6ª Festa da Saudade – Super OARA – 19 de agosto.

Já estamos fazendo as reservas de mesas e camarotes para a 6ª Edição da Festa da Saudade que acontecerá com no Clube Abanadores “O Leão” e terá com principal atração musical a Orquestra Super OARA.

SERVIÇO: 

Evento: 6ª Festa da Saudade.

Local: Clube Abanadores “O Leão”.

Data: 19 de agosto.

horário: a partir das 21h. 

Reservas de Mesas e Camarotes: Pilako – 9.9192.5094. 

O poeta Tomás Seixas – por Marcus Prado

NUNCA, no passado não muito distante, o bairro boêmio do Recife Antigo, a lembrar a famosa casa noturna Chantecler, teve um frequentador de hábitos tão refinados, trajes de linho branco e gravata borboleta, anel de brilhante, como o poeta Tomás Seixas.

Diante dos demais notívagos, tinha um diferencial: depois das primeiras doses, cercado de mulheres preferidas dos marinheiros, ele dizia em voz alta, de cór, longos trechos em idioma inglês, de “Ulisses”, de James Joyce, seu poeta preferido.

Ele escolhia sempre, nos seus “saraus” literários, ao dizer o poema de Joyce, o seu aspecto mais fundamentalmente enigmático. O som da vitrola parava e as mulheres, mudas, entreolhavam-se. Nada diziam, era um hábito.

OITO HORAS DA MANHÃ, casa número 7 da rua Eccles, noroeste de Dublin. Leopold Bloom (*) prepara o café da manhã para si, para a mulher e para o gato. Recife, antiga rua do bairro das Graças, Tomás Seixas volta para casa, prepara o café da manhã para si e para o gato.

Marcus Prado – jornalista 

(*) Leopold Bloom é um personagem idealizado pelo escritor James Joyce, como herói cômico do livro Ulisses.

Censo 2022 – crescemos 4,76% já em 1838, 22% da nossa população era formada por pessoas escravizadas.

Divulgado recentemente, o apanhado realizado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – trouxe os números do Brasil de 2022. A última referência era de mais de uma década, ou seja: de 2010. Nesse período, a população  do Brasil atingiu a marca de 203 milhões de habitantes (203.062.512). Um aumento de 6,5%. Nosso estado, Pernambuco, em percentuais,  avançou menos,   ou seja: 2,98% – 9.058.155 de habitantes.  

Nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão -, após a divulgação mais recente, chegou aos 134.110 habitantes, isto é: teve um  aumento  de 4,74% – cresceu menos que o Brasil e mais que Pernambuco. Segue outros números da Vitória de Santo Antão no contexto atual – Censo 2022:

10ª cidade do Estado – 46ª cidade do  Nordeste – 222ª cidade do País.

Apenas a título de curiosidade, revirando meus arquivos, encontrei o mapa estatístico da então Vila de Santo Antão que reflete, com riqueza de detalhes,  os números da nossa população em 1838 – justamente 5 anos antes de recebermos o título honorífico de cidade, ocorrido em 06 de maio de 1843. Naquela ocasião, possuíamos quase 20 mil habitantes – 19.822.

Pois bem, se bem observado, apenas um estrangeiro residia no nosso lugar, em 1838. Outra informação que merece destacar é que meio século antes da abolição da escravidão no Brasil (13 de maio de 1888),  em nossas terras, pouco mais de 22% da população era formada por mão de obra de pessoas escravizadas.

É vida que segue. Num futuro mais ou menos breve estaremos todos nessa mesma condição, ou seja: seremos apenas números……

A Lei de Tortura – por @historia_em_retalhos.

Quase uma década após a promulgação da CF/88, em 7 de abril de 1997, foi sancionada a Lei n.° 9.455 – a Lei de Tortura.

O que poucos sabem, porém, é que esse diploma nasceu na esteira da divulgação de uma reportagem extremamente impactante.

