
Através do convite formulado pelo amigo e parceiro Diego Borba, na manhã de ontem (28), estive presente à abertura oficial do Feirão da Casa Própria da Caixa. O encontro ocorreu no Vitória Park Shopping.
Pois bem, após a rápida cerimônia de abertura, onde fez uso da palavra o gerente da Caixa Econômica Federal e o prefeito da nossa cidade, oferece-se, aos presentes, o famoso “comes e bebes”. Nesse ínterim, o prefeito e eu, casualmente, “esbarramo-nos”. Disse ele:
– Diz PIlako. Como é que tão as coisas?
Eu, naturalmente, lhe cumprimentei na mesma sintonia e, educadamente, fui logo engatando algumas perguntas de ordem administrativa, tipo: “Gordo”, a população estava com uma expectativa maior, no inicio do seu governo! Outra coisa: quando é que essa AGTRAN vai engrenar?
Ele, sem pestanejar, respondeu-me: “quando tiver dinheiro”. E completou: “Pilako, até agora eu só peguei bronca! Tu num sabe de nada não!!
Após esse rápido bate-papo, ainda de pé, chamou-me para uma mesa ao lado e, usando os papeis que estavam em cima da mesa de um dos stands, danou-se a fazer conta, realçando os débitos deixados pela gestão anterior.
Falou-me, com detalhes, de um acordo realizado pelos gestores da administração anterior, onde débitos, na casa dos milhões, foi dividido em 240 meses (vinte anos), no “apagar das luzes” da gestão que, segundo ele, vem subtraindo um valor considerável nos repasses federais, aos cofres do município, nesse inicio de governo. Disse também que recebeu a folha de pagamentos com atraso e que desde o primeiro dia da sua gestão só fez pagar débito, contraído, e não honrados, pelo seu antecessor.
Para conseguir economizar, disse ele: “tive que enxugar a folha e devolver muitos imóveis alugado”. Sobre os valores dos contratos, celebrados com uma empresa de monitoramento no trânsito, disse-me, ser um valor absurdo que o erário tinha que pagar mensalmente. Segundo ele: “algo sem explicação”. Além, claro, do sucateamento nos veículos (ônibus) e das obras inacabadas, inclusive a UPA. Confirmou o prefeito, ainda, haver obras só com a base pronta, e mais nada!
Após escuta-lo atentamente, sobre todo esse passivo administrativo, alguns deles, inclusive, já de amplo conhecimento público, perguntei-lhe o porquê de não haver dado publicidade aos referidos fatos, apresentando à população os respectivos documentos comprobatórios, até porque, hoje, os eleitores não querem saber mais de “disse-me-disse”, quer, e com toda razão, saber a verdade dos fatos, o chamado “preto no branco”. Aliás, direito que lhes assiste, constitucionalmente.
Aliás, a propósito desse assunto, disse-lhe que havia visualizado, através das redes sociais, apenas um documento da empresa LOCAR, realçando débitos anteriores. Já com relação aos outros fatos, realcei: não tive acesso a nada, oficialmente.
Na ocasião ele se comprometeu a enviar-me uma séria de documentos mostrando e comprovando, tudo que havia me dito. Naturalmente, ficarei aguardando para, oportunamente, publica-los e tecer meus comentários.
Quando o questionei sobre à possibilidade de só começar “os trabalhos”, de fato, no ano que vem (ano de eleição), ele retrucou, com ênfase: “ e como é que eu posso fazer alguma coisa, agora, se só encontrei débitos? Denuncie isso tudinho aos órgãos competentes. Quem tem que “comer” essa bronca é quem fez os débitos e não os pagou”.
Quem o conhece sabe: ele fala mais de que o homem da cobra. Numa conversa dessa, que durou pouco mais de uma hora, eu pouco pude falar, escutei mais do que falei. Mas também tivemos oportunidade de falar sobre outras coisas: política nacional, a frágil e engessada gestão do governador Paulo Câmara e até das possibilidades iminentes de mudança, no que diz respeito às regras eleitorais para as eleições de 2018.
Confesso que, mesmo o conhecendo há décadas, nunca havia conversado tanto com ele, sobre política ou qualquer outro assunto. Não obstante haver entre nós, um distanciamento pessoal e político obtuso, realço que, nesse casual e oportuno encontro, deu-se um bate papo amistoso e respeitoso, entre duas pessoas que militam em campos diferentes.
Portanto, concluo essa narrativa, que julgo proveitosa, dizendo que gostaria muito de receber todos os documentos aludidos para que, oportunamente, estejamos calibrando nossos comentários em fatos concretos, fatos relevantes e que, certamente, serão registros históricos para as gerações vindouras. Vamos aguardar!!