Meia Maratona da Vitória – Corrida, história e memória!!!

Faltando exatamente 10 dias para a Primeira Meia Maratona da Vitória ser efetivada, hoje, gravamos os vídeos dos percursos  – 21km e 10km – (divulgação). O referido  evento, definitivamente,  marcará,  de maneira significativa,  a história do calendário das corridas de rua em nossa cidade.

No conjunto das medalhas de participação e troféus de premiação, uma justa homenagem a passagem dos 380 anos da épica Baralha das Tabocas, ocorrida em nosso torrão, em 03 de agosto de 1645.

É corrida, história e memória, circulando pelas ruas da nossa Vitória de Santo Antão.

Para participar, inscrições pelo site (www.uptempo.com.br), na Loja Monster Suplementos ou pelo whatsApp 9.9198.0437.

Vida Passada… – Barão de Muruiá – por Célio Meira.

Naquele ano histórico em que as exigências políticas da Corte portuguesa levaram o Brasil à Independência, nasceu, a 8 de março, o paraense João Wilkens de Matos, na cidade de Belém. Fascinado pelo estudo da matemática, conquistou, nos Estados Unidos, a carta de engenheiro. Regressando à pátria, iniciou-se no magistério, dirigindo, conta o historiador do “Galeria Nacional”, o Liceu Paraense. Espírito Culto, e patriota, ingressou na política. Elegeu-se deputado provincial, no Pará e no Amazonas, alcançando , mais tarde, pelos serviços prestados à causa pública, a deputação geral.

Aos 35 anos de idade, encerrou João Wilkens, as atividades parlamentares, obtendo o consulado, na Guiana Francesa, e depois, no Perú. Durante onze anos, serviu, honestamente, à pátria, no estrangeiro. Retornando ao Brasil, mereceu, do governo do 2º império, a honra de governar a província do Amazonas. Voltou, desse modo, a viver ao lado do povo, que, outrora, lhe confiara representação honrosa, no seio do parlamento nacional. Observou e estudou, a esse tempo, assinala um biógrafo, os índios que povoavam a terra maravilhosa dessa província, escrevendo, com segurança, extenso e curioso relatório.

Administrou, mais tarde, com a mesma elevação moral, com o mesmo amor aos governados, a província do Ceará, passando a residir na Corte, em 1874. Não se recolheu, João Wilkens, àvida tranquila, longe dos postos administrativos. O antigo parlamentar, o honesto administrador de duas províncias do norte, continuou a lutar, nessa época, na secretaria do ministério da Agricultura, entre os funcionários graduados. E por esse motivo, deu-lhe, ainda, o governo da monarquia, o cargo de diretor dos correios. Nessa oficina de trabalho, foi aposentado, em 1882, contando, já, 60 anos de idade. Agraciou-o, D. Pedro II, com o título de barão de Muruiá.

Historiador, e autor do Dicionário Topográfico do Departamento de Lorêto, no Perú, pertenceu, esse ilustrado paraense, ao Instituto Histórico Brasileiro.

Não assistiu à proclamação da República. Morreu, em 1989, aos 67 anos. Quando se finou o barão de Maruiá, tremulava, ainda, em todos os mastros, a bandeira da Casa de Bragança.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

Gostinho Crocks – uma história de sucesso!!!

Fruto do espirito empreendedor,  de muita persistência, trabalho e fé em Deus que o  casal  Mádja e Israel “inventaram” produtos alimentícios, gostosos e saudáveis, que o consumidor se apaixona na primeira mordida: Gostinho Crocks.

Tudo começou em 2017. Estimulada pelo marido a produzir um produto derivado da banana – carro chefe da sua principal atividade comercial, Mádja deu os primeiros passos no sentido do doce de banana. Mas não deu certo. Só depois de 3 meses estudando, testando e produzindo encontrou o ponto certo do produto que começou a chamar de “Banana Chips”.

