Por onde anda Cabral? – por historia_em_retalhos.

Os restos mortais do navegador português, tido pela visão eurocêntrica como o “descobridor” do Brasil, repousam no interior da Capela de São João Evangelista, na Igreja do Convento Santa Maria da Graça, em Santarém, Portugal.

Cabral morreu por volta do ano de 1520, vinte anos após a sua chegada ao território brasileiro, com a idade provável de 53 anos.

Alguns questionam a maior ou menor importância atribuída ao navegador enquanto personagem da história.

De fato, após 1500, Cabral foi preterido quando uma nova frota foi reunida para estabelecer uma presença portuguesa mais forte na Índia, possivelmente, como resultado de uma desavença com o rei Manuel I.

Tendo perdido a preferência real, aposentou-se da vida pública, havendo poucos registros sobre a parte final de sua vida.

Esta situação só começou a mudar, 300 anos depois, na década de 1840, quando D. Pedro II patrocinou pesquisas e publicações sobre a vida de Cabral, por meio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Em 22 de abril de 2000, uma série de eventos marcaram as comemorações dos 500 anos do “descobrimento” do Brasil, o que gerou fortes reações dos povos indígenas, que não aceitam a versão oficial que lhes foi imposta.

Há homenagens a Cabral no “Padrão dos Descobrimentos”, em Lisboa, bem assim na moeda de um centavo e na cédula comemorativa de dez reais.
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CULTURA POPULAR- O gravataense e percussionista: Arnaldo Caetano da Silva (MÊMEU)! – por Bosco do Carmo.

O Estado de Pernambuco é muito rico em cultura, e, cada cidade contém componentes que nos fazem descobrir esta realidade. No dia 12/03/2022, sábado pela manhã, ao ir a feira-livre, em Gravatá-PE, conheci uma figura emblemática e jovial, o senhor Arnaldo Caetano da Silva, conhecido no mundo artístico por ” Seu Mêmeu”. Apesar dos seus 71 anos de idade, é muito animado. Começamos conversando, e, de repente, tocamos no assunto que gosto bastante, a música. Então, descobri que o mesmo, gosta de percussão, e, que participa de alguns grupos de formação na modalidade: O Pé-de-Serra! Quando me perguntou se eu tocava algum instrumento? Lhe respondi que dava um soprinho no trombone de vara! Onde o mesmo ficou animado e, disse ser um grande admirador do saxofone. Segundo ele, começou na arte do ritmo, aos (13) treze anos de idade, no aprendizado do pandeiro, depois o triângulo, a zabumba, a caixa e o surdo. Onde percebemos que, no ofício da percussão, ” Seu Mêmeu ” tem experiência.

Bosco do Carmo – ex-aluno, ex-trombonista, da antiga Banda musical 03 de Agosto, do maestro Aderaldo Avelino da Silva (in memoriam),entre 1980/1987 a 1994, Vitória de Santo Antão-PE.

O curral político antonense nunca mais será o mesmo…..

Como diz  a música  do roqueiro Lulu Santos: “nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”. Explico: as recentes mudanças no regramento eleitoral , ao que parece, começaram a  “mexer”  no curral político antonense, até então,  controlado pela  mão de ferro dos caciques locais, diga-se “os Liras”, os “Querálvares” e os “Queiroz“.

Recentemente circulou a notícia na internet que um grupo de vereadores vitorienses  – inclusive o líder do governo  na Câmara – foi  ao encontro da deputada federal Marília Arraes, pré-candidata ao governo do estado. Vale salientar que a neta do Doutor Arraes  –  até o momento-   se configura no fato novo da eleição majoritária pernambucana, em 2022.

Até aí, tudo bem………..Vereadores podem e devem se mexer no tabuleiro eleitoral da província. O detalhe em questão é que os três tradicionais grupos políticos locais  – com assento na ALEPE –  então na “cesta” do governador Paulo Câmara, ou seja: devem obediência política ao candidato indicado por ele, isto é: Danilo Cabral.

