Fim de Semana Cultural:
A Vida (poesia) – Por Egidio T. Correia

A vida é um jogo de opções
Umas dão muito certo
Outras não.
Nada a estranhar, nada a lamentar
O que vale é optar e batalhar
Pelo o que a gente quer – sempre!

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Nuvem Mórbida (conto) – por Arquiles Petrus

Os sinos tocam, uma leve ventania fazia um dos senhores segurar o seu chapéu, enquanto um dedo enrugado deslizava entre as peças de damas. Ele sentou e esperou. Observava atentamente a escadaria da igreja, as beatas desciam em pequenos passos, as crianças começavam a correr de um lado para o outro ao som da Ave-Maria que saia dos alto-falantes. Pombos circulavam do outro lado da praça, talvez, esperando um daqueles senhores sacudirem os grãos ao chão.

Ele não conseguia parar de olhar os senhores do tabuleiro; apesar de estar ali esperando há mais de trinta minutos, ele continuava com o seu sorriso de quem estivesse passando por uma experiência talvez única.

O carro parou e buzinou. Aquele barulho havia chamado a atenção de todos, inclusive dos pombos, que ao buzinar do automóvel, voaram em direção aos braços do Cristo crucificado. Você não vem? Perguntou a garota, da porta do carro.

Acertaram o encontro na tarde anterior. A mesa era estreita, mas chegava a caber diversas canetas e lapiseiras além de grossos livros de história e cadernos que se revezavam entre eles tentando um descobrir como o outro respondeu aquela questão. Mário – interrompeu ela – você já foi num asilo? Ele achou um pouco estranha aquela pergunta; o que havia o asilo com a história? Não… acho que não, por quê? Ela fechou os livros e explicou ainda com a lapiseira na mão que seus pais visitavam, sempre aos domingos, um lar de idosos perto da chácara da família. Após diversas tentativas, ele acabou cedendo.

Eram dois galpões divididos por um salão principal; na entrada um senhor trabalhava em um modesto jardim repleto de acácias; ele, assim que avistou os visitantes logo abriu um sorriso e acenou. O carro acabou parando perto da lavanderia, que ficava um pouco depois das acácias.

No salão principal, dezenas de senhores e senhoras batiam palmas em um belo louvor, enquanto outros apenas cochilavam, sentados em um dos sofás avermelhados espalhados pelo salão. Por um momento pensou em voltar para o carro e esperar que sua amiga voltasse com seus pais, mas ele era um jovem curioso. Logo entrou em um dos cômodos do primeiro galpão e apesar de ter demorado um pouco, logo se habituou.

Mas foi no quarto de número sete, que ele conheceu dona Tonha; ele sempre ficava com algum receio ao conversar com ela, mas ela era sempre comunicativa, falava de tudo: sua cidade, a santíssima e a casinha que tinha. Chorava quando falava de seus filhos. Mas logo mudava de assunto, falava da época da ditadura, lembrava do cadastro que havia feito com os comunistas. Nome? Antônia Maria Dolores. Filhos? Três. José Joaquim, José Manoel e José Severino. Fotos? E ela entregava as fotos 3×4 de cada um. Com o sentido que em uma semana chegaria os prometidos. E chegava; nas cestas vinham a cada quinze dias: arroz, feijão e batatas. Um quilo de cada.

Contou que cozinhava um pouco de cada coisa, sempre a cada quatro dias, economizava fervorosamente o santo alimento dos comunistas, mas como tudo chega a um fim. Ela chorou.

Falou da ajuda que recebia dos Bezerra da Silva; deixava os filhos em casa, todos chorando com fome: haviam passado mais de três noites sem comer nada. Chegava no armazém do Chico Bezerra por volta das quatro da madrugada. Ele quando a via, já pegava uma sacola de plástico e colocava um punhado de cada um dos cinco sacos de farinha. E ela corria para casa, fazia uma mistura de sal, água e farinha e cinco minutos depois estava todo mundo feliz, de barriga cheia.