No dia 31 de março de 1997, foi ao ar uma matéria do Jornal Nacional que desnudou para o mundo o famigerado Caso Favela Naval, ocorrido em Diadema/SP.

A reportagem conduzida pelo repórter Marcelo Rezende mostrou um grupo de policiais militares do 24.º Batalhão extorquindo dinheiro, humilhando, espancando e executando pessoas em uma blitz na Favela Naval.

As imagens foram gravadas em fita VHS pelo cinegrafista amador Francisco Vanni, que as repassou para a Rede Globo.

Na madrugada do dia 7, a situação chegaria ao seu extremo: os PM’s abordaram um automóvel que passava pela favela para roubar os ocupantes do veículo.

Isso mesmo: roubar.

Como os três homens não tinham dinheiro, foram torturados.

Os policiais deitaram o motorista sobre o carro e passaram a agredi-lo com golpes de cassetetes.

O PM Nélson Soares optou por bater nos pés do rapaz, enquanto o companheiro Otávio Gambra, também conhecido como “Rambo”, desferiu golpes na cabeça, braços, costas e abdômen.

Depois, os amigos foram liberados e entraram no carro, quando Rambo efetuou dois disparos, matando Mario José, de 29 anos, que estava no banco de trás, com um tiro na nuca.

As imagens passaram em horário nobre e rodaram o mundo.

Nove policiais foram expulsos da corporação.

Rambo, líder dos envolvidos, tornou-se um símbolo da violência policial no país, sendo condenado a 65 anos de prisão.

Em verdade, amigos, a história mostra que a prática odiosa da tortura está arraigada no processo autoritário de formação da sociedade brasileira.

Seja contra o preso político, seja contra o cidadão comum, o fato é que esta sociedade verticalizada e marcada pelo flagelo perverso da escravidão passou a admitir, ao longo dos séculos, que pessoas sejam objetalizadas e consideradas coisas, especialmente, as pobres e negras.

Se você não sabia dessa história, difunda.

A pior violência será sempre aquela praticada pelo próprio Estado.
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A Justiça Eleitoral e o olhar para o movimento LGBTQIA+ : por Diana Câmara

O Dia Internacional do Orgulho Gay é comemorado anualmente em 28 de junho. Também conhecido como Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, esta data tem o principal objetivo de conscientizar a população sobre a importância do combate à homofobia para a construção de uma sociedade livre de preconceitos e igualitária, independente do gênero sexual.

A Justiça Eleitoral tem acolhido a causa LGBTQIA+ numa tentativa de minimizar os preconceitos, aumentar a representatividade e combater a homofobia.

Com a proximidade de um novo ano eleitoral, eleitoras e eleitores que vão escolher seus representantes ou se candidatar e que desejem mudar seu nome no cadastro eleitoral para seu nome social tem como prazo final o dia 8 de maio do próximo ano, 150 dias antes do primeiro turno das eleições municipais, que ocorrerá no dia 6 de outubro de 2024. A data vale também para quem vai emitir a primeira via do título.

Desde 2018, a plataforma Título Net, da Justiça Eleitoral, possibilita a inclusão de um nome social, que é a designação pela qual a pessoa travesti ou transexual se identifica e é socialmente reconhecida, e que não se confunde com apelidos. Para isso, basta acessar a página, preencher o requerimento com os documentos necessários e enviar para a respectiva zona eleitoral. A apresentação de documento anterior em que conste o nome social é opcional, pois, para a Justiça Eleitoral, a autodeclaração da eleitora ou do eleitor já é suficiente.

Nas últimas eleições, em 2022, 37.646 eleitores com nome social estavam aptos a votar. Esse número representa um salto de 373,83% em comparação com 2018. Desses, 20.129 se identificam com o gênero feminino, e 17.517 com o masculino. Grande parte dessas eleitoras e eleitores (5.440) é jovem e tem entre 21 e 24 anos. Em seguida aparece a faixa que vai dos 25 aos 29 anos, com 4.986 pessoas. São Paulo (SP), maior colégio eleitoral do Brasil, é a unidade da federação que concentra a maioria do eleitorado com nome social. No estado, votam 10.035 pessoas que solicitaram o serviço à Justiça Eleitoral, o que equivale a 26,6% da quantidade de eleitores com nome social.