Aos mais atentos, à declaração pública de apoio de parte dos vereadores da base do prefeito Paulo Roberto a Marília Arraes, nesse momento, emite um volumoso  som de “falta de coordenação e comando político” por parte do grupo do  prefeito. Aliás, se Paulo Roberto realmente tivesse visão e  interesse em avançar no macro xadrez político, já deveria  ter  “mudado de direção” e se “abraçado” oficialmente com outra pré-postulação ao Palácio do Campo das Princesas. Para quem se colocou e investe na imagem  de  “diferente”, subir no mesmo palanque com Aglailson, Henrique e Elias é um verdadeiro tiro no pé, no sentido às retóricas futuras.

Como se diz no jargão político: “o cavalo tá passando selado”. Paulo, na qualidade de prefeito eleito e com expressiva votação, não poderia  – jamais – continuar cavalgando na garupa do cavalo de Elias Lira….

Anotado como o primeiro ponto fora da curva (positivamente), pelo menos para mim,  nessa pré-campanha,  foi a articulação do vereador de primeiro mandato, André Carvalho, em exibir, dias atrás,  através das redes sociais,  a “noiva da eleição de Pernambuco” em sua humilde residencia,  compartilhando um café e depois pousando para foto no Pátio da Matriz. As imagens, por si só,  emoldura o  interesse da pré-candidata na efetivação de uma nova história na Capital da Zona da Mata, região emblemática na consagração política da mítica carreira do seu avô, Miguel Arraes de Alencar.

Em tempo de regras eleitorais sem coligações  proporcionais e  comunicação aberta para todos (internet),  lembremos, novamente, o velho roqueiro tupiniquim, Lulu Santos: “nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”.

Reunião ordinária da AVLAC – Academia de Letras, Artes e Ciência.

Comandada pelo professor Serafim Lemos, presidente da instituição, membros acadêmicos da AVLAC – Academia de Letras, Artes e Ciência -, em reunião ordinária, reuniram-se na manhã de domingo (24), no histórico prédio do “Sobradinho”, localizado na Rua Imperial.

Na pauta, além de informações administrativas, o encontro proporcionou boas discussões relacionadas  à história da cidade assim como novos projetos, no sentido da ampliar o raio de atuação da “Casa Literária” na comunidade antonense.

Revolução dos Cravos – por historia_em_retalhos.

“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim”

“Tanto Mar”, canção de 1978, foi gravada por Chico Buarque em homenagem à Revolução dos Cravos, movimento armado que pôs fim ao regime fascista salazarista, no dia 25 de abril de 1974, em Portugal.

O período da história portuguesa conhecido como “salazarismo” teve o seu início em 1933, com a ascensão ao poder de Antônio de Oliveira Salazar.

Inspirado no fascismo italiano, Salazar estabeleceu um regime autoritário-ditatorial, pautado na censura, repressão, exílios e guerras coloniais.

Em 1968, Salazar sofre um derrame e é substituído por Marcello Caetano, que prossegue com a política autoritária.

O isolamento político, a decadência econômica e os desgastes com as guerras coloniais foram o pano de fundo para a formação de um movimento de resistência ao salazarismo.

Em 09.09.73, surge o MFA – Movimento das Forças Armadas, em oposição à ditadura, o qual, no ano seguinte, reúne-se e decide derrubar o governo de Caetano.

Em 25 de abril, às 00h20min, a transmissão pelo rádio da música “Grândola Vila Morena” foi a senha utilizada para anunciar o início das operações militares, deflagrando a rebelião.

E qual a razão do nome “cravos”?

Em verdade, a revolta aconteceu praticamente sem resistência, com apenas 4 mortos.

Caetano rendera-se no mesmo dia, seguindo para o exílio no RJ.

Diante disso, a população saiu às ruas para comemorar, entregando cravos aos soldados, que os colocavam nos canos de seus fuzis, tornando, assim, a flor símbolo e nome da Revolução.

