“Árvore da vida” – por Siga: @historia_em_retalhos.

Desde o dia em que ganhei de meu amigo André Luiz uma muda de baobá, fiquei com uma inquietação: gostaria de que essa planta crescesse em um espaço coletivo, onde as pessoas pudessem conhecer melhor o seu significado.

Essa árvore foi mundialmente divulgada no clássico “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupery, e, para nós, é um símbolo muito importante da nossa ancestralidade africana.

Muitos a chamam de “árvore da vida”!

Foi quando procurei o urbanista social e militante da causa da cidadania Murilo Cavalcanti, propondo-lhe a doação da muda, em nome do Núcleo do Patrimônio Cultural do MPPE, a alguma unidade da Rede Compaz.

Murilo topou e ontem nos proporcionou uma manhã maravilhosa!

Não sei se todos sabem, mas Murilo e a Rede Compaz buscaram inspiração nos avanços sociais de Medellín, na Colômbia, tendo essa parceria gerado um trabalho de inclusão social e cidadania que dá gosto de ver.

Antes do plantio, porém, decidi realizar uma enquete para batizar a muda.

Após uma disputa apertada com Naná Vasconcelos, venceu o nome “Princesa Aqualtune”.

Sim, venceu a opção por uma mulher preta e guerreira.

Arrancada de sua terra natal para ser escravizada no Brasil, a princesa congolesa Aqualtune é uma figura lendária, que reverbera no imaginário da mulher afro-brasileira como um símbolo muito forte de resistência e luta.

De princesa africana a escravizada no Brasil, com seus conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, Aqualtune, efetivamente, pode ter sido fundamental na consolidação do Quilombo dos Palmares, principal foco da resistência negra no Brasil.

Só tenho a agradecer a todos os que se envolveram comigo nessa ideia!

Vida longa ao baobá Princesa Aqualtune!

Vida longa ao Compaz!

Obrigado à minha esposa @carlafmaciel, à minha filha, à querida amiga @alinearroxelas, a Bebel e aos amigos @murilo.compaz e @eli_masceno1973 pelo dia de ontem!
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O istmo que separou as cidades-irmãs – por @historia_em_retalhos.

Neste exato ponto circulado em vermelho, ficava a estreita porção de terra que ligava as cidades-irmãs de Olinda e Recife, aniversariantes de hoje.

O deslocamento dava-se do Recife em direção a Olinda, em razão da fartura de água potável na vila olindense, algo muito comum nos processos de ocupação.

Essa estreita faixa de terra (aproximadamente 80m de largura) existiu até o comecinho do século 20.

Em 1909, iniciaram-se as obras no Porto do Recife, com a construção do molhe de Olinda, na altura, mais ou menos, da fortaleza edificada pelos holandeses para proteger o istmo (Forte do Buraco).

A construção do molhe de Olinda alterou as correntes marinhas, causando a ruptura do istmo, em meados de 1912.

Abriu-se, então, uma fenda (foto), que separou Olinda do Recife, transformando o Bairro do Recife, definitivamente, na ilha que ele é hoje, e não mais na península que ele já foi um dia.

É por isso que dizem que o rompimento do istmo foi um “efeito colateral” das obras de reforma do porto e que o Bairro do Recife é uma ilha “por acidente”.

Uma coisa, porém, é certa: apesar do rompimento do istmo, há 488 e 486 anos, respectivamente, Olinda e Recife seguem irmanadas fazendo história.

A primeira, Marim; a segunda, Maurícia.

A primeira, lusitana; a segunda, holandesa.

A primeira, das colinas; a segunda, dos rios.

Parabéns às cidades-irmãs, Olinda e Recife, aniversariantes do dia de hoje! .

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Instituto Histórico: reunião ordinária.

Retornando com boas e necessárias reuniões ordinárias, na manhã do domingo (12) – no prédio que hospedou o Imperador Pedro II –  a diretoria do Instituto Histórico e demais sócios reuniram-se para tratar de assuntos de interesse da referida instituição.

