Vida Passada… – Raul Pompéia – por Célio Meira.

Ao sudeste do Estado do Rio de Janeiro, em Angra dos Reis, terra formosa do Brasil “à beira-mar plantada”, nasceu Raul dAvila Pompéia, no dia 12 de abril do ano de 1863. Aos 12 anos, mais ou menos, matriculou-se no Colégio Pedro II, e na casa dos 17, era bacharel em letras e romancista. “Uma tragédia no Amazonas” foi o romance que o vinculou à família dos jovens escritores brasileiros. Frequentou a Faculdade de Direito da terra de bandeirante, recebendo, porém, a láurea de bacharel na do Recife, em 1885, pertencente à turma de Alberto Torres, o sábio sociólogo, de Borges Medeiros, Faelante da Câmara, Virgínio Marques e de Ciridião Durval, inspirado poeta de Alagoas.

Exerceu, Raul, no Rio, o cargo de secretário da Escola de Belas Artes, e, mais tarde, o de diretor de Estatística e do Diário Oficial. Jornalista, cronista cintilante, romancista admirável, dedicava ainda, esse fluminense ilustrado, e honesto, as horas amáveis da vida, contam biógrafos, ao desenho, à caricatura, e ao estudo da escultura.

“Talento Fugurante”, no julgamento de Eugênio Werneck, “talento imenso”, no dizer de Alfredo Gomes, “nevrótico e impulsivo”, no pensar de Agripino Grieco, publicou, Raul, em 1888, na Gazeta de Notícias, do Rio, o “Ateneu”, o grande romance, o maior , no gênero, e que sagrou, definitivamente, entre os escritores realistas. Pertence ao “Ateneu” à pequenina lista dos livros famosos da literatura brasileira. Esse livro, na verdade, imortalizou o gênio de 25 anos, de vida faiscante e breve, que, um dia, desapareceu numa tragédia.

Rodrigo Otávio cursou, em 1863 ou 64, convém relembrar a Faculdade do Recife. Foi, nessa época, amigo íntimo de Raul. Morou, e ele quem conta no “Coração Aberto”, “num 2º andar de um sobrado da rua do Livramento, depois da Capunga, e mais tarde na Caxangá, “nas pitorescas bordas do Capibaribe”. Fixa o eminente jurisconsulto, nesse “livro de saudades”, joia de fino lavor literário, um aspecto do tempo de estudante.

Uma tarde, ele e Raul saíram a passeio, em Caxangá, onde residiam, num hotel. Desabou violento temporal. E os dois regressaram molhados, da cabeça aos pés. Pediram Cognac. Veio uma garrafa. Havia moças e rapazes no salão. Alguém, entre os dois, lembrou uma batalha: – Quem beberá mais?

Apareceram os partidários. E a garrafa, em poucos minutos, ficou vazia. E o resultado desse combate era previsto. Informa Rodrigo Otávio, graciosamente:

“E não vivi até a manhã seguinte, em que, preso de um mal-estar, indizível, despertei do meu leito, tendo o travesseiro alteado com Magnum Lexicon e mais o Corpus Juris. Não encontrei, no primeiro momento explicação para o caso, nem para a presença de uns frascos de toucador , com água de Colônia e outras essências, em minha desguarnecida mesa de estudante.

Findava o ano de 1985. Era dia de Natal. Raul neurastênico, recolheu-se ao banheiro. Ouvia-se um tiro. Parara, Raul, com uma bala de revolver, o coração generoso. Tinha 32 anos de idade , o genial escritor que traçou as páginas eternas d “O Ateneu”.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Programação do Mês da Enfermagem do Coren-PE chega a Vitória de Santo Antão.

Atividades buscam descentralização e oferecem acesso igualitário à educação continuada em enfermagem.