A afinidade era tanta entre Mário e ela, que ele começou a visitá-la todas as tardes de domingo. Ficavam horas conversando e comendo pedaços de bolo (de mandioca) que ela adorava.

No quarto, de uma pequena escrivaninha ela tirava seus talheres e um prato, nunca comia em outros, sempre só nos seus. Ele sempre reparava nesses pequenos detalhes que faziam parte do cotidiano dela. Em cima da escrivaninha ela sempre acendia uma vela, e por volta de cinco minutos de seu jovem amigo chegar orava, pedindo forças e saúde ao seu novo neto.

Ele completou quinze anos, começou a trabalhar em uma obra perto de casa. Era quinta-feira da paixão, correu até lá para contar a ela sobre o seu primeiro emprego. Foi a pé. Passou pela avenida e pelas ruas do centro às pressas. A felicidade era tamanha que ele chorava de tanta alegria.

Ele murchou; sentia como se estivesse passando por uma estranha nuvem mórbida, sentiu seu coração arder ao ver uma estranha movimentação no salão principal. O que está havendo? Perguntou assustado.

O choque foi tão grande, que tudo escureceu. Bamboleou e quase caiu perto do caixão.

*Conto integrante do livro Cataclismo, Editora Baraúna, 2005.

Arquiles Petrus – Escritor vitoriense, membro da
Academia Vitoriense de Letras.

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Fim de Semana Cultural:
Viver – Uma experiência (poesia) – Por Elmo Freitas

Viver…

Uma experiência

Um tanto

Quanto

Confusa.

Mas,

Deve ser

No mínimo,

Um instante

Inusitado, divertido e

Inesquecível.

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
(Des) Amantes (poesia) – Por Darlan Delarge

Os amantes - Rene Magritte

Com os olhos o homem sussurra e a mulher sorri.
Perdidos na madrugada sem nome entre dois dias quaisquer.

Sobre a escuridão à luz de olhares: imaginação de ambos.

Falando por diminutos silêncios (com amor, com paixão)

Esperando que estes (dois) faleçam,

Para o bem…

Dele.

Dela.

Deles.

Darlan Delage – Poeta “Os Confundidos”.

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Fim de Semana Cultural:
Bicicleta (poesia) – Por Egidio T. Correia

Você anda de bicicleta? Ótimo!
Para pedalar: aprume o corpo,
Equilibre a mente,
Movimente os braços,
Force os pés, olhe pra frente.
Para viver;
Faça tudo isso e muito mais
A bicicleta é igualzinha a vida da gente
Quanto mais se pedala, mais se aprende.
Pense nisso.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Poema Concreto (poesia) – Por Darlan Delarge

Idéia sem nexo
Idéia sem forma
forma sem nexo
forma sem forma
formato
calado incensato
surreal emister
pobre de idéal fraco
forte e triste

Darlan Delage – Poeta “Os Confundidos”.

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Fim de Semana Cultural:
Viaje pelo Blog do Pilako, (poesia) – Por Egidio T. Correia

Ele mostra a cidade…

Seus defeitos e seus buracos.

Mas também fala de coisas boas;

Quando Vitória merece outro papo.

Músicas, artes, poesias,

Carnaval, cavalgada e fantasias…

Um retrato do dia-a-dia…

O blog do Pilako

É assim:

Sem vergonha, sem temor e sem patim.

Fala do bem e do mal, da coisa boa e da coisa ruim.

Quando é boa ele elogia,

Quando é ruim ele desce o pau.

O blog do Pilako é como ele;

VITORIENSE CONFESSO

PORQUE PARA ELE, VITÓRIA É O SEU UNIVERSO!


Egidio T. Correia
 é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Um coração indeciso e fragmentado (poesia) – Por Elmo Freitas

Estas palavras

Estão sendo escritas

Com os olhos fechados,

Mas com a alma aberta;

Com o silêncio mais profundo

E com a eloqüência e o tormento da ansiedade.

