Filho indesejado – por Sosígenes Bittencourt.

Em cima de filho indesejado, nada mais inútil do que chibata moral e desespero. Justamente porque filho não programado é geralmente fruto de emoção desenfreada, apetite incontido. O procedimento deve ser sempre a preservação da serenidade em busca da razão, embora tardia, para solucionar questões do passado. A vida ensina que no passado nem Deus põe a mão. O passado construído pelo homem é “vontade permissiva de Deus”.

Se filho indesejado é resultado de liberdade desenfreada, por que desespero para consertar loucura? Antigamente, quando um menino trelava excessivamente e fugia ao controle era chamado de “desesperado”. No dia em que “desespero” pagar compromisso, eu o aconselharei para sanar dívidas.

Logo, a primeira atitude racional deve ser identificar o pai da “arte”, uma vez que a mãe está à nossa frente com o fruto no ventre. Não adianta arrumar pai para menino e adiar uma questão que será um dramalhão no futuro. Essa questão de dizer que pai é quem cria é deslavada mentira. Pai é quem fecunda óvulo, quem cria é mantenedor. Agora, se o mantenedor é zeloso e ama o enteado, merece ser amado, é outro detalhe. Se o pai é um sem-vergonha de marca maior, e a mãe engravidou por distração carnal, não assumindo os seus atos, não merecem ser amados, o que nem sempre acontece. Merecer não é sinônimo de recebimento, gratidão. Às vezes, o sujeito cria o alheio e recebe pontapé no focinho. Em suma, a vida estará sempre acima de tudo. Todo expediente em favor da vida será bem-vindo, e todo expediente contrário à vida será pecado.

Ainda em relação à paternidade, em caso de dúvida, a ciência entrará com o DNA, ninguém merece não saber quem é o seu pai, mesmo que o reprodutor não seja um anjo. Mentira tem pernas curtas e as más-línguas irão fuxicar. Portanto, é momento de buscar a razão, que não foi convidada no instante do desespero. Razão é reflexão, e reflexão é mais lenta que emoção, precisa de serenidade. Desespero é emoção, que, por associação, deve ser evitado. E, para não resvalar para o discurso moralista, a chibata moral, que de nada serve nesse instante, o conselho é o seguinte: Sexo é a coisa mais gostosa do mundo, mas fazer menino não tem nada a ver com isso. Haja vista que masturbação não gera coisa alguma e a macacada pratica desde a grande descoberta. Filho é vida, é universo, é criação, tem de ser programado, fruto do amor, que é racional. Quando for fazer sexo para sentir prazer, faça a munganga, não faça menino, ninguém é mais ingênuo como antigamente, não estamos mais na era da cegonha. Use a liberdade, preservando a devida segurança. Afinal, segurança sem liberdade é escravidão, mas liberdade sem segurança é loucura.

Sosígenes Bittencourt

Em evento solene e festivo Instituto Histórico comemorou seus 68 anos de existência.

Ontem, segunda-feira, dia 19 de novembro de 2018 o nosso Instituto Histórico e Geográfico da Vitória completou sessenta e oito anos de profícua existência. Na qualidade de maior projeto cultural da Vitória de todos os tempos a “Casa do Imperador”- como também é conhecido – é um patrimônio de todos os antonenses.

Na programação do encontro,  solene e festivo ao mesmo tempo, como manda o estatuto, o presidente da instituição, professor Pedro Ferrer,  fez a devida prestação de conta das atividades do ano de 2018. Teve também espaço para posse da diretoria eleita,  novos sócios, palestra, apresentação musical e concessão de Título Benemérito ao empresário Alexandre Ferrer face às relevantes contribuições concedidas ao Instituto.

Fechando a programação solene o doutor Antônio Sérgio, pastor da Primeira Igreja Batista da Vitória, proferiu palestra na qual, entre outras coisas, realçou a importância do Instituto Histórico no contexto dos quase quatro séculos de existência da Vitória de Santo Antão. O corte do bolo aconteceu de maneira festiva e animada.

O instituto Histórico comemora com eventos solenes três datas especiais. O dia 06 de maio – elevação da nossa Vila de Santo Antão à categoria de cidade –, o dia 3 de agosto – que corresponde à Batalha das Tabocas – e o dia 19 de novembro – data de fundação do nosso Instituto Histórico (19 de novembro de 1950).

 

Made in Tailândia……

De corpo e alma o doutor Fernando Verçosa é um animal do mundo. Na qualidade de cidadão planetário já colocou os pés nos cinco continentes. Detentor de uma rica cultural geral de tudo ele entende um pouco. Outro dia, estávamos no Mercado da Encruzilhada, sem nenhuma combinação prévia,  vestidos com a mesma camisa tailandesa. Detalhe: não viajei à Tailândia. Ele, sim! Detalhe (2): a minha foi um presente do doutor….

Momento Cultural: Branca de Neve – por Henrique de Holanda.