Sucessos entres os amigos e familiares que provaram o produto,  de maneira artesanal e fazendo no “fogão de casa”,  começou a produzir  comercializar. Animada, investiu numa máquina que, ao final, acabou não ajudou em nada e o pior: a fez desanimar da escala industrial.

Adormecido, o projeto acordou mais forte em plena pandemia, no ano de 2021.  Desta vez com o nome de “Banana Crocks Chips”. Mais elaborado e consistente uma fábrica foi montada e novos sabores foram introduzidos ao conjunto dos produtos. No sentido da adequação ao novo momento, por sugestão de um familiar, para representar todos os produtos e sabores, o novo nome surge: Gostinho Crocks.

Com  a orientação e a assessoria de uma agencia de publicidade, o empreendimento deixou  a linha artesanal e começou a trilhar pelo caminho da escala industrial. Com novo visual e embalagem calibrada para atender todas as demandas do mercado, a Gostinho Crocks, um sonho familiar que virou empresa visionária, genuinamente antonense, está pronta para seguir voando alto, no concorrido mercado alimentício nordestino.

HONRARIA EM PARELHAS, RIO GRANDE DO NORTE- por Sosígenes Bittencourt

Honraria, reconhecida de todo coração, vem de Parelhas, Rio Grande do Norte, para Pernambuco, em Vitória de Santo Antão.
São netos, bisnetos e tataranetos, da Família Bittencourt, abismados com as homenagens concedidas ao professor Felipe Bittencourt, em quadro emoldurado à frente de desfile do Educandário Felipe Bittencourt. O cidadão era formado em Ciências e Letras, habilíssimo na inteligência de ambos hemisférios cerebrais: o das matemáticas e línguas internacionais.
Portanto, pelo brilhante legado, reconhecido por familiares encantados, Palmas e muito Obrigado!
Sosígenes Bittencourt

EU, A BICO DE CANETA, RETRATADO POR ALMIR BRITO – 1975 – por Sosígenes Bittencourt.

Uma recordação do tempo da boemia saudável, quando podíamos retornar do Baixo Meretrício, de madrugada, camisa no ombro, a assobiar, baforando um cigarro “à lá” Humpfrey Bogart.
Medo, só de alma do outro mundo, no tempo em que menino não portava arma de fogo, não pitava “cannabis sativa”, nem namorava nu.
O pintor, escultor, violonista e poliglota Almir Brito, no entorno do Grupo Escolar Pedro Ribeiro, anda vivo, no mundo, para contar.
Boêmio abraço!
Sosígenes Bittencourt

Alexandre Vannucchi – por @historia_em_retalhos.

Este é o estudante universitário Alexandre Vannucchi.

Alexandre era estudante de geologia da USP e, como muitos de sua geração, queria a volta da democracia, com liberdade para as entidades estudantis, durante o ciclo da ditadura militar brasileira.

Foi o 1.° colocado no seu vestibular.

Conhecido pelos amigos como “Minhoca”, estava tentando reorganizar o Diretório Central dos Estudantes da USP.

Em 16 de março de 1973, porém, tudo mudou.

Minhoca foi sequestrado na rua e levado para o DOI-Codi, o mais temido centro de tortura da ditadura, que Brilhante Ustra dera o nome de “sucursal do inferno”.

Tinha apenas 22 anos.

Torturado exaustivamente nos dias 16 e 17, não resistiu.

Provavelmente, morreu em razão de uma hemorragia interna na região onde havia realizado, menos de dois meses antes, uma cirurgia de apendicite.

Mas o Estado brasileiro não revelou a verdade.

Foram divulgadas duas versões para a sua morte: a primeira, que ele teria sido atropelado por um caminhão, e a segunda, que teria cometido suicídio.

Ambas versões plantadas.

Horas antes de morrer, foi trazido aos tropeços de sua cela, quando disse em voz alta o seguinte:

“Meu nome é Alexandre Vannucchi Leme.”

“Sou estudante de geologia.”

“Me acusam de ser da ALN.”

“Eu só disse o meu nome.”