No encontro, comandado pelo presidente Pedro Ferrer, além de questões administrativas tratou-se da pauta do próximo evento do Instituto atinente às comemorações do dia 06 de maio – Elevação da então Vila de Santo Antão à categoria de Cidade.

A história de Pata Seca – por @historia_em_retalhos.

A história de Pata Seca, o escravo que teria tido mais de 200 filhos.

Uma das facetas mais tristes do fenômeno perverso da escravidão era a equiparação dos escravos a coisas ou animais.

Naqueles tempos, ter um escravo tido como “reprodutor” era algo desejado pelos senhores, porque os seus frutos seriam mão de obra para os trabalhos forçados no campo.

Esse foi o caso de Roque José Florêncio, que entrou para a história como o escravo que teria tido mais de 200 filhos e morrido aos 130 anos.

Roque ganhou o apelido de “Pata Seca”, porque tinha as mãos longas e finas e foi declarado “escravo reprodutor”, em razão de sua altura de 2,18 metros, atendendo ao mito que existia na época de que homens que eram altos e com as canelas finas tinham maior tendência de gerarem filhos do sexo masculino.

Nascido na primeira metade do século 19, foi comprado pelo latifundiário Francisco da Cunha Bueno e viveu nos arredores da cidade de São Carlos, interior de São Paulo.

Ele era obrigado a visitar as senzalas regularmente para violar as mulheres que lá estavam, em um processo extremamente violento, especulando-se que seja o antecessor direto de aproximadamente 30% da população do distrito de Santa Eudóxia.

Pata Seca não trabalhava na lavoura, nem vivia na senzala.

Tinha boas relações com o seu proprietário e era responsável por percorrer todos os dias, a cavalo, os 35 quilômetros que separavam a fazenda da cidade de São Carlos para buscar as correspondências, além de cuidar dos demais animais de transporte da propriedade.

Faleceu em 1958 e, até hoje, pesquisadores tentam descobrir mais sobre a sua vida, inclusive se viveu realmente até os 130 anos, como está registrado em sua certidão de óbito.

O documento emitido aponta que o escravo morreu de insuficiência cardíaca, miocardite, esclerose e senilidade.

Marinaldo Fernando de Souza, doutor em educação pela UNESP, escreveu uma tese baseada na vida de Pata Seca, explicando que a falta de mais registros sobre a sua história está na desvalorização da memória negra.

“A história oficial tende a forçar o esquecimento da memória negra”, afirma.
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Banana Mix – ano 01 – o bloco do vereador Carlos Henrique.

Com o sugestivo nome de “Banana Mix”, algo que endossa suas raízes políticas ao tempo que sugere uma “mistura” nos ritmos musicais executados na folia, o bloco carnavalesco articulado e representado pelo vereador Carlos Henrique se propôs a festejar a “ressaca do carnaval 2023”. O evento ocorreu no Espaço de Ouro, na noite do último sábado (04).

Entre outras programações, o “Banana Mix” condecorou algumas agremiações que desfilaram no carnaval antonense 2023, cada qual na sua categoria. Na ocasião, juntamente com outros integrantes da diretoria da SAUDADE,   subimos ao palco para receber o prêmio na categoria “Melhor Bloco de Trio Elétrico”.

Assim sendo, na qualidade de diretor presidente da SAUDADE, agradeço pela lembrança, desejando vida longa à Agremiação Carnavalesca Banana Mix.

“Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”- por @historia_em_retalhos.

Em 1989, a Beija-Flor realizava aquele que é considerado o desfile mais ousado e impactante da história do carnaval carioca.

Até hoje, esse desfile é citado e estudado.

Impressionantemente, o carnavalesco Joãosinho Trinta desnudou para o mundo o contraste entre o luxo das elites brasileiras e a pobreza daqueles que vivem no meio do lixo, em um dos países mais desiguais do planeta.