Recentemente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, recebeu uma comissão formada por parlamentares, advogados e representantes dos movimentos LGBTQIA+. No encontro, o grupo reivindicou a inclusão de informações sobre orientação sexual e identidade de gênero nos cadastros de eleitores e de candidatos como forma de ampliar o número de candidaturas dessa comunidade no processo eleitoral e o Presidente do TSE ressaltou que as reivindicações são absolutamente fundamentais e legítimas, e se prontificou a apresentar, o mais rapidamente possível, proposta para a obrigatoriedade da identificação de homens ou mulheres transgênero nos formulários de filiação a partidos políticos e afirmou que assim, a identificação constará automaticamente na filiação e no registro de candidatura, o que pretende que seja implantado já para as próximas eleições.

O ministro admitiu que alcançar um número significativo de registros com identificação de gênero no cadastro eleitoral e nas candidaturas ainda é um desafio, mas reconheceu que a sociedade e a Justiça Eleitoral já avançaram bastante em temáticas semelhantes. “Mesmo num país da nossa dimensão, num país conservador como o Brasil, conseguimos avançar em vários temas, como nas candidaturas das mulheres, de negras e no combate às candidaturas fictícias”, afirmou na ocasião.

O respeito à orientação sexual e à identidade de gênero é algo fundamental numa sociedade livre e que respeita a democracia. Não importa se uma pessoa é heterossexual, homossexual, bissexual, transgênero, travesti ou intersexo, o importante é ser respeitada como um ser humano e ter todos os seus direitos garantidos.

*Advogada especialista em Direito Eleitoral e em Direito Público. Presidente da Comissão de Relações Institucionais da OAB-PE e ex-presidente das Comissões de Direito Eleitoral e de Direito Municipal.

Blog do Magno. 

6ª Festa da Saudade – Super OARA – 19 de agosto.

Já estamos fazendo as reservas de mesas e camarotes para a 6ª Edição da Festa da Saudade que acontecerá com no Clube Abanadores “O Leão” e terá com principal atração musical a Orquestra Super OARA.

SERVIÇO: 

Evento: 6ª Festa da Saudade.

Local: Clube Abanadores “O Leão”.

Data: 19 de agosto.

horário: a partir das 21h. 

Reservas de Mesas e Camarotes: Pilako – 9.9192.5094. 

A Passeata dos Cem Mil – por @historia_em_retalhos.

Há exatos 55 anos, em 26 de junho de 1968, acontecia, no Rio de Janeiro/RJ, a Passeata dos Cem Mil, uma das mais expressivas manifestações populares da história republicana brasileira.

Com a deflagração do golpe militar de 1964, prisões e arbitrariedades eram as marcas da ação do governo instalado pela força.

A repressão policial teve um dos seus pontos altos no final de março de 1968, com a invasão do Restaurante Calabouço, onde os estudantes protestavam contra a elevação do preço das refeições.

Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, matou o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, com um tiro à queima roupa no peito.

O fato, que comoveu o país, acirrou os ânimos.

Diante da repercussão negativa do episódio e após uma sucessão de outros atos marcados por violência, prisões e mortes, o comando militar consentiu com a realização de uma manifestação estudantil, marcada para o dia 26 de junho.

Segundo o regime, dez mil policiais estariam prontos para entrar em ação, caso fosse necessário.

Além dos estudantes, artistas, intelectuais, políticos e outros segmentos da sociedade civil juntaram-se à passeata.

Ao passar em frente à igreja da Candelária, a marcha interrompeu o seu andamento para ouvir o discurso inflamado do líder estudantil Vladimir Palmeira (foto), que lembrou a morte de Edson Luís e cobrou o fim da ditadura militar.

