orquestras animaram os girafistas. Dentre elas: A Venenosa, 3 de Agosto e a do Maestro Seminha de Limoeiro. O hino oficial é: Exaltação à Girafa, composto por Guga Férrer (letra) e Sérgio Patury (música), gravado na voz de Babuska Valença.

Pesquisa e Texto - Dryton Bandeira

Revivendo o Carnaval: O Reisado e a Igreja. (1910)

Quase todos os Clubes e, notadamente os maracatus, começavam a sua função na calçada da Matriz. Em 1910, pouco antes de falecer, o Monsenhor Laurino Justiniano Ferreira Douetts, Vigário da Freguesia, (que todos os sábados pagava a meu pai, seu redator, um ano de assinatura do velho “O Lidador”), mandou colocar, na adro da Igreja, duas cadeiras para os Reis dos dois Maracatus se sentarem. E quando soube que, por isso, fora criticado, teve esta expressão luminosa: “É assim que se atrai o povo à Igreja”.

* * * Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO, Volume 6º – 1976. Páginas 102.

Revivendo o Carnaval: Célio Meira se irrita com chacota.

Certa vez, uma irreverente toada fez o nosso querido e saudoso Célio Meira se retirar do tablado. Estávamos na fase aguda da primeira grande guerra e Célio era um francófilo capaz de brigar com quem tentasse, nesse particular, combater as suas ideias. Era nosso Ministro do Exterior o dr. Nilo Peçanha. Acontece que a Cambinda para, diante do tablado e ataca:

“O Doutor Nilo Peçanha Pela Pátria brasileira, – Mandou chamar Célio Meira P’ra acabar com a Alemanha”.

Ceciliano não gostou da graça. Essa quadrinha foi atribuída a Samuel Campelo que, no entanto, sempre negou, Teria sido de meu pai, Joaquim de Holanda Cavalcanti. Muitas pessoas o davam como sendo o autor. Não sei…

O que sei é que a “Lagoa do Barro” lembra o Carnaval. Era lá o quartel general da folia, transformada em bosque e, à noite, com sua profusão de luzes, num vasto salão iluminado.

Até 1929, o nosso Carnaval, embora descaracterizando-se a cada ano, guardou esse aspecto.

Extraído da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO – Volume 6º – 1976 – Páginas 102 e 103.

História da fundação da agremiação carnavalesca “A TURMA DA CALCINHA”

A TURMA DA CALCINHA

Criado na década de 80, precisamente em 1983, um dia Sábado, uma semana antes do Sábado de Zé Pereira, uma turma de amigos que trabalhava no comercio, Indústria, Colégio e Bancos, tais como: H. Morais, Aliança de Ouro, Mizura, Casas Pernambucanas, Pitú, Bradesco, Banorte e Banco do Brasil, em uma brincadeira debaixo de um Pé de Fícus, na Trav. São Vicente no bairro do Cajá, inaugurava a Barraca do AMARAL “em memoria”.

Inauguração essa  que  recebeu a  contribuição de todos. Minha participação foi doação do tira gosto, uma caldeirada de 100 guaiamuns de cocô, outros com bebidas etc.

Pois bem, na noite anterior (sexta)  alguns integrantes da comemoração haviam passado a noite no baixo Meretriz e subtraído algumas calcinhas das profissionais do sexo que ali trabalhavam. Depois de umas e outras, alguns componentes, já calibrados, resolveram  pendura as calcinhas furtadas no pé de fícus.

Aquela cena despertou curiosidade em algumas pessoas que por ali passavam,  principalmente quem gostava de toma “água que passarinho não bebe”. Compramos alguns  sacos de maizena e farinha de trigo e começamos o tradicional  mela-mela. Foi um dia inesquecível a inauguração  da “Barraca do Amaral”.