Logo na abertura, o carro abre-alas traria um Cristo Redentor em meio aos mendigos e vestido como eles.

Porém, a Arquidiocese do RJ conseguiu uma ordem judicial para proibir a apresentação da alegoria.

Joãosinho não se deu por vencido e cobriu o Cristo com um plástico preto, acrescentando a frase “Mesmo proibido, olhai por nós!”.

A polêmica gerada em torno da censura acabou dando à alegoria um impacto ainda maior.

“Atenção mendigos, desocupados, pivetes (…) esfomeados e povo da rua… Tirem dos lixos deste imenso país restos de luxo e façam a sua fantasia (…)”.

Com esses dizeres, a escola convidava para a grande confraternização: o luxo seria retirado do lixo!

Um detalhe de muita simbologia: os diretores da escola usavam uniformes iguais aos dos profissionais da limpeza.

O resultado disso foi que os garis que vinham atrás do desfile, limpando a avenida, sentiram-se contagiados, visibilizados e parte integrante da festa!

Ao fim, Beija-Flor e Imperatriz Leopoldinense (que exaltou a proclamação da República) terminaram empatadas, com 210 pontos.

Por um capricho do destino, o desempate ocorreu em uma nota originariamente descartada, no quesito samba-enredo, e a Beija-Flor amargou o segundo lugar.

Anos depois, o jurado Cláudio Cunha, que tirou um ponto da Beija-Flor no quesito evolução, disse que havia se arrependido de não ter dado a nota 10 que faria a escola de Nilópolis campeã.

Mesmo não levantando a taça, porém, o desfile emblemático entrou para a história.

Jamais uma escola de samba realizou uma crítica social tão profunda, expondo às vísceras os contrastes de um país desigual, em que a extrema pobreza e a extrema riqueza convivem dentro de uma permanente tensão.
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Demócrito César de Souza Filho – por @historia_em_retalhos.

Em 3 de março de 1945, há 78 anos, era assassinado o estudante de Direito Demócrito César de Souza Filho, líder e mártir do movimento estudantil brasileiro.

Demócrito foi morto pela polícia política do Estado Novo, durante concentração popular na Praça da Independência, área central do Recife, a favor da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência.

Um disparo o atingiu, fazendo-o cair baleado da sacada do prédio do Diário de Pernambuco, durante o discurso de Gilberto Freyre.

Foi socorrido, mas morreu às 20h50min, no antigo Hospital do Pronto Socorro do Recife.

Outro tiro matou o operário Manoel Elias dos Santos, conhecido como “Manoel Carvoeiro”.

O fato gerou um inquérito, que não levou à punição de nenhum integrante da polícia, alegando-se “crime de multidão”.

Durante a cerimônia pela passagem dos 30 dias de sua morte, o professor Soriano Neto proferiu a famosa frase:

“Destroem-se vidas, mas não se assassinam ideias”.

Para alguns, a morte de Demócrito selou o fim da ditadura de Getúlio Vargas.

Honrosamente, o Diretório Acadêmico da histórica Faculdade de Direito do Recife recebeu o seu nome.
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Na UFPE: 50 anos do 1º Seminário Brasileiro de Crítica e Teoria Literária – por Marcus Prado.

Depois do 1° Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária do Recife, da UFPE (1960), organizado pelo reitor João Alfredo da Costa Lima, com a participação de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Teles, Elysio Condé, entre outros, quase nada de marcante no gênero aconteceria na cidade.  Até quando, em março de 1973, há exatos 50 anos, os meios acadêmicos e literários, não só da capital, tiveram a oportunidade de participar de um evento que marcaria época e ficaria nos anais dos cursos literários de Pernambuco: o Iº Seminário Brasileiro de Crítica e Teoria Literária, promovido pelo Instituto de Letras da UFPE (1973), reunindo, durante 5 dias, um conjunto de especialistas dos mais representativos no Brasil naquela época.