Tendo à frente uma enorme faixa, com os dizeres: “Abaixo a Ditadura. O Povo no poder”, a passeata prosseguiu, durante três horas, encerrando-se em frente à Assembleia Legislativa, sem conflito com o aparato policial que acompanhou toda a manifestação popular.

Lamentavelmente, nenhuma das reivindicações dos manifestantes foi atendida.

Ao revés, à medida em que cresciam os atos públicos contra a ditadura, também crescia a ação repressiva do governo militar, em todo o território nacional.

O ápice desse processo deu-se em 13 de dezembro daquele ano, quando foi promulgado o AI-5, marcando o início do período que ficou conhecido como “Anos de chumbo” da ditadura militar brasileira.

#ditaduranuncamais
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Quem será o candidato a vice-prefeito de Paulo Roberto em 2024?

Enquanto o festejo junino segue, a juízo dos profissionais da política, o mesmo  cumpre o papel de entreter os eleitores,  enquanto suas excelências aproveitam para aprofundar a armação do tabuleiro político, visando o próximo pleito eleitoral, diga-se: eleições municipais 2024.

Vale salientar que praticamente daqui a um ano estaremos vivenciando as chamadas convenções partidárias que tem, entre outras funções, a finalidade  de definir as candidaturas para o pleito que se avizinha, ou seja: vereadores, prefeito e vice-prefeito.

No mundo político antonense não paira nenhuma dúvida de que o prefeito Paulo Roberto já ligou a chave da sua reeleição. Nos bastidores, dizem também, aliás, gente do seu próprio grupo, que o prefeito também já colocou o óleo na frigideira para fritar o seu vice – Professor Edmo Neves.

Unidos pelo instinto da sobrevivência política  na eleição municipal de 2020,  agora, os dois – prefeito e vice –, na surdina,  jogam o inevitável  jogo do poder, isto é: reeleição e sucessão……

Desde o primeiro prefeito que tentou a reeleição na terra de João Cleófas que o vice do primeiro mandato não ficou bem na fita. Será que, agora,  com o prefeito Paulo Roberto o vice (Edmo Neves)  ficará?  Vejamos:

Eleito em 2000 numa eleição improvável, o cacique José Aglailson se abraçou com o bem relacionado Biu da Morepe. Mas quem disputou e ganhou como vice, em 2004, foi Demétrius Lisboa.

 

Traído pelo primo que recebeu seu apoio na reeleição, o então deputado estadual Henrique Queiroz, em 2008, se configurou numa espécie de  maestro na vitória política/eleitoral em cima do grupo dos  “Querálvares”, ao colocar o seu filho de vice na chapa encabeçada pelo também deputado Elias Lira. Passado quatro anos, o Queiroz Filho até foi mantido na chapa para disputar a reeleição, mas ao final dos oito anos como vice, o mesmo não foi escolhido como  o candidato a prefeito para representar o então alardeado grupo verde/amarelo.

Em 2016, numa eleição jogada e dividida  estrategicamente, chegou ao poder central do munícipio,  pela primeira vez,  o então deputado Aglailson Júnior,  tendo na vice o bem conceituado médico e vereador Saulo Albuquerque que contribuiu decisivamente na computação geral dos votos à chapa vencedora. Escanteado na administração e rompido publicamente o mesmo (Saulo) foi substituído no processo da reeleição,  em 2020,  pelo ex-deputado Henrique Queiroz.

Como podemos observar, desde a implantação da reeleição (1998),  o vice-prefeito dos primeiros mandatos na nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – não avançaram no jogo majoritário do pleito municipal.

Voltando ao atual cenário político local, o  prefeito Paulo Roberto sabe que em caso de reeditar a mesma chapa (Paulo/Edmo),  e logrando êxito eleitoral em 2024, estaria quase que ratificando o nome do professor Edmo Neves como o candidato a prefeito do grupo em 2028. Essa seria a sequência natural do processo.