Minhoca teve o seu corpo coberto com cal (para camuflar as torturas) e foi enterrado como indigente na vala clandestina de Perus.

Procurado pelos estudantes, Dom Paulo Evaristo Arns celebrou uma missa na Catedral Metropolitana, na qual compareceram mais de 3 mil pessoas.

Esta celebração tornou-se o primeiro grande ato de resistência, sendo um prenúncio da grande manifestação ecumênica que aconteceria dois anos mais tarde no ato em homenagem a Vladimir Herzog.

Também foi muito importante porque impulsionou o ressurgimento do movimento estudantil brasileiro.

Em 1976, o DCE-Livre da USP era recriado, sendo batizado com o nome de Alexandre Vannucchi Leme.

Era a ditadura começando a perder fôlego para os ares da democracia.

Alexandre Vannucchi, presente.

A quem interessar, indico o livro “Alexandre Vannucchi Leme: eu só disse o meu nome”, de Camilo Vannuchi.
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Meia Maratona da Vitória – Corrida, história e memória!!!

Faltando 15 dias para a Primeira Meia Maratona da Vitória ser efetivada, já entramos administrando o terceiro e último lote de inscrição. Com percursos de 21km e 10km, o evento marcará,  de maneira significativa,  a história do calendário das corridas de rua em nossa cidade.

No conjunto das medalhas de participação e troféus de premiação, uma homenagem a passagem dos 380 anos da épica Baralha das Tabocas, ocorrida em nosso torrão, em 03 de agosto de 1645.

É corrida, história e memória, circulando pelas ruas da nossa Vitória de Santo Antão.

Para participar, inscrições pelo site (www.uptempo.com.br), na Loja Monster Suplementos ou pelo whatsApp 9.9198.0437.

MINHA PRIMA SEMÍRAMIS – por Sosígenes Bittencourt,


Esta é minha prima Semíramis por volta dos 10 anos de idade. Era o tempo em fase de lapidação, o tempo artesão. A mim, não me parecia uma beleza brasileira; antes, uma escandinava, uma beleza setentrional, nórdica, talvez.

O meu tio Sócrates, familiarmente conhecido como Tuxa, tinha crises, justificadas, de ciúme. Daqui, pareço vislumbrar o seu sorriso de afirmação no limbo do horizonte eterno.

A beleza não é uma invenção humana, a beleza existe.

Sosígenes Bittencourt

Tombamento do veículo Lincoln Continental (1933) – por Siga: @historia_em_retalhos.

No dia de ontem (02.09.2025), foi publicada a abertura do processo de tombamento do veículo Lincoln Continental (1933), de titularidade do Estado de Pernambuco, o qual se encontra sob os cuidados da Casa Militar.

O “Lincoln Continental pernambucano”, um veículo de 92 anos, de fabricação norte-americana, destaca-se por seu valor de raridade e antiguidade e por estar em pleno funcionamento.

Da marca Ford, com 12 cilindros e 12 válvulas, foi adquirido pelo interventor federal Carlos de Lima Cavalcanti, em 1935, sendo dele a distinção de conduzir autoridades que viessem a Pernambuco, como a Rainha Elizabeth II, em 1968 (foto), desenvolvendo a velocidade máxima de 80km/hora.

Esta edição do Lincoln foi de fabricação limitada e, atualmente, só existem dois exemplares iguais a ela, porém que não funcionam mais (em museus).

Nos dias de hoje, o Lincoln é utilizado na passagem do governo em 1.° de janeiro e no desfile de 7 de setembro.

Todos estes atributos embasaram o pedido de proteção, conforme a Lei n.º 7.970/1979, assegurando ao nosso Lincoln as mesmas prerrogativas de um bem efetivamente tombado, até a conclusão do processo.

Parabenizo o amigo Maurício Pedrosa pela iniciativa! 👏🏼
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Fonte: FUNDAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE PE-FUNDARPE
EDITAL DE TOMBAMENTO PROCESSO ADMINISTRATIVO SECULT n.º 03/2025 – SEI/PE2000000035.002702/2024-22 (Publicado no DOE do dia 02/09/2025).