As principais conquistas do 25.04 podem ser resumidas nos chamados “3 d’s”: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, sendo o reconhecimento da independência de Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola um reflexo direto do movimento.

Para a nossa alegria, o perfume dos cravos portugueses também chegou ao Brasil, influenciando no processo de redemocratização do país e, mais tarde, na aprovação da CF de 1988…
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Clube dos Motoristas com nova diretoria.

Em ritmo de frevo, os amantes da folia de momo da “Terra de José Marques de Senna” reuniram-se, no dia de ontem, feriado nacional, para prestigiar a tomada de posse da diretoria do Clube dos Motoristas “O Cisne” que tem como presidente o veterano  carnavalesco  Rubem de Deus. Após um hiato de 2 anos, em virtude da pandemia, o carnaval antonense deverá voltar revigorado em 2023.

Interesse e manifestações espontâneas pelo projeto Corrida Com História!!!

Aqui e acolá, pelo blog ou mesmo pela minha página no Instagram – @pilakooficial – estamos postando manifestações espontâneas da mais variadas pessoas que casualmente nos encontram nas ruas, no tocante ao  projeto por nós inventado e executado que atende pelo nome de “Corrida Com História”.

Com apelo eminentemente local, na medida do possível, procuramos realçar datas, eventos, monumentos, vultos ou mesmo curiosidades atinentes à historiografia antonense. De maneira clara e objetiva,  sempre ao final da nossa salutar atividade física, em vídeo de pouco mais de 50 segundos, compartilhamos conhecimentos construídos  ao longo do tempo, adquiridos  através da leitura dos livros e jornais que contam a história dos nossos antepassados.

Pois bem, recentemente, lá na Oficina Elétrica do amigo “Mutreta”, ao adentrar no espaço e me avistar sentado, o sempre falante  José Carlos foi logo dizendo: “ corrida com história, Pilako…….Zé Ramalho já se apresentou em Vitória ……” . Em seguida emendou uma canção do exótico e sempre atual Zé Ramalho. Por coincidência eu estive em um desses  eventos, promovido pelo produtor Marcos Samurai, lá no Restaurante Recanto Gaúcho (não lembro exatamente a data).

Ao final, para marcar esse casual e interessante encontro, gravamos um rápido vídeo. Ao que parece, o nosso quadro –  “Corrida Com História” –  vem, no bom sentido da palavra, provocando nas  pessoas  das mais variadas classes sociais o interesse pelas coisas da terra, ou seja: aflorando o  chamado sentimento de pertencimento……E isso é muito bom….

 

Tancredo de Almeida Neves, faleceu esta noite – por historia_em_retalhos.

“Lamento informar que o Exmo. Sr. Presidente da República, Tancredo de Almeida Neves, faleceu esta noite no Instituto do Coração, às 10h:23min”.

Com estas palavras, em 21 de abril de 1985, o porta-voz da presidência Antônio Britto anunciava o falecimento do primeiro presidente civil eleito, após 21 anos de autoritarismo.

O Brasil inteiro chorou, em um dos maiores funerais da história do país.

Articulador da redemocratização, o mineiro de São João del-Rei imortalizou-se como o “fiel da transição”, naquela difícil quadra da história.

Opositor moderado do regime militar, foi escolhido para ser o candidato do bloco oposicionista nas eleições indiretas do Colégio Eleitoral, após a derrota da Emenda Dante de Oliveira, que tentara restaurar o voto direto no Brasil.

Saudado como o “candidato da conciliação”, foi eleito presidente, no dia 15.01.1985, recebendo 480 votos contra 180 dados a Paulo Maluf.

Quis o destino que Tancredo passasse a sentir fortes dores abdominais dias antes de sua posse.

Temia-se que os militares da chamada “linha-dura” recusassem-se a passar o poder ao vice-presidente José Sarney.

Em 14.03, véspera da posse, Tancredo foi internado, às pressas, em Brasília, e, após, levado para São Paulo.