Pois bem, fica então a seguinte pergunta: será mesmo que Paulo Roberto, em caso de vitória na reeleição, estaria disposto a entregar o processo da sucessão municipal nas mãos do seu vice-prefeito Edmo Neves?

Eis que surgem algumas encruzilhadas políticas que o atual prefeito, doravante,  terá que avaliar para, ao mesmo tempo, enfrentá-las:

  • Qual o verdadeiro peso político/eleitoral de professor Edmo Neves no atual cenário?
  • Se descartado o atual vice-prefeito,  Edmo Neves,  qual estrago ele poderia causar no processo da reeleição do atual prefeito?
  • Havendo substituição,  quem seria o candidato a vice na chapa de Paulo em 2024: seria alguém com peso político ou ele faria como o Zé do Povo,  que colocou uma pessoa da sua “cozinha”  ou  Paulo iria buscar um  nome de dentro da FACOL?
  • Nesse processo de escolha/substituição qual o verdadeiro peso da opinião de  Elias e Joaquim?

Como podemos observar, no jogo político não há espaço para amadores. Portanto, para encerrar essas linhas, sublinho  a seguinte pergunta: o atual vice-prefeito Edmo Neves constará na chapa majoritária no processo da reeleição do atual prefeito,  Paulo Roberto?

SÃO JOÃO NO TEMPO DE EU MENINO – por Sosígenes Bittencourt.


Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar o milho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado. O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé de moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.

Sosígenes Bittencourt

Lá se vai meu São João – vale a pena ler…

Posto novamente, artigo abaixo, o texto do Desembargador Federal, Paulo Roberto de O. Lima,  realçando o São João da sua infância e suas “traquinagens”. Vale a pena ler. Postado no nosso blog no dia 24 de junho de 2013 – há 10 anos. 

Lá se vai meu São João

PAULO ROBERTO DE O. LIMA – DESEMBARGADOR FEDERAL

Hoje, pela manhã, ouvindo as notícias de minha terra (Alagoas) soube que o Ministério Público celebrara com a prefeitura, e com o governo estadual, um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) disciplinando as dimensões e a composição das fogueiras de São João. A partir deste ano, só serão admitidas as de menos de um metro de altura, de largura inferior a sessenta centímetros. A norma, quanto ao material empregado, é mais draconiana: só serão admitidos arbustos, aglomerados, compensados sem pinturas e vernizes (estas coberturas, uma vez queimadas, exalam gases malignos) e, principalmente, uma espécie de tora feita de bagaço de casa prensado, de uso corrente em fornos de padaria.

Lá se vai meu São João. Lá se vão os cheiros preciosos de “minha infância querida que os anos não trazem mais”. Que graça pode ter uma fogueirinha de bagaço de cana?!

A notícia me deixou triste e preocupado. Comecei a refletir sobre ocupações de minha infância e descobri-me um criminoso de muita periculosidade. Quase tudo o que fazia em menino hoje é proscrito e, por vezes, punido com cadeia.

Fiz e queimei fogueiras invejáveis, grandes, muito acima de minha altura, todas de toras de madeira maciça, quase sempre sobra das podas das jaqueiras, das mangueiras e de outras fruteiras que guarneciam a chácara de meus avós. Soltei balões às pencas. Criei, treinei e pus a brigar falos, canários e peixes beta. Aliás, com os primeiros tive verdadeira relação de adoração.

Na varanda de minha casa de menino jamais faltaram gaiolas com sabiás, curiós, galos de campina, guriatãs, papa-capins, sanhaços, caboclinhos, canários etc… eram os amores de meu pai. Passei dias e dias, manhãs inteiras e imperdíveis, escondido sob alguma árvore amiga, com a “chama” e a arapuca, com coração aos pulos, na cata de passarinhos canoros. Cacei com peteca (estilingue), bodoque, espingarda de ar comprimido e, já grandinho, com espingarda de cartucho que eu mesmo fazia na véspera, com espoleta, chumbo, pólvora, estojo e fios de corda para tampar.