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Vida Passada… – Tomaz de Aquino – por Célio Meira.

Nasceu, Tomaz de Aquino Almeida Maciel, a 7 de março de 1863, na terra pernambucana do Brejo da Madre de Deus. Ouviu, no berço nativo, conta Zeferino Galvão, as lições de latim do cônego Marinho Falcão, e aprendeu a língua francesa com o dr Pereira de Lira. Muito cedo, se enamorou da literatura e da música. Foi o maestro Zeferino Leal quem lhe ensinou a solfeja, e a tocar violino.

Alistou-se, quando era moço, na propaganda da República, pertencendo ao rol dos discípulos amados de Benjamim Cosntant. Homem de ideias próprias,  sustentava-as, corajosamente. Não pelejou, na avassaladora campanha de 89, fascinado pelos interesses políticos. Bateu-se, romanticamente, por idealismo. Via, na república, e na estacada, firme, antes e depois da arrancada histórica de 15 de novembro.

Fixou-se, no torrão pesqueirense, no ano de 1902, exercendo as funções de tabelião, e em 1906, sentou-se na cadeira de redator da Gazeta de Pesqueira, a luminosa oficina de Zeferino Galvão, o filósofo pernambucano, que realizou, naquela terra sertaneja, uma obra verdadeiramente genial, na literatura e na história.

Publicou, Tomaz de Aquino, em 1910, o Nevrose Artística, livro de crônicas, aplaudido pela crítica. Ocupou, também, o cargo de escrivão da coletoria federal, da mesma cidade, e em todos esses postos, foi, o velho Tomaz inteligente, operoso e honesto.

A simplicidade era um dos traços mais acentuados, na vida, bem longa, desse homem trabalhador, e pobre. Vimo-lo, muita vezes, na fortaleza de seus combates e de passagem pela terra onde nascemos, quando iniciávamos  a peregrinação, pelos jornais do interior do Estado, e sempre tivemos, de seu espirito e de seu coração generoso, palavras de estimulo e de afeição. Guardamos saudade de sua atenção, na corajosa imprensa dos matutos. Amável, sem exageros, e sem perfídias, foi, Tomaz de Aquino, na batalha acesa da vida, guerreiro intimorato e sorridente.

Morreu depois dos 70 anos de idade. Desceu, à terra da sepultura, grande mestre pernambucano. Violinista admirável, poeta e jornalista, pertenceu, Tomaz de Aquino, ao número dos humildes e dos eleitos das letras e das artes.

Pesqueira e Brejo da Madre de Deus devem amar e venerar a memória desse homem gentilíssimo, que encontrou, na música e na pena, a divina alegria de viver.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

FALECIMENTO DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO – por Sosígenes Bittencourt.

 

A melhor forma de homenagear o recém-falecido escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo, filho do famoso escritor Érico Veríssimo, é espalhando algumas frases de sua brilhante imaginação irônica e humorística.

Eu conheço duas, por exemplo, que as remodelei. Ei-las: A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
Eu digo assim: Filhos, você faz o rascunho. Quem pinta o desenho é o tempo.

Outra frase dele muito sofisticada é: Eu desconfio que a única pessoa livre é a que não tem medo do ridículo.
Eu deduzo assim: Quando alguém me acha ridículo, eu digo que é o preço de minha liberdade.
Quando eu vejo um grande filho imitar um grande pai, eu me lembro de uma frase do tempo de eu menino: Filho de gato é gatinho e, de gato maracajá, é pintadinho.
Requiescat in Pace!

26/09/1936-30/08/2025

Sosígenes Bittencourt

 

 

Meia Maratona da Vitória – iniciado o terceiro e último lote.

Com percursos de 21k e 10k, a Primeira Edição da Meia Maratona da Vitória acontecerá no dia 21 de setembro, com concentração, largada e chegada no conjunto da Estação Ferroviária e Praça Leão Coroado. Nas medalhas e troféus, uma alusão comemorativa a passagem dos 380 anos da épica Batalha das Tabocas, ocorrida em nossas terras em 3 de agosto de 1645. 