Dando continuidade as atividades do Mês da Enfermagem, o Conselho Regional de Pernambuco (Coren-PE) promove, nesta Sexta-feira (08), em Vitória de Santo Antão, na zona da Mata, as atividades que compõem a programação científica. Com o tema central “Técnica, Ética e Política, Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, o evento ocorre no Centro Universitário da Vitória de Santo Antão (Univisa), no bairro de Cajá.

Serão proporcionadas palestras e rodas de conversa mediadas por representantes do Coren-PE, especialistas e profissionais atuantes na área de saúde mental, direitos humanos e ética profissional.

No evento, serão abordados os seguintes temas: “Cuidar com dignidade: condições de trabalho e valorização de quem cuida”; “Inovações Tecnológicas e IA para Enfermagem”; e “Painel Dialógico – Técnica, Ética e Política: Pilares inegociáveis do cuidado de Enfermagem”.

As atividades que tiveram início no Recife, na segunda-feira (4), vão passar ainda por todas as regiões do estado, reforçando um dos compromissos centrais da atual gestão do Coren-PE: a descentralização das ações e o acesso igualitário à educação continuada em enfermagem. Após Vitória de Santo Antão, a programação segue em um circuito por Arcoverde (14/5), Garanhuns (15/5), Petrolina (18/5), Serra Talhada (20/5), Afogados da Ingazeira (22/5), Caruaru (25/5) e Palmares (26/5). Em todas as cidades, os temas debatidos são os mesmos, reforçando a importância de uma pauta unificada em torno da importância da ética e política na profissão.

O Coren-PE reforça o convite para que profissionais e estudantes participem das atividades em sua região. A programação completa e os detalhes sobre cada encontro serão divulgados nas redes sociais e no site oficial do Conselho, no www.coren-pe.gov.br.

Assessoria. 

Eleições 2026: campanha política promete ser animada em Vitória de Santo Antão….

De ontem para hoje (07), saiu mais uma rodada de pesquisa de opinião pública,  realçando os índices de intenção de voto aos  prováveis postulantes à cadeira mais importante do Palácio do Campo das Princesas. Espiando os números, nada de novo. Mas para quem precificava que a eleição seria um “passeio” para João Campos, é possível dizer que a governadora  Raquel Lyra vem “mexendo no placar”.

No meu modesto entendimento, continuo achando que eleição segue aberta. Ninguém pode “enterrar”, antecipadamente, um candidato(a) com a caneta na mão. Tem muita água para rolar. A brincadeira está apenas começando….

Melhor assim, eleição apertada não deixa de ser uma espécie de “chá de bússola” para o vencedor. Triunfar  com folga, normalmente, provoca um tipo de amnésia seletiva. Ou seja: acabam esquecendo-se de tudo e todos…

Eleições apertadas sempre provocam uma valorização maior  ao conjunto de apoiadores. Sejam postulantes perdedores, lideranças regionais ou  até mesmo aos  suplentes de vereador das cidades pequeninas.

Aqui na nossa Vitória de Santo Antão, o número de postulação  com DNA antonense deverá crescer. Além dos já detentores de mandatos – uma cadeira na Câmara Federal – Iza Arruda – e três na ALEPE – Henrique Filho, Aglaílson Vitor e Joaquim Lira –,  teremos:  Socorrinho da APAMI, André  Carvalho e Túlio Arruda  para o parlamento estadual. Já para o federal:  Cristiane Querálvares, Sandro da Banca e Josias da Militina completam o time.

Levantando a bandeira da governadora, candidata à reeleição, todos, menos as candidaturas vinculadas à liderança do atual prefeito Paulo Roberto, esse já se declarou um “soldado” do bisneto de Doutor Arraes.

Ao que tudo indica, em 2026, teremos um animado volume de campanha na nossa cidade. De um lado, o  prefeito e seus filhos “brigando” por João. Do outro lado,  todos os outros,  com a “faca nos dentes”, empunhando a bandeira da governadora  Raquel Lyra.

Dentre tantas curiosidades e incoerências que poderíamos elencar, relacionadas à posição dos nossos ilustres e legítimos representantes, duas são mais comentadas. Isto é:

os “Querálvares” fora do palanque dos “Arraes” e o Joaquim Lira sem o apoio do Paulo Roberto.