Foi um longo calvário de 38 dias, sete cirurgias e uma traqueostomia.

O país acompanhou tenso e comovido.

As ruas próximas ao hospital transformaram-se em local de vigília.

Em 21.04, Tancredo não resiste e morre.

A versão oficial informava que fora vítima de uma diverticulite, mas apurações posteriores indicaram que se tratava de um leiomioma benigno, porém infectado.

Os médicos esconderam, até o fim, a existência de um tumor, devido ao impacto que a palavra câncer poderia provocar naquele momento.

Sarney assume e cumpre a promessa de Tancredo de convocar a Assembleia Nacional Constituinte, que deu ao país a Carta Cidadã de 1988.

“Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, marcou o episódio na memória nacional.

Em tempos de extremismo e culto à desumanidade, trazer, novamente, o legado de moderação e conciliação de Tancredo Neves faria muito bem ao país.
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Antonio Freitas: “eu sou cachorro de rua”….

“Maria vai com as outras” é um jargão popular que, nas entrelinhas, faz  referência  as pessoas que se deixam  levar  por  ideias alheias,  ou seja: abre mão facilmente dos seus princípios e das suas convicções e experiências. Ser radical numa sociedade fluida e mutante,  em que os conceitos são atualizados constantemente  face ao  mundo globalizado no sentido do dialogo on-line, em rede, convenhamos, não é um ativo pessoal para ser exaltado, no entanto, para uma melhor analise,  devemos separara e procurar entender à formação de cada sujeito no contexto do “seu tempo”.

Pois bem, com mais de oito décadas de vida, o amigo Antônio Freitas não se cansa de repetir: “ eu sou cachorro de rua. Não adianta! Eu não me afasto um centímetro disso”. Refere-se ele as suas ideias e conceitos, em meio “aos debates e conversas”, sobretudo nos animados bate papos  com os amigos nos bares da vida.

Tonho, como é chamado pelos mais próximos, é um observador do mundo e um profundo “contabilista” das coisas que giram no seu entorno. Pratica diariamente a leitura e se exercita  na salutar tarefa da reflexão, diante das mais simples coisas. Homem de fé, ainda  traz à ordem do dia todos os ensinamentos recebidos, na qualidade de acólito,  do austero e respeitado Padre Pita.

No contexto da perseverança, junto com o filho, Everton, irá realizar no próximo dia 30 de abril a 41ª edição do Forró do Coelho. A primeira ocorreu justamente em 30 de abril de 1982. Diga-se de passagem: é o evento dançante (particular) mais tradicional da nossa cidade. É algo relevante a ser analisado, sob o ponto de vista da história social da nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão.

Não fosse todos os temas acima sublinhados, sobre o “sujeito antonense Antonio Freitas”,  confesso,  que a motivação principal da construção dessas linhas, realçando alguns dos seus traços pessoais, ocorreu na manhã do último sábado, dia 16/04/2022.

Pois bem, após  conclusão de mais um treino de corrida, esse finalizado até a localidade de  Bonança, como sempre faço, procurei uma condução para voltar para casa. Sem nenhuma escolha prévia adentrei na primeira que passou.  Do alto-falante ecoava o bom e tradicionalíssimo Frevo Pernambucano. Deliciei-me  com a sequência. E tome Frevo……

Quando já estou quase chegando  – passando pelo bairro de Redenção – o frevo cessa e entra as informações da emissora: Rádio Atual FM e o patrocinador do programa de frevo é a Loja Bem Me Quer, cujo proprietário é o nosso Antônio Fernando de Freitas. Para concluir : Tonho é Santo Antão, Forró do Coelho e Carnaval o Ano Inteiro….Como ele diz : “NÃO ME AFASTO UM CENTÍMETRO….”

Há 79 anos, nascia a Universidade Católica de Pernambuco – por historia_em_retalhos.