Estão sendo escritas como meio de acalmar um vento impetuoso

Que, por não ter uma direção, atinge instantaneamente

Um coração indeciso e fragmentado

Pela incerteza do tempo e da vida.

Ferido pela incompreensão

E por infinitas gotas

De medo.


Elmo Freitas
 – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
Dia após dia (poesia) – Por Elmo Freitas

Cada dia um aprendizado;

Cada aprendizado uma incerteza;

Cada incerteza uma vontade;

Cada vontade um objetivo;

Cada objetivo uma luta;

Cada luta uma batalha;

Cada batalha uma vitória.

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
Cataclismo (conto) – por Arquiles Petrus

Ilustração: João Francisco

Acordo. O relógio marca seis da manhã. Um cansaço emocional me vem à tona. Uma dor intensa na cabeça me faz ficar um pouco deitado por mais alguns instantes.

Visto-me e vou à sala. Não vejo ninguém. Na cozinha só encontro algumas panelas em cima do fogão. Acho que todos ainda dormem. Lavo os olhos num banheiro ali perto e volto ao quarto para procurar algum calçado pra sair.

Pela Praça da Matriz, sigo em direção à avenida. Lá, encontro dezenas de pessoas tentando limpar as ruas completamente atoladas de lama; tenho que medir os passos para poder conseguir continuar, as casas comerciais estão em caos, portas foram arrombadas pelas águas, dava para ver dezenas de celulares, sapatos e várias outras mercadorias encharcadas de lama nas encostas. Alguns tentam salvar o que restou… outros roubavam o que havia restado.

Pasmo, porém curioso, acelerei os passos. No final da avenida, escuto alguém falar da Rua da Madeira. Não ouvindo bem o que aquele senhor havia falado, decidi ir até lá, afinal, estava bem perto dali.

Um bebê chorava enquanto eu caminhava pelo que restava daquela rua. Sinto alguma coisa rodar em meu estômago. Aquilo não parecia ser uma rua, muita lama espalhava-se entre aparelhos de televisão, sofás ou brinquedos; lá, quase não se encontravam casas. Aquele conjunto popular estava em ruínas, várias delas haviam caído com a força daquele rio. Quando de uma hora pra outra, sinto alguém me puxar pelo braço.

“Aqui, filho, aqui, veja…” – Falou uma senhora apontando um risco na parede.

Senti como se meu coração tivesse sido colocado em uma máquina de moer carnes, com alguém rodando uma maçaneta, aos poucos. Meu coração estava em migalhas.

“A água chegou aí?” – Pergunto perplexo.

Antes que ela respondesse, eu já estava muito longe. Voltei minha atenção à rua, enquanto aquela senhora começava a contar como conseguiu salvar seu animal de estimação.

Volto a caminhar, a situação é deplorável; eu me sinto como se estivesse em uma cena de guerra.

Diante da esquina, parei.

Uma senhora me observava. Seu olhar me chamava atenção. Ela pega em minhas mãos e olhando em meus olhos, deixou algumas palavras saírem de sua boca: “ainda há quem reclame da vida por tanta besteira…”

Concordei com ela, chorando. Talvez, ela conhecesse minha vida muito mais do que eu.

** Conto escrito em outubro de 2004.
** Publicado em 2005 no segundo livro do autor, “Cataclismo” (CONTOS) – Editora Baraúna

Arquiles Petrus – Escritor membro da
Academia Vitoriense de Letras

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Fim de Semana Cultural:
Ao odor das Coisas (poesia) – Por Darlan Delarge

De tudo se sentia um cheiro peculiar
e foi registrado na epigenese à memória
uma combinada coleção “viscosa” de ar
e disso expeli e absorvi, se não, sucumbiria.

Lembro-me de substancias extensas:
um esgoto, um jardim… a oxigenese austral.
A Asmática influencia de tais lembranças
Registradas no hipocampo desse cérebro fetal.