Aliás, mais adiante, no transcorrer dos próximos meses, teremos várias oportunidades de fazer comentários sobre as movimentações políticas/eleitorais, envolvendo os atores locais. Por exemplo:

quem quiser acredite que há uma briga entre o prefeito Paulo Roberto e o ex-prefeito Elias Lira. Ao que parece, dizem os entendido, essa peça teatral já foi planejada, desenhada  e ensaiada. Estão, apenas, colocando-a  em prática. 2028 é logo ali……

Chuvas e dividendos políticos eleitorais…….

Em ano eleitoral e com os “times” praticamente definidos – João X Raquel – tudo é motivo de agenda e postagens com conteúdo, eminentemente, político. A bola da vez foram os efeitos do grande volume de chuva que desabou em Pernambuco. Todo mundo querendo “mostrar serviço”….

É sempre assim. Pouco ou quase nada  se faz no quadrante da prevenção, justamente para serem “bonzinhos”,  na piedosa ação do acolhimento aos desalentados e desabrigados. Dizem alguns entendidos que a segunda opção é sempre a mais rentável eleitoralmente falando…

Na nossa Vitória de Santo Antão, muita chuva, mas sem maiores transtornos. Apesar do prefeito Paulo Roberto, através das suas redes sociais e nos canais oficiais da prefeitura, realçar movimentação e preocupação, na outra ponta, internautas das mais diversas localidades reclamavam  e faziam maior volume de  “barulho”,  na direção contrária. Ou seja: denunciando falta de compromisso e efetividade da gestão municipal com as comunidades.

Por mais que os gestores, em situações de alagamentos,  procurem justificar que “choveu demais” ou “muito acima da média” naquela ocasião, fica sempre a pergunta no ar: e se soubessem, com antecedência, que a chuva seria naquele volume,  o que teriam feito, com antecedência, para atenuar os seus efeitos?

Estamos no inicio de maio. As chuvas estão apenas começando. Normalmente,  o “teatro politico” com as chuvas funcionam, mas em alguns casos pode  complicar o meio de campo eleitoral.. Pelo que sei, São Pedro não se mete e não tem preferência no varejo da política eleitoral…..

Vida Passada… – Domingos Ferreira de Brito – por Célio Meira.

O pernambucano Domingos de Lima Ferreira de Brito, de família nobre, nasceu em 11 de abril 1829, na cidade de Recife. O avô paterno, informa um historiador, teve a honra de ser secretário do Marquês de Pombal, eminente português, e o pai, Antero José Ferreira de Brito, o barão de Tramandaí, político e guerreiro, pacificou a província de Pernambuco, em 1825, no 4º gabinete da Regência do Marquês de Olinda.

Doutorou-se, Domingos de Brito, em medicina, no Rio de Janeiro. Rico, inteligente, atravessou o atlântico, e , nas escolas e nos hospitais da Europa, ouvindo os sábios, imprimiu, aos seus conhecimentos, novas diretrizes. E regressou à Pátria.

Desencadeada a tremenda guerra do Paraguai, o jovem facultativo, que se especializara em cirurgia, partiu, imediatamente, conta um historiador, no rumo dos acampamentos, e, durante meses e meses, exposto aos perigos, nas barracas e trincheiras, e nos hospitais de sangue, levou, aos feridos, os socorros da ciência de que se fizera amigo e sacerdote.

Terminada a carnificina, em que heróis e bravos se imolaram, regressou o ilustrado recifense, à Côrte, continuando a servir à Nação e ao Imperador. Exerceu, apesar de médico, o cargo de delegado de polícia, em Petrópolis, e nessa linda terra, onde D. Pedro I se fez, um dia, proprietário, Domingos de Brito se sentou na cadeira de vereador, na Câmara Municipal. Foi, dilatados anos, médico do Corpo Diplomático, acreditado, na Côrte do 2º Império.