Branca de Neve, Branca de Neve,
roseiral branco, cheio de espinho,
na minha história passaste breve,
mas perfumaste, bem, meu caminho…

Branca de Neve, por que partiste?
Ai! nem te digo, que ingratidão!
Nessa carícia também feriste…
magoastes tanto meu coração!…

Branca de Neve, indo-te embora,
no isolamento, com a dor, me tranco.
Deste-me a vida. Mate-me, agora,
Branca de Neve, veneno Branco!

Branca de Neve, cegonha triste,
tanto cismaste, tanto cismaste,
que de minha vida tu sumiste
na correnteza. Não mais voltaste.

És o motivo dos meus arquejos.
Por que levaste meu riso franco?
Branca de Neve, visão de beijos,
que é de minh’alma, pecado branco?

Mas, se voltares, sonho de arminho,
que me esmagaste, mesmo tão leve,
dentro da morte, direi baixinho,
ainda sorrindo: Branca de Neve!…

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 10 e 11).

ABESTALHADO COM A VIDA – por Sosígenes Bittencourt.

Desde menino que eu sou abestalhado com a vida. A vida é uma loucura. Vivemos como se não fôssemos apodrecer, solitariamente, um dia. Nutrimos a esperança de sair voando para o céu, em forma de alma, alvos como um capucho de nuvem, para sentar num jardim paradisíaco, onde não há agrotóxico e todas as frutas são doces.

Mas, por que tanto espanto em pensar que tudo isso pode ser verdade? Walt Disney sonhou fazendo um desenho caminhar e o fez. Sobretudo, para deixarem de chamá-lo de doido. Aliás, o próprio animador de desenho resumiu sua façanha: If you can dream it, you can do it – Se você pode sonhar, você pode realizar.

Por que aquilo que pensamos não pode ser verdade? Por que nossas ilusões não podem se concretizar um dia? Afinal, o homem já sonhou voando e inventou o avião. Não satisfeito, porque queria ser um pássaro, montou uma asa delta e foi dar uma voltinha, atirou-se no precipício, com cara de pássaro, fazendo munganga de pássaro.

Melhor estar iludido do que desiludido. A desilusão é a maior dor. A desilusão é uma depressão, como acocorar-se ante o Portal do Inferno de Dante: Lasciate ogni speranza, voi che entrate – Perdei toda esperança, vós que entrais.

Sosígenes Bittencourt

Grupo que empinou a campanha de Bolsonaro na cidade promoveu evento comemorativo.

Na tarde ontem (18) o grupo local que liderou o movimento político para empinar na cidade a candidatura o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, voltou às ruas para festejar. Ao som do trio elétrico “puxado” pelo talentoso artista vitoriense,  Nildo Ventura,  os “Bolsonarianos” partiram do Pátio de Eventos Otoni Rodrigues e circularam pelas principias vias da cidade.

Nossas lentes registraram o “movimento” ao passar pelo Pátio da Matriz. Exibindo camisas com a sigla partidária na qual o capitão reformado ascendeu ao Poder Central do Brasil, PSL (17), o grupo, formado por diversas pessoas – já conhecidas e novas lideranças – está animado com o pleito municipal que se aproxima. Com relação ao crescimento político desse movimento no nosso município só o tempo nos dará a resposta. Evidentemente que nada cai do céu na rapidez que almejamos,  mas a própria vitória de Bolsonaro nas urnas é uma prova viva que  tudo poderá acontecer, ou seja: em política, nada mais será como antes…..

Cônego Américo Pita – por Pedro Ferrer

Este conheci bem. Batizou-me, ouviu minhas confissões, deu-me a eucaristia pela primeira vez. Só não me casou.  Todas as quintas à tarde, íamos, eu e colegas do Ateneu, ao catecismo na Matriz. Dona Maria Aragão não abria mão dessa prática. Formava as filas na calçada do Ateneu Santo Antão, no beco do Rosário, hoje rua Osman Lins,  e tocava-nos para o templo. Meninos à direita, meninas à esquerda e o reverendo Pita, de batina preta surrada, posicionava-se no centro da nave. Era um ir e voltar contínuo. Um olho na doutrina católica e o outro na garotada.

– Quais são os pecados capitais?

Tinha medo dele. Não era eu, o único a teme-lo. Todos, inclusive os adultos temiam o velho pároco. Padre Pita ganhou fama de brabo e não foi gratuitamente. Assisti, sendo seu coroinha, o ranzinza expulsar garotas da igreja por não se trajarem adequadamente para um ambiente religioso. Certo? Errado? Para a época era certo e todos os aplaudiam por essas atitudes.

Nem tanto ao mar, nem tanto à praia, mas bem que hoje, os sacerdotes poderiam ser mais vigilantes quanto ao modo de vestir dentro dos templos. Comigo se passou um fato interessante que ilustra bem sua brabeza. Tinha eu sete ou oito anos. Conversava prazerosamente durante a missa das 8 horas, quando ele resolveu parar o ofício religioso, desceu, pegou-me pela orelha e pôs-me de joelho ao lado do altar. Os outros garotos, que participavam da algazarra, silenciaram. Morri de vergonha e mais, de medo, temendo que o acontecido chegasse ao conhecimento dos meus pais.