Era notório o interesse de professores, pesquisadores, estudantes e estudiosos de áreas afins, além do Recife, vindos de lugares distantes, tendo em vista o temário previamente construído, que privilegiava o diálogo com grandes temas literários da época e que ainda hoje são atuais.

Foi seu idealizador o poeta, professor, ensaísta e crítico literário César Leal, ele que seria o “pai da Geração 65”, de quem me tornei amigo e parceiro durante muitos anos na edição semanal do Suplemento Literário do Diario de Pernambuco, na época, influente caderno de 8 páginas. Para cumprir o objetivo do seminário, César Leal escolheu uma comissão organizadora, da qual tive a honra participar, ao lado dos professores Leônidas Câmara, Piedade Sá, Edileusa Dourado, Marcus Accioly. Foram palestrantes: Afrânio Coutinho, na época, o mais influente crítico literário do Brasil, acadêmico da ABL e professor universitário, que falou sobre Literatura, métodos e objetivos, sobre a sua experiência acadêmica nos EUA e como teórico do New Criticism; (as ideias da Nova Crítica, muito em voga naqueles anos, um movimento da teoria literária surgido nos anos 20 nos Estados Unidos, que tinha como foco a separação do texto e do autor a fim de que o texto fosse objeto em si mesmo); Benedito Nunes, que se destacava pela sua intensa atividade acadêmica, como crítico literário e ensaísta, professor e conferencista internacional, que discorreu sobre a Estrutura da Obra Literária;  João Alexandre Barbosa, que nos trouxe um longo texto sobre a importância da metáfora no processo da criação literária; Lourival Vilanova, um estudioso de muitos saberes e erudição, sobre As aproximações da Literatura com o Cinema – Esboço Fenomenológico; Maria  Luiza Ramos, professora universitária de grande influência nos estudos avançados de literatura comparada e crítica literária, sobre  Fenomenologia da obra literária; Wilson Guarany, professor, crítico literário,  criador do  Programa de Pós-Graduação em Letras,  da PUCRS, sobre A estrutura do Texto Literário; Bernard Lubié, da Universidade de Sorbonne (Paris),  encerrou o evento com uma palestra sobre as correntes da Crítica Literária  da França.

Vencendo desafios e dificuldades, (foi pontual o apoio do reitor Marcionilo Lins), esse seminário teve por finalidade, na sua essência, a interpretação da obra literária como expressão artística, o lugar da teoria da literatura e da crítica de formação acadêmica, disciplinas cuja mais importante sistematização do século 20 pode ser localizada na clássica Theory of Literature (1949), de René Wellek e Austin Warren, autores de maior foco nos intervalos do evento. Também, a intenção do seminário era propiciar a troca de conhecimentos em áreas multidisciplinares, em especial Literatura, Teoria da Literatura, Crítica Literária e Criação Literária, com a finalidade de levar não só aos professores universitários como também aos mestrandos, doutorandos e alunos dos cursos de graduação um conjunto de propostas teóricas atualizadas nas áreas de estudos abrangidas pelo evento.

Marcus Prado – jornalista. 

Dia Internacional da Mulher – Instituto Histórico da Vitória.

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, o Instituto Histórico e Geográfico da Vitória presta homenagem a todas as antonenses e destaca quatro conterrâneas que fizeram história.

Martha Holanda foi uma escritora e ativista que revolucionou as estruturas da sociedade e plantou a semente do ativismo político. Nascida em Vitória de Santo Antão em 1903, ela é historicamente conhecida por sua luta em favor da causa feminina no início do século XX.

Eunice Xavier foi a única presidente mulher do Instituto até então, tendo presidido por quase 20 anos. Sua gestão destacou-se pela restauração das instalações do Silogeu e da fachada do prédio do IHGVSA, além de trabalhar ativamente para melhorar o Museu Sacro e executar a criação do Museu da Imprensa.