Botânico notável, possuindo, no dizer do ilustrado historiador do “Galeria Nacional”, valiosas coleções de plantas exóticas”, pertenceu, o nobre pernambucano, à família dos cientistas brasileiros. E, na verdade, ele era “homem de vasta cultura intelectual”, possuindo, em elevado grau, “independência de caráter”. Era, também, “extraordinariamente” caritativo. Morreu, em 1908, em Petrópolis, na famosa terra do frio, das serras e das ortênsias. Honrou o nome do pai, que se ilustrou na guerra, e na administração pública. E, o nome de Pernambuco.

É digna, sua memória, das homenagens do Recife.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

MAIO AZUL E BRANCO – Instituto Histórico da Vitória.

Diversos acontecimentos ocorreram em nosso torrão durante o mês de maio.

– 28 de maio de 1812, instalação oficial da Vila de Santo Antão;

– 06 de maio de1843, elevação da Vila de Santo Antão à categoria de cidade,   Cidade da Vitória;

– 20 de maio de 1833, criação da Comarca de Santo Antão;

– 22 de maio de 1834, chega o primeiro Promotor à Vila de Santo Antão.

Na sessão ordinária de 30 de junho de 2019, o consócio Cristiano Vasconcelos Barros, o Pilako, sugeriu que o mês de maio fosse denominado, MAIO AZUL E BRANCO. Os presentes acataram a sugestão.

Portanto amanhã tem início: MAIO AZUL E BRANCO e o antonense tem mil razões para festejar..

Instituto Histórico e Geográfico da Vitória.

Será que a cabra vai comer o cartão do senador Humberto Costa?

A vida em sociedade é dinâmica e estamos todos, no transcurso da nossa particular  existência,  sujeitos aos altos e baixos. Entender essas variáveis é condição para uma vida mais serena e equilibrada. Muitas vezes, é na dificuldade que se aprende o caminho para o sucesso.

Já na atividade política profissional, ambiente insalubre por natureza,  é possível dizer que os ciclos individuais estão intimamente atrelados às conjunturas. E nesse contexto, olhando para o desenho que se apresenta para o processo eleitoral de 2026, é que imaginamos  que o “tempo” do atual senador Humberto Costa, na “Casa Alta”, não será renovado.

Mesmo as pesquisas de opinião pública,   até aqui, lhe “assegurando” um honroso 2º lugar – lembrando que teremos duas “cadeiras” em disputa –  é possível imaginar que sua reeleição é algo improvável.

Na qualidade de observador da cena política,  identificamos que ele – Humberto – já perdeu o primeiro embate. Ou seja: não conseguiu, antecipadamente,  “mexer” no tabuleiro para rifar a pré-candidatura da ex-deputada Marília Arraes –  valendo salientar que as candidaturas  ainda serão consolidadas em convenção, mais adiante.

Eleição para o senado com duas vagas em disputas, ser a segunda opção da maioria do eleitorado é um grande ativo. Ao que parece, a expressiva maioria do eleitor pernambucano deseja ver o atual senador pernambucano, Humberto Costa, fora do senado. Possivelmente lhe faltarão votos,  para “abocanhar”  uma das vagas.

Nas mais diversas rodas de conversas políticas ninguém duvida do raio de influência do atual senador Humberto Costa, mas, também é consenso  que há, centrado na sua imagem, uma espécie de representação de tudo que não presta na política.

Segue jogo….Quem vai decidir é povo de Pernambuco…..

Professor Rogério – atleta homenageado da 5ª edição da Corrida da Vitória.

Na qualidade de atleta homenageado da 5ª edição da Corrida da Vitória,  o Professor Rogério, em vídeo, destacou um pouco da  sua trajetória: sua origem, seu interesse por esporte, sua  chegada à Vitória e seu legado,  como  orientador e incentivador de várias gerações de atletas.

