
Na última sessão, dia 08 de outubro, o vereador Novo da Banca, em caráter inédito, pediu um voto de repúdio à coordenação das eleições do conselho tutelar em Vitória, organizadas pelo COMDICA. No debate, vereadores atribuíram a culpa à presidente do COMDICA, mas também à omissão da prefeitura municipal de Vitória. Mas outra questão igualmente séria, que não foi tratada, é a respeito da prática de compra de votos presente como sempre nas disputas eleitorais da cidade, assunto no qual nossos representantes pouco falam, e quando se comenta é com boa dose de cinismo.
Nas filas das urnas, havia vários testemunhos a respeito de quem e onde estavam comprando votos, e até a especulação do preço (R$ 30,00). Obviamente é um problema que merece denúncia, entretanto, não há provas do ilícito, a não ser os “testemunhos” que circulam na cidade, pois a compra de sufrágio conta com a “cumplicidade das nossas instituições e costumes”.
Ao contrário do que certo pensamento cínico costuma dizer, “de que toda eleição tem que ter compra de votos”, temos que tentar mostrar pra cidade que há outras alternativas mais positivas pra sociedade: debate de ideias, mobilizar pessoas para participarem e pensarem politicamente a cidade, oferecer mecanismos de cobrança para a população.
Práticas eleitorais republicanas poderiam se espalhar, caso uma parcela grande da sociedade envergonhasse os profissionais compradores de sufrágio. Como? Filmando com o celular e circulando na internet, criticando e contestando, explicando aos desinformados que isto é ilícito. É possível? Claro. A título de exemplo, há décadas ninguém se interessava pelo meio ambiente, porém hoje muita gente se sente constrangida em jogar papel na rua. Ou seja, é um processo demorado, mas viável.
Dizem que é infantil querer fazer uma eleição republicana e democrática. Ora, não temos que ter vergonha de buscar fazer uma eleição democrática e republicana. Vergonhoso é comprar votos e tentar fazer dos eleitores um curral.