Em 18 de abril de 1943, há 79 anos, nascia a Universidade Católica de Pernambuco, por iniciativa dos padres jesuítas, sendo considerada a primeira instituição de ensino superior totalmente católica das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Por suas cadeiras, inúmeras gerações de estudantes já passaram, recebendo uma formação superior pautada em um forte sentimento de humanismo.

Parabéns à UNICAP e a todos os seus estudantes, professores e funcionários!

Na foto , o “Monumento à Juventude”, de Abelardo da Hora (1980).

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O tempo e o relógio de pedra e sol dos franciscanos de Olinda – por Marcus Prado.

Na Sexta-Feira Santa fui rever a Igreja de Nossa Senhora do Terço, no secular bairro recifense de São José, onde houve um acontecimento histórico: em 13 de janeiro de 1825, o frade carmelita, de 46 anos, frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o Frei Caneca, foi levado da calçada dessa igreja para o Forte de São Tiago das Cinco Pontas, para ser executado por um pelotão militar por sua participação na Confederação do Equador, revolução republicana ocorrida em Pernambuco, em 1824. Lembro que é do dramaturgo, escritor, ficcionista e historiador Cláudio Aguiar, da Academia Pernambucana de Letras e ex-presidente do Pen Clube do Brasil, o que melhor foi escrito até hoje sobre o drama que envolveu esse herói e mártir pernambucano: O Suplício de Frei Caneca, uma peça de teatro que honra a dramaturgia brasileira.

Interessava-me saber como estava sendo preservado esse patrimônio histórico e como ainda existia o seu relógio grande de parede. Um relógio de igreja humilde e de poucos paroquianos que me conduz, pelo olhar, a outros relógios de templos católicos, que conheci. Ao da Catedral de Notre Dame, de Paris, ao da Catedral de Praga; ao relógio astronômico, uma peculiaridade da catedral de Strasbourg, na Alsácia. Não entro num templo católico sem antes olhar para seu relógio litúrgico, neste artigo procuro dizer sobre a importância muito além de subjetiva desse símbolo e seu valor incontrastável.

Henry Bergson, um daqueles que põe fim à era cartesiana, quis demonstrar que a autêntica vida está nos símbolos. Os relógios das nossas igrejas, ao lado dos sinos, carregam uma forte carga de simbolismo. Os relógios das igrejas do Cristianismo, nas suas edificações, tenho para mim, assemelham-se a uma escritura cifrada. O tempo: nos textos de interpretação bíblica estão o seu deciframento, a sua substância: o tempo. De mais a mais, na filosofia, de maneira magistral, fonte inspiradora de Aristóteles, Spinoza, Husserl e Heidegger, o tempo e a eternidade em Tomás de Aquino, sem os quais estaríamos ainda na fase primária de conhecimento do tempo, a apreensão do seu eterno fluir, a sua essencialidade mais profunda, apreensível apenas por intuição inefável mais alta, como diria Bergson.

Juntos com o tempo se esvai a nossa vida, a dos outros e a do mundo, as nossas alegrias e tristezas, as nossas perdas e ganhos. O relógio e o contágio dos seus braços na busca incessante de cada um dos nossos instantes, até o nosso inevitável perecimento.

A grande beleza dos relógios das nossas igrejas não reside nos detalhes, quando vistos – o que deles sugere, avassaladoramente provocador – sob o ângulo da durabilidade infinita, até quando as suas lâminas estão imóveis, mas não inertes. (Immotus nec iners). Vejo os relógios litúrgicos como o tempo com o ritmo de Deus, o relógio infalível do tempo, a imagem móvel do infinito e do eterno, no dizer de Platão, para se compreender a teoria clássica aristotélico-tomista do movimento, que já entre os Gregos homéricos – kairós – simbolizava a ideia de suas qualidades divinas e subjetivas. O eterno devir dialético dos seres do mundo, que resulta, para muitos, numa tremenda e desconcertante perplexidade bem conhecida no pensamento contemporâneo. O tempo, inspirador de uma das poucas obras filosóficas indispensáveis para a cultura de um país: Ser e Tempo, de Martin Heidegger, ele que teve como assistente e tradutora no Brasil a pernambucana Maria do Carmo Tavares de Miranda,