Naquela época não tínhamos brinquedos industrializados, não tínhamos os ipads, ipods, iphones da vida. Nem mesmo televisão tínhamos na pequena cidade do interior. Só nos restava “delinquir”.

Penso que para um juiz rigoroso, até nosso pião natural, feito de goiabeira, que zoava na palma da mão, era vedado posto que não receberia o licenciamento ambiental dos Ibamas da vida. É difícil encontrar uma só das tantas atividades lúdicas de minha infância puríssima que não seja contravenção penal ou ilícito administrativo. Ainda bem que eu era “de menor”.

(DIÁRIO de PERNAMBUCO – Recife, domingo, 16 de junho de 2013 – pág B9)

 

…e o São João era assim… – Por Alfredo Sotero (em 1947)

Texto publicado no Jornal O Victoriense em 23 de Junho de 1947 – há exatos 76 anos.

Quando o Brasil era brasileiro e não havia comunistas, nem as moças solteiras sabiam as coisas que sabem hoje, o São João era tão lindo!

De manhã, os bacamartes estrondejavam defronte da igrejinha, nas perigosas viradas do cocho; e os meninos acordavam assustados, querendo saltar da cama de camisola arrastando, para verem como se acordava São João, que a lenda suave dizia que estava dormindo sem parar, no silêncio do céu.

De noite, depois de cear pamonha de coco, canjica, milho verde assado, milho verde cozido, bolos sem conta, a gente ia acender a fogueira votiva que ardia estrelejando o espaço com milhões de trêmulas centelhas. E ia ver no espelho ou na bacia com água, à luz fugaz, às próprias faces, para saber se para o ano ainda estava vivo. E a Maroquinha, a moça nervosa, espiava e não via, por mais que fizesse, e saía chorando pela casa, a dizer a todos que no ano seguinte já não era deste mundo.

E os “mosquitos” passando pelos pés da gente, as meninas correndo e chorando, para as queixas sem fim às mamãezinhas, contra os meninos desesperados, que só queriam jogar nelas os “diabinhos”…

E o Sebastião, um moleque escanzelado e fedorento, que tinha fé em São João, mas muito em Nosso Senhor Jesus Cristo, e espalhava as brasas da fogueira, que parecia então uma enorme melancia de fogo e madura, aberta, sobre cujas as brasas o moleque danado passava, indo e vindo, como se pisasse flores, mostrando a força da fé…

E os rapazes da vila, depois que as devotas voltavam do terço, para se mostrarem às namoradas, acendiam os buscapés, que abriam na noite as faixas fulgurantes, como línguas de prata líquida, que, soltos no ar negro e calmo, cabriolavam, tombando depois sobre a terra, numa agonia luminosa, estertorante, envoltos num sudário de luz irisada e diáfana, como uma aurora sidérea, nas desoladas regiões polares.

Tudo passou. Calaram-se os bacamartes que os doutores desbrasileirados sepultaram nos báratros do oceano. Tudo se foi. Somente a saudade no coração da gente que ainda vive, vinda daqueles tempos felizes, ainda chorando na estrada do tempo. E quando todos morrerem tudo será silêncio, que é o tumulo branco das recordações extintas.

Alfredo Sotero de Farias, foi natural de Apoti, (Glória do Goitá), diplomado em Farmácia e Química, exerceu sua profissão em Laboratórios. Frequentando, desde a adolescência, esta cidade e possuindo acentuado pendor para as letras, colaborou na imprensa local e na interiorana, passando a ser assíduo colaborador do Jornal do Commércio, do Recife. Foi um dos fundadores da “Academia de Letras dos Supersticiosos”, com Samuel Campelo, Célio Meira, José Miranda e outros. Em dezembro de 1915, adquiriu e instalou a Rua Barão de Rio Branco nº 22 uma tipografia (Tipografia Gutemberg), que depois vendeu a Célio Meira, na qual foi impresso o bi-semanário “A Coluna” (1916 – 1919), um dos mais bem elaborados jornais do interior. Faleceu em 1981.