Veja aqui a primeira parte do documentários: 

https://www.instagram.com/reel/DXZdbzsACOM/?igsh=cXNwNnd1Ym9uNWJp

 

Colóquio: o vigor e a excelência de uma revista – por Marcus Prado.

Poucas publicações culturais em nosso idioma conseguem manter o vigor, a excelência temática e a relevância por tantas décadas como a revista Colóquio/Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). Desde a sua fundação (1971), tem sido o ambiente onde os maiores intelectuais, poetas e ensaístas de Portugal, Brasil e demais países de língua oficial portuguesa se encontram.

O rigor e a curadoria singular dessa publicação não apenas acolhem textos; estabelecem cânones, em um processo de constante tensão entre a tradição (o desejo de imortalizar o legado) e a renovação (a necessidade de revisar padrões para incluir novas perspectivas e sensibilidades). O cuidado com a edição, a profundidade dos ensaios, a exigência na seleção dos artigos e as ilustrações temáticas — não restritas à capa — garantem que o leitor tenha acesso ao que há de mais refinado na reflexão sobre a literatura, não apenas a de Portugal.

Um conjunto de circunstâncias favoráveis reuniu-se para fazer desta edição um número que, sob todos os títulos, pode-se dizer histórico. Muitos autores ligados ao ambiente acadêmico propuseram-se a comentar a importância cultural da revista. José Rodrigues de Paiva, autor de uma tese de doutorado sobre a ficção de Vergílio Ferreira, tem sido um deles e um dos mais brilhantes.

“Acontece que a Fundação ter programado para 2025 a exposição Complexo Brasil, com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Brito e Guilherme Wisnik; nada mais oportuno do que inserir, nesse contexto, o número da Colóquio correspondente a setembro de 2025. […] Assim, inserida no conjunto de circunstâncias que resultaram em grande visibilidade da cultura brasileira em Portugal, a revista foi lançada no âmbito da referida exposição. Repare-se que não é por acaso que a publicação traz como rubrica editorial a expressão ‘Este Brasil’.”

Por força de uma feliz coincidência, nos diz Rodrigues de Paiva, “esta edição do periódico recebeu o número 220. Sendo da última de 2025 (correspondente ao quadrimestre junho-setembro), ela encerra não somente mais um ano de atividade editorial, mas fecha os primeiros 25 anos deste século. Como o número 22 — formado pelos dois primeiros dígitos da edição — é muito representativo para o Brasil, tanto do ponto de vista da história política quanto da literatura, a revista da Gulbenkian presta sua homenagem à independência política do país (1822) e, simultaneamente, celebra sua independência estético-literária, simbolizada pelo ano de 1922 com a Semana.”

Estes são os motivos que fazem da edição 220 da Colóquio um marco: trata-se, junto à exposição Complexo Brasil, de uma homenagem da Gulbenkian ao Brasil-político e ao Brasil-cultural. Realiza-se um “balanço” dos valores da cultura brasileira centrados no primeiro quarto do século 21, sem perder de vista os nomes que os antecederam.

Trata-se, finalmente, do que parece ser o número inaugural de uma nova fase, agora denominada simplesmente Colóquio (sem a especificação de Letras), sugerindo um horizonte editorial mais amplo e abrangente de todas as artes. Por fim, não nos é fácil medir em poucas linhas todas as etapas, o alcance cultural dessa revista, a sua trajetória, desde o início, e o apoio à cultura literária do Brasil.

Marcus Prado – jornalista.

Reunião da Academia Vitoriense de Letras aconteceu no domingo.

Na manhã do domingo (19), aconteceu a reunião ordinária pública da AVLAC que marcou o inicio de um novo ciclo da instituição das letras antonense.

Sob o comando da nova diretoria, o encontro ocorreu pela primeira vez na nova sede, cujo prédio foi cedido pela atual gestão pública municipal, que fica localizado na Rua Rui Barbosa, bairro do Livramento.