Na vida há um Odor Belial superexcitador
de quem um dia possuiu um olfato de infante.
E sussurro revelando um futuro estimulador:

– Deixo vivo em odores o que causa delírio.
Aos meus filhos, eu podre a feder… assimilando
à tristeza do caixão ao cheiro reconfortante dos Lirios.

Darlan Delage – Poeta “Os Confundidos”.

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Fim de Semana Cultural:
Por uma cidade melhor (poesia) – Por Egidio T. Correia

A rua é pública,
Ela pertence a mim,
Ela pertence a você.
A rua é nosso caminho,
Cuidemos dela com carinho.
A rua pode estar bem cuidada,
Ou maltratada,
Estar cheia de lixo,
Feia, esburacada, desajeitada.
As ruas são como as veias de uma cidade,
Carregam o sangue de sua gente.
De gente limpa gente sadia.
De gente suja gente doente.

Cidade limpa é cidade civilizada.

Se não sujar
Nem precisa limpar.
Limpeza não é só questão de beleza,
É acima de tudo, uma questão de saúde.
O que só depende de nossas atitudes.
Ratos, moscas, baratas
Não gostam de limpeza
E levam sujeiras das ruas pra sua mesa.

A responsabilidade é minha.
A responsabilidade é sua.
Cada um tem a cidade que merece
E a cidade que sempre quis,
Vamos cuidar de nossa cidade
E viver mais feliz…

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Água que sempre quer ir pro teto. (poesia) – por Rildo de Deus

Água da torneira
privada, da cachoeira
que sobe pro teto.
Teto onde embaixo todos mora.

Água que cai em pé:
Pé d’agua!
E desce em ré
de quem sobe a ladeira
com a lata d’agua na cabeça.
Água da privada
da descarga que parece cachoeira.
Água que sempre quer ir pro teto.
Teto que embaixo todos mora.

Rildo de Deus é Escritor e Estudante de Filosofia da UFPE

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Fim de Semana Cultural:
O outro Sol (poesia) – Por Elmo Freitas

O outro sol pediu passagem…
E as estrelas começaram cair…
Luzes desfocavam a cor constante do céu.
O vento ficara visível…
O belo e o horrendo deram-se as mãos…
O caos reinou…

Abraços…
Lágrimas…
Venerações…
Adorações…
Clemência…
Medo…
Dor…

Uma vida de sonhos,
E em um instante tudo fora consumido…
Tudo fora engolido
Tudo fora banido
Só restara…
O outro Sol.

Porque um dia as coisas surgem, e outro dia as coisas…. esvaecem.

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
Sintomas do Coração (poema) – Por Egidio T. Correia

Existem corações felizes,
Estes são bem-amados.
Existem corações tristonhos,
Estes foram desprezados.
Existem corações sofridos,
Outros estão magoados.
Corações que foram traídos,
Estes são desconfiados.
Corações que estão doentes,
Batendo descompassados.
Corações com falta de amor,
Vivem sós e chateados.
Corações cheios de saudades,
De amores separados.
Corações que sofreram tanto,
Que estão dilacerados.
Corações embrutecidos,
Outros bem delicados.

Os corações nascem bons;
Mas se forem maltratados
Tornam-se perigosos
Alguns deles revoltados.
Coração é como planta
Precisa ser bem regado.
Corações quebrados, partidos…
Pela vida atropelados.
Consertá-los requer perícia, sentimentos e muito cuidado.
Cientistas da medicina
Nem todos estão preparados.
Entender de corações é deveras complicado.
Portanto peço aos Juízes,
Nem sempre bem-informados
Se acaso for julgá-los
Por favor – não sejam precipitados.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Vitória de Santo Antão – Da Geografia (poesia) – Por Darlan Delarge

Ondulada, um Caos de formas, deformada…
Grama de esverdeada secura, porém bela
Terra potente de belas gramíneas aéreas.
Fertilizada por passagens de águas juninas.