E o que dizer dos primitivos relógios de sol e pedra? Em nada se diferem no seu conteúdo e essência de simbolismo. Volto sempre ao relógio de sol e pedra da igreja do convento olindense dos franciscanos, como se nunca o tivesse visto. Está ali, no mesmo lugar, desde 1855, a nos mostrar o passar do tempo, como se este fosse uma substância que pudéssemos apalpar, com duração em eterno devir. Do século 18, um dos mais antigos do país, o relógio de sol e pedra parece desafiar as nossas imperfeições, qual esfinge grega, no terraço descoberto de frente para o mar, perto do bloco conventual,

Os relógios das igrejas e catedrais como sendo partes da liturgia do sagrado, o tempo no seu movimento contínuo, em cujo seio heterogêneo e móvel se integra à consciência, na incomensurabilidade do infinito, à cristalização da ideia de um motor movido antes dele: Deus.

Marcus Prado – jornalista

 

19 de abril: dia do índio – por historia_em_retalhos.

O dia foi estabelecido, no Brasil, pelo Decreto-Lei n.° 5.540, assinado por Getúlio Vargas, em 1943.

E qual a razão da data?

Isso porque, em 19 de abril de 1940, várias etnias e lideranças indígenas reuniram-se no Primeiro Congresso Indigenísta Interamericano, realizado no México, para lutar pelo reconhecimento de seus direitos.

Ser um indígena no Brasil, em pleno século 21, ainda é um ato de muita resistência.

Na foto, registro das entidades dos “praiás”, do povo indígena Pankararu, originário do município de Tacaratu/PE, sertão de Pernambuco.

Tive a oportunidade de passar o dia 19 de abril do ano de 2017 junto ao povo Pankararu, em sua aldeia.

Experiência cultural inesquecível.
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A MORTE DO DONO DA FUNERÁRIA – por Adelson Cardoso.

A MORTE DO DONO DA FUNERÁRIA
(O PAPA DEFUNTO)

Lá na minha pequena cidade natal, no interior de Pernambuco, o povo sofria muito com as dificuldades da vida, pois não havia grandes empresas comerciais nem industriais, a população vivia da dependência da produção agrícola dos pequenos sitiantes. Como conseqüência da falta de empregos para a mão de obra jovem, àqueles rapazes e moças mudavam para outras cidades maiores em busca de trabalho e de melhora nas condições de vida. Isso era fato corriqueiro em quase todas as famílias da cidade.

Com a família do seu José, esposo de dona Maria e pai de quatro filhos- José, João, Antonio e Maria- não era diferente. Ao chegar à idade de buscar emprego, os irmãos se mudaram para São Paulo levando em suas bagagens pouca experiência e muita esperança.

Seu José era dono de uma pequena bodega, onde negociava vendendo poucas coisas, tais como, querosene, sal, farinha, sabão em barra, óleo, carne de charque, bolachas e outras coisinhas, negócio sem muita lucratividade não lhe permitindo ter condições de criar e manter aqueles filhos dentro de casa. Assim, apesar do choro e da saudade dos meninos permitiu que fossem procurar uma melhora de vida noutro lugar mais desenvolvido, por isso foram parar em São Paulo.

Os irmãos mais velhos, José e João, já acostumados com a lide do trabalho na roça, eram fortões e musculosos e logo que chegaram a São Paulo foram trabalhar como serventes de pedreiros na construção civil e nas folgas e feriados começaram a treinar lutas marciais numa academia próxima de casa, tornando-se, após um tempo, grandes e famosos lutadores do MMA. A irmã Maria arranjou um emprego de vendedora de loja, logo se casou com o gerente da loja. Já o irmão Antonio também se arrumou e trabalha como cobrador de ônibus.