Voltemos ao nosso padre Pita. Nosso, porque, apesar da brabeza, era um vigário estimado e admirado. Dedicado, virtuoso e sobretudo apóstolo. Pelo seu empenho e interesse Vitória de Santo Antão ganhou a casa dos pobres e o colégio Nossa Senhora da Graça. Isso sem falar em outras conquistas tais como: construção da capela de São José na Mangueira e de Nossa Senhora do Loreto em Água Branca. Empenhado na organização da paróquia e no seu trabalho de apostolado não se descuidava dos diversos órgãos da Ação católica: JEC, JOC, Cruzada eucarística, apostolado do Sagrado Coração de Jesus, Pia União das Filhas de Maria, Vicentinos, Irmandade das Almas etc. Para congregar e atrair os jovens criou, com o padre Vasco, o Grêmio Paroquial, que organizava jogos, tertúlias e peças teatrais.

Padre Pita nasceu no dia 18 de fevereiro de 1885, em Coruripe, cidade alagoana. Aos 18 anos ingressou no Seminário de Olinda. Em 1911 foi ordenado presbítero em cerimônia presidida por dom Luís Raimundo da Silva Brito. Sua primeira missa foi celebrada na Matriz de Santo Antão que tinha como vigário seu primo, o padre Américo Vasco.

Seu empenho e seu comprometimento com a fé cristã valeu-lhe a outorga de dois títulos: Cônego Honorário da Sé de Olinda (1935) e Monsenhor (1950).

Sobre padre Pita repetiríamos as palavras escritas pelo mestre José Aragão: ”De sua fé acrisolada, de sua piedade esclarecida, do seu total devotamento ao reino de Deus em nossa terra, que ele amava como sua; de sua cooperação desinteressada a todas as instituições e iniciativas locais, resultaram, para a comunidade, benefícios incomensuráveis, razão porque os defeitos que pudesse ter, como ser humano, portanto contingente, foram superados e fartamente compensados pelas virtudes, por todos reconhecidas e proclamadas” (Revista do Instituto Histórico e Geográfico, volume 6º, página21).

Seguem outros depoimentos: – cansei em ouvir meu pai repetir, “padre Pita é um padre de verdade, homem modelar”;

– “padre Pita, podemos afirmar sem nenhum vislumbre de exagero é um dos verdadeiros ministros de Deus, é o genuíno “Alter Christus” da religião de Jesus, é o verdadeiro tipo de sacerdote católico. Padre Pita, sacerdote virtuoso, soube se impor à admiração do povo de Vitória que lhe cultua uma amizade leal”. (“A Voz Parochial, 31 de março de 1918);

– “aqui em Vitória o padre Pita deixou vestígios imorredoiros e inesquecíveis, como sacerdote virtuoso e abnegado, como amigo particular e também como jornalista primorado nas colunas deste jornal onde tem colaborado desde a fundação do mesmo até hoje”. (A ”Voz Parochial, 18 de fevereiro de 1919)

Após sessenta anos de vida sacerdotal, dedicados à pregação do Evangelho e à defesa da fé, o probo e íntegro padre entregou sua alma ao Senhor, no dia 27 de abril de 1971.  Vitória de Santo Antão cobriu-se de luto.

O Instituto Histórico e Geográfico que tem o Monsenhor Américo Pita como um dos seus cofundador, reverencia sua memória no setor do Museu Sacro, cujas principais peças partiram de seu magnânimo espírito.

– Ano Novo (Padre Américo Pita)

“Ao afloral do ano novo ainda a humanidade esfarrapada, esquálida, desgrenhada arrastando-se pelos escombros da civilização, da arte e da religião solta ainda um gemido dolente repassado de angústias. O mundo ainda é o sudário da guerra, com os corvos da miséria de garras aduncas esvoaçando crocitante por sobre o charco putrefato da humanidade.

A alma da Igreja compungida cantando a pouco o “Gloria in excelsis Deo et in terra pax homnibus”, visava talvez, o trapejar do lábaro branco da paz sobre as ruinas do mundo por entre a fumarada espessa dos semeadores da morte complemento tétrico da barbaria humana.

Cada ano que lá vem trás na sua psicologia a risonha esmeralda esperança como que sendo fonte d mil venturas no desenrolar do futuro. Oh! quimérica esperança que te transformas na rígida realidade da desilusão. Mas ah! que prossegue a marcha dos tempos e o mundo a convulsionar na guerra.

O mesmo tempo imutável partícula da eternidade no seu eterno evoluir vai escrevendo o episódio doloroso deste século de sangue que o próprio Deus com as mãos plenas de justiça esconde as suas faces para não ver a injustiça e a desobediência dos homens, ao seu “pax homnibus”. E a devastação campeia arrastando manietada a deusa sublime dos povos, a liberdade.

A liberdade irmã gêmea da paz foi banida do seu trono enquanto o despotismo tem o cetro da realeza… (“A Voz Paroquial”, 31 de janeiro de 1918).

Obs. Na época a humanidade estava em plena Primeira Guerra Mundial, 1914-1918.

Pedro Ferrer