Maria do Carmo Tavares de Miranda foi filósofa, pedagoga e teóloga. Nascida em Vitória de Santo Antão em 1926, ela formou-se bacharela e licenciada em Letras Clássicas e Filosofia pela UFPE, doutora em Filosofia pela Universidade de Sorbonne em Paris e pós-doutora em Filosofia pela Universidade de Frisburgo na Alemanha. Ela legou ao museu o imóvel em que residia em Recife, com todo o acervo e dois terrenos.

Mariana Amália, que dá nome à principal avenida da cidade, ficou conhecida por sua bravura. Nascida na cidade da Vitória em 1846, ela se apresentou com seu irmão Sidrônio Joaquim do Rêgo Barreto ao conselheiro Lustosa Paranaguá para se alistar no Batalhão de Voluntários da Pátria em 1865, ele como combatente e ela como enfermeira no hospital de sangue.

Instituto Histórico e Geográfico da Vitória. 

Viva o nosso Leão Coroado – Corrida Com História.

Privilegiada no contexto histórico nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – possui um acervo invejável de monumentos e espaços que marcam fatos e eventos importantes, tanto no contexto local, estadual e nacional.

Nesse contexto, por ocasião da passagem dos 206 anos da Revolução Pernambucana, deflagrada a partir de 06 de março de 1817, produzimos mais um conteúdo, dentro do projeto Corrida Com História, justamente realçando o “nosso Leão Coroado” – figura de relevo no referido episódio.

O monumento produzido pelo Bibiano Silva (artista antonense), que adorna a Praça Leão Coroado, inaugurada em 1917 pelo então prefeito Eurico Valois justamente em comemoração ao centenário da revolução,  é um dos espaços mais representativos de Pernambuco dedicado ao fato histórico mais importante do nosso estado. Viva Leão Coroado!

Veja o vídeo aqui: https://youtube.com/shorts/FXJerd4xHrM?feature=share

Data Magna do Estado de Pernambuco – @historia_em_retalhos.

Por que o dia 06 de março tornou-se a Data Magna do Estado de Pernambuco?

Na verdade, a importância da data deve-se a um ato de intrepidez, bravura e coragem, que antecipou a eclosão de um movimento revolucionário.

Em outras palavras: o seis de março foi a faísca que incendiou a Revolução Pernambucana de 1817! 🔥

O clima de insatisfação que imperava em PE aumentou, consideravelmente, a partir da vinda da família real para o Brasil, fugida de Napoleão, em 1808.

A presença da Corte no Brasil importou no aumento abusivo da voracidade fiscal, sem nenhuma contrapartida para a província.

Apenas para citar um exemplo: pagava-se em PE um imposto para a iluminação das ruas do RJ, enquanto muitas vias do Recife mantinham-se na completa escuridão.

Foi aí que ambientes de reuniões, como o Seminário de Olinda e o Areópago de Itambé, tornaram-se pontos irradiadores das ideias iluministas trazidas da Europa, envolvendo intelectuais, profissionais liberais, clérigos, etc.

Ao tomar conhecimento da conspiração, o governador Caetano Pinto determinou a prisão dos insurgentes.

Em 06 de março de 1817, ao ser-lhe dada voz de prisão, o Capitão José de Barros Lima, o nosso “Leão Coroado” (foto 2), atravessou a sua espada (foto 3) no brigadeiro português Barbosa de Castro, levando-o à morte.

Apesar da precipitação do ato, ninguém segurava mais!

A revolta espalhou-se pela cidade, incendiando as ruas do Recife!

Foram 75 dias de um governo independente, republicano, com lei orgânica própria, liberdade de imprensa e de credo, separação dos poderes e até bandeira própria, que, mais tarde, em 1917, tornar-se-ia a bandeira oficial de Pernambuco.

Mesmo que de curta duração, por ausência de um anteparo militar, a Revolução de 1817 afetou as fundações do sistema vigente e foi o único movimento insurgente que, efetivamente, conseguiu superar a fase conspiratória e deflagrar, de fato, a tomada do poder.