O tempo passou e seu José ficou muito doente. Cidade sem médico e doença difícil de curar. Dona Maria providenciava todos os tipos de chás, garrafadas e todas as mezinhas que lhes ensinavam e nada de seu José melhorar. Foi parar na cama, já não andava e nem queria comer. A enfermeira do posto de saúde, que tinha a fama de muito fofoqueira, diariamente ia à casa do doente e lhe aplicava injeção e nada do seu José melhorar. A notícia caiu nos ouvidos do povo da cidade dizendo que seu José estava morrendo. A enfermeira jurava que não tinha sido ela a divulgadora de tão triste notícia, apesar do Sr. Jorge Martírio, mais conhecido como PAPA, dono da única funerária da cidade ser primo legítimo da enfermeira.

Após a divulgação daquela notícia o seu PAPA passou a ir, diariamente, duas vezes na casa do seu José, saber notícias do estado de saúde do doente:

Primeiro dia:

– Papa: bom dia dona Maria, com está seu marido?

– Esposa: bom dia seu Papa, ele está na mesma situação

– Papa: boa tarde dona Maria, seu José como está?

– Esposa: boa tarde seu Papa, tudo igual, nenhuma melhora.

Segundo dia:

– Papa: bom dia dona Maria e aí como está o doente?

– Esposa: só a graça de Deus sabe.

– Papa: boa tarde dona Maria tem notícia boa para mim?

– Esposa: sim, ele deu uma melhorada hoje.

– Papa murmurando: notícia boa nada. Horrível, estou precisando vender um caixão.

Terceiro dia:

– Papa: Bom dia dona Maria o homem ainda está vivo?

– Esposa: claro que está vivo, graças s Deus.

– Papa: dona Maria a senhora me permite que eu entre até o quarto do defunto, digo do meu cliente para tirar as medidas dele para ir adiantando a confecção do caixão?

– Esposa: o Senhor é doido? Claro que não, meu marido está vivo.

– Papa: está vivo por pouco tempo, logo vai precisar do caixão e eu vou ter que fazer as pressas, isso fica mais caro para a família do defunto e a senhora já podia ganhar esse desconto.

– Esposa: credo em cruz seu Papa, vá embora pelo amor de Deus. Entrou em casa chorando.

Quarto dia:

– Papa: bom dia dona Maria, o homem ainda está vivo? Ele é muito forte, heim?

– Esposa: graças a Deus está vivo e melhorando.

– Papa: dona Maria a senhora sabe por que eu sou conhecido por PAPA?

– Esposa: claro que não! Não conheço a sua vida.

– Papa falando: pois é, sendo eu o dono da funerária da cidade, tenho muita experiência com doentes e sei quando a pessoa vai morrer ou vai escapar. Por isso que o povo me chama de PAPA DEFUNTO. Eu tenho certeza que seu José vai morrer logo e sem demora.

– Esposa: homem vá embora pelo amor de Deus, entrou chorando.

Passou mais uma semana e aquela situação não mudava. O PAPA defunto continuava indo à casa de seu José diariamente, para perguntar a velha senhora se o marido já havia morrido: gritava lá do portão: dona Maria o homem já morreu? …..Ainda não!!!?….. Puxa vida, este véio é duro na queda,……. Nada ainda? …..

Certo dia, o PAPA defunto gritou lá do portão: dona Maria aqui é o PAPA, me dê uma boa notícia, hoje.

– dona Maria apareceu chorando ao portão, seguida pelos dois filhos, José e João, LUTADORES DE MMA, que se dirigindo ao PAPA DEFUNTO lhe disseram: nós vamos arranjar um defunto para tua funerária e em seguida deram uma boa surra no PAPA DEFUNTO.

Em seguida os irmãos providenciaram a mudança dos pais para São Paulo e o PAPA DEFUNTO ficou no morre/não/morre no posto de saúde e não tinha nem um caixão de defunto pronto para ele.

Adelson Cardoso Escritor bissexto abril/2022.