Conclusão:

No sábado posterior, o chamado Sábado de Zé Pereira, alguns amigos que estavam na inauguração da barraca do Amaral, já calibrados, resolveram sair pelas ruas do comércio da Vitória tocando zabumba, triangulo e pandeiro, todos com uma calcinha na cabeça contando músicas carnavalescas. Sendo assim, estava fundado, definitivamente, A TURMA DA CALCINHA, que sobreviveu durante 14 anos com recursos próprios. Em 1991 chegou a grava uma faixa do LP “VITÓRIA, CARNAVAL E FREVO”.

  Atenciosamente, SEVERINO ROBERTO SILVA.

Uma fantasia que marcou época – por Joel Neto.

Meu caro Pilako,

No ano de 1991 o Clube Vassouras o Camelo desfilou nas ruas da Vitória de Santo Antão com uma das mais lindas alegorias de todos os tempos. Um trabalho extraordinário do grande artista vitoriense Valdir Maciel, tendo como tema o  "Diário de Pernambuco – Centenário –,  meio de comunicação pernambucano. Sua personagem de destaque ficou por conta da lindíssima Marcela Sotero,  com uma fantasia toda bordada de paetê francês e acrescida de plumas do acervo do carnaval do Rio de Janeiro, uma confecção perfeição  de  Lourdinha e Creusa Fischer.......Saudades deste tempo maravilhoso do nosso carnaval.

Abraços,

Joel Neto

Revivendo o Carnaval: confusão entre rivais resulta na fundação do Clube dos Motoristas

O carnaval em Vitória chegou ao seu apogeu na primeira parte do século XX, onde foram criados diversos tipos de agremiações que faziam a população festejar com muita alegria. Dentre elas, os Clubes de Fados e os Clubes de Manobras. Estes últimos, com inúmeros fãs, realizando grandes desfiles e bailes, principalmente o “Abanadores”, posteriormente batizado como “O Leão” pelo poeta Teopompo Moreira, e o “Vassouras”, conhecido como “O Camelo”.

Segundo o professor José Aragão, no seu livro História da Vitória de Santo Antão, volume III, foi em uma dessas grandiosas apresentações que tudo começou. O “Vassouras’’ vinha do bairro do Livramento e da Matriz saia o “Abanadores”, fazendo os rivais se chocarem durante o percurso, levando as autoridades, quando necessário,  ordenarem o recolhimento às suas sedes, prevendo piores conseqüências. Posteriormente, pensando em evitar tais interrupções, vários foliões reuniram-se para fundar uma nova agremiação, formada em sua maioria por motoristas,  como afirmou o jornalista João Álvares:

"O Clube dos Motoristas da Vitória de Santo Antão foi fundado no mês de março do ano de 1949, idealizado por um grupo de motoristas e pessoas ligadas ao ramo automobilístico que desejavam construir um clube para proporcionar lazer para os profissionais do volante, bem como cultivar solidariedade e o espírito de disciplina e cooperação nas relações humanas".

Foi assim que surgiu o “Clube dos Motoristas”, em reunião realizada em 04 de março de 1949, pelos seus fundadores: “Valdemar Lino Chaves (1º presidente), Alfredo Francisco de Oliveira, João Vicente de Freitas, Sebastião Ferreira do Nascimento, Joaquim Francisco Damásio, Pedro Ferreira Guimarães, Abiatar Ferreira Chaves, Manoel José de Souza e Sebastião Pinheiro de Souza”, além da presença de mais de 80 pessoas.

No ano seguinte, em 1950, estreava-se pelas ruas da cidade, já com muita alegria, que ao longo dos anos foi atraindo muito mais foliões.

MIZURA: O Folião das Mil Faces!!

Não há idade para se brincar o carnaval. Desde suas origens, ele aguça, aviva e renova as energias de todas gerações. Pai, filho, neto e bisneto. Não tem idade. Festa irreverente, de som de orquestra, carro alegórico e folião avexado com frevo no pé. Folião é assim: não tem hora pra chegar. Sai de manhã e só volta na manhã seguinte, e quando volta. Mas sempre acaba ficando para mais um bloco, nas ruas subindo e descendo ladeiras. Cansado, mas feliz, cochila algumas horas e depois de um banho já estava novo para outra folia. Assim foi o Manoel José de Souza, ou como todos o conhecem: Mizurao folião das mil faces.

