SINÔNIMO DE SER HUMANO É LIMITE – por Sosígenes Bittencourt

Todo homem crê no limite de sua Fé, e descrê no limite de sua descrença. Portanto, ninguém crê tanto quanto crê (acredita) nem descrê tanto quanto descrê (acredita). Sinônimo de ser humano é limite. Deus não criou o homem para saber tudo nem para saber nada.

Um dia, um matuto, no limite do seu entendimento, filosofou: – O homem nasce sem saber nada, vive aprendendo e morre sem saber tudo.

O homem produziu a Penicilina e muitos pensaram que o ser humano era um deus. Imagine se tivesse criado os elementos naturais que compõem a Penicilina? O animal racional, às vezes, é espiritualmente enxerido.

Sosígenes Bittencourt

Governo Bolsonaro começa pisar em terreno pantanoso……..

Ao que parece os  trinta anos de vida pública do atual presidente, Jair Messias Bolsonaro, não lhe foi  suficiente para alcançar  um determinado grau de experiência administrativa que possa permite, após à concessão livre e democrática do eleitor brasileiro, governar  o Brasil de maneira serena. Governar serenamente não é a mesma coisa ou mesmo sinônimo de conivência à corrupção sistêmica reinante nas administrações anteriores.

O clima de campanha política que se mantém na administração Bolsonaro em nada ajuda soerguer a nossa combalida economia. Para a “máquina” produtiva girar faz-se necessário ambiente favorável. Com emprego em baixa, todo governante passa caminhar na corda bamba. É elementar entender que o maior projeto de qualquer governo – seja ele de direita ou se esquerda – é a empregabilidade. O povão precisa comer,  beber e se entreter com o futebol.  Sem o mínimo, no transcorrer do tempo, todo governo entra desgraça……A história está aí para mostrar….

Diz a regra básica da política: governo que trabalha e agrada a maioria, não precisa de manifestação  popular em seu favor. Entende-se que nos países democráticos quem pode e deve fazer “barulho” é a oposição,  quando assim lhe convier. Governo pedir manifestação popular de apoio com menos de cinco meses de administração é algo descabido e desproporcional para qualquer linha de raciocínio político.

Parece-nos que os bons ventos da democracia verde/amarela, mesmo após à retumbante vitória  nas urnas do Capitão,  não conseguiu dissipar as turvas nuvens que, desde 2014, estão  estacionadas no horizonte brasileiro. Liderar um processo de mudança consistente vai muito mais além do que frases de efeito. Quando não se vota com a razão, quem sofre é a nação.

Momento Cultural: JÁ QUE TE FIZ SOFRER – por Heitor Luis Carneiro Acioli.

Que crueldade fiz a ti! É imperdoável o que te fiz. Mas “minha fada”, não me deixe! Prometo os sete mares velejar para pôr um fim naquilo que te faz sofrer. Se te fiz algo errado, perdão e volta pra mim! Vou até o fim do mundo pra me redimir contigo.

Se quiseres que eu extinga minha vida, farei sem problemas, afinal é o mínimo que posso fazer, já que te fiz sofrer.

(Meu jeito em versos e prosas – Heitor Luis Carneiro Acioli – pág. 03).

SOU TORCEDOR BRASILEIRO – por Sosígenes Bittencourt

Eu não consigo torcer contra o Brasil. Há um país que vive em mim, livre de qualquer influência que o desfaça.

Ademais, a esperança nutre-se de vitórias, não de derrotas. De que nos servem as derrotas, senão como lição.

Uma gestão governamental é muito pouco para eu perder o amor a minha Pátria. Reprovar um político e transformar este ódio em desamor à Pátria é um gigantesco equívoco. Observemos a sapientíssima reflexão do jurisconsulto doutor Rui Barbosa:

“A pátria não é ninguém, são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. “

Ora, como poderei odiar minha pátria porque um regime ou um governante não me agrada, porque degrada? O que tem a ver a pátria que vive em mim, o seu céu, o seu solo, suas riquezas naturais, meus antepassados e meus filhos com tudo isso?

Sosígenes Bittencourt

“Cristais Fissurados”: dividido entre realidade, ficção, putaria e coisa séria!!!

Antes mesmo de ser lançado, o mais novo livro do professor Pedro Ferrer – “Cristais Fissurados” – já tá dando o que falar. O autor,  uma “matraca-trica” costumas, principalmente depois que toma uns copos com água que passarinho não bebe, aqui e acolá, vem soltando o conteúdo do livro,  que vai muito além de um romance baseado em fatos reais.

O Pedoca, em boa medida, se utiliza de personagens fictícios – inspirados em pessoas bem conhecidas na Vitória de Santo Antão – para descer o sarrafo. Ilustrando um caso real, ocorrido há mais de meio século, ele reproduz um suposto diálogo entre um doutor daqui que mantinha um caso extraconjugal:

“Luzia era analfabeta. Mas a neguinha era inteligente e esperta. Sabia usar seus predicados. O cara preta eriçava quando se aproximava do Bertoldo. Apertava as cochas. Era um ardor só. Quando servia a mesa debruçava-se sobre o jovem. Respirava mais forte para o mancebo sentir seu hálito quente e sensual sobre a nuca. Sebastiana observava tudo e fica remoendo, puta da vida.”

Mas, é bom que se diga que nem tudo é safadeza e putaria. Em várias passagens  do opúsculo o professor resgata comportamentos sociais dos nosso antepassados. Com relação ao luto, ele relembra um costume muito forte no seio da sociedade antonense:

“Na Vitória, da primeira metade do século XX, o luto, hábito ancestral, era sagrado. Os mais próximos, cônjuge e filhos, usavam roupas pretas pelo período de um ano. Os mais afastados carregavam uma fita preta enrolada no braço por tempo indeterminado. As vestes do dia a dia, por economia, era tingidas de preto. As de estampas vivas e coloridas, que resistiam à tinta, eram guardadas para serem utilizadas após o luto”.

Portanto, entre momentos picantes, históricos, narrativas de fatos reais e ficção caminhou a pena do ilustre escritor antonense,  Pedro Humberto Ferrer de Moraes. Possivelmente, depois de  “identificados”, algum parente dos “personagens” poderão  querer “apertar o pescoço” do professor….

MOMENTO CULTURAL: CONTRADIÇÃO – por Aluísio José de Vasconcelos Xavier.

Na cidade, a iluminação frenética
do Salvador, a chegada anunciava
e contrastando com tal paisagem estética
na calçada um pobre negro agonizava.

Era a figura doente de uma criança
filha de um erro, fruto de um pecado
e nos olhos tristes de seu corpo nu, gelado
não se via nenhum fio de esperança.

Aproxima-se dele um maltrapilho.
Toma-o nos braços como a um filho
retirando-o daquele leito de cimento.

Meia-noite, então, anuncia o sino.
E nesta hora exata do Nascimento
morreu, à míngua, mais um Jesus-Menino.

Aluísio José de Vasconcelos Xavier, filho de Aloísio de Melo Xavier e de Eunice de Vasconcelos Xavier, nasceu no dia 7 de agosto de 1948. Formado em Direito, exerce sua profissão no Foro do Recife onde reside. Foi Secretário para Assuntos Jurídicos da Prefeitura do Recife. Professor universitário e poeta.