Na ocasião, além da homenagem prestada  aos ex-presidentes da entidade e outras apresentações,  a presidente Christienne Marie Barnabé, na sua fala, realçou a sua alegria e determinação, visando avançar nas questões relacionadas às novas parcerias da AVLAC.

Ao final, um brinde e o tradicional corte de bolo, para celebrar auspicioso o momento.

Vida Passada… – Teixeira de Melo – por Célio Meira.

Na cidade de Campos, terra canavieira, à margem direita do Paraíba do Sul, a leste do Estado do Rio, nasceu José Alexandre Teixeira de Freitas, no ano de 1833. Ouvindo as aulas dos padres, no Seminário de São José, concluiu o curso de preparatórios, e cedo, na corte, se matriculou na Faculdade de Medicina. Um ano antes de receber o grau de doutor, reuniu, no “Sombras e sonhos”, os versos da mocidade, cheios de doçuras e de recordações da terra onde nascera. Quando obteve, em 1859, o doutorado, tinha vinte e seis anos de idade.

Não atraiu a clínica, na metrópole, e apressado, afivelou a mala, e marchou, marginando o rio natal, na direção da formosa Campos, onde armou sua oficina de trabalho. Poeta e jornalista teve, Teixeira de Melo, na imprensa campista, e na do Rio de Janeiro, atuação destacada, escrevendo, informa o erudito historiador Artur Mota, excelentes trabalhos de filosofia e de história.

Dezesseis anos decorridos, fixou-se na capital do Império, em 1876, conta um biógrafo, e ingressou na Biblioteca Nacional, chefiando valiosa secção de manuscritos. Foi, nesse posto, trabalhador infatigável, colhendo notas e apontamentos preciosos, destinados a biografias e memórias. Deu publicidade, em 77, ao “Miosotis”, livro de versos delicados, repassados de lirismo. Era Teixeira de Melo, no julgamento dos críticos literários, simples na linguagem e aprimorado na forma. Redigiu a “Gazeta Literária”.

Obra de vulto, realizou esse ilustrado fluminense, publicando, a partir de 1881, na Gazeta de Notícias”, do Rio, as “Efemérides Nacionais”. Reunidas em três volumes, representam, essas notas, trabalho paciente e fonte perene de informações exatas sobre a história da pátria. Mereceu, em 82, Teixeira de Melo, a honra de ingressar no Instituto Histórico Brasileiro.

Quando, em 97, os vultos luminosos, e maiores, da vida intelectual do Brasil fundaram a Academia Brasileira de Letras, não se esqueceram desse escritor, e lhe deram uma cadeira.

Ocupou, o poeta de “Sombras e Sonhos”, a poltrona número 6, patrocinada por Casimiro de Abreu, o cantor do “Primaveras”, fluminense também, nascido na barra de São João.

Homem simples e de excessiva modéstia, no dizer de Artur Mota, teve, Teixeira de Melo, no Instituo, e na Casa de Machado de Assis, a divina alegria do trabalho, honrado sempre aos postos conquistados pela sabedoria, e pela humildade.

Morreu velhinho, a 10 de abril de 1908, aos setenta e cinco anos. Desceu, amado e respeitado, à sepultura. E é possível que tenha repousado, no seio da terra, como ele desejava, “à sombra de salgueiro”.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

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Setembro de 1939 – Célio Meira

Academia de Letras da Vitória: nova diretoria e nova sede.

Com reunião aberta ao público, a AVLAC  – Academia Vitoriense Letras, Artes e Ciência – iniciará, a partir do próximo domingo, dia 19 de abril, um novo ciclo. Com nova sede e nova diretoria. A reunião terá inicio às 9h.

Cedido pela atual gestão  municipal, o prédio que fica localizado na Rua Rui Barbosa, no qual funcionava a Biblioteca Osman Lins, doravante, será o palco dos encontros da AVLAC. Das reuniões ordinárias, festivas e eventos afins.