Não sem razão, foi, intencionalmente, esquecido e apagado pela historiografia oficial, com o objetivo de que o seu exemplo jamais se disseminasse pelo restante do Brasil.

Viva o seis de março!

Salvem os revolucionários de 1817!
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UM MOMENTO PARA MIM INESQUECIVEL – por Marcus Prado.

UM MOMENTO PARA MIM INESQUECIVEL a homenagem que prestei , com o apoio do MAC/Olinda e do Conselho Estadual de Cultura, , dia 01 de setembro de 2009, ao amigo e arquiteto famoso, ACÁCIO GIL BORSOI, (penúltimo, de chapéu) patrimônio cultural de Pernambuco, de inesquecível memória. Poucos dias depois, tivemos a triste notícia de sua morte. Na foto, Borsoi aparece ladeado por Célias Labanca, presidente do MAC/OLINDA, Marcus Prado, Tereza Costa Rego, Luiz Vieira e Ana Rita Sá Leitão.

Marcus Prado – jornalista.

Carnaval 2023: minha opinião em observações…

Sábado, 18 de fevereiro, 22:30h

Ainda dentro do tema “Carnaval Antonense 2023”, na qualidade de carnavalesco observador e folião animado, jogo luz em alguns pontos da nossa festa maior que não corresponderam nessa edição histórica (volta pós-pandemia), que acaba de fechar as cortinas.

Evidentemente que não sou o dono da verdade muito menos fui nomeado para fazer parte da comissão julgadora oficial do referido espetáculo, mas o faço (opinião) pelo dever do registro e até no sentido contributivo,  naquilo que chamamos de “aperfeiçoamento constante”.

Muito bem, na nossa mente existem  algumas coisas que associamos de maneira natural: Paris com Torre Eiffel. Rio de Janeiro com Cristo Redentor. Recife com Praia de Boa Viagem. Nessa linha de raciocínio, a meu juízo, não existe “Carnaval na Vitória de Santo Antão sem a Praça Duque de Caxias”, aliás historicamente  cognominada de “Quartel General do Frevo”.

Suprimida oficialmente dos festejos de momo pela prefeitura, em 2023, tal ação provocou, entre outras coisas, uma ruptura na continua animação no percurso oficial da folia. Vou mais além: de maneira geral deu ao carnaval da Vitória, em alguns momentos, uma cara de “fim de festa”.

Sábado, 18 de fevereiro, 21:50h

Outra ação realizada pelos gestores municipais que não contribuiu em nada para o engrandecimento da nossa festa foi o chamado “Polo Imperial do Frevo”. Investimentos e energias desperdiçadas. Pouca serventia momesca!

Terça-feira, 21 de fevereiro, às 20:12h.

É bom que se diga, para ficar bem claro, que o nosso carnaval tem na sua gênesis, no seu DNA e na sua formatação um processo alicerçado nas suas agremiações. Foram com elas e através delas que construímos esse patrimônio imaterial de  mais de 140 anos de existência. Polos, palcos e outras apresentações que não sejam em movimento, no circuito da folia ou na direção dele (circuito), devem ser tratadas como “adereços da folia”, nunca como figuras centrais da festa, tanto do ponto de vista do investimento financeiro quanto na questão midiática. Isso é uma inversão de valores!

Acredito que o critério determinante para a armação da estrutura na Praça Leão Coroado e também à determinação,  por parte da prefeitura,  que todas as concentrações, largadas e chegadas de agremiações animadas com trio elétrico  fossem no bairro do Livramento,  tenha obedecido o crivo político/administrativo, já que a atual gestão, recentemente, promoveu algumas intervenções no conjunto dos equipamentos públicos lá existentes.

Já com relação ao reforço na iluminação do circuito oficial da folia poderíamos dizer que por mais um ano o folião vitoriense que brincou no horário noturno foi bastante prejudicado. Entre outros trechos, por exemplo, à Rua Melo Verçosa ficou muito “mal na fita”. Outro “pecado” cometido pela atual gestão nesse carnaval  está diretamente ligado à ornamentação temática da cidade. Muito pobre e sem a mínima criatividade e, diga-se de passagem, aplicada com bastante atraso.