Nessa terra onde o massapê é mais extenso,
Nasceu d’um parto genérico outras especies
que hoje dispersa-se de sua mãe, desapropriadas
aqui, a terra é farta, em vegetações bem aproveitada.

(inacabado)

Darlan Delage – Poeta “Os Confundidos”.

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Fim de Semana Cultural:
O que você veria? (poesia) – Por Elmo Freitas

Se você pudesse,
Por um momento,
Ver seu ego refletido no espelho…
Entre o caos, a paz e o tormento,

…O que veria?

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
“Sem medo e sem raiva” (poema) – Por Egidio T. Correia

Com raiva se faz besteira,
Com medo não se faz nada,
A vida tem que ser vivida
Essa é a maior empreitada.
Que a raiva seja passageira,
Que o amor seja contínuo e forte,
Para que apeguismo à-toa
Se o fim de tudo é a morte?
Maravilhosas dificuldades
Que faz a gente crescer como pessoa,
E por mais dura que seja a vida,
Não importa, ela é boa.
Mágoa não é remédio
Nem dá camisa a ninguém,
Deixe a vida rolar no seu eixo,
Siga em frente e tudo bem.
Tudo passa, tudo muda,
Nesse vaivém sem fim
A vida é mesmo complicada
Mas só é boa assim.
Na selva ou na cidade,
Nós precisamos viver,
Lutemos pelo melhor,
Mas não precisa correr,
Tudo tem seu tempo certo,
Deixe a vida acontecer.
A natureza é o guia,
O tempo é o professor,
A coragem é o barco da vida,
O melhor caminho, o amor,
A esperança, o futuro,
A maior riqueza é a vida
Pra quem sabe dar valor

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Dois Pássaros (poesia) – Por Rosângela Martins / Foto por Marcus Prado

Foto: Marcus Prado

Ocultos pela escuridão da noite, amantes e amados se encontram.
Num ritual de conquistas, frases bonitas, presentes que compram…

Para distrair o cansaço, uma boa garrafa de vinho.
E assim, detalhe a detalhe, constroem o seu ninho.

Nada ou ninguém para testemunhar.
É hora de sorrir, de sentir, de sonhar…

E tendo a lua como abajur e a brisa como manto,
O amor se faz, rompendo o silêncio, num doce canto.

O dia logo amanhece com seu pudor recomposto.
Na pele, o cheiro; na boca, o gosto.

Livres outra vez, se despedem abraçados.
Prontos para voar por seus caminhos já traçados.

Poesia: Rosângela Martins é Poeta.
Foto: Marcus Prado é Jornalista e Fotógrafo.

Fim de Semana Cultural:
Fragmentos – Retrospectiva (Frases) – Por Sosigenes Bittencourt

Há 21 anos
Deus deu ao homem a água, e o homem deu ao homem a conta d’água.
No Dia de Finados, choramos por nossos mortos e por nós mesmos um dia.
Na orla marítima, em tempo de fio-dental, o binóculo procurava um biquíni.
O que mais aconselharia à polícia era não botar a mão no preso com o ódio do contracheque.
Agiota até no amor, só dá um beijo por dois.
Só nas Provas de Recuperação é que se conhece o pai do aluno irrecuperável.
(Novembro – 1987)

Há 20 anos

120 dias de licença-maternidade são mais do que o suficiente para a mulher retornar grávida ao trabalho.
O preço do tira-gosto tira o gosto de beber.
No dia das eleições, é proibido vender bebida alcoólica e fugir da cachaça de votar.
Urge que se crie o Pronto Socorro do tempo, para socorrer as vítimas do Horário de Verão.
Mais um avião cai na Cordilheira dos Andes. Impõe-se um conselho: não andes pela Cordilheira.
(Novembro – 1988)

Sosigenes Bittencourt é cronista e blogueiro.

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