Não dá para falar de carnaval em Vitória de Santo Antão sem lembrar desse grande folião; Mizura já é ícone do carnaval vitoriense, destacou-se utilizando apenas de sua criatividade, irreverência e grande alegria, mas não é pra menos! Ele veio ao mundo em meio a folia, em 12 de fevereiro de 1933. Já nasceu ouvindo frevo.

Cultivou sementes carnavalescas nos clubes "A Girafa", "O Camelo", "ETzão", e sua grande paixão "A Taboquinhas", entre outros clubes que passaram por suas mãos.

Deixava ansiedade: Qual será a fantasia de hoje?” – perguntavam-se as pessoas nas ruas da cidade. A cada dia de carnaval ele saia com uma fantasia diferente demonstrando sua criatividade e amor à folia carnavalescas. Ora,  era um grande morcego, ora um bebezinho e outra vez foi até anjo (que por sinal foi destaque em um dos carnavais do Recife). Foram dezenas de fantasias,  confeccionadas por sua esposa e até por ele mesmo.

Em 2000, para homenagear seus amigos foliões já falecidos, fundou o “Bloco da Solidão”, que saia pelas ruas da cidade com um carro de propaganda e um cordão de isolamento, onde apenas ele ficava no centro. Saia pelas ruas com muita alegria, parando em cada residência do amigo folião falecido homenageando cada um, a família do folião seguia o bloco, mas apenas ele ficava no cordão. Era o “Bloco da Solidão” que passava pelas ruas da cidade com o som anunciando os membros do clube, todos eram ele mesmo; do presidente-fundador ao porta-estandarte.

Mas o “Bloco da Solidão” chegou a seu fim com pouco tempo de vida; uma grave doença se apoderou do seu fundador deixando-o inabilitado para a folia. Passou alguns anos doente, chegando a falecer nos últimos dias de 2005.

Vitória de Santo Antão perdeu um inesquecível folião, talvez o último dos grandes foliões de época. Foram mais de cinqüenta anos de carnaval. E para cada dia de carnaval uma nova fantasia. E para cada fantasia uma nova alegria que ficava registrada no sorriso das pessoas que lhe esperavam nas ruas da Vitória.

O Carnaval da Vitória há muito está de luto. Ele nunca será o mesmo sem o grande folião que foi Mizura.

Fica aqui, esta simples homenagem.

O MUNICÍPIO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO ENCERRA O CARNAVAL DE 2018 COM ALTA NA ECONOMIA LOCAL E RECORDE DE TURISTAS.

Sinônimo de sucesso, a ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense em parceria com Prefeitura da Vitória de Santo Antão, comemora o sucesso do carnaval tradicional, deixando os foliões encantados com os desfiles dos carros alegóricos, fantasias luxuosas, cortejos das orquestras de frevo, apresentações dos estandartes, bonecos gigantes, bois, caluas, maracatus e bloco de fados. Nos despedirmos do Carnaval de 2018 agradecendo aos turistas e investidores pela confiança e parceria de mais um glorioso e majestoso carnaval vitoriense. Até 2019!

Apoio: 

ACTV e Prefeitura da Vitória garantem o carnaval tradicional vitoriense em 2018.

A ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense em parceria com a Prefeitura Municipal da Vitória de Santo Antão, marca o Carnaval de 2018 com pomposa maestria. Desde 1999 a ACTV fomenta a cultura carnavalesca do Município da Vitória de Santo Antão, atraindo turistas e aquecendo a economia local,  através das apresentações carnavalescas.

Arrastando multidões, a Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense registrou o evento com grandes desfiles de carros alegóricos, cortejos com orquestras de frevo, apresentações de estandartes, bonecos gigantes, fados, caluas, bois e maracatus. A ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense -  destaca as Agremiações Carnavalescas entre os dias 10 a 13 de fevereiro de 2018.