Com relação aos carros alegóricos, para não me alongar muito, apenas duas observações: a boa é que de fato houve,  por parte da gestão municipal, um interesse no fomento dessa cultura local. O detalhe dessa operação,  e aí segue uma visão histórica e futurística num só tempo, é que o principal  “oxigênio” dessa cultura local  (carros alegóricos) sempre foi à disputa entre as agremiações e seus respectivos criadores (artistas). Esse ano, nada disso existiu. Isso é preocupante.

Num passado mais ou menos distante nossos carros alegóricos eram “produtos tipo exportação”  em função da criatividade, do luxo e da tecnologia aplicada. Muitos deles, inclusive, sendo destaque na capital quando lá se apresentavam.  No atual contexto, mesmo dispondo de muito mais  recursos – facilidades e possibilidades –  os mesmo, sob os pontos antes elencados (criatividade, luxo e tecnologia), não produziram, como se esperava,  deslumbramento nos mais velhos nem curiosidades aos mais jovens.

Concluo essas palavras em  registro escrito da maneira que comecei, dizendo: não sou o dono da verdade nem muito menos fui nomeado para fazer parte da comissão julgadora do referido espetáculo. Essas, portanto, são algumas das minhas observações sobre o carnaval antonense 2023 que julgo pertinentes. A partir de agora, já contando os dias para a folia de 2024 chegar! Vamosimbora…

“Escândalo da Mandioca” – por @historia_em_retalhos.

Era apenas mais uma manhã de sol escaldante, em Floresta/PE, no ano de 1981.

David Jurubeba, fazendeiro e tenente da PM, teve um pedido seu de financiamento negado pelo gerente do Banco do Brasil, Edmilson Lins.

Preterido, Jurubeba criou um tumulto no interior da agência, ameaçando denunciar a “roubalheira” que estava acontecendo nos financiamentos agrícolas da cidade.

Decidiu, então, escrever uma carta ao presidente do banco, Osvaldo Collins, que, desconfiado com o teor do que foi narrado, enviou uma equipe de auditores para apurar a denúncia.

Se você nunca ouviu falar deste fato, está na hora de saber: a partir daí, estouraria o maior crime financeiro da história de PE, o famigerado “Escândalo da Mandioca”.

A engrenagem funcionava da seguinte maneira: documentos falsos eram apresentados para a obtenção de créditos agrícolas, utilizando-se, para tanto, cadastros frios, propriedades fictícias e agricultores fantasmas.

Os empréstimos eram realizados pelo banco, em tese, para o plantio da mandioca.

Em seguida, alegava-se que a seca destruíra as plantações (que nunca foram feitas) e ninguém pagava nada, sendo, ainda, os “prejuízos” cobertos pelo seguro agrícola (Proagro).

Estima-se que foram realizados 300 financiamentos irregulares, o que importou em um desvio de Cr$ 1,5 bilhão.

Do outro lado deste lamaçal, estava o jovem e idealista procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, que, aos 35 anos, conduzia com esmero as investigações para responsabilizar os envolvidos no esquema.

Pedro pagou com a vida o preço da sua coragem.

No final da tarde do dia 03 de março de 1982, foi assassinado, com três tiros, na frente de uma padaria, em Olinda.

Os 07 envolvidos no crime foram levados a júri popular e condenados, após uma polêmica decisão de impronúncia do juiz Genival Matias.

No ano passado, um novo monumento a Pedro Jorge foi erguido no Recife (foto).

Trazer a memória e a lição cívica de Pedro Jorge à tona deve estar, sempre, na ordem do dia.

Esfarelaram-se para a história aqueles que o subjugaram pela violência, mas Pedro Jorge vive.

Vive pelo seu exemplo.

Salve Pedro Jorge de Melo e Silva.
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