Com mais de duas décadas de atuação na cidade, a Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência, atualmente presidida pela advogada Christienne Marie Barnabé,  é um espaço dedicado à produção e preservação de conteúdo literário e artístico  eminentemente antonense.

5ª Corrida da Vitória – 90% das vagas preenchidas!!!

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Papo político: encontro casual…..

Faltando apenas alguns meses para o “D” das eleições gerais (2026), ao que parece, até o momento, o Brasil segue  dividido entre dois projetos superados, sob os mais diversos prismas.

Em Pernambuco, os preparativos para o  certame eleitoral (2026) segue surpreendendo. Cada semana aparece  uma novidade, sublinhando reviravoltas, antes, impensadas.

Na nossa Vitória de Santo Antão, que não é uma ilha, mudanças de posicionamentos e de  partidos também vem chamando a atenção nesse momento, nos pós-fechamento da chamada “janela partidária”.

Pois bem, recentemente, ao circular pelo centro comercial da Vitória, encontrei-me com duas figuras que bem representam aquilo que chamamos de “cientista político popular”. “Seu” Velho da Pitú e Giba do Bolo. No nosso casual encontro, boas risadas e algumas revelações curiosas. Esses dois tem “estrada” na política antonense.

Vida Passada… – Bruno Seabra – por Célio Meira.

“ A bordo de um barco, em águas paraenses”, conta J. Eustáquio de Azevedo, autor da preciosa “Antologia Amazônica”, nasceu Bruno Henrique de Almeida Seabra, no ano de 1837.

Aprendeu a carta do A.B.C. e conquistou os preparatórios nas escolas de Belém. Poeta desde menino publicou “Um Fenômeno do tempo presente” poemêto, aos dezoito anos de idade.  A crítica o aplaudiu e vaticinou as vitórias do cantor nortista.

Andava pelo Rio de Janeiro, frequentando a Escola Militar, quando entregou, às livrarias em 1859, o “Tipos Burlescos”. E vinte e quatro meses decorridos, dois romances, “O dr. Pancrácio” e “Paulo”, saíram de sua pena. Não conhecemos, na crítica literária, nenhuma referência a esses últimos livros, de modo que ignoramos o gênero a que se filiava, no romance, esse grande lírico das letras do Pará.

Abandonando a escola, ingressou no funcionalismo público, ganhando honestamente, a vida, nas províncias do Maranhão, Paraná, Alagoas e Baia. Publicou, em 1862, o “Flores e Frutos”, livro de versos, e no ano seguinte, fascinado pelo teatro, escreveu a comédia “Por direito de Patchouly”, que não sabemos se chegou a receber a consagração ruidosa das plateias.

Usando o pseudônimo – Aristóteles de Souza – escreveu um biógrafo, deu publicidade, em 1868, ao  “Memórias de um pobre diabo”.

No sereno julgamento de J. Eustáquio de Azevedo, velha e vitoriosa figura da Academia Paraense de Letras, foi Bruno Seabra, o “João de Deus paraense”, pela graça e doçura de seus versos líricos. Sua poética e, na verdade, delicada, e cheia desse raro encanto, que há nas coisas e nas criaturas que se radicaram à natureza silvestre. Era, Bruno, afirma um historiador, “um exímio pintor de cenas, costumes e tipos nacionais”.

Nascido numa embarcação, numa “vigilenga”, talvez, ao balanço incerto das águas, teve, Bruno Seabra, na jornada áspera  da vida , destino de correnteza. Ainda não era home feito, quando deixou o berço nativo, e durante vinte anos, mais ou menos, peregrinou pela Côrte, e por quatro províncias, na conquista do pão e da glória literária. Poeta, romancista, comediógrafo, e funcionário público, Bruno Seabra não viveu muito tempo, morrendo, na Baia, a 8 de abril de 1876, aos 39 anos de idade.

Não colheu, o autor do “Flores e Frutos” nessa caminhada apressada para o túmulo, os frutos do ouro. Colheu, porém, e com fartura, as lindas flores, que enfeitam, agora, sua memória.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

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