Para mais informações: 9.9198.0437. 

DISTRAÇÃO DA TERCEIRA IDADE EM VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – por Sosígenes Bittencourt.


O restinho de uma geração que tinha limites e não sabia o que era depressão. Hoje, os adolescentes fazem sexo na casa dos pais e estão se tratando com psiquiatra.
A diferença entre a Pornografia e o Erotismo é que a pornografia é o nu sem explicação, e o erotismo é o nu na imaginação.

Sosígenes Bittencourt

A boa tradição pernambucana de tradutores Lembranças de Maria T. Miranda e Ubirajara Carneiro da Cunha – por Marcus Prado.

Numa das suas crônicas neste jornal, o escritor e acadêmico da APL, Raimundo Carrero, lembrou uma conversa que tivera, anos atrás, com o seu amigo Ariano Suassuna sobre a importância universal do oficio de tradutor ao longo dos séculos, na cultura dos povos, destacadamente na literatura, assunto que era do domínio de muitos saberes de Ariano e tem sido constante no mestre Carrero, ex-editor da redação do Diario de Pernambuco, que mantém uma oficina de criação literária no Recife.Para o autor de “A vida é traição”, o tradutor terá um papel de extrema importância em qualquer época, cultura, esfera do saber e de conhecimentos, não só literário e cientifico, pelos desafios que terá numa das atividades mais antigas do mundo. Além de ter uma gama muito alargada de conhecimentos e competências não só linguísticas.

Pernambuco tem o mérito de ser berço de bons tradutores no difícil campo da literatura. Eu lembraria o saudoso Jorge Wanderley, médico, professor de literatura brasileira e teoria da literatura, poeta, tendo ficado suas traduções na memória dos leitores não só pernambucanos, Everardo Norões, identificado com autores de língua espanhola, Cláudia de Holanda Cavalcanti, especializada em tradução de autores de idioma alemão, Luzilá Gonsalves, que traduzia para a língua francesa textos de Dom Helder Câmara, Liliana Falangola, que muito colabora com o autor deste artigo na versão de textos em alemão. Por fim, lembro o pernambucano do Recife, Emmanuel Carneiro Leão, professor e filósofo, nascido no bairro recifense da Várzea, pouco conhecido na sua cidade natal, embora tenha sido professor emérito de varias universidades, criador de cursos, “imortal” da ABL, com Doutorado na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg, Alemanha, com a tese: “De Problemate Hermenêutica e Philosophicae apud M. Heidegger”. Foi um dos mais qualificados conhecedores brasileiros da obra monumental e complexa do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), tornou-se um dos pioneiros no Brasil nos estudos sistemáticos, profundos e indagadores do pensamento de Heiddeger. O nosso autor tornou-se ao longo dos anos um especialista obsessivo e profundo, além de pesquisador e exegeta quando se tratava da obra de Martin Heidegger, de quem foi um dos alunos mais próximos e colaborador. De Heiddeger, autor de uma obra não só de investigação filosófica extremamente difícil de ser compreendida, sobretudo para quem não está familiarizado com a sua filosofia ontológica (o ramo da filosofia que estuda a natureza do ser, da existência e da realidade), é bom advertir que se trata de uma tarefa hercúlea tentar traduzi-lo para outro idioma. Nisso, Emmanuel somava o rigor da análise à erudição. Destaco também o interesse da pernambucana de Vitória de Santo Antão, Maria do Carmo Tavares de Miranda (1936-2012), ela que foi aluna de Heidegger e sua tradutora no Brasil, além de outros grandes estudiosos heideggerianos pernambucanos, o saudoso José Souto Maior Borges, e um jovem professor, também vitoriense, Ubirajara Carneiro da Cunha, que estudou o idioma alemão para ler no original toda obra hermenêutica e fenomenológica do solitário homem da Floresta Negra.

Marcus Prado – jornalista