6ª Festa da Saudade – Super OARA – 19 de agosto.

Já estamos fazendo as reservas de mesas e camarotes para a 6ª Edição da Festa da Saudade que acontecerá com no Clube Abanadores “O Leão” e terá com principal atração musical a Orquestra Super OARA.

 

SERVIÇO: 

Evento: 6ª Festa da Saudade.

Local: Clube Abanadores “O Leão”.

Data: 19 de agosto.

horário: a partir das 21h. 

Reservas de Mesas e Camarotes: Pilako – 9.9192.5094. 

As bodas de prata da saudade – por José Aragão – há 76 anos.

Com o pseudônimo de Justino d Ávila, escreveu o mestre Aragão, para a edição do jornal “O Vitoriense”, em 23 de junho de 1947. há 76 anos. 

1922. Quase que se pode dizer: ontem. Entretanto, que diferença tão grande para este tempo junino?

Reporto-me aos meus catorze anos, para recordar as encantadoras noites consagradas aos três santos juninos, com as quais os vitorienses desse tempo enfeitavam a vida da mais delicada e enternecedora poesia.

À frente de quase todas as casas da cidade, ardiam as fogueiras, simetricamente erguidas, fazendo ressaltar entre as chamas crepitantes as palmas de dendê e as bandeiras de papel.

Raríssima a residência em cuja sala principal não estava imponentemente confeccionado o altar de São João! Altar cheio de flores, onde a tarlatana e o prateado da armação lhe davam uma imponência especial. Velas acesas, incenso e cânticos religiosos em louvor ao maior dos precursores. Depois do exercício religioso, os fogos de salão: o craveiro, o diabinho, o mosquito, o busca-pé, com a sua “faixa’ clássica e impressionante, os balões…

À noite, todas as mesas confraternizavam na mesma disposição e no mesmo aspecto. Pobres ou ricas, ninguém lhes distinguia o sabor, pois o tempo não lhes permitia distinções nos cardápios  e nem sequer nos paladares: canjica, pamonha, pé-de-moleque, tudo de milho, tudo ao coco, tudo em manteiga…

Nas casas da cidade, entretanto, os festejos se diferenciavam nas danças e “cantigas”. Tanto naquelas entre si, como nas modestas vivendas dos arrabaldes. De uma dessas residências urbanas, saía o vozeiro alegre da criançada:

“Capelinha de melão

É de São João,

É de cravo, é de rosa,

É de manjericão.”

E de outra casa contígua:

“No altar de São João

Nasceu uma rosa encarnada.

São João subiu ao céu

Foi pedir pela casada.”

E o estribilho, uníssono:

“São João!

Nosso pai, nosso doce, nosso bem

Quem não venera São João

Não venera mais ninguém.”

Já na residência fronteiriça, as moças e os rapazes, formando uma enorme roda, de mãos dadas, cantavam alvoroçadamente, estridente e animadamente:

“Lesou, lesou!

Ora vamos vadiar

Cavalheiro deixe a dama

Ora vamos vadiar

Que esta dama não é sua

Ora vamos vadiar!”

E nos subúrbios, nas casinhas humildes, eram o bomboleio  rítmico do “coco” na “cantiga” dolente da gente simples “do mato”:

“Vamos pegá e só cá mão

Qui hoje é dia de São João”

O resfolegar das sanfonas, as quadrilhas e os xotes…

25 anos de recordações ameníssimas. 25 anos de bondade e inocência, que passaram e que os asfaltos, a eletricidade, o “jazz”, os coquetéis e os “shows” não deixam mais voltar. 25 anos dos nossos avós, dos nossos pais, da nossa meninice!

25 anos atrás, quando São João era o santo do Brasil e o Brasil a terra de São João. 25 anos …25 anos!… Bodas de prata de saudade!”

Jornal “O Vitoriense”, em 23 de junho de 1947. há 76 anos.