Com apoio da Prefeitura Municipal da Vitória de Santo Antão, a ACTV – Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense - anuncia que as Troças Carnavalescas "Jegue de Tróia", "Saí na Marra", "ETsão", "Boi Dela", "Os Monges em Folia" e "100 Noção", além dos Clubes Carnavalescos "Urso Preto" e o "Urso Branco" estarão no circuito oficial do carnaval, fomentando a cultura e agraciando os foliões e turistas com seus carros alegóricos, orquestras de frevo, estandartes, bonecos gigantes e bois animando assim o Reinado de Momo vitoriense 2018.

A Girafa – um clube de 62 anos de história.

Foto: Divulgação/Empetur, 2004.

Ávidos por algo diferenciado e motivador para brincar o carnaval de 1950, um grupo de “corrioleiros” (amigos), teve a inusitada idéia de “roubar” a girafa alegórica usada como símbolo do Armazém Nordeste – A Girafa Tecidos (casa comercial situada na Praça da Bandeira). Discretamente a missão foi cumprida com sucesso, e o produto do ilícito sorrateiramente recolhido à Oficina Atômica, de propriedade de Zé Palito.

Reunião marcada, corriola reunida, bebidas servidas, discursos proferidos: estava fundada a Troça Carnavalesca Mista A Girafa. Oficialmente a data da fundação é 16/01/1950, como consta em Ata lavrada à época.

A primeira Diretoria ficou assim constituída:

- Presidente: José Mesquita de Freitas (Zezinho Mesquita); - Vice-Presidente: José Augusto Férrer; - Secretário: José Jacinto; - Diretor Geral: José Celestino de Andrade (Zé Palito); - Orador: Mauro Paes Barreto; - Tesoureiro: Aluízio Férrer; - Diretor Musical: Paulo Férrer; - Fiscais: João Carneiro (Doido) e Hugo Costa; - Diretor Artístico: Nivaldo Varela; - Porta-Estandarte: Wilson Coelho (O Bruto); - Comissão de Recepção: Donato Carneiro, José Pedro Gomes, Eliel Tavares, José Vieira (Zequinha), Rubens Costa e João Peixe.

Após o carnaval, sanadas as arestas geradas por conta de “roubo” do animal símbolo de Armazém Nordeste, ficou devidamente acordado entre as partes que a alegoria em questão, seria emprestada anualmente pela referida loja e posteriormente devolvida em perfeito estado de conservação. Anos após, a diretoria mandou confeccionar sua própria Girafa, símbolo maior e marca-registrada dos girafistas até os dias atuais. Vale enfatizar que a Girafa é a única agremiação da cidade a participar de todos os carnavais desde sua fundação.

Durante anos e já na condição de Clube, abnegados foliões conduziram os destinos da folia girafista e suas alegorias foram montadas em diversos locais da cidade, até que me 1986 foi concluída a construção do um moderno e amplo barracão, localizado à Rua Eurico Valois (Estrada Nova). O citado barracão não foi festivamente inaugurado, em face do falecimento de Dona Jura. Tão girafista quanto seu marido Mané Mizura.

As apresentações ocorriam nas manhãs de domingo e terça-feira de carnaval, saindo da Praça Félix Barreto, no Bairro do Livramento. Acordes do famoso hino e gigantesca queima de fogos sinalizavam o início de mais um desfile. Clarins anunciavam a presença do Clube na ruas da cidade e o abre-alas era composto do animal símbolo e de foliões devidamente caracterizados de Girafa. Belas e criativas fantasias compunham as alegorias, geralmente inspiradas em temas infantis. Transcorridas alguma horas, o percurso era alegremente cumprido. Novo show pirotécnico, frevo e muita confraternização, fechavam com risos e lágrimas mais um dia de exaltação à Girafa.

Três estandartes saíram às ruas da cidade durante mais de cinco décadas de existência. Inúmeras orquestras animaram os girafistas. Dentre elas: A Venenosa, 3 de Agosto e a do Maestro Seminha de Limoeiro. O hino oficial é: Exaltação à Girafa, composto por Guga Férrer (letra) e Sérgio Patury (música), gravado na voz de Babuska Valença.

Pesquisa e Texto de de Dryton Bandeira